História Roommate - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Sonyendan, Bts, Drama, Got7, Hoseok, Im Ji Ah, Jaebum, Jeon Jungkook, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Killer, Kpop, Namjin, Namjoom, Nana, Nerd, Orange Caramel, Park Jimin, Park Yujin, Perseguição, Pistas, Policial, Psicopata, Roommate, Roommateau, Serial, Suspense, Taegi, Taehyung, Terror, Vhope, Yoongi, Yujin
Visualizações 373
Palavras 5.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Fluffy, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


*・゚゚・*:.。..。.:*゚:*:✼✿ OLÁ MEUS AMORESSSS *・゚゚・*:.。..。.:*゚:*:✼✿
Não vou enrolar muito, mas vcs já perceberam que estou de volta né?
DEMOROU MAS O CAP SAIUUUUUU *amém*
espero muito que vcs gostem ^^
Boa leitura!!
<3

Capítulo 17 - Looking for you


Fanfic / Fanfiction Roommate - Capítulo 17 - Looking for you

Abro os olhos, apavorada, agarrando os lençóis. Estou deitada em uma cama, que demorei um tempo para perceber que era de Hani. Viro o corpo e contraio o rosto quando sinto algo apertando minhas costas. Levo as mãos ao lugar e meus dedos envolvem o meu celular.

Por um instante, vejo Jungkook de frente para mim. Havia um traço de sangue escorrendo pelo seu rosto que estava inchado de tanto levar socos. Grito o seu nome, mas ele logo se vai.

Levanto-me da cama devagar sentindo que posso cair no chão a qualquer momento. Agora que a onda de adrenalina de ontem passou, assim como o efeito do líquido estranho que Hani me deu, a dor profunda e lacerante no meu ombro está muito forte. Provavelmente tinha o machucado de novo, quando Jaebum me atirou no chão.

Alguém bate na porta. Sento-me na beirada da cama e tento ajeitar meu cabelo.

A porta se abre e Hani coloca metade do corpo para dentro. Ela está usando a mesma calça jeans de ontem, mas veste uma regata vermelho-escura agora. A cor realça sua pele mais bronzeada que a minha e torna as lentes azuis dela mais claras.

“Olá dorminhoca” ela diz se aproximando da cama com alguns objetos na mão.

“Que horas são?” pergunto mesmo com o celular em minhas mãos.

Hani checa o relógio em seu pulso antes de responder. “Duas e pouco da tarde. Você dormiu bastante.”

Hani tinha razão. Sentia como se tivesse dormido por vários dias, mas ainda assim estava cansada. Exausta mentalmente e fisicamente.

“Eu trouxe remédio para dor e umas rosquinhas deliciosas.” Ela oferece um frasco junto com um pacote branco cheio de rosquinhas. Antes de tomar o remédio, comi as rosquinhas que nem uma doida e nem percebi que estava com tanta fome assim.

“Como você está?” Hani finalmente pergunta. É uma pergunta normal, depois de tudo o que passei, mas fico tensa, com medo de que ela possa ver o que se passa dentro da minha cabeça. Ainda não falei com ela sobre muitas coisas que andaram acontecendo. Quero contar, mas não sei como. Só a ideia de pronunciar as palavras faz com que eu me sinta tão pesada que poderia quebrar as tábuas do chão.

“Estou...” balanço a cabeça algumas vezes. “Não sei... Hani, eu...” continuo a balançar a cabeça. Ela desliza a mão sobre a minha bochecha, com um dedo preso atrás da minha orelha. Por um instante, penso que não preciso contar nada. Posso apenas tentar esquecer.

“Eu sei...” Hani respondi. “Desculpe, eu não deveria ter perguntado. Essas perguntas são tão idiotas.”

Penso comigo mesma, por um instante, que naquele momento a única pessoa que poderia me entender era Hani. Quando estou com ela, o sentimento de vazio no meu peito e estômago, tornam-se quase imperceptíveis.

“Vou deixar você sozinha um pouco.” Hani fala me soltando. “Tente tomar um banho, pegue minhas roupas e quando voltar vou estar com seu precioso café, ok?”

Demoro um tempo para finalmente decidir tomar banho depois que Hani sai pela porta. Caminho até ele vagarosamente, com toda a paciência do mundo. O chão é coberto de ladrilhos marrom-escuros, diferente do meu quarto, que era uma mistura de branco com verde musgo. Só de pensar no quarto, vários pensamentos de Jungkook inundam minha mente sem eu poder controlá-los.

A água do chuveiro é fria, mas isso não me incomoda. Lavo-me rapidamente com a mão esquerda e deixo a mão direita pendurada ao lado do meu corpo. O remédio que Hani me deu funciona rapidamente. A dor em meu ombro já se transformou em apenas um latejar chato.

Quando saio do chuveiro, vou em direção ao guarda roupa de Hani. Metade das roupas dali, eram vestidos extremamente exagerados e outra parte roupas para pessoas altas com um corpo atlético. Acabo vestindo uma calça jeans que eram compridas demais, pois Hani tinha pernas de modelo. Tive que dobrá-la umas três vezes até finalmente poder andar sem com que a barra da calça prendesse em meu pé. Depois, vesti a mesma camiseta que estava usando ontem, mesmo que ela me trouxesse muitas memórias ruins.

Encaro o espelho na minha frente, mas não vejo a mim mesma. Meus olhos se enchem de lágrimas e eu balanço para frente e para trás em pé. Tenho medo de que, se começasse a chorar, não conseguiria mais parar, até murchar como uma uva-passa.

Algo rompe dentro de mim. Minhas lágrimas cessam. Uma onda de calor atravessa o meu corpo, afastando minha fraqueza, e dou um tapa tão forte em meu próprio rosto que as juntas dos meus dedos doem com o impacto. Eu me encaro no espelho, com uma das faces completamente vermelha.

Precisava ser forte.

...

Aperto a jaqueta de Hani ao redor dos meus ombros. Parecia que fazia muito tempo que não via o ar livre. O sol brilha tenuamente em meu rosto, e observo a minha respiração se condensando no ar.

Passo as mãos pelos meus cabelos. A vontade de chorar passou. Sinto-me mais como eu mesma. Talvez, era isso realmente isso que precisava no momento. Lembrar quem eu costumava ser antes de todas essas coisas acontecerem comigo. Voltar a ser a velha e entediante Yujin, que pelo menos não era atacada toda vez que ia em um café, passava por experiências traumatizantes e colegas de quarto que eram sequestrados.

Ouço o barulho do trilho do trem. Quero ir para casa, mas não posso. Gostaria de poder voltar para a pequena casa bege em Busan, com a fachada um pouco amarelada, porque papai fica enrolando para pintá-la. “Eu não estou enrolando Yujin. Eu sou velho e não consigo subir escadas com tanta facilidade mais.” Era o que ele sempre dizia quando comentava junto com a minha mãe sobre as manchas amarelas. Daria qualquer coisa para poder deitar na minha antiga cama em meu quarto com chão de madeira ainda, mesmo que a cama estivesse levemente quebrada de um lado, era o lugar mais confortável e seguro. Foi ali que chorei várias vezes por garotos que haviam quebrado meu coração, estudado por várias horas até acabar desmaiando de tanto sono, várias guerras de travesseiro com Hani quando ela ia dormir lá e etc. Gostaria de poder voltar para essa época. Mas eu sabia que não podia.

Entro no último vagão sem pressa. Sento ao lado da janela enquanto observo o trem começar a andar novamente. Olho ao redor e há pouquíssimas pessoas naquele vagão, todas tão distraídas e pensativas como eu.

Não sabia exatamente para onde estava indo. Não conhecia direito o sistema de metrô de Seoul, mas isso não parecia importar. Pela primeira vez, não saber absolutamente nada, era bom. Só iria esperar o trem me levar para qualquer lugar, sem precisar me preocupar com nada.

A viagem estava sendo tranquila, como era esperado, depois de algumas paradas, o trem foi se esvaziando aos poucos, as pessoas seguindo suas vidas, porém continuei em meu assento o tempo inteiro. Não tinha exatamente o que seguir, não tinha quem encontrar, não tinha uma festa legal para ir, não tinha muita coisa sem contar os inúmeros trabalhos da faculdade que nem sequer estava indo mais.

A parada abrupta do trem fez com que meus olhos parassem de observar o movimento pela janela. As outras pessoas distraídas também pareciam agora atentas com o estranho acontecimento. Todo mundo se entreolhava procurando alguma resposta, quando a luzes do vagão começaram a piscar até finalmente se apagarem por completo. Nesse momento quanto tudo ficou escuro, senti minhas mãos começarem a suar frio. Fechei as mesmas com força, tentando me controlar ao máximo. Aquele não era o momento para ter um ataque de pânico.

De frente para mim, um homem de terno se levanta segurando sua pasta procurando por alguma explicação para o vagão parar repentinamente.

“O que está acontecendo?” ele pergunta com sua voz grave. Logo em seguida, uma mulher junto com sua filha se levantam parecendo preocupadas. Não demorou muito para quase todos levantarem, permanecer sentado só aumentava a preocupação de todos. Resolvi ficar quieta ainda em meu canto, pois com certeza a energia voltaria daqui a pouco e ficar preocupada não era necessário.

“Será que a energia acabou?

“Omo, vou chegar atrasada no trabalho!”

Todos falavam ao mesmo tempo, distraídos demais com suas próprias preocupações. Parecia que estava em uma feira, porém bem pior, mal conseguia observar os rostos das pessoas e a cada minuto que se passava naquela escuridão algo me dizia que alguma coisa estava errada.

Decidi pegar em meu celular para ver se tinha algum sinal ali, mas parei quando observei uma figura minúscula correndo para fora do vagão. Pensei que tinha sido coisa da minha cabeça, como quando ficamos olhando muito tempo para o escuro e nosso cérebro começa a criar monstros imaginários, mas sabia que tinha sido real quando escutei um grito feminino.

“SUN HEE!” a mesma mulher com a sua filha gritou, mas dessa vez a mesma estava sozinha. A garotinha que estava ao seu lado, tinha sumido. Percebi que umas das portas estava levemente aberta, o suficiente para uma criança passar. Não pensei duas vezes antes de levantar e andar até a porta. Pela primeira vez, agradeci ser tão pequena e magra, pois passei sem nenhuma facilidade pelo buraco da porta. Meus pés aterrissaram no chão dos trilhos e logo comecei a correr em direção que vi a garotinha correndo.

O túnel estava mais escuro ainda do que dentro do vagão, fazendo com que eu quase não enxergasse nada. Por um momento, pensei no que exatamente estava fazendo. A qualquer momento, um trem poderia passar por cima de mim e morreria esmagada. Mas ainda assim, não poderia deixar uma garotinha sozinha andando por ali.

“SUN HEE!” gritei o seu nome esperando que a mesma escutasse. Escutei passos ao meu redor e sabia que alguém estava por perto. Talvez podia até ser alguém que decidiu me seguir para ajudar a procurar a garota, mas os passos eram calmos e lentos, como se a pessoa estivesse caminhando lentamente. Tentei controlar minha mente ao máximo para que não começasse a entrar em pânico, mas meu coração já estava batendo em um ritmo acelerado. Ali no escuro e perdida, meus pensamentos foram parar em Jungkook. Será que ele estava se sentindo assim? Perdido e com muito medo. Queria poder simplesmente fechar os olhos e imaginar que ele está em um lugar bom, algum lugar que não iria machucá-lo, algum lugar perto de mim. Nosso quarto.

Senti que meu coração parou por um momento, quando algo esbarrou em minha perna. Já estava pronta para cair dura no chão, quando identifiquei a pequena sombra aos meus pés. Os olhos da garotinha estavam arregalados e naquele momento, nós duas estávamos provavelmente com o mesmo semblante de susto no rosto.

“Você está bem?” perguntei me abaixando para poder ficar no mesmo que nível que ela. A garota parecia assustada demais para poder responder, então apenas concordou com a cabeça. Peguei em sua mão com cuidado, mas com firmeza, pois não queria que ela sumisse de novo. “Vamos voltar para sua mãe, ok?”

Porém, tinha que assumir que estava completamente perdida agora. Começamos a andar sem rumo, apenas seguindo nossos instintos. Havia pequenas luzes iluminando os trilhos e aquilo era nossa única fonte de luz. Lembrei que ainda estava com o meu celular em minha bolsa e peguei para usar a lanterna. A luz não era muito forte, mas já conseguia enxergar bem mais do que antes.

Olhava para todos os lados procurando pelo vagão e ao mesmo tempo atenta caso algum trem passasse. Foi quando meus olhos passaram de relance em uma porta em uma das paredes dos túneis. Havia uma placa vermelha escrita “saída de emergência” e no momento que li aquilo, fui direto em sua direção. Porém, quando a abri, um odor forte entrou pelas minhas narinas e tive que tampar meu nariz, pois o cheiro era realmente muito forte.

“Eca... Aqui tá fedendo.” A garota disse concordava plenamente com ela. Seja lá o que estivesse ali, estava pobre. Mesmo assim, nossa única saída estava por ali então decidi continuar caminhando. A cada passo que dava em direção ao final do corredor, mais forte o cheiro ficava e já estava imaginando que havia algum animal morto por ali.

Para minha surpresa e da garotinha, não era um animal morto que estava ali e sim um corpo. O cheiro de decomposição era insuportável e até tive que tossir algumas vezes. Senti meu peito se apertar com muita força como se alguém estivesse sentando em cima dele. Sinto como se uma mão invisível tampasse minha boca me calando por completo. Vários pensamentos passam pela minha cabeça na velocidade da luz, e tento controlar minha respiração, mas já é tarde demais. Já sei que entrei em um lugar escuro e profundo dentro de minha mente e que agora só sairei depois de muito esforço. Minha vontade é de correr, segurar bem firme a mão da garotinha e correr o mais longe o possível daquele lugar, daquele corpo, mas meu corpo todo está paralisado como se estivesse colado ao chão.

No meio daquela confusão toda dentro de mim, fiz uma das coisas que não deveria fazer e foquei no rosto do corpo em minha frente. Deveria ter olhado para qualquer lugar, menos ali, mas meu corpo não estava me obedecendo, fazendo tudo o que eu não queria. Os olhos estavam abertos, eram castanhos escuros, arregalados como se tivessem visto algo terrível pela última vez antes de perderem vida. O cabelo era da mesma cor, curto e provavelmente arrumado, parecia bonito, mas agora estava sujo e bagunçado. Sinto meu coração ser arrancado para fora ao identificar o corpo sem vida no chão.  

Jungkook.

Minhas pernas pareciam ser feitas de gelatinas, tentava a todo custo me manter em pé, mas quando cai de joelhos no chão, um grunhido agonizante escapou de meus lábios. Por um longo tempo, minha cabeça apenas latejou. Nunca havia sentido uma dor tão profunda e aguda como aquela. Gritei, não sei exatamente para quem, mas gritei até sentir minhas cordas vocais falharem. Aquilo tudo era demais e não consegui.

Fechei os olhos e não senti mais nada.

...

Assim que abri os olhos, estava claro demais, minha pele seca demais e havia uma dor lancinante ao redor da minha cabeça. Por um momento, pensei que talvez tivesse morrido e ido para o Céu, pois o lugar era extremamente claro e brilhante.

Depois de me acostumar um pouco com a claridade, percebi que estava em um quarto de paredes brancas, deitada numa cama de hospital. A minha esquerda, uma cortina fina como papel tinha sido puxada até a metade do quarto, separando-me do que havia do outro lado.

Senti que havia algo amarrado em minha cabeça e sem conter a curiosidade, cuidadosamente toquei o lugar dolorido em minha e testa e soltei um gemido de dor. Senti que também não estava usando as roupas gigantes de Hani, haviam colocado uma camisola branca que me fazia parecer aqueles fantasmas assustadores.

Parecia que tudo tinha sido um terrível pesadelo, talvez eu tivesse batido minha cabeça e ficado em coma e a qualquer momento Jungkook iria aparecer pela porta do quarto falando alguma coisa maluca que somente ele entendia. Mas eu sabia que tinha sido real, o pânico e medo viviam dentro de mim e o que os meus olhos viram, nunca mais seria possível de apagar.

Tentei entender porque estava tão calma e controlada, a àquela altura, já devia estar tendo outro ataque de pânico ao pensar em Jungkook, mas consegui minhas respostas ao ver uma agulha enfiada em meu braço. Claramente estavam me drogando, sentia meus olhos pesados demais e sabia que a qualquer momento, iria dormir e provavelmente ter um pesadelo.

Alguém segurou e apertou minha mão direita. Virei-me tão rápido que pensei que podia ter quebrado a cabeça. Me acalmei mais ao avistar Jaebum, mas meu coração ainda estava acelerado. Toda vez que o via, algo de ruim acontecia. Queria puxar minha mão de volta, mas então Jaebum deu um sorriso caloroso, um sorriso que fez me sentir, de alguma maneira, segura, percebendo que pelo menos não estava completamente sozinha.

“Ah, desculpa...” Jaebum disse soltando minha mão e voltando a se sentar em uma cadeira bege ao lado de minha cama. “É que eu não vejo você abrir os olhos já faz um tempo, então fiquei surpreso”

Será que minha teoria de que tudo aquilo foi um sonho enquanto eu estava em coma era verdade?

Abri a boca para falar, mas sentia uma dor aguda em minha garganta. Era como se eu estivesse em um daqueles pesadelos onde você não consegue falar, por mais que você tente várias vezes. A sensação era horrível.

“O que... Aconteceu?” depois do que pareceu minutos, finalmente consegui perguntar.

Jaebum pareceu estar escolhendo muito bem as palavras antes de me responder. Queria que as pessoas fossem mais honestas e diretas comigo. Será que elas acham que eu sou tão fraca assim que não irei conseguir aguentar ouvir certas coisas?

“Houve uma falha no vagão onde você estava ontem à noite. Ainda não sabemos muito bem o que aconteceu, mas tudo o que eu sei é que recebemos várias chamadas. Quando chegamos lá, te encontrei desmaiada no chão perto de um corpo.”

Um corpo.

Fechei os olhos novamente. Um arrepio gelado subiu por minha espinha ao escutar aquilo.

Jungkook!” tentei gritar, mas minha voz falhou. Nem liguei pra dor que sentia em minha garganta, só queria sair daquela cama o mais rápido o possível e vê-lo. Jaebum veio em minha direção rapidamente e me encostou de volta na cama, não deixando com que eu fizesse movimentos bruscos.

“Yujin, por favor, você tem que se controlar ou eles vão te drogar novamente.” Podia ver que Jaebum estava falando sério, pois seus olhos estavam cheios de preocupação. “Preciso que você permaneça lúcida.”

“Jungkook está morto!” dessa vez minha voz saiu por completo, mas sentia que aos poucos minha garganta se fechava. Nem sabia que estava chorando, só quando senti minhas bochechas ficarem molhadas.

“Do que você tá falando?”

Não conseguia controlar o choro, então só fiquei chorando sem parar até sentir que não conseguia quase respirar. De todas as vezes que me machuquei, nenhuma daquelas dores se compara com a que eu estava sentindo. Meu peito se apertava com força e imaginava se alguém podia morrer de dor no coração.

“Yujin, olhe para mim.” Jaebum tirou as mãos de meu rosto e me obrigou a olhá-lo. “Eu não faço a mínima ideia do que você está falando, mas Jungkook não está morto.”

Queria acreditar em suas palavras, mas minha mente trouxe as imagens de seu corpo no chão sem vida. Era ele. Eu tinha certeza.

“O corpo que encontramos pertencia a uma garota. Ela estudava na mesma faculdade que você. A polícia tem certeza que isso tem a ver com as outras mortes que Jungkook estava investigando.”

Soltei a respiração que nem sabia que estava prendendo. Por mais que uma grande parte de mim, se sentia extremamente aliviada, não conseguia parar de pensar que mais uma pessoa tinha morrido. Não tinha sido Jungkook, mas quantas mortes seriam precisas até finalmente se cansarem e decidirem acabar com a vida dele?

Tentei pensar positivo. Jungkook estava vivo em algum lugar. Mas sob os lençóis do hospital, finos como o papel, estava tremendo sem parar.

Ouvi a porta do quarto se abrir e logo em seguida a cortina fina foi subitamente aberta, e lá estava um rosto muito familiar. Logo reconheci que era Namjoon, um dos amigos de Hani. Nunca tinha o visto daquele jeito, usando um uniforme de enfermeiro carregando uma bandeja cheia de comida.

“Olá Yujin, bom ver que você está acordada.” Ele disse depositando a bandeja em uma mesinha suspensa na cama. Assim que Namjoon olhou para Jaebum, senti um clima extremamente pesado tomar conta do pequeno quarto. Logo lembrei, que os dois ficavam juntos há um tempo atrás, porém nunca mais tinha visto Jaebum usando aliança. Lembrar desse tempo, me fazia sentir velha, pois fazia tanto tempo que tudo aquilo tinha acontecido.

“Olá Jaebum.” Namjoon o cumprimentou secamente. Jaebum apenas balançou a cabeça, parecendo incomodado demais para responder.

“Como você se sente?” Namjoon me perguntou, checando vários aparelhos ao meu redor. A pergunta chegava ser engraçada, pois nem eu sabia exatamente como estava me sentindo.

“Eu... Não sei.” Respondi confusa. Ele estava lendo algo em uma ficha e parecia bem preocupado, mas mantinha aquele ar calmo dele. Não o conhecia muito bem, mas se era amigo de Hani, com certeza era gente boa.

A porta se abriu novamente e pensei que fosse Hani, mas era um homem baixo e careca usando um uniforme de policial. Ele tinha um ar superior e a forma como o mesmo andava, parecia que era um chefe importante.

“Olá, Srta. Park.” O policial disse com sua voz grossa e firme. Ele parecia igualzinho aqueles policiais malvados de filme. “Jaebum, o que você está fazendo aqui até agora? Não devia estar na delegacia trabalhando no caso?”

Jaebum parecia tão incomodado com ele quanto eu.

“Estava acompanhando a Yujin.” Ele respondeu, mas a resposta não parecia ter agradado o policial.

“Eu vim aqui fazer umas perguntas para a srta. Park. Nada que vá ser usado em tribunal, apenas uma tentativa de juntar algumas peças do acidente...”

Já tinha tido experiência o suficiente em responder perguntas de policiais desde que me mudei pra Seoul. Afinal de contas, em quantos acidentes já me envolvi desde que entrei para faculdade? Foram tantos que eu nem conseguia contar mais.

“Eu não sei se ela está bem o suficiente para isso. A dosagem que estamos dando para ela é muito alto e suas respostas podem ser incoerentes.” Namjoon se intrometeu. “Seria melhor se deixássemos Yujin descansar mais um pouco.”

“Mais do que ela já descansou?” o policial exclamou irritado. “Sinto muito, mas enquanto a srta. Park descansa, temos vários corpos sem nenhum culpado e um de nossos agentes capturado nas mãos inimigas.”

Me encolhi ainda mais em minha cama de hospital tentando desaparecer. De certa forma, ele tinha razão. Jungkook ainda estava desaparecido e o número de mortos aumentava cada vez mais. Enquanto isso, algo sempre acontecia comigo e ficava desabilitada. Uma parte de mim estava brava comigo mesmo. Estava deitada numa cama de hospital confortável e descansando enquanto Jungkook podia estar sendo torturado ou até mesmo sofrendo por algo pior... E isso tudo era culpa minha.

“Então, srta. Price, por que a senhorita saiu correndo do vagão?”

Lembrar daquele dia, fazia minha cabeça girar e minha dor piorar. Lapsos de memória passavam em minha mente como um filme cortado em várias cenas.

“Uma garotinha...Havia uma garotinha que saiu correndo e eu fui atrás dela.”

“Simplesmente assim?” o policial questionou claramente não acreditando em mim.

“Sim, simplesmente assim. Estava escuro e a mãe dela provavelmente não viu que ela tinha sumido, mas eu vi e decidi procurá-la. Ou será que isso é crime?”

“Por enquanto, não.” Ele respondeu sério. “E então você foi atrás da garotinha e por sorte, deu de cara com o corpo de uma estudante, que detalhe, estudava na mesma faculdade que você.”

“Espere um minuto.” Namjoon deu um passo à frente para interromper o policial novamente. Não sabia porque ele estava me protegendo, mas já era extremamente grata por isso. “Yujin sofre de ataques de pânicos e infelizmente encontrou um corpo que desencadeou um. Ela chegou desacordada no hospital extremamente fraca. Você não está interrogando uma suspeita e sim uma vítima.”

“Acho que podemos acabar por hoje, Chul.” Jaebum também se intrometeu. “Olhe para a garota, você realmente acha que é uma assassina?”

Senti o olhar frio e calculista do policial em meu corpo e senti um calafrio passar por mim. Mal o conhecia e já não gostava nem um pouco dele.

“Espero te ver na delegacia logo, Jaebum.” O policial disse, parecendo não tão satisfeito, mas sabia que estava errado. Eu, uma assassina? Eu não mal consigo matar uma barata, imagina uma pessoa.

Assim que o policial Chul saiu da sala, consegui respirar aliviada. Namjoon voltou sua atenção para mim e deu um sorriso que fazia suas covinhas aparecessem.

“Nunca gostei desse cara.”

“Ele consegue ser bem... Irritante quando quer.” Jaebum disse massageando sua cabeça. Namjoon o olhou e os dois trocaram olhares expressivos. Era óbvio que ainda havia muita tensão e coisas não resolvidas entre eles, mas pelo visto todo aquele drama de Jungkook estava os afetando também. Por um momento, senti como se fosse uma filha que pegou no flagra os pais brigando e agora o clima ficava cada vez mais estranho.

“Enfim, você tem que se alimentar bem, Yujin.” Namjoon quebrou o silêncio desconfortável e eu dei graças a Deus. “Coma tudo e logo você terá sua alta. Mais tarde, eu irei chamar o médico para fazer alguns exames, ok?”

“Bom, eu preciso ir... Você vai ficar bem, Yujin? Quer que eu chame alguém pra ficar com você?” Jaebum perguntou. Pensei em chamar Hani, mas já estava cansada de envolver ela em tanta confusão. Não podia deixar que essas coisas a afetassem também. Se meus pais soubessem que estava passando por tudo aquilo, na hora viriam me buscar e trancar dentro de casa em Busan até eu ficar velhinha. A melhor opção seria ficar sozinha mesmo, somente com os meus pensamentos e toda aquela comida.

“Tudo bem, eu prefiro ficar sozinha. Muito obrigada a vocês dois.” Respondi antes que os dois saíssem do quarto.

Logo, ataquei toda a comida da bandeja que surpreendentemente era boa, diferente das outras comidas de hospitais. Ou talvez estivesse com tanta fome que poderia comer qualquer coisa sem problemas. Não demorou muito e logo cai no sono. Estava no meio de um sonho onde não conseguia me lembrar muito bem o que estava acontecendo, só sabia que corria atrás de Jungkook em um corredor infinito. Quando estava prestes a alcança-lo, fui acordada e percebi que já era de noite. Namjoon e um médico estava em meu quarto me monitorando e fazendo perguntas típicas para ver se eu estava bem.

Depois de vários exames cansativos e longos, pude finalmente dormir. Namjoon explicou que estavam me dando um medicamento para controlar minha síndrome do pânico e que eu deveria continuar tomando por enquanto. Lembrei das várias caixas na gaveta da minha mãe e como sempre devia toma-las. Fazia tanto tempo, antes de vir para Seoul, a última vez que tinha tido um ataque foi durante uma aula de educação física no meu segundo ano do ensino médio. Lembro que estava apenas parada tranquilamente me alongando, quando senti meu corpo todo estremecer. Algo me dizia que alguma coisa estava atrás de mim então comecei a correr sem parar. Nunca fui uma pessoa muito atlética e sempre odiei correr, mas naquele dia, eu corri do meu colégio até a praia, o que era uma distância absurda. Quando finalmente parei e vi que não tinha mais nenhum lugar para fugir, Hani estava lá atrás de mim, correndo que nem uma doida tentando me alcançar. Ela sempre foi umas das únicas pessoas que sabiam me acalmar e me controlar durante meus ataques.

No dia seguinte, Namjoon me avisou que teria alta. Jaebum apareceu algum tempo depois com uma muda de roupa nova e alguns produtos de higiene. Finalmente, pude tomar um banho que mais pareceu um ritual de purificação, pois me senti completamente outra pessoa. Pelo visto, os remédios estavam realmente me fazendo sentir bem e começar a voltar ao normal, na medida do possível, porém era impossível tirar Jungkook da minha cabeça. Ele era uma memória viva em minha mente.

“Você realmente está se sentindo bem?” Jaebum perguntou assim que caminhávamos em direção ao seu carro.

“Estou melhor do que estava, mas ainda assim... Sei que só vou melhorar quando encontrar Jungkook.”

“Não se preocupe, Yujin. Estamos fazendo tudo de possível para encontra-lo.”

Durante a viagem de carro, fiquei em silêncio com as palavras de Jaebum em minha mente. Estava determinada em encontrar Jungkook custe o que custar. Não adiantava eu ficar me acidentando o tempo inteiro ou tendo um dos meus ataques toda hora, precisava começar a ser útil. Jungkook é um gênio e não consigo imaginar o mesmo parado sentando apenas esperando que alguém o encontre. Era óbvio que ele estava tentando fazer tudo que fosse possível para nos ajudar. Nós só precisávamos procurar no lugar certo. E era exatamente isso que ia fazer.

Jaebum parou o carro na frente de um café onde Hani iria me encontrar.

“Muito obrigada mesmo, Jaebum. Eu nem sei como te agradecer por tudo.” Disse sincera. Nunca pensei que iria ficar tão próxima dele desde que a primeira vez que o vi na cena do crime com Jungkook. Sentia como se ele fosse um irmão mais velho que nunca tive. “Qualquer notícia sobre o caso, você me avisa, ok?”

“Pode deixar, Yujin.” Ele respondeu. “Se cuida e por favor, já chega de hospitais, né?”

Dei uma risada e concordei com a cabeça. Andei até a porta do café e logo avistei Hani sentada em uma das mesas. Fui em sua direção, mas no caminho esbarrei meu braço em alguém. Senti algo pequeno encostar de leve em minha mão, mas antes que eu pudesse pedir desculpas, a pessoa continuou seu caminho em direção a porta. Reparei que eram duas figuras todas vestidas de preto então não consegui identificar quem era. Olhei para meu braço e foi então que percebi que havia um papel amassado em minha mão. Abri o papel o mais rápido o possível e me segurei em uma das mesas para não cair no chão.

Olhei para a porta, mas as duas pessoas já tinham sumido. Corri para fora do café o mais rápido o possível e pude vê-las entrando dentro do mesmo carro preto. Foi questão de segundos, até menos, mas eu o vi. Meus olhos captaram um pedaço da franja de cor castanho escura e eu sabia, meu corpo todo sabia, quem era. Naqueles poucos segundos, meu coração batia tão rápido e tão forte que pensei que poderia ter um ataque cardíaco bem no meio da calçada. Era ele.

“Yujin? O que aconteceu?” a voz de Jaebum me tirou de meu transe. Ele ainda estava com o carro parado e agradeci mentalmente por isso. Entrei dentro do carro dele novamente e o mesmo me olhava confuso sem entender nada.

“Siga aquele carro.” Foi tudo o que eu disse apontando para o carro negro que agora acelerava e saia em disparada pela rua.

“O quê?”

“Vai!” gritei desesperada e então o olhei dentro dos olhos. “Jungkook está dentro daquele carro.

Jaebum não pensou duas vezes antes de botar o pé no acelerador.

...


Notas Finais


:OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
Ok, como notas finais, eu tenho que falar algumas coisinhassss
primeiramente, queria agradecer MUITO, mas mtu mesmo, essa anjo que entrou na minha vida do nada e me motivou a continuar fic, a @FlopJinQueen ♥♥♥♥♥♥♥♥ ela tbm foi a pessoa maravilhosa que fez a capa nova de Roommate, vcs gostaram? Eu ameeei, obrigada mesmo Bia ♥
Tbm vou agradecer a todas as pessoas que deixaram comentários pedindo o próximo cap., SUAS PRECES FORAM ESCUTADASSSSSSSSSSSSSSS
enfim, gente é isso ai, não tenho muito o que falar zzzzzzzz (COMEBACK DO BTS TA CHEGANDO BERRO)
Espero que vcs tenham gostado, então comentem o que vcs acharam desse cap longo (5k de palavras, nem exagerei), o que vcs acham que tava escrito no papel?????????????????????????????? AI MEU DEUS TEM MUITA COISA PRA ACONTECER AINDA
beijosssssssss, seus lindos ^^
.。*゚+.*.。(❁´◡`❁)。.。:+*


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