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História Ron e Mione ( Songfic Eduardo e Mônica) - Capítulo 30


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente!
Já que perdi o sono de noite e tava no tédio lembrei que já estávamos em 01/08.
Pois é.
Sete meses atrás esse ano turbulento estava começando e eu corri aqui pra postar a ideia mais maluca que já tive pra uma fic.
E foi apaixonante de escrever.
Espero que apreciem esse último capítulo, feito com carinho pra vocês.
Nos vemos nas notas finais.

Capítulo 30 - Ronald e Hermione voltaram pra Brasília...


Fanfic / Fanfiction Ron e Mione ( Songfic Eduardo e Mônica) - Capítulo 30 - Ronald e Hermione voltaram pra Brasília...

R&M- Cap FINAL

Um mês foi o tempo necessário pra que Ronald abdicasse do sonhado cargo de juiz, pra que Mione arranjasse emprego em São Paulo e se mudassem. A casa no luxuoso condomínio em Brasília foi alugada. 

Um mês em que o ruivo se distanciava cada vez mais da família. Ron não era mais o mesmo. 

Hermione sabia de longe qual o problema, mas ajudar não dependia apenas dela. Ela deixara bem claro pra ele na semana anterior: "Depressão é uma doença séria, não brinque com ela. Me deixe ajudar!".  Mas em vez disso ele a afastou. Hugo e Rose eram os únicos que conseguiam se aproximar de Ron sem levar 'pedradas'. Mas os pequenos não recebiam muita atenção tampouco. 

O homem passava o dia no quarto. Mal comia. Mal falava. Não aceitou a visita da mãe e do pai na semana anterior, e agora nos últimos dias começara a beber. 

Hermione estava desesperada. Não sabia mais o que fazer pra resgatar em Ron a vontade de viver. 

Estava, inicialmente, respeitando o espaço dele. Afinal, ainda estavam em luto. Mas após dois meses do falecimento dos avós, e um mês desses dois em São Paulo, sem que Ron tivesse sequer saído de casa, a morena não se aguentou. Precisava cuidar do marido antes de qualquer outra coisa. 

Levou as crianças pra creche, ligou pra universidade e disse que não teria condições de dar aula naquele dia, e voltou pra casa para ter uma conversa definitiva. 

Ron estranhou ouvir os saltos de Hermione dentro de casa tão cedo, virando discretamente a cabeça para a porta, e confirmando que era ela voltou a se jogar entre os travesseiros, olhando para o teto. Não, ele já não chorava mais. A dor havia passado, bem como a revolta. O que restou era ainda pior. A culpa. 

Não conseguia se esquecer do último abraço no avô e na avó, no meio da festa de casamento. O olhar de carinho dos dois ficaria em sua memória pra sempre. Bem como o arrepio que percorrera sua espinha. E junto com a culpa por não ter ligado para a sensação ruim, vinha um desânimo. Ele já não ligava tanto pra se levantar da cama, tomar banho, nem brincar com as crianças, embora os pequenos ultimamente fossem sua única razão pra sorrir. E tinha Hermione, pra quem mal conseguia olhar. 

"Ela merece um cara que não esteja a semanas sem fazer a barba ou aceitar um carinho". 

Não que Ronald não quisesse se cuidar. Ele não conseguia. A dor de saber que nunca mais veria o sorriso dos dois o paralisava. Parecia que havia uma pedra lhe sufocando o peito. E quanto ao toque de Hermione, ele não se sentia digno de nenhum carinho, ainda que seu corpo estivesse ansioso por ele. 

O barulho de saltos foi se aproximando e parou. 

Ronald olhou para trás e o canto dos lábios repuxou, como se tentasse sorrir.  Hermione estava descalça, com os sapatos na mão. 

Guardou-os na sapateira, pensando satisfeita que Rony tivesse ao menos olhando pra ela ainda. 

— Ron, se não quiser falar, ao menos me escute. 

— Eu sei. Vamos conversar- ele se sentou na cama, enxugando os olhos inchados.- Mas pode começar. 

Mione deu as mãos a ele. 

— Há alguns anos um cara muito especial disse sim pra mim no altar. E disse, acertadamente, que eu tinha confiado nele pra enxugar as minhas lágrimas. Está na hora de eu retribuir o favor a ele, mas não sei se ele vai deixar. Parece ter se esquecido que os votos que fizemos são pra sempre ou está assustado demais pra pedir ajuda. 

Ronald piscou, deixando mais algumas lágrimas escorrerem. 

— Acho que ele deixaria sim. Só está sentindo que não merece ser amado por ninguém considerando que há semanas ele mesmo se odeia. Só deve estar se sentindo insuficiente, inútil. 

Então Hermione se aproximou com carinho, e com selinhos secou lágrima por lágrima, o ruivo então a abraçando apertado. 

— Eu... só queria ter aproveitado mais eles...Mione- ele soluçava abraçado à mulher. 

— Você aproveitou da melhor maneira que pôde, querido. Foi um neto carinhoso e companheiro, morou com eles por anos, assistia novela com sua vó e jogava futebol de botão com seu vô… 

— Não esperava que eles fossem morrer, Hermione. Muito menos daquele jeito… eles nem doentes estavam, poxa!- fungou. 

A morena suspirou. 

— Nunca estamos pronto para deixar as pessoas partirem. Ainda que eles estivessem doentes e fossem embora em outras condições ficaria esse sentimento de termos aproveitado pouco da companhia deles. Mas a morte é a única certeza e temos na vida Ron. 

O ruivo se soltou do abraço e respirou fundo. 

— Mas não é só isso. Eu tô sem rumo, Hermione. Não tenho ânimo pra viver mais. Eu não tenho vontade de nada… Quero fazer a barba, mas não consigo me olhar no espelho. Eu amo você, o Hugo e a Rose. Mas não consigo achar que sou digno de ser amado por vocês quando mal consigo tomar um banho e sair pra procurar emprego. Achei que era só o luto. Que ia passar… mas não passou. Não sei o que está acontecendo. 

— Acho que você sabe o que significa. 

O ruivo enrugou a testa. 

— Depressão?- perguntou incerto.

— Sim, Ronald. Repito o que disse a você alguns dias atrás. É uma doença séria...

— "...Deixe-me ajudar". Sim, eu lembro vagamente de ter escutado você antes de te deixar falando sozinha e ir comprar cerveja. - ele balançou a cabeça, suspirando arrependido. -Me perdoe pelo meu comportamento, Hermione. Te afastei pra não te machucar. 

Hermione tinha novamente os olhos cheios de lágrimas. 

— E acabou me machucando de toda forma. Lembre-se, Ronald. Na saúde e na doença.- ela passou carinhosamente a mão pelos cabelos dele. 

Ele assentiu.

— Ajude-me então. Eu quero ser de novo o marido que você ama, o pai que Hugo e Rose merecem. 

— Vou te ajudar em tudo que precisar. Sempre. E você nunca deixou de ser o marido que eu e os dois amamos, respeitamos e admiramos.  

Ron caiu no choro novamente e os dois ficaram um tempinho abraçados. 

No dia seguinte, Hermione conseguiu a primeira consulta do marido com um psiquiatra que havia sido seu colega de faculdade, e foi dado o pontapé inicial pro tratamento. Seria o começo de um longo e doloroso caminho até a recuperação, que incluía medicações agressivas, idas frequentes ao psicólogo, mudanças de humor repentinas. 

Entre altos e baixos, o ruivo foi retomando sua vida ao lado da mulher e dos filhos. Arrumou um emprego no TJ-SP e voltou a advogar. Até que dois anos depois do início do tratamento, ele foi considerado curado. 

— Então, Sr Ronald, está de alta do tratamento psiquiátrico. Mas te aconselho a jamais abandonar a terapia, correto? 

— Claro, Dr. Obrigado por tudo.- Ronald agradeceu o médico e saiu do consultório rindo de orelha a orelha. 

— Não teria conseguido sem a ajuda da Hermione. E ela deve ser a primeira a receber essa notícia maravilhosa!- ele pensou alto. 

Entrando no carro, digiriu até uma floricultura próxima, onde comprou as rosas lilases, as preferidas da esposa. Faria uma surpresa à ela. E então pegou o celular: 

— Alô, escola Criança Feliz, boa tarde- a secretária atendeu. 

— Boa tarde, estou ligando para avisar que precisarei buscar meus filhos mais cedo. Rose e Hugo Mendes. 

— Claro, Sr Ronald. Vamos avisar a eles. 

— Obrigado. Estarei aí em minutos. 

Ron ligou o carro, extremamente satisfeito e dirigiu até a escola das crianças, se divertindo ao encontrar com os filhos no corredor da escola, à sua espera. 

Antes de se aproximar, o ruivo gargalhou vendo Rose sentada, enterrada num livro infantil (embora ainda não soubesse ler) e ignorando os chamados de Hugo, que estava em pé, agitado, querendo brincar de pique-esconde enquanto o pai não chegava. Rose não poderia ser mais parecida com Hermione e Hugo mais parecido com ele próprio. 

A constatação disso o emocionava. 

Foi então até os dois, abraçando os dois ao mesmo tempo. 

— Oi amores. Vamos embora?

— Vamos!- Hugo disse animado. Mas Rose franziu o cenho, exatamente como a mãe quando estava desconfiada. 

—Por que estamos indo embora tão cedo?

Ron não segurou um sorriso. 

— Vou fazer uma surpresa pra mamãe. Venha!

Com o narizinho empinado não deu a mão ao pai e saiu andando sozinha, mostrando que sabia o caminho. 

Depois de colocar os dois nos assentos elevados e colocar os cintos, Ron ligou o carro e explicou que iam pegar Hermione no trabalho e passarem a noite se divertindo.

As crianças se animaram. 

Ron se apressou. Queria chegar à universidade pelo menos uma hora mais cedo que o fim das aulas da mulher. E assim fez. 

Estacionou o carro no campus, em frente ao prédio da faculdade de medicina, onde ela dava aulas de 'Saúde Pública' para os alunos, pegou as crianças e saiu andando de mãos dadas com eles até lá, mas nesse momento.

— Eu não vou ser conivente com isso!- Hermione gritava furiosa pro diretor da faculdade. 

— Conivente com o quê? Só estamos pedindo pra…

— Pra ajudar vocês na lavagem cerebral dos alunos. Pois se vai fazer isso, não é comigo que vai contar. Não sou política, e sim médica. Eu me demito. Segunda passo no RH.- e se virou como um touro furioso, paralisada ao ver Ron, Hugo no pescoço do pai, e Rose de mãos dadas com Ron. Os três absolutamente boquiabertos. 

— Nove anos de casamento, e nunca te vi desse jeito- Ron murmurou qdo Mione foi até ele e o abraçou. 

— Depois te explico em casa. Que bom que estão aqui…- Mione disse abraçando a filha. 

— Papai vai te fazer uma surpresa agora- Hugo disse tão logo o pai o colocou no chão. 

— É mesmo?- Mione olhou o marido, rindo, enquanto Rose revirava os olhos, impaciente. 

— É. Esse boca grande tá certo. Vem, vamos pro carro. Vamos comemorar essa noite. 

Mione olhou emocionada para o marido e o seguiu. 

— E o que estamos comemorando- perguntou ao ouvido de Ron após um selinho. 

— Estou de alta. A depressão é um fato do meu passado, Mione. 

A morena olhou pra ele emocionada e satisfeita. 

—Agora, entre- ele abriu a porta do carona pra ela. 

— Ah, Ron, que lindas!- o buquê de rosas lilás estava ali, no assento. 

Mione as inspirou profundamente e beijou o marido, ignorando os resmungos das crianças. 

Os dois se soltaram rindo e entraram no carro. 

— Onde vamos?- Mione perguntou

— Pizza!- As crianças disseram depressa, antes que Ronald sequer abrisse a boca. 

Os adultos se entreolharam sorrindo, e levantaram as mãos em derrota. 

— Tá bem. Noite da pizza. E depois vamos pra casa e vocês vão ver sua mãe perder pra mim no videogame, pra relembrar os velhos tempos. 

— Como é que é Ronald?- Mione disse numa falsa indignação. 

As crianças deram gritinhos animados e o ruivo olhou pra esposa pelo canto do olho, sorrindo ao vê-la abraçada ao buquê com lágrimas nos olhos.

Amava esses momentos em família. 

[...] 

Rose e Hugo finalmente tinham dormido. Pé ante pé, Ron e Mione saíram do quarto dos gêmeos e foram para o quarto, suados, exaustos e felizes. Haviam passado as últimas horas jogando videogame com os pequenos, Hermione levando a melhor dessa vez. 

— Não sei como consegue. Há anos você não jogava…- o ruivo comentou num tom falsamente magoado. 

— Eu sou boa em tudo que faço baby!- ela disse abraçando-o.—Pena que nem todos reconhecem.- a morena lembrou do ocorrido mais cedo e se entristeceu. 

— Mione, o que houve mais cedo? Nunca te vi furiosa daquele jeito…

Ela suspirou. 

— Queriam me obrigar a fazer propaganda ideológica dentro da sala de aula. Não misturo política e medicina. Não desse jeito, pelo menos. 

Ron pegou o queixo dela e ergueu. 

— Você é meu orgulho. Olha o que está fazendo naquela comunidade em que trabalha? Você consegue dar aula em outras faculdades se quiser. Seu currículo é perfeito. 

Ela sorriu timidamente, se recostando no peito dele. 

— Sabe. Acho que vou ficar só no posto por um tempo. 

— O que quer que faça, será a melhor decisão.- disse beijando os cabelos castanhos. 

O sorriso dela se ampliou. 

— O que acha de darmos uma festa aqui nesse apartamento? Não o estreamos ainda… assim poderíamos comemorar sua cura e a minha demissão- disse divertida. 

— Eu ia adorar. Podemos chamar os amigos do trabalho também?

— Claro! 

— Ótimo. Pessoal tá doido pra conhecer minha esposa- disse forçando uma feição de ciúme, mas no fundo extremamente satisfeito. 

— Não precisa ter ciúmes- disse rindo da cara do ruivo. Sou toda sua.

— Toda minha é?- ele perguntou malicioso, puxando-a para um beijo que terminou numa noite de amor. 

No fim de semana seguinte o apartamento estava pronto para receber amigos. 

Rose e Hugo foram passar o fim de semana com os avós paternos. Ron e Mione eram pura paixão, aproveitando as horas de liberdade longe dos pequenos pra namorar sem interrupções. 

Então no sábado, ao receber os convidados, eles sorriam como se tivessem visto um passarinho verde. 

Ronald e Hermione, felizes no trabalho e na vida. 

A campainha tocou e os primeiros convidados chegaram. Uma música agradável tocava, os coquetéis preparados por Ronald faziam sucesso e os petiscos estavam perfeitos. 

Já havia se passado uma hora de festa quando Mione se voltou pra Ronald:

— Ah, finalmente deve ser Bete e o marido. 

A colega de trabalho de Hermione chegou de braços dados com o marido.

— É um prazer conhecê-los!- disse muito simpático o vereador de São Paulo, Paulo Roberto.

— O prazer é nosso. Grande Paulo Roberto. Seus feitos não me passaram despercebidos.- Ronald elogiou o homem enquanto se sentavam. 

Os quatro foram rapidamente entraram numa tensa conversa sobre eleições municipais que se aproximavam, e enquanto Mione expressava sua revolta com o descaso da saúde no município e comentou o que vinha fazendo, o marido da amiga a observava encantado. 

— Sabe, Hermione, tem um jeito sim de você fazer mais pela saúde local. Eu estou me candidatando semana que vem à eleição pra prefeito. E se conseguir ser eleito vou precisar de uma secretária de saúde. 

Mione piscou lentamente. 

— Está me oferecendo….

— Sim. Se eu ganhar, o cargo é seu e aí poderá ter autonomia pra fazer o que bem entender e certamente não terá que dar aulas de ideologia política na faculdade…

Ela e Rony se entreolharam sorrindo. 

—Aceito!- ela disse animada. 

2 anos depois: 

São Paulo erradica dengue, Zika e Chikungunya. Secretária de saúde é apontada como principal nome da mudança do cenário da saúde no município. 

Mione estava tomando sol na piscina quando Ron chegou com a manchete. 

Um sorriso coloriu seu rosto.

— Oi, como vai minha secretária da saúde lacradora?- o ruivo se aproximou dela, beijando a testa enquanto a morena tomava um drink. 

Mione riu pelo nariz, quase se engasgando. 

— Vai bem, obrigada.  

Ele riu também. 

— Tem ideia do orgulho que tenho de você, Hermione?- perguntou tomando o rosto dela em suas mãos e a beijando. 

— Se for o mesmo que eu tenho do meu marido, tenho sim, Sr desembargador. 

O ruivo corou de leve. 

— Você continua perdida em pensamentos…

Mione suspirou, mas decidiu iniciar a conversa que adiava há semanas. 

— Recebi uma proposta. 

— Qual?- o ruivo perguntou curioso. 

— Como você viu nosso prefeito saiu como pré-candidato a presidência da república… 

— Sim, e disparado na frente. Em grande parte pelo bom trabalho na melhor e maior cidade do país.

— Exato. E me chamou para ser ministra da saúde caso seja eleito. 

Ron quase deixou cair o copo que segurava. 

— Mione, tem ideia da dimensão do que acabou de contar? 

— Sim. Eu teria um altíssimo cargo em Brasília, e isso implicaria voltar pra lá.

Ron balançou a cabeça, concordando. 

— As crianças acabaram de entrar na escola aqui…E você tá no alto escalão do TJ-SP, mas…- Mione disse insegura. 

— Mas você quer fazer no Brasil inteiro o que fez em São Paulo.- Ron completou a frase.- Eu estou com você para o que der e vier Hermione. Eu amo São Paulo, eu amo Brasília, eu amo você. 

Mione o agradeceu com um beijo.

E meses depois, após se despedirem dos pais no Natal, Ron e Mione colocaram as crianças contrariadas no carro e voltaram pra Brasília. Estariam de volta à casa com que tanto orgulho e aperto construíram. 

Repleta de compromissos após a virada, inclusive a posse do presidente e a dela como Ministra da Saúde do Brasil, Hermione aproveitou o último dia do ano em casa, com o marido e os filhos. 

Estava plenamente satisfeita com as reviravoltas que a vida preparara para ela. 

Seis meses depois...

—  Não interessa porque Ronald! Só venha logo para casa!

O clima era o pior possivel na casa da morena. Hugo tinha a cabeça baixa, os olhos vermelhos, e balbuciava:

—  Por favor, mãe, o videogame não!! Não vai acontecer de novo!

—  Ah, mas não vai mesmo!- disse com os braços cruzados, batendo os pés nervosa. Rose se esgueirou silenciosamente até o quarto. Embora com pena do irmão, ele foi avisado por ela pra estudar, e preferiu jogar. Então culpada ela não se sentia…

Ron não demorou a chegar também. 

—  Que foi, Hermione? Por que a bravura toda no telefone? 

— Seu filho!- apontou Hugo com o olhar severo. 

—  Que foi que você fez, garoto?- Ron perguntou, se agachando para falar com ele. 

— Colei na prova de português, a professora viu, e fiquei com zero, agora to de recuperação.- disse cabisbaixo. 

O ruivo se levantou, coçou a cabeça, e olhou pra Hermione, vermelha como um pimentão, e parecendo um balão prestes a explodir. 

Sabendo que ela esperava uma atitude dele, Ron suspirou, e pediu ao filho que olhasse pra ele. 

— Você sabe que o que fez é um tipo de corrupção?

—  Sim papai. 

—  E o que eu e mamãe fazemos?

—  Combatem a corrupção. 

Ron fez que sim. 

— E quem é corrupto paga pelo que fez para ver se aprende a lição. Vai ficar um mês sem videogame.- disse e olhou para Hermione, que internamente vibrava com a firmeza de Ron para educar os filhos.  

—  Sim papai, já acabou de me castigar?- perguntou olhando pro chão. 

— Eu já. Mas veja se sua mãe tem algo mais a dizer.- Ron olhou para Mione, que mantinha a postura séria. 

— Mãe…- o garoto olhou pra mãe, trêmulo. 

— Como vai ficar de recuperação, nada de viagem para São Paulo agora em julho. Agora vai…

Decididamente aos prantos, o garoto se retirou da sala e foi pro quarto. 

Mione desabou no sofá, o rosto escondido nas mãos. 

— Calma amor, crianças precisam errar para aprender- disse fazendo carinho nos cabelos dela. 

— Detesto colocar eles de castigo. Dói mais em mim  no que nele…

— Eu também. Mas era preciso, querida. Não chore, sim. Vem, vamos dançar um pouco e tomar um vinho para relaxar.- ele pediu levantando do sofá. 

Ainda chorosa, Mione riu fraquinho e ligou o rádio. 

E agora, no especial de homenagem ao Legião Urbana, Eduardo e Mônica!

— Amo essa música!- Os dois disseram juntos e começaram a dançar. 

Quem um dia irá dizer

Que existe razão

Nas coisas feitas pelo coração?

E quem irá dizer

Que não existe razão?

 

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar

Ficou deitado e viu que horas eram

Enquanto Mônica tomava um conhaque

No outro canto da cidade, como eles disseram

 

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer

E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer

Um carinha do cursinho do Eduardo que disse

"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"

Festa estranha, com gente esquisita

"Eu não 'to legal, não aguento mais birita"

E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais

Sobre o boyzinho que tentava impressionar

E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa

"É quase duas, eu vou me ferrar"

 

Eduardo e Mônica trocaram telefone

Depois telefonaram e decidiram se encontrar

O Eduardo sugeriu uma lanchonete

Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

 

Se encontraram então no parque da cidade

A Mônica de moto e o Eduardo de camelo

O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar

Mas a menina tinha tinta no cabelo

 

Eduardo e Mônica era nada parecidos

Ela era de Leão e ele tinha dezesseis

Ela fazia Medicina e falava alemão

E ele ainda nas aulinhas de inglês

 

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus

De Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud

E o Eduardo gostava de novela

E jogava futebol de botão com seu avô

 

Ela falava coisas sobre o Planalto Central

Também magia e meditação

E o Eduardo ainda tava no esquema "escola, cinema

Clube, televisão"

 

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente

Uma vontade de se ver

E os dois se encontravam todo dia

E a vontade crescia, como tinha de ser

 

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia

Teatro, artesanato, e foram viajar

A Mônica explicava pro Eduardo

Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

 

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer

E decidiu trabalhar

E ela se formou no mesmo mês

Que ele passou no vestibular

 

E os dois comemoraram juntos

E também brigaram juntos, muitas vezes depois

E todo mundo diz que ele completa ela

E vice-versa, que nem feijão com arroz

 

Construíram uma casa há uns dois anos atrás

Mais ou menos quando os gêmeos vieram

Batalharam grana, seguraram legal

A barra mais pesada que tiveram

 

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília

E a nossa amizade dá saudade no verão

Só que nessas férias, não vão viajar

Porque o filhinho do Eduardo 'tá de recuperação

Ah! Ahaan!

E quem um dia irá dizer

 

Que existe razão

 

Nas coisas feitas pelo coração?

 

E quem irá dizer

 

Que não existe razão!

 

— Sabe, Mione, não parece a nossa vida a letra dessa música?- O ruivo questionou, rindo. 

— Talvez sejamos um dos vários casais opostos que se atraem, e ficam juntos a vida inteira.- Mione disse se abraçando a ele.

— É verdade. Quem diria que meu coração tinha razão…

— Mas ele tinha… E o meu também. 

Se beijaram e abraçaram. E ali, seguros nos braços um do outro, sentiam que nenhum problema seria maior que o amor sólido que haviam construído. 

 

Fim!


Notas Finais


Ai, acabou.
Cá estou eu, pela terceira vez na semana me despedindo de uma fic.
Ron e Mione enfrentaram a barra mais pesada que tiveram( depressão) e deram a volta mais do que por cima.
Ron lutando contra a corrupção em Brasília... Meu orgulho!
Hermione ministra da saúde... Quem nos dera. Resolveria tanta coisa...
Muito obrigada a vocês que estiveram comigo até aqui. Um agradecimento especialmente carinhoso à Kraposo, Rahfuliotti, e Amandaromione, sempre comentando o que acharam.
Foi uma delícia ver que embarcaram nessa história Romione brasileira.
Nos vemos em setembro, com Love me like you do.
O que será que aguarda vocês?


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