1. Spirit Fanfics >
  2. Romance Alienígena >
  3. Invasão

História Romance Alienígena - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Vocês já me conhecem kaka. Não esperem nada normal disso.

Capítulo 1 - Invasão


O sol quente continuava vivo mesmo no final do dia, mesmo aquela brisa refrescante não trazia muito alivio no calor infernal. A noite era minha hora preferida, pois sempre fazia calor aonde eu morava. Nada me dava mais prazer do que dizer adeus para aquela bola de fogo gigantesca.

“Acho que amanhã vai chover.” Meu irmão diz ao meu lado, levando a lata de cerveja a boca.

“Ótimo!”

“Não, não é ótimo.” Seus olhos tão escuros encontram os meus. “Odeio fazer entrega na chuva. Essa gente adora pedir comida quando está chovendo. Até parece que eles não se importam com motoboys.”

Solto uma risada. “Ninguém se importa com motoboys.”

Ele finge surpresa. “Nem minha própria irmã? Céus, que homem sofredor eu sou!”

Roubo a lata de sua mão, dando um gole no liquido, agora morno. Tinha um gosto forte, não era uma das minhas bebidas favoritas, mas eu não odiava. “Você não vai trabalhar mais tarde? Por que está bebendo?”

“Uma lata de cerveja não vai me deixar bêbado.”

“Irresponsável.”

“Como se eu fosse um exemplo a ser seguido!”

“Você é meu irmão!”

“Isso eu não sei, sou muito mais bonito que você.”

Ele ri e eu reviro os olhos. Caio era meu irmão, meio irmão. Nós tínhamos pais diferentes. Caio era diferente de mim, sua pele era mais escura, seus cachos mais finos, ele era mais alto e atlético que eu. Entretanto, se você olhasse bem de perto, podia ver aquelas sardas em seu rosto negro. As sardas que maquiagem nenhuma conseguia esconder. As sardas que cobriam o corpo de qualquer um que compartilhasse os genes de minha mãe.

Caio tinha sorte, sua pele escura disfarçava as manchas, já eu não tinha tanta sorte. E minha mãe menos ainda. A mulher era tão pálida que qualquer contato com o sol somente piorava as sardas.

E falando no diabo, ela aparece. Baixinha, menor que eu, porem com um olhar penetrante que a dava a cara de alguém desequilibrado. Sua barriga já protuberante, mostrando o terceiro mês de vida do meu novo irmão. O olhar cansado da mulher me observa.

"Margarida, vá buscar a neném na escola."

"Okay? Você ta legal?"

"Nem um pouco." Ela se aproxima de nós dois, roubando a lata da mão de Caio. "Os enjoos estão me matando."

Ela dá um gole na cerveja, fazendo o queixo de Caio cair. 

"Mulher você perdeu a cabeça?" Ele toma a lata da mão dela.

"Ah, relaxa Caio." Ela dá um tapa no ombro dele. "Olha o quanto eu bebi na gravidez de sua irmã e olha para ela. Um gênio!

Caio faz alguma piada, e a mãe ri. Eu somente respiro fundo, focando no quintal do vizinho. No pequeno cão dormindo na grama tão mais verde que a nossa. Que inveja.

Eu era a primeira da família a fazer faculdade. Aquilo criava expectativas enormes em cima de mim. Eu sabia que ter um diploma era o mesmo que aprender letra cursiva hoje em dia, ainda assim eu me comprometi com aquilo.

Não que eu estava sendo totalmente forçada (sim eu estava), mas eu tive algumas opções e psicologia era a única coisa que me despertou interesse. Entretanto, ver minha mãe e meu irmão trabalhando tão duro para suster aquela vida com míseros luxos fazia eu me sentir uma completa inútil. 

"Margarida? MARGARIDA!" A mulher olha para mim, preocupada por um momento.

"Sim?! Quer algo do mercado?"

"O leite da sua irmã está acabando. Vai rápido para me ajudar no jantar." 

Coloco meus cachos grosso em um rabo de cavalo. Mesmo com o tanto de mato ao arredor de nossa o vento suave não ajudava. Típico verão Brasileiro. 

"Você retocou sua raiz." Meu irmão diz, empurrando a moto para fora de casa. Sua voz abafada pelo capacete. "Parece natural."

"Uma ruiva morena. Raridade."

"O melhor dos dois mundos." Caio inicia a moto e sai.

Grito atrás dele. "VAI COM CUIDADO!"

Ele buzina para mim, diversas vezes, porque ele sabia que aquilo me irritava. Um sentimento de inveja consome meu peito. Ele era tão livre, sem expectativas pesadas em seus ombros. Me sentia mal com esses tipos de pensamentos, eu sabia que Caio não se sentia assim tão livre. Eu sabia que por dentro ele queria estar no meu lugar. E eu no dele.

A rua de barro era difícil de andar de chinelo, mesmo assim consigo chegar a tempo na creche. Crianças saiam com suas famílias. O caos de crianças correndo, brincando e chorando. As olheiras profundas das professoras. Era tudo tão comum. Quase que tedioso. Uma rotina cansativa e casual. Eu amava aquela simplicidade.

Amélia se gruda as minhas pernas. As mãos lambuzadas de cola e glitter. 

"Que isso Amélia? Vai pegar suas coisas! Anda."

"Mar. Qué cola?"

"Eca, não! Vai pegar suas coisas!!"

Uma das professoras, a mais nova, traz em suas mãos a bolsa rosa da garota. "Aqui." Ela se agacha, limpando a meleca de cola das mãos da garota. 

"Brigada."

"Por nada pequena." Ela afaga os cabelos curtos de Amélia. "Tchau, tchau. Até amanhã."

Me despeço da professora. Segurando na mão ainda meleca de minha irmã mais nova. Ela anda com animação. A garota tinha energia de sobra e ela sabia exatamente aonde e como gastar aquilo. Ela era tão confiante e capaz. Eu a amava como uma filha. Talvez fosse assim que Caio se sentia em relação a mim. Talvez seja por isso que ele se metia tanto em minha vida.

Será que eu iria sentir o mesmo por Amélia? Será que eu irei a pressionar com expectativas de vida? Será que eu irei sufocar sua cabecinha com palavras de o quão inteligente e capaz ela realmente era para no final ela duvidar da sua própria capacidade a culpando por não ser absolutamente perfeita?

Não. Eu duvidava. Puxei ao lado da minha mãe da família. Dificuldades de expressar os sentimentos e fobia social

Amélia comentava mil e uma coisas ao meu lado. Se eu a dava atenção? Não! A garota costumava falar tão rápido que nem diminuído a velocidade daria para fazer sentido de suas palavras.

 "Me escuta!"

Ela reclama, tomando minha atenção perdida.

"Deixa eu compa?"

"Hm, claro!" Dou a nota de 10 reais para ela, a observando.

Ela pega a caixa de leite da prateleira com as mãos pequenas. Os olhos negros tão brilhantes observam um dos leites com chocolates com desejo. Ela gira a cabeça, se contendo e cambaleando até o caixa. 

A caixa do mercado, uma mulher mais velha com cara de avó, conversa com a pequena durante um tempo. Sem pressa. Afinal, mesmo ela me apressando, imaginava que a mãe estava curtindo os minutos sozinha. Amélia era obediente e silenciosa, mas ainda assim uma criança de 4 anos drenava sua energia. 

Seguro na mão de Amélia, depois de insistir que eu deveria carregar a sacola do mercado. E fazemos nosso caminho de volta. 

Porque apesar de tudo eu não desejaria estar em nenhum lugar a não ser aqui. Com eles, minha família. Com meus amigos. Na minha casa, mesmo sendo um tanto simples. Esse era meu lugar e me sentia perfeitamente bem. Me sentia, eu!

Mesmo com o sol quase a se por era tão quente, como um forno. A mão suada de Amélia aperta a minha com uma força anormal. Mas antes que eu pudesse repreender a garota noto que ela estava assustada, seus olhos esbugalhados concentrados no céu.

O sol num piscar de olhos desaparece, e não era porque estava se pondo. O sol estava completamente coberto por um objeto escuro. Demorou alguns segundos para minha mente dar forma a aquilo. Era grande demais, estranho demais. Nunca havia visto nada parecido e o fato de ser completamente silencioso somente tornava o objeto ainda mais estranho.

Quando pensamos em ufos imaginamos uma nave redonda, cheia de luzes e movimentos rápidos. Aquilo era cheio de retas e quadrados, escuro, parecendo pesar toneladas. Cheio de autoridade e ameaça. 

Somente quando Amélia sacode meu braço, olhos cheios de lagrimas, é que a levanto em meus braços e corro em direção a minha casa. 

Olhando para trás o ufo continuava ali, como se fosse uma parte da cidade. Os únicos ruídos eram os gritos dos outros, que corriam em toda as direções possíveis. Cambaleei em minhas próprias pernas, tentando evitar uma colisão com um cidadão completamente em pânico. Amélia chorava em meus braços e eu só podia correr, contendo o próprio grito de terror em minha garganta, focando toda minha energia em sair daquele lugar. 

Quando chego a casa, meu corpo estava dormente, minhas mãos tremiam. A mãe tirou Amélia de meus braços, em desespero, falando no celular. O nome de Caio saia de sua boca e seus cabelos estavam desgrenhados. Noto que no meio daquele caos eu havia perdido meus chinelos. Havia sangue debaixo do meu pé, porém não havia dor.

Os braços de minha mãe me seguram firme. “Margarida! Margarida, o que está acontecendo?”

“Caio? Ele tá aonde?”

“Filha, meu deus! Ele está no restaurante. Meu deus.” 

Amélia agora chorava alto. A mãe a leva até a casa, me puxando pelo meu braço, deixando marcas vermelhas em meu pulso.

“Isso é o fim do mundo? Só pode ser, meu deus, Jesus cristo tenha misericórdia.” Ela atende o celular mais uma vez, pelo tom de voz dela só poderia ser Caio novamente. Ela trocava palavras tranquilizadoras. Todos nós estávamos vivos, mas por quanto tempo?

Pela Janela eu podia ver o nublado que o ufo causava na cidade. Aquilo não era um sonho, mas não parecia real. Parecia ter saído direto de um filme de herói. Era fascinante, aterrorizante e minha mente gritava que aquilo era o fim.

“Margarida, o que eu faço?” Minha mãe diz. “Caio está voltando para casa, eu falei para ele não voltava.” Ela agora chorava, fazendo Amélia gritar mais ainda.

“Não, ele não pode! Mãe.”

“Ele não atende o celular.” Suas mãos seguram meus braços, me chacoalhando. “O que eu faço? Tenha misericórdia, senhor.”

Meu irmão era um completo idiota. Estávamos no meio de uma invasão alienígena e ele iria bancar o herói. Porque era a coisa mais óbvia que ele poderia fazer. Eu ranjo meus dentes soltando um gemido de raiva misturada com medo.

E, precisando ser impulsiva uma vez na vida, salto pela porta, e corro.

“Margarida, não!”

E tudo o que faço é correr, e correr e correr. Pessoas faziam o mesmo que eu, fugiam em desespero, porém em direção contrária a minha. Muitos corpos batiam contra o meu e eu precisei me espremer no meio da multidão, indo em direção ao que todos fugiam. Minhas pernas só param quando eu vejo aquilo.

Braços largos levantavam um martelo gigante e em um golpe ele esmaga o corpo de uma mulher já inconsciente no chão. Seu rosto, a única coisa visível detrás da segunda pele preta, parecia ser de algum réptil, nenhum que eu já havia visto antes.

O sangue e vísceras se espalham pelo asfalto, o réptil solta um rugido. Vejo por um segundo os olhos vibrantes e amarelos do monstro antes de me jogar para atrás de um carro.

Lágrimas saíram de meus olhos e desejei ser invisível, ser tão insignificante que ele não havia me visto. Aperto meus joelhos contra meu peito e fecho os olhos, como se aquilo fosse impedir ele de me encontrar.

Se ele me notou ou não, não pareceu se importar, pois outro grito ecoa e mais golpes contra carne grudam em meus ouvidos.

Eu precisava continuar, então faço, com olhos borrados e sem coordenação nenhuma. Me arrestei contra a estrada, cabelos grudando contra minha pele por causa do suor. Continuei até chegar na rua principal. Só mais um pouco e estaria no restaurante que meu irmão trabalhava.

A única coisa que me fazia continuar era Caio. E algo dentro de mim dizia que tudo que eu precisava era ele. Tudo ficaria bem assim que ele estivesse do meu lado.

Havia outros monstros pela rua, causando caos e empilhando corpos, porém meu corpo continuava a se mover. Então uma mão segura meu calcanhar. Por um milagre eu não grito de terror. A mão de Caio estava me puxando para a segurança. Seu rosto pálido e lagrimas saindo de seus olhos, tão assustado quanto eu.

“Margarida!”

Eu o abraço apertado, porém aquilo só dura alguns segundos. Minhas mãos suadas e sujas seguram na dele. “Precisamos voltar pra casa.”

Meio agachada tento me movimentar rápido o puxando pelo braço. “E a mãe? Amélia? Por que você veio até aqui menina idiota?” Era a primeira vez que o via tremer daquele jeito.

Travo minha mandíbula para contar o soluço de desespero que ameaçam sair e entre os dentes digo. “Nós temos que voltar.”

Aquilo não era hora de pensar sobre minhas ações inegavelmente estupidas. Mesmo se eu quisesse pensar, minha cabeça estava no automático, o desespero me dizendo para somente fazer uma coisa. Sobreviver com minha família.

Se agachando contra os carros era a melhor opção para nós dois. Havia apenas dois daqueles monstros, um chacoalhava um carro. Imaginava que havia alguém dentro do veículo. O alien poderia muito facilmente abrir a porta do carro num estalar de dedos, ele parecia ser extremamente forte. Porém ele estava se divertindo aterrorizando o homem dentro do carro. Imagino se eles eram inteligentes o suficiente para entender como uma porta funcionava. Provavelmente, certo? Se eles invadiram a terra aquilo significa alguma forma de inteligência.

O outro parecia mais entretido no display de uma loja. Os dois pareciam distraídos o suficiente. Assim, agarro a mão de Caio, pronta para sair de trás dos carros e correr em direção à rua que dava para nossa casa.

O quebrar do vidro nos faz congelar, ambos olhamos na direção do barulho. O alien que olhava a loja havia quebrado o display, abrindo espaço entre os manequins. Um grito nos fez pausar, era o grito de uma criança, talvez com 10 ou 11 anos.

O monstro leva a criança até o rosto, cheirando o cabelo do pequeno, fazendo ele soluçar.

Eu li no rosto de Caio exatamente o que ele estava planejando. Droga. Não que eu não tinha empatia, mas se havia uma coisa que eu não possuía era síndrome de herói. Sabia muito bem quando e em que situações eu daria conta de me enfiar. Já Caio era outra história. Ele sim era um herói.

Com uma força que não sabia de onde vinha ele joga uma pedra de concreto grande contra o monstro. Falando em sua voz grave. “Deixe ele ir.” Se eu não estivesse congelado com medo eu daria um tapa contra sua cabeça.

Nós dois estávamos mortos agora.

O monstro, agora entretido com algo melhor que uma criança aterrorizada, vem em nossa direção. A criança agora estava solta e livre para fugir.

Ele para em nossa frente, perto o suficiente para fazer nós dois erguermos a cabeça. Ele solta uma frase, cheia de consoantes e grunhidos. O lagarto parecia mil vezes mais intimidador de perto. O suficiente para qualquer um dar no pé. Então nós dois corremos.

Sinto meu couro cabeludo arder, e depois de anos cuidando dos cachos e recebendo milhares de elogios pela cor eu me arrependo de ter cabelos tão compridos. Ele me puxa pela raiz, me segurando alto. Alguns fios são literalmente arrancados e solto um grito.

Continuo gritando, segurando o braço do monstro, duro igual metal. Dessa vez ele solta um rugido, direto em meu rosto. O que só me faz gritar mais.

Vejo a mão do monstro formando um punho e Caio gritou meu nome. O punho veio em minha direção, o soco é depositado direto no meu estômago. Não sinto dor nenhuma, mas todo o ar sai de meus pulmões. Minha visão gira e suor frio cobre o meu corpo. A última coisa que vejo eram meus pés, sujos e machucados e a voz de meu irmão gritando.


Notas Finais


Eu só estou animada quando Kalleen aparecer e como diabos eu vou descrever ele kakaka.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...