História Rise of Jedi - Capítulo 21


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Categorias Star Wars
Personagens Capitã Phasma, Finn, Kylo Ren, Leia Organa, Luke Skywalker, Obi-Wan Kenobi, Personagens Originais, Rey
Tags Ben Solo, Han Solo, Kylo Ren, Leia Organa, Rey, Reylo, Skywalker, Star Wars
Visualizações 382
Palavras 7.454
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Ficção Científica, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Sci-Fi, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiiiii! Aqui estou eu com um capítulo bônus todinho Reylo, presente para uma amiga extremamente querida, minha linda parabatai! Lido e aprovado pela aniversariante! Assim, espero que gostem também!

Capítulo 21 - Capítulo Bônus


Rey bateu na fuselagem da nave com frustração após a décima tentativa fracassada de consertar o motor avariado:

- Qual o problema, Voyager?! Não faça isso comigo!

- Você sabe que não adianta falar com a nave, não sabe? – era a quinta tentativa de Kylo de falar com a esposa, mas o olhar ferino que esta lhe lançou mostrou que não adiantou muito.

- Eu ainda não estou falando com você! Se o fizer, vou dizer coisas das quais me arrependerei. – ela praticamente rosnou enquanto substituía mais um fusível derretido.  O imperador, porém, estava cansado de ser ignorado pela mulher, e a puxou pela mão de modo a virá-la para si. Grande erro – Quer que eu fale, mesmo? Então está bem: é por SUA causa que estamos aqui, “Lorde Ren”. Eu falei que os escudos aguentavam o campo das nuvens eletromagnéticas! Você conseguiu destruir um modelo Voyager, e agora estamos incomunicáveis, perdidos no meio do nada, com extremistas querendo nossas cabeças. E nem vou mencionar o fato de estarmos nas regiões pantanosas de Kashyyk, a dias de viagem de qualquer sinal de vida, provavelmente em território de pessoas que não estão nem um pouco dispostas a negociações.

- Eu estava SALVANDO nossas vidas! – rebateu Kylo, batendo com o punho fechado no metal – dos seus amiguinhos da Resistência, que quase nos mataram!

- Griffon Estera e seus seguidores NÃO SÃO da Resistência. São radicais, e a própria Leia se opõe a suas atitudes extremistas! – defendeu Rey, ultrajada que o esposo comparasse a luta de Leia aos atos caóticos que semeavam medo e destruição tanto no Império, quanto na República, perpetrados pelos terroristas. Frustração e zanga se misturavam nela, dando-lhe fortes ganas de acertar a cabeça do marido com a pedra mais dura que encontrasse. Provavelmente a pedra se esfacelaria, e Kylo sairia sem qualquer ferimento; havia poucas coisas mais duras do que aquela cabeça. Dois motivos causavam toda a irritação contra o homem: primeiro, a chance de chegarem a tempo a Naboo era quase inexistente, agora, e isso acabaria com as possibilidades de qualquer acordo de paz; segundo, e menos importante, porque se tratava do primeiro voo daquela nave, um modelo cujo designer a própria Rey criara e participara dos testes.

- Eu pareço estar me importando com detalhes técnicos? – rebateu Ben, igualmente zangado, mas com a raiva injustificada que a esposa lhe dirigia – Porque NÃO ESTOU! O que queria que eu fizesse?

- Que continuasse pilotando e me deixasse lidar com as naves que ousassem nos seguir numa nuvem eletromagnética, como estávamos fazendo até você FRITAR a nave com aquela descarga elétrica!

- Chegou ao menos a reparar que alguns tiros acertaram os geradores dos escudos? Estavam danificados, não iam aguentar sozinhos, e a nave INTEIRA teria colapsado, em vez de apenas a parte elétrica! Sem uma gaiola de Faraday, toda a Voyager podia explodir, criança irresponsável!

Rey abriu a boca para discutir, dizer que os escudos da nave eram projetados para aguentar, que ele a chamava de criança agora, mas não a consierava uma quando se tratava de leva-la para a cama, e tantas outras coisas que passaram por sua cabeça. Contudo, Gea rosnou irritada e se colocou entre ambos, olhando para um e para outro, a cauda balançando ameaçadoramente. Certo, não precisavam de palavras: os olhos violeta da Tuk’ata diziam tudo: ou terminavam a briga, ou ela terminaria por eles.

- QUE DROGA, KYLO REN! – a Jedi arremessou uma pedra com força para aliviar a frustração e encostou as costas à nave, escorregando até sentar no chão, os joelhos flexionados e os braços apoiados nas pernas. Kylo aliviou a própria raiva esmurrando o tronco de uma árvore, deixando uma marca afundada na madeira. Doeu, e talvez tivesse quebrado novamente um ou dois ossos, mas ele já parara de se importar com isso há muito tempo.

Ficaram em silêncio por vários minutos, ambos pensando no que acontecera.

 

Flashback on

 

A viagem até Naboo seguiria um caminho tortuoso: embora o mais comum fosse tomar a rota que passava pelos entrepostos corellianos, Rey e Kylo haviam concordado que seria perigoso. Meia galáxia provavelmente já estaria sabendo que o Imperador e o representante dos Sistema Independentes – hoje antes uma massa desorganizada de planetas que só tinham em comum a não-submissão ao Império – iriam se encontrar no planeta politicamente neutro, acompanhados de dignitários de ambos os territórios, para a assinatura de um armistício formal. Assim, o mais inteligente seria seguir por outra rota, desviar o caminho; fora desse modo que haviam tomado o rumo de Kamino, de onde então seguiriam para Naboo. Direções opostas, em verdade, mas que serviriam para despistar qualquer ataque à nave imperial. Enquanto isso, os Cavaleiros de Ren e conselheiros tomariam a rota direta em naves tomadas da outrora Nova República; não confiavam nem um pouco na validade daquele acordo, o qual Kylo Ren apenas propusera a fim de evitar que uma guerra aberta fosse declarada. Nem ele, nem Rey, e menos ainda os Jedi Cinzentos acreditavam que todos os planetas estivessem de acordo, ou fossem honrar a trégua. Por isso mesmo, medidas preventivas eram essenciais.

Contudo, não haviam esperado encontrar naves da Velha República em seu caminho: nas proximidades de Kessel, a aproximação da Voyager, uma nave não-identificada, revelou ser o planeta uma base para o grupo terrorista de Griffon Estera: X-Wings da Velha República entraram rapidamente em formação para atacar o invasor; a identificação de Rey como sendo uma Jedi não encerrou o ataque, mas o acelerou!

De imediato a mulher acionou os escudos laterais da nave, que se desdobraram e travaram na posição defensiva, enquanto Kylo iniciava manobras evasivas para fugir aos disparos. Rey assumiu os canhões da Voyager, confiando ao esposo guia-los para a segurança. Gea apenas se abaixou contra uma parede, sabendo que as coisas ficariam intensas, e ali não havia muito o que pudesse fazer.

Ben era exímio piloto, e toda a galáxia sabia disso; porém, estavam sozinhos, e em território inimigo; com manobras arriscadas, conseguiu evitar inúmeros disparos fatais, enquanto Rey eliminava uma a uma as naves dos extremistas. Foi inócuo: mais naves deixaram a órbita e se precipitaram na direção do veículo interestelar.

- Rey, eles são muitos! – alertou Kylo – não temos como lidar com todos.

- Há uma nuvem eletromagnética na rota para Kashyyk! – informou a moça, gritando acima dos sons dos disparos – os escudos da Voyager irão nos proteger, mas os caças não podem nos seguir!

- Não tenho como entrar em hiperespaço! Estão fechando o caminho! – Rey entendeu de imediato o que o esposo tinha em mente, e tomou a cadeira do copiloto – ajude-me.

Usar a Força em conjunto não era algo novo para ambos, mas jamais haviam feito algo similar, ainda mais durante um combate aéreo! Os tiros de plasma forçavam os escudos de energia, mas suportavam perfeitamente bem enquanto Kylo lançava o modelo nascido da reunião entre os pontos mais fortes de um X-Wing e um caça TIE em um parafuso entre duas naves; a manobra evasiva dos pilotos de caça agiram em favor do casal; Rey estendeu a mente e se concentrou, sentindo as naves que bloqueavam a passagem: dentro delas, cada piloto rebelde disposto a matá-los. Não precisava controlar suas mentes, apenas confundi-los para que seus disparos e direções se confundissem, abrindo caminho para a fuga!

Um a um, ela entrou nas mentes dos perseguidores; tão focados estavam em atingir seu alvo, que não notavam os discretos ‘empurrões”, ilusões e distorções que embaralhavam suas visões e mentes minimamente, mas o suficiente para que os tiros errassem o alvo, e que os caças se desviassem do caminho, provocando colisões, guiando-os para fora da rota de Kashyyk. Concentrado em manter a nave longe dos disparos de armamento mais pesado, desviando-se habilmente dos Wings em colapso, Kylo usou a Força apenas por alguns momentos, antes de sentir pela conexão que Rey se dispunha a lidar sozinha com aquilo, enquanto ele se ocupava inteiramente da trilha perigosa..

- Rey, a idéia é nos salvar, não nos matar mais rápido! Faça-os desviar em outra direção! – bradou o Lorde Sombrio, furioso com os terroristas que os atacavam. Mesmo sabendo que a esposa o censuraria duramente, depois, entrou nas mentes daqueles que sentia mais próximos e vulneráveis: sua raiva era o bastante para causar dor excruciante apenas com a súbita e violenta invasão dos pensamentos alheios, atordoando os rebeldes. Porém, fazer isso o distraía das manobras evasivas, e ele soltou uma praga quando sentiu um disparo preciso acertar o gerador de um dos escudos laterais, interrompendo o campo contínuo. Entrar na nuvem eletromagnética com escudos danificados seria suicídio, mas não havia mais tempo de impedir: ele acionara o hiperespaço apenas uma fração de segundos antes. Não precisou de mais do que um olhar para que Rey o compreendesse, e trocaram de lugar; a jovem não sabia o que ele faria, mas sabia que havia um plano na mente do esposo.

- Ben, o que vai fazer?

- Se entrarmos na nuvem com o escudo danificado, vamos perder o controle. Preciso criar uma rede elétrica em torno da nave!

- NÃO! – protestou a Jedi – Os escudos aguentam! Se fizer isso, vamos perder todos os sistemas da nave! Vamos cair no primeiro corpo celeste do qual nos aproximarmos!

- Não dá mais tempo, Rey! – ele foi um milésimo de segundo mais rápido, pousando a mão no console e utilizando a Força para uma poderosa descarga elétrica que se espalhou por todos os componentes da nave. As reações rápidas da Jedi a impediram de tocar a mão do esposo, evitando que recebesse a carga, mas não pôde impedi-lo. Ela viu todos os sistemas serem ativados ao máximo, sobrecarregados: os escudos vibravam intensamente, no preciso momento em que cruzavam o campo de energia, e então se apagaram no instante em que Kashyyk surgia diante de seus olhos.

Kylo Ren se abaixou, ofegante, e a Jedi lhe gritou:

- Estou sem sistemas, Ben! Vou ter de fazer um pouso forçado: segure-se a algo!

Um fato sobre manobrabilidade de naves de qualquer tipo: sem os sistemas de energia, era necessário usar toda a sua força física para manter o curso, e mais ainda para desviá-lo. Pousar uma nave sem motores ou controle era virtualmente impossível! Mas o pânico não era companheiro da Jedi, que apenas se concentrou: sentia no sangue o que devia fazer, uma mão pousada no manche, a outra nos painéis da Voyager. Kylo se uniu a ela nesse intento, o poder de ambos combinado numa só intenção e direção, harmonizando-se perfeitamente, e juntos conseguiram desacelerar o veículo enquanto entravam na atmosfera e desciam sobre o planeta coberto de florestas. A nave planou, perdendo altitude e velocidade, mas não parou; o pouso abriu um rastro de árvores derrubadas, o impacto parecendo prestes a esmagar o casal. Por alguns instantes a confusão os atordoou, e quando finalmente perceberam ter parado, os olhos da Jedi se voltaram ferinos para o marido, verificando que ele estava ileso antes que ela deixasse a cadeira do piloto e saísse do veículo sem lhe dirigir uma palavra.

 

Flashback off

 

 

- Não podemos apenas ficar parados – disse Rey, finalmente quebrando o silêncio e ficando em pé – vai anoitecer em algumas horas, precisamos montar acampamento. Se estavam em Kessel, talvez também haja terroristas por aqui.

- Vou pegar o abrigo militar – disse Kylo, enquanto uma Rey ainda muito zangada se dedicava a arrastar para perto da nave troncos de árvore que podia carregar, derrubados pelo pouso forçado. Poderia, é claro, usar a Força, mas não apenas estava cansada pelo brutal esforço de parar uma nave em queda livre enquanto pilotava, como sabia que o movimento ajudaria a ocupar sua mente e evitar que esmurrasse o esposo, como queria fazer. Sim, reconhecia que eram sentimentos infantis, que era apenas uma nave, mas o motivo de tudo aquilo era ele NUNCA escutar! Se a ouvisse, não estariam isolados, fora de contato com qualquer pessoa conhecida e provavelmente em território perigoso! Teimoso, cabeça-dura. Ela conhecia aquela nave perfeitamente: preenciara todos os testes do modelo, e tinha certeza de que teria suportado, mesmo com os defletores em potência reduzida!

Precisavam de fogo para passar a noite: Kashyyk podia ser muito frio, ainda mais perto das regiões pantanosas; assim, ela procurou por qualquer coisa que lhe permitisse cortar a madeira. Sem encontrar o equipamento de emergência, provavelmente esmagado na parte inferior, ela se voltou para Kylo:

- pode emprestar seu sabre?

- para quê? – ele ainda estava tão ranzinza quanto ela – tem os seus.

- cortar lenha. – ele a fitou, incrédulo – não me olhe assim: você nos meteu nessa situação, é mais do que justo.

- Eu não vou emprestar meu sabre para que você o use como um machado! – Ele havia acabado de montar o abrigo, e o inspecionava – pare de provocações infantis.

Rey parou de puxar os ramos que trazia e ficou frente a frente com Ben; estavam ambos bravos, e isso não era bom sinal... Percebendo o começo de uma nova briga, Gea revirou os olhos e se afastou para caçar. Não tinha paciência com humanos e seus dilemas conjugais.

- Não se atreva a me chamar de criança, Ben Solo. – disse com firmeza.

- E como quer ser chamada, quando age...

- Quando ajo por um dia como você é quase o tempo todo?! – disparou a moça – quer saber por que estou tão irritada? Porque você. Não. Confia. Em. Mim! – ela se aproximou ainda mais, ignorando os olhos flamejantes do marido. Há muito já não o temia – Faz as coisas sempre do seu jeito, nunca me ouve, até que algo tenha dado errado!

- Fala como se fosse um exemplo de flexibilidade e docilidade, Jedi! – ele assomava sobre a moça, irado – está fazendo essa cena apenas porque fiz as coisas do meu jeito? Porque reagi sem pedir sua permissão?

- Não estou fazendo cena. Estou furiosa porque você SEMPRE faz do seu jeito, e olhe como acabamos! Responda, acha que sou tão incapaz, que nunca pode me ouvir? Que as coisas darão errado se me escutar uma vez que seja?! – Rey agitou a mão, apontando o dedo para o marido, e Kylo agarrou seu braço com força, a mão enorme se fechando no punho dela.

- Não se atreva... – não conseguiu terminar a frase, pois uma joelhada da mulher acertou em cheio sua virilha. Maldita mente fechada, que não lhe permitia prever as reações dela! Solo soltou o pulso da esposa e se dobrou sem ar, gemendo alto com a dor; uma parte de Rey se sentiu culpada por fazer aquilo, mas outra parte julgou merecido.

- Não se atreva VOCÊ! – bradou a jovem, caminhando para o outro lado da clareira, resistindo à vontade de realmente o acertar com uma pedra – se me agredir fisicamente outra vez, será um sabre de luz, e não uma joelhada! – não ficou ali para ouvir as pragas de Kylo, mas ouviu algums árvores caindo quando ele as golpeou com o sabre. Ele que se resolvesse sozinho! Ela ia procurar uma fonte de água qualquer, para que pudessem se hidratar. E para evitar que aquilo virasse um duelo com sabres de luz e uso da Força; já estava envergonhada o bastante de ter explodido daquela forma... Ela era uma Jedi, e se descontrolara muito mais do que jamais teria permitido em qualquer outra situação, mas Ben Solo tinha o dom de aflorar ao máximo suas emoções, não importava quais fossem. Melhor seria, mesmo, esfriar a cabeça com água muito gelada.

 

*

 

Quando Rey voltou, encontrou Kylo sentado entre o abrigo e uma fogueira alta, cercada de pedras. Ao lado havia uma pilha de toras cortadas, claramente, com um sabre de luz, o que a fez rir internamente, agora muito mais calma após um pouco de meditação ativa patrulhando o perímetro. O Cavaleiro se sentava contemplativo e, passada toda a adrenalina, a própria Jedi tivera oportunidade de pensar muito no que haviam dito e feito. Pousou no chão as cabaças que encontrara e enchera de água e encarou Ben por algum tempo, sem saber como começar a falar. Finalmente, declarou:

- Há uma fonte de água, a uns duzentos metros daqui. Se quiser se lavar, basta seguir a trilha. Eu deixei pegadas fundas.

Sem dizer nada, ele se levantou e seguiu pelo caminho de onde Rey viera; antes que desaparecesse entre a folhagem, contudo, ela chamou:

- Ben – pensou no que diria a ele quando o Cavaleiro se virou, mas não conseguiu achar palavras, então apenas pediu – tenha cuidado.

O homem assentiu e lhe voltou as costas novamente, seguindo pela trilha marcada pela esposa; ela o sentia ainda aborrecido, em parte com ela, em parte consigo mesmo; por mais inacreditável que fosse percebia que ele realmente se culpava pela situação em que se encontravam.

Ela se sentou onde o companheiro estivera antes, sentindo todo o entorno através da Força: já o fizera enquanto percorria as proximidades, mas não conseguiria descansar verdadeiramente ali. Percebia a energia de Ben a pouca distância, quase podia vê-lo entrar na pequena represa e enfiar a cabeça sob o fluxo de água corrente para desanuviar os pensamentos e serenar as turbulentas emoções; Rey agora conseguia entender o esposo em grande parte... Se não era fácil para os outros conviverem com seu temperamento difícil, a raiva intensa e as emoções à flor da pele, isso não chegava sequer perto do mal que ser assim fazia ao próprio imperador. Pois qualquer outra pessoa poderia simplesmente se afastar ou pensar em outra coisa... Mas Ben Solo não podia fugir de ser quem era, e menos ainda de padecer sob o jugo dos próprios sentimentos! Toda aquela raiva, aquela mágoa e escuridão o haviam sufocado por toda uma vida e, mesmo que seu controle houvesse aumentado visivelmente nos dois anos sem as constantes torturas de Snoke, não era possível sanar as feridas de trinta anos em apenas dois. Algumas talvez sequer pudessem sem curadas. Rey entendia isso. Mas entender não significava aceitar, e por isso surgiam esses atritos; às vezes lhe parecia que o esposo não tentava encontrar a si mesmo, mas deixava-se agir em consonância com a lavagem cerebral à qual fora submetido, e nessas horas tinham brigas intensas, dez vezes piores do que a de horas atrás. A própria Jedi tinha noção de não ter o temperamento mais fácil do mundo, mas ainda assim, com todas as discussões, sabia que ambos faziam um grande esforço para se ajudar e compreender mutuamente.

Estava perdida em pensamentos quando a presença crepuscular de Gea se fez sentir ao seu lado, enquanto a Tuk’ata se deitava com a carcaça de algum animal de porte médio entre as patas, os olhos azul-violáceos fixos na mestra.

“Humanos são seres confusos. Mas ele consegue ser mais do que a maioria.”

- Sei bem disso – suspirou a Jedi, esfregando os braços doloridos.

“Você também se descontrolou”

- Agora vai parafrasear Obi-Wan? – perguntou a Jedi, esfregando as têmporas – eu sei que errei.

“Não pode voltar no passado e desfazer um erro. Mas pode fazer algo a respeito no presente, menina”

Rey ainda achava estranho como Gea acabava ensinando-lhe muito sobre si mesma; como um ser que estava entre a natureza animal e a humana, ela percebia os fatos nos menores detalhes – acentuado por ser tão imbuída da Força, e tão antiga – e sua mente reagia a eles de modo um tanto simplista, instintivo. Na mente de Gea, o mundo era um complicado quebra-cabeças de sons, cheiros, cores, sensações, mas as respostas eram diretas e intensas, como a parte animal de seu ser a impelia a ser. E como os animais, não mentia para si mesma ou fingia reações, não imaginava coisas que não estavam ali, não se deixava enganar por ilusões sentimentais ou idiossincrasias. Ela exergava a realidade, tanto externa quanto interna, e ensinara muito à garota quanto a buscar o autoconhecimento e impedir que desejos, medos ou expectativas distorcessem sua percepção da pura realidade.

A moça se virou para falar com sua guardiã, mas esta já não estava ali; talvez sequer houvesse estado fisicamente, mas certamente seus pensamentos haviam tocado os da Jedi, que sorriu consigo mesma. Não podia mudar o passado, mas podia agir no presente. Era nisso que pensava quando ouviu e sentiu a aproximação de Ben, este também muito mais calmo, agora. Ela se levantou e permaneceu no lugar, observando-o; Kylo parou e fixou seu olhar no dela por um longo minuto de silêncio. Finalmente Rey se manifestou:

- obrigada por acender o fogo.

- Havia muita lenha, graças ao pouso forçado. – respondeu ele – acender o fogo é fácil.

- Sim... – ela respirou fundo – sobre hoje, mais cedo... Eu me descontrolei, e falei coisas das quais me arrependi. Eletrocutar a Voyager foi precipitado, mas não tínhamos tempo para pensar em outras alternativas... Talvez ela realmente não tivesse aguentado, sem isso.

- Isso é um pedido de desculpas? – perguntou ele, um sorrisinho convencido tentando se esboçar no canto de seus lábios.

- Uma constatação de que eu errei em descontar minha raiva em você. – ela teimou, não por orgulho, mas para fazer aquele sorriso brotar. Desculpar-se sem usar a palavra em si se tornara uma espécie de jogo entre eles dois, e os aproximava de alguma forma após brigas nas quais nenhum dos lados queria admitir a culpa por inteiro. E neste caso, a culpa não fora apenas dela, definitivamente. – espero que o chute não tenha machucado muito.

- Menos o corpo do que o ego. – respondeu ele, sentando-se – também perdi o controle. Outra vez.

- estamos ficando bons em testar a paciência um do outro – constatou a moça, olhos fixos nas chamas.

- entendo sua frustração com a Voyager; era importante para você.

- Não tanto a Voyager – ela se sentou ao lado do esposo – o que vamos fazer para sair daqui? Ahsoka está do outro lado da galáxia, levaria dias para chegar aqui, e perderíamos a data do armistício. Os outros já devem estar perto de Naboo, agora. Esse armistício era muito imporante, Ben! Não comparecer...

- Eu sei o que significa não comparecer, Rey – havia irritação na voz do Cavaleiro Sombrio, uma frustração que partilhava com a esposa em relação ao assunto – tivemos juntos a  ideia do armistício, lembra-se? – ele se arrependeu imediatamente do tom áspero de suas palavras, mas não disse nada.

Novamente o silêncio se instalou, até que Rey se levantasse para ir à nave; procurou entre os objetos não esmagados pelo impacto, e descobriu um comunicador de longa distância relativamente intacto; como estava dentro de uma caixa isolante, não fora afetado pelas descargas elétricas! Ela colocou o objeto no chão e começou a montá-lo; não precisou falar nada antes que Kylo se ajoelhasse ao seu lado, ajudando-a.

- Podemos aumentar o espectro de frequências e ampliar o alcance. – falou ele – com algumas peças da nave.

- termine de montar, vou tentar achar os reguladores de campo nos escudos – ela revirou os olhos – se ainda estiverem inteiros depois da sobrecarga.

- Eu já disse que reagi sem pensar, e sei que estamos presos aqui por minha causa. Podemos encerrar o assunto e focar em sair deste lugar?

Rey voltou com alguns discos magnéticos que não haviam sido despolarizados, um leve sorriso nos lábios, que o imperador compreendeu de imediato: a presença de discos não-despolarizados, mesmo com a sobrecarga que causara e a elevação térmica extrema significavam que, mesmo avariado, o veículo teria resistido; a Jedi não estava satisfeita por ter razão na discussão, que já tirara da mente, mas por saber que não errara no projeto que concebera, e menos ainda na avaliação deste.

Trabalharam em silêncio, cortando com os próprios sabres os discos para adaptá-los ao transmissor: o trabalho seguiu por quase uma hora, quando enfim conseguiram uma frequência de sinal passível de alcançar pelo menos a frota a caminho de Naboo. Gravaram a mensagem com coordenadas sem dar informações: a voz de Rey dizia apenas “solicitamos ajuda”, e indicava o quadrante, sistema, planeta, além de latitude e longitude. Com altitude e latitude propositadamente modificadas, poderiam visualizar qualquer veículo que ali chegasse em resposta ao chamado – haviam usado uma frequência de transmissão do Império, mas não podiam se arriscar, caso mais alguém captasse aquela mensagem – e se esconder em caso de necessidade, antes de serem encontrados. Se reconhecessem a presença de aliados fariam contato e indicariam a posição verdadeira de ambos.

- Vamos deixar o sinal durante a noite. Gea nos avisará se eventualente não sentirmos alguma aproximação. – declarou a Jedi – provavelmente perderemos a data, mas ao menos sairemos daqui, cedo ou tarde.

Kylo pensou durante alguns minutos, e enviou a mensagem em mais canais e frequências: da República, de comércio, até mesmo canais clandestinos que não existiam oficialmente.

- O que está fazendo?!

- Esperar uma nave do Império ou dos Jedi pode demorar dias. Não quer sair rápido daqui?

- Vamos morrer, desse jeito! Vai chamar...

- Caçadores de recompensas, contrabandistas, terroristas... É exatamente a ideia. A primeira nave que pousar aqui, usamos para sair do planeta. Lidar com a tripulação não será um problema.

- Está falando em matar gente inocente – rosnou a Jedi.

- Como os que nos colocaram neste problema? Sim, estou. Agora, se matar alguém que não a atacou ofende sua elevada moral, “mestre Jedi”, podemos apenas deixa-los inconscientes e pegar o que precisamos: um veículo para sair daqui.

Rey o encarou fixamente, mas não se deixaria provocar dessa vez; levantou-se abruptamente e afirmou categoricamente:

- Não mataremos ninguém que não nos ataque. Não é uma pergunta, nem uma sugestão, Kylo Ren.

- Ah, perdoe-me a insolência, Alteza Imperial. É claro que esperarei por sua real permissão para agir como Lorde Sombrio – havia hostilidade na voz de Ben, tanto quanto sarcasmo. Sabia como Rey odiava ser chamada assim, mais do que qualquer coisa. Ela lhe lançou um olhar fulminante e, a fim de evitar outro conflito, deu-lhe as costas e entrou no abrigo. Ben ia segui-la quando a porta se fechou a centímetros de seu nariz. Ele praguejou e bateu no metal três vezes, como se fosse arrombar a lâmina blindada, mas não recebeu nenhuma resposta. Através da Força, sentia apenas que a Jedi o evitava deliberadamente, pois fechara os próprios pensamentos aos dele. Ela se atrevia a querer controlar suas ações enquanto Cavaleiro de Ren, quando ele não interferia na maioria de suas ações como Jedi?

Usando a Força, ele abriu a porta para si e a fechou às suas costas; Rey se enrolara num cobertor e deitara sobre o colchão fino, e ao ouvir a entrada do esposo cobriu a cabeça.

- Boa noite, Kylo Ren.

Ele poderia falar muitas coisas, mas sabia muito bem que, quando se tratava de usar o Lado Sombrio contra pessoas, Rey era inflexível. Ela ainda possuía essa moral rígida, lembrava-o sempre de que era uma guardiã da paz, não uma assassina, e este assunto dificilmente seria algum dia resolvido. O que podiam fazer era se aceitar mutuamente com as respectivas opções; ele não mataria sem necessidade, embora parte de si de fato gostasse do poder de decidir extirpar uma vida, mas seu conceito de “necessidade” não necessariamente condizia com o da esposa.

- Não matarei, a menos que haja necessidade, se isso é tão importante. Mas quem decide se é ou não necessário sou eu, não você. Não imponha seu Código a mim, como não imponho o meu a você, Jedi. Eu a aceitaria com sua luz, e seria aceito com minhas sombras; eu avisei que não era uma nave quebrada para ser “consertado”, nem um prisioneiro para ser “salvo”. – bem, essa parte talvez fosse mentira. Rey o libertara de mais modos do que poderia dizer, mas Kylo não continuva a utilizar o Lado Sombrio por estar preso a ele, e sim, por ser parte de quem era.

- Eu disse boa noite. – repetiu ela, usando a Força para empurrá-lo para trás sem sequer descobrir a cabeça. Estava se controlando para não dar vazão à raiva, Ben podia sentir com clareza. Quando se irritavam um com o outro, geralmente durava alguns dias, mas não estava nem um pouco disposto a lidar com uma Rey distante e calada, especialmente quando toda a situação já era ruim o bastante para inflar sua raiva. E quando a discussão era acerca da Força, esta não era um meio de se reencontrarem e harmonizarem; não significava que não houvesse outras maneiras de se entenderem.

 

*

 

A Jedi continuou enrolada no cobertor, tentando fingir estar sozinha. Não conseguia entender Kylo e seu vínculo profundo com o Lado Sombrio, que tanto sofrimento trouxera a ele e a todos que o amavam! Era mais do que hábito: ele realmente se fortalecia na sombra de sua alma e, embora sua mente entendesse isso, era difícil lidar com algumas atitudes do marido. Sabia que Ben se segurava muito, evitando cometer atos cruéis ou imorais diante dela, mas o fato de os cometer, por vezes, a fazia pensar no quão longe poderiam levar essa situação. Cedo ou tarde não haveria como fechar os olhos... Cedo ou tarde, seus caminhos iriam se separar, e essa ideia era incrivelmente dolorosa. Ela simplesmente não se sentia pronta para abrir mão de seu amor, e duvidava que algum dia estivesse. Contudo, seus pensamentos foram interrompidos por um formigamento que conhecia bem: um calor suave e reconfortante subia por seu corpo, o sangue começando a correr mais rápido em suas veias... Descobrindo a cabeça, sentou-se e o encarou indignada:

- Isso é um claro exemplo de mau uso da Força.

- Mau uso? – ele se aproximou, ajoelhando no colchão até deixar o rosto a milímetros do dela, enquanto suas mãos se moviam ao longo do corpo esguio sem o tocar, estimulando-a. Aquele sorrisinho cafajeste e convencido estava outra vez em seu rosto, como sempre deixando-a na dúvida entre esmurra-lo ou beijá-lo. Teria protestado, mas a sensação era tão boa que as palavras se tornaram um gemer ofegante: era como se ele a tocasse em todo o corpo ao mesmo tempo, excitando até a menor das terminações nervosas – dar prazer a minha mulher é um mau uso?

- Pare... Com isso. – aquilo era uma afronta! E quando ele não parou, ela usou a Força para empurrá-lo de leve. Sem sucesso, ajoelhou-se e bateu com as mãos espalmadas em seu peito, empurrando-o – eu disse para não fazer!

            - Quer que eu pare por ser um mau uso da Força, ou porque quer as minhas mãos em você, e não um estímulo mental? – desafiou ele, puxando-a para si bruscamente, colando seus corpos. Não se sentia minimente culpado, pois sabia que Rey era mais do que capaz de afastá-lo se não quisesse levar aquilo adiante. O silêncio dela, o olhar duro, a mandíbula travada... Ela ficava ainda mais bela quando estava zangada! Talvez por isso gostasse tanto de irritá-la; ao mesmo tempo em que suas feições demonstravam reprovação e censura, as pupilas da mulher estavam dilatadas, a pele exposta dos braços e pescoço se arrepiara, a respiração estava mais acelerada e o coração batia com tanta força que o Cavaleiro podia sentir as pulsações contra seu peito através das roupas de ambos – Você gosta disso, não é?

            - Você é um cretino manipulador, Kylo Ren. – acusou a moça, sentindo seu corpo estremecer e responder à proximidade do homem. Ele sorriu de modo perigoso e roçou os lábios nos dela, segurando-a firmemente no lugar enquanto a provocava.

            - Sou. – concordou – agora diga que não gosta disso. Diga que me odeia, Jedi.

            - Eu não te odeio. – ela tentava ignorar os braços que a envolviam e o desejo que despertavam em si – mas você consegue me deixar com raiva.

            - É só isso o que posso despertar em você? – a voz sorriu maliciosa enquanto ele corria uma mão pelas costas da esposa, seguindo a linha dos pontos mais sensíveis ao longo da coluna, nas bordas das escápulas... Ela estrangulou um gemido e fechou os olhos, seu corpo parecendo se desmanchar quando ele correu os lábios por seu pescoço, mordendo sem muita força a curva da clavícula – diga, Rey. Você gosta desse manipulador. Gosta das coisas que a faço sentir, mesmo que acuse meus métodos de imorais.

            Rey gemeu mais alto quando as mãos firmes a seguraram pelas coxas, puxando-a para o colo do marido. Era isso o que ele queria? Extravasar os sentimentos e as emoções através de sexo? Isso ela podia fazer, mas não seria um brinquedo nas mãos dele. Se iam jogar, seria uma via de mão dupla! Com um movimento rápido ela libertou os braços que ele mantinha presos em seu abraço e segurou com força uma mecha de cabelos negros com a mão direita, enquanto a esquerda apertava o braço musculoso em torno de si:

            - você É um cretino manipulador, Kylo Ren, que usa a Força para satisfazer os próprios desejos e manipular pessoas na carne e na mente. – puxou-o para si e o beijou ferozmente, colocando paixão e raiva nesse gesto – deixa-me tão zangada que eu poderia machucá-lo, se não o amasse tanto, bastardo filho-da-mãe.

            - Existem outras formas de liberar toda essa tensão. – ronronou ele ao ouvido da garota, satisfeito em sentir a excitação dela aumentar exponencialmente. Ia dizer algo mais quando ela segurou seu rosto com ambas as mãos e sussurrou:

            - Cale a boca. – e com essas palavras beijou-o novamente, enlaçando as pernas em sua cintura. Empurrou-o para trás, derrubando-o no colchão enquanto continuava a beijá-lo de modo furioso, intenso! Isso o excitou ainda mais, e já não sabiam ao certo de quem provinha a maior raiva, ou o maior desejo, enquanto os sentimentos se misturavam e manifestavam em toques fortes, quase violentos.

            Ben virou ambos, ficando por cima, e deu um sorriso selvagem de satisfação ao ver que a Jedi naqueles poucos momentos abrira sua camisa; de joelhos, arrancou a peça e a jogou para o lado, enfiando as mãos na gola da blusa da moça e puxando a peça de uma só vez, rasgando-a ao meio antes de se deitar sobre o corpo da moça, a boca buscando avidamente seu colo, pescoço... baixou o sutiã da garota e atacou seus seios sofregamente, beijando, mordendo e sugando com força, enquanto as unhas dela se enterravam em suas costas. E mesmo que o Cavaleiro fosse grande, Rey era forte o bastante para conseguir virá-los, tornando a ficar por cima enquanto se livrava de vez da peça íntima. Foi sua vez de beijar e acariciar o peito de Kylo, arranhando com força suficiente para deixar linhas avermelhadas em sua carne, sentindo o prazer dele com aquele gesto. Descia os dedos pelos flancos, arranhava a barriga, o peitoral, ombros e braços enquanto o beijava com força, sentindo a mão dele segurar firmemente seus cabelos, puxando-os para expor sua garganta aos beijos e mordidas implacáveis.

            Não havia necessidade de palavras: falavam tudo um ao outro através dos sentimentos, dos pensamentos desconexos e frenéticos, das sensações abrasadoras que incandesciam seus corpos em poderoso desejo, aumentado pela irritação acumulada ao longo de todo aquele dia, das discussões... A moça segurou o pulso do amado e o obrigou a soltar seus cabelos enquanto descia a boca por seu peito, dando beijos molhados e soprando calidamente sobre a pele branca que se arrepiava. Traçou o caminho até um mamilo, envolvendo-o com os lábios e sugando com força, ouvindo com deleite o gemido de prazer do homem, que se tornou ainda mais intenso quando ela tomou a protuberância sensível entre os dentes, usando força medida para que dor e prazer se igualassem, a primeira intensificando o segundo. Ira e luxúria caminhavam juntas, uma servindo como válvule de escape à outra.

            As mordidas e beijos desceram pela barriga de Kylo, e logo a esposa abria seu cinto e calças, puxando as peças para baixo sem paciência ou gentileza, despindo-o completamente; estava de joelhos junto aos pés dele, terminando de puxar a roupa para fora do corpo masculino, quando ele avançou e a segurou pelo pulso, puxando-a para um abraço intenso e um beijo fogoso. Mordeu o lábio inferior dela até sentir um leve gosto de sangue, ouvindo-a gemer, e recebeu o troco. Foi delicioso, e sugou os lábios da mulher, sentindo o sabor de seus sangues misturados enquanto suas mãos arrancavam a calça e roupa de baixo da garota; soltou seus lábios apenas por tempo suficiente para terminar de despi-la, sentindo nela a mesma urgência que havia em si; mais uma vez uniu suas bocas num beijo intenso, tendo as mãos de Rey a apertarem seus braços com força suficiente para deixar marcas; ela o tentou virar para ficar novamente por cima, mas, com um movimento ríspido, ele a virou de bruços e prendeu seus pulsos nas próprias mãos, atacando a nuca, as costas, ombros... Deliciava-se em ouvi-la gemer e senti-la se retorcer de prazer, ansiosa por tocá-lo, mas impedida pela posição e pela força de suas mãos.

            - Ben – chamou a garota, num tom de súplica. Precisava continuar! Precisava dele, queria senti-lo inteiramente, com força... Arqueou o corpo de modo a tocar o peito dele com suas costas, os quadris atritando-se aos de Kylo, sentindo a intensidade do desejo masculino. O que ele estava esperando? Sentia-o intercalar toques suaves, macios como uma pena, a mordidas doloridas, mas igualmente prazerosas, e também arranhões: costas, nádegas, flancos... Ele a cobria de carícias que faziam gritar de prazer cada terminação nervosa de sua pele, sem jamais chegar ao ponto em que a tensão se acumulava. Ela tentava se soltar, tocá-lo, mas seu esposo não abriria mão tão facilmente do controle: deitou-se sobre ela, usando o joelho para afastar suas pernas; ela choramingou baixinho, dolorosamente excitada, não apenas desejando, mas necessitando da sensação do corpo de Ben preenchendo-a. Quando o sentiu dentro de si, deixou escapar um grito de alívio e prazer; seu corpo parecia se desmanchar em calor e tremores intensos, como toda vez em que faziam amor com aquela selvageria; encorajado pelos gemidos de prazer, ele começou a beijar seu pescoço e ofegar em seus ouvidos, tornando a sensação ainda mais poderosa. – AH! BEN!

            - REY... Ah... – ele gemia o nome da jovem enquanto se empurrava com força para dentro dela. Puxou-a pelos quadris, colocando-a sobre as mãos e joelhos, o peito colado às costas dela enquanto colocava no ato toda a intensidade dos sentimentos ao longo de todo aquele fatídico dia! O som de corpo contra corpo, respirações arfantes, corações loucamente acelerados... O universo era aquele abrigo, aquele colchão, o momento que viviam. Bruto e selvagem como as emoções que corriam em seus corações! Os dedos dele se entrelaçavam aos longos fios castanho-claros e os puxavam para trás, curvando a cabeça da jovem e fazendo-a expor o pescoço delgado aos seus beijos eróticos.

Ela se sentiu abraçar pela cintura, sendo puxada de modo que se apoiasse totalmente sobre as coxas de Kylo, seu peso aprofundando ainda mais a penetração; ergueu um braço para segurar a nuca do homem, virando o tronco para beijá-lo enquanto se moviam em sincronia. Era bom demais, fazia com que se esquecessem de tudo, a raiva e a frustração extravasadas naqueles gestos intensos... Fechou os dedos na espessa cabeleira negra e deixou-se inebriar pelo cheiro de seu homem, aquele aroma que perfume algum podia modificar, tão delicioso e sensual, tão único dele quanto suas próprias emanações da Força!

            As mãos masculinas corriam para baixo e para cima pela frente do corpo modelado da jovem, apertando seus seios, cintura, descendo até a junção de suas pernas para estimular seu ponto mais sensível. Ela gritou seu nome numa maravilhosa agonia: afastando-se dele, virou-se de frente e enlaçou as pernas nos quadris de seu amado, encaixando novamente seus corpos; agora estavam menos frenéticos, mais profundos e entregues; beijavam-se e se abraçavam demoradamente enquanto continuavam com os movimentos. Aquietavam-se quando estavam perto do clímax, esperando, prolongando aquele momento com olhos fixos um no outro. Kylo a segurava pelos quadris, ajudando nos movimentos; enterrou o rosto na curva do pescoço macio e começou a beijar e mordiscar o lóbulo da orelha. Não ficou surpreso quando a garota o empurrou de costas, cavalgando seu corpo. A intensidade retornara enquanto apoiava as mãos no peito largo, sentindo-o mais e mais fundo e rápido, meneando os quadris de modo a tornar o prazer ainda maior para ambos; o clímax veio como um choque poderoso, fazendo-a gritar e todo o seu corpo se contrair. Suas mãos entrelaçadas à do Cavaleiro, as pernas pressionando a cintura, ela se moveu mais algumas vezes, ajudada por ele, e logo o viu fechar os olhos com força e gritar de prazer. O corpo trêmulo da Guardiã repousou languidamente sobre o de Ben, que acariciou delicadamente suas costas, ofegante... Chegava a ser irônico o quão delicado podia ser, após toda a agressividade e selvageria do ato anterior.

            Ficaram abraçados algum tempo, antes que a moça puxasse o cobertor térmico sobre ambos, aninhando-se ao lado de Kylo, o qual envolveu seu corpo com o dele, compartilhando calor. Trocavam beijos suaves e acariciavam os rostos um do outro por um longo tempo, até que Rey se manifestasse:

            - Eu gosto desse jeito de lidar com a raiva – riu baixinho, tocando suavemente uma marca arroxeada que sua boca deixara no peito dele – você é um monstro, Ben Solo. E desperta um monstro em mim, pelo menos quando me procura desse jeito, depois de nossas brigas.

            - Hmmm – ele suspirou junto ao pescoço dela – Talvez seja por isso que eu goste tanto de irritá-la.

            Ela riu, e não havia som mais lindo, para Kylo. Ficou abraçado a ela até que a Jedi adormecesse, e permaneceu acariciando seus cabelos, memorizando cada detalhe do rosto que tanto amava. Apreciava cada simples instante juntos, por saber que não podiam fazer promessas para o futuro distante. Não era tolo, e sabia que, quando a República começasse a suspender a trégua temporária, Rey seria obrigada a tomar uma posição. Casado com uma Jedi, sabia bem o que ela faria, as escolhas que tomaria, mesmo se isso a dilacerasse... Mas o que ELE faria? A ideia de perder Rey lhe parecia insuportável... Com todas as brigas, com todas as divergências, ela se tornara parte de si; não podia viver sem ela, como não podia viver sem respirar! Mas quando chegasse o momento, o que ele faria? Quem iria optar por se tornar? Foi pensando nisso que um pensamento começou a se delinear em sua mente... Apenas uma vaga ideia, mas já era uma direção e apegou-se a ela com todas as forças. Não importava o que tivesse de fazer, não estava pronto para deixar Rey partir. E sabia que nunca estaria. 

 

*

 

            Era dia quando ouviram uma frequência respondendo ao sinal emitido; para espanto do casal, extremamente próxima, orbitando Kashyyk. De imediato o casal acionou a camuflagem do abrigo e se ocultou num território um pouco mais alto do que os destroços da nave, os sabres prontos para serem usados, se necessário. Continuaram recebendo o sinal, mas ainda não haviam conseguido ver a nave, então não responderam; contudo, não foi necessário esperar muito mais: tanto Kylo quanto Rey sentiram a energia do piloto, quando este se aproximou, e sorriram um para o outro com alívio enquanto a Jedi acionava o próprio comunicador:

            - Bom dia, Ithlo.

            - Bom dia, Jedi desaparecida! – respondeu a voz jovial do rapaz – posso descer sem receber tiros de blaster?

            - estamos na orla da clareira – informou a mulher, olhando divertida para o esposo. Ah, os Padawans! – como nos achou tão rápido, seu bisbilhoteiro?

            Uma segunda nave de modelo Voyager, branca e com o símbolo da Ordem Jedi, pousou no rastro deixado pelo pequeno cruzador do casal durante o pouso forçado. A rampa se abriu, revelando uma segunda pessoa: Ahsoka, que desceu de um salto da nave, indo até os amigos.

            - Achei que precisariam de ajuda. Um mau pressentimento. Seguimos sua nave, mas perdemos seu rastro no salto para o hiperespaço; quando começaram a emitir o sinal, soubemos que eram vocês e viemos direto para cá. - ela abraçou Rey e cumprimentou Kylo com um aceno de cabeça – reúnam suas coisas: há um acordo a ser assinado, seus irresponsáveis! – sua voz tinha algo de divertido enquanto os ajudava a recolher tudo o que haviam retirado dos restos da nave, sua disposição e agilidade sempre fazendo parecer ter metade de sua verdadeira idade.

            Em menos de meia hora tudo fora reunido, e os quatro tripulantes – cinco, contando com Gea – viram-se a caminho de Naboo. Ao que parecia, certo acordo aconteceria, sim, a tempo. Contudo, isso não era o bastante para afastar da mente de Kylo Ren os pensamentos que o haviam mantido acordado por toda a noite, e que ameaçavam esmagar o coração que pensara não ter. Enquanto não podia fazer nada, contentar-se-ia em desfrutar ao máximo a proximidade com a esposa, mas, pela Força, não iria desistir dela, não importando o que tivesse de fazer.

 


Notas Finais


E então? Gostaram?
Fiquem com a Força, minhas rosas!
Beijos!!!


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