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História Romance de um mês - Capítulo 4


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Notas do Autor


Boa leitura!!

Capítulo 4 - Te conhecendo melhor


Fanfic / Fanfiction Romance de um mês - Capítulo 4 - Te conhecendo melhor

Lucy On

 

Pouco depois da experiência broxante pela qual o Natsu e eu tivemos a infelicidade de passar, o rosado teve a brilhante ideia de ir inaugurar a banheira espaçosa que tomava quase ¼ do quarto. Enquanto isso, optei por preparar um café na enorme e tecnológica cozinha.

- O choque foi por causa de vocês mesmo? – Erza brotou do meu lado direito, disposta a roubar-me um pouco do líquido amarronzado que eu encarava como se viajasse pelo espaço sideral.

- Hã? – retornei ao presente com o susto. – Sim, foi. – suspirei derrotada.

- Vocês se deram bem de cara, né? – seu sorriso era amigável, o que me passava segurança para me abrir.

- Pois é. Essa nova regra é uma tortura.

- Consigo imaginar – bufou após uma golada de café. – É bom que você e o seu par tenham começado com o pé direito... Já o meu...

- O que tem? – virei-me para ela.

- Ele não fala nada. Nada. E quando fala, respostas curtas. Isso é ridículo.

- Lamento por isso – expus empatia. – Vai direto ao ponto com ele. Fala que isso te incomoda.

- Pretendo. Só não o fiz ainda porque ainda estou presa nesse enigma. – bebeu mais um gole. – O que você estava fazendo antes de vir?

- Compras com a minha amiga. Bom... ela estava comprando... Eu estava só lamentando por ter recebido um belo pé na bunda. – o desgosto transparecia na minha face.

- Isso é horrível.

- Pareceu tão bom quando cheguei aqui e vi o Natsu. Pensei que era a vida querendo que eu fosse feliz, mesmo que fosse só por algumas noites, sem compromisso. Mas aí vem essa regra e acaba comigo. E o Sting volta para a minha cabeça.

- Bom, nesse momento, ele está paralisado enquanto você está aqui, curtindo num resort e prestes a dormir com um gostosão. – riu. – Se ele soubesse, viria correndo até você.

- Eu gostaria de pensar o mesmo – hesitei. – E você? Onde estava?

- Em casa, socando um travesseiro.

- Por quê?

- O idiota do meu irmão voltou a se envolver com drogas – suspirou, exausta. – Sabe, eu trabalho numa lanchonete desde que os nossos pais nos deixaram. Deixei a faculdade e arrumei uma forma de tentar nos sustentar. Aí do nada, um homem cheio de tatuagens bate na minha porta dizendo que tenho uma dívida de doze mil.

            Arregalei os olhos, ainda digerindo suas últimas palavras.

- Doze mil!?

- Pois é – virou a xícara e limpou a boca com o pulso. – Mas... – mirou seus pés descalços. – Eu estava triste mesmo porque só queria ter uma vida normal. Relacionamentos normais. Voltar para a facul... mas pois é, nem tudo é rosas.

- Não fique assim... – pus uma mão no seu ombro e lembrei que era isso que a Virgo fazia para me confortar. – Você é simpática, mesmo com tantos problemas. Não importa como, sei que sairá bem dessa.

            Esboçou um sorriso agradecido:

- Tem razão. Vou conseguir.

            De repente, um barulho estrondoso de guitarra espantou o resort inteiro. Tenho certeza de que até os passarinhos das árvores que nos cercavam abandonaram os seus ninhos.

- Que droga é essa!? – Erza revelou o seu choque.

- Eu curti. Amo esse som. – observei a forma estranha de como ela me encarou. – O que foi?

- EU JÁ DISSE QUE NÃO GOSTO DE GUITARRA! – a voz da Levy ecoou por todo o lugar. – TO COM DOR DE CABEÇA!

- SAI ENTÃO, CHATA INSUPORTÁVEL! – rebateu o dono do instrumento. – PERA AÍ, DEVOLVE MEU PLUG, DEVOLVE A PORRA DO MEU PLUG! – e começamos a ouvir uma série de objetos caindo no chão.

- Que barulheira... – Mavis foi se juntar a nós com o seu rostinho de anjo. – Tenho sono.

- Não consegue dormir? – indaguei.

- Já não conseguia antes, e depois dessa... – deitou a metade superior do seu corpo no balcão de mármore.

- Podemos fazer algo para passar o tempo – sugeriu a ruiva. – Acho que nenhuma de nós está a fim de dormir agora.

- Podemos ir para a piscina – sugeri. – Jogar uma água no rosto.

- De roupa? Ainda não achamos biquínis, se é que tem isso aqui...

            Dei de ombros:

- É o jeito.

- Oi – Juvia apareceu junto com a Mirajane, ambas não muito felizes. –, podemos ir também?

- O que houve com vocês? – Mavis dispôs-se a indagar.

- O Laxus tá assistindo a um filme de luta e eu fico nervosa quando vejo sangue – entregou a Mirajane.

- E o Gray fica me olhando de forma esquisita. – revelou a azulada.

- Bom, pelo visto, todas temos problemas – Erza informou-nos do óbvio. – Que tal darmos um bom mergulho?

- Tô dentro. – a albina sorriu.

- Me levem junto! – Levy foi correndo até nós. – Não aguento passar mais um segundo com aquele troglodita.

 

            Um minuto depois, estávamos na ala da piscina, no andar inferior. Pelo que pudemos concluir, o Destino havia pensado em tudo quando fizera aquele lugar. Ele pôs uma caixinha mecânica bem do lado da piscina cheia de biquínis e maiôs. A inteligência artificial da mesma permitia analisar o nosso tipo de corpo e apontar qual peça realçaria as nossas curvas. Imaginei o quão caro aquilo devia custar.

- Que relaxante... – Mirajane deliciava-se com a água morninha, assim como todas nós.

- É como estar presa no paraíso – murmurei.

- Sim... – Levy sorriu de canto. – Tava precisando disso...

- Eu passaria a minha vida aqui se isso não fosse irresponsabilidade da minha parte. – disse a Mavis.

- Idem. – falamos em coro.

- Vocês acham que vão se dar bem com os caras? – permiti-me perguntar.

- Eu sei lá – Mirajane foi a primeira a falar. – Se ele for um bom ouvinte, será maravilhoso.

- Acho que o Zeref e eu nos daremos bem – falou a Mavis. – Quer dizer... eu gosto da presença dele. Sinto que há uma conexão entre nós.

- Tipo um encontro de almas? – Juvia indagou.

- Não assim, mas... não me sinto ameaçada quando estou perto dele. Ele parece ser muito legal.

- Queria poder dizer o mesmo – riu a azulada maior. – O Gray me dá medo.

- O que ele fez? – Erza quis se aprofundar. – Ele parece ser tão gente boa.

- Não fez nada, só me olha estranho.

- Isso se chama tesão – ri sarcasticamente.

- É, mas eu não curto isso – retrucou.

- Juvia, você nunca... – Mirajane pareceu interessada.

- Nunca. – respondeu antes que a pergunta fosse finalizada. – Não achei o cara certo.

- Eu também não! – Mavis parecia orgulhosa por fazer parte do #teamvirgens.

- Eu poderia morrer aqui – disse a Levy com uma voz manhosa.

- Fala não que o Destino pode estar ouvindo – recuou a ruiva. – Vai que dá na teia...

- Vira essa boca pra lá, Erza!

 

 

            Mais tarde, retornei para o meu quarto, enrolada numa toalha fina e um pouco curta. Reparei na forma de como os olhos do Natsu desviaram da TV e caíram sobre as minhas curvas no instante em que tirei a toalha. Ele tinha fome, eu também, mas não podíamos fazer nada e sair ilesos.

- Quantos anos você tem, Luce? – indagou.

- 19. E você?

- 24 – analisou-me dos pés à cabeça. – Quer ver um filme?

- Pode ser. Ainda estou sem sono. Vou só tomar um banho, tá?

- Okay.

 

Juvia On

 

            Minha volta para o quarto foi ainda pior do que quando saí, considerando o fato de que, dessa vez, o meu corpo estava mais exposto do que anteriormente... e que isso despertara curiosidade no tarado do Gray. Ele me dava medo de verdade. Eu só queria cair na cama e dormir, só isso.

- Sabia que tem um sistema do lado da cama com um catálogo de comida? É só clicarmos no que queremos e o compartimento abre com o pedido...

            Ele está sendo legal demais, Juvia. Isso é típico de um estuprador. Quando se é legal demais, na verdade, não é e ele está apenas fingindo porque quer me invadir e me usar como um brinquedo sexual barato importado! Respira!

- Juvia?

            Só vaza, entra no banheiro rápido, toma um banho e faz uma muralha de travesseiros entre vocês! E se ele me amarrar? E se eu não conseguir gritar? O que é que eu vou fazer se não conseguir gritar? Ele pode estar pensando num plano agora mesmo!

- Ei – o seu toque repentino nas minhas costas foi o bastante para me fazer pular em direção à parede.

- Não toca em mim! – senti a minha respiração pesar.

- Mas eu não...

- Não importa! Fique longe de mim!

 

            Levy On

 

- Olha, eu estava pensando e... talvez devêssemos fazer um acordo. – saí do banheiro com uma toalha em volta do cabelo. Gajeel estava ajeitando as cordas da sua guitarra e não parecia se importar muito com a minha presença.

- O que você quer, nanica?

- Paz, apenas isso – umedeci os lábios. – Minha cabeça está menos quente agora e se nos ajudarmos, pode dar certo.

- E o que é? – encarou-me.

- Primeiro: nada de guitarra – apreciei a sua expressão enojada. – Segundo: nada de comportamentos grosseiros. E terceiro: vamos manter pelo menos quarenta centímetros de distância na cama.

- Tá, e o que eu ganho?

- Uma amiga. – tentei parecer convincente, até que ele deu aquela risadinha barata:

- Escuta... você não faz o meu tipo.

- O quê? – senti o meu sangue esquentar. – Eu falei “amiga” e não “ficante”, seu imbecil!

- Opa, opa, opa – levantou as mãos em rendição. – E a regra dois? Só serve pra mim? – observou a forma de como fiquei desconfortável perante a minha atitude, mas poxa, ele mereceu! – Ei... Tá fechado. – lançou-me olhos inocentes.

- O quê? – expus minha incredulidade.

- Serei legal.

 

            Erza On

 

- Seguinte, eu quero te conhecer melhor, tá bom? – sentei-me do lado do azulado na cama. O fato de eu estar de camisola pareceu mexer com ele. Bem, já era um passo dado para que nos aproximássemos de alguma forma, seja qual fosse.

- Hm. – limpou a garganta, firmando o olhar em qualquer ponto, desde que não fosse eu.

- Tá, já chega! – puxei o queixo dele, voltando o seu rosto para mim. E que rosto. Minha nossa, quanta beleza! – Olha aqui, eu não estou nem um pouco afim de passar a minha hospedagem dormindo na mesma cama que um bicho do mato, então se você quiser facilitar e evitar um clima extremamente constrangedor, sugiro que troque mais palavras comigo porque eu sei muito bem que você não é a porra de um mudo!

            Não consegui contar o número de vezes que ele piscou de tão rápido que aconteceu. De qualquer forma, a única coisa que importava ali era o meu vômito de palavras... mas não consegui tirar conclusões através da sua reação, que era quase neutra, com exceção dos olhos.

- Perdão – seu pedido me surpreendeu. – Eu tive um dia difícil. Antes de vir, tinha recebido uma série de sermões e isso me deixou muito pensativo. Quando estou assim, quase não falo. Me desculpe, sei que não tem nada a ver com você e que eu devia...

- Não, não – afastei-me lentamente. – Tudo bem... Eu entendo agora. – de forma justa, eu me sentia um tanto quanto envergonhada. – Então... eu não estou com muito sono.

- Nem eu – respirou fundo. – Quer tomar um ar?

- Claro.

 

 

            Natsu On

 

            Estávamos quase no fim de “O Pai da Noiva”, filme escolhido pela Luce. Devo admitir que demos boas gargalhadas da película. Ela ficou pasma quando eu falei que nunca havia assistido, como se isso fosse motivo de desonra pessoal. O lado bom disso foi que eu comecei a ter a oportunidade de conhecê-la melhor.

- Ele ainda foi muito bonzinho – disse após terminar a garrafa de dois litros de Coca-Cola que compartilhávamos. – O meu pai não daria nem um centavo no meu casamento.

- Ele é muito protetor?

- Não, o contrário. Ele quer que eu viva nas alturas, assim como a mamãe. Disse que o erro dele foi pedi-la em casamento. – riu com discrição.

- Isso a prendeu? – senti interesse pela continuação.

- É... mais ou menos isso. Mas ela foi feliz mesmo assim.

            “Foi feliz”? Eu quero saber o significado disso, mas não acho que seja a melhor hora... Vai que cometo uma gafe.

- Uma das suas chaves bregas têm o nome “Layla”. É ela?

- Ei, não são nada bregas! – deu-me um tapinha no peito. – E sim, aquela chave é a chave dela.

- O que simboliza?

- Bem... – sentou-se na posição borboleta, como se isso a ajudasse a manter a concentração. – Quando eu era criança – viu-me me ajeitar para dar-lhe a atenção merecida. –, mamãe me deu as chaves de ouro dos signos do zodíaco.

- Espera aí, são de ouro?!

- Sim – abriu um sorriso estonteante, que só realçava a sua beleza. – É um tipo de herança. Passa de geração a geração. Enfim, quando ela me presenteou, disse que cada chave invocava um cavalheiro diferente e que isso me dava superpoderes – mordeu o lábio inferior ao recordar. Santo hábito... – Eu fiquei maluquinha. Jamais saía de casa sem as chaves. – suspirou entristecida, e com isso, seu sorriso desapareceu como mágica. – Certo dia, um garoto que mexia comigo jogou a chave de Aquário de uma ponte e ela caiu no rio...

- Não brinca – senti a sua dor. Eu também tinha objetos preciosos, como o cachecol do meu pai e o Happy... Ficaria furioso se alguém os tirasse de mim.

- Aí a mamãe prometeu me dar outra em troca. E com o dinheiro que os pais do garoto nos deu, ela mandou fazerem uma chave com o seu nome. Disse que sempre que eu precisasse dela, era só abrir o seu portal.

- Uau – pensei um pouco. – É uma história e tanto.

- Sim.

- Sabe, quando eu era menor, acreditava que podia controlar o fogo – tirei uma risada dela. – É sério, me queimei muito por causa disso.

- Ah... – tomou uma feição séria. – Esse traço no seu pescoço é uma queimadura?

- Infelizmente – bufei. – Eu era pirado. Queria ser mais do que sou. Mais do que só... eu.

- Bom... – num movimento lento, ela se aconchegou nos meus braços e descansou a cabeça no meu peito. Seu cabelo cheirava a chocolate e canela. Por alguma desconhecida razão, me senti em paz por tê-la ali... como se já a conhecesse. –... Vai que em um outro universo paralelo, você não era um controlador do fogo? Tipo... sei lá, um mago.

- Ah, seria bom demais para ser verdade – passei os dedos pelos seus cabelos sedosos e lisos, de repente, o calor queimou o meu peito esquerdo. Não o tipo de calor coberto de tesão, mas eu sentia como se tivesse a obrigação de protegê-la, o que era bem estranho.

            Passamos minutos naquela posição... a sua inercia e o peso do seu silêncio começaram a me intrigar, foi então que percebi que a mesma já dormia.

- Boa noite, Luce.

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Notas Finais


Até o próximo, minna!


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