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História Romeu e Julieta - Capítulo 10


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Notas do Autor


Olá pessoas, como vão?
Quase que esse capítulo não sai a tempo, estou super enrolada com as coisas em casa, sorte que tenho mania de adiantar os capítulos para conseguir postar toda semana.
Enfim, to precisando me organizar mais porque estava querendo escrever várias histórias de ideias que tenho mas que não saem do papel.
Vamo tentar né, let's que bora.

Capítulo 10 - Cap 10 - Um momento feliz


Buzz buzz... Buzz buzz... Buzz buzz...

Estico o braço e desligo o despertador de meu celular para calar aquele som irritante.

Ao ouvir uma espécie de ronco, ou sussurro, vindo do chão, me volto espantada e derrubo o meu mais recente livro de Game of Thrones, que estava na mesinha de cabeceira.

- Ai! Isso é pesado! Aish...

De dentro do saco de dormir, ainda sonolenta, Sakura abre os olhos embaçados e reclama:

- Espero que não acorde sempre seus hóspedes assim, menina.

Mal escuto. De repente, sou tomada por uma sensação de enjoo. Ao ver Sakura sentar-se, lembro por que tenho uma hóspede no quarto. Enquanto pego o livro de volta, no momento, parece mais um tijolo, imagens passam diante dos meus olhos. O coração dispara.

- Não quero sair dessa cama nunca mais...

As lembranças parecem organizadas em sequência. Me lembro de ter chorado muito no ombro de Sakura antes de irmos para a minha casa e pedirmos pizza. Meus pais tinham saído, minha irmã estava em casa, mas ficou no quarto, como costuma fazer quando eu tenho companhia. Apesar do apoio de Sakura, eu ainda estava chateada. Então, aproveitando que ela estava ontem no telefone avisando à mãe que não dormiria em casa, peguei uma garrafa de vodca, onde havia algumas doses, e a levei para o quarto. A mãe de Sakura não se importa que ela durma em minha casa, tanto que reservo uma gaveta para os pijamas dela.

- Ohh... Eu me lembro... ugh... daquela vodca... O que me fez pensar que seria uma boa ideia?

Minha cabeça parece latejar ainda com mais força, mas isso não é tudo. O meu cérebro não consegue processar claramente as cenas da noite anterior. Me lembro de comer pizza e assistir ao filme Parasite. Lembro-me de rir muito e de engolir várias doses de vodca, bem mais que Sakura, até secar a garrafa. Então, tentei ir pra cama, mas tropecei em uma pilha de roupas e cai, rindo.

- Eun?

Me lembro do tom preocupado de Sakura. Por mais que procurasse olhar nos olhos dela, a imagem de seu rosto continuava a flutuar, fora de foco.

- Eun?

Ela parecia repetir o meu nome sem parar.

Como quem assiste a um filme, vejo o rosto de Sakura se aproximar. Sinto quando roço levemente a boca na dela, lembro-me de pensar que a amo e que meu maior desejo na vida é dar um beijo nela. É o que me recordo de ter feito, mas lembro também de vê-la afastar-se chocada e dizer:

- O que está fazendo, Eun?

Como se saísse de um transe, gaguejei uma resposta:

- Eu... Eu... Eu não sei... Estou tão confusa...

Minha cabeça parece um liquidificador, que mistura todos os pensamentos. A imagem de uma cena em que eu vomito no banheiro, enquanto Sakura me dá tapinhas tranquilizadoras nas costas, passa pelos meus olhos fechados.

Não me lembro de mais nada.

Com um suspiro, sacudo a cabeça para clarear as ideias, mas só consigo intensificar a dor que sinto.

- Olá, minha bebum confusa! – cumprimenta Sakura rindo.

Tenho vontade de chorar outra vez.

- Por que você está sendo tão gentil? – pergunto em voz baixa, sem coragem de olhar para ela.

- Porque você é minha melhor amiga e está toda encrencada. Por falar nisso, espero e desejo ardentemente que não tenha tentado me beijar ontem.

Sorrio, já sem lágrimas.

- Desculpe.

O tom sai seco, mas o pedido é sincero.

Sakura se levanta, pega minhas mãos e me puxa de repente, fazendo aumentar a dor de cabeça. Aperto a testa e gemo, abaixando os olhos.

- Seria um problema, se você estivesse apaixonada por mim... - Sakura diz e abaixa o tom de voz para prosseguir. - Mas me chamou de Chae uma hora...

O enjoo retorna, não consigo processar o que Sakura fala.

- Parou! – ela diz animadamente. – Chuveiro! Café! Escola! Depois, vamos procurar a professora Dara e perguntar se você pode ficar com outro papel na peça. Certo?

Torno a gemer e permito que Sakura me empurre para o banheiro, que cheira a desinfetante.

- Você está com um cheiro horrível. Chuveiro! Vou jogar isto fora – ela diz, erguendo a garrafa de vodca – e preparar uns crepes para nós. Depois, vamos ao The Caf. Vou querer um copão de mochaccino delicioso: café, leite e chocolate. Certo?

Resmungo concordando, mas pergunto:

- Tenho mesmo que falar com a sra. Dara?

- Claaaaaro! – exclama Sakura, fazendo uma reverência e fechando a porta.

Desta vez, a chuveirada não serve de alívio, só piora a dor de cabeça. Tomo um banho rápido e me visto, descendo em direção aos crepes de Sakura. O cheiro faz meu estômago revirar, mas resisto. Em seguida, saio para o vento frio, que me atinge o rosto e desarruma meus cabelos, desviando minha atenção da dor de cabeça e das lembranças do dia anterior.

“Como vou encarar a professora deste jeito?”

Entramos no The Caf, buscamos a mesa que costumamos ocupar e nos acomodamos. O olhar de Sakura corre para o balcão, à procura da garota bonita, mas ela não está lá. Sakura suspira, com olhos de cãozinho abandonado, as sobrancelhas juntas lhe dando um ar de preocupação. Ela começa a rasgar distraidamente um pacotinho de açúcar. Sorrio, capricho no sotaque americano e digo, segurando o queixo dela:

- Honey, honey, honey. Se é para ficar aí com esse jeito down, não trago mais você aqui.

Sem muito empenho, ela tenta sorrir, mas logo volta ao desânimo.

- Ela é muito bonita! – sussurra séria.

Sorrio com simpatia.

- Diga isso a ela. É só o que precisa fazer. Dizer isso a ela.

Ela sacode com força a cabeça, dizendo que não, como uma garotinha a quem os pais estivessem ameaçado pôr de castigo caso continuasse a bater na irmãzinha.

- Não! E se eu estiver enganada? E se ela for hétero? Ela vai rir, vai perder a confiança em mim, e nunca mais vou me apaixonar.

Sorrio.

“É bem a cara da Sakura bancar a amante trágica. Talvez por isso é que a gente se dá tão bem.”

- Sakura, preste atenção. Sabe por que Romeu e Julieta ficaram juntos?

Ela olha com ar de quem não entende. Suspiro impaciente.

- Porque Julieta declarou seu amor por ele na cena do balcão. E se ela não fizesse isso? Talvez nunca se entendessem!

Sakura parece confusa.

- Espera aí. Quando ela confessou seu amor eterno por ele, não sabia que ele estava lá.

Demoro a responder. Sei que ela está certa, mas não quero ceder.

- Tudo bem, mas acontece que ela falou. E ele ouviu. Portanto, o que você tem que fazer?

Levanto as sobrancelhas, como quem espera uma resposta. Ela me olha confusa.

- Colocar um vestido, subir no balcão e gritar no meio da noite “eu amo aquela garçonete linda!”?

Rio.

- Quase. Você tem que dizer a ela que gosta dela. Você sabe que deve fazer isso, não é?

Ela franze a testa, inclina ligeiramente a cabeça, concordado, mas ainda parece em dúvida.

- O que foi agora? – pergunto.

Ela levanta os olhos séria, como se estivesse prestes a chorar.

Preocupada, me aproximo.

- Tudo bem. Mas só se eu couber no vestido!

Enquanto Sakura sorri maliciosamente, solto uma gargalhada e dirijo-me para o balcão.

- Sem creme! – ela grita.

Olho por sobre o ombro, para mostrar que ouvi. A atendente de visual sutil, com rosto delicado parecendo mais jovem do que realmente é, usa cabelos curtos e bem pretos. Apesar da música ambiente, traz fones nos ouvidos e tem tantos brincos que daria para dividi-los com umas 20 pessoas. Ao me ver, ela para de roer as unhas pintadas de rosa brilhante e aproxima-se sorrindo. Eu a reconheço, é a vocalista de um grupo que se apresentou no concerto de verão no ano anterior.

“Como é o nome dela? Young? Sunny?”

Não consigo lembrar, no entanto, ela me reconhece.

- Kwon Eunbi, certo? Você cantou no último concerto da escola.

Faço que sim e sorrio. Tinha cantado La vie en Rose, e havia sido bem legal. A garota me oferece a mão, e eu a aperto.

- Yongsun, não é? Kim Yongsun?

De repente, me lembro do nome dela e o do grupo, Mememoo. Elas eram muito boas, e a voz de Yongsun me pareceu diferente e original.

Ela sorri meio de lado.

- Isso, mas pode me chamar de Solar. O que vai ser, Eun?

- Mochaccino sem creme e um café grande, por favor. Preciso acordar.

Enquanto prepara as bebidas, Solar pergunta maliciosamente:

- Noite agitada?

- Minha garganta parece que tem areia. Minha cabeça parece máquina de lavar. A toda velocidade.

Ela mais uma vez sorri, fazendo suas bochechas aumentarem consideravelmente.

- Então, que afogar as mágoas?

A lembrança da noite anterior me faz contrair por dentro.

- Pode-se dizer que sim.

Quando Solar traz o mochaccino, pego a carteira, preparando para pagar.

- Hummm... – ela começa hesitante.

- Que foi? – pergunto.

Ela traz o café e, abaixando o volume da voz até chegar a um sussurro dramático, continua:

- A sua amiga...

Ela faz um sinal de cabeça na direção de Sakura, lá no fundo do salão lotado. Ela é a única pessoa que não se move, que não conversa, não canta nem mexe a cabeça no ritmo da música. Tudo o que faz é rasgar os pacotinhos de açúcar, de olhos fixos na parede, como um morto-vivo.

“É bem a cara da Sakura ser dramática assim. Não que eu possa falar...”

Me volto para Solar sorrindo.

- Ah, a Sakura, o que tem ela?

Solar chega para a frente e fala ainda mais baixo.

- Ela é...

Ela morde o lábio e continua.

- Ela é... gay... não é?

A garota parece tão preocupada em ter cometido um engano que acabo rindo.

- É. Ela é, sim.

Não sei se ela está feliz ou com vontade de rir.

- Ficou feliz?

Solar sorri e faz que não.

- Não. Quer dizer, até fiquei um pouco, mas não se trata disso.

Um sorriso surge no rosto dela.

- Por que perguntou?

Ela contrai a boca, pensando se deve ou não falar.

- Conhece a minha colega, Hyewon?

Vasculho a memória, mas não encontro nada.

- Por quê? Deveria conhecer?

Solar sorri.

- Claro! Ela está aqui quase todo dia de manhã, no primeiro turno. Vai dizer que não reparou?

Finalmente ligo o nome à pessoa e sorrio timidamente.

“A garçonete linda? Esqueci que ela tem nome.”

- Ah, claro, sei... Sei quem é.

“É por causa dela que eu e Sakura viemos aqui todo dia... Mas é melhor não comentar...”

Solar disfarça um sorriso.

- Bem... Vou dizer uma coisa. A minha amiga gosta da sua amiga.

Levanto uma sobrancelha e rio.

- Sério?

Ela faz que sim animada.

- E tem mais. A minha amiga que perguntar à sua amiga se...

- Falando de mim outra vez, Solar?

Hyewon vem da cozinha, ainda amarrando o avental, e sorri. Tenho a impressão de que vou derreter.

“Ela é mesmo uma gata...”

Solar sorri, dá uma piscadela para mim e confirma:

- Estava mesmo. Estávamos discutindo o seu plano.

O sorriso de Hyewon desaparece, e ela fica vermelha, sem graça.

- Meu plano? O que você...

Ela tosse de leve. Parece tão atrapalhada que tenho vontade de rir.

- Do que você está falando, Yongsun?

Hyewon olha para mim, depois para Sakura, depois para mim novamente. O olhar dela diz tudo.

- Eu não... Quer dizer, eu não quero... É...

Dirijo a Hyewon um olhar tranquilizador.

- O nome dela é Miyawaki Sakura. Ela gosta de videogames, Red Velvet e de atuar. É viciada em café, acorda muito cedo e adora música em volume alto.

Hyewon morde o lábio. Por um segundo, me observa com desconfiança. Em seguida, olha para Sakura, que está de costas e não percebeu nada, e novamente para mim.

- Ela está livre esta noite?

Dou de ombros.

- Por que não vai lá perguntar?

Ela suspira e olha para Solar, que faz que sim. Hyewon deixa o balcão e atravessa a multidão. Como pretexto, leva o mochaccino. Eu e Solar observamos quando ela diz algo a Sakura, que interrompe a rasgação e fica tão vermelha quanto Hyewon tinha ficado no início da conversa. A garçonete se senta à mesa.

- O Mememoo vai tocar esta noite? – pergunto a Solar

- Vamos, sim. Venha. Você é super bem-vinda.

Nós duas olhamos para o fundo da cafeteria e vemos as duas garotas conversando como se fossem amigas há anos.

- Com certeza a Sakura já está sabendo dos detalhes. Apareça para curtir a música!

As duas se aproximam rindo, e Sakura pergunta calmamente:

- Vamos?

Tenho vontade de dar um abraço apertado nela, mas me contenho.

- Claro.

Em seguida, pego o meu café para viagem e me dirijo as outras duas:

- Então a gente se vê mais tarde.

Assim que a porta se fecha, Olho para Sakura. Ela anda devagar, com um sorriso tranquilo, e eu tenho vontade de sacudi-la violentamente para que conte logo sobre o grande acontecimento. Calada, ela continua a olhar para frente. Quando, afinal, dobramos a esquina e ficamos fora do alcance de visão de quem sai do The Caf, Sakura olha disfarçadamente por sobre o ombro, certificando-se de que não há ninguém atrás, e salta no ar, tão repentinamente que eu recuo surpresa.

- Elameconvidouparasair, elameconvidouparasair, ela me convidou para SAIR!

Ela grita, socando o ar, no que poderia ser uma comemoração bem masculina, não fossem seus pulinhos, que lembrava a dança de um Coelhinho da Páscoa exagerado.

Rio e afinal lhe dou um grande abraço de parabéns.

- Ela me convidou para sair!

A voz de Sakura sai abafada porque ela está com o rosto enterrado no meu casaco. Minha amiga abre o maior sorriso que já vi. Fico feliz, embora tudo o mais esteja desmoronando. E sorrio.

- E como ela poderia resistir? Você é o máximo, sra. Miyawaki!

Sakura vai rindo ao meu lado. Mas para de repente e fica imóvel como uma estátua. Paro também, preocupada ao ver que ela não sorri mais.

- O que foi? – pergunto ansiosamente. – Oh, não, não me diga que você tem outro programa.

Ela balança a cabeça com força, negando, mas olha para mim como se o mundo tivesse desabado. Finalmente, consegue gaguejar:

- Eu... n... não tenho o que vestir!

Com calma, dou o braço a ela. Sakura caminha ao meu lado como quem flutua, meio em êxtase, meio aflita. Sorrio com gosto. Estou adorando ter minha amiga de volta. Pena que os meus problemas não sejam tão simples.

 

 


Notas Finais


Sakura merecia um mimo depois de sofrer tanto nessa fic, né amores?
Agora falta a Eunbi resolver a situação dela, que é um pouco mais complicada haha
Beijo pra vocês e até a próxima :)


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