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História Roleta Russa - Seulrene. - Capítulo 1


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Notas do Autor


EAI.
Em comemoração aos meus 100 seguidores (parece pouco, mas eu estou feliz demais) resolvi escrever essa Multi gg com os shipps que me pediram na enquete do Twitter. Apesar de ser voltada à Seulrene, vai ter relação joygi, taeny, kryber, jensoo e ainda alguma coisa entre Seulgi e Krystal. rs
Baseada em Joyland de Stephen King, está sendo contada pela própria Seulgi cinco anos depois dos acontecimentos, por isso, nesse prólogo, vou fazer essa relação entre passado x presente.
Boa leitura!

Capítulo 1 - Prólogo.


Eu tinha carro, mas na maioria dos dias daquele outono de 1973 eu saía do quarto alugado na cidade de Heaven's Bay e ia andando para Russian Roulette. Parecia a coisa certa a fazer. A única, na verdade. Aquele outono fora o mais bonito de minha vida, mesmo cinco anos depois ainda posso afirmar isso. Também posso dizer que nunca fui tão infeliz. As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. Você já deve ter ouvido mil músicas pop e country que comprovam isso; sempre tem algum tolo de coração partido. No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?

Ao longo de setembro até outubro, o céu de Carolina do Norte estava claro enquanto a brisa soprava frio, chegava até a ser romântico. Mesmo às sete da manhã, se eu saísse de casaco em poucos minutos o teria amarrado na cintura antes de chegar a metade dos cinco quilometros entre a cidade e o parque de diversões. A padaria Martinez era minha primeira parada, onde comprava croissants ainda quentes. Naquele horário, minha única companhia se mantia como minha própria sombra na areia, e tudo bem com isso, porque eu amava aquela sensação.

O ano de 1973 foi o do embargo do petróleo da Opep, o ano em que Richard Nixon anunciou que não era um criminoso, o ano em que os atores Edward G. Robinson e Noel Coward morreram. Foi o ano perdido de Kang Seulgi. Eu era uma virgem de vinte e um anos com aspirações literárias. Tinha três calças jeans, quatro bonés, um Ford velho (com um rádio bom), pensamentos suicidas eventuais e um coração partido.

Que fofo, hein?
 

A garota que quebrou meu coração foi Park Sooyoung, e ela não me merecia. Demorei para chegar a essa conclusão mas como diz um velho ditado: "Antes tarde do que nunca". Eu era de South berwick e ela de New Hampshire, o que nos tornava praticamente vizinhas, mas mesmo assim só fomos nos conhecer de verdade na Confraternização de Calouros da Universidade de New Hampshire. Fofo, não é? Parece uma dessas músicas pop.

Fomos inseparáveis por dois anos, daquele tipo de casal que todos invejam. Íamos a todo lugar e faziamos tudo juntos. Tudo menos "aquilo". Estudavamos e trabalhavamos na universidade, Soo na biblioteca e eu no refeitório. No verão de 1972, nos solicitaram que trabalhassemos durante as férias, ambas aceitaram sem pensar muito. Obviamente, para duas jovens de vinte anos, não havia vantagem alguma em ficar o verão presa no campus, mas o fator de ficarmos juntas o tempo todo era indescritivel. Pensei que aconteceria o mesmo no verão de 1973, até que Sooyoung anunciou que sua amiga, Rosé Park, conseguira um emprego para as duas em Boston.

-— Mas e eu? —  Perguntei.

—  Você sempre vai poder me visitar... —  Sooyoung manipulou, passando as unhas em meu maxilar buscando que meu olhar voltasse a se alinhar ao dela - Vou morrer de saudades, mas, estou falando sério, Seul, vai ser bom passarmos um tempo distante.

Essa é uma frase que costuma ser um prenúncio da morte. Ela talvez tenha percebido o que eu pensei, porque ficou na ponta dos pés e me beijou.

—  Longe dos olhos, perto no coração. Além do mais, se eu tiver meu próprio apartamento, você vai poder passar a noite comigo.

Mas ela não olhou exatamente para mim quando disse isso, e eu nunca fui ficar com ela. Muitas colegas de quarto, ela disse. Muito pouco tempo. É claro que tais problemas podem ser superados, mas por alguma razão, nunca o fizemos, o que deveria ter me dito alguma coisa; em retrospecto, isso me diz muito. Muitas vezes chegamos bem perto de fazer, mas fazer nunca aconteceu de fato. Ela sempre recuava, e eu nunca a pressionava. Deus me ajude, eu estava sendo respeitosa! Desde então, eu tenho me perguntado frequentemente o que teria mudado (para o bem ou para o mal) se eu não tivesse sido. 

A idéia de passar o verão limpando pratos na universidade não me agradava muito, não quando Park Sooyoung estaria a milhares de quilometros se divertindo, com um emprego e fazendo bons amigos. E até hoje não sei qual frequência devo usar para esses bons amigos. 

Então, no fim de fevereiro, algo literalmente deslizou para mim pela esteira em que os pratos chegavam enfileirados. Alguém estava lendo a Carolina Living, enquanto ele ou ela comia o especial do dia daquele prato azul, que eram Hambúrgueres Mexicali com Fritas Caramba. Ele ou ela deixou a revista na bandeja, e eu a peguei junto com os pratos. Eu quase a joguei na lixeira, então me contive. Material de leitura gratuito era, afinal de contas, material de leitura gratuito (eu era uma estudante que trabalhava, lembre-se). Eu a enfiei no meu bolso traseiro e esqueci dela até voltar para o meu dormitório. Lá, ela caiu no chão, abrindo-se na seção de classificados quase no fim, enquanto eu trocava de calças. Quem quer que estivesse lendo a revista, havia circulado várias possibilidades de emprego... embora no fim, ele ou ela deva ter decidido que nenhum deles servia; de outro modo, a Carolina Living não teria acabado surfando na esteira de pratos.

Quase no fim da página estava um anúncio que chamou a minha atenção, embora não tivesse sido circulado. Em negrito, a primeira linha dizia: TRABALHE PRÓXIMO AO PARAÍSO! Que tipo de estudante não continuaria a ler depois dessa? E que tipo de jovem irritada de vinte e um anos, assaltada pelo medo crescente de estar perdendo sua namorada, não se sentiria atraído pela ideia de trabalhar num local chamado Russian Roulette? Havia um número de telefone e, por impulso, liguei.

Uma semana depois, um documento sobre o emprego chegou à caixa de correio do dormitório. A carta anexada dizia que se eu quisesse trabalhar durante todo o verão (o que eu queria), eu teria de fazer vários trabalhos, a maioria, mas não todos, supervisionados. Eu teria de possuir uma carteira de motorista válida, e teria de ser entrevistada. Só que eu estava planejando passar parte dessa semana com Sooyoung. Poderíamos até chegar a fazer aquilo.

— Vá à entrevista. — Soo disse, quando eu lhe contei. Ela sequer hesitou. — Será uma aventura.

— Estar com você seria uma aventura. — eu disse.

— Vai haver muito tempo pra isso no ano que vem. — Ela ficou na ponta dos pés e me beijou (ela sempre ficava na ponta dos pés).

Estaria ela já vendo o outra pessoa? Por que a garota que você amava com todo o coração continuou dizendo não para você, mas pulou na cama com o cara novo quase que imediatamente. Eu não tenho certeza se alguém supera completamente seu primeiro amor, e esse ainda dói. Parte de mim ainda quer saber o que havia de errado comigo. O que me faltava. Eu estou nos meus vinte e seis anos agora, tenho meu apartamento e estou fazendo meu doutorado, mas eu ainda quero saber por que não fui boa o bastante para Park Sooyoung.

No dia seguinte, peguei um trem para Heaven's Bay. Minha entrevista fora com Frederico Cameron, aparentemente chefe do parque de diversões. Após um questionário com meia duzias de perguntas futeis e análise completa do meu curriculo, o homem de meia idade me deu um cartão de plástico preso a um cordão que vinha escrito "visitante" e o simbolo do parque (estranho, mas uma arminha feita de doce para simular uma roleta russa). 

—  De uma volta por aí, garota. —  Disse Cameron —  Ande na High Roller. A maioria dos brinquedos ainda estão desligados, mas a roda gigante não. Aproveite para comer um cachorro quente, é por conta da casa. O que te dei é um passe diário, mas quero você aqui de novo às... - Ele olhou o relógio - Uma e meia da tarde. Então me diga se irá querer o emprego. 

—  Obrigada, senhor.

Mas o velho não esperou muito, logo, eu estava sozinha rodeada de animais elegóricos e barracas de algodão doce. Depois de um tempo virando e revirando o mapa do parque, decidi dar uma volta por conta. Russian Roulette era um parque independente, não tão grande quanto o parque Six Flags, e sem qualquer comparação com a Disney World, mas era grande o bastante para ser impressionante. Andei sem rumo pelo parque prezando observar os brinquedos e tentar advinhar suas funções. Os outros funcionários estavam ocupados demais para notar a presença de uma caloura ali, portanto, nem mesmo me apressava ao passar de um brinquedo para o outro. Era bonito, jovem e tinha cheiro de diversão. Eu estava sentindo a aúrea de um parque de diversão.

Entre a xícara maluca e a High Roller, fui surpreendida por aparentemente uma das funcionárias que veio me cumprimentar. A morena era pouco mais baixa que eu e tinha um semblante jovem, diferente de todos os outros funcionários rabugentos que eu tinha encontrado desde o ínicio do dia. Os olhos não chegavam a ser verdes, mas eram claros como o mel. A garota usava uma camiseta básica branca e um short jeans, acompanhados de um óculos de sol e um boné daqueles que se usa para jogar Tênis. Ela era simpática, parecia transparecer a magia do parque.

—  Está perdida aí? —  A voz da morena soou calma. —  Normal, o parque é enorme. Precisei que viessem me buscar dentro de um dos brinquedos no primeiro dia aqui. Você é a nova Ajudante Feliz do parque?

Ajudante Feliz? Então esse era o nome que eu receberia se aceitasse o emprego? Soltei uma risada de canto e acenei positivamente, tentando esconder o mapa do parque que levava em mãos.

—  Legal! Bem vinda, eu sou a Ajudante Feliz que faz monitoramento em brinquedos mais rigidos. É um prazer. —  a morena disse com os olhos brilhando e estendeu a mão, instantaneamente sorri largo.

—  Obrigada, você é a primeira que fala comigo aqui. —  Retribui o aperto de mão, franzindo os olhos ao notar que a menor usava luvas, mas logo desviando o olhar para o sorriso sereno alheio. —  Kang Seulgi. O prazer é todo meu!

—  Oh! As luvas, eu me esqueci completamente... Você acabou apertando graxe, eu estava fazendo a manutenção dos cintos de segurança da High Roller. - Ela balançou a cabeça assim que percebeu que fugiu totalmente do assunto. —  Desculpe, me desatentei de novo. Seu nome é lindo!

Nós rimos pelo deficit de atenção e, mesmo recebendo o elogio ao meu nome, ela não me disse o dela.

- Bem, eu ia mesmo bater meu ponto pro horário de almoço agora... - Ela anunciou. - Você quer que eu te apresente o parque? Oportunidade única com uma experiente que fica zanzando pelo parque todo dia, 'hein.

Ela estava sendo tão gentil que eu não tinha com negar. Balancei a cabeça positivamente e logo a morena me direcionou para que eu entrasse na High Roller junto à ela. Tinhamos exatamente uma hora e meia para que ela me apresentasse todo o parque, e ela conseguiu me mostrar muito mais além dos brinquedos.

[...]

O relógio marcava 13:25 e o sol trincava forte no céu, eu estava apaixonada pelo parque e, sem dúvidas, aceitaria o emprego. A magia  Russian Roulette já corria junto de meu sangue, por que era tão contagiante assim? A morena me levou para uma volta na roda gigante High Roller, onde pude ver a grande Heaven's Bay dividida pelas casas de praia coloridas e o mar sedativo que limpava todos os dias os pecados cometidos à beira da areia. Me levou, também, para conhecer o palco onde artistas em ascensão iam se apresentar de vez em quando, além de ter feito que eu me molhasse inteira no Splash. Sentia que pertencia a Russian Roulette em menos de uma hora e meia, aquele lugar havia sido feito pra mim.

—  Tenho que voltar agora, meu horário de almoço já acabou há uns vinte minutos. —  Disse a morena ao chegarmos no lugar onde Cameron havia me dito para estar 13:30. - Espero que tenha gostado daqui, é meio velho mas ainda serve. Vai ser legal trabalhar com você.

— Eu digo o mesmo, não vejo a hora de começar oficialmente para...—  Fui interrompida pela voz do meu futuro chefe me chamando, logo me virando para encara-lo.

—  Com quem estava falando, bixete? - O mais velho proferiu se aproximando. —  Vai ficar com a vaga?

— Eu estava falando com... — Me virei para olhar para a morena de novo, mas, pra minha surpresa ela não estava mais lá. —  Com uma das funcionárias daqui, ela me mostrou o parque em seu horário de almoço... Mas acho que ela já voltou ao seu trabalho. E vou aceitar a vaga.

O mais velho franziu o cenho, me olhando com uma expressão duvidosa mas logo voltando a sua pose normal.

—  Não me lembro de ter dito para alguma funcionária mulher vir hoje. —  Cameron se silenciou —  Mas de qualquer maneira, já que vai aceitar a vaga, tem algumas coisas que deve saber antes.

Eu assenti.

—  Você está no ramo da diversão agora, querida. — O homem de meia idade tossiu. —  Os clientes têm que ir embora felizes, senão este lugar seca e morre. Já vi acontecer, e, quando acontece, é rápido. É um parque de diversões, jovem Seulgi, então cuide bem dos clientes e só dê puxões leves na orelha deles. Em uma palavra: divirta-os.

— Tudo bem — falei... embora não soubesse quanta diversão ofereceria aos frequentadores ao encerar os Devil Wagons (a versão de Russian Roulette dos carrinhos bate-bate) ou limpar o Hound Dog Way depois do fechamento dos portões.

— E não ouse me abandonar quando mais precisarei de você. Esteja aqui na data combinada e cinco minutos antes do horário combinado.

— Pode deixar, Sr. Cameron.

— Uma última coisa, senhorita. —  O homem tirou seu óculos e se aproximou, baixando o tom de voz —  Você vai ouvir histórias sobre o parque, como qualquer outro. Não quero que seja influênciada por rumores, é sempre por isso que todos eles correm. Russian roulette é mágico, você só terá uma oportunidade como esta uma vez na vida. Não a desperdice, jovem. Histórias todos contam. E existe algo que eu nunca quero que esqueça...

Assenti, prestando atenção atentamente ao que Cameron ditava.

—  Quando se trata do passado, todo mundo escreve ficção.

 


Notas Finais


Obrigada por ler.


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