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História Rock' N Roll High School - Capítulo 2


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Notas do Autor


Na capa:
Hank
Bruce, Tony, Reed
Wade

Boa leitura!

Capítulo 2 - No Such Thing


Fanfic / Fanfiction Rock' N Roll High School - Capítulo 2 - No Such Thing

— Detenção?! — Ivan brada ao andar de um lado para o outro. — Assim não dá, Natalia!

— E como dá, pai?! — cruza os braços. — O senhor ouviu que não fui a única a ser mandada pra essa porra de castigo?!

— Eu não me importo com os outros! — aponta o dedo no rosto dela. — É repetente, ácida, estúpida e displicente! 

— Passei as últimas duas horas ouvindo Jennifer cantarolando, Bobbi xingando, Susan quase agredindo o psicólogo, Janet dançando, Elizabeth chamando todos os demais de infelizes, Antony fazendo piadas, Wade dando em cima da Ramona, Clint flertando com a Bobbi, Reed chamando todo mundo de burro, Hank roncando e Bruce quase chorando!

— Foda-se!

— Como?! — fica de pé. — Tenho que aturar calada seus desaforos e os que recebo na rua enquanto vago sozinha?! Toda hora temos que nos mudar por conta desse emprego imundo! — dá de ombros. — Se a Yelena está morta, a culpa é sua! Sou repetente, infeliz e ansiosa por culpa sua! Eu odeio você, porque você odeia me ver feliz!

[...]

Na biblioteca da escola, Bárbara se esconde atrás dos livros de poesias, uma sensibilidade totalmente calada, assim como sua paixão por fotografias. Faz algumas horas que fora liberada, mas não conseguira retornar ao lar, principalmente após o escândalo de sua mãe ao telefone, usando de mais uma situação para humilhar sem filtro, empatia ou delicadeza. Sabe que um dia estará livre das garras da senhora Morse, porém, este dia não é hoje. 

Não muito dela, o mais novo jogador do time transita entre as prateleiras, tateando cada uma enquanto os olhos exploram, buscam algum romance daqueles bem idiotas. Clint é completamente fascinado por clichês, poesias, pinturas, fotografias e beijos na chuva, mas sua sensibilidade sempre fora calada pelo pai, este que urra: “Seja homem, você é homem!”. Assim como os amigos, também não podem sonhar que no peito dele há mais delicadeza que um poema sobre primeiro amor. Ele dá uma pausa de frente a uma estante repleta da temática a que tanto ovaciona. Distraído, sorri ao ler os títulos: “Lágrimas de São Pedro!”; “Estarei aqui por você!”; “Sua Canção”; “Hey, Stephen!”; “Igualzinho ao Paraíso!” e outros... Entretanto, no meio de seu remanso, um brado lhe desperta:

— Abriram as portas do inferno?

Um pulo, volta-se a garota quando responde no mesmo tom:

— O que você quer aqui, diaba?!

— Gostei do apelido! — pisca. — O que faz aqui?

— Preciso chegar em casa depois que meu pai dormir, ele tá muito puto com o lance da detenção. — revira os olhos. — Acabei de sair do teste para o time, e adivinha só?

— Minha bola de cristal tá quebrada!

— Por que ainda insisto em fazer amizade com as pessoas dessa turma? A única pessoa que me tratou bem foi o Wade porque ficou dando em cima de mim!

Bufa, dá de ombros, mas ao começar a seguir seu rumo, ouve:

— Clinton, desculpa!

— Me chama só de Clint! — vira-se a ela. — Vai me dar outro fora?

— Minha mãe também não pode me encontrar hoje, ela tá muito puta!

— Como meu irmão costuma dizer: "Bem-vindo ao mundo real!". — sorri timidamente ao encará-la de cima a baixo. — O que acha de um sorvete? Eu pago!

— Ótimo, mas se contar pra alguém, quebro sua cara todinha!

— Feito!

[...]

No estúdio da casa de Bruce, os amigos se reúnem para mais um ensaio aberto.

O cômodo fora gentilmente projetado como uma garagem, com um portão direto a rua, para que consigam fazer apresentações a quem quiser chegar. 

Wade tira uns chopes, Tony anota algumas alterações das novas composições e os demais afinam os instrumentos. Ninguém falara nada além do básico, estão destruídos após os sermões que receberam dos progenitores. Contudo, como já diz Janet: “Família é onde nosso coração está!”, sendo assim, quando adentra ao lado de Jennifer, os desabafos começam ao Walters indagar:

— Quem morreu?

— Minha dignidade! — dá o primeiro gole na cerveja. — Meu pai tava doidão quando ligaram, aí quando cheguei em casa, ele me abraçou e disse que tava orgulhoso!

— Orgulhoso de quê?!

— Por eu ser um merda que nem ele, olha que maravilha! — acomoda a caneca, puxando as baquetas. — Meus pais acham que não tenho futuro, ou seja, só se surpreendem quando faço algo bom!

— Tipo, dar em cima da Ramona?! — Stark gargalha. — Meu pai falou muito também, mas nada de novo, correto? — ajeita os óculos escuros. — Foi algo do tipo: “blábláblá corta o cabelo, blábláblá você é uma vergonha...”. — boceja. — Toda vez que digo que nossa música vai mudar o mundo, ele diz que tem vontade de me dar um soco!

— Tipo o soco que a Bobbi te deu quando terminou com ela?

— Cala a boca, Reed! — revira os olhos. — Todo mundo sabe que você me odeia porque a Bobbi quis ficar comigo, não contigo!

— Por isso que eu pego todo mundo! — sorri ao sentar ao lado do primo. — Acho que deveriam relaxar!

— Pra você é fácil, não? — Hank indaga ao largar a guitarra. — Nossos pais nos humilharam hoje, o seu e o da Jan levaram vocês para comprar sapatos!

— Que tal a gente se calar e começar o bendito ensaio?

— Que tal a gente se calar e ficar observando você tomar coragem de chamar a Betty pra sair?

— Vai pra casa do caralho, Wade!

[...]

Há umas dez pessoas paradas de frente ao que parece ser uma garagem e desta há um som muito agradável. Natasha sorri, sente que de alguma forma, a música ajudará a acalmar o coração. Faz meia hora que dá voltas e voltas pela cidade e agora parece que encontrou um bom lugar para relaxar. 

Com suas sapatilhas vermelhas, cropped de oncinha e short cintura alta, se aproxima do local, reconhecendo a letra de imediato. É No Such Thing do John Mayer, uma de suas favoritas. Cantarola junto à belíssima voz que guia com louvor a poesia ritmada: “Bem, eu nunca vivi os sonhos dos reis da formatura ou das rainhas do drama. Eu gosto de pensar que o melhor de mim ainda está escondido sob a minha manga. Eles amam te dizer ‘fique dentro dos limites’, mas tem algo melhor do outro lado!”. 

A ruiva quase engasga ao ver que o cantor é Tony e os instrumentistas são os idiotas que andam com ele. Fica mais hilário quando fita Ramona aclamando os rapazes, que com seus braços tatuados de fora, ela parece outra pessoa. 

Eu quero correr nos corredores da minha escola. 

Eu quero gritar com todos os meus pulmões. 

Eu acabei de descobrir que não existe nada como o mundo real...

Acena vagamente à educadora, recebendo um amável sorriso. Depois outro susto, Susan lhe abraça por trás. Com certeza a novata teria apanhado se não tivesse segurado o punho da russa a tempo.

— Ei, calminha aí! — uma pequena risada, indica um garoto do outro lado da rua. — Tô aqui com o meu irmão, quer ficar com a gente?

— Acho ótimo!

Então, os bons garotos e garotas pegam o famoso caminho certo. 

Chapéus brancos desbotados. 

Pegando créditos, talvez, transferências. 

Eles lêem todos os livros, mas não encontram as respostas. 

E todos os nossos pais estão ficando mais velhos. 

Me pergunto se eles desejaram algo melhor. 

Enquanto, em suas memórias, pequenas tragédias...

O rapaz é loiro, olhos claros, corpo definido — o que fica claro quando tira a camisa, ficando apenas de black jeans e coturnos. — é simpático como a irmã não costuma ser, abraçando Romanoff educadamente.

— Prazer, me chamo Johnny!

— Natalia! — sorri, pára ao lado de Sue. — Eles podem ser babacas, mas tem talento!

— Pode apostar que toco melhor que o Reed, o Hank e o Bruce!

— Não duvido! — ergue as mãos em rendição. — Tô passada com a Ramona aqui!

— Maninho, conta pra ela! — começa a rir. — A Ramona é das nossas!

— Como assim?!

— Ela tem uma história super triste, os pais dela eram babacas, deixaram-na em depressão, ela se formou muito tarde por conta disso e agora, ela é mais amiga do que professora.

— Ela e o Wade já...?

— Não! — chega a gritar quando ri. — Ela o vê como um irmão mais novo, depois que ele foi diagnosticado com câncer, tá sempre ao lado dele. 

— Ela só fica puta quando ele dá em cima dela. — completa. — Meia hora naquele colégio e já sei tudo de todos!

Eles amam te dizer “fique dentro dos limites”, mas tem algo melhor do outro lado. 

Eu quero correr nos corredores da minha escola. 

Eu quero gritar com todos os meus pulmões. 

Eu acabei de descobrir que não existe nada como o mundo real. 

É só uma mentira, você tem que ir além...

“... Eu sou invencível! Eu sou invencível Eu sou invencível enquanto eu estiver vivo! Eu quero correr nos corredores da minha escola. Eu quero gritar com todos os meus pulmões. Eu acabei de descobrir que não existe o mundo real...”. — murmura a si mesma, segurando a dor de ser quem é. — “Mal posso esperar pela reunião de dez anos de formados, vou entrar derrubando a porta. E quando eu subir nas mesas em sua frente, você vai saber para o que foi todo esse tempo!”.

[...]

No fim do ensaio, as pessoas continuam bebendo, conversando e brincando como se curtissem um fim de semana.

Nesta distração, Hank senta de frente ao piano, lembrando-se de sua avó, a única que lhe incentivara a seguir suas duas carreiras dos sonhos, uma delas é a de musicista. Respira fundo antes de ficar com a alma nua através das teclas, lembrando de quando tinha cinco anos, quando chegou ao progenitor e dissera: “Papai, estou com medo, não consigo dormir! A vovó está doente, pode ficar comigo?”. 

Antes de ter a resposta novamente em sua mente machucada, começa a cantar:

“Eu e todos os meus amigos estamos sendo mal compreendidos. Eles dizem que nós não defendemos nenhuma causa e que nunca vamos. Agora, nós vemos tudo que está indo errado com o mundo e seus líderes. Nós apenas sentimos que não temos um caminho para passar por cima e acabar com tudo isso...”.

Tony senta ao lado dele, dividindo o microfone ao cantar junto:

“Então, continuamos esperando, esperando o mundo mudar. Nós continuamos esperando, esperando o mundo mudar... É difícil vencer o sistema quando estamos tão distantes. Então, continuamos esperando o mundo mudar...”.

Susan ao vê-lo tão visceral, sente o coração esquentar de uma forma que jurou nunca mais permitir. Seu primeiro e único amor foi um fiasco, tornando-a ríspida, algo totalmente diferente de sua bondosa e deliciosa alma. Sorrindo ao ver o loiro tão perfeito em tudo o que faz, recebe uma cotovelada de Johnny, o mesmo que questiona quando recebe atenção:

— Quem é aquele idiota que tá quase babando por você? — indica. — Ele não pára de te olhar!

— Reed Richards, um idiota mesmo. — cruza os braços. — Não estou disponível para amores de nenhum tipo.

[...]

Chegando à porta de casa, Bobbi respira fundo, sabe que o pior ainda está por vir. Apesar do fim de tarde maravilhoso ao lado de Clint, entende que a vida familiar é como uma barreira que a impede de ser feliz. Sua mãe é impaciente, projeta as frustrações da pior forma possível. A senhora Morse nunca manteve sua menina segura, na verdade, ela sempre foi o tão falado monstro que se esconde no armário. Tanto que, da última vez que a loira vira seu pai, implorara que a levasse junto, porque não existem condições de estar no mesmo lugar que uma mulher tão amarga.

Quando coloca a mão na maçaneta, lembra do progenitor partindo, jurando que voltaria, mas se passaram dez anos e nada... A porta é puxada, os olhos repletos de fúria fazem-na sentir uma dor incalculável.

— Bárbara.

— Mãe. 

— Tomou outra suspensão?

— Não. — fita-a. — Mais alguma pergunta?

— O que acha de ter que lidar com um colégio imundo? Porque a partir de hoje, não pagarei mais nada para você! Quer brincar de estudar? Faça em casa, porque o meu bolso não bancará mais seus caprichos!

Um carro buzina, ambas voltam-se a Clint, este que brada alegremente:

— Vai parecer estranho se te contar que peguei seu endereço com o Wade?

— Não! — gesticula que espere, depois de volta a progenitora. — Vai morrer engasgada com todo o mal que me faz!

Após o grito, corre em direção ao veículo de seu mais novo amigo, batendo a porta com força, ordenando que tire-a dali imediatamente.

[...]

Desta vez, é Wade que está de frente ao piano, mas não sente vontade de fazer gracinhas ao tentar tocá-lo. Apenas reflete sobre todo o mal que lhe é desejado, quase chora ao entender que está com os dias contados. Abaixa a cabeça, alguns segundos depois, é abraçado por Jennifer e Janet, ambas sentam, uma de cada lado, lhe dando todo o carinho necessário.

— Eu só não peço as duas em casamento pra Ramona não ficar com ciúmes!

— Não precisa disso, amor! — murmura. — Pode desabafar com a gente, nada de piadinhas agora!

— Ah, Jenni... — bufa. — Eu tô indo embora, né? 

— Não diga isso, por favor!

— Mas isso não significa que não vou estar ao lado de vocês. Vou puxar os pés das duas quando estiverem dormindo! — começa a rir. — Ramona falou para eu fechar os olhos e rezar, mas não acredito em Deus.

— Tudo bem, sei que está com medo... — Jan sussurra. — Mas também sei que irá vencer essa doença, você é o mais brabo da escola!

— Eu sou um lixo... — move a cabeça em negação. — Nem adianta mentir, Abelhinha!

[...]

Natasha revira os olhos ao ver como Susan flerta com Hank. Passando pela amiga para pegar o cigarro que deixara no bolso dela, fala em alto e bom som:

— Sue, não o beije! — pega o maço na calça jeans. — Ele é músico, ele não presta!

— E quem disse que eu presto? — pisca. — Também sou musicista, estamos todos em casa!

Acha melhor não responder, mas pensa ao acender o fumo: “A paixão platônica é ridícula!”.

No primeiro trago, passa por Tony, ficando aliviada ao ser ignorada pelo mesmo. Quando saiu, pensara que deveria relaxar, não se estressar com um moleque mimado como ele. Entretanto, ao recostar-se num dos carros, começa a reparar em algo e tem certeza que já vira Stark em alguma outra ocasião, só não consegue confirmar qual. Dá uma pequena risada ao ver que o garoto em questão, possui certo charme, até mesmo beleza, parece ter gosto de chiclete com cheiro de rock n' roll. Quando ele abre a camisa de botões, se exibindo a duas meninas, faz outra anotação mental, porque o babaca é realmente sexy. Pena que por trás dessa aparência, há um famoso bad boy, fútil e convencido. 

— E aí, russa!

Rapidamente desperta.

— O que é?

— Que tal um show da banda de um amigo meu?

— Não. — joga a fumaça na cara dele. — Não estou interessada.

— É cover do The Killers!

— Foda-se, não ligo!

— Por que ficou me olhando a noite toda?

— Não fiz isso... — responde rispidamente. — Seu ego tá te fazendo ver demais.

— Bora no show do The Killers? Quero te beijar na arquibancada!

— Não vai me beijar nem nos seus sonhos!

— Quem perde é você, russa!

Quando ele dá de ombros, o tal do Clint aparece correndo, deixando-a mais irritada que o comum, porém, quando o mesmo grita sobre o que acontecera com Bobbi, o coração congela.

— Vem, precisamos ajudá-la!


Notas Finais


Músicas do capítulo:

No Such Thing - John Mayer
https://www.youtube.com/watch?v=NzN2BIYY7Ac

Waiting On the World to Change - John Mayer
https://www.youtube.com/watch?v=oBIxScJ5rlY

Tenho outras fics de BobbiClint e Ironwidow, só catar aqui no perfil ;)


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