1. Spirit Fanfics >
  2. Romance 101 >
  3. Capítulo Único

História Romance 101 - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


bakugou fanart © artthetrash | tumblr
1. todoroki fanart © swascakes | twitter
2., 3., 4., 5. todoroki fanart © PIXIV ID: 69252091

e chocando absolutamente ninguém aqui estou eu postando mais uma tdbk pois o combustível da minha vida é escrever comédias românticas de qualidade questionável desses dois

Capítulo 1 - Capítulo Único


1.

Levou mais convencimento do que Katsuki previamente havia antecipado para que sua mãe largasse do seu pé de vez e aceitasse que ele iria ficar mais um final de semana na academia. A pior parte era que ela não aceitou por conta da vontade dele e sim porque o Santo Cabelo de Merda ouviu a gritaria do quarto dele, entrou no seu e convenceu Bakugou Mitsuki ele mesmo ao soltar apenas uma de suas risadas calorosas. 

A mulher ficou tão abismada quanto encantada com a perspectiva de Katsuki possuir um amigo tão adorável e que se importava com o filho endiabrado dela tão carinhosamente — palavras dela, não dele. Ela até esqueceu em dez segundos qualquer protesto que havia feito e desligou a chamada sem nem ao menos hesitar. 

Katsuki não sabia se ficava mais puto ou aliviado com isso. Mas, bem, estava feito e ele tiraria o melhor proveito disso para conseguir surpreendê-lo

Uma parte da sua consciência, talvez a racional, ainda estava incrédula que Katsuki realmente havia seguido em frente com aquela ideia considerando a origem duvidosa e com certeza não bem-vinda dela. Entretanto, essa parte era sufocada com um travesseiro por outra constante naquela equação; uma bastante perigosa e que Katsuki nem ao menos possuía conhecimento da existência dela até entrar naquela bendita escola: a — e ele poderia morder a própria língua a ter que admitir isso em voz alta — apaixonada. 

Às vezes na calada da noite, quando seus pensamentos falavam mais alto que os roncos do Cabelo de Merda, Katsuki ponderava sobre como sua mente deveria parar de dar audiência e criar um filtro para as opiniões daqueles figurantes que viviam o rodeando. Contudo, outras vezes, na maioria delas se estivermos sendo sinceros, Katsuki perde mais tempo que o necessário imaginando coisas demais e cogitando a probabilidade que eles possam estar certos. 

Resumindo: chegou aos ouvidos dele (lê-se: literalmente jogaram na sua cara como se eles tivessem direito de julgar a sua vida e suas ações) que ele não era alguém romântico com Shoto — como se o próprio Todoroki fosse a fonte de todo sentimentalismo daquele século. Não entendia essas implicâncias; Todoroki nunca reclamou sobre isso com ele e Katsuki mesmo não se importa. Mas, ao final do dia, sua mente era traiçoeira e, como tal, ele acabou por fantasiar os mais diversos cenários e seus E Ses em que talvez o Todoroki não estivesse feliz ou satisfeito o suficiente.

Com isso em mente, foi inevitável ele dedicar mais um dos seus finais de semana na U.A. Já era o terceiro seguido, porém o primeiro em que ele parava de inventar desculpas esfarrapadas e admitia a si mesmo que a razão era puramente por conta do Meio-a-meio de personalidade estóica e uma habilidade inquestionável de prendê-lo com apenas um mísero olhar.

Portanto, tudo isso acabou culminando em dedicar boa parte do final de sua manhã daquele sábado na cozinha. Quando desceu e passou pela sala comunal, soube que as poucas cabeças que estavam ali logo notaram sua presença. Com Sero sendo uma delas, Katsuki tinha certeza que ele iria tirar proveito da situação em algum momento futuro para provocá-lo quanto a isso. E apesar de normalmente a atenção ser bem-vinda e muito apreciada, naquele dia em específico Katsuki não estava muito no clima para uma audiência. 

Seu processo de culinária demandava cem por cento de sua atenção, mas saber que os figurantes da sala poderiam ouvir, ou pior, sentir o cheiro de suas futuras e nenhum pouco humildes obra-primas o deixava um tanto desconfortável, para não dizer constrangido. Ele não exatamente estava acostumado a mostrar seus dotes na cozinha enquanto estava na Heights Alliance. No máximo algo rápido para si mesmo se estivesse com alguma vontade que não era suprida na Lunch Rush Cafeteria. Nada mais, nada menos. 

E esse era apenas mais um indicativo de como ele estava dedicado àquela missão.

Em determinado momento, Koda, um dos quais se encontravam na sala, adentrou o cômodo. O que por si só não era nada demais; afinal, aquela era uma área comunitária e de livre acesso. Contudo, Katsuki podia notar que ele estava se demorando e tomando o tempo dele enquanto abria a geladeira, pegava a jarra d’água e continuava todo o processo seguinte. 

A presença do colega de classe fazia Katsuki sentir-se enervado, porém ele não sabia ao certo o porquê. Olhando por cima do ombro, conseguiu detectar o exato momento em que Koda pairou por cima dos dangos que havia preparado e estavam sob a ilha no meio da cozinha; curiosidade e sobretudo anseio sendo as principais emoções enfeitando seu olhar.

Seu primeiro instinto foi de começar a gritar; até puxou o fôlego e tudo. Porém, se parou e considerou que se fizesse algo do tipo estaria arriscando atrair ainda mais atenção para si e os figurantes da sala com certeza iriam até a cozinha para saber o que havia acontecido. Apesar de seus gritos não serem exatamente novidade, mas direcionados à Koda e na cozinha ainda por cima com certeza levantaria perguntas. 

À fim de distrair-se, ele pegou seu celular com o intuito de checar as horas. Vendo que eram um pouco mais que uma e meia da tarde, constatou que Todoroki logo, logo chegaria. Quando não passava o final de semana treinando, ele saía com seus irmãos mais velhos. Às vezes até iam visitar a mãe deles, o que deixava Todoroki de bom humor. Porém, em outras, Endeavor também ia com eles, o que não exatamente apetecia ao caçula. Ele não saía por aí explodindo as coisas e xingando aos quatro ventos como Katsuki, mas as sutis mudanças em sua expressão e na forma como se portava eram indicativos suficientes para que Katsuki detectasse sua irritação. 

Katsuki só poderia esperar que o humor de hoje fosse a primeira opção. 

Foi então que ele ouviu, “Eles parecem deliciosos.” 

Katsuki virou a cabeça tão rápido que quase pôde senti-la saindo de seu pescoço. O aperto em volta de seu celular se intensificou assim como sua carranca. Koda pareceu constrangido, mas Katsuki não se apiedou e continuou a encará-lo. Talvez pudesse ficar até segunda-feira nisso, porém algo chamou sua atenção e safou Koda de ainda mais constrangimento. 

Da sala, ele pôde ouvir o barulho da porta da frente se fechando e logo ele estava deixando de lado qualquer hostilização para cima de seu colega de classe para colocar os dangos e um chá verde gelado, os últimos itens restantes, dentro da cesta que também estava sob a ilha. Era simplesmente uma cesta de piquenique normal como qualquer outra, mas ainda assim um grande ato de mortificação ter que segurá-la em suas mãos enquanto esperava o alvo dela passar pela cozinha, pois nem morto ele iria até a sala com ela em mãos. 

Como esperado, a figura de Todoroki atravessou a sala e quase seguiu direto até o elevador não fosse por Katsuki ter o chamado em uma espécie de sussurro berrado.

O dito cujo virou-se para ele um pouco surpreendido. 

“Bakugou,” disse ele com a voz suave e carinhosa. Katsuki odiava o efeito que seu nome surtia nele mesmo quando era Todoroki quem o dizia. 

A inexpressividade do rosto do mais alto ganhou um meio-sorriso para enfeitá-la quando ele olhou para Katsuki e esse notou pela falta dos lábios crispados e cenho levemente franzido que a manhã dele foi fortunosa. O que consequentemente era uma boa notícia para ele.

“Vamos comer lá fora,” ele soltou, não exatamente querendo que soasse tanto como uma ordem, mas sem ter o que fazer já que não podia voltar no tempo e retomar o que disse. 

Todoroki, então, pareceu notar a cesta que Katsuki segurava à sua frente pela primeira vez. Seus olhos permaneceram nela por um momento estendido e Katsuki podia praticamente ver as engrenagens do cérebro do outro tentando fazer sentido a sua ação. Ficou calado, pois conhecia Todoroki o suficiente a essa altura do campeonato para saber como ele era quando algo o pegava de surpresa. 

Após o que pareceram décadas, o outro finalmente levantou o seu olhar para encará-lo mais uma vez e simplesmente disse, “Eu já comi.”

Foi a vez de Katsuki ser pego de surpresa e ficar sem palavras. De todos os cenários que estava imaginando sobre esse momento, esse com certeza não era um deles. 

“Não, eu quis dizer—” Como um encontro, era o que ele iria tentar explicar, mas Todoroki o cortou.

“Vou subir agora. Mais tarde a gente se fala, tudo bem?” Ele, então, se aproximou e acariciou o topo de sua cabeça em um ato terno e depois deu as costas para ele, voltando para o seu caminho anterior até o elevador.

Definitivamente não estava tudo bem e Katsuki ia fazer seu descontentamento de conhecimento ao outro, e possivelmente para todos os outros prédios da Heights Alliance também, quando o elevador se abriu e Ashido e Hagakure saíram dele. Ambas cumprimentaram Todoroki enquanto passavam por ele e, assim que ele as respondeu, soltaram risadinhas e continuaram a andar ao passo que Todoroki adentrava no elevador, colocava o seu andar e partia para o seu quarto como se nada demais tivesse acontecido. 

Mas havia. Ah, se havia!

Seu maxilar trincou tão forte que provavelmente estava ficando com o rosto vermelho. Katsuki comprimiu os lábios enquanto sentia um grito se formando em sua garganta e achando seu caminho para fora a qualquer momento. 

Até que escutou atrás de si um, “Posso comer os dangos?”

Em vez de um grito, foi um grunhido frustrado e raivoso que saiu de seus lábios. Entregou a cesta nas mãos de Koda sem nenhuma delicadeza e pôs-se a sair pisando duro escada acima; irritado demais para ficar ali esperando o elevador e arriscar explodir qualquer um que viesse falar consigo e impaciente demais para chegar no seu quarto logo a fim de poder gritar a vontade. 

Não sabia ao certo quem era o alvo primordial da sua raiva: Todoroki ou ele mesmo. Mas uma coisa era certa: nunca mais daria ouvidos àqueles idiotas.




 

2.

Havia algo sobre poder ver Todoroki a semana inteira e ainda assim sentir como se não tivesse conseguido ter o suficiente dele para si que inebriava Katsuki aos fins de semana nos quais não estavam juntos.

Eles trocavam mensagens o dia todo; fazia a mãe dele subir pelas paredes com o sigilo do filho sobre o que tanto ele fazia no celular. Portanto, ele continuava apenas para irritá-la mais e um pouco também porque o jeito todo sem jeito de Todoroki traduzia-se por mensagem de uma forma que o fazia rir sem o outro nem ao menos se esforçar. E, Katsuki notou, ele vinha tendo uma risada bastante frouxa desde que começou a namorar o Meio-a-meio. 

Katsuki estava em seu quarto e já havia jantado, obviamente enquanto conversava com Todoroki por mensagem e sua mãe usava os gritos desaprovadores dela como uma espécie de trilha sonora irritante ao fundo. Logo após subir e se trancar no quarto e em seu mundo, Shoto perguntou se poderia ligar para ele. Katsuki teve que tomar um momento antes de responder para se acalmar. Eles estavam namorando há sólidos dois meses e alguns dias, — sim, Katsuki contou — mas em muitas instâncias ele ainda se sentia o mesmo idiota de quando apenas observava Todoroki ao longe e era uma completa bagunça embaraçosa de bochechas coradas e coração acelerado.

Não tinha muita noção de quanto tempo havia passado, pois não checou as horas, mas pelo modo como seu celular estava quente e sua orelha queimava, presumiu que foi mais do que havia notado. Eles nem tinham muito o que conversar; às vezes só passavam alguns períodos em silêncio ouvindo a respiração um do outro e Katsuki sentia seu coração derreter enquanto encarava o teto de seu quarto.

Quando eles falavam, porém, era geralmente para reclamar de algo. Todoroki, por incrível que pareça considerando sua inexpressividade ao vivo, era muito bom em reclamar. Na maioria das vezes, as reclamações eram sobre seu pai, mas, de vez em quando, ele diversificava sobre como seus irmãos mais velhos às vezes o tratavam como criança. Era fascinante para Katsuki porque nunca imaginaria que Todoroki fosse de soltar frases tão longas e tão cheias de emoções, mas também era especial pois ele sabia que esse lado era reservado só para ele.

Contudo, Katsuki não conseguia deixar de notar que algumas vezes a voz do outro diminuía ainda mais de tom quando comentava sobre a família; a respiração ficava mais pesada; suas palavras se embaralhavam em hesitação e as pausas ficavam mais longas, como se ele não soubesse ao certo como expressar o que queria. E, apesar de sempre que ouvia-o assim, tão vulnerável, comprimisse seu coração e o desse uma sensação de desamparo por não poder fazer nada por ele, Katsuki também sentia-se aliviado. Todoroki hesitando e não sabendo como circular certos assuntos fazia com que Katsuki se sentisse normal por também ainda não possuir a confiança de conversas sobre suas inseguranças, medos e traumas. 

Esperaria Todoroki estar pronto, assim como sabia que ele faria o mesmo consigo. 

Em determinado momento, eles voltaram ao silêncio e Katsuki aproveitou para mudar de posição na sua cama, se colocando de barriga para baixo enquanto limpava o suor da mão que antes segurava seu celular. Algumas faíscas pequeninas de vez em quando estalavam em seu ouvido e podia ter certeza que Todoroki as ouvia também, mas ele nunca reclamava. 

“Está tarde…” seu namorado comenta, quebrando o silêncio. 

Katsuki não poderia dizer que não notou, pois, apesar de não ter checado o horário, seu corpo definitivamente o fez consciente que já estava mais do que na hora de ele ir dormir enquanto soltava bocejos em intervalos cada vez menores de tempo. 

Afastando o celular da orelha, a tela dele brilhou e Katsuki teve a confirmação do comentário de Todoroki. Um suspiro decepcionado escapou de seus lábios enquanto ele enterrava o rosto em seu travesseiro. 

“Verdade,” ele respondeu. 

Uma pausa. 

“...Não vai desligar?” Todoroki questionou. 

Katsuki soltou o ar pelo nariz em uma risada contida. A forma que o outro havia dito aquilo dava a entender que ele queria se livrar dele, mas, à essa altura, Katsuki conhecia Todoroki o suficiente para saber que aquele não era o caso; era só o jeito dele. 

Os dedos dos pés dele se fecharam em um aperto enquanto ele enfurnava mais ainda seu rosto no travesseiro ao passo que se preparava mentalmente para dizer as seguintes palavras, “Ah… Desliga você primeiro.” 

Ele estava ciente de como sua voz saiu manhosa e totalmente não característica, mas, naquele momento, não ligou nenhum pouco. 

Mais uma pausa até vir um simples, “Ok.” do outro lado da linha.

E então tudo o que Katsuki ouviu no momento seguinte foram os bipes consecutivos.

De repente, se sentiu mais acordado do que nunca ao apoiar-se em seus cotovelos e encarar a tela do seu celular. Confirmando a suspeita de que Todoroki realmente havia desligado na cara dele sem mais e nem menos, só restou uma reação antes de encher o chat deles de xingamentos: gritar. 

Não é como se gritar fosse mudar muita coisa ou até fazer o Universo respondê-lo, ele estava ciente, quando se questionava por que, de todas as pessoas do mundo, tinha que ser logo o Todoroki por quem ele era apaixonado. Mas, ainda assim, era um puta de um alívio.

Como o esperado, o Universo não o deu a mínima atenção. Porém, de algum lugar de sua casa, a resposta para sua reação costumeira, e, no momento, em um horário inoportuno, veio em um abafado, “Cala a boca, moleque!




 

3.

Katsuki não poderia ligar menos para a fofoca da vez que seu não-grupo de amigos começava a cochichar nos intervalos, nas horas livres e basicamente em qualquer lugar e momento que fossem. Até quando o foco foram Todoroki e ele e o relacionamento deles, inesperado para muitos. Certo, talvez ele tenha ligado um pouco sim. Porém, logo percebeu que quanto mais reação dele aquele grupo de idiotas conseguia arrancar, mais eles o irritavam, então passou a ignorar apesar de ainda se sentir embaraçado com as brincadeiras e insinuações.

Só que agora, aparentemente, Todoroki e Bakugou eram assunto do passado. O foco — ou melhor, o casal — da vez eram o aluno transferido e aquela praga loira da Classe B. Parecia que o fato dele ser extremamente irritante e desequilibrado não anulava o aparente fato de que fazia um casal fofo com o ex-aluno do Departamento Geral na visão de Ashido e, por incrível que pareça, Kaminari. 

Era o dia todo Monoma e Shinsou isso, Monoma e Shinsou aquilo e Katsuki aguentava tudo calado, até porque ele não tinha outra opção porque os idiotas literalmente viviam atrás dele. Porém, a gota d’água foi quando Kirishima, de todas as pessoas, afirmou que o Casal Maravilha eram os mais românticos de toda U.A. porque, segundo ele, — e nem Katsuki acreditou nisso — Shinsou sempre acompanhava Monoma da Heights Alliance até o prédio principal e vice versa. 

Involuntariamente, um som zombeteiro escapou-lhe da garganta. 

Katsuki realmente não poderia ligar menos, mas ele sabia que Todoroki e ele eram melhores.

No primeiro dia, ele acordou no mesmo horário de sempre e fez toda sua rotina igual outro dia qualquer. Porém, em vez de seguir para o prédio principal, parou em frente ao de seu dormitório e pôs-se a esperar por ele. Algumas vezes a porta foi aberta e mais e mais de seus colegas de turma passavam por ela o cumprimentando, ao que ele sempre respondia com um grunhido. Até que Todoroki finalmente apareceu com Asui ao seu lado. 

Ele logo o notou e o já presente sorriso contido em seu rosto enquanto conversava sobre algo com a amiga traçou um trajeto até seus olhos e Katsuki prendeu o ar por um segundo. 

“Bom dia, Bakugou,” cumprimentou ele. 

Katsuki assentiu em resposta e repetiu o ato quando Asui espelhou o cumprimento. Eles estavam parados um em frente ao outro agora e se encaravam. Asui tomou isso como uma deixa para pedir licença e se retirar, ao que Katsuki agradeceu internamente ao semancol da garota. 

“O que foi…?” Todoroki indagou ao inclinar a cabeça para o lado minimamente sem deixar de sorrir.

Katsuki nada respondeu, apenas maneou com a cabeça em direção ao prédio da U.A. e pôs-se a caminhar. Levou alguns segundos — que Katsuki tinha certeza que o namorado tomou para fazer sentido de sua ação — até o Todoroki seguir em seu encalço e então, por fim, caminhar ao seu lado.

Ao final do período escolar, o céu alaranjado do pôr-do-sol também tingia a tudo com o tom. A Classe A saía de um dos ginásios de treinamento da U.A. com suas maletas com as suas Roupas de Herói nelas em mãos. Katsuki novamente esperava por Todoroki a fim de acompanhá-lo até o dormitório. 

Ele apareceu, então, e agora, em vez de Asui, Todoroki estava acompanhado do nerd do Midoriya. Eles pareciam estar em uma espécie de discussão analítica fervorosa, provavelmente sobre o treinamento que acabaram de ter. A discussão, entretanto, entrou em estagnação quando os outros dois viram Katsuki parado ali. Assim como Asui pela manhã, Midoriya não demorou muito para se tocar que estava sobrando ali e prontamente tomou sua deixa. 

“Bom trabalho hoje,” Katsuki murmurou enquanto fingia tossir e cobria a boca com a mão.

O peito de Todoroki estufou enquanto ele inspirava e amenizava sua expressão. A iluminação do fim do dia só funcionava para deixar Todoroki mais estonteante do que ele já era. Era até um pouco irritante que não importasse a situação, aquele cara simplesmente não sabia ser nada além de atraente. 

Todoroki aproximou-se dele e trocou a mala da mão esquerda para a direita, ao passo que a primeira se estendia na direção dele. O mais alto afagou o topo da cabeça de Katsuki com o carinho costumeiro que ele adorava fazer nele. Katsuki nem ao menos teve espaço para se sentir constrangido com os olhares que os colegas de turma mandavam na direção deles enquanto eles esvaziavam o ginásio, pois a sensação avassaladora de completa afetuosidade que preencheu seu coração foi o suficiente para distraí-lo. 

Tentando se recompor um pouco — afinal, eles estavam em público — e tentando não manchar muito sua reputação, Katsuki afastou a mão de Todoroki e fechou a cara. Lembrando-se do porquê estava ali em primeiro lugar, virou as costas para Todoroki e espelhou sua ação pela manhã ao manear a cabeça em direção à Heights Alliance. O outro levou menos tempo para decifrar sua ação dessa vez, mas ainda parecia querer entender a motivação de Katsuki pela expressão confusa que portava. Ainda assim, Todoroki caminhou ao seu lado sem protesto algum. E os dois seguiram para o dormitório aproveitando a brisa leve e o escurecer do céu em um silêncio confortável um ao lado do outro. 

A partir de então, essa foi a rotina que Katsuki passou a adotar para eles. Todoroki parou de parecer confuso e já esperava o namorado quando estava para sair. Nem quando estavam à sós, ele questionava a sua intenção, então Katsuki presumiu que ele já tivesse entendido. 

Os burburinhos do grupo de idiotas era de longe o melhor dessa situação. Eles aplaudiam Todoroki e Katsuki com um louvor que Katsuki recebia com nada mais que um desdém prazeroso, pois, para ele, era mais do que óbvio que eles eram os melhores.

Porém, ele conheceu o prazer de verdade em uma manhã chuvosa de quarta-feira. O Casal Maravilha estava se dirigindo até U.A. e eles passaram pelo dormitório da 2-A no caminho enquanto Katsuki esperava Todoroki abrir o guarda-chuva. Foi rápido, mas o seu olhar e o da Praga Loira cruzaram e Katsuki não controlaria o sorriso convencido dele nem se quisesse. Em resposta, recebeu apenas um olhar de puro desprezo que ele tomou como um triunfo considerando de quem vinha. 

Em outro momento, mais alguns dias tendo passado e a rotina se prolongado o suficiente para quase ser uma segunda natureza deles, Todoroki e ele voltavam da U.A. Estavam no silêncio costumeiro e Katsuki sentia-se em um bom-humor raro, mas que certamente era contribuído pela presença do rapaz ao seu lado. Quem, quando ele checou pelo canto do olho, havia parado alguns passos atrás dele colocando uma distância entre eles.

“Que foi?” quis saber. 

Virando-se completamente agora e ficando de frente para o namorado, Katsuki percebeu que o outro possuía os ombros e a cabeça curvados para frente e seus dedos brincavam com a alça atravessada em seu torso de sua bolsa nervosamente. Ele logo estranhou. 

“Que foi, cacete?” pressionou. 

Todoroki puxou o ar e Katsuki prendeu o dele. 

“Você quer… terminar ou algo assim?” perguntou o mais alto em um tom de voz tímido. 

Katsuki ficou sem reação em primeira instância, mas logo estava adquirindo uma expressão desnorteada, quase beirando o revoltada com a pergunta do namorado. 

“De que porra você tirou isso?!”

“Bem, é que… É que nós estamos fazendo esse trajeto todos os dias e você parece fazer questão que seja só nós dois sozinhos. Imaginei que talvez você estivesse—”

“Eu estivesse o quê?!” interrompeu Katsuki na defensiva e já elevando a voz.

“Que você estivesse criando coragem para dar a notícia…”

Em vez de começar a deixar sua revolta tomar o melhor de si e ser traduzida em forma de gritaria por sua fala, Katsuki parou e passou as mãos no rosto em um ato exasperado. Quer dizer que todo esse tempo em que ele estava crente que era o próprio Don Juan, Todoroki entendeu tudo como uma desculpa dele para o momento certo do anúncio para um término? 

Eu mereço,” foi a única coisa que ele conseguiu pensar.




 

4.

Quando passou pela sala comunal e viu aquilo tudo de pessoas nela, já sentiu sua energia, que já não estava lá aquelas coisas, ser ainda mais drenada. Alguns cumprimentaram, outros, por estarem concentrados demais em seus próprios mundos, não deram a mínima e Katsuki agradeceu por isso. Agora no terceiro ano cada um tinha muito mais preocupações próprias e seus tempos eram sobrecarregados por elas.

Katsuki mesmo acabava de voltar do estágio dele e pode-se dizer que aquele não estava sendo o dia dele. Apesar de ter acordado cedo; ter prestado atenção nas aulas mesmo que estivesse com sono; ter pego o metrô e chegado no estágio no horário certo. Nada disso importou de fato porque na hora de fazer sua ronda com o Herói Profissional com que estagiava as coisas foram por água abaixo bem rápido. 

Já tinha ouvido que sua cabeça quente e impulsividade precisavam ser trabalhadas — apesar de ter crescido consideravelmente desde seu primeiro ano — inúmeras vezes. Mas só entendeu a gravidade da situação quando na sua ronda, por puro convencimento, ele engatou em uma luta em um lugar público e um de seus golpes acabou explodindo um poste. Esse caiu e os fios dele quase, por muito pouco mesmo, acertaram diversos civis. 

Na hora, ele não ligou muito, pois, afinal, ele conseguiu capturar o vilão. Porém, nada disso importou ao Herói Profissional que não o livrou de um extenso sermão e uma advertência. Katsuki ficou irado, mas enquanto voltava para U.A. em pé em um vagão de metrô lotado, ele teve tempo suficiente para reavaliar suas ações e agora a raiva era mais direcionada a si mesmo do que qualquer outro alguém. 

Quando o elevador abriu e ele se viu no corredor do seu andar, um suspiro aliviado saiu de si e ele permitiu deixar sua postura e sua guarda baixarem minimamente. 

Estava tão cansado tanto física quanto emocionalmente que nem ao menos notou a luz que saía pela fresta da porta de seu quarto, portanto sua surpresa foi palpável quando abriu a porta e deu de cara com ninguém mais, ninguém menos que Todoroki Shoto. 

Esse encontrava-se confortável em sua cama usando uma calça moletom vermelha e uma camiseta preta. Estava deitado, mas a perna direita estava flexionada com a esquerda em cima do joelho dela. Lia um livro com atenção, mas logo essa foi divergida para a sua chegada. Assim que o fitou, seu rosto impassível praticamente ganhou vida quando seus olhos espremeram-se e um sorriso caloroso o deu boas-vindas. 

 “Bem-vindo. Como foi seu dia?” perguntou ele ao fechar o livro e se sentar.

Em qualquer outro dia normal, Katsuki acharia graça do quão doméstico aquela situação toda e a pergunta eram, mas hoje ele não estava no clima para nada. Nem mesmo para falar, portanto apenas respondeu o namorado com, “Hm.”

Felizmente para ele, Todoroki estava muito melhor em ler convenções sociais. Ou, pelo menos, as Convenções Bakugou, pois sua expressão logo mudou para uma mais contida e os passos dele até Katsuki foram mais cautelosos. 

Katsuki estava esperando o namorado afagar sua cabeça como sempre, mas ele simplesmente descansou uma mão em seu ombro, fazendo círculos relaxantes ali.

“Tome um banho que eu preparo um chá para você,” ele propôs e Katsuki não precisou que ele dissesse duas vezes. 

Desde que ensinara Todoroki à preparar chá, coisa que, acredite ou não, ele não sabia fazer, Todoroki fazia questão de preparar para ele quando Katsuki encontrava-se em um momento mais instável. E, apesar de nem sempre ele deixar óbvio, Katsuki apreciava demais. 

Quando voltou do banho era notável a mudança na atmosfera que o rodeava. Ao entrar no quarto novamente, Todoroki estava agora sentado em sua cama com o livro no colo. Seu chá encontrava-se na mesa pequena ao lado de sua cama. Inspirando profundamente e deixando-se enfim relaxar, Katsuki se acomodou no chão com as costas na parte lateral da cama e sua cabeça no colchão. 

Não demorou muito para ouvir um movimento atrás de si e logo sentiu dedos afastando seu cabelo de sua testa. Em seguida, sentiu braços cercando sua cabeça e se interligando em seu peito em um abraço. Conseguia ouvir a respiração de Todoroki bem perto de seu ouvido enquanto ele parecia cheirar seu cabelo. 

“Hm…” ele fez. “Cheiroso.”

Katsuki soltou uma risada desdenhosa. “Porque antes eu não estava…?”

Sentiu quando o rosto de seu namorado, afundado em seu cabelo, abriu-se em um sorriso, mas, em vez de respondê-lo propriamente, Todoroki começou a distribuir beijos por toda a superfície de sua cabeça. Depois, começou a trilhar um caminho para sua testa, sua têmpora, seus olhos fechados, a ponta do nariz e um rápido em seus lábios. Todoroki se apoiou no próprio cotovelo e desfezo  abraço para apenas deixar as mãos descansando em seu peito enquanto depositava ainda mais beijos nele. Agora eram no seu maxilar e desciam para seu pescoço.

Katsuki sentia aquilo tudo muito vividamente enquanto os olhos estavam fechados e ele aceitava os carinhos com uma sensibilidade que nunca nem ao menos cogitou que poderia ser possível sentir. 

Parecia que os acontecimentos do dia tinham sido de outra vida e, apesar de ainda sentir-se perturbado por eles, não eram mais o foco de sua cabeça no momento. 

Achando que aquele contato ainda não era o suficiente, levou sua mão direita até a nuca de Todoroki e acariciou-a enquanto ele ainda trabalhava em depositar seus beijos pelo pescoço dele. Todoroki começou a fazer movimentos calmos com suas mãos em seu peito até ele se afastar do seu pescoço o suficiente para que pudesse levar suas mãos até os ombros de Katsuki e começar a massageá-los. 

Todoroki sempre fazia o melhor em seu poder para fazer com que Katsuki se sentisse bem e adorado, mesmo com suas limitações sociais e seu jeitinho único que, sinceramente, Katsuki não mudaria nenhum pouco. Era frustrante em alguns momentos, sim, mas era exatamente isso que o fazia ser Todoroki Shoto e o rapaz que Katsuki— 

Abriu os olhos. Não é como se ele já não soubesse disso antes, mas era uma coisa saber e outra completamente era verbalizar. Não entendia como colocar em palavras o que sentia por Todoroki fosse suficiente, mas teria que dar pro gasto, pois no próximo segundo ele estava puxando o ar e se preparando. 

“Eu te amo,” sussurrou com a voz rouca pela garganta seca e sentindo-se vulnerável, mas, ao mesmo tempo, incrivelmente forte. 

“Eu sei,” Todoroki respondeu factual. 

Primeiro, Katsuki achou que ouviu errado. Mas, quando a ficha caiu de verdade, ele afastou-se do toque do namorado para se virar e o encarar incrédulo. 

Todoroki não fez mais do que parecer adoravelmente confuso enquanto piscava inocentemente. “O quê?” 

Katsuki nunca quis explodir tanto a cara de alguém quanto naquele momento.




 

5.

Estava tentando manter a pose o máximo que conseguia enquanto equilibrava seu desejo de descer do carro e meter o cacete em todos que estavam buzinando atrás dele e o seu desejo de atacar Shoto com um beijo feito os de cinema. Porém, na realidade, ele só encostou o carro no meio fio enquanto motor ainda estava ligado porque, afinal, Katsuki só foi ali se despedir do namorado rapidamente já que a despedida prolongada foi reservada para noite anterior.

Katsuki odiava que estava fazendo a situação ter uma proporção maior do que o que era necessária. Não era como se Shoto estivesse indo embora ou algo assim, era só uma viagem à trabalho. 

“Está levando a escova de dente? E seu equipamento? E a—” ele ia listando mais para manter Shoto ali por mais tempo do que por preocupação mesmo. 

“Sim, Katsuki,” respondeu Shoto não necessariamente soando incomodado, mas definitivamente apressado para sair do carro logo. 

Sentia-se um idiota, pois Shoto só iria ficar duas semanas no máximo e às vezes eles ficavam esse mesmo período de tempo sem se verem pessoalmente mesmo morando no mesmo país. Mas, de repente, é só ele sair do país que os receios de Katsuki começam a encherem o saco dele. 

Seu namorado, então, desceu do carro ao som das ainda incessantes buzinas, mas Katsuki não ligou. Shoto já estava preparado para adentrar de vez o prédio quando Katsuki o chamou mais uma vez. 

“Tenha uma viagem segura,” desejou, tentando soar o mais meigo que conseguiu com seu rosto emburrado. 

Shoto piscou. “Isso está fora do meu controle.”  

Katsuki o encarou desacreditado, crispou os lábios e deu marcha no carro. 

“Então morra,” rosnou ele antes de dar partida. 




 

+1.

Katsuki não planejou aquilo. Na verdade, achou a ideia a coisa mais idiota quando a assistiu em um filme estrangeiro. Mas, assim que recebeu a mensagem de Shoto avisando que ele estava para chegar a qualquer momento, foi como se tivesse tido uma epifania ao olhar ao redor do apartamento do namorado. 

 

Katsuki

não vou poder te buscar

pode ir direto pra casa

 

Estava com saudade, não iria mentir. Foi ali apenas para aguar algumas das infinitas plantas de Katsuki — porque umas não precisavam de constante cuidado ou algo assim. Katsuki tinha que checar no bloco de notas dele porque não entendia nada daquilo — e acabou ficando para passar o final da noite. Porém, se Shoto estava para chegar… Talvez ele pudesse fazer algo interessante.

Na dispensa do namorado não tinha o suficiente do que ele precisava para a surpresa dele, então ele se apressou para correr até alguma loja de conveniência próxima. A menina de cabelos azuis do caixa olhou-o estranho quando ele foi pagar, mas Katsuki não deu a mínima. 

Chegando novamente no apartamento do namorado, Katsuki não perdeu tempo e foi logo ao trabalho. Aos poucos, o imóvel começou a ganhar uma coloração alaranjada conforme as velas iam sendo acesas. Ele separou algumas para servirem como um caminho da sala até o quarto do namorado e lá ele se despiu ficando assim como veio ao mundo.

Agora era só esperar. 

Para matar o tempo, ficou navegando por suas redes sociais e assistindo vídeos aleatórios até que ouviu o barulho das chaves na fechadura seguidas pelo som da mala sendo arrastada. Katsuki bloqueou o celular e o tacou longe enquanto tentava achar uma posição sugestiva e confortável. Optou por ficar de lado com a cabeça apoiada em sua mão e o braço apoiado no colchão. 

Katsuki ouviu Shoto aos poucos dando passos pelo seu apartamento, provavelmente inspecionando com curiosidade a decoração inesperada. Logo em seguida, seu namorado estava fazendo o caminho até o quarto e Katsuki não teve que esperar muito para ver a porta ser afastada lentamente e a figura alta do outro aparecer por ela. Talvez nunca tenha visto Shoto tão abertamente feliz quanto naquele momento enquanto ele corria até a cama para se jogar em cima dele, arrancando uma risada de Katsuki. 

Ajudou-o a despir de seu sobretudo enquanto compartilhavam um beijo apaixonado e cheio de desejo privado por tempo demais na opinião dele. Shoto deitou-se o puxando para cima dele e Katsuki separou o beijo para descer entusiasmado na altura do quadril do namorado, prestes a desafivelar o cinto dele. Até que notou

A cabeça de Shoto estava virada para o lado e seus olhos estavam fechados. Seu peito subia e descia lentamente. O filha da puta estava dormindo. 

“Ah, não! Puta que pariu, Meio-a-meio do caralho!” E assim se sucederam mais alguns outros xingamentos raivosos e frustrados de Katsuki. 

Estava tão ocupado em xingar todas as gerações de Todoroki que nem ao menos percebeu quando o corpo de Shoto começou a tremer levemente. Sua atenção só foi chamada quando um barulho veio do namorado e, quando olhou para ele, descobriu que sua boca estava aberta em um sorriso e ele ria silenciosamente. 

Katsuki o socou no braço. “É melhor mesmo que você esteja fingindo porque eu não fiz isso tudo para você ir dormir assim sem mais, nem menos, porra!” 

Shoto virou o rosto na direção dele ainda rindo sem temer nenhum pouco o perigo. 

“São dezessete horas de viagem, Katsuki…”

Involuntariamente, Katsuki fez um bico contrariado. “Eu sei, mas—”

“E eu dormi a maior parte delas para ficar com você,” Shoto o interrompeu se colocando por cima dele e o roubando um beijo. 

Katsuki de repente se sente como um adolescente novamente e fica constrangido, virando o rosto. “Você é embaraçoso para caralho.”

Ele sabe que Shoto está sorrindo em resposta com aquele jeito dele sem nem ao menos o olhar. 

“Não fui eu quem encheu o apartamento de velas.”


Notas Finais


obrigada a quem leu até aqui! ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...