História Roleta Russa : O jogo começa - Capítulo 9


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Jikook, Namjin, Taeyoonseok, Vhope, Yoonseok
Visualizações 521
Palavras 7.231
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Demorei? Magina!

Oioioi meus amores, bolos da minha vida <3
Não vou demorar aqui pq o capítulo tá lindo, tá longo, então...

Boa leitura!!!!

Capítulo 9 - Vamos para casa


Observava o rosto sereno do moreno deitado no gramado extenso daquele jardim. Os braços atrás da cabeça relaxavam sua nuca enquanto os olhos permaneciam fechados e apreciando a bela luz fraca do sol da manhã naquele dia, vestindo uma roupa leve que se resumia em uma blusa preta de manga curta e uma calça moletom com um tênis desamarrado. Juraria que era um adolescente sem nada para fazer antes de entrar numa faculdade, ou até mesmo alguém que só queria relaxar que curtir a juventude passageira que tinha. O peito subia e descia devagar pela respiração ritmada do maior, este que provavelmente dormia na grama mesmo pelo cansaço. 

O loirinho sorriu bobo para aquela imagem e aproximou-se para deitar a cabeça na barriga alheia, deixando o selo na blusa cheirosa e observando o céu meio nublado com nuvens um pouco escuras e algumas ainda claras. Sentiu uma mão em seus cabelos e sorriu, assim como o maior que mesmo sem abrir os olhos, sabia que era o seu noivo ali. Seu pirralhinho.

 Jimin olhou para o céu perdido e logo uma vontade arrebatadora de chorar lhe chegou no peito. O céu não parecia tão claro e o jardim não parecia agora tão vivo quanto alguns segundos atrás, parecia que sua imagem borrava e só sobrava pequenos vultos. Sentia o cheiro, um cheiro bom e único, mas não sabia de quem ou do que. Sentia que estava deitado, mas aonde? Virou a cabeça para o lado e observou a face de um homem sorridente para cima, para o nada. Quem era ele? Por que ele pegava em seus fios? Finas lágrimas desciam pelo seu rosto e caiam pela lateral, como se rasgassem a pele fortemente. Sentia uma dor terrível, uma angústia que não passava do peito; apertada ali até que sangrasse e machucasse. Estava deixando algo para trás, algo importante. O que? Quem? Levantou aflito e olhou para o homem que agora tinha a imagem um pouco desfocada e também fraca, como se fosse uma fina lembrança. Levou a mão até o rosto alheio, mas sua mão atravessava-o como fumaça. Sentia a garganta apertar e os soluços tomarem sua boca com solavancos altos. Ver aquela imagem daquele homem desaparecer era como levar metade de si para longe, não queria que aquela imagem desaparecesse. De todo o jardim, do céu, da grama, não poderia deixar que o homem desaparecesse. Levantou para abraça-lo, porém em curto tempo, a imagem já virava uma fina névoa quase transparente. Não havia nada ali, nada. Aquilo lhe incomodou em um grau tão maior que outros problemas antigos seus que apenas deixou que lágrimas caíssem de seus olhos e o nome que ditava ficassem sem som. Até mesmo o nome ele não consiga dizer de forma alta. Aquilo era injusto, muito injusto. 

*


 Como se levasse um choque pelo corpo, acordou ofegante, olhando tudo que estava ao redor. Estava em um quarto; havia uma cama larga onde estava deitado, uma escrivaninha com uma bandeja e remédios para ferimentos, um abajur onde provinha a única luz do quarto, um guarda roupa pequeno que se reduzia em pequenas gavetas em um armário de madeira e um relógio digital na parede. Levantou com difículdade o tronco e percebeu uma mesinha com comida e vários matériais compostos de ferro e cobre, além de ferramentas ao lado de cada material. Arriscou-se mexer um pouco no meio dos lençóis e sentiu sua barriga enfaixada com gazes e suturas. Ouviu um barulho e logo direcionou seu olhar para a porta lateral ao lado do guarda roupa, encolheu quando um homem loiro e pálido entrou no quarto e junto a si, carregava roupas confortáveis  nos braços como moletons e algumas blusas de frio.

 --- Vejo que já acordou.- o loiro lhe olhou e ficou confuso. 

 --- Quem é você?- perguntou e o loiro abaixou o olhar.

 --- Não...- apontou para si mesmo e para Jimin.- Não lembra? Min Yoongi... agente especial... 

 Negou desconfiado e percebeu o outro suspirar, deixando as roupas na ponta da cama e indo até si, colocando a mão em sua testa e resmungando baixinho e quase inaudível.

 --- Está com febre...- murmurou preocupado, afastando a mão e sentando ao seu lado.- Está com dor, algum enjôo...?

 Negou novamente e o Min pareceu compreender. 

 --- Tudo bem... Está com fome, frio?- perguntou e assentiu de leve.- Vista uma dessas roupas, eram minhas mas não preciso mais delas. - pegou na ponta da cama um conjunto de moletons, levantou e pegou a bandeja de comida, colocando no colo do outro.- Eu não sou muito bom em cuidar de pessoas, então... Se eu for grosso ou impaciente pode me falar.

 --- Uhum.- pegou o sanduíche que estava na bandeja e deu uma mordida.

 Estava faminto e nem sabia.

 --- Realmente esqueceu?- a pergunta veio com tom de preocupação é aflição. 

 O outro ficou em silêncio, sem saber o que responder. 

 --- Qual o seu nome?- perguntou o Min.

 Não sabia o que responder, não sabia seu nome.

 --- Isso não é nada bom, nada bom mesmo.- foi sincero e sentiu-se culpado de certa forma.- Seu nome é Park Jimin. 

 Park Jimin? Ele era esse Park Jimin? Sentia a cabeça latejar e apertou os olhos pela tontura.

 --- Park Jimin... - sussurrou e logo sentiu que realmente era seu nome.- Sim, meu nome é esse. 

 --- Não se force.- mandou o agente que imediatamente viu uma saída.- Jimin... Você sabe quem eu sou? Quem...- tirou o celular do bolso e abriu e sua galeria.- são esses?- mostrou as fotos do Kim e do Jeon.

 Jimin olhou aquela fotos e apontou para o Kim.

 --- T-taehyung? É esse o nome dele, certo?- perguntou inseguro e o Min assentiu.

 --- E o outro?

 Jimin olhou a foto e negou, não sabia quem era o outro. 

 --- Não sei... quer dizer... eu sei, só que... ele é familiar... mas, não é... - ficou confuso.

 Sentia seu peito apertar ao olhar aquela foto. 

O Min bloqueou o celular e fitou de forma dura o Park que encolheu com o olhar fixo. 

 --- Descanse, depois conversamos.

 {...}

 --- ... Então... É isso. 

 O Park ouvia cada palavra com atenção. Era estranho, ele reconhecia a maioria dos rostos mas não sabia a maioria dos nomes. Sua infância vinha em fleshes rápidos quando ouvia alguns nomes ou sílabas, mas eram todos cortados e não tinham tanta ligação entre si. Sabia que tinha um irmão, mas não sabia quem era. Sabia que tinha uma gata, mas não lembrava como ela era e muito menos o nome. Sabia que tinha pai e mãe, mas seus rostos eram embaçados, mesmo que lembrasse de seus nomes. Sabia que estava noivo, namorando ou ficando com alguém e este sequer sinal de imagem, nome ou sílaba para lembrar. Parecia que seu cérebro tinha apagado aquilo que mais lhe marcou na vida, um exemplo era a morte de sua mãe, sabia que ela tinha morrido mas não sabia o porquê. Tinha a consciência que estava esquecendo algo muito importante, algo tão importante que remoia e machucava o tempo todo como uma doença silenciosa. 

 --- Eu... realmente tenho todos esses poderes?- perguntou inseguro.

 --- Sim, tem, mas para os outros quero que finja que não. Acho que não irá lembrar de algumas coisas tão cedo, mas será mais seguro para ti, por enquanto, que não lembre de nada.

 --- Essa pessoa que está atrás de mim, quer dizer, está atrás do... Jeon?... ela me fez tanto mal assim?- perguntou preocupado e o Min assentiu.

 --- Por isso, vamos fazer um trato. Está claro que não lembra de tudo, que sua memória está voltando devagar, mas chegará uma hora em que não poderá ficar assim para sempre.- o Park afirmou.- Quando chegar a hora, deixe que alguém tente te fazer lembrar.

 --- Quem?

 --- Saberá.- assanhou os fios loiros e sorriu.- Quero que minta por enquanto e se faça de sonso por um curto tempo, será preciso para sua segurança.

 --- São aqueles homens maus que você disse que queriam me prender?

 --- Sim, eles e outras pessoas perigosas. Confie em mim, é melhor por enquanto.

 --- Tudo bem, Yoonie...- sussurrou e o Min sorriu.

 --- Ótimo, Jiminnie. 

 * 



 Seul| Coréia do Sul


 Jimin olhava para o Jeon com um pesar, fitando suas costas duras e tensas, andando rapidamente para qualquer lugar que seja e arrastando-lhe junto. Não tinham falando uma palavra um com o outro depois do beijo, o moreno parecia frustrado e percebia uma tristeza enorme em seu olhar firme, mesmo que as vezes vacilasse por um pensamento distinto ou talvez por uma pequena distração. O Park sentia os lábios formigarem, tanto pelo beijo, quanto pela vontade de falar tudo o que acontecia. Queria ter uma conversa civilizada com o outro, sem rodeios e culpa, sem frustrações ou interrupções, ele só queria entender. Apenas isso. 

 Pararam em frente à uma porta e logo o moreno pareceu relutar, mas não demorou tanto em suas dúvidas já que abriu a porta e encarou aqueles inúmeros agentes de cara fechada e prontos para tudo. Tudo para acabar com Jeon Jungkook. 

 --- Que bom que chegou, Jeon...- o homem da ponta da mesa falou sorridente. Jeon não retribuiu o sorriso. 

 --- Saiba que só estou aqui para avisar que essa reunião não irá ser para nada.- foi direto e deixou Jimin atrás de si. 

 --- Vamos conversar direito, Jeon. 0066 e 0083.- olhou para dois agentes que estavam sentados ao seu lado,  levantaram e andaram em direção ao Park. 

 --- Poupe seus esforços.- os agentes pararam imediatamente ao ouvirem as palavras duras do moreno.- Ele não lembra de nada, então não adiantará o usar para o que quer. Desista. 

 --- Adiantará.- foi insistente.- Temos um método que o fará lembrar de tudo. Não quer isso, Jeon? Que ele lembre? 

 --- Não.- suas palavras vinham cheias de raiva.

 Jimin por outro lado, sentia a agonia tomar seu peito com todos os olhares que recebia e também da conversa que claramente lhe envolvia. Sentia a mão do agente apertar seu pulso, todos os dedos pressionando sua pele com força e percebia o nervosismo do outro quanto ao assunto da conversa. 

 --- Não quer que ele volte para seus braços?

 --- Ele já está, não precisa de memórias para isso! Agora se me der licença, não tenho tempo para nada que envolva esse assunto, eu tenho um criminoso para prender e uma família para salvar.

 A conversa parecia ter encerrado, pelo menos se o agente chefe dali não tivesse levantado com calma e ficado em frente ao moreno. 

 --- Jimin fica.- ordenou o chefe e Jeon rangeu os dentes.

 --- Jimin fica... comigo.- levantou as sobrancelhas.

 Foi rápido.

 Tão rápido que o Park teve que piscar agitado pelo movimento rápido do moreno. Em apenas segundos, o moreno pressionava o braço no pescoço de seu próprio chefe e uma calibre 38 caia no chão junto com as balas que se desprendiam do cartucho. As duas mãos do de cargo mais alto estavam tentando segurar o braço que lhe enforcava contra a parede, os olhos encarando-se com ódio e fervor capaz de queimar quem estivesse perto daqueles dois. Todos ficaram atônicos e levantaram de suas cadeiras, tanto pela ousadia do chefe daquela agência, quanto da habilidade do agente Jeon em parar um ataque tão direto com rapidez. 

 --- Escuta aqui, você já está enchendo minha paciência.- Jungkook rosnou contra o rosto do outro.- Encoste nele e eu acabo com você.

 --- Está ameaçando seu superior, Jeon?

 --- Entenda como quiser, não sou eu que vai acabar na UTI dessa vez. Eu não confio em você, deveria saber disso há muito tempo, não acha? Ou você pensa que pode fazer minha cabeça como aquele maníaco que acha que faz justiça? Está muito enganado se pensa assim...- o chefe engoliu a seco.- Acredite, tem muitas pessoas aqui nessa agência que merecem estar no seu lugar.

 Soltou de forma bruta o outro que caiu de joelhos arfando, mesmo que o aperto não fosse o bastante para lhe tirar o ar, a firmeza que as palavras passavam e o frio perigoso - típico dos Jeon- eram completamente assustadores. O moreno apenas puxou o loiro assustado e bateu a porta com raiva.

Aquilo era o mínimo de seus problemas.

 --- Jeon, calma...- pediu sendo arrastado pelos corredores e logo pararam por ter puxado sua mão com força e feito o agente imediatamente paralisar no lugar.- Respira, você parece que vai explodir de raiva. 

 --- É porque eu vou!- respondeu segurando seus fios negros com a mão.- Eu não tenho tempo para cuidar disso enquanto tem um idiota que quer acabar com minha raça, muito menos cuidar de assuntos pessoais. Eu sou um prodígio, não faço milagres. 

 O loiro respirou fundo e fez Jeon lhe olhar nos olhos.

 --- Olha, eu sei que você consegue.- suas palavras saiam de forma sincera.- Me diga, um desses problemas sou eu?

 O moreno respirou fundo, e fechou os olhos.

 --- É.- respondeu com a mesma sinceridade.

 O menor deixou o incômodo que sentiu no peito e também a leve tristeza que lhe passou, de lado, focando-se no que tinha que dizer. 

 --- Eu resolvo.- Jeon levantou suas sobrancelhas. 

--- O que?- perguntou confuso. 

 --- Pegue o criminoso, acabe com a raça dele. Eu... eu cuido daqui.- Jimin foi firme e Jeon pareceu relaxar um pouco.

 --- Não, Jimin, você não entende... 

 --- Eu não preciso entender!- interrompeu fazendo o agente lhe olhar curioso.- Deixa... deixa eu te ajudar... eu sou um deles, sou um dos seus problemas e posso ajudar a não segurar isso tudo sozinho. Dessa vez eu que peço, confia em mim. 

 Jungkook suspirou, não convencido.

 --- Jimin, eu não quero que você se machuque.

 --- Isso é inevitável! - gritou afoito e o agente lhe fitou.- Confia em mim, por favor. Eu sei que acha que eu não consigo me proteger e talvez eu esteja realmente boiando nesses assuntos que você tanto quer resolver. Mas é por motivos meus também, eu quero saber mais, não quero ser um peso morto enquanto você está assim por minha causa! 

 Jungkook ficou em silêncio, surpreso. 

--- Confia em mim... acredite, eu quero tanto, tanto te ajudar...- abaixou o olhar sentindo seus olhos encherem-se de lágrimas.- Eu pareço fraco, e eu sei que eu sou! Mas eu queria tanto que você me entendesse, que você pudesse ler minha cabeça e tudo que eu sinto, eu queria tanto que você me mostrasse o que eu perdi, queria que você... queria que...- sentia as lágrimas caindo.- Eu queria que... eu queria conseguir falar tudo para você sem ter essa trava na minha cabeça! - confessou e sentiu a mão do Jeon limpar suas bochechas devagar. - Eu sei que sofre por minha causa, eu sei que fica triste as vezes, eu vejo! Eu não quero te ver assim, eu não gosto de te ver com essa voz cansada e triste, não gosto de ver que está à beira de chorar e não deixa sequer uma lágrima cair, eu não gosto que me exclua de sua vida quando eu sinto que sou parte dela.

 Levantou o olhar e encontrou o perdido do moreno.

 --- Eu não gosto que me esconda o que claramente é meu. É isso que eu tento falar todos os dias desde que eu vi você no corredor quando eu cheguei... Eu quero te ajudar, só isso...- murmurou sentindo o nariz gelado bater contra sua bochecha.

 --- Depois conversamos, tudo bem?- falou contra o rosto do outro e Jimin sentiu-se frustrado. 

 Não era exatamente tudo o que queria dizer. 

 Por que não conseguia? Droga! 

 --- Aigoo.- resmungou triste e fungando. 

--- Só quero lhe perguntar uma coisa, Jimin.- pediu fazendo o loiro lhe olhar nos olhos.- Você lembra?

 Jimin respirou fundo e negou, observando novamente aquele pingo de esperança apagar devagarinho.

 --- De você, não, mas eu quero lembrar, eu não sinto isso por nada.- conseguiu pela primeira vez falar algo que queria, enxergando pela primeira vez um pouco de felicidade nas íris do moreno. 

 --- Então... Depois conversamos, de verdade.- sorriu fraco e fez menção de se afastar, mas Jimin lhe segurou pela blusa.

 Não queria se afastar, achou aquele brilho no olhar do outro tão bonito, tão simples e tão alegre que sentia como se aquele olhar já fosse familiar.

 --- Quando você disse... que não iria mais me beijar... retire essas palavras.- mandou virando o rosto.- Eu de certa forma... preciso deles... Então retire!

 Jungkook encarou a face vermelha e sorriu discretamente, suspirando e puxando o queixo alheio. Deixou um selo carinhoso na testa do menor, logo depois em seu nariz pequeno e depois um selo rápido nos lábios. 

--- Retiradas.- sussurrou sabendo que o outro ouvira.

 Jimin sorriu agradecido, perdendo-se no olhar do Jeon e sentindo aquela sensação estranha no peito novamente, porém sabia que era algo bom. Jeon lhe fazia sentir apenas sentimentos bons e um deles era a segurança no olhar, o carinho intenso quando as mãos do mesmo encostavam em seu rosto e o leve cheiro de chá constante de sua pele. Com o intuito de mostrar seus sentimentos, mesmo que não pudesse usar palavras, pegou na mão que repousava em seu rosto e levou-a para seu próprio peito, onde o coração batia rapidamente.

 --- Está rápido, não acha?- Jeon sorriu com a fala do loiro e encostou a testa na sua. 

--- Imagina o meu.- murmurou fazendo o Park ficar envergonhado ao receber uma carícia leve no rosto com o nariz alheio.- Estou feliz, obrigado...

Eu também estou, pensou.

 Mesmo que não conseguisse dizer aquelas simples palavras, deixou-se sorrir e ser levado para onde deveriam ter ido há minutos atrás: Gangnam. 

 * 



 Gangnam| Coréia do Sul


 Jimin estava nervoso, na verdade, nervoso era elogio para o que sentia quando olhava para aquela mansão luxuosa em um bairro de Gangnam. Havia música alta- músicas clássicas e lentas-  e também muitas pessoas vestidas finamente, as mãos ocupadas com uma taça de champanhe ou vinho, alguns seguravam um copo de vodka ou Uísque caro. As mulheres usavam vestidos das mais caras marcas e os homens os mais caros ternos sociais que podiam, esbanjando a riqueza e mostrando quanto aquela festa de aniversário seria importante naquela noite. Aquela riqueza toda deixava o loiro nervoso ao extremo.

 Sentiu a Kim segurar seu braço e sorrir calma, mostrando que estava seguro com ela ali do seu lado. Andaram até a porta da mansão onde foram permitidos pelos guardas para que entrassem no lugar enorme, formando-se aos poucos, imagens de um baile luxuoso e rico, repleto de pessoas importantes e com os bolsos cheios de dinheiro. Era um baile de máscaras, ou seja, todos eram completamente desconhecidos pelo loiro, principalmente o Jeon que sequer sabia quem era. Suspirou aborrecido por não o encontrar e sentiu a Kim rir baixo. 

 --- Não fique tão apreensivo, ele está aqui.- suas palavras fizeram o Park assentir um pouco mais calmo.- Siga o plano. 

 --- Uhum.- concordou andando com a Kim pelo salão quase lotado.- Estou nervoso... 

 --- Não vou dizer que não deveria estar pois nosso anfitrião já está com os olhos em você.- afirmou deixando o Park agora mais apreensivo.- Mesmo sendo arriscado, é um bom plano... enfim, boa sorte.

 Soltou o loiro e afastou-se para outro lugar daquele imenso salão de festas, deixando-o sozinho naquele lugar cheio de pessoas desconhecidas. Andou calmamente pelo lugar, observando as pessoas e suas máscaras, todas tão belas e aparentemente bem de vida que, de certa forma, tinha certeza que todo aquele luxo era para causar inveja. Era só seguir com o plano, só isso. Assustou-se quando duas mãos rodearam sua cintura e um queixo descansava no seu ombro, dando espaço para a barba e o nariz roçar em sua pele. Engoliu a seco, afinal, tudo estava indo bem. 

 --- Não sabia que trabalhava como bonequinha de luxo, Park Jimin.- ouviu o sussurro e segurou a vontade de revirar os olhos. 

 --- Como sabe meu nome?- fingiu uma voz apreensiva e recebeu uma risada malvada. 

 --- Quer dançar?- Jimin negou.- Dance.

 Por que foi concordar com aquilo mesmo? Virou-se colocando as mãos nos ombros alheios e sendo aproximado com mãos na cintura e um rosto perto do seu, dançando calmamente no meio de outras pessoas. Metade do plano já tinha sido um sucesso. 

 --- Pergunto-me onde está seu guardião que tanto todos falam... ele está aqui?- perguntou de forma venenosa. Jimin negou.

 --- Ele não sabe que sou uma boneca de luxo.- mentiu negando-se à olhar para o anfitrião.

 --- Entendo. E aquela garota, quem era?

 --- Minha cuidadora na agência, tão suja quanto eu.- falou sentindo o aperto em sua cintura.

 --- Ótimo, pois aproveite sua última noite Park, espero que não esteja com a consciência pesada, meu amor.- murmurou rente ao seu ouvido. 

 O loiro engoliu a vontade de pisar no pé alheio com força até que quebrasse os ossos, mas manteve-se neutro com as palavras e respirou fundo de forma nervosa.

 --- Onde eles estão?- perguntou rapidamente e o anfitrião lhe olhou.

 --- Eles quem?

 ---  A família do terrorista, onde ela está?- perguntou firme e recebeu um beliscão por cima das vestes.- Aí! 

 --- Estava mentindo esse tempo todo?

 --- Não, apenas soube que os sequestrou, um dos filhos dele é cego, apenas estou preocupado.- o aperto ficava ainda maior. 

 --- Por que acha que diria à você?- frisou retrucando com maldade as palavras do menor. 

 --- Pois eu tenho o poder de avisar ao meu segurança se não me disser.- não sabia de onde tinha tirado aquela coragem. 

 --- Diga à Deus que não verei seu reino tão cedo.- o loiro tremeu.

 --- Se irá me matar, diga onde eles estão. Há crianças nessa situação, isso é desumano!- sentiu o cano da arma em seu estômago. 

 --- Acha que eu ligo quando tenho dinheiro no meu bolso? 

 Jimin sentiu raiva, não deixando barato aquelas palavras quando pisou fortemente no pé alheio e ouviu um estralo algo, tinha certeza que alguns dedos ele quebrou. O anfitrião se curvou pela dor e soltou o menor por reflexo, pegou a arma e apontou para o loiro, pronto para apertar o gatilho se não fosse um som alto e um cano frio encontrar sua nuca em questão de segundos. Paralisou.

 --- Uma pena seu dinheiro não ser o suficiente para pagar a fiança.- ouviram a fala do moreno mascarado e logo o acessório ser retirado com calma, assim como o de algumas pessoas ao redor. 

 --- É um mentiroso de mão cheia, não é Park?- Jimin endureceu o rosto e trincou o maxilar.

 --- Não iria mudar nada de qualquer forma.- devolveu observando o Jeon rir soprado.- A burrice é sua de acreditar e não minha.

 --- Que insolente!- rosnou ouvindo a tranca da arma do agente ser destravada. 

 --- Venha comigo, Osan, temos uma longa conversa depois daqui.- mandou não se importando quando o mesmo tentou fugir e segurou em sua blusa.- Para onde vai? Estamos longe de terminar.

 --- Fosse você me soltava. 

 Após as simples palavras, ouviram várias armas serem erguidas e destravadas. Todos do salão estavam completamente armados, um com o cano apontados um para o outro. Jeon ficou imóvel, ainda não soltando o outro que ria de sua expressão séria quanto à situação. Porém, não era como se aquilo não fosse previsto. Soltou devagar Osan e este apontou a arma para o Park, esse que ainda se mantinha no lugar um pouco assustado. 

 --- Eu fui muito bem pago para acabar com esse garoto, sabia?- Osan riu ainda manco e sentindo o cano gelado do agente na nuca.- Aquele mascarado estranho era um bom negociador. 

 --- Ele te induziu à matá-lo, não foi o único.- o agente falou de forma preguiçosa e abaixou a arma que segurava.- Mas você viu proveito nisso, é o único criminoso até agora que não fora inocente em seus atos.

 --- Aqueles eram homens tolos.- riu destravando seu gatilho e pronto para atirar no Park.

 --- Na verdade, não acha que eles foram o alvo mais difícil? Em hipótese, se não fosse um fator pessoal, como suas famílias, todos iriam recusar. Ele certamente teve bastante trabalho para pesquisar cada um deles, menos você. Você foi tão fácil que ele nem precisou pensar em te pedir, como se você fosse apenas uma mera peça sem importância, tanto que sequestrou inocentes por pedido dele. A única informação que ele precisou foi saber que odiava aquele terrorista para fazer sua cabeça com apenas um pedido... ah é claro! Por dinheiro também! - Osan olhou para o Jeon com ódio, apontando a arma agora para ele.- Ainda acha que eles que foram os tolos? Para mim, o único ignorante aqui é você. Aposto que nem sabe o porquê dele ter te pedido! Na verdade, estou bastante curioso para saber, o que será que ele usou contra você? 

 Osan por um momento tremeu, concentrado agora em querer estourar cada um dos miolos daquele agente tagarela e com sorriso prepotente. Não era como se não fosse previsto, afinal. 

 --- Você fala tanta besteira...- apertou o gatilho, contudo nada saiu.- O que...- bateu na arma em suas mãos e verificou os cartuchos, não havia nada.- Atirem!

 Todos apertaram os gatilhos, porém nenhum som foi ouvido. A não ser, é claro, o dos resmungou incrédulos. Jeon sorriu levantando um pequeno saco e jogando no chão milhares de balas e cartuchos cheios, deixando cada um ali surpreso e principalmente pela garota que apareceu com máscara e com mais dois saquinhos cheios de balas novinhas. Osan rangeu os dentes, inconformado, observando o Park andar calmamente para o lado do agente.

 --- Fiz tudo direitinho, oppa!- a Kim falou tirando sua máscara sorrindo.

 --- Muito obrigado, Dae.- Jeon levantou sua calibre 38 e apontou para o criminosos que imediatamente levantou as mãos.- Diga onde eles estão Osan, não tem mais como escapar de mim. 

 --- Você se acha muito esperto.

 --- Eu sou.- respondeu quase que imediatamente, mostrando o pulso com um pequeno relógio.- Tanto que tenho cinco minutos até que a SWAT chegue e invada esse lugar. 

 Apenas com aquela frase, fez todos os convidados saírem correndo pelas portas e alguns até pularem janelas. Osan estava só, dessa vez. 

 --- Idiotas!- berrou raivoso enquanto a Kim prendia seus pulsos.

 --- Estava blefando, não se preocupe, a SWAT já estava nos esperando.- Jeon riu segurando a gola do criminoso.- Eu espero mesmo que você não tenha feito nada à aquela família, ouviu? 

 A ameaça foi explícita na fala, fazendo o criminoso tremer de ódio.

 * 


 Osan olhava para aquelas duas facas na mesa enquanto suas mãos estavam presas em correntes de aço, praticamente coladas aos pulsos, não sendo diferente com seus tornozelos presos na cadeira de ferro. O branco da sala estava lhe deixando inquieto, a luz do quarto machucava seus olhos desconfiados. A porta tinha aberto e o Jeon entrava com uma blusa branca de manga longa e arregaçada até os cotovelos, as mãos enfiadas nos bolsos na calça jeans e os cabelos negros caindo na testa com as pontas molhadas, denunciando que tinha acabado de tomar um bom banho. Andou até certa distância na mesa e riu, porém a risada vinha com um tom sutil de deboche. 

 --- O que é engraçado? 

 --- Que chegue tão baixo por dinheiro, mesmo que nesse momento ele não valesse tanto à pena assim.- tirou as mãos dos bolsos e pegou uma das facas.- Quanto ele te pagou?

 --- Não te interessa.- respondeu reconhecendo que uma das facas e eram suas. 

 --- Fosse você teria mais respeito comigo, minha paciência hoje está como nos meus primeiros anos de agente. Sabe, adolescência nos faz pessoas imediatistas e imaturos, deve ser por isso que tenho minha ficha cheia aqui.- sua voz saia como se estivesse brincando, porém sabia que estava deixando o criminoso à sua frente cada vez mais nervoso.- Repetirei a pergunta, quanto ele te pagou?

 Osan apertou os nós dos dedos, segurando-se para não demonstrar seu nervosismo.

 --- 1.000.000 wons.- Jeon riu alto. 

 --- Em que mundo achou que ele lhe daria tanto dinheiro?- falava enquanto segurava o riso. 

 O criminoso sentiu-se incomodado, havia algo muito errado com aquele interrogatório. 

 --- Ok, vamos para as próximas perguntas. Como ele te contatou? - perguntou e o criminoso respirou fundo. 

 --- Ele veio até mim.- respondeu e Jeon levantou as sobrancelhas.

 --- Onde? Quando? Como ele era?- perguntou pegando a outra faca da mesa.- Não mascare detalhes, por favor. 

 --- Na minha mansão, à algumas semanas, não fui avisado de sua chegada e muito menos pude ver seu rosto. Conversamos no meu escritório e lá o Justiceiro estava de costas junto com mais três pessoas mascaradas, elas tinham asas de brinquedo nas costas e levavam consigo uma mala com o meu dinheiro.- frisou que seu dinheiro estava naquela mala e Jeon assentiu para que ele continuasse.- Ele disse que um dos meus inimigos estava lutando por esse dinheiro e que não merecia, então mandou que eu pegasse o serviço e ganharia a possibilidade de me vingar deste. É lógico que eu aceitei.

 Jeon ficou calado e logo suspirou. 

 --- Se eu dissesse que não, nenhum deles estava atrás desse dinheiro e sequer sabiam dessa quantia. Você acreditaria?- Os olhos do agente fixaram nos do criminoso que sentiu um arrepio e um mal pressentimento.- Como eu suspeitei, você é um ignorante que sequer sabia do porque dessa imensa situação. Porém o fato de você ter se vendido por um dinheiro que nunca iria ficar em suas mãos... ainda mais machucando a família de um inocente até o momento... digo que sua situação não é a das melhores.

 Um silêncio incômodo ficou naquela pequena sala. 

 --- Meu filho... 

 --- Seu filho está bem, sairá da prisão em um ano no mínimo por ser pego com maconha e uma família totalmente amarrada e sequestrada no porão!- sorriu dolorido observando o corpo inteiro de Osan resetar.

 Novamente, silêncio.

 --- Sabe o que é pior? Ele não mascarou nenhuma verdade até agora, o que diminuiu sua pena um pouco. - riu apertando as duas facas, uma em cada mão. -  Falou com detalhes tudo o que fez com o garotinho e do aborto que forçou a mãe ter. 

 Osan agora estava com medo.

 --- Agora, me diz, um motivo! Só isso, um motivo para fazer tudo isso sem ser essa sua natureza doente.- a voz estava dessa vez assustadora e raivosa. 

 Novamente, silêncio. 

--- Tudo bem, vou considerar essa sua covardia como um pedido de desculpas para a mulher do terrorista e também para ele e o filho.- apertou ainda mais as facas em suas mãos.- Sabe... saber disso tirou totalmente minha paciência. 

 O corpo do criminoso havia congelado. --- Vou te contar uma história. - Osan negou.- Quando eu tinha meus dezessete, dezoito anos, eu já saia em missões perigosas e pelas minhas atitudes eu era considerado " o Diabo". Estranho, não é? Ser considerado um ser tão mal quando se fazia o bem... Porém, caso não saiba, eu sou um dos Jeon, aqueles agentes sangue frio que todos falam por aí. E um dos motivos para que me chamassem de Diabo é que... eu não tinha muita pena quando tiravam minha paciência. Até hoje, não tenho muita quando isso acontece. E você pegou o dia em que eu estava tão cheio, mas tão cheio... 

 Sem dó alguma, Jeon enfiou as duas facas nas mãos alheias. O grito de Osan ecoou por todo o quarto branco, os respingos de sangue foram para as suas roupas laranjas de prisioneiro. 

 --- Eu estou tão cheio de tipos como você... Tanto que vou te dar um brinde do que os da minha época receberam quando tiravam minha paciência. Então, escute bem.- ficou sério olhando para o rosto contorcido do criminoso.- Você pode sair daqui livre, pode ter sua vida de volta, pode até mesmo conviver com cada ato nojento que fez, mas saiba que...- mexeu a faca da mão esquerda, ocasionado um grunhido de dor de Osan.- Quando você entrou na minha mira, pode ter certeza que vou fazer de sua vida livre ou presa um verdadeiro inferno!

 O agente se afastou e deixou ambas as facas cravadas ali. 

 --- Não se preocupe, não acertou nada de importante. Apenas uma lembrança do que acontece quando alguém resolve encher meu saco.- cruzou os braços e escorou na porta. - Adeus, Osan. Bem vindo ao Inferno.

 Saiu da sala batendo a porta.

 *


 --- Droga!- levantou com raiva já pronto para jogar seu computador no chão.

 --- Jin, você não vai conseguir, ele renova a senha a cada três segundos. Esse tipo de software é uma merda.- Jongin falou para o filho que já tentava por três dias entrar naquele maldito site.

 --- Eu tenho que conseguir essa senha, nem que seja pela sujeira da Internet!- Jin bufou sentando em sua cadeira e pegando as informações novas que o Jeon pedira.

 Paralisou e ficou olhando cada uma das contas que conseguiu pegar.

 --- Pai... Quais são as chances de um idiota estiver tentando fazer um jogo comigo?- olhou para a tela naquele momento desligada. 

 --- Muito altas.

 --- Chame o Jeon, acho que teremos que brincar também.

 *



 Jimin sorriu para o menininho que dedilhava seu rosto com os dedos pequenos e ria das suas caretas toda vez que enrugava o rosto. Namjoon examinava a mulher abatida e a Kim tentava acalmar o terrorista raivoso e choroso. Ouviram as portas de vidro abrirem e o Jeon entrar sem expressão alguma naquele laboratório, suas mãos formavam punhos e o maxilar estava trancado. O agente foi em direção à Namjoon e falou algo em seu ouvido, apenas recebendo um aceno e olhando os exames que tinham acabado de sair.

 A mulher estava apreensiva, tremendo a cada cinco segundos e preocupada com o estado do marido e do filho pequeno, somente sabia que havia sido resgatada pela garota de cabelos morenos e pelo garoto loiro que brincava com seu menino. Milhares de coisas passavam pela sua cabeça, sua vida nunca fora fácil, ainda mais sendo mulher de um terrorista e tendo um filho com deficiência visual, mas até aquele ponto, nada tinha lhe deixado tão assustada quanto o que sofreu naquele porão. Sabia que existia pessoas más no mundo, mas nunca daquela maneira. Olhou para o agente moreno que conversou consigo antes de tudo aquilo e percebeu o seu estado de nervosismo, provavelmente por ter acontecido algo.

 --- Não há nada de anormal, seu organismo não está alterado e está tudo nos conformes. Eu sinto muito...- Namjoon se curvou lentamente e a mulher soluçou.- Recomendo uma boa alimentação e muito líquido, seu útero ainda está um pouco inflamado e temo que possa piorar.- deixou os exames na mesa do laboratório e deixou o outro agente sozinho com a mulher chorosa.

 --- Eu realmente sinto muito, de certa forma fora tudo minha culpa. Me perdoe...- Jeon se curvou lentamente como Namjoon e respirou fundo.

 A mulher levantou com cuidado e fez Jeon ficar com a coluna reta, o abraçou com cuidado e deixou o agente confuso com aquele ato. Ouviu soluços contra seu peito e suspirou, levando as mãos calmamente para o cabelo desgrenhado dela.

 --- Realmente sentimos muito...- sussurrou pesaroso e a mulher assentiu contra seu peito.- Faremos o possível para que fique em segurança até seu marido sair, tudo bem? - novamente um aceno e um soluço alto.- Quer falar com ele antes? 

 Ela se afastou devagar e limpou o rosto com as costas das mãos, correndo até o marido e o abraçando com força. Ambos conversando baixinho no ouvido um do outro. A Kim andou ate o Jeon percebendo o mesmo preocupado e chegou perto de seu ouvido.

 --- Eu soube do que fez com o Osan... oppa, você é assustador as vezes, mas não é malvado.- e saiu até o Pai.

 O agente apenas suspirou alto e foi até Jimin e o menino risonho no canto do sofá do laboratório. Abaixou devagar e ficou na altura do pequeno, recebendo mãozinhas em seu rosto. 

 --- Senhor Jeon?- ouviu a voz do menino e sorriu fraco.

 --- Sim, sou eu. Já está melhor?- perguntou e o menino assentiu.- Estou muito feliz com essa notícia, sabia?

 --- O Senhor Kim disse que enfaixou meu pé bem e que foi apenas uma torção leve. Em breve vou poder correr pelo quintal e brincar com o Senhor Jimin!- respondeu fazendo Jeon olhar para o loiro e sorrir. 

 --- Com toda certeza vai.- assanhou os cabelos do garoto.

 --- O senhor é meu herói!- Jeon olhou para o garoto surpreso.- Quero ser que nem você quando crescer! Vou cuidar da omma e combater bandidos assim como você!

 Jungkook riu contido e balançou a cabeça assim como o Park que ficava admirado com cada fala do menino. 

 --- Eu não duvido, tenho certeza que será um ótimo agente secreto que nem eu. Mas lembre-se, isso é um segredo... - o menino fez sinal de silêncio e sorriu.- Está na hora de ir, pirralho.

 Pirralho. Jimin olhou para o Jeon e ficou confuso, uma sensação se apossou de si e ficou nervoso. 

 --- Aigoo! Eu queria brincar mais com o senhor Jimin! 

 --- Não quer ajudar sua omma?- perguntou e o menino ficou em silêncio.

 --- Quero... onde ela está?- Jeon pegou na mão do pequeno e o levantou com cuidado.- Eu posso ir sozinho?

 --- Se for direto, sua mãe estará lhe esperando.- Jimin que respondeu dessa vez e apenas ganhou um aceno.- Tchau...

 --- Tchau, Senhor Jimin!- o mesmo falou enquanto andava devagar mancando um pouco e indo para os braços da mãe. 

 Jeon ficou olhando o menino e suspirou alto, enquanto abaixava a  cabeça e fazia menção de levantar. Contudo, a mão do Park segurou a sua e logo os braços alheios foram para seu pescoço em um abraço calmo.

 --- Eu sei que quer chorar...- Jimin murmurou e Jeon ficou em silêncio, devolvendo o abraço de forma carinhosa e também um pouco apertada.- Eu falei que ia te ajudar, não falei?

 --- Aconteceu o mesmo com minha mãe...- Jimin apertou o agente contra seus braços e apenas recebeu um fungado baixo.- Eu só estou um pouco cansado...- falou contra os cabelos loiros. 

Estava na verdade exausto.

 O Park apenas fechou os olhos e ficou ali com o Jeon até que o mesmo parecesse mais relaxado. Ambos apenas afundando no pescoço um do outro e ouvindo a respiração pesada do moreno. 

 --- Vamos para casa.- Jimin falou sentindo sua própria pele arrepiar com aquelas palavras.- Eu vou... pegar minhas roupas que estão no seu escritório. 

 --- Jimin... 

 --- Eu volto logo!

 Correu para fora do laboratório e respirou fundo por sentir uma leve falta de ar. Andou até o elevador e apertou no andar do escritório do moreno. Seu coração estava batendo na garganta e  sua mente latejava, acontecia sempre que tentava lembrar de algo e tinha certeza que o agente já tinha lhe chamando daquele modo: Pirralho. Uma imagem se formava na cabeça a cada segundo, era um lugar com móveis e totalmente familiar. Se apostasse, sabia cada cantinho escondido daquele recinto. Apenas sorriu e sentiu uma saudade inundar seu  peito, em silêncio, ouvia vozes baixas e risadas felizes, ouvia frases sussurradas e de certa forma sentia uma tristeza quando percebeu que lembrava o nome de sua gatinha e a imagem de Jeon em alguns flashes rápidos, este sempre ao seu lado sorrindo ou explodindo em emoções que jamais poderia ver no agente de agora.

 Jungkook. 

 Jungkook guardava consigo as partes que faltavam. E eram tantas. Mas com aquelas pequenas que já lembrava aos poucos sabia que o moreno era importante para si, importante o bastante para que o sentimento antigo se alastrasse por todo o seu corpo, queria gritar, falar, abraçar, chorar, rir, amar com o moreno. Seu corpo naquele momento estava inquieto, o único que rondava seus pensamentos era Jungkook e somente ele, que ele era a salvação de suas memórias. Lembrou do beijo e já sentia o ar faltar e as lágrimas querendo tomar conta de seus olhos. Tudo ao redor parecia sensível demais, na verdade, até ele mesmo parecia sensível demais. Fungou por lembrar de algumas palavras tolas e de promessas idiotas do moreno, e soluçou por perceber que foi frio ao tratar o mesmo como se não o conhecesse, como lhe partiu o coração pensar que poderia te-lo feito chorar.

 Ele lembrava, não de tudo, mas lembrava. Queria tanto apertar o botão do elevador e voltar para os braços do agente, pedir que ele lhe fizesse lembrar de tudo com mais clareza e não aos pedaços, implorar para que não se afastasse mais de si. Ele queria saber o resto de sua história. Agora sabia o que o Min queria dizer com toda aquela conversa, ele só precisava de um empurrãozinho para deixar de ser aquele que não sabia de nada, aquele que sequer tinha idéia que estava envolvido até o pescoço naquela confusão sem fim. 

 Ouviu as portas abrirem, já limpando o rosto rapidamente e saiu andando até a porta do escritório, contudo, um arrepio cortou sua espinha e parou antes mesmo de abrir a porta. Estreitou os olhos e percebeu uma sombra bem atrás de si. Virou-se segurando a gola de quem quer que seja e empurrou para o outro lado do corredor. Empurrou seu braço no pescoço alheio e olhou nos olhos de alguém. Aquela ação fora quase automática.

 --- Quem é você?- perguntou de forma ameaçadora. 

 --- Parece que realmente foi treinado para ser um agente, não é?

 --- O que está falando? Quem é você?!- apertou o braço contra o outro e ouviu um engasgo. 

 Aquela voz era familiar.

 --- Te escondem muita coisa, não é? - riu e Jimin percebeu que o mesmo estava mascarado. - Deveria ouvir meu conselho e ter cuidado com aquele seu namoradinho.

 Jimin sentiu os olhos queimarem de ódio. 

 --- O que?- já trincava o maxilar e suas mãos tremiam.

 --- Ainda acha que ele apenas quer brincar com o Jeon por meio desses mistérios? Ele quer muito mais, quer o Jeon louco, insano! Tanto que se perceber, cada um dos casos está mexendo com a vida pessoal dele... Você foi o primeiro passo para tudo, é bom ter cuidado Park, acha que seu namorado dá conta dessa vez?

 Aquilo doeu, ninguém falava de Jungkook daquela forma, não na frente dele.

 --- Olha aqui, se machucarem o Jungkook eu acabo com a raça de cada um de vocês!- rosnou sem medir a força no braço e fazendo o mascarado engasgar com o próprio ar.- E eu tenho força suficiente para isso...

 --- F-fique ciente... J-jeon Jungkook morrerá...- já começava a se remexer sem ar.

 --- Se isso acontecer, você será o primeiro a ser morto com um ou dois braços a menos.

 Ambos ouviram o elevador abrir e Jimin se assustou quando viu vários agentes saírem pelas portas metálicas. Quando menos percebeu, o mascarado não estava mais contra a parede e os agentes passavam calmamente conversando assuntos banais. O loiro olhou para os lados afoito e bufou raivoso. Ele conhecia aquele mascarado, já tinha ouvido sua voz e seu físico era familiar. Tremeu em ódio, já amaldiçoando não lembrar nada numa hora dessas. Bateu o pé nervoso quando as portas fecharam. O mascarado havia fugido. 

 --- Que ódio!     


Notas Finais


Gente eu queria ter colocado mais coisas, mas o capítulo ia ficar muito longo, meu deus eu nunca ia parar de digitar esse capítulo nunca mais kkkkkk
Mas tá aí, terminei! Espero que tenham gostado e esperem a ação começar de verdade no próximo e essa dupla pegar fogo nesses mistérios.

Quem acha que o Jimin vai ficar putasso e vai proteger Jao cu?
Quem acha que Jao cu vai ficar putasso e vai dar a loka?
Quem tá esperando Taeyoonseok até hj?

Vai ter pessoal, calma que falta os lemons acontecer ainda kkkkkk vai ser bom, prometo :3

Agora vou novamente avisar, prestem atenção nos detalhes!!!!!

Gente nem o Jungkook prestou atenção em um negócio que eu deixei explícito já! Participem e pensem comigo hihihi...

Até mais meus bombons 💕


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