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História Romance no Set - Capítulo 10


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Notas do Autor


Ecoísta: pessoa que insiste em impor as necessidades alheias sobre a suas prioridades.

Capítulo 10 - Capítulo dez


Já haviam lhe dito uma vez que não podemos depositar nossa felicidade nos outros, pois os “outros” se vão e levam consigo tudo de bom que apostamos.

Ele acreditava nisso e sempre buscava ser feliz sozinho. Não era difícil, pelo menos na sua perspectiva. Ele havia aprendido a lidar com a ausência e a saudade do que nunca foi seu, todavia isso não significa que a dor tenha se tornado inexistente, pelo contrário, ela existia e só quem a sente para dizer o quanto é ruim ter que lidar.

As gravações deram início após todos estarem devidamente prontos. Começou por Tom Hiddleston contracenando com Samuel Jackson, em sequência veio Scarllet junto à alguns colegas. Em seguida veio Mark Ruffalo ao lado de Johansson novamente, enchendo seu amigo de orgulho.

Com o canto do olho ele conseguia ver Robert – não que ele se importasse ou algo assim –, o moreno estava ensaiando suas falas. Ele estava tão concentrado, o cenho franzido, o lábio inferior entre os dentes e os cabelos bagunçados. Chris teve de controlar-se para não ter uma ereção bem ali diante de todas aquelas pessoas, seria constrangedor. Todavia, ficava difícil permanecer com a mente limpa com aquela pele exótica a centímetros de seu corpo. Robert causava em Chris sensações que nenhum outro fora capaz antes, ele fazia o loiro querer ajoelhar-se e se submeter onde quer que fosse a quaisquer hora.

Evans suspirou baixinho, voltando a analisar seu texto cuidadosamente, evitando de ser pego no flagra pelo moreno. Logo seria sua vez de entreter o público.

◇◇◇

Ele não estava nervoso, pelo contrário, amava o que fazia e exercer era sua paixão, porém algo o deixou apreensivo durante todas as tomadas que fizeram. Chris não estava bem, estava estampado em seu semblante e tudo que Robert queria era o envolver em seus braços e sussurrar que tudo ficaria bem, que ele não precisava ter medo. Mas não o fez, como poderia?

Ao invés, ele ficou quieto, observando o jovem encenar em meio a brincadeiras de seus amigos, o que parecia acalmar o louro certas vezes.

Talvez fosse um pouco ecoísta de sua parte impor tanto o bem estar do outro e esquecer do seu próprio.

Talvez ele devesse para de pensar tanto no louro e seguir em frente verdadeiramente.

Talvez devesse concentrar-se em seu casamento e em como ele está beirando a ruína.

Talvez devesse nunca ter dito o que disse no passado.

Porém... Uma vez disse Bob Marley: “ É difícil ir quando se quer ficar, sorrir quando se quer chorar, mas difícil mesmo é esquecer quando se quer amar. “

Ele não precisava de mais nada para saber que, apesar da confusão que estava prestes a se meter, não iria desistir até conseguir o que queria.

Após horas e horas de gravações – entre curtos períodos de pausa –, o elenco estava livre para ir embora. Chris agradeceu aos céus por isso, sua cabeça latejava de agonia e nada no mundo o privaria de uma longa noite de sono.

- Quer companhia hoje? – braços fortes rodearam sua cintura, o pegando de surpresa.

- Chris! – Evans exclamou esbaforido, correndo o olho rapidamente pelo o ambiente vazio do banheiro. – Alguém pode nos ver. – murmurou escorregando para fora dos braços alheios.

Hemsworth bufou, revirando seus olhos.

- E daí? – o loiro jogou os braços para o alto, indignado. – Eu quero que nos vejam, quero que todos saibam sobre nós, baby!

O menor suspirou, apoiando seus punhos fechados sobre o mármore da pia, onde ele lavava as mãos antes de ser abruptamente interrompido.

- Por favor, não vamos entrar neste assunto novamente. – pediu exausto. – O dia foi longo, tudo que eu quero no momento é sossego.

Seu parceiro suspirou derrotado, encarando o azulejo na parede antes de tornar a falar.

- Eu amo você, Chris. – afirmou duramente, chamando a atenção do amado.

Evans o encarou atônito, utilizando de alguns minutos para digerir o que acabara de ouvir. Seu coração queria saltar da boca para fora, algo lhe dizia que aquela ainda não era a hora. Certo que estavam juntos a quatro anos, mas... Era mesmo amor?

- Amo! – o loiro deu de ombros, direcionando seu olhar vazio ao rapaz em choque ao seu lado. – Eu deveria dizer isto? É cedo demais? Tem uma hora exata para a verdade ser dita? – indagou caminhando ao seu encontro, tocando sua cintura coberta pela camiseta branca. – Eu amo você e não tenho medo do que irão pensar. – murmurou apertando a epiderme alheia, pressionando seus corpos, consequentemente forçando as ancas de Evans contra o mármore gélido da pia.

- Eu... – sussurrou perdido, encarando-o fixamente, buscando uma resposta no fundo daquela imensidão azul.

Hemsworth sorriu carinhoso esbarrando seus lábios em um selinho.

- Eu não quero ouvir se não for verdade, então... – o louro suspirou, desviando seus olhares brevemente. – Deixa rolar.

Aquilo fez Evans abrir um sorriso singelo.

- Obrigado! – o menor tocou seus lábios novamente, dessa vez em uma lasciva envolvente usando seus braços para enlaçar o pescoço alheio em um abraço apertado.

O ranger da porta abrindo os fez afastarem-se abruptamente, os pegando de surpresa.

Robert encarava os dois loiros com um misto de sentimentos enquanto Chris mantinha seu olhar preso ao chão constrangido. Vendo que ninguém iria falar nada, Downey cruzou seus braços arrebitado seu nariz antes de pigarrear desconfortável.

- Atrapalho? – aquilo arrancou de Hemsworth um riso debochado.

- Não se preocupe, terminamos em outro lugar. – o maior lhe mandou uma piscadela antes de fixar seu olhar no amado. – Vamos? – questionou risonho.

Evans estava prestes a perfurar o chão e enterrar-se até a cabeça para não encarar os dois homens naquele banheiro. Era tão constrangedor que o louro só fora capaz de assentir e acompanhar seu parceiro.

- Até mais, Downey! – Hemsworth acenou lhe oferecendo mais um sorriso sarcástico, recebendo em troca um olhar mortal e um bufo.

Ele não tinha direito de ficar chateada, tão pouco de entrar no estado de raiva que havia entrado após ver Chris sair porta a fora sem nem ao menos lhe lançar um último olhar, porém ele entrou e ficou puto – essa era a palavra certa para o descrever. A raiva, o arrependimento, corroíam seu interior como ácido enquanto sua cabeça borbulhava ódio.

O dia não poderia ter sido encerrado de outra forma brilhante.

◇◇◇

Trabalhar em uma cafeteria durante toda a sua faculdade fora algo realmente intrigante. Tantas pessoas passaram por sua vida em tão pouco tempo, todas com uma história, um medo, um coração partido... Tantas histórias... Ele gostava de capturar algumas, ou melhor, momentos, com a sua câmera polaroide quando lhe era permitido, por isso a razão do seu apartamento ser cercado de fotos do chão ao teto, tomando conta de uma ou duas paredes e, às vezes, nem as janelas escapavam.

O relógio sobre a cabeceira ao lado indicava sete em ponto. Hora de levantar para ir ao trabalho. O garoto ainda teria de pegar o metrô para chegar ao seu destino final, o que não era de todo ruim pois ele sempre amou o fluxo agitado da cidade e presenciar o tempo correr por entre as ruas e esquinas, cercando as pessoas em suas vidas. Isso o fazia questionar: será que sabiam que o tempo era curto? Outrora longo demais?

Devidamente pronto ele alcançou sua mochila e uma maçã na cozinha pequenina do local.

Era apenas mais um dia comum. A senhora, dona da floricultura ao lado do seu prédio no Brooklyn, lhe desejou um bom dia como sempre. Pessoas esbarraram em seu ombro e não pediram desculpas. O metrô recheado de rostos desconhecidos, por vezes, sempre tão intrigantes. Seu fone ao alcance de seus tímpanos tocando uma música metódica acompanhando o ritmo de seu cotidiano. O Sol brilhando por entre as nuvens, tocando a ponta dos prédios e o fim das esquinas, aquecendo até a última folha de uma árvore qualquer no Central Park.

Seu trabalho em Velenc, um laboratório que estudava a vida marinha, havia acabado de o contratar definitivamente – enfim a vida corrida de estagiário iria ficar no passado – e ele não poderia estar mais feliz com isso. Seus pais não eram ricos, mas tinham sua estabilidade financeira e, graças às suas notas, não fora difícil entrar ela uma faculdade de ponta, então agora tudo que precisava fazer era estruturar-se sobre seus pés e sua vida adulta.

- Bom dia, Andrew! – sua colega de trabalho, Gwen, o cumprimentou educadamente ao aproximar-se.

- Bom dia, Gwen! – o moreno a lançou um sorriso simpático.

Ambos cruzaram a porta giratória enquanto a ruiva puxava um assunto sobre a tartaruga que havia chego a pouco tempo após ser resgatada da praia pois estava presa a uma rede de pescas.

O hall do local eram extenso, cercando por vidrais que davam uma bela visão do que havia lá dentro. Um balcão divida a entrada dos funcionários e os curiosos, este que tinha a par alguns seguranças e uma recepcionista que pedia por crachás.

- Você soube que temos um novato na equipe? – Gwen questionou aos cruzarem a catraca após mostrar seu crachá.

- Não. – murmurou franzindo o cenho. – Quero é?

- Um tal de Ryan. – a ruiva deu de ombros. – Ainda não o vi, mas disseram que ele é gatinho.

- Gwen... – Gargield a repreendeu em meio a um riso nasal.

- O que? É interessante saber esse tipo de coisa, mané. – a mulher abriu um sorriso sugestivo, balançando as sobrancelhas em um gesto brincalhão.

- Se você tá dizendo... – o maior deu de ombros.

Seguindo reto pelo corredor esbranquiçado, com vidrais ao lado esquerdo que davam vista para as piscinas onde tratavam os animais, ambos foram na direção dos vestiários, trocar suas roupas de vestissem adequadamente.

- Você precisa aprender sobre o lado bom da vida, meu querido amigo! – Gwen sorriu ladina enquanto abria a porta de acesso aos vestiários.

Outra vez Andrew revirou seus olhos, adentrando o local sem desviar o olhar da ruiva.

- Não... – Gargield estava prestes a protestar e dizer que o lado bom da vida deveria estar a quilômetros de distância, mais especificamente em uma ilha no Havaí, quando outro rapaz de porte bem maior que o seu esbarrou em seu ombro.

- Cuidado aí, garoto! – o castanho de olhos avelã sorria brincalhão na sua direção o deixando mudo por alguns milésimos cortados por segundos. – Tudo bem? – questionou educado.

Andrew assentiu rapidamente, tocando a alça de sua mochila para não cair do apoio de seu ombro.

- Tudo, tudo certo. – o moreno sorriu constrangido, estendendo sua mão na direção do estranho. – Andrew Garfield.

O castanho intercalou seu olhar entre a mão estendida e o garoto que ainda o encarava curiosamente.

- Prazer, Andy! – ironizou ao oferecer um aperto de mãos amigáveis. – Ryan Reynolds.



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