História Rivals - Capítulo 26


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Ellenphant, Hopemin, Jihope, Jimseok, Namjin, Repostagem, Taekook, Vkook
Visualizações 298
Palavras 7.512
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 26 - Twenty six


Jungkook e Taehyung conversavam e bebiam no meio da festa assim como a maioria das pessoas naquele local. Ou quase todas. O Kim tinha notado o sumiço do melhor amigo, mas tentou não se importar muito com isso já que preferia acreditar em Jungkook quando dizia ter visto o Park ir atrás de Hoseok. No entanto, a cena que viu cinco minutos depois deixou claro que sim, Hoseok e Jimin estavam juntos, mas certamente não acabou muito bem.

— Hoseok, o que aconteceu?

Antes mesmo de o ruivo ter sua resposta, o Jung saiu às pressas da casa e lhe ignorou totalmente. Lançou um olhar confuso para Jungkook, que retribuiu da mesma fora.

— Eles devem ter brigado de novo. — arriscou e o mais velho suspirou de forma frustrada.

— Será que não dá pra gente fazer uma festa sem ninguém sair correndo todo afetadinho pelo menos uma vez?

— Taehyung! — resmungou ao se lembrar que já tinha feito isso. — Você nem sabe por que ele saiu daquele jeito.

— Mas nada justifica! É aniversário do Jimin, poxa. Ele devia ficar aqui nem se fosse com um sorriso forçado.

—Você sempre tem que defender o Jimin, é incrível.

— Então por que você mesmo não vai lá ver o que aconteceu, hum? Aposto que dessa vez o Jimin não fez nada.

— Sabe que vai perder, não sabe?

— Veremos.

O Jeon entregou sem cuidado algum o copo para o namorado e ignorou as reclamações do mesmo enquanto seguia até os fundos da casa onde Jimin se encontrava. Sequer sabia o que esperar ou o que faria caso Jimin estivesse errado, afinal, era o aniversário do mais velho e não poderia simplesmente brigar com ele.

Abriu com cuidado a porta e procurou Jimin por ali, não o encontrando e já ficando confuso. Se aproximou ainda mais e caminhou pelos fundos da casa o procurando e jurando a si mesmo que o tinha visto ali.

— Jimin?

Arriscou chamar pelo garoto achando que ele devia estar fazendo uma brincadeira ou algo do tipo, mas nada.

— Minnie?

Tentou novamente chamando pelo apelido que Taehyung o chamava, achando que assim ele se irritaria e apareceria de vez. Mesmo assim não teve sinal algum do Park e desistiu, saindo dali e indo a procura de Taehyung, que lhe dirigiu um olhar surpreso ao ver como o namorado tinha chegado rápido.

— E aí? Quem venceu?

— Nenhum de nós. Eu procurei o Jimin, mas ele não estava mais lá.

— Mas não foi você que disse que ele tinha ido ao fundo da casa junto com o Hoseok?

— E eu vi ele indo, só não o vi lá agora. — o ruivo franziu o cenho. — Ele deve ter ido embora.

— Ele não pode ir embora da própria festa! Sabe o trabalho que eu tive pra arrumar toda essa bebida, chamar o pessoal e ainda enrolar os meus pais? Ele é um ingrato! Eu vou matar ele!

— Tae, o Jimin tá bêbado e não sabemos para onde ele foi. Esse é o verdadeiro problema.

Finalmente o ruivo pareceu se tocar e franziu o cenho, olhando pra cada canto daquela sala a procura de Jimin.

— Eu vou atrás dele.

— Você nem sabe onde ele foi. — puxou o namorado pelo pulso e o segurou com força. — Peça ajuda parao Jin e para o Namjoon, eu vou atrás de Hoseok enquanto isso.

— Mas quem sumiu foi o Jimin, e não o Hoseok.

— Eu sei disso. — revirou os olhos. — Só acho que talvez o Hoseok saiba onde ele está e até possa ajudar.

— Eu vou fazer isso. — suspirou e beijou brevemente o menor. — Agora deixa eu procurar aquele idiota porque juro que quando encontrá-lo, eu vou matá-lo!

Jungkook ignorou o exagerou do outro e deixou que ele fosse. Saiu da casa do Kim e passou a discar o número de Hoseok, que só ignorava as suas chamadas.

— Atenda, seu idiota!

Xingava o Jung sem dó algum e não se cansava de apertar a tecla “discar”. Precisava da ajuda do mais velho pois ele certamente saberia como lidar com um Jimin bêbado e era o único que tinha falado com ele pela última vez. Infelizmente, tudo dependia de Hoseok. 

 

 

 

 

 

Não muito longe da casa do Kim, Hoseok caminhava sem pressa nenhuma até sua casa. Só conseguia pensar em Jimin — o que não era lá uma novidade para si. Parte si dizia que ele devia ter voltado com o Park, mas outra parte dizia que tinha tomado a decisão certa.

O real problema ali era que Jimin não tinha mostrado o porquê de querer ficar consigo. Hoseok ainda se lembrava das palavras ríspidas que foram direcionadas a si aquele dia, mas não se lembrava de Jimin deixando claro pelo menos uma única vez porque gostava de si e que queria mesmo ficar com ele. Só ouviu algo próximo há isso alguns dias atrás, mas pouco importava já que, para Hoseok, Jimin só tinha ido até ali dizer aquelas coisas porque tinha lhe ajudado, caso contrário continuaria sendo o “idiota que ferrou sua vida”.

Não aguentava mais o toque irritante do celular. Sabia que era Jungkook ligando e só queria evitar perguntas sobre o que tinha acontecido entre ele e Jimin. Queria que o Jeon curtisse a festa sem se intrometer nos problemas alheios, mas era difícil quando ele já ligava pela décima quinta vez sehuida.

— O que você quer?

— Por que você não atendeu?!

— Porque eu não queria falar. — respondeu com sinceridade e ouviu o outro resmungar do outro lado da linha. — Por que você ligou?

— Porque Jimin sumiu da porcaria da festa e a última vez que eu vi ele foi quando vocês estavam conversando.

— Eu não sei aonde ele foi se é isso que você quer saber. — já adiantou e viu o menor suspirar.

— Que droga! Você não tem nem ideia de onde ele possa ter ido?

— Pra casa dele? — falou como se fosse óbvio. — Pelo menos é isso o que eu estou fazendo.

— A casa dele, é claro. — o Jeon se xingou mentalmente. — Mas ele está bêbado, não pode chegar em casa assim.

— Cada um com seus problemas.

— Hoseok, para. Você não é assim. E você agindo como se não se importasse com Jimin é mais ridículo do que você o recusando mesmo depois dele se desculpar.

— Você é muito contraditório, Jungkook. Foi o primeiro a me dizer que eu estava fazendo certo em terminar com o Jimin e até quase discutiu com ele por mim, mas agora age como se eu tivesse que voltar com ele. Isso não tem sentido!

— Antes eu achava que o Jimin estava errado. Aliás, ainda acho. Mas ele pediu desculpas de todo jeito. Se você considera uma briga desnecessária a que Jimin criou naquele dia, também devia achar desnecessário continuarem brigados. — bufou e Hoseok permaneceu quieto, sem saber bem o que responder. — Vocês pareciam bem juntos. Quer dizer, Jimin gostava mesmo de você, Hoseok. E eu sei disso faz tempo porque me lembro até hoje dele ficando com ciúmes de você quando você e o Taehyung tiveram aquele encontro. Então eu não sei como vocês vão ficar agora, mas a escolha está em suas mãos.

— Eu só quero ouvir isso dele, e não de você.

— Sequer ouvir, então diga primeiro. Desprezar ele não vai fazer com que ele te mande uma carta enorme dizendo tudo o que sente por você. E acredite, se tem algo que eu aprendi é que sempre se deve falar o que sente, caso contrário talvez ninguém perceba. — sorriu minimamente o Jeon ao se lembrar de Taehyung. — Enfim, procure o Jimin e traga ele de volta, ok?

— Vou tentar. Qualquer coisa eu te ligo.

Já era quase uma hora da manhã e Hoseok vagava pelas ruas agora com a missão de achar Jimin. Torcia mesmo pra que ele estivesse em sua casa, caso contrário não saberia aonde o procurar e sua preocupação e culpa iriam crescer. Sabia que discutir com alguém bêbado — ainda mais Jimin — não era lá a decisão mais sensata do mundo, mas estava tão nervoso que sequer se importou. Jimin pegajoso daquele jeito lhe trazia lembranças de como tudo entre eles começou, mas tinha prometido a si mesmo que não cederia as vontades do mais novo de novo.

Pegou o celular e procurou pelo nome Jimin. Fez uma careta ao ver o emoji de coração ainda estava ali do lado do nome do garoto. Precisava mudar aquilo, com toda certeza. Fazia tempos que não clicava naquela tecla “discar” e até mesmo se sentiu estranho fazendo aquilo, mas dessa vez precisava.

Uma, duas, três, quatro... quinze chamadas e nada de Jimin atender.

Apressou os passos e correu até a casa do Park. Sabia que não era bem vindo ali, mas precisava ver Jimin.

 

 

 

 

 

 

Ir para sua casa não foi lá a melhor decisão do Park, e isso não só porque estava bêbado, mas porque não se sentia bem lá. Desde os últimos dias tentava evitar os próprios pais e passava a maior parte do tempo trancado em seu quarto e fazendo as refeições ali mesmo para não dividir a mesa com o olhar julgador dos dois.

Abriu a porta sem cuidado algum e passou a ir em direção as escadas, no entanto a sua mãe apareceu ali mesmo e o garoto congelou, sem saber bem o que dizer ou fazer.

— Uma hora e meia da madrugada e você chega em casa desse jeito. — olhou com desprezo para o garoto. — Onde você estava?

— Na festa que Taehyung deu pra mim. — respondeu sem enrolações e encarou a mulher com cara de tédio. — Algum problema?

— Quero te lembrar que essa ainda é minha casa e temos algo chamado regras, Jimin. Começando por você chegar de madrugada sem avisar e ainda por cima bêbado. Olha só o que aquele garoto fez com você... — se referiu a Hoseok e colocou as mãos na testa. — Você sequer parece o meu filho.

— Eu bebia bem antes de me envolver com Hoseok. Além disso, não é a porcaria de uma bebida que vai me fazer ser um péssimo filho!

— Péssimo filho você já é desde que decidiu continuar com essa história de ser dançarino e ficar com aquele garoto.

— Então um bom filho pra você é aquele que ajuda os pais com os negócios da família porque eles querem e casa com uma mulher cujo os pais também são ricos? — riu sem humor algum. — Incrível.

— Você só faz isso porque quer se rebelar, mas no fundo sabe que você vai assumir a empresa e ser um homem de negócios como o seu pai e se casar com uma mulher tão boa e rica como eu.

— Rica sim, mas boa? Não me faça rir. — debochou e pode ver a mulher cerrar os punhos.

— Eu sou sua mãe, Jimin, me respeite!

— Você acabou de dizer que eu era um péssimo filho, por que também não posso dizer o quão ruim como mãe você é? Aliás, mãe boa mesmo seria aquela que apoia seu filho, que o incentiva a fazer o que quer e não o afasta por causa da sua orientação sexual. — respirou fundo e já sentia as lágrimas se formando. Estava bêbado e ainda triste com os fatos que tinham ocorrido nos últimos dias, então deixou tudo se acumular e foi soltando ali de uma vez. — Eu sempre me esforcei pra tirar boas notas, nunca desrespeitei vocês mesmo ouvindo piadinhas o tempo inteiro sobre eu querer ser dançarino e ainda tive que aturar aquele jantares familiares ridículos onde eu via meus tios elogiando os próprios filhos enquanto vocês só assentiam com um sorriso forçado. Sou um péssimo filho, não é? Devo ser o pior do mundo por querer fazer o que eu bem entender ao invés de aceitar o que vocês me propõem e ser infeliz pra sempre.

— Nós só queremos o seu bem. Você sabe que assumir a empresa daqui alguns anos seria bom pra você e nunca é tarde pra começar. O seu clube está acabado, por que não se prontifica pelo menos uma vez na vida a fazer o que é certo?

— E você acha certo acabar com o clube do próprio filho que por acaso também iria ajudá-lo a ganhar uma bolsa para faculdade de dança que ele tanto queria?

— Eu fiz o que eu tinha que fazer. — deu de ombros. — Mas não adianta nada eu ter feito tudo isso se você ainda continua com ele. Não percebe que ele só está desencaminhando você?

— Eu sempre quis dançar, isso não tem nada a ver com Hoseok e você sabe disso, então pare de arrumar pretexto para falar mal dele. — respirou fundo e encarava ainda com raiva a mais velha. — E eu já terminei com ele faz dias, e adivinha? Ainda estou aqui discutindo com você sobre o meu futuro! Então não coloque a culpa nele porque Hoseok me ajudou e me apoiou mais do que você e meu pai fizeram durante toda a minha vida!

— Estou realmente considerando em colocar você em um colégio interno e só o deixar sair quando se tornar o meu Jimin de novo.

— Meu Jimin de novo... — imitiu a voz da outra e riu. —Realmente, você não me conhece.

— Eu já disse que eu só quero o seu bem!

— Então me deixe fazer o que eu quero e pare de querer destruir cada coisa boa que acontece na minha vida porque não é o que você quer! Quer saber? Eu estou cansado, de verdade. Cansado de ter você me julgando por cada coisinha que eu faço. Se eu sou um péssimo filho, você certamente não é lá a melhor mãe do mundo. — falou enquanto limpava uma lágrima que escorria pelo rosto.

— Você está bêbado, portanto vou te ignorar. Amanhã conversamos.

— Eu não quero falar com você hoje e nem amanhã, se pudesse eu não falava com você nunca mais depois do que você me disse hoje.

Caminhou até a porta e ouviu os passos da mulher andando atrás de si.

— Aonde você vai?

— Para longe de você!

Do mesmo jeito que entrou, Jimin saiu e fez questão de bater a porta, pouco se importando com o barulho.

A verdade era que Jimin sequer sabia para onde estava indo. Só queria ficar longe daquela casa mesmo que fosse por alguns minutos. Sabia que a casa de Taehyung não era a melhor opção agora por causa da festa, também sabia que Jin estaria ocupado demais com Namjoon para deixar que ficasse na dele, Jungkook não era uma opção já que se quer estava falando direito com o garoto, e por fim, tinha Hoseok. Ou melhor, não tinha Hoseok. O mais velho tinha deixado claro que não queria Jimin por perto naquela discussão que tinham acabado de ter nos fundos da casa de Taehyung. E isso só deixava Jimin pior do que já estava porque achava que ainda podia contar com Hoseok assim como antes, mas estava claro que não.

Sentiu seu celular vibrar pela décima vez em seu bolso e nem conseguia ver o nome que estava ali devido às lágrimas que inundavam os seus olhos. Assim que virou a esquina enquanto ainda estava concentrado no aparelho, sentiu um baque e logo estava no chão, sem entender como. Quando olhou para frente, viu que era ele ali.

— Finalmente eu te achei! Por que não atendeu, seu idiota?! — falou enquanto se erguia e desligava o próprio celular, fazendo o do Park parar de tocar e não recebeu resposta alguma. — O que você está fazendo aqui? — perguntou enquanto pegava o celular do outro e lhe entregava. — Não devia estar caminhando na direção oposta? —ficou sem resposta, ainda vendo o garoto lhe fitar com uma cara de choro. — Jimin? Fala alguma coisa!

Antes mesmo que pudesse resmungar de novo, sentiu os braços de Jimin lhe rodearem. Inicialmente ficou surpreso, mas logo entendeu ao se lembrar de que ele estava bêbado e pegajoso como sempre.

— Não podemos ficar abraçados no meio da rua. — disse baixinho no ouvido do outro, podendo sentir o cheiro do shampoo de morango que o menor usava. — Hein... — o chamou novamente e tentou parar com aquele abraço, mas Jimin não deixou.

— Eu não quero voltar pra lá.

— Não vamos voltar pra festa.

— Eu disse que não quero voltar pra minha casa. — finalmente se soltou do outro e Hoseok lhe olhou confuso. — Eu acabei de brigar com a minha mãe.

O mais novo sequer precisou entrar em mais detalhes para Hoseok finalmente entender o que aquilo significava. Julgando pelo modo triste como sua voz saia e as lágrimas que insistiam em cair, o Jung sabia que coisa boa não tinha acontecido naqueles minutos, e pelo o pouco que sabia sobre a mãe de Jimin, tinha a certeza de que certos assuntos sensíveis para o mais novo tinham sido tocados naquela discussão.

— Você não precisa. — respondeu prontamente e se ergueu, ajudando o mais baixo a fazer o mesmo. — Vem, vamos para minha casa.

Jimin não  protestou, apenas sentiu as mãos do Jung em sua cintura e se apoiou nele, afinal, estava bêbado e de vez em quando cambaleava um pouco. Só queria entender porque o mais velho estava ali e porque ele estava sendo atencioso consigo, mas não ousou reclamar, era disso que ele precisava agora.

 

 

 

 

 

 

Ao chegarem à casa do Jung, o mesmo ordenou que tirassem os sapatos e não fizessem barulho — já que sua mãe ainda achava que ele estava na casa de Namjoon fazendo um trabalho qualquer.

Assim que chegaram ao quarto do mais velho, ele pode ver Jimin ficar meio receoso, visivelmente desconfortável em estar ali. Hoseok apenas fez sinal para que Jimin se sentasse na cama, e de modo receoso, o Park fez. Sentou-se ali e logo Hoseok puxou a cadeira da escrivaninha e parou próximo ao outro.

— Você podia ao menos ter atendido o celular. — decidiu quebrar o silêncio. — Ficamos preocupados com você.

— Ficamos?

— Sim. — assentiu de modo confuso. — Nós ficamos.

— Até você ficou? — indagou enquanto mordia os lábios e olhava de modo esperançoso para o Jung, que assentiu novamente. — Então por que me tratou daquele jeito na festa?

— Eu não quero ficar discutindo sobre nós agora, Jimin. Não é hora pra isso. — respirou fundo e encarou o mais novo. — E você está bêbado e precisa descansar.

— Eu não preciso de nada disso. — falou enquanto se aproximava do Jung. — Eu preciso de você.

— Jimin, para. — ordenou enquanto segurava os pulsos do outro. — Eu fiz o favor de te trazer aqui justamente pra você deitar e descansar, e não pra ficar insistindo em tentar repetir aquela cena que fizemos daquela vez na sua casa.

— Não quero repetir nada. A única coisa que eu quero agora é você. — falou com firmeza e sentou no colo do outro. — E eu sei que no fundo você também quer. Se não quisesse, não teria vindo atrás de mim hoje.

—Eu só estava querendo te ajudar, é diferente.

— Também pode me ajudar agora me beijando. — fez questão de não desviar o olhar dos olhos do mais velho ao dizer aquilo. — Só hoje, Hoseok. Amanhã você pode voltar a me odiar e me desprezar assim como antes, mas hoje só me faça ser seu de novo. Por favor. — pediu com a voz baixa enquanto roçava seu lábios no do outro, vendo ele fechar os olhos com o toque.

— Você está bêbado... — murmurava ao sentir o outro distribuir beijos por todo o seu pescoço. — Você sabe que isso-

Antes mesmo que pudesse terminar, foi interrompido por um beijo feroz do outro, que não permitiu que Hoseok o afastasse. Sua consciência lhe dizia que Jimin só estava agindo daquele jeito porque estava bêbado e no dia seguinte as coisas voltariam a ser como eram antes: ambos afastados, cada um seguindo sua vida e pronto. Não havia motivos pra insistirem naquele beijo, mas era difícil para Hoseok parar com aquilo.

— Eu senti sua falta. — disse enquanto se afastava minimamente e tocava o peitoral do outro. — Você também sentiu a minha? — não obteve resposta então se aproximou do ouvido do outro e sussurrou novamente: — Sentiu minha falta?

— Jimin... — murmurou novamente e sentiu o mais novo rebolar em seu colo, dessa vez não contendo um gemido.

— Vou levar isso como um sim. — riu fraco e sentiu o outro segurar firme em sua cintura. — Eu sabia que você sentia.

Hoseok por fim o afastou, levantando da cadeira e consequentemente tirando o garoto do seu colo, o vendo se sentar na cama e bufar.

— Você é um idiota por ter me recusado naquela hora, sabia? Teria facilitado a minha e a sua noite. O pior é que você é um idiota, mas mesmo assim eu não consigo mais odiar você. — riu fraco. Segurou o rosto do mais velho e fez questão de olhar nos olhos do outro, pouco se importando se ele estava confuso ou não, afinal, Jimin também estava bêbado e hora ou outra sabia que a verdade iria sair. E saiu... — Eu te amo.

Puta. Que. Pariu, foi tudo o que se passou na mente de Hoseok naquela hora. Afastou-se do mais baixo e ignorou o olhar curioso dele sobre si. Sabia que dar atenção para o garoto quando ele estava bêbado não daria certo, e ali estava exatamente o por quê.

— Hoseok? — chamou ao ver que o outro não lhe ouvia e estava de costas para si. Ergueu-se e foi até o outro, o abraçando e voltando a distribuir beijos pelo ombro e pescoço do Jung, que se afastou na mesma hora. — Vem cá.

— Chega, você está cansado e eu não estou com paciência pra ser babá de ninguém hoje.

— A cinco segundos atrás você queria e também não estava me tratando como criança pra dizer que cansou de ser babá. — protestou e fez um bico emburrado, se quer parecendo o mesmo que até alguns minutos atrás estava ajoelhado e chupando o mais alto. — Eu ainda quero você. Para de graça e vem aqui.

— Não está nos meus planos ficar discutindo com alguém bêbado, portanto... —ignorou o olhar do outro sobre si. — Boa noite.

— Vai me deixar aqui sozinho? — ele lhe ignorou. — Hoseok! — falou alto demais e o mais velho correu em sua direção, colocando as mãos sob sua boca.

— Faz silêncio! Meus pais estão no outro quarto.

— E eles sabem o que vamos fazer aqui? — provocou novamente, mordendo os lábios.

— Não vamos fazer nada, Jimin. Deita aí e dorme.

— Eu discuto até com a minha mãe por sua causa e é assim que você me trata. — resmungou e Hoseok lhe olhou de maneira surpresa. — Talvez ela tenha razão sobre você ser um idiota.

Não entendeu bem o que ele quis dizer com aquilo, sabia sim da briga do menor com sua mãe até alguns minutos atrás, só não sabia que Jimin tinha citado ele na discussão. E conhecendo a Srta. Park, tinha a certeza de que coisa boa ela não tinha falado.

Foi pegar uma coberta para o garoto e até outras roupas, mas assim que voltou, Jimin já dormia como um bebê.

— Típico...

Revirou os olhos e suspiro, já esperando aquele tipo de comportamento de Jimin. Ele ficava bêbado, ficava pegajoso, dizia coisas que jamais diria sóbrio e depois dormia como se absolutamente nada tivesse acontecido. Pegou então a coberta para si e vestiu a roupa, indo direto para o sofá da sala e dormindo ali mesmo — ou tentava dormir já que as palavras do Park se repetiam em sua mente.

 

 

 

 

 

 

Jimin estranhou acordar pela manhã e notar uma claridade absurda em seu quarto. Geralmente seu quarto ficava praticamente todo escuro devido as cortinas e a janela fechada. E desde quando sua cama era tão pequena e por que sentia o cheiro do perfume de Hoseok? Despertou na mesma hora e começou a observar o local, não demorando muito pra constatar que, sim, estava no quarto de Hoseok.

Tentou se lembrar de alguns fatos de ontem à noite. Lembrava-se da festa, dos olhares que ele trocava com Hoseok, da discussão que tiveram, da briga com sua mãe, do modo como o Jung lhe abraçou e disse que iriam para sua casa, de como deixou suas vontades falarem mais alto e tentou novamente beijar o maior — e fazer algumas coisas a mais — e, principalmente, do que tinha dito a ele. Eu te amo. Por que tinha dito aquilo? Principalmente em uma hora como aquelas. Jimin queria dormir sem mais e nem menos que nem tinha feito ontem, mas percebeu que era tarde demais assim que ele adentrou no quarto e passaram a encarar um ao outro sem saber o que dizer.

— Eu vim usar o banheiro.

Hoseok esperava mesmo que Jimin tivesse algum tipo de amnésia ou que a ressaca fosse péssima ao ponto dele não lembrar o que tinha acontecido ontem. Tentou disfarçar seu desconforto e seguiu até o banheiro, deixando ali Jimin sozinho com as próprias duvidas.

O Park só queria sair dali o mais depressa possível,  e ao ver Hoseok parecer lhe ignorar e correr para o banheiro, foi isso o que fez. Achou sua camisa jogada no chão e a vestiu. Se perguntou onde estavam seus sapatos, mas esse era seu menor problema agora, iria para a casa descalço, mas não olharia para cara de Hoseok depois de ontem. Ajeitou rapidamente os cabelos e já desceu as escadas com pressa, mas assim que ousou tocar a maçaneta e finalmente ir, Hoseok apareceu.

— O que você está fazendo?

— Indo embora. — respondeu com indiferença e viu Hoseok bufar, descendo com pressa as escadas e lhe encarar com impaciência. — O que foi?

— Você acabou de acordar e sequer se arrumou. Vai mesmo sair daqui sem seus sapatos ou ao menos lavar o rosto? E eu não fiz aquela porcaria de café a toa.

— Eu não te pedi nada disso.

— Não pediu, mas eu sei que você precisa. Então vai, sobe lá e ao menos lava esse rosto e escove os seus dentes.

Viu o outro se assemelhar a uma criança fazendo birra ao caminhar em passos rápidos e pesados até a escada e ir até o seu quarto, murmurando algumas coisas que Hoseok não entendeu e muito menos quis saber o que significavam.

O café esfriou um pouco, por isso esquentou e aguardou que Jimin voltasse. Sabia que a partir dali as coisas seriam mais complicadas, afinal, Jimin com certeza faria perguntas e talvez o próprio Hoseok quisesse falar sobre ontem, então de um jeito ou de outro, aquilo não seria bom.

O mais novo se sentou no sofá e aguardou que Hoseok trouxesse sua xícara com café. Fez uma careta ao tomar a bebida e sentir um gosto amargo, deixando claro que o mais velho não tinha colocado açúcar.

— Tá amargo?

— O que você acha? — ironizou ao tomar um gole e fazer uma careta.

— Então está do jeito que eu queria. — sorriu de maneira orgulhosa e Jimin revirou os olhos. — Toma. — ergueu o celular para o garoto, que arregalou os olhos ao ver parte da tela rachada. — Você fez isso ontem, não fui eu.

—Eu sei, eu me lembro de ter o deixado cair na rua.

— E o que mais você se lembra?

A pergunta saiu de modo receoso. Hoseok queria logo colocar as cartas na mesa, mas ainda tinha medo do que ia dizer e de como Jimin ia reagir.

— De algumas coisas... — respondeu vagamente e tentando não pensar nas burradas que tinha cometido. — Obrigado. — entregou a xícara vazia para o garoto em uma tentativa de fazê-lo sair dali, mas não deu certo.

— Só vamos direto ao ponto, ok? Também me incomoda falar sobre ontem, mas precisamos.

— Precisamos por quê? Você vai continuar me evitando de todo jeito, não faz diferença.

Não queria que sua frase tivesse soado tão magoada, mas já tinha revelado tanta coisa para Hoseok que achava aquilo não tão pior quanto o patético “eu te amo” que ele tinha dito no dia anterior.

— Por que você saiu da festa sem avisar ninguém? Você podia ao menos ter falado com Taehyung... Ele que preparou sua festa.

— Eu estava nervoso, bêbado, aquele lugar me irritou assim como você... Então eu fui embora.

— Impulsivo e nervoso como sempre. — comentou baixo, mas claro, Jimin não era surdo e com certeza ouviu. — Quer falar sobre o que aconteceu entre você e a sua mãe?

— Não vou falar desse assunto com você. — disse na defensiva e olhou irritado para o outro. — Isso é um problema meu.

— Não parecia tão seu ontem quando você me abraçou daquele jeito e chorou no meio da rua. — bufou e pensou em como o Park poderia ser tão difícil e teimoso quando queria. — Olha, eu não vou fingir que está tudo bem, porque pelos acontecimentos das últimas semanas ficou bem claro que não está. Mas eu me importo com você, Jimin. Me importo mesmo... Então se você quiser falar, eu vou ouvir.

— Eu não quero... — respondeu com a voz baixa e desviando o olhar do outro. — Só pergunte qualquer coisa menos disso.

— Qualquer coisa? — indagou e Jimin assentiu, o que talvez tenha sido uma péssima escolha já que Hoseok ficou ainda sério e perguntou o que ele tanto temia: — Por que disse aquilo ontem?

— Aquilo o quê? — se fez de desentendido e Hoseok revirou os olhos.

— Você sabe o que é. Só fala logo o porquê de você dizer aquilo e eu não pergunto mais nada.

— Eu também não quero falar sobre isso.

— Você disse qualquer coisa. Pelo menos cumpra a sua palavra.

Uma das várias coisas que Jimin odiava era justamente essa: ser pressionado. Hoseok fazia questão de lhe encarar e não parecia disposto a mudar de assunto.

— Eu vou embora.

— Fala sério, Jimin. É só uma pergunta!

— Uma pergunta que eu não quero responder. — se levantou a caminhou até a porta, logo vendo Hoseok entrar na sua frente novamente. — Me deixa ir de uma vez!

— Não até você responder.

— Você não pode me obrigar a falar!

— Preciso que você fique bêbado de novo então pra você me dizer de uma vez tudo o que pensa? — provocou e Jimin ficou na defensiva. — O quê? Também não vai responder isso?

— Eu estava bêbado e sem consciência do que eu fazia ou dizia. Então pare de querer falar sobre ontem.

— Realmente, para um “eu te amo” sair da sua boca só bêbado mesmo. E o covarde ainda sou eu. Tsc...

— Cala a boca, Hoseok.

— Vai ficar fugindo como sempre, Jimin? Vai ir embora daqui agora e amanhã dizer que se arrepende para depois decidir me tratar como lixo de novo?

— Eu nunca fiz nada disso.

— Ah, você fez! E ainda acha que pedindo desculpas eu ia voltar igual um idiota pra você?

— Eu pedi desculpas porque eu me arrependi, e não só para voltar com você. Eu realmente achei que tinha falado coisas erradas naquele dia e descontei em você sem motivo algum, mas claro, eu não posso errar, não é? Porque, se você erra tudo bem, eu tenho que relevar porque senão sou “Park Jimin o grande babaca que só despreza Jung Hoseok”, mas se você faz isso não tem problema nenhum. Adoro sua lógica!

— Tudo o que eu pedi foi que você fosse sincero, só isso. E até agora você não foi.

— Eu não fui sincero?

— Não. E não está sendo sincero de novo.

— E o que você quer ouvir de mim?!

— O que você sente, Jimin! É só isso o que eu quero ouvir!

Os dois, que antes gritavam, se calaram e o silêncio se fez presente ali. Ambos encaravam um ao outro e a respiram pesada dos dois deixava o lugar menos silencioso, mas não leve e muito menos levando aquela tensão embora. O Park não foi capaz mais de segurar a troca de olhares e desviou, tentando criar coragem pra dizer tudo de uma vez o que queria:

— Eu fiz uma burrada naquele dia. Eu só fui perceber isso até alguns dias atrás e, diferente do que você pensa, eu não pedi desculpas porque levei o fato de você revelar o que minha mãe tinha feito como uma prova que você ainda queria ficar comigo, não foi nada disso, é bem o contrário do que você pensa. Eu percebi que estava errado quando ouvi minha mãe me diminuir, dizer aquelas coisas horríveis e pensar que eu tinha feito o mesmo com você e com os outros. Tudo o que eu mais quero é você, Hoseok. As desculpas vieram junto porque eu realmente errei, mas não muda o fato de gostar de você e querer estar com você. Eu desafiei até meus pais pra ficar com você, tentei lidar com as ameaças de Yoongi e ainda fiquei durante um mês sendo a porcaria do seu amiguinho colorido. Você acha que eu passaria por tudo isso caso não gostasse mesmo de você? — ele permaneceu quieto e Jimin lhe encarou. — Acha ou não? — ele deu de ombros e aquilo foi o suficiente para o mais novo se cansar e decidir sair dali de uma vez, mas não sem antes terminar de dizer o que queria: — Realmente, você estava certo sobre eu não conhecer você. Porque o Hoseok que eu julgava conhecer com certeza ia dizer que não, que eu não passaria por isso caso não gostasse dele. Ou melhor, o amasse. Mas eu estava errado, né? Acho que vou aprender com você e não correr mais atrás. Obrigado por ter cuidado de mim ontem, mas eu estou bem sóbrio agora e não vou colar em você e muito menos ficar insistindo para que voltássemos como ontem.

— Jimin, espera-

— Tchau.

O Jung viu Jimin bater a porta com força e se afastar cada vez mais da casa. Pensou em ir atrás dele, mas sabia que não daria certo. Então deixou que ele fosse embora novamente.

 

 

 

 

 

 

Jimin tinha passado o dia inteiro deitado em sua cama. Sequer assistia televisão ou mexia no celular, apenas ficava fitando o teto e, hora ou outra, chorava. Ele odiava chorar, mas como não podia fazê-lo depois de tudo o que passou nas últimas vinte e quatro horas?

Era quase meia-noite quando decidiu dar um sinal de vida ao melhor amigo e agradeceu pela festa — mesmo sendo um fiasco — e disse que amanhã mesmo passaria em sua casa. Claro que evitou contar sobre Hoseok e a briga com sua mãe. Não queria nem se lembrar daquilo, quanto mais falar. Seu plano era finalmente dormir, mas alguns barulhos em sua janela o fizeram pular da cama no mesmo instante e seguir para ela, procurando da onde eles vinham.

Fitou todo o local e não achou nada. Estava escuro então isso também não facilitava sua visão. Ouviu o celular tocar e atendeu de imediato se achando tratar de Taehyung, no entanto, aquela voz do outro lado da linha não era a do seu melhor amigo, e sim a de Hoseok.

— Hoseok?

— Vá pra janela.

Sem entender bem, ele seguiu os comandos do outro e parou ali, vendo melhor agora Hoseok parado em frente a sua casa e com o celular no ouvido.

— Que merda que você tá fazendo aqui?

— Eu vim falar com você.

— Nesse horário, Hoseok? Sério?

— Você vai entender depois. Agora vem logo.

— Sem chance de eu sair daqui!

— Se você não sair, eu vou subir.

Aham, claro. — o sarcasmo de Jimin pareceu ter sido levado a sério e logo Hoseok ameaçou se aproximar ainda mais da casa, o que fez com o que Park ficasse desesperado só de pensar em como seus pais reagiriam se o vissem ali. — Não entre aqui, seu imbecil! Eu vou descer.

— Ótimo!

Jimin também não entendia porque estava atendendo a um pedido de Hoseok. Não sabia o que ele queria consigo, mas claro, o Park ainda era um fraco quando se tratava do mais velho e tinha aprendido a confiar nele. Por isso não demorou muito para descer e se encolher ainda mais ao sentir o vento gelado batendo em si. Hoseok observava cada passo seu e deu um sorriso de lado ao vê-lo chegar.

— Tá com essa merda de sorrisinho por quê?

— Não seria mais justo eu perguntar por que você ainda está usando o meu casaco?

Só então notou que estava usando o casaco de Hoseok. Quis sumir naquela hora porque como se usar o casaco de Hoseok já não fosse humilhante o suficiente, ele ainda tinha que aturar aquele sorrisinho provocativo que ele lhe lançava. Jimin odiava aquele sorriso. E, se seguimos a lógica de coisas que Jimin odeia mas no fundo ama, pode-se dizer que ele amava aquele sorriso.

— Tanto faz, só quero saber o que você está fazendo aqui depois daquela briga na sua casa.

— Faça as perguntas depois, agora preciso que você venha comigo.

— Ir com você para onde?

— Isso você só vai saber depois. Enquanto isso, me siga.

Antes que Jimin pudesse fazer mais uma pergunta, Hoseok mostrou as chaves do carro e apontou para o mesmo, que estava estacionado do outro lado da rua. Só então Jimin reconheceu como o carro dos pais de Taehyung. Então Taehyung estava envolvido em seja lá o que fosse que o Jung tinha preparado.

— Me lembre de agradecer Taehyung depois.

— Me lembre de matar o Taehyung depois.

Sem discussão alguma, Jimin entrou no carro e fez questão de olhar para o lado da janela o caminho todo, ignorando os olhares que Hoseok lhe lançava. Ainda estava nervoso com ele e não iria disfarçar.

Enquanto isso, Hoseok estava ansioso e temia que Jimin odiasse sua pequena surpresa. Depois que o mais novo saiu daquele jeito da sua casa, Hoseok decidiu que aquela briga tinha que acabar e que já estava na hora de ficarem juntos. Tinha certeza de seus sentimentos por Jimin, e depois do que ele lhe disse naquela hora, era claro que era recíproco. Claro que ainda tinham seus problemas, ainda tinha coisas que Hoseok queria mudar, mas se eles se gostavam, por que tinham que complicar tudo e ficarem separados? Era injusto com eles mesmos depois de tudo o que passaram.

Aquele lugar deserto deixou Jimin receoso. Torcia pra que Hoseok não estivesse pensando em lhe levar para um lugar daqueles e lhe matar ou algo do tipo. Era um pensamento exagerado, mas realmente não conseguia entender porque ele lhe procurou aquela hora para irem a um lugar onde Jimin sequer sabia onde era. Vendo o nervosismo e os olhos atentos do mais novo, Hoseok sorriu e tentou tranquilizá-lo.

— Relaxa, não é nada ruim.

— Vindo de você é meio difícil.

— Ácido como sempre. — brincou e sorriu para o outro. — Eu sei que você vai gostar, então... — deu de ombros e continuou a dirigir.

Cerca de meia hora depois, finalmente chegaram aonde o mais velho queria. Jimin não conseguia ver nada além de mato e, pelo o pouco que conseguia, sabia que estavam em um lugar alto.

— Vem. — chamou Jimin e pegou uma manta, a colocando no meio do gramado e se sentando ali. — Qual é, vai mesmo ficar ai em pé? O céu está bonito hoje à noite. Aqui é perfeito para ver as estrelas.

Aquilo ainda era tudo muito estranho para Jimin, mas ele não protestou em momento algum. Deitou-se ali do lado de Hoseok e passou a observar as estrelas. O céu estava mesmo muito bonito, não ia negar, mas o que estava mexendo consigo não era aquele visão, e sim quem estava ali do seu lado.

— Por que me trouxe aqui?

— Eu não te dei nada de aniversário, queria fazer as pazes, você também vivia reclamando que nunca te levei em um encontro, então... — se virou para o lado e retribuiu o olhar. — Gostou?

— Não sei se isso conta como encontro porque você nem se uer me chamou para um, só me trouxe aqui contra minha vontade.

— Contra sua vontade nada. Você veio porque quis. Além disso, eu sei que você gostou, sendo um encontro ou não.

— Tá, eu gostei. — admitiu de uma vez e viu Hoseok rir. — Mas por quê? Quer dizer, depois de tudo o que tem acontecido... É estranho.

— Eu podia brigar de volta, deixar que você me xingasse ou simplesmente continuar com isso de “eu não te conheço” como tínhamos feito nesses últimos dias, mas isso não é o que eu quero. O que quero mesmo é parar com isso e ficarmos juntos de uma vez. Eu não quero mais ser aquele Hoseok que era o seu rival e muito menos o idiota que te deixou  ir embora. Eu só quero ficar com você, e sei que você quer também... Não quer?

— É claro que eu quero, mas não sei se vale a pena.                                            

— Jimin...

— Eu não nego que você fez muito por mim, Hoseok. Aliás, você ainda faz... Mas eu também abri mão de muita coisa por você e você sabe disso.

— Eu sei, eu vejo isso agora, eu só estava irritado também. Quando você pediu desculpas naquele dia eu pensei que era só porque eu tinha te ajudado, e não porque você estava arrependido.

— Eu estava mesmo arrependido. Eu senti que eu estava sendo injusto porque eu sei o quanto você fez pelo clube, mesmo eu sendo um péssimo líder às vezes. O problema foi que eu preferi negar que você era importante pra mim porque eu tinha medo. Eu não sou a pessoa mais fácil do mundo, pra mim era questão de tempo até você se livrar de mim e achar outra pessoa. Você sabe que eu sou inseguro. Isso também envolve até o clube, na verdade... Quando eu te vejo dançando eu sinto inveja. Você é tão bom no que faz sem precisar ficar seis horas ensaiando por dia. E seus pais te apoiam tanto... Eu era só um invejoso que achava que, só porque eu não tinha certa coisa, outra pessoa também não devia ter.

— Mas não faz sentido você se sentir assim. Você é um ótimo dançarino, Jimin, e apesar de tudo ainda é um bom líder. E sei que um dia você vai se tornar um dos maiores dançarinos que Seul já viu e tenho certeza que seus pais vão notar que é isso o que você quer fazer e vão sentir orgulho. Porque eu sinto orgulho de você. Muito.— tocou o rosto do outro, deixando ali uma breve caricia na bochecha. — Eu vou estar aqui para o que você precisar. Eu não preciso de ninguém, só de você. Só me prometa que nunca mais vai me tratar daquele jeito. Porque doeu mesmo, Jimin.

— Eu não vou.

— Então você quer mesmo voltar comigo?

— Eu quero isso faz semanas, seu idiota. — resmungou e se aproximou do outro. — E você?

— Você sabe que sim. — riu e beijou o outro rapidamente. — E eu também te amo. — disse ao se lembrar do que ele tinha dito e o viu arregalar os olhos.

— Você não devia dizer isso tão de repente!

— Pelo menos eu não estou dizendo isso enquanto estou bêbado...

— Não começa! — bufou e Hoseok riu novamente. — Eu te amo. Feliz?

— Muito!

As palavras não foram mais necessárias depois daquilo. Hoseok não pensou duas vezes antes de puxar o mais novo para si e lhe beijar, constatando que, sim, nunca iria enjoar de Jimin e muito menos de seus beijos.

— Eu estou com frio. — disse enquanto se aconchegava em Hoseok, que o abraçou na mesma hora. — Bem melhor.

— Então isso vale como um encontro?

— Acho que sim.

— Eu vou conseguir seu clube de volta. — disse repentinamente, assustando Jimin.

Nosso clube. — corrigiu. — E você lembra o que a diretora disse: é impossível eles darem o clube de volta pra gente.

— Mas eu vou tentar.

— Você não precisa fazer isso.

— O clube é importante para mim e para você também, então precisamos sim. Eu vou conseguir ele de volta. Só confie em mim.

Quando já estava tarde demais e Jimin praticamente dormia em seu colo, Hoseok decidiu sair logo dali. Pelo menos o namorado não tinha reclamado da sua ideia de encontro e até gostou pois daquele jeito não teriam que lidar com cinemas lotados e pessoas cochichando sobre eles nos parques. Apenas a presença dos dois e do enorme céu estrelado já era o suficiente.

Enquanto dirigia, Jimin ficou calado assim como na ida, a diferença era que agora ele dormia. Hoseok riu e lhe cobriu, vendo o menor se remexer, mas ainda assim continuar dormindo. Pegou o celular e mandou uma mensagem agradecendo Taehyung, afinal, o garoto tinha se arriscado demais ao emprestar o carro dos pais só para que o melhor amigo e o Jung se reconciliassem.

Estacionou em frente à casa do Kim e acordou o outro com beijos, que apenas murmurou algo que Hoseok sequer foi capaz de entender e lhe puxou para si.

— Preciso ir embora. Só vim te deixar aqui na casa do Taehyung.

— Taehyung que se dane, fica aqui comigo!

— Eu não posso. — riu ao ver o bico que se formava nos lábios do mais novo. — Leva isso e entra logo. Eu ainda preciso ir para casa e já são quase cinco horas da manhã.

— Ninguém mandou me levar para um encontro justo de madrugada.

— Se você não tivesse fugido daquele jeito de manhã talvez eu tivesse me preparado melhor.

— Então a culpa é minha?!

 — Sim.

Jimin revirou os olhos e beijou novamente Hoseok, que antes de lhe deixar ir, o puxou para outro beijo.

— Agora você pode ir. Boa noite!

E tudo estava bem novamente.


Notas Finais




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