História R.I.P Adolescence - Capítulo 4


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Categorias Life Is Strange
Personagens Chloe Price, Frank Bowers, Kate Marsh, Mark Jefferson, Nathan Prescott, Rachel Amber, Samuel Taylor, Victoria Chase
Tags Amberprice, Angst, Drama, Romance
Visualizações 153
Palavras 3.005
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Peço perdão pela demora para atualizar! Eu fui muito consumida por toda essa coisa de nota do ENEM, inscrição do SISU, matrícula da faculdade, etc. O que importa é que finalmente estou livre (pelo menos até minhas aulas começarem no dia 26) e posso sentar, relaxar e escrever mais capítulos. Provavelmente vou postar uns dois ou três com poucos intervalos de tempo.

Ah, e antes que os leitores antigos comentem: sim, eu mudei todas as datas para 2009. Fiz isso para prevenir uns furos no plot e também porque achei que escrever de 2008 até 2013 daria muito trabalho (e muitos capítulos). Eu teria que encher muita linguiça. Espero que essa mudança não interfira muito nos meus planos para a fanfic e que vocês também tenham se acostumado!

Capítulo 4 - 27-09-2009 e 28-09-2009


27 de Setembro de 2009 

Querido Diário, 

Sabe qual é a maior vantagem de ser ambidestra? Quando um dos meus pulsos cansa de escrever, posso continuar com o outro. Felizmente, porque hoje eu tenho muita coisa para te contar. 

Essa semana foi confusa e cheia de pontos positivos e negativos, como uma paisagem repleta de montanhas e depressões. Às vezes o mundo parece girar tão rápido que eu tenho vontade de apertar um botão de pausa só para organizar meus pensamentos antes de seguir em frente. Sempre que fecho meus olhos, logo vem um turbilhão de pensamentos e eu não consigo focar em nada. Eu me sinto enjoada como se tivesse acabado de descer de um carrossel que girava a toda velocidade. É assim que essa semana foi para mim.

Primeiramente, passei os primeiros dias procurando o monólogo perfeito que eu apresentaria no clube de teatro quando fossem feitas as audições. Eu sabia que teria que ser de alguma personagem que eu me identificasse profundamente. Uma personagem trágica. Dentre todos os meus filmes e peças favoritos, ficava difícil escolher uma só. Foi então que eu encontrei o roteiro original de Tennessee Williams para a peça de "Uma Rua Chamada Pecado", incluindo suas complexas direções de palco. Tanto Williams, quanto eu, quanto a protagonista Blanche DuBois somos pessoas cujo eneagrama é o Tipo 4. Talvez por isso essa peça ressona tanto comigo. É por isso que acabei decidindo apresentar um dos monólogos da Blanche, que ela fala sobre o suicídio do seu marido. 

No dia das apresentações, era para eu ser a primeira por conta da ordem alfabética, mas o professor de teatro, Sr. Keaton, resolveu que inverter a ordem das coisas seria mais interessante. Eu já sabia previamente que Dana e Juliet também se juntariam ao clube, e, de certa forma, deduzi que Victoria Chase se interessaria por esse tipo de coisa. Ela certamente tem uma vibe Sharpay Evans muito forte para ser ignorada. O que me chocou é que ela fez de Nathan Prescott o seu Ryan pessoal. Não que ele parecesse estar lá de muita má vontade, aliás. Nathan só me parecia tímido e inseguro, o que é justificável, considerando todas as piadinhas que garotos do clube de teatro tem que ouvir dos "machões".

Por conta da nova ordem de apresentações, Juliet Watson foi a primeira. Como já era de se esperar, o monólogo escolhido por ela possuía um cunho social. Juliet interpretou o discurso que Wednesday Addams dá durante uma peça sobre o início da tradição do Dia de Ação de Graças, em "A Família Addams 2". O Sr. Keaton elogiou a escolha, mesmo sendo um pouco violenta, e percebeu a esperteza de Juliet em considerar todos os protestos recentes dos nativos ao redor de Arcadia Bay. Nathan Prescott revirou-se um pouco em seu assento. A sua família era o alvo desses protestos.

Logo depois de Juliet, foi a vez de Dana. Novamente, ela parecia abatida e preocupada com outras coisas, o que interferiu um pouco em sua performance. Mesmo assim, o Sr. Keaton sentiu o seu potencial e deu mais uma chance para que ela apresentasse seu monólogo apropriadamente. Dana usou a cena de "10 Coisas Que Eu Odeio Em Você" que dá nome ao filme, ou seja, quando Kat cita todas as razões para odiar Patrick e mesmo assim conclui que não é capaz de odiá-lo. Assim como Julia Stiles no filme, a voz de Dana embargou perto do fim, e o Sr. Keaton a aplaudiu, sem mais comentários.

Mais uns dois estudantes, um menino e uma menina, se apresentaram com performances medianas antes de chegar a vez de Nathan Prescott. A cena escolhida por ele foi curta, mas memorável o suficiente. Nathan escolheu uma cena do antiquíssimo filme "Freaks", de 1932. O mesmo que praticamente acabou com a carreira de seu diretor, Tod Browning, antes consagrado por ter feito "Drácula" um ano antes. Um filme controverso para um jovem controverso pareceu estranhamente conveniente. Sinto a necessidade de transcrever o trecho em você, Diário, então aqui vai:

"Não mentimos para vocês. Nós falamos que tínhamos monstruosidades vivas, respirando. Vocês riram deles, encolheram-se enojados, porém, por um acidente de parto, vocês poderiam ser um deles. Eles não pediram para vir ao mundo, mas para o mundo vieram. O código entre eles é como uma lei. Ofenda um deles, e você terá ofendido a todos."

A reação do Sr. Keaton foi um tanto quanto enigmática. Ele falou sobre como Tod Browning havia moldado o gênero do terror, e sobre todas as controvérsias que rondavam esse filme até hoje. Aparentemente, a MGM só aceitou manter a produção se o elenco, composto de pessoas com deficiências e anormalidades reais, almoçasse do lado de fora do estúdio, para não "perturbar" os outros. Tudo que o Sr. Keaton falou da performance do Nathan em si, é que ele apreciava a escolha ousada. Prescott, ansioso para sair do centro das atenções, apenas acenou com a cabeça e murchou em sua cadeira. 

Mais algumas apresentações se passaram até chegar na vez de Victoria Chase, que mal conseguia conter sua ansiedade. Imagine a minha surpresa quando ela escolheu um monólogo da Scarlett O'hara, de "E O Vento Levou", outra personagem também interpretada pela Vivien Leigh, que faz a Blanche. Eu preciso falar, ela não foi mal. De fato, Victoria não é uma amadora, mas não é nenhuma profissional. Nenhum de nós é. Mesmo com todos os erros, a apresentação dela foi uma das melhores dentre aquela dúzia de alunos. 

Sr. Keaton sorriu para Victoria. Ele disse que ela tinha um brilho igual ao de muitas outras estrelas que ele já tinha conhecido. Claro que isso já foi o suficiente para alimentar seu nada discreto ego e a sua necessidade de aprovação, visto que Victoria nem sequer conteve seus pulinhos de alegria. Ouvir aqueles elogios era provavelmente o que ela havia ansiado por vários dias antes daquele momento chegar. Não vou ser hipócrita, é isso que todos nós desejamos também. 

Sim, Victoria Chase é uma boa atriz, mas para o seu azar, eu vim logo em seguida. Era como se o universo estivesse se preparando para fechar aquelas audições com chave de ouro. Meu coração palpitou assim que pisei no palco e encarei o Sr. Keaton, assim como todos os outros alunos que já tinham se apresentado. Mesmo assim, eu nunca deixaria qualquer gota de nervosismo transparecer, e logo sorri enquanto me apresentava e anunciava que cena eu iria interpretar. 

— Vivien Leigh novamente? Parece ser uma favorita. — Comentou o Sr. Keaton, visivelmente entretido. 

Eu retirei meu monólogo do roteiro da peça. No filme, eles esconderam as evidências de que o marido de Blanche era homossexual. Eu queria a verdade. O contexto daquela cena dependia disso. Blanche sente-se culpada pelo suicídio dele, porque ele se matou logo depois dela afirmar bêbada que o repudiava. Para a personagem de Leigh, ela o matou naquela noite. Eu precisava sentir a angústia que ela sentiu durante todos aqueles anos, enquanto caía em desgraça e se envolvia em vários relacionamentos casuais para matar o romantismo que destruiu a sua vida. Blanche descobriu o amor, mas esse amor nunca seria correspondido da forma que ela gostaria. 

Seu marido nunca possuiu a aparência ou os trejeitos comumente associados ao esteriótipo dos homossexuais. Ela não conseguia decifrar, portanto, o motivo para ele sempre parecer desesperado pela sua ajuda. Mesmo após o casamento, Blanche sentia que ele não era dela da forma que ela era dele. E, um dia, ela descobriu o porquê. Da pior maneira possível. 

Imagine toda a dor de estar perdidamente apaixonada por alguém e encontrá-lo com outra pessoa. Agora imagine saber que você nunca foi sequer uma competição, porque a pessoa que você ama nunca te amou da mesma maneira. Apesar de tudo isso, por amor a ele — ou simplesmente na negação de que a vida de vocês é uma farsa — você aceita fingir que nada viu e que nada mudou. É óbvio que o resultado terminaria sendo desastroso. Nenhum de vocês está feliz. 

O marido de Blanche se matou. Na beira do lago, próximo a um cassino. Todos se reuniram para ver. Blanche DuBois ainda o amava. Ela nunca superou completamente a sua morte. Ela se culpava pela sua morte. Suas palavras cruéis foram as últimas palavras que ele ouviu antes de tirar a própria vida. 

Enquanto eu pensava em tudo isso durante a minha performance, eu terminei em lágrimas. Assim que o monólogo acabou, encarei o Sr. Keaton, cujos olhos também pareciam marejados enquanto ele anotava algo em sua prancheta. Juliet puxou alguns aplausos, que foram seguidos por Dana e mais alguns outros alunos. Victoria parecia aborrecida. Nathan, quase deitado em seu assento e de braços cruzados, apenas me olhava neutro. O Sr. Keaton aplaudiu também antes de começar suas observações. 

— Eu sempre achei que esse papel foi um dos melhores da carreira da Vivien, senão o melhor. — Dito isso, Victoria virou a cabeça na direção dele, mas infelizmente não captei sua expressão por observá-la apenas com o canto do olho. — Ela era a Blanche. Muitos talvez não saibam, mas Vivien Leigh foi diagnosticada com transtorno bipolar em sua vida adulta. Ela transferiu seus conflitos emocionais para Blanche, que também sofria imensamente com eles. Agora penso que existiram duas Blanches nesse mundo, e uma delas é você. 

Eu fiquei eufórica. Se tem uma coisa que eu gosto é de ouvir elogios, mas não os genéricos. Gosto daqueles feitos sob medida para mim. E é claro que Victoria Chase não iria me deixar saborear esse momento por muito tempo. Enquanto deixávamos a sala, ela segurou meu braço e perguntou porque eu não preparei um monólogo reserva. Não era a minha obrigação, mas sim, eu tinha considerado preparar um monólogo extra caso outra pessoa fosse usar o mesmo que eu, só que por pensar que eu seria a primeira da chamada, deixei de lado a ideia. Victoria me acusou de ter feito de propósito para apagá-la no palco. Se ela foi apagada por mim, então deveria se preocupar. Eu simplesmente respondi:

— Francamente, minha querida, eu não dou a mínima. 

Acho que decretei o marco inicial da nossa rivalidade infantil ali. 

Bem, tem muitas outras coisas ocupando a minha mente para ligar para isso. Como por exemplo, Dana Ward. Sempre distraída, melancólica, desligada da cena. Eu acreditei que seu problema fosse um coração partido, mas acabei descobrindo que as raízes eram muito mais profundas. 

Nas férias de verão, Dana namorou com Bob Holden, quase três anos mais velho. Ele gosta de motos, carros, trens e qualquer outro meio de transporte terrestre. Bob se veste como se fosse um zé droguinha da década de 90, com jaquetas três vezes maiores que ele e calças mais folgadas ainda. Mesmo assim, muitas meninas o desejam. Enxergam no Bob o bad boy de seus sonhos, como se fossem protagonistas de um remake de "Juventude Transviada". Ele e Dana se conheceram quando ela trabalhou de babá para a irmãzinha dele. Com a sua altura, Dana podia até passar por dezoito anos, mas ainda era ingênua como uma garota que havia acabado de completar quinze. Pelo que Juliet me contou, Bob realmente acordou os hormônios de Dana. 

Ainda assim, eles inexplicavelmente terminaram duas semanas antes do início das aulas, e desde então a Dana estava estranha. Novamente, parecia um caso de coração partido. Então eu resolvi conversar com ela, porque disso eu entendo bem, e talvez pudesse dar algum bom conselho ou ao menos consolá-la. Dana não queria falar sobre o assunto a princípio, mas eu lentamente criei espaço para que ela se sentisse a fim de desabafar. Guardar tudo aquilo só a faria piorar. 

Para começo de conversa, Bob Holden é um babaca. Isso já era de se deduzir, mas ele é realmente um babaca. Ele a pressionava constantemente para os dois transarem, mesmo após Dana ter dito que ainda era virgem. Quando eles estavam se pegando, Bob às vezes tentava empurrar a cabeça dela, como um sinal para que lhe fizesse um boquete, mesmo ela não querendo. Apesar de desconfortável, Dana sentia que tinha que alimentar o apetite sexual dele de alguma forma, ou Bob se cansaria dela. Ela deixava que ele tocasse em seus seios, e às vezes mandava fotos semi-nua para ele. Uma noite, eles estavam se pegando no carro de Holden, e ela deixou que ele a masturbasse. Quando ele quis ir mais longe e Dana disse "não", os dois encerraram o relacionamento.

Dana assumiu que ainda estava apaixonada por ele, e seu coração tinha mesmo sido partido, mas não era isso que a estava atormentando. Bob insistia para voltar com ela. Isso, ao invés de deixá-la feliz e aliviada, fez seu estômago revirar. Dana não queria passar por todas aquelas situações desconfortáveis de novo nas mãos dele. Então, ela procurou recusar educadamente. Garotos como Bob não sabem ouvir "não". São como crianças que não recebem o que querem e fazem birra. Ele começou a chantageá-la com suas fotos íntimas. 

Esse é o pesadelo de muitas adolescentes e mulheres no século vinte e um. Ter sua intimidade exposta e depois ser julgada por todos. Virar uma escória por ter cometido o erro de confiar na pessoa errada. Ver sua sexualidade ser usada contra você e piorar seu relacionamento com o seu corpo. Eu nunca esperaria ver uma amiga minha naquela situação, e eu me senti impotente. Quando Dana me contou tudo isso, ela começou a chorar com medo que sua família e seus amigos vissem aquelas fotos. Que pensassem mal dela. Eu não sabia o que dizer, então só a abracei. 

Então, eu fiz o que qualquer amiga faria. Eu iria recuperar aquelas fotos a qualquer custo. Na sexta-feira, eu me vesti de forma que nenhum garoto tirasse os olhos de mim, especialmente Bob Holden. Eu fiz questão de passar pelo canto do colégio onde eu sabia que ele e seus amigos fumavam escondidos. E, como eu já havia calculado, Bob se aproximou de mim. Quase um e oitenta de altura, seus cabelos querendo imitar Leonardo Dicaprio em "Romeu e Julieta" e um cigarro aceso em mãos. Ele me cantou. Eu sorri, mexi nos cabelos, dei corda. Marcamos um encontro depois da aula. 

Enquanto nos pegávamos dentro do seu carro velho cheirando a colônia masculina e maconha, eu sabia que precisava distraí-lo. Com Bob focado em decifrar como tirar meu sutiã — que, mal sabia ele, abria na frente —, eu surrupiei seu celular. Logo em seguida, pedi para que me esperasse enquanto eu entrava na boate para usar o banheiro (estávamos estacionados do lado de fora de uma boate underground). Já dentro do banheiro, vasculhei o celular dele inteiro para achar qualquer coisinha que pudesse ser usada contra a Dana e deletar. Antes mesmo que ele suspeitasse da minha demora, eu voltei para o carro, abri a porta, discretamente devolvi o celular e disse a ele que havia encontrado companhia melhor, antes de fechar a porta na cara dele e dar as costas. Bob Holden foi embora revoltado em alta velocidade, não sem antes me xingar de provocadora. 

O que acontece, Diário, é que eu já tinha planejado tudo com Juliet, que chegou lá junto com o primo dela da festa que atendemos algumas semanas antes para me buscarem e me deixarem em casa. Se Bob Holden inventar boatos sobre mim, eu não me importo. Bem, talvez eu me importe um pouco, mas eu me importaria mais ainda se uma das minhas melhores amigas passasse a ter uma relação traumática com a própria sexualidade por causa dele. Além disso, ele não tem provas para sustentar seus boatos imbecis. Estou vingada e de consciência limpa. 

Agora que meus dois pulsos já estão exaustos, vou dormir. Amanhã é segunda-feira e o ciclo se reinicia. Sabe-se lá o que terei de enfrentar amanhã de manhã.

R.A.

 

28 de Setembro de 2009, 7h00

Querido Diário,

Eu tive outro pesadelo. Dessa vez eu estava dirigindo por uma estrada enquanto uma música country parecia tocar ao fundo e do nada um caminhão me atingia em cheio pela lateral. Meu corpo inteiro doeu e meus olhos se abriram na hora. Quando olhei para o relógio, faltavam apenas dois minutos para o despertador tocar. Foi tão surreal e assustador que eu estou até menos animada para fazer dezesseis anos e tirar minha carteira de motorista. Eu não sei o que foi aquilo. Puta que pariu, o que foi aquilo?!

 

MAIS TARDE

Ok, Diário, as coisas ficaram ainda mais estranhas. Uma garota da minha sala de Álgebra faltou hoje. O nome dela é Chloe Price. Eu já havia notado ela antes, especialmente por conta da sua altura. Ela é muito quieta, e me disseram que é um tanto quanto rebelde, além de ser maconheira. Quando a professora fez a chamada e notou que essa Chloe não estava, Kelly Davis, uma líder de torcida que senta do meu lado, comentou que naquele dia fazia um ano que o pai dessa menina havia morrido num trágico acidente de carro. Isso mesmo, um acidente de carro. Quais são as chances de eu sonhar com esse tipo de coisa justo nesse dia? Pensando bem, acho que entendo o comportamento da Chloe um pouco melhor agora. 

Sobre as repercussões do meu encontro com Bob Holden, ele aparentemente até tentou se gabar de ter ficado comigo para outros garotos do colégio, mas ninguém realmente acreditou nele. A lógica masculina é que, se eles não conseguiram me pegar, os outros também não devem ter conseguido. Pelo menos por enquanto. Agradeço a Deus pelo narcisismo dos garotos de ensino médio. 

Dana estava muito mais relaxada hoje, quando soube do que fizemos, mas acho que ela só vai relaxar totalmente quando Bob Holden parar de frequentar Blackwell Academy. Por enquanto, pelo menos, ela parece livre da ameaça dele e muito mais confiante. Além disso, Dana me contou entusiasmada que pretende fazer o teste para líder de torcida, e eu fiquei muito contente por ela estar tão animada. Bob Holden gosta de usar sexualidade como arma? Eu também. E, pelo jeito, eu ganhei.

Com amor,

R.A.


Notas Finais


"Frankly, my dear, I don't give a damn" é uma frase que é direcionada para Scarlett O'Hara no final de "E O Vento Levou" para quem não sabe. Então sim, foi uma dupla afronta da Rachel kk

Como eu amo escrever sobre filmes e peças de teatro livremente já que Rachel é uma entusiasta! Life is Strange já é uma franquia acostumada com um milhão de referências à cultura pop, então também posso. E sim, isso dela ter apresentado um monólogo da Blanche é canon no jogo. Os outros monólogos dos outros personagens fui eu quem escolhi.

Sinto muito que a menção à Chloe Price tenha sido tão curta, mas esse interesse vai sendo despertado aos poucos, já que elas mal tem interações nessa época.

Pra quem não sabe, Kelly Davis é uma das vítimas do Dark Room e ex-aluna de Blackwell. Ela teve um quarto no dormitório feminino na mesma época da Rachel Amber. Look it up. Sim, elas serão conhecidas.


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