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História Rosa Azul - Capítulo 5


Escrita por: e littleehan


Notas do Autor


Hey hey hey
Olha só quem está de volta :)
Depois de um mês de espera, ta aí um cap ti lindo pra vocês
Fizemos com todo o carinho, então espero que gostem
Boa leitura🖤

Capítulo 5 - Quatro



Tzuyu estava entorpecida. Tudo que queria era se beliscar e acordar em sua cama, suspirando de alívio por todo aquele cenário não passar de um sonho ruim. Presenciar uma sessão de tortura em Jeongin e uma facada em Seungmin não estava na lista de eventos que queria testemunhar. Queria exasperadamente ajudá-los, pelo menos se ainda possuísse seus poderes...

— Não acredito que ele vai morrer… — pronunciou Hyunjin alguns minutos depois que Christopher saiu da sala às pressas, estava de braços cruzados e uma feição aflita, o que fez a Chou franzir o cenho assim como os outros presentes ali, aquele cara não fazia o estilo de se preocupar com alguém que não fosse ele mesmo. — ...e eu não consegui trepar com ele! 

Praguejou bufando, como uma criança emburrada por não ter conseguido o brinquedo que queria. A garota apenas revirou os olhos, logo prendendo sua concentração em Seungmin, que sangrava abundantemente graças ao ferimento profundo que lhe foi feito. Jeongin não estava diferente, este que foi levado à cela novamente por Changbin. 

— Por que você fez isso!? — exclamou Yang à Kim, se referindo ao seu ataque contra Bang e ocasionado a cratera em seu ombro. 

— O que você esperava? Que eu ficasse assistindo comendo pipoca enquanto aquele psicopata te matava?? —  rebateu o ninfa.

— Eu provoquei aquilo, não era para você se ferir também! — a voz do tritão saía um tanto quanto complicada de se ouvir, considerando seu hematoma bucal.

— Ah, me desculpe por tentar acabar com o cara que quase arrancou sua língua e perfurou seu estômago! — ironizou. 

— Já chega! — ordenou Jisung.

— Pelo amor dos anjos, não é hora para discussão! — esbravejou Mina.

— Por favor meninos, vocês têm que… — antes que pudesse completar a frase, Tzuyu ouviu um ruído que identificou como saltos altos pressionando o chão, então olhou para o lado e viu de fato tais sapatos perto da mesma, consistiam em coloração preta e pôde ver também vermelho da sola. Eram elegantes, e transbordavam luxo. 

A platinada ergueu o olhar, parando nos olhos da mulher que a encarava. Era cinzas-tempestade, como se fantasmas a tivessem perseguido por mil quilômetros. 

Ela se levantou do chão, ficando face a face com a de cabelos azulados que a observava com um semblante julgador. 

— Então deve ser você. — proclamou, fazendo a Chou levantar uma sobrancelha.

— Eu o que?

— A feiticeira estúpida que abriu mão dos poderes. 

A garota recuou alguns passos, perplexa. "Como ela poderia saber disso?" Pensou, e a mulher pareceu ler sua mente.

— Boatos se espalham, gatinha. — deu um sorriso ladino. — Além disso, é a única explicação para não ter acessado seus poderes mesmo presenciando o sofrimento de seus amigos. 

Estava diante de uma feiticeira negra, com certeza. Tais seres podiam sentir a aura de outros feiticeiros por perto, seja ele da magia branca ou da magia negra. E com certeza foi devido a esse fato que ela já soube o que Chou era antes mesmo de terem trocado uma palavra. 

— Nada disso é da sua conta. — disse cruzando os braços, desviando o olhar para baixo. Manteve o seu tom baixo, sabia que precisava tomar todo cuidado em relação a como se dirigia à aquelas pessoas, considerando o que havia acabado de acontecer com quem desrespeitava algum deles. Ao pronunciar aquela frase, recebeu uma risadinha baixa em resposta. 

— A partir de agora, você é da minha conta.

Movimentou sua destra, levantando-a na altura do rosto e traçando um comando com o dedo indicador juntamente do médio. E cerca de meio segundo depois, pela segunda vez sentiu aquela sufocante sensação que sentiu de repente quando estava tentando chegar até seus amigos antes de ser capturada pelas sombras da feiticeira ao redor de seu pescoço. 

Mina tentou interferir, mas foi impedida pela mesma nuvem negra a empurrando e a aprisionando contra a parede. Já Tzuyu, foi puxada pela coleira cinzenta até que seu rosto estivesse entre duas das barras. 

— Está na minha área, lindinha. Posso fazer o que quiser. Acho que o fato de sua vida depender de mim faz de você minha, não é? Aliás, todos vocês... — ela agora transformou todos presentes nas celas vítimas de suas sombras, agarrando o pescoço de cada ser puro daquele ambiente. — ...são meus agora. 

Um sorriso perverso e feral brotou na boca da mulher, parecendo se divertir com a cena de estar literalmente refreando a respiração de cinco pessoas ao mesmo tempo. 

— Aí, Ryujin. — chamou Hwang, se aproximando da mais baixa. — Longe de mim querer interromper seu momento de soberana suprema mas, gostaria que tirasse o arcanjo dessa sua listinha. Sabe, eu vi primeiro então… ele é meu. 

Uma feição maliciosa e lotada de devassidão tomou conta de seu rosto quando direcionou o olhar para Jisung, cujo não pareceu nada feliz por ter sido chamado de "meu" pelo demônio.

— Faz o que quiser com o resto, mas eu fico com ele. — propôs, enquanto a tal Ryujin o queimava com o olhar, como se quisesse a cabeça dele em uma bandeja. Não soube bem explicar o porquê, mas parecia ter muito mais naquele olhar do que ela deixou transparecer em sua expressão. Havia uma tensão muito grande entre os dois, e no mesmo instante Chou concluiu que havia uma grande possibilidade de eles terem algum conflito passado. Depois de alguns segundos de puro clima pesado, a de cabelos azulados movimentou sua mão voltando-a para baixo e fazendo as sombras se dissiparem, libertando Tzuyu e seus amigos. 

— Tá, que se foda. Faça o que quiser. Vou checar se Christopher está vivo. — decretou girando seu corpo, passando a caminhar na direção das escadas. Conforme ela subia, a cauda de seu majestoso vestido se arrastava nos degraus. Depois de alguns segundos, ela já não estava presente no recinto. 

— Eu também vou me ausentar. — falou o ghoul. — Ainda não desfrutei bem daquelas armas. 

Ele sorriu para Jisung em provocação, e a feiticeira sabia plenamente que se não fosse aquela grade, teria voado no pescoço do Seo. Tzuyu nunca havia tocado em alguma arma de Han, pois o mesmo morria de ciúmes delas, eram como de estimação. Se ele não permitia nem mesmo seus amigos usarem-nas, quem dirá um ser do lado negro. 

— Você fica sozinho, Hyunjin?

— Com todo o prazer. — respondeu ele em um sorriso caloroso, e estava estampado em seu rosto que tudo que queria era deleitar mais de seu novo alvo, Jisung. Quando o outro se retirou do ambiente também, o íncubo estava pronto para ir até o arcanjo, mas foi interrompido pela voz de sua companheira de cela. 

— Posso ir até eles? — perguntou Myoui, com a voz tão baixa que quase se tornou inaudível. 

— Como? — requiriu Hyunjin.

— Jeongin e Seungmin. Eles ainda estão feridos, agonizando. Eu posso curá-los mas, não posso fazer isso sem estar perto o suficiente. Me deixe ir até eles, por favor… 

Pedia com a mesma tonalidade amolecida que uma criança se dirigia à um adulto. A loira nem mesmo se atrevia a olhar diretamente para ele. O medo que a garota possuía do rapaz era mais do que evidente. O anjo não estava com tantas esperanças de que sua solicitação fosse atendida, mas quis tentar. E como já esperava, uma sonora risada de puro deboche ecoou de Hyunjin. 

— E por que eu faria isso, cachinhos dourados? — a garota se encolheu mais no chão na cela, abraçando seus joelhos e suspirando em um ar frustrado. E o que ela esperava? Compaixão de um ser infernal? 

— Faça. — a atenção de todos ali foi desviada para a cela do outro canto, cujo a voz de Han foi pronunciada. Ele tencionou os ombros e encolheu os lábios, e obrigou as palavras saírem se sua garganta. — É a mim que você quer, não é? Pois bem, se permitir que Mina os cure, irei ficar devendo a você. Pode me pedir o que quiser. 

— Quê!!!?? — bradou Mina.

— Jisung, não! — advertiu Tzuyu. 

— Pode esquecer! — protestou Seungmin.

— Você ficou sem os miolos!!!?? — intimou Jeongin. 

— Quietos! — ordenou Han. — Todos vocês estão aqui por culpa minha, me deixem fazer isso. Não posso deixar que vocês dois fiquem feridos. 

— E nós não podemos deixar que você fique devendo um favor para… ele! — esbravejou Seungmin, se ferindo ao íncubo com um ar de desprezo. Mas o mesmo agia como se os outros nem estivessem ali, já que estava com a atenção aprisionada em Jisung, os olhos brilhando em expectativa pela proposta que recebeu. 

— Agora sim, estamos na mesma sintonia. — articulou Hyunjin em um tom de animação. — Feito. 

Declarou indo até a pequena mesinha próxima da escada, onde Changbin havia deixado o conjunto de chaves antes de sair. Rodou o molho no dedo indicador, enquanto caminhava até a cela de Myoui. 

— Só para constar, não espere que eu esqueça disso, gracinha. Minha memória é impecável. — avisou ele enquanto encaixava a chave na fechadura, fazendo o arcanjo engolir o seco. "Calma, é por seus amigos." pensou, na tentativa de se tranquilizar e amenizar o fato que estava em dívida com um maníaco sexual.

A porta foi aberta, e então Mina saiu em passos hesitantes para o lado de fora, sua postura dobrada e seus olhos cravados nos próprios pés. A garota nem escondia o quanto se sentia intimidada, considerando o quanto temia ser paralisada e passar por aquela agonia novamente. E também, depois de testemunhar como Yang sofreu na sua mão e ver do que ele era capaz, o sentimento amedrontado apenas aumentou. 

E claro, todo aquele pavor apenas contribuía para o contentamento de Hwang e era óbvio que ia tirar proveito daquilo para diversão própria.

— Bu! — exclamou ameaçando avançar na direção da menor, esta que estremeceu e recuou em temor, abraçando mais a si mesma. Sua reação involuntária apenas desencadeou uma gargalhada alegrada. 

Mina apenas suspirou, tentando acalmar suas mãos que tremiam visivelmente. Assim que a porta de sua cela foi fechada e a de seus amigos foi aberta, ela praticamente voou para dentro. 

Como os ferimentos de Jeongin era mais graves, ela o pegou primeiro nos braços. Tocou levemente na bochecha do loiro cujo continha ainda as marcas das garras de Bang, o fazendo dar um grunhido baixo de dor. 

— Você vai ficar bem, Innie. Apenas feche os olhos. — ele obedeceu, se aconchegando no conforto do colo da amiga e deixando que o poder curativo alheio fizesse seu trabalho.


 — Sabe, tenho algumas observações a fazer. — pronunciou Jisung para Hyunjin, que o dedicou um sorriso com seus dentes perfeitos. 

— Prossiga, docinho.

— Primeiro, pare com esses apelidos. Segundo, eu não sou seu. Terceiro, o que você e sua mente perturbada irão me pedir para fazer? Quarto, porque você tem habilidades diferentes de outros íncubos? E quinto, porque caralhos você anda com uma algema no bolso? 

— Wow, mas que interrogatório. Vamos ver se consigo responder na ordem… 

Ele caminhou pensativo de braços cruzados até a cela de Jisung, até que estivessem frente a frente novamente. Ele tentou, mas foi impossível não ficar embevecido. Porque a presença daquele maldito demônio o afetava tanto a ponto de uma simples aproximada fazer seu sistema nervoso se agitar?

 — Primeiro, hmmmm… não estou afim. Gosto de dar apelidos às minhas presas, docinho. — enfatizou a última palavra em provocação. Presa!? Mas que insolência! Ele vai ver quem é a presa quando Han quebrar todos aqueles dentes que formavam aquele sorriso convencido. — Segundo… 

E não estava mais ali. Mas que droga! Ele fez de novo. No instante seguinte, Hwang se materializou dentro da cela, e caminhava na direção do arcanjo com uma confiança tão ridícula que ele desejou colocar o pé em sua frente para fazê-lo tropeçar. 

— …acho que está com dificuldade para entender. — conforme ele se aproximava, mais seu subconsciente corria em círculos. A intensidade de seus olhos ardentes o cortaram a respiração. — Além de estar no meu território, agora também está me devendo um favor. Seu destino está nas minhas mãos, então, ao que tudo indica…

O corpo do mais baixo de repente foi puxado, graças a destra alheia que agarrou o colarinho que usava e o trouxe bruscamente na sua direção. E lá estavam eles, centímetros de separação. Han teve que prender a respiração para tentar abafar a injeção de adrenalina que foi disparada direto em seu organismo com tal ato. Pensou pela sua cabeça empurrá-lo, agredi-lo, mas de um segundo para outro suas mãos pareciam ocupadas demais ousando pensar como seria bom estar afundadas naqueles fios escuros e aparentemente sedosos. Os resquícios de juízo gritavam e davam marteladas na cabeça de Jisung perguntando que merda ele estava fazendo, e o mesmo até tentou dar ouvidos, mas o aroma forte do íncubo em sua frente parecia o hipnotizar. E seus lábios… tão próximos… 

— Você é meu, querido. — articulou com sua bela boca. E por uma fração de segundos, varreu seu lado racional para longe e isso deu abertura para pensar... a ideia de ser dele não parecia tão ruim. 

Espera aí, Não! Jisung, acorde! Ordenou sua consciência. 

— Eu mandei não tocar em mim. — ameaçou. Em resposta, o moreno deu um riso baixo. 

— Como se eu precisasse tocar você para afetá-lo. — disparou em um ar sórdido, afastando-se. Já que ele estava de novo em uma distância considerável que permitia Han pensar, o mesmo cerrou os punhos em fúria. O único motivo para se enraivecer tanto com Hyunjin pela bagunça que causava, era Hyunjin saber plenamente da bagunça que causava. — E terceiro, eu e minha mente perturbada ainda não decidimos. Mas fique tranquilo, pensarei com carinho. 

Prometeu com uma piscadela, fazendo o outro revirar os olhos e assim que retornou a atenção novamente para o mais alto, o mesmo de súbito pareceu entrar em uma espécie de transe, enquanto observava Han fixamente com olhos ilegíveis. 

— Que foi? 

— Nada. — respondeu rapidamente, logo retomando a postura. — Quarto, digamos que o destino me sorteou para ser especial. 

Ele deu de ombros simplista, mas obviamente tal resposta não convenceu Jisung, que levantou uma sobrancelha num pedido para mais informações. Com isso, Hyunjin suspirou. 

— Você tem segredos, docinho? 

— Não existe alguém que não tenha. 

— Exato. E você os revelaria para mim? 

— Não. 

— Então acho que sua pesquisa sobre meus poderes acaba aqui. — seu tom se tornou firme, com migalhas de hostilidade que induziram uma advertência. A origem de seus dons não era seu assunto preferido, estava na cara. Han não pôde deixar de sentir pontadas de aflição, afinal queria desvendar mais do livro de mistérios diante de si. — E quinto, sobre o porquê de eu carregar algemas nos bolsos… 

Ele retirou o objeto do compartimento de sua vestimenta, passando a rodopiá-lo em seu dedo indicador. O de cabelos azuis passou a parar por um segundo, observando, e inexplicavelmente se sentindo de certa forma tentado. Por que aquela visão pareceu tão… atrativa? 

O demônio ergueu o olhar, formando um sorriso linear e sugestivo, de quem sabia exatamente o que arcanjo estava pensando. Espera… e se ele realmente souber!? Jisung sentiu-se apavorado com tal possibilidade. 

— Porque eu sou Hwang Hyunjin. 

Declamou com um ar triunfante, como se aquele argumento fosse mais do que suficiente para justificar qualquer ação sua. Jisung expirou desviando o olhar em um semblante de tédio, por um momento, quis acabar com aquela postura convencida e chutá-lo em um lugar que doesse bastante. Porém sabia que isso seria inútil e não o abalaria nada, visto que viu com os próprios olhos a imunidade do íncubo quando se tratava de dor.

— Ah, merda! — exclamou em reclamação, fazendo o de cabelos azuis franzir o cenho, mas antes que pudesse questionar algo, o outro prosseguiu. — O pingente de um dos meus colares, deve ter caído na sala de treinamento. 

Ele olhou em volta, a fim de se certificar de que a jóia não tivesse caído por ali perto. Enquanto isso, Han aproveitou para analisar melhor o que não tinha direcionado tanta atenção antes: os acessórios do rapaz. Não eram poucos, ambas mãos do moreno eram adornadas por vários anéis, e o pescoço composto por diversos colares. Apesar de terem suas singularidades de design, todos eram de prata. Bem, ouro não combinaria mesmo com ele. Outra característica era que eram caras, dava para perceber só de olhar para o brilho que reluziam, o que o fez se perguntar como não havia reparado nos acessórios antes.

E precisava admitir, aquelas jóias contribuem muito para sua elegância e realçaram sua aparência excepcionalmente atraente. 

Com certeza aquela era exatamente sua intenção, parecer o mais irresistível possível para atrair o maior número de vítimas. O arcanjo sabia plenamente que uma parte minúscula de si, uma que fazia uma formiga parecer um leão, estava sendo afetada pelos poderes do demônio. Só de estar perto dele, sentia uma sede indescritível de se entregar, de permitir que ele explorasse seus limites e levasse-o a lugares até então desconhecidos. 

Mas não podia permitir que aquilo crescesse. Hwang não era nada mais que uma pedra no caminho de seu objetivo; matar Bang e dar o fora dali com todos seus amigos sãos e salvos. Jisung era um arcanjo, uma figura suprema da castidade e da pureza. Jamais se permitiria arriscar sua identidade celestial por um ser infernal. Havia lutado muito para conquistar a tamanha honra e respeito que obtinha, deu seu sangue, suor e lágrimas para ganhar o título do melhor em sua geração. Não permitiria isso ser manchado por ninguém, nem mesmo a porra de um cafajeste com um charme e beleza descomunais. 

— Eu volto já. — anunciou, direcionando-se à escada. — Aconselho-lhes a não tentarem nenhuma gracinha, se não… 

Ele ergueu a mão direita na altura do rosto, o que foi o suficiente para passar o recado. Então, um segundo depois, a casta do bem estava sozinha. Ótimo, era essa a oportunidade que Jisung precisava.

— Mina? Conseguiu curá-los? — perguntou ele, mas quem respondeu foi Jeongin.

— Sim, Sung. Estou bem. 

— Eu também. — assegurou Seungmin, e com isso o arcanjo já se sentiu mais tranquilo. — Eu ainda não sou a favor de você estar devendo para aquele pirado, mas de qualquer forma, obrigada.

— Não se sabote tanto, nada disso é culpa sua. — consolou o meio-sangue. 

— Nós escolhemos vir para cá, estamos todos juntos nessa. —  acrescentou Myoi. 

— Não se preocupe, sei que está fazendo o seu melhor para nos proteger. — disse Tzuyu. 

— E somos muito gratos a você por isso. — finalizou o loiro com um sorriso amável. Han acabou por sorrir também com o apoio. Seus amigos podiam ter atitudes irracionais, podem ser impulsivos e inconsequentes, mas apesar de tudo isso, uma coisa era fato: Jisung amava cada um como irmãos. Eram seu porto seguro. 

— Obrigada, pessoal. — pronunciou com candura, e todos passaram a compartilhar sorrisos esperançosos. Podiam estar em um projeto de inferno naquele momento, mas o atributo de estarem juntos deixava toda aquela situação menos pior. — Bem, agora se me dão licença, vou aproveitar a ausência deles para me concentrar em tirar a gente daqui. 

— Mas você ouviu ele, se flagrar a gente tentando alguma coisa… — murmurou a loira, fazendo o garoto revirar os olhos e em seguida lançar um olhar sarcástico para ela. 

— Quem tem medo do lobo mau? — gracejou, fazendo não só Mina, mas todos os outros três rirem. 

— Como consegue fazer a gente rir numa hora dessas? — falou Jeongin. 

— É um dom. — declarou, dando de ombros. Era inegável que o humor ácido de Jisung era uma grande pérola do grupo. 

— E por falar nele. — falou o loiro. — Agora que estamos entre nós, o que ele disse sobre você querer… é verdade? 

— O que? — ele demorou um segundo para entender a pergunta, por um instante tinha esquecido que seus amigos presenciaram cada parte de seu diálogo com o íncubo. — Ah! É... claro que não. Pelo amor, eu sou um arcanjo. Eu, atraído por um demônio? — riu sardonicamente. — Isso seria ridículo. 

— Óbvio que seria, aquele cara deve ter parafusos a menos. — indagou Seungmin. 

— Parafusos a menos? E ele tem algum? — continuou Mina. 

— E o que ele disse sobre o Jisung ter sangue de demônio? — lembrou Tzuyu. — Faz tanto sentido quanto o Bang ter enjoo de sangue. 

Jisung acabou por sorrir minimamente, afinal por mais que não quisesse admitir, a revelação do demônio havia plantado uma semente da dúvida e o tivesse levado à uma grande confusão mental. Mas apesar disso, seus amigos ainda confiavam plenamente nele. 

— Pelos céus, onde viemos parar? No inferno ou no circo? — disse Yang, e os comentários dos amigos fizeram Han dar uma risada soprada, balançando a cabeça negativamente 

— Vão zoando vão, aí ele aparece aqui do nada e vocês se encolhem feito gatinhos com medo da própria sombra. — provocou o arcanjo. 

— Ah, cala essa boca! — retrucou Mina. — Pra você é fácil falar, você não tem medo dele porque é uma máquina de porrada.

— E pelo visto, é também o preferido dele. — o ninfa provocou de volta, rindo da expressão enojada do de cabelos azuis. — Mas então, o que pretende fazer para nos tirar daqui?  

— Pedir reforço. — decretou, sentando-se no chão, de frente para a parede e de costas para a grade. 

— Ah! — exclamou Tzuyu. — Você vai chamar…

— Sim, vou. É preciso de toda a concentração possível, portanto evitem fazer qualquer ruído, entenderam? 

—  Pode deixar. — ouviu Yang garantir. 

— Vou precisar de mais energia do que normalmente. Já tentei fazer isso anteriormente, mas por algum motivo esse lugar enfraquece meu contato. 

— Não aconteceu só com você. Nas duas vezes que o Bang me atacou, tentei acionar meu grito de tritão, mas não saía nada. 

— E eu tentei te proteger com meu escudo desorientador enquanto Bang e Hwang te torturavam, mas ele parecia estar bloqueado! — queixou-se Mina. Um de seus poderes de anjos da guarda constituíam-se em um escudo, cujo fazia com que o alvo perdesse a força e a noção dos sentidos, impedindo os ataques contra a vítima. 

— Eu também. Tentei usar minha Benção de Dione, mas senti a mesma coisa que a Mina, e depois de tantas tentativas falhas decidi recorrer ao veneno que eu trouxe comigo. — indignou-se Seungmin, visto que seu poder seria altamente útil já que a Benção de Dione dos ninfas era capaz de afastar qualquer ameaça até dois metros de distância. 

— Mas que merda! Como não pensei nisso!? — lamentou Jisung. — Não é óbvio? Somos seres puros e estamos do lado negro. A aura desse buraco enfraquece nossos poderes.

Os outros entreolharam, preocupados. Diferente do arcanjo, não sabiam lutar. E se já eram presas fáceis com seus poderes, então sem eles…

Precisavam sair dali. 

— Pelo esforço em dobro que vou ter que fazer para me comunicar com meu irmão, há risco de minha mente se esgotar demais e eu desmaiar. É arriscado demais eu ficar inconsciente e deixar todos vocês desprotegidos, mas é a única opção que temos. — os demais balançaram a cabeça em concordância. — Ah, Seungmin, Tzuyu!

Chamou ele, indo novamente até a frente da grade após se lembrar de uma chave importante para seu plano. 

— O que foi? — disse eles em uníssono.

— Onde exatamente vocês foram capturados pela Ryujin? — perguntou, afinal qualquer mínima informação sobre aquele lugar era útil para contribuir para uma rota de fuga.

— Foi na cozinha. — informou Seungmin, fazendo Han suspirar frustrado por não ter recebido nenhuma novidade sobre algum local desconhecido sobre a escola.

— Por onde ela entrou? Onde exatamente ela encontrou vocês? Quero o máximo de detalhes possível. 

— Não vimos ela entrando. — contou Kim. — Ela… simplesmente apareceu do nada em forma de gato. 

— Mas que porra! — xingou ele, dando um golpe na grade. — Preciso de mais do que isso, pensem! 

Os dois se entreolharam e o silêncio passeou por ali por um tempo, cada milésimo de ausência de palavras servindo para acrescentar na ansiedade do arcanjo. 

— Tem uma coisa. — declarou Chou por fim. — Mas não tenho certeza se serve para alguma coisa.

— Diga. — pediu. 

— Estávamos quase saindo da cozinha, quando ela inexplicavelmente surgiu perto do painel de metal, onde se guardam as facas. 

O garoto desviou o olhar para baixo colocando as engrenagens de sua mente para trabalhar. Estava na hora de formar um plano. 

Automaticamente, tomou seu fiel companheiro nas mãos, seu punhal. Cujo por puro costume, gira em sua destra quando mergulha em suas reflexões. 

— Ih, ele pegou o punhal. — anunciou Seungmin. 

— Agora o bicho vai pegar. — comentou Tzuyu. 

— Lá vem um super-plano do gênio. — articulou Jeongin. 

— Shh! Ele precisa se concentrar. — repreendeu Mina. 

Os amigos do arcanjo já sabiam perfeitamente o que estava por vir. Toda vez que Jisung passava a perambular de um lado para outro, brincando com o Cicatriz do Amanhã nas mãos, um choque de inteligência o atingia. 

Ele pensou, pensou e pensou. Revisou em sua mente cada mísero momento desde que atravessou aquela barreira, calculou cada possibilidade, cada detalhe.. o Han quase conseguia ouvir os neurônios de sua mente fervendo, disparando a mil quilômetros por hora em busca de respostas. Sua arma rodopiava em seus dedos com maestria, se locomovendo de forma tão natural que era como se tivesse vida própria.

 Até que...

— Eureka! — bradou, atirando o punhal dourado na parede, um gesto que fazia sempre que chegava a uma conclusão; cravava seu amado Cicatriz em qualquer material que estivesse próximo.

Meio instante depois, voltou ao chão. Acomodou-se ali ficando de pernas cruzadas e em seguida, respirou fundo. Uma, duas, três vezes em rumo à completa desconexão com o mundo à sua volta e passar a idealizar e priorizar em sua consciência apenas o contato mental com seu irmão. E depois de alguns minutos de completo isolamento dos acontecimentos alheios, já não ouvia mais nada ao seu redor. O primeiro passo foi feito.

Depois, passou a imaginar ele ali sentado em sua frente, cada mínimo detalhe de sua face, imaginou-se olhando fixamente para os olhos tão gritantemente como esmeralda dele, imaginou-se pegando suas mãos e mantendo esse contato físico e visual de modo obstinado e determinado. Sentia as forças lôbregas daquele lugar querendo interferir e ceifar toda aquela tentativa de comunicação, sentia essas forças em formas de cordas negras, lutando para puxá-lo para longe daquela energia positiva. Mas Han manteve-se firme como uma pedra, e passou a visualizar em seu cenário uma espécie de campo de força, na tentativa de impedir que aquela eletricidade maquiavélica interferisse. Sabia que todo aquele esforço custaria e lhe renderia uma grande exaustão, mas era por uma boa causa. E sentiu progresso quando a marca no lado direito de seu peito passou a se apertar ao ser ativada. 

Então o terceiro e último passo, suspirou profundamente mais uma vez e se preparou, chamando com a voz de seu subconsciente, clara e nítida, o nome de quem tanto precisava. 

"Minho…" 

E esperou. Cada segundo era torturante. Temia que sua energia não tivesse se centrado completamente, fazendo com que sua conexão não fosse forte o suficiente para o outro arcanjo escutá-lo. 

Tinha que ter dado certo, a alternativa contrária não era uma opção. Lee era sua única esperança, precisava dele mais do que nunca naquele momento. Se seu plano de contatá-lo falhasse… 

"Jisung?" 

Os pensamentos paranoicos de Han foram todos interrompidos quando a voz que tanto queria ouvir invadiu sua mente. Ele sorriu de orelha a orelha, tinha conseguido. 

Mas logo voltou à seriedade, mantendo seu corpo imóvel e seus olhos fechados. Tinha conseguido acessar o processo de telepatia, agora precisava mais do que nunca de sua concentração para mantê-lo. 

"O que aconteceu?" 

A tonalidade do garoto era de evidente preocupação, afinal além de, pelo laço que tinham, pôde sentir que algo estava errado com Han. Além disso, os dois só utilizavam sua habilidade de comunicação mental em situações de emergência. Então, Minho já sabia que não vinha coisa boa por aí. 

"Eu vou ser breve, já que provavelmente não tenho tanto tempo. Tenho uma boa notícia e uma ruim, a boa, é que eu Eu achei o paradeiro do Bang.

"Mas que ótimo! E você o capturou?"

"Bem… os planos desandaram." 

"Como assim desandaram?"

"Essa é a má notícia. Esse paradeiro era o lado negro de Speculo, e…

"Jisung... por favor, me diga que não fez o que acho que fez." 

"Eu fiz.

"VOCÊ ENLOUQUECEU!!??

"Escuta! Eu sei que quer arrancar minha cabeça agora, mas vai ter tempo para isso depois. Por agora, necessito da sua ajuda. Não queria expor você ao perigo dessa maneira, mas não estou sozinho. Preciso de reforço para tirar os outros com vida daqui." 

"Como assim "os outros"????"

"É história demais para muito pouco tempo. O foco é: precisamos de um plano para salvá-los e fugir. E ele envolve um elemento surpresa."

"Que sou eu." 

"Exato. Não tem como eles saberem que me comuniquei com você, então vão ser pegos totalmente desprevenidos. Eu sinto muito por estar te colocando nessa situação, Minho. Mas não tive outra escolha, tem vidas demais em risco para eu dar conta sozinho. Preciso de você.

Lee se manteve em silêncio por um segundo, mas logo sua voz se fez presente novamente, e sua tonalidade deixava claro que estava dentro. Afinal, iria até o fim do inferno por Han. 

"Quantos são além do Bang?

"Três. Um ghoul, uma feiticeira e…"

"E…?"

"Um íncubo." 

"Um íncubo? Eles não costumam ser uma ameaça."

"Sei disso, mas esse é… diferente."

"Diferente como?"

"Nem eu sei como, mas ele tem habilidades que eu nunca tinha visto. Posso dizer que é o mais perigoso entre os quatro, precisa dar um jeito nele primeiro. Mas não lute contra ele, vai ser uma perda de tempo. Tem que imobilizá-lo junto com a feiticeira. Prenda as mãos dela, afinal sem movimentos manuais, sem magia.

"Hmm… será fácil identificar a feiticeira, mas como vou diferenciar o tal íncubo?

"Moreno, alto e parece um pinheirinho gótico. Eles me jogaram numa cela, então depois que incapacitar os dois...

"Eu solto você, cuidamos dos outros dois e aí libertamos os outros e damos o fora."

"Exato. Ah, e você cuida do ghoul. O Bang é meu."

"Certo. E como posso entrar sem que me vejam?

Han sorriu, como se estivesse esperando que essa pergunta fosse feita. 

"Esse é um raciocínio muito complexo. Preciso que tenha o máximo de atenção em minhas palavras e sem interrupções."

"Okay."

"Eu percebi, que quando Hyunjin arremessou Jeongin na parede, p-"

"ELE FEZ O QUE!?"

"Calado! Eu disse sem interrupções. Enfim, pela força que ele usou, devia ter escapado alguns pedregulhos, já que as paredes da sala são feitas de pedras. Mas, isso não aconteceu. Além disso, fez um estrondo muito alto para serem pedras comuns. São artificiais. Ou seja… é oco por trás daquela parede. Isso não pode ser por acaso, tem alguma coisa ali atrás. Não deve ser uma escada para baixo, afinal já estamos no subterrâneo do colégio, não teria um subterrâneo do subterrâneo. Pode ser um túnel ligado a vários locais daqui, ou que sirva para uma fuga, ou alguma sala escondida.

Se bem que… deve ser uma sala. Minha intuição diz que a Ryujin passou por ali para capturar Seungmin e Tzuyu, e ela estava usando saltos altos. Se fosse um túnel, com certeza seus sapatos estariam imundos. Mas, estavam impecáveis. Enfim, de qualquer forma, tenho praticamente certeza de onde é a entrada secreta; Na cozinha. 

Faz sentido, porque a entrada para a cozinha fica atrás da escola, do lado direito. Depois que saímos de lá, seguimos reto por um corredor, porém viramos para a direita, para onde tinha um jardim, e foi lá que fomos pegos. Para chegar até aqui, viramos uma vez para direita de novo até parar numa tal sala de treinamento. O porão onde estou agora fica exatamente embaixo dessa sala. Simplificando, a cozinha fica alguns metros à frente da sala de treinamento. Usando a lógica, lá é o caminho mais rápido para chegar até esse tal cômodo secreto.

E bem, eu arrisco palpitar que a entrada de acesso para chegar até lá, é no painel de facas. Só pode ser. Alguma das facas deve ativar, funcionar como uma alavanca talvez, ou talvez algo atrás de alguma delas. De qualquer forma, sem dúvida é aberta através de alguma faca que está guardada em cima, em baixo ou nos cantos, tudo menos o centro, para passar despercebida. Enfim, tomara que eu esteja certo." 

"Desencadeou todo esse raciocínio só de prestar atenção em um detalhe da parede?"

"Bem, sim. O que você acha?

"Acho que você é um gênio." 

O tom orgulhoso que Minho usou fez Jisung abrir um sorriso. 

"Mas voltando, também espero você esteja certo. Vou preparar tudo para chegar até aí o mais rápido possível.

"Ok. E ah, traga armas extras. Os desgraçados tomaram as minhas."

"Já imaginei, irei trazer sim." 

"E mais uma coisa."

"O que?"

"Tome cuidado.

Apesar de não estar vendo o rosto do mais velho, tinha certeza que estava sorrindo também. Han levou sua mão até a ilustração de um gato preto deitado na meia-lua que compunha um dos lados de seu peito, e pôde sentir que Lee fez o mesmo. Só de ouvir a voz dele, já se sentia melhor. Menos perdido, mais seguro.  




───────⊹⊱✫⊰⊹───────



Changbin alternava entre uma arma e outra, eram realmente impressionantes. Quando as erguia na direção da luz, elas tremeluziam como pedras preciosas. Já havia visto armas celestiais antes, porém nunca tão de perto. Poderia facilmente ficar admirando-as o dia todo, mas uma segunda presença fez seu foco mudar. 

— Loucura, não é? — articulou à Hyunjin enquanto colocava uma das espadas de volta na mesa, junto com as outras. — Seres puros entrando de tão boa vontade aqui, no nosso lado. 

— Realmente. — disse ele varrendo o chão com os olhos, como se estivesse em busca de algo. — Já estava na hora de algo tornar as coisas mais interessantes por aqui. 

— Aliás, foi inevitável minha curiosidade não se manifestar. Qual é a sua com o arcanjo? — seu sorriso aumentou, se tornando ignóbil. 

— Esses seres nunca estiveram na minha lista de favoritos, sempre os considerei-os sem nenhuma utilidade. Até onde eu sabia, os celestiais são todos assexuais ou demissexuais. Ou seja, um completo tédio. Mas esse… é diferente. Eu senti sua luxúria borbulhando por mim, e também pude identificar sangue negro nele. 

— Espera, então ele pode ser…

— Metade demônio, é. Pelo jeito que reagiu, provavelmente não tinha conhecimento disso. Tudo isso é uma grande novidade. Você me conhece, considerando que já vivi o suficiente para ver de tudo, costumo ter fascinação pelo que me surpreende. E aquele arcanjo, é algo que eu jamais havia visto. É único em sua espécie, como eu. 

— Então além de querer trepar com ele, quer saber mais porque… se identificou com ele? 

— Basicamente. Ah! Aí está você. — anunciou juntando um pingente do chão, o colocando novamente em uma de suas correntes que adornavam seu pescoço. — Mas porque a pergunta? 

— Apenas fiquei intrigado, ele foi o único para quem você baixou a guarda. 

— É claro, não pode ser cruel com suas presas, isso pode assustá-las e dificultar a caçada. É muito melhor atraí-las com boa aparência, para depois devorá-las. E devo dizer, aquele é um cordeirinho de ouro. — Seo deu um riso anasalado. Aquilo tudo não passava de um jogo emocionante para ele. Hyunjin era repleto de astúcia, calculismo, elegância e sensualidade, como uma serpente. — Mas e você, Changbin? Algum cordeirinho? É difícil ler  quem fica calado na maioria do tempo. 

— Você sabe, eu prefiro observar. E até agora, o que me deu menos sono foi o meio-sangue. Não sei se ele foi estúpido ou corajoso de enfrentar você e o Bang. 

— Pfff, assustá-lo foi tão fácil como quebrar palito de dente. Por um momento, achei mesmo que Christopher ia matá-lo. — debochou. 

— Fora o seu novo brinquedinho, acha que os outros irão terminar mortos? 

— Talvez, não dou a mínima para eles. — declarou com indiferença, então de repente o íncubo passou a olhar o ghoul fixamente, com um semblante sugestivo. — E por falar em terminar, isso me lembra… 

Ele caminhou lentamente para o mais baixo, até que que estivesse perto o suficiente para puxar a gola de sua peça de roupa na própria direção, deixando-os a uma distância absurdamente curta. Changbin compartilhou do sorriso perverso, já entendendo perfeitamente ao que Hyunjin se referia. 

— …Ainda não terminei com você. 

No segundo seguinte, já estavam se agarrando. Suas bocas se entrelaçavam apressadamente e enquanto as mãos de Seo foram parar na cintura de Hwang, as dele foram até a nuca do ghoul. Apertando o tronco do íncubo, ele o empurrou até que a parede o encontrasse, e ali prosseguiram com sua troca de beijos ardilosos. 

Enquanto o ósculo barulhento se manifestava, Hyunjin escorregou sua mão até que ela pousasse no cinto em que o outro trajava, e o som da fivela ecoou quando o rapaz começou a abri-la. 

Estavam mais do que prontos para avançar as coisas, mas um estrondo exuberante ecoou por todo o lugar, forte o suficiente para tremer o chão. O que, claro, levou eles a separarem-se bruscamente.




───────⊹⊱✫⊰⊹───────



Ele estava entorpecido, sua mente parecia enevoada. Tentava se lembrar do que ouve consigo ao sentir o chão frio ou em contato com sua pele, demorou a lembrar o que de fato havia acontecido. Ainda com os olhos fechados ele sentia seu corpo aos poucos reconhecendo seus comandos, tentou abrir seus olhos, mas parecia um esforço grande demais no momento.

Optou por permanecer na escuridão por mais um tempo. Não fazia a menor ideia de que horas eram, mas ficou alarmado ao ouvir o entoar de saltos altos vindo em sua direção. Conhecia aqueles passos tão bem que até o assustava, porém devido ao seu estado embriagado ele demorou mais tempo do que o normal para reconhecê-los. Mas ainda sim, sabia se tratar de Ryujin. 

Quando sentiu a presença dela a sua frente, Christopher abriu os olhos preguiçosamente. A garota arqueou uma sobrancelha em sua direção em um mínimo sorriso debochado surgiu nos lábios avermelhados de Bang. 

— Parece que não foi dessa vez que me livrei de você, Bang. — ela provocou, se descontando no batente da porta e cruzando os braços. 

— Não iria morrer na mão de uma fadinha qualquer. — o ruivo argumentou, sentando com dificuldade já que seus braços pareciam pesar o mesmo que tijolos.

— Ficaria chateada se você tivesse uma morte assim tão idiota, não combina com você. 

— Está preocupada, Ryu? — provocou ele enfatizando o apelido que sabia que a irritaria, com um sorriso presunçoso nos lábios ele se levantou preguiçosamente, ainda sentia seus membros pesados e seu corpo reclamava pelos movimentos repentinos. Recebeu um revirar de olhos como resposta enquanto se sentava na cama, graças a sua regeneração rápida, Christopher já sentia todos os efeitos do veneno se dissipando de seu corpo como se não houvesse estado à beira da morte minutos atrás. 

— Já mandei não me chamar assim. — retrucou ela, deixando transparecer uma faísca de seu poder sombrio passar para seus olhos que brilharam de forma ameaçadora. Porém, Bang era um dos pouquíssimos que a mulher não conseguia intimidar. — E eu preocupada com você? Estou achando que você está andando tanto com o Hyunjin, que tá delirando mais que ele.

O comentário o fez soltar uma risadinha baixa, ele se inclinou para trás apoiando sua mão no chão enquanto apoiava o peso de seu corpo na mesma. 

— Só não se esqueça, minha doce Ryu, de que se eu morrer, você vai ter que me buscar no inferno. Porque nem fodendo que eu vou ficar lá.

— E por que eu faria isso?

— Já se esqueceu que me deve uma? — perguntou retoricamente, sabia que a Shin se lembrava, mas não deixaria a oportunidade passar. — Minha ajuda nunca é de graça. 

— Há! Não me faça rir. Você não me fez uma caridade, Bang. Nossos interesses se conciliavam e nossa aliança favoreceu a nós dois. 

— Pode até ser, mas afinal quem foi procurar quem por estar no fundo do poço, graças a uma facada nas costas do antigo amado? — a feiticeira arquejou. Nunca mencionou uma palavra sequer sobre esse evento para o rapaz. Christopher sorriu jovial, satisfeito por tê-la deixado sem fala. — Pois é, não foi tão difícil ligar os pontos. Mas não se alarme, por um fio eu não estou no túmulo agora, mas seu segredo está. 

— É melhor que esteja. Se não só não irei deixar você apodrecer no inferno como também será eu a responsável por te atirar para lá. 

— Suas ameaças são realmente cativantes. 

Ela deu de ombros, virando as costas e fazendo a longa saia de seu vestido rodopiar, então caminhou para fora do ambiente e logo o kitsune se encontrava sozinho novamente. 

— Espera! — pediu, fazendo a mulher parar no meio do corredor. O ruivo finalmente levantou, dando uma pequena alongada. Deu uma longa suspirada, sentindo a vida pulsar novamente em seu corpo. Ajeitou Kira na bainha em suas costas, saindo do quarto e se juntando a Ryujin. — Mal posso esperar para ver a cara do Jisung quando souber que estou viv- 

Ele não pôde concluir sua frase, graças a um estardalhaço ensurdecedor que implodiu seus ouvidos, como uma explosão. O que obrigou a dupla a tapar os ouvidos involuntariamente. 

— Mas que merda foi essa!? — proferiu o kitsune.

— Veio da sala de treino. — eles correram até lá, não foi um trajeto tão longo já que não estavam longe. Quando chegaram ao cômodo desejado, deram de cara com Hyunjin e Changbin. Antes que ela ou ele pudessem fazer qualquer pergunta, o íncubo já as respondeu. 

— Também não sabemos, mas parece que… veio lá de baixo. 

— Puta que pariu! — apregoou a feiticeira, indo em passos acelerados na direção das escadas e sendo seguida pelos outros três. 

A poeira tomava conta do ambiente, e por isso era difícil focar a visão em algo. Shin começou a descer os degraus às pressas, mas ela mal conseguiu dar três passos quando repentinamente, algo agarrou bruscamente seu pescoço, puxando-a para baixo e fazendo despencar do corrimão, colidindo brutalmente suas costas com o chão. 

— Ryujin! — ouviu Bang bradar, demorou alguns segundos para seu cérebro raciocinar e ela fazer menção de movimentar suas mãos para utilizar sua magia a fim de se livrar do que é que estivesse a sufocando. Mas a coisa foi mais rápida, e só quando aprisionou seus pulsos viu que se tratava de espinhos. 

Espinhos peculiares, cujo cintilavam por sua coloração dourada como se o ouro tivesse ganhado vida própria. Hyunjin teve o mesmo destino que ela, caído no chão com misterioso conjunto de plantas tomando conta de seu corpo, enrolando-se nele e o impedindo de se mexer. 

Changbin e Christopher chegaram a conseguir descer as escadas, mas uma fração de segundos depois, não fazem a menor ideia da onde, quando uma dor aguda atingiu a coxa do ghoul juntamente com o abdômen do kitsune. Ambos gritaram e tentaram identificar a origem de todos aqueles ataques, mas as facas que perfuraram suas peles pareciam ter discernimento próprio. 

Bang olhou de relance e com dificuldade para Han através da nuvem de poeira, e ele ainda permanecia trancado na cela. Porém, com um grande sorriso convencido e triunfal. Não compreendeu o porquê de tanto ar de vitória, até que olhou para a faca que o ghoul havia tirado de sua coxa e a faca que Bang tirou de seu próprio abdômen. Armas celestiais. 

— Nem fodendo… — murmurou, já ligando os pontos e percebendo do que se tratava. 

— Então, são esses os sujeitos que estão lhe incomodando, Jisung? — disse uma voz que a princípio não veio de lugar nenhum, até que o dono — até então ocultado graças a seus poderes de invisibilidade — se materializou, estava encostado na grade da cela em que o outro arcanjo se localizava, enquanto girava uma adaga na destra e sua perna direita cruzada na frente da esquerda. 

Changbin estava pronto para avançar no novo arcanjo, dando um passo a frente deixando seus dentes à mostra. Porém Christopher estendeu o braço na frente do Seo, o impedindo de seguir na direção alheia. O ghoul olhou confuso para o kitsune que sem tirar os olhos dos arcanjos murmurou: 

— Deixe, assim é mais divertido. — o sorriso sádico nos lábios do ruivo fez com que o moreno revirasse os olhos. Mesmo contra sua vontade, Changbin ficou onde estava apenas observando a interação entre os arcanjos.

Com a canhota o Lee tirou uma faca de sua bainha localizada em sua coxa e a colocou na fechadura da cela de Jisung, em dois segundos o “clic" foi ouvido dela indicando que estava aberta.

— Feliz em me ver? — Minho perguntou calmamente enquanto apontava o cabo da faca para o Han, este que o pegou e colocou na bainha que estava vazia até então. 

— Levando em conta a quantidade de armas que você tem, sim, estou feliz em te ver. — um sorriso sarcástico foi esboçado por parte do mais velho.

— O que seria de você sem mim? — provocou ele, fazendo o Han revirar os olhos.

— Ah, cala a boca e vai pegar o ghoul. — ditou o mais novo voltando seus olhos para os de Bang.

— Com prazer. — antes de ir até o Seo, Minho tirou um florete e o estendeu para Jisung, porém este negou com a cabeça, fazendo o arcanjo o olhar confuso.

— Mudei de ideia. Esse é um trabalho para o Cicatriz do Amanhã. — o sorriso de Minho se alargou ainda mais, então sacou das costas seu amado conjunto de espadas gêmeas, nomeadas de Rainha Diurna e a Rainha Noturna. Foi como um raio em direção à Changbin, sem nem ao menos dar chance do ghoul antecipar o golpe. Minho claramente estava em vantagem, já que estava armado e o garoto estava ferido. Mesmo com a regeneração rápida que demônios obtinham, as armas celestiais eram fabricadas para atrasar esse processo, o que deixava tanto o Bang quanto o Seo em uma grande desvantagem. Não seria muito esforço para ele incapacitar Changbin.

— Ainda bem que o veneno do Seungmin não te matou, por que seria uma pena você não morrer nas minhas mãos. — Jisung provocou sutilmente levantando as mangas de sua vestimenta, um ato fluído que passou despercebido pelo ruivo. Este que nem mesmo notou os traços negro que formavam o desenho de um punhal marcado na pele do antebraço do Han.

— E como pretende me matar, Jisung? Nem uma arma você tem. — debochou, pegando kira com um sorriso vitorioso nos lábios.

— Eu não contraria tanto com isso se fosse você. — distraído demais com o arcanjo, o kitsune nem mesmo notou quando Jisung passou seus dedos sobre sua tatuagem, logo fechando a mão no cabo de um punhal de ouro, mais especificamente, o Cicatriz do Amanhã. Seu amado punhal era enfeitiçado para se assemelhar a uma simples tatuagem, mas bastava o toque do arcanjo para que a arma se desprendesse de sua pele e se solidificasse em sua mão. Sorriu sardonicamente ao ver um lapso de assombro nos olhos de Bang, no instante em que ele girou a pequena lâmina entre os dedos e ela se transformou em uma bela espada de dois gumes. — Então, o que você dizia?

— Considere-se morto, Han Jisung. — anunciou o ruivo indo para cima do arcanjo, o desejo de morte brilhava em ambos os olhos, bloqueando um golpe de kira, Han murmurou:

— É o que vamos ver.

Jisung e Chistopher entraram em combate avidamente, pareciam estar em uma dança entre a vida e a morte. Porém, a vantagem era do Han, já que a ferida ainda não cicatrizada em Bang retraía seus movimentos. 

O arcanjo desviou de um golpe direcionado a sua garganta, se abaixando e assim que se levantou desferiu um chute na coxa direita de Christopher. O impacto fez ele se desequilibrar por alguns segundos, mas o que surpreendeu Jisung foi o grito abafado que soou dos lábios alheio. 

Sorriu largo ao se lembrar que há anos atrás, havia desferido um golpe com o Cicatriz do Amanhã na região atingida agora. E como o próprio nome dizia, um ferimento causado por aquela arma especial poderia ser curado à primeira vista, mas a dor continuaria ali, eternamente. Toda vez que tocada, era um lembrete da dor lancinante que a lâmina causava.

Aproveitou a distração alheia e chutou a outra perna de Bang, o que o fez perder totalmente seu equilíbrio, colidindo com o chão. O impacto fez com que o kitsune soltasse sua katana e sua expressão furiosa era impagável para o Han. 

Ele apontou o Cicatriz do Amanhã sobre o peito do ruivo, sorrindo como um verdadeiro sádico. 

— Sabe raposinha, lembro de você ter dito que é melhor do que eu, caso contrário eu já teria conseguido te matar. —  girou a lâmina novamente e no instante seguinte, deixou a imagem de uma espada e retornou a ser um punhal. — Mas afinal de contas, sabe o que na verdade me faz melhor do que você? 

Então avançou a arma. A penetrou vigorosamente contra a perna alheia, exatamente no mesmo local de anos atrás. Nem um milímetro a mais, nem a menos. Bang esbravejou em dor. A expressão do arcanjo iluminou-se, com o grito agoniado dele soando como a mais poética e agradável melodia. 

— Passou anos carregando um pedaço de mim com você, bichano. Um aviso para jamais esquecer que mais cedo ou mais tarde, eu iria matar você. E adivinha, esse momento finalmente chegou. 

O kitsune mais do que tudo queria revidar, queria procurar alguma brecha para recuperar-se. Mas tamanha dor excruciante o impedia de raciocinar, era como se dentes firmes como aço e afiados como navalha estivessem cravando sua perna, rasgando os tecidos, perfurando-lhe e esmagando-lhe os ossos, várias e várias vezes. 

O arcanjo sorriu sadicamente olhando a tentativa falha de Christopher alcançar sua katana que estava no chão, a poucos metros do corpo do ruivo, porém não perto o suficiente para que a mão do mesmo se fechasse novamente no cabo. 

A passos lentos o Han se aproximou do corpo caído do kitsune e se agachou em frente ao mesmo, estendeu sua mão até a katana e ao alcança-lá, ele mirou para a garganta alheia.

— Morrer com sua própria arma me parece uma boa forma de morrer. — os olhos azuis como safira do arcanjo brilharam em excitação perante a morte eminente de seu maior inimigo. Ele admirou a cena com devoção, seus olhos percorreram a espada até chegar aos olhos furiosos de Chris. — Sem contar que a sua amada katana vai ficar tão bem na minha coleção… 

Ele provocou, se divertindo ainda mais ao ver os olhos alheios brilhando como se houvessem chamas nos mesmo, ele havia atingido a fúria de Bang em cheio. E a impotência do mesmo apenas deixava tudo melhor.

—N-não ouse… — chiou entredentes, ele até pensou em tentar uma investida contra o Han, mas um mínimo movimento fazia a dor de sua perna subir para todo seu corpo.

— E quem vai me impedir, raposinha? — Jisung encostou a ponta da lâmina na garganta do ruivo. — Espero que goste do inferno, já que é pra lá que você vai voltar. 

Mesmo com sua total atenção em Bang, Jisung ainda tinha noção dos acontecimentos ao seu redor. Sabia que a essa altura Changbin estava no chão e Minho rumava para soltar seus amigos. Estava mais do que pronto para dar um fim nisso de uma vez por todas e afundar a lâmina da espada em suas mãos no pescoço do ruivo, até uma dor repentina e aguda em sua perna se manifestou, originada de algo que podia se assemelhar com uma agulha. 

Ela foi tanta e se espalhou em seu corpo tão depressa, que ele foi obrigado a se distrair do objetivo de matar Bang. Tentou ferozmente ignorar e terminar sua missão, mas aquela sensação amarga que agora dominava seu corpo pareceu fazer com que ganchos invisíveis o agarrasse e o puxasse para o chão. 

A cólera ferveu em seu sangue e ele se perguntou o que raios tinha acontecido, olhou para a lateral de sua perna direita logo abaixo do joelho e viu dois pontos avermelhados em si. Ele reconheceu na hora tal marca na hora, picada de serpente. 

Varreu seus olhos pelo ambiente rapidamente, e lá estava ela; uma mamba negra de arrastando no chão. E estava indo na direção de Minho, cujo havia conseguido derrubar Changbin — gravemente ferido por sinal — e agora estava no processo de abrir as outras celas. Ele não perceberia a chegada do animal. 

Com isso, olhou para a Bang e o mesmo se encontrava ocupado demais levando sua mão rumo ao punhal ainda descansando em sua perna a fim de tirá-lo, mas Han fez esse favor a ele. 

— Minho, cuidado! — alertou usando suas últimas forças para atirar o punhal na direção do réptil, e Lee virou-se bruscamente bem no momento que a lâmina se encontrou com o corpo da cobra, ceifando-a no meio. 

— Mas o que… — sua frase foi interrompida por seu próprio arquejo quando uma serpente nova apareceu diante de si. Esta que virou duas, três, até se ver completamente cercado por mambas negras. Não pôde deixar de notar a aparência peculiar em seus olhos, todos de um laranja vivo sendo que as íris daquela espécie eram escuras. 

Tentou buscar algum sentido naquilo, que definitivamente não estava incluso nos planos. Estava na cara que não eram cobras comuns, já que as normais não costumam andar em bando e também, tinha o fato de que estavam completamente focadas em Minho, exibindo suas mortais presas e esperando o momento certo para atacar como, como se…

Estivessem aos comandos de alguém. 

— Medusa? — pensou alto, mesmo com plena consciência de que não fazia o menor sentido. Ela estava morta havia anos. 

— Quase. — uma voz reverberou, evidentemente masculina. Grave e presente, como um trovão. — Tenta de novo. 

Aproximou-se alguns passos, até que Minho pudesse ver seu rosto através da neblina de poeira. Seus olhos eram realmente aterrorizantes, tomados pelo tom alaranjado e a pupila em vez de círculos, eram de uma linha vertical preta, idênticos aos olhos das serpentes. Foi aí que as peças se encaixaram e ele se perguntou como não havia enxergado o óbvio, visto que estava diante dos seres que estava na lista dos mais temidos e perigosos no mundo sobrenatural. Medusa podia estar morta, mas continha um sucessor. E estava naquele momento com um sorriso acompanhado de escárnio para ele. 

— Lee Felix. — murmurou entredentes, e o sorriso do dito cujo se alargou em confirmação.

— Parece que cheguei na hora certa. — declarou, e Minho rapidamente relanceou para Jisung e viu o mesmo completamente enfraquecido no chão, o veneno se espalhando em seu organismo e causando uma dor entorpecedora. Seu sangue ferveu com tal imagem, precisava fazer alguma coisa. 

Suas trepadeiras. Perfeito! As mesmas eram controladas por dois braceletes de ouro em forma de espinhos, que contornavam cada braço do arcanjo. Normalmente, ele poderia consumir aquele lugar inteiro com eles, mas como o lado negro trazia o empobrecimento de seus poderes, só conseguia manusear o suficiente para aprisionar Ryujin e Hyunjin. Mas não teria problema em soltar um deles, visto que a feiticeira já havia perdido a consciência graças ao forte e constante aperto em seu pescoço.  

Precisava agir rápido. Então, movimentando sua mão, conseguiu soltar Shin e quando estava prestes a atirar os espinhos na direção de Felix, ele pareceu ler sua mente. 

— Nem pense nisso. — por mais rápido que Minho tenha sido, o outro antecipou seu ataque e então um guincho de dor veio de Lee quando uma extrema ardência atingiu em cheio seu braço, e viu seu bracelete ser lançado para longe. 

Junto com seu grito, foi possível ouvir um estalo idêntico ao de um chicote. E de fato, era que o demônio de cabelos alaranjados abrigava consigo. Não tinha reparado na presença de tal arma antes, já que sua mão fora camuflada pela poeira causada pela abertura da parede feita pelo arcanjo. 

Olhou para o local açoitado, e seu coração deu grande pulo quando notou que estava na carne viva. Já havia ouvido falar no famoso chicote elétrico do descendente da Medusa, capaz de causar queimaduras de terceiro grau com uma chibatada. Mas nunca esteve em sua lista de desejos sentir sua ira na pele — literalmente. 

— Espero que os ratinhos tenham se divertido, porque agora o gato chegou para acabar com a festa. — elevou seu sorriso para só um lado da boca, levando sua mão livre na altura do rosto e em seguida, estalou seus dedos. E aparentemente, foi um comando para uma das mambas negras avançar no arcanjo.  

Então sentiu as duas presas cravarem seu outro braço, e além do veneno, foi adicionado uma dose de pânico ao loiro. Sabia que não morreria, afinal o sistema de imunidade dos arcanjos era grande demais para ser afetada pelo veneno a ponto de provocar a morte. Estava em desespero porque graças à aparição surpresa, a última esperança de escaparem havia ido por água abaixo. 

Naquele instante, enquanto o cansaço colossal ia devorando seu físico o fazendo despencar no chão, Minho xingou o demônio de todos os nomes possíveis. Maldito fosse Lee Felix por acabar com a fuga quase certa deles.












Notas Finais


Olha só quem apareceu, tharaaaaam
Fudeu família, Felix moio os plano
Minho apareceu deu as caras irra, e acalmem-se que a ligação eletrônica e com o Jisung ira ser explicada direitinho
E sobre essa relação do Bang e da Ryu? Hmmm análise.

Comentem se puderem, isso incentiva demais!

Sigam aí @geniusbang e @littlehan

Até o próximo cap🖤


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