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História Romione: Você salvou minha vida - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo Três


Rony, ele pediu para chamá-lo assim, e eu conversamos um pouco, eu gosto de fazer isso, conversar com meus pacientes, saber o que se passa na cabeça deles e instruir eles, mesmo que isso seja trabalho da psicóloga Astoria Greengrass aqui do hospital. Não consegui descobrir algo muito firme sobre ele, só que ele estava sozinho ali na cidade, pois sua família era de outra cidade, e viram para cá amanhã.

Ele parece ser um cara bem de boa, com o fato de ter câncer, quando chegamos nesse assunto ele não se abalou e nem tentou mudar de assunto, só continuou a conversa normalmente.

— Eu tenho câncer desde que tinha 17 anos, e eu conseguia viver uma vida normal já que estava só no estágio I, mas meu tumor ficou pior e tive que ser transferido para esse hospital, pois aqui tem mais recursos e tal. — ele diz, ele estava de volta a sua posição de barriga pra cima, olhando para o teto.

— Você não ficou em choque? Quando descobriu o câncer? — pergunto, enquanto faço um horário para cada medicamento.

— No começo, depois percebi que isso não ia fazer eu deixar de viver minha vida. — fala, e isso me dá um tapa de realidade, esse homem, que está com um dos piores cânceres, está dizendo que isso não vai deixar de viver sua vida por causa dele, sendo que eu, que sou uma mulher saudável, sem nenhuma doença terminal, não consigo viver minha vida. Não do jeito que a maioria das pessoas fazem. — E eu aproveitei, até semana passada, quando tive uma crise, e descobriram que meu tumor progrediu, e agora está no estágio IV, aí eu vim parar aqui, e estou conversando com uma mulher estranha que está escrevendo no próprio braço, por ter deixado a prancheta cair. Moça, você tá bem? — ele pergunta.

E eu me assusto, olho pra baixo onde estou mesmo escrevendo em meu braço, minha prancheta está caída no chão, e eu devo estar com uma cara de idiota, o que é bem ruim para minha imagem, já que estou em meu trabalho, eu devia ser mais profissional.

— Sim, só me distraí.

— Ainda bem que não é cirurgião, já pensou no meio da cirurgia você para, para poder refletir sobre a vida. Ia ser muito ruim. — ele diz.

Eu aceno com a cabeça, concordando.

• • •

Eu estou na recepção conversando com Astoria e Angelina, uma das enfermeiras, quando meu irmão vem até nós, ele é Neurologista. 

— Minha irmãzinha, podemos conversar? — ele fala, sério.

— Claro, vamos até o refeitório. A gente continua conversando depois Astoria e Angelina. — falo para elas, enquanto me afasto com Harry. Elas me dão um tchau, e continuam a conversar.

Vamos até lá em silêncio e sentamos em uma das mesas de lá. Que está perto da mesa de Rose, uma das garotinhas que tem câncer que eu cuido. Ela acena para mim, quando me vê e eu aceno de volta. Eu gosto muito dessa menina.

— Hermione, você está bem? — Harry fala, assim que sentamos.

Olho para ele espantada, será que ele notou? Não, eu não agi de modo estranho hoje, eu acho.

— Por que está perguntando isso? — pergunto.

— Você está abatida, não está falando muito, não que você seja tagarela, mas está fora de seu habitual e eu estou preocupado, você é minha irmãzinha, e eu tenho que cuidar de você. — ele diz, pegando na minha mão, que estava em cima da mesa, que eu não percebi que estava tremendo. — Se tiver algo acontecendo, me fala Hermione. Eu quero te ajudar.

Por um momento eu penso em dizer tudo, em dizer tudo que eu sofro na mão daquele idiota, cretino e filho da puta do meu namorado. E quando vou abrir a boca e despejar tudo que ele tem feito passar desde que nós começamos a morar juntos, eu lembro das milhares de vezes que ele me ameaçou, ameaçou a minha família e meus amigos, a todos que eu mais amo. Ele disse que se alguém soubesse de algo, esse alguém iria pagar, e eu também, por ter contado, ele disse que seria mil vezes pior do que qualquer coisa que ele já fez comigo, e eu não quero saber o que seria pior do que a vez em que ele jogou água fervente na minha perna, o que seria pior do que quando ele me amarrou em uma cadeira e cortou meus pulsos com uma faca, o que seria pior do que quando ele rasgou minha roupa e me chamou de vagabunda no meio da rua, na frente de um monte de gente e ainda me fez voltar pra casa andando, quase totalmente nua, pela rua.

Eu quando menos percebo eu estou sendo abraçada por Harry, enquanto choro e tremo no meio do refeitório, e todos ficam me olhando, e eu lembro dos olhares de quando andei seminua no meio da rua, lembro dos olhares de nojo das mulheres ao me ver, dos homens me olhando com um olhar que me fazia ficar com medo, várias pessoas me xingaram e me chamaram de vadia, vagabunda, puta, ninguém me ajudou, ninguém perguntou se eu precisava de ajuda, todos me julgaram.

Sou tirada desses pensamentos pela voz doce e infantil de Rose.

— Tia Mione, a senhora tá bem? — Pergunta assustada ao ver meu estado.

— E-eu to- — respiro fundo, limpo as lágrimas do meu rosto, ponho um sorriso no rosto, para a garota na minha frente. — Eu tô bem sim, pequena. Eu só me lembrei de algo meio ruim. Só isso. Pode voltar a comer, mais tarde eu vou lá no seu quarto para gente brincar, ok? 

— Tá bom, espero que seu pensamento ruim passe rápido, tchau tia. — ela diz, então vem até mim e me dá um beijo no rosto. E vai pulando até sua mesa.

— Hermione...

— Olha Harry, tá tudo bem, eu só lembrei de algo que eu não queria, mas eu tô bem, — digo, saindo de seu abraço e levantando. — Eu tenho que ir trabalhar, depois continuamos a nossa conversa, tchau irmão. — dou um beijo em seu rosto e saio dali ouvindo Harry gritar.

— Hermione, volta aqui, a gente precisa conversar. — ele diz, mas sua voz está mais baixa, pois já sai do refeitório.

Não posso contar isso a ele, nem a ninguém, não quero que ninguém passe pelo que eu passei e ainda passo, não posso fazer isso com ninguém, não posso.



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