História . riddles of life . - Capítulo 11


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Categorias Harry Potter
Personagens Abraxas Malfoy, Alvo Dumbledore, Avery (Riddle-era), Gellert Grindelwald, Merope Gaunt, Personagens Originais, Sra. Cole, Tom Riddle Jr., Tom Riddle Sr.
Tags Drama, Revelaçoes, Tom Riddle, Tom Riddle Jr, Tom Riddle Sr
Visualizações 181
Palavras 2.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - . capítulo onze .


A casa de Dumbledore era calorosa, mas Tom não se sentia nem um pouco quente.

Deitado na cama abraçado a seus joelhos, ele ainda sentia um calafrio bem no fundo do seu estomago, mas era o tipo de calafrio interno que persiste em você muito depois do frio ter ido embora. O tipo ligado muito mais ao sentimento de vulnerabilidade que o comia por dentro do que com a temperatura. Tom não chorava, ele já tinha gastado lagrimas demais nos últimos tempos, mas ele sentia como se estivesse chorando.

Ele queria seu pai.

Tom apertou seus joelhos contra seu peito e contemplou como ele odiava o sentimento de pura saudade que pulsava em suas veias, tão repentino e desconhecido que prendia sua respiração em sua garganta e fazia com que ele se engasgasse com o nada. Ele não deveria sentir saudade. Ele mal conhecia o homem, ele e Riddle tinham acabado de começar a se conhecerem. Ainda assim, Tom não conseguia se impedir de desejar estar do lado dele, em seus braços quentes, sendo abraçado como ele não se lembra de ter sido abraçado por nenhuma outra pessoa.

Tom nunca tinha sido o tipo de criança que precisava ser acalmada depois de um pesadelo, mas aquilo não era apenas um pesadelo, era? Aquilo era uma premonição, a ponta do iceberg, apenas uma das coisas que iriam mudar agora que ele sabia de sua descendência bruxa.

E ele não queria mais mudanças. Ele queria estar com seu pai, com Edward e com Mary e até mesmo com Cecilia.

Mas eles não queriam ele. Tom era a mudança na vida deles, a pedra que não os permitia viver suas vidas normais como eles tinham vivido felizes por tanto tempo. O olhar no rosto de seu pai era apenas mais uma prova de como ele era diferente, de como ele não se encaixava naquela família perfeita.

Acontece que, Tom não se encaixa em lugar nenhum. Não em Wool, não com os Riddle e, conforme ele se sentava na cama tremendo como uma folha ao vento, ele percebeu que não se encaixava no mundo bruxo também. Tom se levantou e observou o quarto de hospedes em que Dumbledore havia o colocado. No momento em que seus pés tocaram o chão, a lareira ligou – como mágica. A casa inteira pulsava com magia e, logicamente, isso deveria fazer Tom se sentir em casa, mas ele se sentia tão deslocado quanto em todos os outros momentos de sua vida e sua única reação foi pular de susto.

Ele sentia como se sua magia negasse a de Dumbledore. Como se ele fosse negativo e Dumbledore positivo e sua magia tentasse o avisar, congelando em suas veias como gelo, que ele não deveria se misturar com o Professor. Ou talvez Tom realmente não pertencesse a lugar nenhum e estivesse apenas arranjando desculpas para seu desconforto. Talvez ele estivesse fadado a se sentir como um intruso onde quer que fosse. Hogwarts com certeza não seria diferente.

Mas por que? O que havia de tão diferente nele?

Bobagem. Ele sabia o que era.

Era a mesma coisa que fez todos do Orfanato terem medo dele, a mesma coisa que teria feito Morfino implorar até não poder mais e nunca pensar em sua família como inferiores de novo, o que fez seu pai tremer e deixou Dumbledore com um brilho de surpresa e desejo em seus olhos. Era a mesma coisa que corroía Tom todos os dias, cada vez mais forte, mais pesada. Era a coisa que sacudia as costelas fracas demais de Tom naquele exato momento, acordando seu coração, jogando ejeções de adrenalina por todo seu corpo.

Tom sabia que sua magia era a única coisa que o tornava especial, a única coisa que fazia as pessoas olharem duas vezes para ele. E ele nunca abriria mão dela.

Nunca em sua vida ele desejou não ter sua magia, nem mesmo por um momento. Não importa quantas pessoas ele perdesse por causa dela. Não importa quantas vezes a Sr. Cole tivesse o acusado de ser o Anticristo. Não importa que ele agora saiba da família nojenta da qual ele tinha a herdado. Não importa o medo que as vezes crescia dentro de si, o medo da magia um dia se voltar contra o feiticeiro e ele acabasse transformando seu cérebro em uma bagunça de ligamentos sangrentos desconectados. No final do dia, sua magia o tornava quem ele era e Tom estava bem orgulhoso dela, muito obrigado.

Ele só não entendia por que outras pessoas não gostavam dela.

Ok, ele entendia porque Dennis e Amy tinham medo dele. Aqueles dois tinham mais motivos do que qualquer outra pessoa no mundo e se eles melhorassem e tentassem se vingar, Tom não iria nem culpa-los. Mas Riddle? A Sra. Cole? Cecilia? Tom nunca fez nada contra eles, diretamente, não importa quantas vezes ele tivesse sonhado em vê-los pegando fogo e pagando pelo que eles tinham feito com ele.

E Edward? Tom engoliu seco, uma horrível realização correndo por sua cabeça. Quando crescesse, seu irmão provavelmente o temeria também. Cecilia encheria sua cabeça com histórias de terror sobre Tom, como se ele fosse uma dessas bruxas de conto de fadas que os pais contam para fazer suas crianças se comportarem. Provavelmente, Edward teria horríveis pesadelos com todas as vezes que Tom tinha o pegado no colo, pensando em como ele poderia ter sido atacado. Talvez até sentiria nojo de ter sido carregado por ele.

Sua saliva parecia amarga, enchendo sua boca de uma maneira nem um pouco agradável, e Tom sentiu a repentina vontade de vomitar ali mesmo. Ele tropeçou para perto da lareira e, se segurando na parede, observou o fogo com atenção dobrada, deixando que seu crepitar ensurdecesse seus ouvidos. Mesmo que ele tivesse ficado com sua visão cheia de flashes brancos, Tom agradeceu por ter algo em que prestar atenção além de seus pensamentos.

Na direção em que seu cérebro estava indo, seria melhor se ele fosse dormir. Certamente, sentia como se fosse se jogar naquela lareira se continuasse com aqueles pensamentos – principalmente se continuasse pensando nos Riddle. Mas no que mais ele poderia pensar? Apenas olhar para a cama e se imaginar deitando nela, ficando a mercê de apenas si mesmo até que conseguisse cair no sono, o deixava coberto com uma camada fina de suor frio. Não. Ele não conseguiria dormir, mas também não conseguiria permanecer do jeito que estava.

Tom se endireitou, respirando dificilmente. A pedra das paredes parecia estranhamente quente sob seus dedos... ou ele estaria imaginando por causa do sono? De qualquer maneira, ele já tinha retirado sua mão, nervosamente, e a apertado contra seu peito.

O que eu estou fazendo? ele se perguntou, soltando uma risada sarcástica. Aquilo estava tão errado. Ele nunca tinha gostado de ser autodepreciativo ou depressivo. Sua vida já era ruim o suficiente sem ele ficar reclamando. Nunca tinha se importado se as pessoas gostavam dele ou o temiam. Por que tinha deixado a opinião de Riddle e sua família o machucar tanto? Isso não importa, ele se decidiu, fechando seus olhos e soltando uma respiração tremula. Quando voltou a pensar, estava muito mais decidido. Se seu pai não estava com ele, era porque Riddle não queria. Mas Tom tinha vivido 9 anos, agora quase 10, sem ele e tinha sobrevivido.

Quanto ao vazio em seu peito... ele iria desaparecer com o tempo. Em alguns anos, Tom nem se lembraria mais do desespero que corria junto com a magia em seu sangue, que fazia seus pelos ficarem de pé e sua pele ficar arrepiada. Em alguns anos, Tom não faria ideia de como era sentir desesperança o comendo de dentro para fora, aquela tristeza que parecia um animal tentando rasgar suas entranhas. Ele precisava acreditar que, em alguns anos, aquilo tudo seria apenas uma lembrança amarga.



Tom não sabe quanto tempo ele ficou ali perto da lareira olhando para o fogo, mas seus olhos já estavam secos quando Dumbledore bateu na sua porta e então entrou sem esperar que ele falasse algo. Por reflexo, ele tentou secar seus olhos, mesmo que ele não estivesse chorando.

— É bom ver que você está acordado — disse Dumbledore, com um sorriso leve. — Emyrs estava preparando nosso café da manhã e percebi que eu não sabia do que você gostava, então eu achei melhor chama-lo. Afinal, não gostaria que ele fizesse algo apenas para descobrir que não é do seu gosto.

Tom bufou. É claro que até Dumbledore perguntaria do que ele gosta, mas seu pai não.

— Bem, porque não vamos indo? — continuou o professor, fazendo um gesto para porta.

Tom arregalou os olhos, encarando o pijama ridiculamente grande que ele usava. Ele achou que teria tempo para se trocar...

— Mas...

— Vamos, vamos. — Colocando o braço sobre seus ombros magros, Dumbledore o forçou a sair do quarto com uma calma calculada, com a facilidade e arrogância de alguém que move uma peça de xadrez num jogo que sabe que vai ganhar. — Eu preparei um chá para nós tomarmos enquanto esperamos por tudo.

Quando chegaram na sala de jantar, Dumbledore pediu para que Tom se sentasse em uma das doze cadeiras em sua longa mesa e então desapareceu em direção ao barulho de panelas se batendo que ele imaginava ser a cozinha. Não demorou para voltar com uma chaleira fumegante na mão, seus olhinhos azul-claros astutos brilhando.

— Você gosta de chá preto? — Ele o serviu, novamente sem esperar sua resposta. — É o meu favorito desde que eu era criança, minha mãe sempre fazia para mim e meus irmãos e nossa casa sempre cheirava a ele. Oh, as lembranças. — Dumbledore balançou a cabeça. — Mas eu não acho que você se importe com isso, não é? Me diga, você gosta de omelete? Ermys está preparando uma bem especial para você. — Tom concordou com a cabeça devagar. — Bom. Sabe, ele está bem preocupado com sua vinda. Quer ter certeza de que tudo está perfeito, coisa de Elfo Domestico. Como foi sua noite, aliás?

Tom encolheu seus ombros.

— Tive alguns problemas para dormir, mas tenho certeza que não é culpa de Emyrs. O quarto estava bem confortável, então minha insônia é a única para qual devemos apontar os dedos. — Ele se remexeu inquieto. Se sentia desconfortável usando os pijamas no meio de uma sala tão grande e cheia de coisas de aparência caras e, mesmo que soubesse que era irracional, sentia uma raiva de Dumbledore, como se o mais velho tivesse feito aquilo de propósito.

— Ah, sim, passar as noites em claros pode ser bem ruim ­— afirmou Dumbledore, fazendo Tom segurar uma revirada de olhos.

Como se eu não soubesse, ele pensou.

— Principalmente quando temos nossos pensamentos como única companhia. A cabeça humana... — Dumbledore soltou um suspiro, observando Tom por cima de sua xicara. — A coisa mais estranha, mais incrível e poderosa que nós temos, mas também a mais autodestrutiva e perigosa de se ficar sozinho com. Mas eu tenho certeza que alguém tão jovem quanto você não tem nenhuma dessas preocupações. Afinal, na juventude, todos os nossos problemas são muito menores e fáceis de se resolver.

— Se você diz. — Tom sentiu suas bochechas ficando vermelhas e, naquele momento, ele queria poder desaparecer. Talvez não fosse a intenção de Dumbledore, mas ele não pode sentir a vergonha crescendo dentro de si ao pensar na dor que sentia a pouco tempo atrás... Não. Ele não iria pensar assim. Quem Dumbledore achava que era para dizer que seus problemas eram pequenos e fáceis?

Ele respirou fundo.

— Eu não discutiria com alguém com tanta... vivencia. — Tom sorriu ironicamente, ligeiramente de lado. — Afinal, você é muito mais velho do que eu.

Dumbledore apenas riu.

— Realmente, eu sou. — E então ele fez uma pausa muito grande, deixando que o silencio crescesse na sala desconfortavelmente enquanto tomava o chá numa golada muito maior e mais demorada do que necessário. — Por isso acho que vamos nos dar tão bem. Essa casa precisa de um cérebro jovem. E eu preciso de um companheiro. Seus miolos serão bem vindos.

Tom tinha a horrível sensação de que não era por causa de seu cérebro que Dumbledore o queria em sua casa.


Notas Finais


Esse capitulo foi menor e não tivemos nenhuma aparição de Riddle, mas eu queria falar um pouco mais sobre os sentimentos de Tom e mostrar as interações dele com Dumbledore um pouco melhor. Eu até que gostei de como as coisas acabaram saindo 🤷


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