História Romantic Murders - Capítulo 13


Escrita por: e tosunnie

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys, Bts, Drama, Hospital, Jin! Centric, Jinmin, Namjin, Plot Twist, Psicológico, Serial Killer
Visualizações 45
Palavras 6.236
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá queridos amores da minha vida. Como podem perceber, não deixei mais um penhasco tão grande de demora quanto ao último capítulo postado e pretendo manter esse mesmo ritmo enquanto o meu tempo anda mais livre por conta do semestre estar acabando (F I N A L M E N T E). Estamos cada vez mais próximos do fim, mas não fiquemos triste quanto a isso.

Esse capítulo foi escrito por mim, mas 100% com auxílio da minha pessoa favorita no mundo a.k.a @Tosunnie, então terá um pouco de nós dois. Espero que gostem, boa leitura. <3

Capítulo 13 - Água


j i m i n

E, de repente, o humor do ambiente mudava. Algo que Taehyung não compreendeu de primeira, mas os outros dois presentes entendiam muito bem quando trocaram olhares entre si. Com a pouca capacidade de pensar que ainda o restava, o psicólogo cortou da lista de vítimas quem já havia sido citado até ali e parou no último nome.

– Park Jimin. – Taehyung balbuciou após uma tosse doída, erguendo a cabeça para poder olhar o paciente nos olhos.  – Você me disse o nome dele antes mesmo de ter sua memória de volta. Por que?

Seokjin respirou fundo, olhando para os próprios pés com uma expressão que raramente era vista em seu rosto. Para Taehyung, era a primeira vez que presenciava depois de saber toda a verdade. Ele parecia triste. Diferente de Namjoon, este notavelmente sentia algum tipo de raiva.

O garoto passou mais um tempo em silêncio, sentindo em seu peito um aperto que não lembrava, que não lhe era natural. Até o momento tudo o que havia sido trazido de volta para sua memória não carregava um peso emocional muito especial – no máximo o fazia relembrar sensações prazerosas e doentias, além da diversão –. Isso tudo não era difícil de digerir, sentia-se contando histórias engraçadas em uma roda de amigos. Mas aquele nome, aquela pessoa… lembrava-se bem do porquê a sessão de hipnose a qual o mencionou fora tão dolorosa para si.

Foi necessário engolir seco um choro. Mesmo que Namjoon ou Taehyung não pudessem perceber por trás da expressão vazia, havia enorme desconforto e melancolia ardendo por dentro do jovem.

– Essa é mesmo necessária? – Namjoon sussurrou.

– É óbvio. É uma história interessante… – Seokjin o interrompeu imediatamente, após perceber que o silêncio perdurava por muito tempo. – Apesar de ser a mais difícil de organizar nas minhas lembranças. Imagino que tenha tido um esforço extra para apaga-la de mim, não é, amor? – De forma sarcástica, olhou para o mais alto por cima do ombro, este que agora sentia-se como culpado. – Dessa vez o melhor não ficou para o final, Tae. Mas não poderia faltar.

Na mais profunda sinceridade, queria poder pular aquela parte. Mas o custo disso seria parecer frágil, e isso não aceitaria.

Em tudo, apenas um lado seu era exposto: o assassino. Era chegada a hora de expor o lado ainda mais sombrio para o próprio Seokjin: o lado humano.

Aquele dia em particular havia sido cansativo ao extremo. Sentia a exaustão passando por cada um de seus músculos, ao nível de dar-lhe arrepios. Porém ainda não era o suficiente para fazê-lo ir direto para casa. Seus pensamentos, como de costume, não paravam quietos. Esperava que sujar-se de graxa no calor infernal de uma oficina por 14 horas ao dia, acumulando queimaduras e arranhões, iria ser distração o suficiente. Mas não era. Nem um pouco.

Jimin já dirigia sem rumo por mais tempo que pôde contar, até encontrar a placa de um bar. Nem mesmo sabia que rua ou parte da cidade estava, mas a falta de iluminação ou de algum sinal de vida apontava estar bem longe de casa. Bem como queria. Sua velha e enferrujada picape Chevrolet não chamaria atenção de ninguém, então apenas estacionou em um terreno baldio ao lado. Encheria a cara, não lembraria nem seu próprio nome por algumas horas e saborearia aquele rápido nirvana de mente vazia. Duraria pouco, tinha noção, já que não importava o que fizesse ou pensasse, tudo servia como motivo para estar triste, desanimado e afins. Mas valia a pena tentar.

O bar era um barraco sujo caindo aos pedaços. Os poucos clientes eram indivíduos estranhos sem vida no olhar que pareciam estar ali há dias. Ao menos não precisaria fingir estar tudo bem. Sentou-se em frente ao balcão, mal notando a presença de alguém ao seu lado. Foi servido com uma garrafa de cerveja, que esvaziou pela metade em uma só virada. E só então pôde vislumbrar aquela figura. Tinha quase certeza que aquele garoto era novo demais para estar ali, mas não estava em posição de opinar na vida de ninguém.

– Vodka, hein? E eu achando que estava querendo apagar rápido. – Lançou no ar, fingindo não se importar muito com quem falava.

Seokjin olhou para aquele estranho em particular pelo canto dos olhos. Apesar de toda a sujeira preta cobrindo sua pele, a aparência dele — assim como a sua própria — não combinava com um lugar daqueles. Notavelmente mais velho que si, talvez da idade de Namjoon, e até que atraente. Resumidamente, nada que o garoto considerasse muito.

– É água. – Replicou sem entusiasmo.

O jovem já estava esgotado. Os últimos dias estavam sendo os mais infernais de sua vida, já que Namjoon nunca esteve tão paranoico em protege-lo. Não suportava mais aquela casa, o ritmo da sua rotina, a pressão de estar sempre se escondendo. Algo dentro de si não o deixava em paz, vozes em sua cabeça pediam por liberdade. Nunca havia se sentindo tão louco.

Nem mesmo deveria estar fora naquela hora, mas estava estressado. Todos esses fatores contribuíram para que, diferente do que normalmente faria, que seria ignorar aquele papo por completo ao notar que não resultaria em nada de seu agrado, acabasse respondendo ao estranho.

– Por que alguém viria a esse lugar para beber água? – Jimin prosseguiu após curto silêncio.

Seokjin deu de ombros, apontando o olhar para a frente.

– Ajuda minha mente a ficar quieta. – Respondeu. Não esperava de si mesmo ser tão sincero, mas ali estava: quebrado o suficiente para deixar de lado o sarcasmo.

Jimin já desenvolvia certa curiosidade por aquele jovem e não passava disso, até que naquele exato momento tais palavras foram ditas. Sentiu arrepios por todo o seu corpo, esses que foram muito mais intensos que os arrepios do cansaço. Aquele sentimento… Era como o seu. Se considerava capaz de perceber almas vazias, já que era o melhor exemplo disso. Não precisava de muito para notar, mas o garoto foi o primeiro a se aproximar tanto de seu próprio caso. Estava assustado ou emocionado com o tal?

Compreendeu aquelas poucas palavras tão bem que suas fracas estruturas chegaram a ponto de desabar ali mesmo e fazê-lo começar a chorar, o que não seria surpresa, mas se conteve o máximo que pôde. Você quase foi um psicólogo, Park Jimin. Saber controlar as emoções é o mínimo que deve saber, repreendeu a si nos pensamentos.

– Você- – Sua voz saiu rouca e chorosa, o que resolveu com uma rápida tosse antes de prosseguir. – Você parece jovem para estar sozinho em um lugar como esses. Aconteceu alguma coisa na escola?

Seokjin riu.

– É. A escola, claro. – E lá o sarcasmo voltava, tão claramente que até Jimin riu.

– Então... Em casa? – Sugeriu mais uma vez, tentando esgueirar-se para ter acesso às expressões do mais novo. A péssima iluminação dificultava ainda mais.

– Por que tanto interesse, cara? – Pela primeira vez Seokjin se virava para o outro, com claro incômodo em sua feição.

– Bom, não vejo nada mais interessante de se fazer nesse lugar além de conversar. E você não parece alterado pela sua... água. Tem alguma ideia melhor? – Manteve a serenidade em sua voz, com um sorriso no canto dos lábios rosados. Esses pequenos detalhes em sua feição e ações geravam um tipo estranho de conforto em Seokjin. Não era ocasionado por fingir quem não era, ou por estar sendo bajulado. E era estranho aquela altura.

– Digamos que seja um problema pessoal. – Disse, após um longo minuto pensando sobre as consequências de estar se abrindo com um total desconhecido. Porém, poderia pensar em zero pessoas que teria a oportunidade de ser sincero e continuar mantendo por perto, e duvidava encontrar aquele cara alguma outra vez durante sua vida, então que mal faria? Havia Namjoon, mas ele já sabia o suficiente, se deixasse que ele soubesse de seus sentimentos, se sentiria desesperado demais para seu próprio orgulho.

– Há algo em mim que é impossível de lidar sem ter sérias consequências. E não posso me livrar porque me sinto vazio e incompleto sem. É... – Parou para um riso soprado como de decepção para consigo mesmo. – É idiota.

– Idiota? – O moreno contestou imediatamente ao fim da frase alheia. – É tão idiota quanto … não sei, sentir-se sem fôlego embaixo d'água. – Negou com a cabeça, mantendo seu sorriso, enquanto mais uma vez virava a garrafa de cerveja. – Não sei do que se trata, e não sei quais as consequências, mas posso afirmar que não é isso que o faz ser quem é. Poucas coisas são essenciais o suficiente para tornarem alguém incompleto. E creia que está ouvindo isso de alguém experiente no assunto.

Finalizou com uma risadinha fraca, o que deixou Seokjin ainda mais atônito.

O rapaz sabia pelo que geralmente era movido: histórias trágicas. Adorava usá-las contra as próprias vítimas. Adorava o sabor de um ponto fraco sendo perfeitamente tocado, espremido, destroçado. Nunca falhava em dá-lo arrepios de puro prazer apenas em pensar. Apenas de olhar para aquele estranho de rosto sujo, podia notar que era uma pessoa acabada; não só pelas marcas de expressão, olheiras escuras ou postura cansada. A forma como o falou deixava claro. Parecia carregar uma melancolia especial em cada palavra. Não soube como explicar, mas até a mais triste das histórias que suas últimas vítimas haviam contado foram capazes de envolve-lo como aquelas simples palavras estavam sendo.

Seokjin parou por um segundo, mantendo o olhar fixo naquela pessoa. Nem mesmo sabia o que fazer ou pensar.

– Quem é você? – A ideia de sair dali imediatamente acabou se tornando fraca contra a curiosidade.

– Park Jimin. Ninguém relevante, para ser sincero. – Riu enquanto abaixava a cabeça.

Talvez o que sentia era raiva, das que o faziam capaz de desfigurar rostos com garrafas de vidro, quebrar ossos ou carbonizar corpos. E o motivo desta era o fato de estar chegando a ponderar continuar na companhia daquela pessoa sem nenhum interesse envolvido além da companhia em si. Aquilo não era natural de si.

– E… Bom, por que quer apagar rápido, Jimin? – Deu um gole no copo de água, mantendo a calma.

– Semelhante ao seu motivo. Mas no meu caso, só álcool e ressacas podem vir a funcionar. Isso quando funcionam. – O fato de dizer isso com calma e tranquilidade pareciam acender uma chama em Seokjin. Era um sofrimento que parecia ter impregnado na pele daquela pessoa ao nível de acostumá-lo a isso. – Fuja enquanto há tempo, garoto. Você ainda pode não terminar como eu.

– Eu não acho que esteja pior que eu. – Seokjin prosseguiu após o curto silêncio entretido com seus pensamentos.

– Olha só pra você. – Se atreveu a estender sua mão, usando dos dedos pequenos para acariciar o rosto de Seokjin, sujando um pouco deste. – Não poderia estar no meu estado e continuar resplandecente assim. Com todo respeito.

– Se "as aparências enganam" se tornasse uma pessoa, resultaria em mim. – Seokjin negou com a cabeça, afastando-se daquele contato em seu rosto.

– Adoraria não ser enganado por sua aparência, então. Que tal me ajudar nisso? Pode começar com seu nome?

– Seokjin. Kim Seokjin.

O garoto sempre carregou em si a sensação de estar dividindo um só corpo com duas personas, essas possuindo diferentes formas de pensar, agir e sentir. A primeira persona, a que sempre dominou, não era muito propensa a sentimentos. Na verdade, não se importava com eles; sentir era uma perda de tempo e apenas atrapalharia a sua real diversão. E estava satisfeito em alimentar essa parte, pois foi com ela que conseguiu lidar por toda sua vida até aquele momento.

Porém, no pouco tempo que passou conhecendo Park Jimin, a segunda persona oprimida de si, que nem sabia se ainda existia, passava a ganhar algumas gotas de vida. Seokjin nunca precisou ser compreendido, odiava conversas longas, pouco se importava em ser ouvido ou não. Mas conforme passava algum tempo com aquele rapaz, conversar não parecia tão ruim, mesmo não deixando de ser estranho.

Foi ainda mais estranho quando concluiu que aquela rápida troca de palavras valeu a pena, considerando o sermão gigantesco que recebeu de Namjoon ao voltar para casa. E enquanto estava na presença deste, Seokjin se tornou reflexivo mais uma vez. Por que não se sentia acolhido daquela forma quando conversava com o namorado? Entendia da grande utilidade e subordinação dele, mas não havia nada além daquilo. Ao menos não ao seu ver.

Olhava para o moreno em pé na sua frente com o celular pendurado na orelha, provavelmente conversando com alguém da polícia para cuidar da parte chata de toda aquela história, enquanto estava deitado na cama. O acompanhava com os olhos. Ficou daquela mesma maneira por longos minutos, quem sabe horas, até que foi notado por este. Namjoon se virou para ele com um olhar confuso, afastando o celular do rosto para perguntar se havia algum problema. Seokjin negou com a cabeça. E então, Namjoon voltou para os afazeres.

Passou aquele dia inteiro por perto de Namjoon, aparentemente sem maiores intenções, mas cada segundo estava sendo cuidadosamente estudado pelo mais novo. Enquanto Namjoon assinava documentos de transferência do hospital que recebeu como presente, permanecia sentado no canto da mesa, observando-o. Vez ou outra recebia atenção com um selar, ou uma carícia, mas ficava daquela maneira. No fim do dia, acabaram transando depois que todo o trabalho árduo do outro havia se encerrado. E nada mais.

Durante todo aquele tempo que passou fielmente ao lado do namorado, nenhuma vez sua atenção incluiu algum tipo de conversa. Ficava o questionamento: Namjoon já estava condicionado ao tipo de personalidade que Seokjin havia construído até aquele momento e nem mesmo tentava se aprofundar, ou simplesmente não chegava a se importar com o tal?

Seokjin permaneceu com aquilo em mente.

No dia seguinte, repetiu o mesmo enfadonho processo rotineiro de estar preso naquela casa. Dessa vez Namjoon teve de sair, deixando claro as regras: “não saia, não abra a porta para ninguém, feche as janelas, não seja visto, me ligue caso qualquer pessoa aparecer”. Seokjin acenou como quem iria cumprir alguma delas. Assim que foi deixado sozinho, saiu.

Já era início da noite, saiu encapuzado e usando uma máscara hospitalar com os fios longos de sua franja preta caindo sobre os olhos. Não chegava a ser ameaçador ou chamar atenção, mas também era suficiente para manter-se de difícil reconhecimento, considerando que poderia estar sendo seguido. Foi a pé pelo mesmo caminho antes tomado, resultando na periferia que o velho e acabado bar se encontrava. Não mentia para si mesmo em suas intenções: tinha esperanças de encontrar Jimin. Achava difícil, já que o primeiro – e até o momento único – encontro havia ocorrido há dias atrás, mas torcia para o rapaz ser persistente.  

Assim que iria botar-se para dentro, foi surpreendido com um toque brusco no seu ombro, e tudo de pior passou por sua cabeça: é um policial, ou um amigo de Jungkook e Hoseok, ou alguém disposto a mata-lo. O olhar assustado com rosto pálido não disfarçou o suspiro aliviado ao encontrar o sorriso largo e infantil com sujeira de graxa atrás de si.

– Estive vindo aqui tem quase uma semana esperando que retornasse. – O mais velho confessou enquanto tomavam uma caminhada, considerando que ambos consideravam o ambiente do bar desnecessário no momento. – Sei que é estranho, mas foi uma boa companhia que não se acha todo dia, sabe?

Seokjin concordou com a cabeça, porém se manteve calado boa parte do caminho. Apesar de aproveitar daquela companhia, havia muito em sua mente o distraindo

– Você está bem? Lembro de ser calado, mas não tanto assim… – Jimin questionou após certo tempo falando sozinho.

O mais novo mais uma vez parava pra pensar. Respirou fundo, elaborando alguma história.

– Acho que meu namorado não gosta de conversar comigo. Fico ao lado dele todo o dia, toda hora, mas não o vejo se esforçando para falar comigo. Está resolvendo alguma coisa no celular, ou vendo documentos. – Mantinha o olhar no chão e, por incrível que fosse para si, era sincero.

– Você costumava conversar com ele? – Jimin o lançava preocupação com o olhar.

– Sim. Quer dizer… falávamos sobre uma determinada situação. Mas essa situação parou de acontecer… Como se eu não fosse interessante o suficiente por mim mesmo, só com o que a situação trazia.

– Isso pode ser verdade. Ou, ele pode apenas estar aguardando que você mesmo tente conversar.

Seokjin apenas riu em resposta.

– Não vamos falar sobre ele. Não me importo tanto assim. – Deu de ombros. Também estava sendo sincero com isso. – Pode me mostrar onde você mora? Eu não me sinto confortável nas ruas.

Jimin tornou-se relutante de início, frisando que não era um lugar confortável e agradável de se estar. Seokjin, apesar de acostumado com o luxo que a casa de Namjoon geralmente o trazia, também estava mais acostumado ainda com lugares miseráveis, considerando suas duas últimas vítimas e a quantidade de vezes que os havia visitado naquelas áreas. Dificilmente o mais velho viveria em um lugar pior do que aqueles. Não podendo dizer toda a verdade, apenas disse que não se importava, contanto que estivesse fora das ruas. Jimin era fácil de se convencer, talvez pelo fato de realmente ser tão solitário quanto parecia, não dispensaria uma boa companhia.

Vivia em um apartamento apertado e estreito num motel semelhante aos de beira de estrada, onde se passa apenas uma noite. Apesar de bastante humilde, ainda era possível ver certa organização. Bem melhor que, por exemplo, a completa imundícia que Hoseok chamava de casa. Ao passar pela estante, Seokjin não pôde deixar de notar a foto de uma mulher se repetindo dentre vários retratos.

– Quem é ela? – Questionou, apontando.

Jimin pareceu pálido por alguns segundos, engolindo em seco. Aproximou-se, tocando a foto com o pequeno indicador, e então sorriu sôfrego.

– Era minha noiva. – Aquela simples frase fora notavelmente dolorosa de ser dita.

– Vocês se separaram?

– Fomos separados…

Park Jimin era uma pessoa destruída. Aceitou a si mesmo como um vacilo da Criação. Algum tipo de castigo, um erro que passou despercebido aos olhos da existência.

Em seus anos, havia perdido cada um dos motivos para viver. Rastejou por sua juventude com a exigência constante de seus pais pela perfeição. Suas notas, sua inteligência, sua educação, nada era suficiente. Não era suficiente como filho. E apesar do constante sentimento de ser incompleto, uma hora estava acostumado a conviver com isso.

Passados os primeiros árduos anos, estava em sua faculdade de psicologia, ingressando com louvor. Louvor esse que, mais uma vez, não vinha de seus pais, porém serviu para distraí-lo de toda a atribulação que encontrava em casa. Era melhor do que não ter pais, afinal. Haviam pessoas em situação pior que a sua, e poderia ajudá-las. Era seu objetivo. Por isso escolheu essa carreira, viveria para ela e encontraria enfim algo para deixá-lo completo.

Errado.

Trilhou o caminho de universitário esforçando-se com todas as forças para ser perfeito, como havia sido forçado a ser durante os anos anteriores, até o momento da apresentação de sua tese final. Por motivos que não soube ou teve forças para saber, fora acusado de plágio com seu trabalho. Embora tivesse certeza do planejamento do tema e se certificado da inexistência de trabalhos semelhantes, foi provado que um aluno da sua classe havia apresentado anteriormente um trabalho exatamente igual. Ficou sem reação. As provas eram concretas e inconfundíveis, e mesmo tendo certeza que não havia copiado nem mesmo uma palavra de outra pessoa, sua inferioridade o fez apenas aceitar.

Jimin teve de levar até seus pais a notícia de ter de pagar uma altíssima multa pelo crime de plágio, além de ter sua formação interrompida.

A decepção foi tamanha que nem mesmo ficou surpreso quando foi expulso de casa e teve as relações totalmente cortadas com seus pais. Não reclamou quando assinou o termo de emancipação, pois merecia aquilo. Era uma decepção. Insuficiente como filho. Estava longe da perfeição. Porém, ainda sim havia pessoas em uma situação pior que a sua e não desistiria de lutar por seu objetivo de ajudá-las.

Sozinho no mundo, conseguiu um trabalho de meio expediente que aceitou sua experiência durante os primeiros anos de seu curso. Usou o salário para pagar a faculdade, uma de bem menor renome, porém seria suficiente para finalmente conseguir realizar seu sonho. Não foi o melhor momento de sua vida, já que dividir o tempo de trabalho com o de estudos era torturante, e seu salário estava longe de ser capaz de arcar com suas necessidades básicas e a mensalidade da universidade ao mesmo tempo. Porém, era seu sonho. Precisava dele para se sentir completo.

No meio tempo, durante toda a bagunça de sua vida, uma luz parecia acalmar as coisas. Uma luz chamada Jung Jinsoul. A conheceu em sua nova universidade, e pela primeira vez, sentiu-se completo. Tendo uma noiva, as despesas foram repartidas, não teve de preocupar-se tão fervorosamente quanto antes. Além de tudo, agora possuía mais um motivo para lutar. Mais dois, para ser exato. Jinsoul descobriu estar carregando o fruto daquele momento tão perfeito da vida de Jimin. Estavam sendo os melhores seis meses de sua vida. O rapaz mal podia acreditar que um dia toda a escuridão acabaria naquele lugar tão maravilhoso à luz do sol.

Novamente, estava errado.

Na noite em que iriam oficializar a união no cartório, como uma comemoração de terem descoberto que esperavam um bebê, um descuido de Jimin na estrada resultou em um fatal acidente, que infelizmente para si, levou as vidas erradas. Jimin sobreviveu sem maiores sequelas, porém sua noiva e a criança que mal tinha forma em seu ventre partiram em um piscar de olhos.

A sensação de dar um passo em falso no último degrau da escada é assustadora, porém não se dá a atenção, pois dura milésimos de segundos. Jimin sentia-se carregando essa sensação por horas. Dias. Anos. O passo em falso nunca encontrou o chão novamente. Estava em uma queda constante, perdido, uma cratera em seu peito o impedia de encontrar-se.

Com a perda dolorosa a um nível de parecer incapaz de existir, terminar a faculdade mais uma vez foi impossível. Nem mesmo fazia mais sentido algum para o rapaz. Não tinha forças ou motivos para seguir em frente, desejava os piores castigos sobre si.

Não era digno nem de tirar sua própria vida, pois ter o mesmo fim que causou a sua noiva e a seu filho seria injustiça para com eles. Deveria viver e ter esse sofrimento consigo para sempre. Até que a própria morte o carregasse para seu castigo eterno. A depressão foi tão bem aceita que passou a ser parte de si. Felicidade real ou ânimo para viver eram ideias distantes, inalcançáveis e principalmente indignas de possuir.

No fim, ser assistente em uma oficina fajuta nas periferias da cidade foi o que se achou digno de fazer. Esperava que os choques, o mal cheiro e as queimaduras o lembrassem diariamente do porquê havia acabado ali: por ser insuficiente. Não foi perfeito o suficiente como filho, não foi esforçado o suficiente como aluno, não foi cauteloso o suficiente como noivo ou pai. Não merecia o suficiente para viver. Jimin passou a acordar toda manhã apenas esperando ter algum prazer naquela ação, ou em qualquer outra. Porém nunca era capaz.

As coisas mudaram após Seokjin saber disso. Acreditava ainda estar com Jimin para livrar-se dele como livrou-se de Yoongi, Jungkook ou Hoseok. Porém, não era daquela forma e nem havia sido anteriormente. Seokjin não pretendia matar Jimin.

A partir dali a rotina de ambos havia mudado. Seokjin já havia aceitado que a relação que desenvolvera com Jimin não poderia nunca ser a mesma que desenvolveu com Namjoon. O namorado passava pouco a pouco ser diminuído ao subordinado que resolvia suas questões, e o rapaz nem se dava conta disso.

Todo o tempo que Namjoon gastava investindo na liberdade de Seokjin era também o tempo que o dava liberdade para longe de seus braços.

Acabou criando uma nova rotina de escapar para encontrar Jimin. Algumas vezes o visitava na oficina, apenas para o ver trabalhando, o que foi uma mudança drástica no humor de Jimin, que sorria mais e fazia tudo mais rápido. Os outros funcionários até passaram a criar uma piada interna, dizendo que deveria ter arranjado um namoradinho antes para o bem dos clientes. Por outras vezes, passavam o tempo no apertado apartamento do mais velho, apenas jogando conversa fora.

– Por que ainda está com Namjoon?

 O moreno perguntou, enquanto estava deitado debaixo de um carro, consertando-o, e Seokjin sentava no chão ao seu lado com um sorvete em mãos. A pergunta o deixou calado por longos minutos, coisa que Jimin já tinha ideia que aconteceria, como sempre que o assunto era o relacionamento dele.

– Eu já estou com ele há muito tempo. Preciso dele. – Era a resposta padrão.

– Você sempre diz isso, mas eu não entendo. – Jimin se arrastou para frente, saindo debaixo do veículo e sentando-se ao lado do outro. – Tudo o que me conta é como sempre acaba sendo deixado de lado. Não sei o que ele faz para você que é tão importante, mas parece estar sendo movido pelas coisas erradas. Do que adianta cuidar de toda sua vida, se estar com você no final não é a prioridade?

Seokjin riu e negou com a cabeça, desviando o olhar. Odiava ficar sem palavras.

– Não quero te influenciar a nada, você sabe. Mas sabe também que a minha proposta ainda está de pé. – Sorriu e beliscou a bochecha do outro, retornando para debaixo do veículo.

Algo mudava dentro de Seokjin, podia sentir. Fazia mais de um ano desde que não se encontrava sendo um assassino. No início havia sido um inferno, e o que o salvava eram as lembranças do sangue, dos gritos, do ódio, da satisfação. Mas agora, aquele vazio que apenas a diversão de brincar com as fraquezas de alguém o trazia parecia ser um pouco preenchido ao ter conhecido Jimin. Não de forma romântica – estava longe de sentir uma paixão por ele –, ou de forma condicional – como estava sendo com Namjoon –. Apenas se sentia bem ao seu lado. Com certeza amava Namjoon, mas ele não era suficiente. Não mais.

– Você não pode estar falando sério… – Namjoon sorria. Não tinha forças para pensar que não era brincadeira.

Seokjin se mantinha sério, imutável. Não havia um só tremor em sua voz.

– Não precisa mais cuidar de nada. Não contate nenhum policial. Não suborne ninguém. Não me vigie. Não se lembre de mim. – Prosseguiu na fala, colocando a outra alça da mochila nas costas, e virando-se, pronto para deixar aquela casa e não voltar mais.

– Você não vai sair daqui até me contar o porquê. – Namjoon não economizou na força ao puxá-lo pela mão. – O que deu em você, Jin? Por que isso de um dia para o outro?

– De um dia para o outro? – Puxou com força sua mão do contato do outro, dando um passo para trás já vermelho de raiva. – Já fazem meses, Namjoon! Meses que eu tento encontrar uma única utilidade para você na minha vida a não ser limpar minha bagunça e não encontro. Você nem mesmo pôde notar diferença alguma em como eu estava? Te chamar de namorado foi realmente a maior mentira que eu já contei.

Namjoon engoliu seco. Provavelmente foi a coisa mais dolorosa que já pensou ouvir.

– É aquele Jimin, não é? – Perguntou em voz grave, comprimindo o maxilar e rangendo os dentes.

– Talvez seja. Mas não é mais da sua conta. – Mais uma vez se virou e caminhou em direção a porta do quarto.

– Então vai em frente e conta para seu querido qual é seu passatempo favorito quando não está fingindo ser um adolescente qualquer! Conta para ele quantos cadáveres você me fez enterrar, quantas vidas você tirou com as próprias mãos! Conta que você não passa de um maldito assassino! Quero ver o quão bem ele pode te conhecer para não correr para a primeira delegacia e te denunciar, só pra você voltar correndo para me pedir ajuda novamente! Como sempre faz e sempre vai fazer!

– Você acha mesmo que eu preciso de você? Eu nunca precisei, Namjoon. Você fez o que fez porque achou que faria eu te amar de verdade por isso. E não fez. – Foi o que Seokjin disse antes de deixa-lo.

Enquanto caminhava pelas ruas escuras, mal podendo segurar o ódio que ardia como febre, aquelas palavras de Namjoon ecoavam em sua cabeça de forma inconveniente, não conseguia pensar em mais nada. Um novo questionamento surgiu em sua cabeça: poderia ser algo além de assassino? Era bom com outra coisa? Sua vida dependia de um distúrbio? Não sabia mais responder, justamente por estar sendo baleado com tantos sentimentos estranhos e inéditos de uma só vez, sem nem mesmo saber como reagir a todos eles.

Porém, dessa vez iria lidar com tudo isso. Mais que nunca estava disposto a nunca mais olhar para Namjoon. Sabia que Jimin estaria ali por si, mas não continuaria ao lado deste sendo suportado por mentiras. Para provar a si mesmo que Namjoon estava errado, teria de correr o risco. Seria transparente.

Bateu na porta do pequeno apartamento de Jimin horas depois. Apenas pela expressão do garoto, o mais velho percebeu que havia algo errado. Seokjin escolhia não usar nenhuma máscara quando perto dele. Não esperou nem mais um minuto após estar ali. Aquelas palavras, aquele peso e aquela sensação o estavam torturando. Queria apenas se ver livre.

– Eu preciso lhe contar algo. Toda a verdade. Quem e o que eu sou. – Seokjin disse de forma direta.

E ali derramou toda a podridão de dentro de si. Todos os detalhes. Cada impulso, cada instinto, cada sentimento enquanto tirava uma vida, o que o levou a fazê-lo desde o início, pelo que era atraído. Esquadrinhou cada pedaço da aparência que possuía, revelando o real monstro que possuía por dentro.

E de todas as reações que podia esperar, aquele abraço com certeza não fazia parte delas.

Jimin não se importava. Algo em si dizia que o que quer que Seokjin guardasse, não era agradável. Sabia disso desde o início, e sabia que viria à tona em algum momento. Confiava que não possuíam algo unilateral e uma hora teria a confiança do garoto como ele tinha a sua própria.

Porém, acima de tudo, tinha a certeza de que ele era muito além de todas as coisas ruins, não importando essas quais fossem. E se confirmava ainda mais naquele momento. Mesmo estando momentaneamente assustado com toda aquela informação, não hesitou em confiar no jovem. Sentia-se seguro.

Além do mais, aquela era uma oportunidade única. Jimin já estava há anos demais arrastando-se apenas aguardando seu fim. Pela primeira vez havia encontrado algo para esperar da manhã seguinte ao ir dormir. Pensava ser apenas a companhia de um adolescente peculiar, mas agora tinha outro dever. Protege-lo de si mesmo. Seokjin era mais que um assassino, mais que um distúrbio, o ajudaria a perceber isso. Apresentaria a ele outros lados da vida, outros sentimentos, uma nova forma de encarar o mundo. E faria isso o quanto pudesse. Ali estava seu mais novo motivo para viver.

– Só tenho uma dúvida. Eu pareço ser perfeito como um alvo seu. Por que decidiu não me matar? – Após a longa conversa, Jimin perguntou.

–Talvez de todas as outras, a sua dor sempre foi a minha favorita.

Nenhum dos dois tinha certeza de qual era a ligação entre suas almas, apenas sabiam que ela existia. Talvez fossem ligados pela compreensão mútua de todos os castigos que eram obrigados a carregar para sempre, e esse fato acabou deixando essa carga mais leve até um ponto de poderem fingir que não existiam.

O estereótipo colocado sobre o termo "amor" impediu que Seokjin ou Jimin chamassem sua conexão dessa forma, mas considerando que foi capaz de dar esperanças a uma pessoa presa em distúrbios mentais e de dar completude a uma pessoa acostumada com um vazio, não estavam muito longe disso.

Naquela mesma noite, os dois decidiram fugir. Jimin não tinha mais nada a perder, Seokjin tinha tudo a ganhar, por já estar tendo que se esconder.

O mais velho lembrou-se que ainda tinha como herança de seus pais uma pequena cabana de praia em um litoral distante da cidade ou de qualquer outro lugar. Lá, ninguém os acharia, o silêncio finalmente alcançaria suas mentes e poderiam ser quem realmente deveriam ser.

Partiram na velha caminhonete de Jimin, levando consigo pouco mais que as roupas de seus corpos. Suprimentos eram preocupações para o futuro. A viagem fora longa, porém valeu a pena quando alcançaram a mais longínqua estrada até o litoral. Era belo como nenhum dos dois imaginava. A pequena casinha de madeira parecia ainda menor em meio ao gigantesco oceano a frente dela.

Estavam cansados a um nível que nem se importaram com o estado empoeirado que tudo estava ao entrarem. Desabaram em cima da cama em um desejado sono profundo. A noite era fria, e o calor que proporcionavam um ao outro veio a calhar perfeitamente bem.

As demonstrações de afeto entre Seokjin e Jimin eram indiretas, por não usar de contato físico constante ou muitas palavras, porém eram suficientes para ambos compreenderem. Mesmo um dia tendo sido noivo e tendo a certeza de não mais ser capaz de voltar àquela felicidade novamente, Jimin sentia-se completo quando estava com Seokjin.

Pela primeira vez, conseguiu ajudar alguém como sempre sonhou, mais do que conseguiria na profissão de seus sonhos. E essa ajuda era algo que Seokjin não pretendia recusar.

Eram os heróis resgatando um ao outro da escuridão que os engoliria.

Porém, essa não é uma história para heróis.

Seokjin despertou em um susto por um trovão que estrondou violentamente. Seu peito se acelerou e saltou na cama, tendo como primeiro instinto procurar pelo único que poderia protegê-lo. Olhou ao redor, encontrando tanto a cama quanto o resto da cabana vazia. Levantou-se lentamente, chamando por Jimin, recebendo como resposta assustadores trovões e pancadas de chuva que estremeciam o telhado. Algo dentro de si estava extremamente temeroso com o que aquilo poderia significar. Como quando se descobre que está tendo um pesadelo, sem saber como despertar.

Sobre a mesa, um pequeno bilhete de escrita trêmula e apressada.

Não pude evitar ser afogado por minha realidade. Mas meu último fôlego foi você. Siga em frente. Obrigado, Seokjin.

Não podia ser possível. Não aquela pessoa. Não agora. Não ali.

– Não... Não... Não...

Seokjin correu para fora imediatamente, sendo recepcionado por ventos fortes e gotas cortantes de uma chuva torrencial. Em passos desesperados chegou à areia, e entre ondas violentas, um corpo era arremessado de um lado ao outro, como um boneco sem vida. Seokjin não hesitou por um só segundo quando se lançou nas águas. Gastou cada unidade de força que possuía em seu corpo magricela para alcançar Jimin, que se aproximava de ser lançado em mar-aberto se não fosse puxado pelo garoto.

Seokjin pouco se importou com o frio que deixava dormente seu corpo inteiro. A água que engolia ardia em seus pulmões. A dor que a falta de força trazia aos seus braços – que tinham de nadar enquanto carregavam um corpo bem mais pesado que si próprio –. Tudo que o jovem pensava era "por favor, esteja vivo".

Após minutos que pareciam infinitos e um inferno de ondas os puxando para o fundo, Seokjin fora capaz de arrastar-se pela areia. Já quase incapaz de se mover pelo quão moído seus músculos foram deixados, tossindo desesperadas quantidades de água, o mais novo arrastou-se pela areia molhada até o corpo desacordado ao seu lado. As cores tão belas e vivas que compunham a feição de Jimin eram substituídas por tons frios, sua pele tornava-se acinzentada e os fartos lábios eram roxos como um hematoma.

Seokjin deitou-se sobre o peito já sem vida, sentindo suas últimas forças saírem por suas lágrimas. Aquela era a primeira vez que se lembrava de ter lágrimas verdadeiras correndo por seu rosto, e desejava intensamente que tivesse sido a última vez. Agarrava-se com força àquele último fio de esperança, que agora era submergido pela realidade.

Quando foi achado, Seokjin estava desmaiado em uma profunda hipotermia. Mesmo assim, suas pequenas mãos permaneciam fortemente agarradas à roupa de Jimin. Foi levado ao hospital e apesar de sua saúde estar fora de risco, algo a mais havia sido afogado junto de Park Jimin naquela manhã.

A esperança que havia sido acendida no tempo que passou com o rapaz, que lhe permitia ser além do que fazia melhor, havia morrido. Aquele Seokjin que quase veio à tona não mais existia.

Meu último fôlego também foi você.              

Seokjin engolia em seco, trêmulo. Namjoon não ousava erguer o rosto. Taehyung possuía um brilho diferente no olhar, por debaixo de todo o sangue, ferimentos e vômito. Aquela era uma face de seu paciente que não esperava mais encontrar, principalmente depois de todo o trauma que havia causado em si no decorrer daquelas horas seguidas de histórias.

– Que cara é essa, Tae? – De forma notavelmente forçada, o “Seokjin de sempre” voltava, em tom sarcástico. – Vai dizer que um qualquer morrendo afogado, coisa que pouco me importou, te afetou mais que as outras histórias? Que decepção, tsc.

Antes que o psicólogo ousasse abrir sua boca para contestar, Seokjin deixou o local. Suas mãos delicadas estavam trêmulas e seus olhos lacrimejavam, e odiava-se por isso. Jimin deveria ter sido a memória que não voltou a seu consciente, agora percebia isso.

Pôde-se ouvir apenas algo como: “Cuide dele de uma vez, Namjoon. Eu cansei”. E logo foi perdido de vista.

Estavam agora apenas Taehyung e Namjoon. 


Notas Finais


E então, o que acharam desse novo lado do Seokjinnie? Sempre digo o quanto amo ler o que acharam, positiva ou negativamente, então sintam-se livres para dizer. Aproveito também para agradecer a todos que favoritam, comentam, ou só acompanham em silêncio, vocês sustentam a minha forma favorita de hobbie, distração e forma de investir meu tempo. Sintam-se abraçados. <3

Até a próxima!


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