História Right Time - Capítulo 18


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Categorias Wynonna Earp
Personagens Nicole Haught, Waverly Earp
Tags Brovost, Dominique Pc, Kat Barrell, Lgbt, Nicole Haught, Waverly Earp, Wayhaught, Wynonna Earp
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Palavras 6.078
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey pessoinhas, tudo bem?

Espero que gostem do capítulo.

Beijinhos. ✨♥️

Capítulo 18 - O pequeno segredo de Nicole


Fanfic / Fanfiction Right Time - Capítulo 18 - O pequeno segredo de Nicole

- Será que podemos conversar?

Eu senti um medo percorrer minha espinha.

- Conversar? – Meus pés travaram.

- Sim, mas calma – Nicole deve ter percebido meu pequeno desespero interno. – Eu só gostaria de saber como que foi lá na sua tia.

- Meu Deus do céu, garota. – Coloquei a mão sobre o peito, sentindo meus músculos relaxarem. – Quer me matar do coração?

- Aí, me desculpa! – Ela riu de um jeito amoroso. – Eu não queria te assustar.

- Na minha tia foi tudo muito... Esquisito. – Soltei um suspiro – Acho que essa palavra seria boa para definir.

- Esquisito como? Ela te machucou?

- Não, ela nem me tocou. E além do mais, Wynonna não permitiria isso. Você acredita que ela chorou? – Indaguei olhando para Nicole – E eu poderia contar nos dedos as vezes em que eu vi isso acontecer.

- Ela chorou? – Questionou incrédula. – Mas por que?

- A Wynonna pisou nela, com bondade claro, o que foi inédito. Achei que ela fosse mostrar a tal arma, mas nada tem mais poder do que as palavras.

- Principalmente de forem usadas da maneira correta. – Nicole acrescentou. – Mas eu quero saber o que você sentiu, como você está com tudo isso?

- Eu não sei ao certo o que senti. No começo me senti totalmente indefesa e inútil por não ter conseguido me defender como eu poderia ter feito, mas Wynonna disse tudo o que foi necessário. Não sei o que ela sentiu, ou o que poderá acontecer. A única certeza que tenho é que Michelle não me aceita, e eu não sei se um dia ela aceitará. – Desabafei com tristeza.

- Infelizmente a vida não vem com manual de instruções, e também não somos o Dr. Estranho para viajar no tempo e saber o que poderá acontecer. Só resta esperar e dar tempo ao tempo... E Waves – Ela alisou meu rosto com as pontas dos dedos, tão suavemente que eu poderia derreter ali. – Não fique se cobrando por isso, não foi sua culpa. Tudo acontece como tem que acontecer, eu sempre penso assim. Algumas coisas nós não conseguimos mudar.

Senti uma leve aflição em meu peito, mas Nicole estava certa, eu não tinha o controle de tudo, o que era bem chato em alguns momentos.

- É, você tem razão. Acho que eu preciso me distrair de tudo isso. – Suspirei abraçando meu próprio corpo.

- Eu vou providenciar isso, você vai ver! – Ela disse animada, dando um beijo em minha testa.

- Ah não, o que você vai fazer? Nicole, eu sou uma pessoa ansiosa, isso não se faz! – Cruzei os braços fingindo estar indignada. Nicole apenas riu, se aproximando dos meus lábios.

- Paciência, Earp. Você precisa exercitar sua paciência. – Falou colocando as mãos ao redor do corpo, como se estivesse meditando.

- Aí boba! – Dei um tapinha leve em seu ombro, fazendo-a gargalhar.

- Ô pombinhas apaixonadas. – Wynonna gritou do andar inferior. – Vocês vão ficar aí de amasso ou vão descer para jantar?

Coloquei minha cabeça no topo da escada, tendo a visão da minha irmã segurando outro bolinho nas mãos.

- Nós não estávamos fazendo nada, ok? Você precisa parar de anunciar por aí esse tipo de coisa, Wynonna.

- Ah Waverly – Disse de boca cheia. – Pare de ser a puritana, até parece que vocês não fazem isso! E Haught! – Ela gritou ainda mais alto e Nicole surgiu ao meu lado da escada. - Se você não descer, eu vou comer todos esses bolinhos aqui. – Disse erguendo o pequeno pedaço que sobrava no ar. – E digo ao seu tio que você não sabe lutar, que você só apanha nas aulas de defesa.

- Ei! – Nicole bufou e apontou o dedo para minha irmã – Isso é mentira!

- Vem me bater então para provar o contrário, fracote. Da última vez eu te derrubei bonito.

Nicole saiu em disparada, descendo escada abaixo correndo.

- Você me paga, Wynonna!

Minha irmã se divertia com a situação, correndo para a varanda da casa ainda a provocando. Eu desci em seguida, encontrando Doc na varanda, que estava sentado em um dos degraus, segurando um copo com um líquido meio amarelo que julguei ser whisky. Ele ergueu os olhos para mim e com a testa enrugada perguntou:

- O que está acontecendo ali? – Perguntou apontando pra Nicole, que corria pelo gramado falhado atrás de Wynonna.

- Eu não sei quem é mais criança nesse meio. – Cruzei os braços, me sentando ao lado dele.

Wynonna gargalhava, enquanto jogava pedaços de bolinho para trás, atingindo Nicole. Quando a munição acabou, ela correu em nossa direção, ofegante.

- Bandeira branca, Haught. – Disse se jogando no chão a nossa frente. – Meu Deus, como é divertido te provocar!

- Há há, muito engraçado. – Nicole limpava as migalhas de bolo que haviam em sua camisa. – Onde estão os bolinhos? Agora bateu fome.

- Provavelmente estão dentro da minha gaveta de calcinhas, quer ir lá buscar? – Nonna disse, recebendo um chute de Nicole. – Haught, isso é agressão!

- Eu vou buscar os bolinhos, crianças. – Falei indo em direção a cozinha. Peguei a cesta com lanches que Nicole trouxe e um pouco de suco também.

Chegando na varanda vi uma das cenas que, com toda certeza, eu guardaria para sempre na memória. Nicole encostada nos joelhos de Wynonna, enquanto ela enrolava seu cabelo com os dedos distraidamente. As duas viviam como gato e rato, mas tudo aquilo não passava de uma bela fachada.

- Trouxe os bolinhos. – Ergui a certa no ar, e me sentando ao lado de Doc novamente, começamos a compartilhar do lanche.

- Sabe Waves, eu andei pensando – Nonna disse mordendo um pedaço de donut. – Você poderia ser minha assistente particular, cuidar de parte da minha papelada. Eu sou um completo desastre quando se trata de organização, você sabe, e você é mais metódica para esse tipo de coisa...

Soltei um gritinho, batendo minhas mãos animada.

- Nós poderíamos criar codinomes? Ai meu Deus, eu poderia ter um lança chamas?

- Waverly, PAPELADA. – Wynonna deu ênfase a palavra. – Não quero contratar você para ser uma Natasha Romanoff.

- Natasha? Hmm – Vi Nicole manear a cabeça e eu soube que ela me imaginou nas roupas da heroína. Gostei.

- Não custa nada sonhar, ok? – Confessei. – Só se você deixar eu escolher as cores da casa!

- Ah não... – Ela disse, fazendo Doc e Nicole rirem.

- Eu pensei em algo em tom de rosa. – Falei apontando para as paredes da entrada.

- Ah, claro! É a minha cara morar em uma casa rosa. Você vai querer transformar em a casa da Barbie! Me poupe.

- Ah Wynonna, por favor! Ficaria linda, você sabe disso.

- Meninas – Doc interrompeu educadamente e se pôs de pé. – Peço licença a vocês, mas preciso tomar um banho e descansar. Amanhã o dia será pesado para tentar arrumar aquela cerca. – Ele apontou para a entrada da fazenda, onde vários pedaços de madeira estavam quebrados.

- Fique bem cheiroso, Sr. Holliday, eu não quero dormir no mesmo quarto com um homem fedendo a gambá. – Wynonna provocou.

- Você quem manda, madame. – Doc sorriu, tocando a ponta do seu chapéu e entrou na casa, enquanto nós três acompanhávamos ele subir as escadas.

- Acho que ele tem uma quedinha por você. – Nicole confessou.

- Eu acho que ele tem um abismo. – Falei tocando minha irmã no ombro.

- Ew credo! – Nonna bufou.

- O que? Acha ele velho demais para você? – Perguntei curiosa.

- Não é isso, é que eu não sei o que pensar sobre ele.

- Ah, ele tem cara de bonzinho! E eu sou ótima em julgar caráter.

- Waves, você namorou o Champ. – Nicole soltou, fazendo Wynonna rir.

- É, você é realmente ótima, irmãzinha.

- Ah, aquilo foi um erro, está bem? – Tentei me defender.

- Waverly, erros eu cometo vários, aquilo foi uma diarreia mental.

- Ei! – Empurrei minha irmã, indignada.

- Acho melhor irmos dormir. – Nicole disse tocando em meus joelhos. – Estamos nos aproximando das últimas semanas de aula, não podemos faltar.

- Meu Deus, Haught, você é muito certinha. Me causa coceira. – Wynonna coçou os braços em provocação.

Mesmo com as brincadeiras, Wynonna nos seguiu para dentro de casa e deixamos a cesta que Nicole trouxera novamente na cozinha. Em seguida, subimos para o quarto, onde Doc já estava acomodado em um dos sacos de dormir. Minha irmã colocou o dela ao lado dele, o que já era esperado. Eu me acomodei junto a Nicole em um só, parecíamos duas sardinhas dentro de uma lata, mas não nos importamos com isso, estávamos aquecidas e principalmente, juntas.

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As semanas finais de aula estavam se aproximando, e isso significava uma coisa: trabalhos e mais trabalhos. Nesses dias, eu me revezava entre estudar para as provas, ir para o chalé das crianças e organizar as papeladas de Wynonna, que mesmo distante, ainda trabalhava no caso anterior. Homestead aos poucos ganhou cara de lar, e mesmo a contragosto, Wynonna deixou que eu pintasse uma parede da sala de rosa.

Nicole e eu estávamos sempre juntas. Visitei sua casa para jantar algumas vezes e ela passou a dormir com mais frequência na fazenda. Até Pipo virou um dos visitantes frequentes, correndo de um lado para o outro! Nicole e Hetty me ajudaram a decorar meu quarto, apesar de Hetty ter tentado me induzir a pintar as paredes de preto. E aliás, algo surreal aconteceu: Hetty e Wynonna se aproximaram tanto ao ponto de todas as sextas, elas jogarem cartas juntas. Nunca na minha vida eu imaginei isso acontecendo, mas aos poucos, as coisas estavam entrando nos eixos. E isso me deixava feliz.

Só na escola que algumas coisas ainda me deixavam frustrada. Eu e Nicole não nos assumimos, apesar de ter ficado tudo muito explícito depois da briga dela com Champ. Olhares de lado, alguns narizes enrugados e cochichos ainda me rodeavam, e eu precisava respirar fundo diariamente, para tentar manter um pouco da minha sanidade mental. Aqueles que antes eu chamava de amigos, sumiram aos poucos. Ou era eu quem estava fugindo deles? Talvez eu nunca soubesse a resposta. Mas apesar de tentar fugir de tudo isso, eu ainda tinha obrigações com o conselho estudantil.

Nosso professor começou a reunião do conselho com um aviso: o baile de formatura precisou ser adiado por mais duas semanas. O salão de festas que geralmente usávamos para essas ocasiões, estava terminando uma reforma nos banheiros.

Festa de formatura.

Olhei por sobre a mesa para Champ, que evitava contato visual não somente comigo, mas com todos os presentes. Sinto muito, enviei um recado mental para ele. Espero que um dia ele possa me perdoar. Apesar dele ter tido atitudes ridículas, eu não conseguia sentir ódio por ele. Sua expressão era vazia, assim como a minha. Eu já não me sentia mais a vontade no meio de todos do conselho.

Depois da reunião, precisei ir ao banheiro antes de ir para a aula de anatomia. E ao sair da cabine, dei de cara com Beth em frente aos espelhos, escovando os cabelos.

- Olá, Waverly. – O tom de voz dela me deixou apreensiva. – Você se importaria se eu fosse ao baile de formatura com o Champ?

- E ele convidou você? – Minha voz saiu mais fina do que o esperado.

O rosto dela endureceu.

- Desculpa, não quis dizer com esse tom. – Ou eu quis?

- Vou convidá-lo. – Ela prendeu o cabelo em um rabo de cavalo. – Acho que ele deveria experimentar sair com alguém que não seja gay.

Acho que todo o sangue do meu corpo subiu para o rosto.

- Isso não tem graça, Beth.

- Ah, e era para ter? – Ela perguntou irônica, girando os calcanhares em minha direção.

Segui em direção a porta. Para mim, chega!

- Piranhas. – Ela disse as minhas costas. – Vamos falar sobre piranhas.

Fechei os olhos com força.

- Deixa isso para lá, Beth.

- Pelo menos, eu só ataco de um lado do rio.

Girei para encará-la.

- Cala a boca! – Minha voz se elevou e senti meu rosto esquentar. – Cala a droga da sua boca! Eu terminei com Champ e sou livre para fazer o que eu quiser!

Ela inclinou a cabeça, como se estivesse zombando de mim.

- Você é. – Ela deslizou a bolsa por cima dos ombros, trombando em mim ao passar até a saída do banheiro. E antes de sair, virou novamente. – Mas agora ao menos todos sabem as suas preferências, sapatão.

Eu agradeci a Deus por já estar dentro do banheiro naquele momento, porque segundos depois, eu já estava soluçando dentro de uma das cabines. Como algumas pessoas conseguiam ser tão cruéis? Que prazer era esse que tinham em machucar os outros?

Eu não acreditava que meu dia pudesse piorar, e foi quando Perry me convidou para o baile de formatura no meio da aula. Primeiro, fiquei só olhando para ele, meio atordoada. E quando consegui encontrar minha voz novamente, quase gaguejei.

- Uau. Eu, hã, fico realmente lisonjeada, Perry. Mas eu... – Minhas mãos não paravam, eu estava realmente nervosa. – Eu não posso.

- Mas você terminou com aquele mauricinho, não foi? O Champ.

- Sim, eu terminei.

- Ah, saquei. – A expressão dele murchou. – Você já vai ao baile com outra pessoa, não é? Eu não sei nem porque ainda perguntei. – Ele soltou um riso frouxo, decepcionado. – Até parece que Waverly Earp iria aceitar ir comigo, não sei onde eu estava com a cabeça. – Disse dando um tapinha na testa.

- Ei, não é isso. – Cortei. – Eu só não posso ir com você.

Os olhos dele me atravessaram, como lâminas. Percebi, tarde demais, como aquelas palavras soaram de uma maneira errada. E antes que eu pudesse arrumar o que eu tinha dito, ele rosnou:

- Eu pensei que você fosse diferente, mas pelo visto você é igual a todas essas garotas metidas daqui. – Ele se levantou, empurrando os materiais da aula de anatomia em sua mochila. Depois, ele se levantou, esbarrando em uma fileira de cadeiras vazias, indo em direção a frente da sala, sentando o mais distante que pudesse de mim.

Todos giraram as cabeças para olhar para mim. Especialmente Nicole.

- O que foi isso? – Ela arregalou os olhos, apenas sinalizando com os lábios.

Me levantei em um impulso, eu só precisava sair dali. Meu Deus, tudo estava uma merda!

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Corri para o andar superior, eu precisava esfriar a cabeça de alguma forma. E eu faria isso da melhor maneira que eu pudesse. Na piscina.

Mergulhei na extremidade mais profunda, me permitindo afundar na água.

Livre-se, Waverly. Coloque para fora. Faça ir embora. Eu repetia tudo mentalmente.

As provocações. Beth. Perry. Continuar me escondendo. Essa droga de baile. Michelle. Champ. Universidades. Tudo isso estava me rasgando no meio. Por que tinha que ser assim? Por que?

Meus pulmões estavam prontos para explodir, quando tomei impulso e irrompi pela superfície. Depois continuei nadando, voltas e mais voltas, tentando me libertar de toda chateação que preenchia meu peito.

Tentando me soltar.

As pessoas estavam erradas quando nomearam isso de “estar no armário”, isso era mais parecido com uma prisão. Estava mais para um confinamento em uma solitária. Era assim que eu me sentia, no escuro, sozinha e com medo. Enquanto eu me arrastava pelos degraus da piscina, avistei Nicole encolhida na arquibancada. Ela segurava um pacote sobre os joelhos. Ao me aproximar, ela se ergueu e sorriu.

- Dizem que comer sempre alegra. – Ela esticou o pacote para mim. – Um bolo de chocolate, para aquecer o coração.

Eu não acreditava que esse chocolate pudesse salvar minha alma devastada naquele momento. Nicole colocou sua mochila sobre os ombros e me seguiu para dentro do vestiário. Deixei o pacote que ela me deu em cima do banco, ao lado das minhas coisas. Ela deve ter previsto minha implosão eminente, porque sequer perguntou algo. O chocolate seria reconfortante, mas nada comparado a paz que Nicole me transmitia.

Antes de tomar meu banho, sentei no banco ainda de maiô e ela sentou ao meu lado. Sem precisar falar ao menos uma palavra, comemos o bolo direto da embalagem que ele estava. O último pedaço de raspa de chocolate, Nicole colocou na ponta dos lábios, me indicando a pegá-lo. E foi o que fiz, finalizando com um beijo suave. Nicole recolheu o pote, colocando tudo dentro do pacote e levou até a lixeira mais próxima. Voltou até o banco, chutou o tênis para a longe, cruzando as pernas logo em seguida. Agora o silêncio dela me afligia. Levantei e fui em direção ao meu armário.

- Você conhece alguém que esteja precisando de um vestido de formatura? – Retirei minha mochila do armário, jogando sobre o banco. Lembrei do vestido que Michelle havia me dando de presente, alegando que eu ficaria linda para o meu último baile da escola. Senti vontade de queimar aquele vestido idiota. Peguei meu tênis e joguei no chão, com raiva.

Nicole levantou o rosto para mim, um pouco receosa, mas recolheu meu tênis e minhas meias que voaram longe. Ela alisou a própria camisa, voltando a sentar no banco.

- Tudo bem, fala comigo. O que foi que aconteceu hoje?

- Hoje, ontem, amanhã! – Rebati com raiva. – Que parte da minha vida não é uma droga?

- Eu? – Os olhos dela se arregalaram.

- Desculpa. – Falei, me acalmando. – É só que... tudo virou um inferno.

- O que quer dizer com isso?

Contei a Nicole como todos olhavam para mim na reunião, sobre o conselho, Champ, sobre como eu estava me sentindo mal por fugir de Rosita o tempo inteiro e sobre como Beth havia me tratado no banheiro. Contei tudo, mal respirando.

- Ela me chamou de... – Minha voz falhou. – Sapatão.

- Ah. – Nicole fez uma careta. – Você tem que se acostumar com isso. E a melhor coisa que você pode fazer, é se chamar de sapatão. Sapata, cola velcro, chupa charque. Todas as palavras que usam para te odiar, você pode usá-las para se divertir. Reivindique-as! De modo que elas não poderão ser usadas contra você, amor.

Usadas contra mim. Ninguém nunca havia usado apelidos comigo antes, pelo menos não na cara dura. E só agora percebi o quando isso poderia machucar.

- O que eu fiz para ela? – Fiquei pensando em voz alta. – Pensei que Beth e eu fossemos amigas.

- Lição número um: você nem sempre pode confiar nos amigos. – Ela contava nos dedos. – Lição número dois: você não precisa fazer nada para ser odiada por ser gay. O preconceito existe, baby, e infelizmente ainda não sabemos como eliminar isso de uma vez por todas.

Essa verdade eu já estava descobrindo, da maneira mais dolorosa.

- Mas o problema é deles, Waverly. – Os olhos dela encontraram os meus. – Não seu. Lembre sempre disso.

Problema deles. Ok. Mas então porque eu me sentia doente com tudo isso? E batendo a porta do armário, acrescentei.

- Mas a cereja do bolo, o ponto alto do meu dia foi quando o Perry me convidou para ser seu par no baile de formatura.

O queixo de Nicole caiu.

- E o que você disse?

- Eu falei “claro, Perry, que horas você vai passar para me buscar com sua limusine? ”

Nicole murchou visivelmente.

- Agora ele acha que eu tenho algum problema com ele. Que eu sou uma garota metida e mimada. – Minha garganta raspou. – E pior, eu acabei magoando ele. Perry, um dos garotos mais gente boa que já conheci. Nós poderíamos ser amigos, até! Mas depois disso, ele não quer olhar na minha cara. – Bufei, andando de um lado para o outro. – Isso me aborrece pra caramba, Nicole. E não é só Perry, Champ ou a Beth, é esse segredo idiota, me sinto presa a isso, as vezes da vontade até de morrer!

- O que? – Nicole ergueu a voz. – Por Deus, Waverly, não diga isso!

- Eu poderia ter feito alguma coisa. Eu poderia ter feito alguma diferença nessa droga de escola, usado o conselho para promover melhores ações contra o preconceito e bullyng, mas em vez disso, estávamos discutindo quantos balões seriam colocados naquela porcaria de baile. E outra, o que uma lésbica recém descoberta faz em um baile de formatura? Ou em todos esses eventos sociais idiotas? – Eu reclamava para os quatro ventos, enquanto Nicole apenas ouvia, com a cabeça baixa.

- Bom, nós geralmente vamos em grupo. – Ela disse baixinho. – Se você quiser, podemos ir juntas ao baile.

- Ah, claro, Nicole. Vamos ficar cada uma de um lado do salão, ignorando completamente a existência da outra? Igual fazemos aqui na escola? – Peguei meu celular. – Eu deveria ter contado a Michelle antes. E ao Champ. Eu deveria ter dito para todo mundo. Não que as reações tivessem sido diferentes, mas eu teria me assumido por conta própria, e não pelo disse me disse das pessoas! Fazer isso, me esconder, é como se eu estivesse admitindo que estou fazendo algo errado. Como se eu tivesse vergonha do que sou. E eu não sinto isso. Não tenho vergonha de você, muito menos do que sinto aqui por você. – Falei apontando para o meu próprio peito. – Eu quero que o mundo inteiro saiba, Nicole. – Me virei para encará-la. – Eu quero ser eu mesma. Eu magoei pessoas que eu amava. E Rosita, Perry, Champ e Michelle. Eu, Nicole. Eu estou magoada. – Apontei para o meu coração novamente, sentindo ele doer.

- Ah Deus. – Nicole gemeu. – Por que você não me contou?

- Por que eu não contei? Porque eu não queria que você pensasse que eu não estava feliz, ou que eu tivesse me arrependido de ter me apaixonado por você. E eu não estou, muito pelo contrário, Nicole, eu sou extremamente feliz com você. Mas eu não posso mais omitir sobre isso, eu tenho tantos medos, Nicole. – Confessei. – Eu as vezes me sinto tão sozinha, que se você me deixasse... – Não consegui terminar o pensamento.

- Não! – Nicole disse apressada, voando do banco e vindo até mim. – De onde você tirou esse pensamento? Eu não vou deixar você.

- E se você conhecer alguém mais interessante? Alguma garota totalmente assumida, que não precise viver no escuro diante de tudo isso... Uma garota normal, e não uma problemática como eu?!

- Não, Waverly, para. – Ela agarrou meus braços. – Eu nunca faria isso com você. Nunca, entendeu?

Nicole me soltou e cobriu o rosto com as mãos. Pude perceber que ela tentava decidir quais palavras usar.

- Ai Deus... – Ela limpou a garganta. – Olha, tem uma coisa sobre mim que eu nunca te contei...

Ah não, por Deus, não. Senti minhas mãos tremerem. Tudo o que consegui fazer foi continuar respirando. Nicole se afastou e começou a perambular de um lado para o outro. Mexendo nos dedos. Nitidamente nervosa, como ela ficava quando tomava muito café. Então ela parou diante de mim dizendo:

- Eu enganei você.

Meu corpo inteiro gelou. Não me machuque Nicole, não você...

- Eu não tinha o direito de pedir para você não se assumir. Eu não tinha esse direito. Claro que eu estava tentando te proteger, mas eu não podia te impedir de fazer isso. – Ela bateu no próprio peito. – Eu sou uma egoísta imbecil.

Eu estava tentando raciocinar tudo. Por que ela estava dizendo isso? Ela não era egoísta, muito menos imbecil. Ela bateu o punho na própria testa.

- Eu arrumei a sua vida. Eu arrumei a sua vida a partir do momento em que eu pedi para você guardar esse segredo. Eu não deveria ter me transferido. – Ela voltou a perambular agitada. – Talvez você não estivesse passando por tudo isso se não tivesse me conhecido.

- Isso não é verdade! Para. – Puxei ela pelo braço e nos sentamos frente a frente no banco. – O que aconteceu?

Ela não respondeu, apenas mergulhou dentro de si. Um longo tempo se passou e Nicole ergueu a cabeça, olhando para mim.

- Você pode me contar? – Pedi. – Por favor.

Ela prendeu as mãos entre as pernas.

- E se você me odiar?

- Eu jamais conseguiria te odiar, Nicole. Só me conta logo, ok?

Ela olhou para mim e engoliu em seco.

- Tudo bem então...

Ela levantou, indo até os armários e se encostando neles.

- Lembra da Alexis? Aquela amiga minha? Então, ela foi minha primeira namorada. A primeira garota que amei, sabe?

É, agora eu sabia.

- Mas os fogos de artifícios que senti por você, nem se comparam a isso. – Nicole acrescentou depressa.

Sorri de leve.

- Mas eu teria ficado com ela, se não tivesse acontecido algumas coisas. Eu a amava, não negarei.

Senti uma pontada no coração, mas ela estava falando sobre o passado.

- Continue. – Pedi. – O que aconteceu?

Nicole começou a andar de um lado para o outro novamente.

- Eu conheci ela na minha antiga escola. Eu fazia parte de alguns clubes de atividades extras, e foi em um deles que a conheci, ela era bem participativa em um desses clubes. Tipo você no conselho, sabe? E tudo aconteceu muito depressa, como ficamos apaixonadas. Pelo menos para mim foi rápido. – Nossos olhares se cruzaram. – Eu não estou contando isso para magoar você, Waves.

- Eu sei, está tudo bem. Só me conta onde você quer chegar.

- Então, a minha antiga escola era tranquila quanto a isso, nós tínhamos até um clube LGBT! Que eu, inclusive, era a vice-presidente. E Alexis não era assumida na época, ela estava se descobrindo, assim como você. E as vezes discutíamos sobre isso, porque ela queria se manter dentro do armário e eu sempre fui assumida. – Ela olhou para mim. – Você sabe, né?

Sim, eu sabia.

- E meu papel nesse clube, era acolher essas pessoas que estavam no armário, mostrar para elas que não estavam sozinhas no mundo. Que apesar de existir muita diferença de pensamentos, é sempre importante você ter com quem contar. – Ela falava rápido demais. – E que muitas vezes, você contar para os amigos, é um ótimo passo. As vezes acaba sendo mais fácil. A parte difícil é contar para os pais, por isso eu sempre incentivava eles a contarem antes que alguém contasse por eles, sempre achei mais sincero. – Nicole desviou os olhos.

Tudo o que ela dizia ficava dando voltas na minha cabeça, e eu fiquei pensando por que não tínhamos conversado sobre isso antes. Talvez eu tivesse esperado eu estar pronta, quando na realidade eu já estava desde o primeiro dia. Nicole sorriu, nostálgica.

- A melhor parte em sair do armário é que é libertador. Você faz essa descoberta incrível sobre si e quer compartilhar, viver livremente da maneira que você é. Sem ficar com medo do que irão pensar ou de como seus vizinhos irão reagir. E muito mais que isso, tem a ver com superar aquela pergunta “o que há de errado comigo? ”, e perceber que não há nada de errado. Que você nasceu assim e que isso te faz maravilhoso, que você é normal, com uma alma bonita. Que merece viver com dignidade igual as outras pessoas, e que deve mostrar para todos o seu orgulho de ser como é.

Sempre admirei isso em Nicole, como ela era assumida com orgulho, confiante, e isso foi uma das coisas que me atraiu nela.

- Uau, Nicole. – Abracei meus joelhos. – Eu não sabia desse seu papel, devia ser incrível! Você era suporte para tanta gente que estava perdida, isso devia te orgulhar pra caramba. – Os olhos dela se entristeceram, e ela contraiu o corpo, como se estivesse com dor. E eu pensei que a tal Alexis tinha alguma coisa a ver com tudo isso. – Alexis tem alguma coisa a ver com o que você está me contando?

Ela fixou o olhar nos chuveiros.

- Eu contei a ela sobre isso. Sobre se assumir, ser livre. Achei que isso fosse ajudá-la a superar o medo. Ela entendeu tudo o que eu queria dizer, era inteligente, assim como você. – Os olhos dela encontraram os meus. – E ela odiava se esconder. Então no verão, ela contou aos amigos. A gente sempre espera um tipo de reação reversa, mas nem sempre isso acontece. E então depois ela contou aos pais.

Ah não, será que tinha acontecido a mesma coisa que aconteceu comigo? Ela tinha sido expulsa?

- Eu ajudei ela a bolar um plano de como contar a eles. Eles ficaram em choque, claro, mas foi melhor do que esperávamos. E acredito que eles já suspeitavam. Ela entregou um livro a eles sobre aceitação e ambos foram legais, eu tinha dito que eles seriam. Era óbvio que eles a amavam muito.

Senti uma lâmina atravessar meu peito.

- Oh Waverly. – Ela correu até o banco, pegando em minhas mãos – Sinto muito. Sinto muito. Eu não quis dizer isso para você pensar em Michelle. Eu tenho certeza que ela também ama você.

- Está tudo bem... – A afastei com a mão. – Estou bem. – O que era mentira e ela sabia disso.

Os ombros de Nicole caíram e ela se sentou no banco, alguns centímetros longe de mim, virando um pouco de costas para mim.

- Eu deveria ter te ajudado com Michelle, eu deveria ter te ajudado a contar. Mas depois de como ela me tratou quando fui a primeira vez na sua casa, eu sabia que ela não aceitaria tão bem.

- O que você quer dizer? Como ela te tratou?

- Você não notou? – Ela girou a cabeça para mim. – Assim que ela me observou melhor, começou a me tratar com rigidez. Ela não quis nem que eu encostasse na Mel, como se eu fosse suja.

- Serio? – Nicole apenas assentiu. Michelle sempre foi homofóbica e eu não havia percebido antes? – Mas termine, finalmente, o que aconteceu?

Nicole olhou novamente para o chão.

- Depois que Alexis se assumiu, ela mudou. Virou uma pessoa totalmente diferente. Louca, meio travessa. Gritava para quem quisesse ouvir que era gay. E isso não era ruim, claro que não, ela havia se reprimido tanto que quando se libertou, foi de uma vez. Então eu apresentei ela aos meus amigos, porque é incrível quando você está rodeada de outras pessoas que também são gays, sério. – Ela sorriu sobre os ombros. – Você pode contar qualquer coisa sem ser julgado. Falar só de garotas, sobre coisas que sente vontade de fazer e até sobre sexo. Todos os meus amigos gostaram muito dela e se aproximaram bastante... – Nicole se levantou do banco. – Você tem um pouco de água aí?

- Não. – Falei tirando minha garrafa de mochila e balançando o objeto. – Esqueci de encher ela mais cedo.

- E café? – Ela arriscou.

- Eu odeio café e você sabe disso.

Ela deixou a cabeça cair para trás.

- Desculpa, eu estou um pouco nervosa. É que nunca contei isso a ninguém antes. Para os meus amigos eu nem precisei, eles viram tudo. – A voz dela tremeu.

- Ei, vem cá... – Estiquei meu braço, chamando ela para perto.

- Não, deixa eu terminar primeiro. – Ela respirou fundo. – Então, ela estava naquela fase “eu sou gay, preciso contar para todo mundo! Por que eu não me assumi antes?!”.

Não pude deixar de notar uma leve semelhança entre Alexis e eu.

- E então, uma vez, demos uma festa do clube. “Saindo do armário”, esse era o tema. E Alexis não podia estar mais feliz, ela tinha uma namorada e podia andar de mãos dadas comigo onde quisesse, sem ser julgada. E muitas pessoas começaram a se aproximar dela, a gostar muito dela. Além de muito bonita, ela era realmente cativante, todos percebiam isso. – O semblante de Nicole mudou. – Principalmente a Taylor.

Ah, meu Deus, não.

- Não. – Ergui a mão. – Não me conte.

- Estou contando. – Ela prosseguiu. – Taylor amava a Alexis.

- Amor... – Escorreguei pelo banco, ficando próxima a ela.

- Foi quando encontrei Alexis... – Sua voz soou magoada. - Elas eram perfeitas juntas. – Ironizou.

Percebi que mesmo que Nicole não sentisse mais nada por Alexis, isso havia lhe magoado. E eu detestei o fato de que alguém havia feito isso com ela.

- E como você consegue ainda ser amiga dela? – Questionei intrigada.

- Depois que tudo passou, que o meu sentimento por ela havia mudado, e eu já não sentia mais nada no sentido amoroso, afinal de contas, Alexis era uma boa amiga, então eu consegui lidar com isso... – Nicole era forte demais. Eu em seu lugar, queria ter matado essa garota. – E depois que tudo passou, eu me transferi. Alexis ganhou muito popularidade na escola, até presidente do clube ela virou, acredita? E... – Ela pausou, decidindo se deveria continuar contanto – Quando a Shae me perguntou sobre você a primeira vez, eu gelei, Waverly. No dia do evento beneficente, quando Alexis te conheceu, eu morri de medo que acontecesse a mesma coisa da outra vez. E eu não podia deixar isso acontecer. Ela me fez muitas perguntas sobre você e como ela estava solteira, eu sabia que ela tinha tido interesse. Por isso nunca te apresentei a ela.

Os olhos dela marejaram.

- Oh, Nicole...

- Tudo bem se você ficar chateada por eu não ter te contado isso antes. – Ela disse limpando os olhos – Sair do armário é uma decisão tão pessoal, eu não podia ter interferido nisso. Somente você poderia saber quando era o momento certo. E eu te pedi segredo, e talvez isso tenha sido o motivo de tudo ter sido arruinado assim.

- Não, pare...

- Sim, você não vê? Eu deveria ter te deixado livre. Você deveria ter contado aos seus amigos, a sua tia, para quem você quisesse. Porque teria partido de você, e não do Champ ou de quem quer que tenha sido.

Ok, ela estava certa. Fiquei chateada por ela não ter me contado tudo isso antes, afinal, ela sabia como poderia ser autodestrutivo quando tudo explodisse. No entanto, Nicole não era culpada. Eu havia concordado em guardar segredo, quando eu poderia ter negado e contado tudo.

- Mas sabe, eu duvido que as reações da Michelle teriam sido diferentes se eu tivesse contado antes. – Afastei os fios de cabelo que caiam em seu rosto.

- Mas poderiam ter sido. – Ela falou. – E por minha causa, você quase virou uma sem-teto, e isso me rasga por dentro. – Ela começou a chorar. – Te contei tudo isso para que você saiba que eu jamais faria algo assim com você, eu nunca seria uma Alexis na sua vida. E para pedir perdão por ter pedido segredo sobre nós.

Apertei o rosto dela em minhas mãos.

- Ei, eu acredito em você. E você não arruinou minha vida. – Enxuguei as lágrimas que caiam em suas bochechas. – Eu ainda estou aqui, certo? E me desculpa também por não ter contado antes como eu estava me sentindo. Eu poderia ter colocado para fora e teríamos conversado melhor. Mas agora está tudo bem. E eu não odeio você, por Deus, isso seria impossível! E na verdade, no fundo, eu também entendo você.

- Entende? – Ela piscou, limpando os olhos com a palma da mão.

- Uhum. – Afirmei com a cabeça. – Eu também faria de tudo para guardar você para mim.

Então ela chorou novamente. Eu estava tão feliz que ela tinha compartilhado tudo isso comigo e que eu tinha tirado esse bolo da garganta também. Agora estávamos aliviadas. Depois de chorar um pouco, ela ergueu o olhar.

- E sabe, você falou que somos parecidas, Alexis e eu. Mas eu queria deixar claro que nós somos totalmente diferentes. Por que eu olharia para qualquer outra pessoa se você é tudo o que eu quero?

- Ah, Waverly... – Ela me esmagou em um abraço apertado, não se importando com minha roupa de nadar úmida.

Fiquei sem ar.

Isso me fez rir e fez com que ela risse também.

Depois, não conseguíamos parar de sorrir. Tudo tinha sido libertador, fantástico. Eu nunca senti tanta certeza sobre o que eu queria na vida. Sobre mim. Sobre ela. Sobre nós. E confiança. Nós firmamos ali a nossa confiança. E nada é mais importante do que você confiar na pessoa que você ama.

- Ah, Waves... – Ela se afastou, suas mãos nas minhas – Lembra quando falei que eu iria pensar em uma forma de nos distrairmos?

Assenti.

- Acho que eu tenho uma ótima solução. Que tal se fizéssemos um passeio? Só nós duas?

- Sim! Sim e mil vezes sim! – Dei um pulo de alegria, fazendo Nicole rir. – Para onde quer me levar?

- Essa parte eu vou deixar para ser surpresa, mas quando as aulas terminarem hoje, eu passo na sua casa para te buscar. Então deixe uma mochila prontinha!



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