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História Rosa Azul (Hyunsung) - Capítulo 46


Escrita por: geniusbang e littleehan

Notas do Autor


Já dizia Zé Felipe: coloca o capacete que lá vem pedrada

Boa leitura 😈


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Capítulo 46 - A cicatriz









A tranquilidade se manteve no corpo dela apenas nos primeiros segundos que foram precisos para abrir os olhos e recuperar a consciência. Ainda estava meio tonta, e tentou movimentar as mãos para tirar o cabelo que havia caído nos olhos. Mas não conseguiu. 

E foi aí que o desespero voltou. 

Suas mãos estavam atadas por correntes, acima da cabeça e seus pés estavam suspensos no ar. Abaixo deles, não tinha nada menos que o fogo crepitante e ardente. 

Ela arregalou os olhos, finalmente erguendo o rosto e o vendo a alguns metros de distância, parado a observando. Soyeon também estava lá, ainda com um olhar vazio. Mas Ryujin sabia que Ethan estava vendo tudo através dela.

Não precisava de tanto raciocínio para compreender o que havia acontecido. Tentou se libertar com suas sombras, mas o poder foi instantaneamente sugado e lançado para o céu além dela com os braceletes da Serafim que o kitsune havia tomado.

Ela pensou em se alterar, gritar, mas sabia que não adiantaria nada. Então optou por suspirar fundo e falar no tom mais sereno que conseguiu:

— Você não tem que fazer isso.

— Na verdade, eu tenho. 

— Ok. Você não quer fazer isso. — Corrigiu, e a resposta demorou mais para vir dessa vez. 

— E isso importa?

— É claro que importa! Chris, até quando vai deixar ele te controlar? — Indagava tentando mover os braços, mas não adiantava. Só os machucava mais. — O que você disse antes de me apagar… é verdade? 

Bang olhou para baixo por um instante, dando a resposta silenciosa que precisava. 

— Vai mesmo deixar ele tirar outra coisa importante de você? Seu avô e Yuki, não foram o suficiente? Mesmo depois de tudo isso, ainda se importa com ele o suficiente para fazer o que ele quer? Depois de tudo o que vivemos, na sua casa, em Speculo, naquele bar… ainda não bastou pra você enxergar que é muito mais do que a raposinha dele? 

O rapaz permaneceu quieto por alguns segundos, com aquela expressão fria que já conhecia muito bem. Até ele estender os lábios naquele sorriso sádico que também já conhecia perfeitamente. 

— Lúcifer deve estar se revirando no inferno em te ver agora. — Disparou. — Acorrentada, fraca, com a vida nas minhas mãos e implorando por minha compaixão. 

Deu uma pausa para um riso baixo de deboche. 

— Você deve se achar bem importante mesmo. Estava crendo fortemente que tinha sido a lendária mulher a amolecer o coração impassível do maior assassino do mundo sobrenatural.

A feiticeira matutava uma forma de escapar. Talvez contatar Felix, mas ele não respondia. Onde infernos estava aquela naja quando se precisava dela? 

Tentava mudar de forma, assim conseguiria se livrar das amarras. Mas qualquer partícula de magia que saía dela, Christopher a sugava com os braceletes e mandava seu esforço para os ares.

— Olha, se está preocupada com não ter conseguido se vingar do morceguinho, não esquenta. Posso fazer esse trabalho por você sem problemas — garantiu ele, fazendo-a morder a bochecha interna em raiva. 

— Felix vai ficar uma fera. Sabe disso. 

— Ah… eu posso lidar com a cobrinha. Talvez seja até bom ele vir tirar satisfações. Dois filhotinhos de Lúcifer em uma cajadada só. 

Ela cravou as unhas na própria palma, com a cólera se revirando em si ainda mais. 

— Se me matar, vai libertá-lo. Com isso você pode lidar, hm? 

Christopher apenas deu um sorriso descontraído, como se a notícia o divertisse.

— E ainda irei entregar uma oportunidade a Ethan de arrancar o coração de seu maior inimigo? Acabou de me dar mais um motivo.  

O ruivo andava de um lado para o outro, rodando a Dama Vermelha na destra como se fosse uma simples caneta esferográfica.

— Deixa eu te explicar, princesa. Isso não tem nada a ver com o desejo de agradar meu pai. Tudo que eu sinto por ele não vai além do ódio. Porém… fazendo o que ele quer, convenientemente tenho muito a ganhar. Ele vai ficar ocupado o suficiente governando Speculo, então finalmente vou ter paz. Vou ter seu respeito. Poder. Um trono. Agora, fazendo o que você quer, o que pode me oferecer que supere isso?

Ela piscou algumas vezes, sabendo muito bem o quão ridícula parecia ao dizer o que disse. Mas era a verdade. 

— Um amor. 

Bang parou por um segundo, de costas para ela. E por um mísero segundo, pensou que havia o convencido. Mas após ele virar o rosto para ela novamente com uma expressão macabra de divertimento, concluiu que se enganou.

— Então, está me oferecendo um final feliz? 

Christopher chegou um passo mais perto, iniciando um intenso contato visual. Suas íris castanhas fitaram suas prateadas por segundos, talvez um minuto inteiro. Até que o fogo abaixo dela aumentou, ao mesmo tempo que os olhos dele se transformaram repentinamente. Um brilho funesto se acendeu neles, se tornando um vermelho intenso como uma chama de sangue.  

— Permita-me contar a lamentável notícia, gatinha. A gente até que se divertiu, mas...

Ele sacou uma adaga. E ali, ficou bem claro. Não havia o que pudesse dizer ou fazer para o fazer voltar atrás. Não havia jeito. 

A decisão estava tomada. 

— Vilões não têm finais felizes.

Uma corrente de eletricidade agressiva chegou até ela, a fazendo gritar. Alcançou sua pele, queimou sua carne, atravessou os ossos. Não havia palavras para descrever aquela agonia. Em seguida, lançou a lâmina na direção das correntes, a arrebentando e fazendo mais nada ficar entre a gravidade e a feiticeira.

Então Ryujin despencou na direção do fogo.










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As gotas de água escorriam pelo vidro, encharcando a cidade lá fora. O vento frio e potente também predominava, acompanhado de fortes trovões no céu. O rapaz permanecia de braços cruzados em frente à janela, com um olhar distante. Ele inspirava e expirava, com sua mente a quilômetros dali. Até ser trazido de volta ao ouvir uma voz atrás de si:

— É um amante da chuva ou o que? — Ele se virou, dando um sorriso fraco ao ver Minho adentrar a sala e se sentar no sofá.

— Até que sim, mas não é por isso que estou pensativo. 

— Então é pelo que? 

Kyan olhou para o chão por um momento, suspirando após se sentar na poltrona na frente do arcanjo. 

— Lembra daquele amor que te falei? 

— Sim. 

— Bom… ela deve estar com medo nesse momento. 

— Ela tem medo de chuva?

— De trovões — ele de um sorriso nostálgico, apoiando o queixo na mão. — Só queria poder abraçá-la agora e acolhê-la. 

Minho ficou quieto por um tempo, até compartilhar do sentimento também.

— Jisung também tem medo de trovões. Ainda dói pensar que eu o perdi. 

O feiticeiro segurou um sorriso ao ouvir aquilo, ao mesmo tempo que uma tristeza enorme pareceu lhe invadir o peito. Ainda não sabia definir o quão estranho se sentia por aquela coincidência do destino. A garota que lhe entregou o posto de Guardião de Flora ser amiga próxima do arcanjo cuja mãe viveu uma história de amor, e agora estar dividindo uma moradia com a alma gêmea dele. Era como se o universo estivesse mexendo seus palitinhos e fazendo travessuras para juntar os dois de novo sem juntar de verdade. 

Ele gostava de imaginar constantemente como era a aparência de Jisung agora. Sempre se sentia tenso cada vez que seus amigos o mencionavam, as histórias que contavam, sobre o caçador mais talentoso e admirado de Aurum. Era um pouco difícil assimilar essa imagem dele de hoje com a imagem da última lembrança que tinha dele. O pequeno garotinho que sobreviveu, cujo Kyan foi o primeiro a segurar nos braços. Aquele pacotinho frágil e adorável com olhos claros completamente apaixonantes. 

— Você não o perdeu — consolou ele, vendo um riso ácido sair do Lee. 

— Você não estava lá. Não sentiu a dor que eu senti quando ele teve coragem de me ameaçar com suas asas para defender aquele demônio nojento. 

— Tem razão, eu não estava. Não entendo o que passou. Mas uma coisa posso dizer: Jisung tem sorte em ter você, e você tem sorte em tê-lo. Não deixe que esse amor entre vocês se corrompa. Minha antiga amor, a alma gêmea dela… — ele balançou a cabeça negativamente. — É uma pessoa horrível, tanto que ela teve que ser obrigada a se separar dela. Mas tanto você quanto Jisung, mesmo ele sendo metade demônio, os dois têm um coração de ouro. Tenho certeza que vocês vão conseguir se acertar logo. 

O arcanjo o encarou sem dizer nada por alguns segundos e o feiticeiro pensou que ele estava refletindo, considerando seu discurso. Mas quando percebeu uma certa seriedade no rosto dele, ficou receoso de ter falado besteira. Até que sentiu uma agulhada no estômago quando ele se inclinou na direção dele e interrogou:

— Como sabe que o Jisung é metade demônio? 

A cor no rosto de Kyan fugiu, e sua mente estava dividida entre trabalhar alguma desculpa enquanto a outra parte repreendia a si mesmo por um vacilo daquele tamanho. 

— An… você… você me contou, não lembra? — Tentou parecer descontraído, piscando algumas vezes para conter o nervosismo. 

— Não, não contei. — Ditou firmemente, a desconfiança em seu olhar aumentando ainda mais. 

— Ah, então… Tzu deve ter comentado comigo — explicou dando de ombros, torcendo para aquilo bastar. Mas é claro que não bastou. Por experiência própria, podia dizer que arcanjos tinham algum superpoder bizarro para saber perfeitamente quando alguém estava mentindo. 

Minho estava prestes a falar mais alguma coisa, mas Kyan foi salvo pelo gongo. Jeongin entrou na sala em passos apressados, passando reto pelos dois e já indo em direção à porta?

— Innie, onde vai? — Perguntou o arcanjo.

— A chuva parou. — Era a primeira vez que tanto Kyan quanto Minho ouvia ele falar frases concretas em semanas. — Vou dar uma volta. 

— Quero ir com você. — Lee se apressou em dizer, se levantando. — Posso? 

Houve um tempo em que ele daria um sorriso doce e empolgado, responderia "Claro!", pegaria a mão de Minho e o puxaria para fora. Mas agora, ele apenas olhou para o garoto com os olhos cansados, como se não tivesse pregado o olho há dias. Então simplesmente deu de ombros em um ar de insignificância. 

— Ok. — Declarou antes de virar as costas e abrir a porta, tendo Minho o seguindo. 

Kyan soprou o ar em alívio assim que ambos saíram, agradecendo aos deuses pelo menos cinco vezes. Não que fosse bom a situação em que Jeongin estava. Ninguém sabia ao certo como ajudá-lo, como colocar o brilho desaparecido nos olhos dele de novo. Minho estava tentando, mas o tritão parecia não dar importância. Não que o estivesse o tratando mal, mas com indiferença. Como se nada mais ao redor dele tivesse graça nenhuma.

A perda, embora tivesse se inclinado muito mais para o meio-sangue, pesou em Kyan também. Ele tinha desenvolvido uma amizade com a garota antes do infeliz e trágico evento na floresta acontecer. 

E como se não bastasse, se torturava todos os dias por Tzuyu ainda adormecida na cama de seu quarto. Ele já estava quase conseguindo juntar as peças do colar, mas tinha medo. 

Ela já estava há anos com essa magia fora do corpo. Ou seja, tudo podia dar errado quando ela voltasse para seu organismo. Era como alguém que tinha uma rotina de exercícios. A pessoa tinha que treinar regularmente e não perder o foco para a coisa não desandar, e os poderes dos feiticeiros eram basicamente a mesma coisa. Se deixarem de usar sua magia, ela pode fugir do controle.

E uma garota que está há anos com esse poder adormecido… existia tantas possibilidades de catástrofes que poderiam acontecer. A maior delas era que o corpo de Tzuyu pode não ser mais compatível com essa magia. E se for o caso, isso poderia matá-la. Kyan não suportaria perder mais uma amiga. 

Mas por outro lado, não podia demorar demais. Não sabia por quanto tempo o veneno ia se manter longe das partes vitais de seu organismo.

O rapaz suspirou após levantar e se dirigir até a porta do quarto da mesma, a observando por um tempo. Uma parte de si, aquela parte do cérebro que criava cenários imaginários e impossíveis, torcia para ela abrir os olhos do nada, saudável e intacta. 

— Prometo que vou achar um jeito de você sair bem dessa, Tzu — declamou ele, sorrindo levemente antes de fechar a porta de novo. 

Estando sozinho na casa, resolveu ir até seu quarto. Bom, tecnicamente… o antigo quarto de Seungmin. Quando Kyan soube de seu falecimento, ficou consternado. Podia não ter sido tão próximo dele, mas o feiticeiro se lembra de cada rostinho e nome que habitava ou já habitou Flora. E mesmo não tendo um relacionamento íntimo com o ninfa como Tzuyu, sentiu o peso que a morte dele causou.

Ele se sentou na cama, encarando o teto e permitindo se mergulhar nas lembranças. Dois séculos haviam se passado, e ainda sentia a mesma ansiedade e sôfrego tomar seu peito toda vez que pensava nela. Levou as mãos no bolso, tirando dali uma joia que sempre carregava consigo. O colar prateado com pingente de safira, o mesmo que a arcanjo usou naquele passeio dos dois. 

Ele deu um sorriso triste enquanto alisava o acessório. Ainda doía. Depois que ela foi embora, tentou muitas coisas para dar um jeito de seguir a vida. Mergulhar em suas tarefas como Guardião, tentar de novo com outras pessoas. E sim, chegou a se apaixonar por outros seres, mas ninguém chegava perto do quanto a amou. Com o passar dos dias, tentava se enganar e falar a si mesmo que iria superá-la algum dia. Mas percebeu que estava errado quanto notou que toda pessoa que se envolvia, tinha as mesmas características em comum. 

Teimosos, protetores, secretamente gentis, independentes, levemente arrogantes e com uma língua afiada. Kyan pensou que se tratava apenas de um tipo ideal estranho, mas não. Era apenas ele buscando preencher o vazio em seu peito se envolvendo com pessoas que eram um reflexo dela. 

Quem ele queria enganar, afinal? O feiticeiro jamais iria esquecê-la. Aquela mulher deixou a porra de uma cicatriz em seu coração. 

Ele pensava constantemente se era apenas ele que sentia aquilo. Esse foi o maior motivo para não tê-la procurado todos esses anos. E se com o passar do tempo, seus sentimentos aumentaram enquanto os dela esfriaram? E se ela o via apenas como uma quedinha que teve em um momento de vulnerabilidade e nada mais? E se esse amor acabou se tornando unilateral?

O feiticeiro suspirou. 

— Chega a doer o quanto sinto sua falta, Su. — Pensou alto se inclinando para trás e deixando no colchão. — Eu daria tudo para te ver, só mais uma vez. 

E só quando acomodou seu corpo naquele local confortável, percebeu o quanto estava cansado. Têm sido dias difíceis. Jeongin lidando com a falta de Mina, Minho tentando o consolar enquanto lidava com a briga com o amigo, e Kyan lidando com a situação crítica de Tzuyu. 

Ele fechou os olhos lentamente e minutos depois, já tinha pegado no sono. Se fosse por ele, tinha hibernando até quando seu corpo quisesse, mas um infeliz som distante o puxou para a realidade novamente. 

Já era noite quando despertou, talvez madrugada. Suas íris azul ciano foram lentamente se exibindo de novo enquanto ele acordava completamente, até identificar o barulho como batidas na porta. 

Ele bufou em reclamação, planejando mentalmente o assassinato de quem quer que fosse o autor das batidas responsável por acordá-lo.

Provavelmente eram só Minho e Jeongin porque esqueceram a chave e…

— Sung? É você? — Perguntou a voz do outro lado da porta, provavelmente por ter ouvido os passos no interior da casa. 

No exato segundo, os pés de Kyan congelaram e um jato de emoções pareceram girar em seu peito como um liquidificador. Ele conhecia aquela voz, muito bem. 

— Olha… sei que deve estar uma fera. E com razão. 

O feiticeiro estava estático, e mesmo que seus ouvidos estivessem registrando claramente que sim, era quem estava pensando, seu cérebro ainda se recusava a cair a ficha. 

— Não precisa falar comigo, não vou te pressionar a conversar. Só estou preocupada por você ter saído sem falar nada, só quero garantir que está bem. Se apenas abrir a porta, me deixar ver você só por um segundo e depois fechar de novo, já vai ser o suficiente. 

Nenhum ar naquele mundo parecia ser o suficiente para seus pulmões naquele momento. Estava sonhando? Provavelmente estava. 

Tomado pela euforia, Kyan andou a passos rápidos até a porta. Independente de estar sonhando ou não, precisava vê-la. E a sala de repente pareceu insuportavelmente mais conforme a atravessava.

Mas quando estava prestes a tocar a maçaneta, teve a certeza de que não estava sonhando. Porque se estivesse, não cairia na inconsciência de novo. 

Um desespero crescente passeou por seu corpo, mas não teve tempo de fazer nem pensar em nada quando recebeu um impacto esmagante contra sua cabeça, e segundos depois tudo foi se tornando escuro e distante...

Inclusive a porta com Han Byeolsu do outro lado. 










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Jisung estava quase abraçando suas lâminas enquanto as afiava. Eram as armas que guardava em seu armário em casa, tinha sentido falta delas. Ainda estava tentando distrair a mente de toda aquela montanha russa maluca sobre o que sua mãe o contou, e sobre a descoberta que fez no voo com Hyunjin.

Estava apaixonado por ele. Tinha certeza. Mas… e agora? O que deveria fazer? Se afastar dele? Agir como se nada estivesse acontecendo? Contar a verdade?

Não, isso estava fora de cogitação. Aqueles sentimentos deveriam ir para o túmulo com Jisung. Mesmo passando tempo com o íncubo, ter bagunçado lençóis com ele, rido com ele e o escolhendo para o confortar em um momento difícil, não se atreveu a esquecer quem ele era nem por um segundo, esquecer de como se aproveitou dos sentimentos de Ryujin por ele. E definitivamente Jisung não queria ser o próximo. 

O melhor a fazer era só esquecer aquilo. Mas aí é que estava.

Como esquecer? O arcanjo pode não ter nunca se apaixonado antes, mas sabia como funcionava a teoria desse sentimento. Quanto mais você esconde, mais ele cresce. 

Ele desejava Hyunjin mais do que tudo agora, mas não podia procurá-lo. Porque enquanto os toques do demônio vão significar tudo para o arcanjo, Jisung vai estar sendo apenas mais uma diversão carnal para ele. 

Era como uma droga. Ele estava em mais abstinência do que nunca agora, querendo aquelas mãos sobre ele de novo. Contudo, se procurar uma dose, pode ser que se sinta no céu no momento. Mas depois… a culpa vai vir. O sentimento de auto sabotagem por ter gostado demais de algo que vai te destruir pouco a pouco. 

Jisung suspirou fundo ao notar o quão fodido estava na mão de Hyunjin. E não era da forma que queria. 

Ah, e como queria. Seu único momento de prazer com o demônio na boate foi bom, mas não foi o suficiente. Ele até chegou a receber mais, quando ele entrou em seu sonho para se alimentar. Mas por opção dele mesmo, não se lembrava de nada. 

Jisung odiava o fato de que queria mais, queria tanto ao ponto de não conseguir nem mais negar aquilo a si mesmo. Queria ele o beijando de novo, suas mãos consumindo cada pedaço do corpo de Han, o tocando intimamente… ah, pelos deuses. As lembranças daquela mão, daquela boca entre suas pernas ainda fazia sua pressão ir para os ares. 

Queria sentir aquele calor de novo, aqueles olhos luxuosos sobre os seus, o hálito dele batendo sobre sua pele sensível. A mesma pele que ainda se arrepiava ao se recordar das palmadas fortes e prazerosas. E foi assim que descobriu a arte do masoquismo. 

Ele sabia que aquilo era apenas uma amostra do que Hyunjin podia fazer. Sabia perfeitamente que ele era capaz de fazê-lo delirar mais, enlouquecer mais.

Como seria foder para valer com ele? Ver suas reações com Jisung o dando a mesma forma de prazer que o íncubo o deu, ter seu membro se afundando em sua boca, ouvir aquela bela voz gemendo, aquele rostinho lindo moldando expressões de prazer por sua causa… 

Ou talvez… como seria tê-lo se afundando dentro de si? Era tão gostoso assim como todos diziam? O quão alto ele faria Jisung gritar? O quão longe da própria mente Hyunjin o levaria e o colocaria naquele cubículo prazeroso isolado da realidade? Como seriam as "brincadeiras" que o íncubo com certeza faria com ele? 

Ah, a castidade que o perdoe. Mas seria tão bom tirar aquilo a limpo e… 

Jisung franziu o cenho após sentir como se alguém tivssse apertado o botão de retroceder em seu cérebro, notando que suas mãos haviam parado involuntariamente de afiar a faca há um tempo. E agora que havia sido arrancado de seus pensamentos, se arrependeu de ter deixado os mesmos terem ido tão longe pelos efeitos colaterais que aquilo causou. 

E para sua infelicidade, esse efeito colateral estava muito bem marcado em sua calça.

— Porra — xingou baixo, elevando a cabeça para trás enquanto passava a língua nos lábios. — Merda. 

Precisava resolver isso, e rápido. No segundo seguinte, estava de pé e partindo em direção ao chuveiro. Se despiu rapidamente, ligando a torneira e se sobressaltou após o jato de água congelante atingir seu corpo. Se encolheu com o frio, se obrigando a permanecer ali segundos o suficiente para se certificar de que o fogo passou.

E após se secar e colocar apenas sua roupa íntima e sua calça de moletom, se afundou debaixo das cobertas enquanto se xingava horrores por cometer esse deslize. 

Talvez devesse enfim dormir um pouco, para variar. Para fugir por um tempo daquele mundo cheio de paixões inesperadas e pais sádicos e malucos. 

Ele se acomodou melhor na cama, respirando fundo. E se arrependeu amargamente disso quando um aroma incomum em seu travesseiro invadiu suas narinas. Um perfume.

O perfume dele. Deve ter impregnado em sua cama quando passaram um tempo deitados ali. 

Quem ele pensava que era para invadir até mesmo a porra de seu travesseiro? 

Sem que se desse conta, abraçou o tecido e inalou o tecido da fronha mais uma vez. Seu cheiro era tão gostoso… lembrava de quando o sentiu de perto, enquanto estava o beijando, ou quando seus lábios estavam no pescoço dele ou quando o mesmo cheiro estava em sua camisa, a mesma que Jisung abriu para beijar sua cintura na piscina. 

Ah, sua cintura… a forma como a tocou naquela boate, de como estapeou aquela bunda, de como ele gemeu com vontade quando fez isso, também quando a língua de Jisung estava em seu mamilo, ou quando gemeu de propósito bem eu seu ouvido para provocá-lo e…

Ah, puta que pariu.

"Mas que caralho, Jisung. Desde quando você tem os hormônios de a porra de um adolescente?!"

Não adiantaria partir para o banho de novo, sabia que não ajudaria nada. Era capaz da água o lembrar da aparência do corpo molhado de Hwang quando o mesmo saiu daquela piscina. E por falar nisso…

"MAS QUE INFERNOOOOOO" — Ressou em sua mente, dando um soquinho contra o colchão. 

E agora? O que faria com aquele volume desgraçado que havia voltado? 

Talvez… 

"Jisung, essa é uma péssima ideia." — Se repreendeu. E sabia que era verdade. 

Mas era a melhor opção. Talvez se fosse discreto, não fizesse barulho, conseguisse escapar do íncubo no andar de baixo. Sua porta estava trancada, ainda era dia, não tinha sombras por aí. Então, estava tudo bem propício a ceder àquela ideia. 

Sem opções e se amaldiçoando muito por ter chegado àquele ponto, foi deslizando levemente a destra por seu abdômen até chegar na elevação. Seu corpo respondeu na hora, dando um pulinho involuntário só com um aperto fraco.

Ele parou de pensar, tacando um foda-se mental e fechou os olhos, deslizando de uma vez a mão para dentro das roupas. Só queria resolver aquilo de uma vez e depois nunca mais pensar naquele evento constrangedor. 

E sem que desse conta, sua cabeça já estava presa novamente nos acontecimentos daquela maldita boate. Ele se controlava para sua respiração não se tornar alta demais enquanto seus deslizavam, e foi inevitável o sentimento de angústia de desejar que aquela mão a estar fazendo aquilo não fosse a sua. 

Jisung sugou os lábios, os apertando fortemente para não emitir nenhum som enquanto se contorcia levemente na cama, deixando suas fantasias irem longe enquanto seus próprios movimentos aumentavam a intensidade. Sua mente estava centrada em apenas uma coisa, uma pessoa e cada detalhe dela. Seu rosto, seus olhos, seus cabelos, sua boca, seu pescoço, seus braços, suas mãos, seu cheiro, sua voz.

E por falar nela… 

— Que decepcionante, nem teve a decência de me chamar. 

Uma montanha inteira pareceu desabar sobre Jisung quando ouviu a tal voz em seu quarto. Desejou arduamente ser apenas um devaneio de sua cabeça, mas era óbvio que não.

E quando abriu os olhos e virou o rosto para o lado, lá estava ele, sentado na ponta de sua cama com aquele insuportável sorriso presunçoso estampado na cara.

Tudo que Jisung queria agora era se enfiar no buraco mais fundo do universo e de lá nunca mais sair. Recuou a mão na hora, o rosto se transformando em uma pimenta. 

— Você ouviu? — Perguntou baixo, desviando o olhar para o teto. Não conseguia encará-lo depois dessa pérola.

— Não, eu senti. — Respondeu erguendo as sobrancelhas.

"É claro, ele consegue sentir sua luxúria. Por que não se lembrou disso? Meus parabéns Jisung, seu burro estúpido do caralho."

— Como entrou?

— Tenho meus meios — falou numa piscadela, e ele entrou em pânico quando viu o demônio subindo na cama e engatinhando em sua direção, os olhos escuros entregando claramente suas intenções. 

— Não, Hyunjin… — disse baixo colocando as mãos em seus ombros para afastá-lo, e o irritou ver que sua voz não saiu tão convincente como gostaria.

— O que? Não quer? — Indagou tombando a cabeça para o lado numa expressão travessa. — Seu amigo aí embaixo te contradiz bastante. 

— Eu só… não posso — e era verdade. Não podia se dar a chance de se apegar mais. 

— O que você não pode é fazer isso com si mesmo — argumentou levando a mão até o maxilar do arcanjo e o acariciando. E após isso, seu corpo pareceu queimar quando o moreno sem mais nem menos transpassou uma perna para o outro lado da cama, sentando em seu colo e se permitindo sentir bem a ereção de Han. — Ah, todo animadinho… 

Hyunjin começou a movimentar o quadril, fazendo Jisung entrar em combustão. O íncubo sorriu, mordendo os lábios e tombando a cabeça para trás, parecendo se degustar com o estímulo do membro dele entre suas nádegas. 

— Hm, que delicinha — murmurou ele, levando a mão no peitoral do arcanjo e começando a rebolar com mais vontade. 

Hyunjin tinha um talento incontestável para arrancar a racionalidade de Jisung e atirá-la para bem longe, isso já estava claro. Sem pensar, o arcanjo ergueu as mãos e levou-as para a cintura do demônio, doido para tocá-lo. Mas inesperadamente, foi censurado com um tapinha do mais alto em suas mãos. 

Ele o olhou confuso, mas o Hwang apenas sorriu matreiramente. Tentou de novo, mas teve o mesmo resultado.

— Só irá me tocar quando eu permitir — ditou, levando as próprias mãos para trás e as apoiando no colchão, fazendo seu corpo ficar levemente inclinado e consequentemente aumentando o atrito entre seus íntimos. Então começou a fazer movimentos giratórios, efetuando círculos com seu quadril em cima do colo de Jisung. Puta merda. 

O arcanjo apertou os lençóis e deixou um gemido rouco escapar, sentindo seu ventre esquentar mais a cada rebolada dele.

— Gosta disso, gracinha? — Disse colocando a franja escura para trás, erguendo uma sobrancelha em insatisfação quando Jisung não pronunciou nada em resposta, ocupado demais em seu surto interno. — Me responda quando eu falar com você. 

Ele agarrou o pescoço do menor em advertência, fazendo-o ofegar.

— Sim, eu gosto — respondeu num sussurro. — Gosto pra caralho… 

Hyunjin sorriu em contentamento, parando os movimentos. Jisung estava pronto para resmungar, até que veio sua próxima ação.

— E disso?

Ele começou a descer e subir rapidamente, quicando com pressão em cima dele e simulando uma cavalgada. O Han suspirou alto, sentindo uma pontada de excitação dolorosa em seu membro ainda aprisionado. Nunca odiou tanto peças de roupas como estava odiando agora. 

— Ah, porra — xingou, escutando um riso baixo.

— Vou entender como um "sim". 

Hyunjin sabia como o deixar louco por mais, como o tirar do chão e o fazendo ficar tão ansioso por prazer ao ponto de nem se reconhecer. E foi o caso em sua próxima fala, quando tentou segurar a cintura do demônio de novo e foi barrado. Impaciente, ele reclamou com a voz arrastada:

— Hyunjin… eu quero mais… — pediu agoniado, e o íncubo sorriu e abaixou o corpo na direção dele. Pensou em se contentar quando achou que um beijo viria, mas tudo que o rapaz fez foi parar a centímetros do seu rosto e proclamar contra seus lábios:

— Continue o que estava fazendo.

Ele desceu de cima de suas coxas, despertando sua frustração.

— O q-que? 

— Você me ouviu.

— Não, mas… 

— "Mas" o que? — A voz do demônio, repentinamente severa junto com aquele olhar penetrante, acabou fazendo o arcanjo engolir o seco.

— Mas eu quero você… — admitiu com a voz embriagada, erguendo a mão para tocar o rosto do íncubo. Mas ele o impediu, segurando seu pulso e faíscando o Han com o olhar.

— Quer? Então por que tentou esconder sua luxúria de mim? — Perguntou, parecendo realmente irritado. — Me diga, por que estava usando essa mão infeliz enquanto eu estava aqui, podendo te satisfazer do jeitinho que você adora? 

Um calafrio subiu pela sua espinha diante daquele olhar que queimava em desaprovação, e Jisung prendeu a respiração quando o resto de suas roupas deslizaram por suas pernas, o deixando completamente nu.

— Continue. Essa é a sua punição por não ter me chamado — deu um sorriso perverso. — Vamos, me obedeça e então terá o que quer. 

Ao se afastar do garoto de novo e o encarar em silêncio, serviu para Jisung entender que ele não ia dizer mais nada. 

Sem escolhas, sua mão escorregou de novo para baixo e voltou a se tatear, soltando um gemido baixo ao encostar em seu membro que se encontrava bem mais sensível depois de receber os estímulos do íncubo.

Hyunjin sorriu largamente enquanto assistia o arcanjo se tocando incisivamente, observando com atenção os movimentos receosos de sua mão e seu rosto constrangido. E apenas alguns segundos naquilo foi o suficiente para exaurir a paciência de Jisung, este que agarrou a gola da camisa do demônio em súplica.

— Hyunjin, eu não aguento mais… — dizia ofegante. — Eu só quero você de novo, eu- ah! 

Ele se interrompeu com um gemido assim que um tapa forte foi desferido contra seu rosto.

— Olha só pra você, todo sedento e desesperado.

Ele estalou a língua, agarrando o maxilar de Jisung e o obrigando a encará-lo bem no fundo dos olhos. 

— Nesse momento, você não é nenhum assassino temido de Aurum. É a minha putinha. 

Mais um tapa foi depositado, dessa vez em sua coxa, o fazendo morder os lábios fortemente. Ele deveria em teoria se revoltar com sua fala, mas a verdade era que só o deixou ainda mais excitado. 

— Gosta de apanhar. É isso o que quer, não é? — Inquiriu agarrando os fios pretos de Jisung com força, o fazendo grunhir baixo. — Quer que eu acabe com você, que eu te coma até você não ter forças nem pra pedir por mais.

Ele apertou e puxou mais os cabelos do arcanjo, que mordeu o lábio pela dor. Mais um tapa foi dado no mesmo local de antes, fazendo sua pele arder. 

— É isso o que deseja, anjinho? 

Minha nossa. Ele já sabia que Hyunjin não era delicado na cama, mas se assustou ao ver uma amostra tão de perto. Só que…

Só que ele gostou. 

— Sim… 

— Então, implora. — Ordenou apertando o local do tapa, fazendo-o se contorcer. Que se dane, já havia perdido completamente a marra para ele naquela boate. De que adiantaria bancar o difícil de novo?

— Por favor… 

Hyunjin riu alto, apertando com mais força as ambas coxas desnudas do arcanjo.

— Não sabe o quão gostoso é ver você assim. 

Ah, pelos céus, aquilo iria doer. E como iria. Para o demônio ia ser só mais uma diversão, estava apenas o usando como forma de amaciar seu ego mostrando a si mesmo que era poderoso o suficiente para ter um ser celestial à sua mercê. 

Mas para Jisung, iria significar tanto… 

Bom, e daí? O que deveria fazer? Esquecer ele e seguir com a vida? Mas que vida? Aquela miserável que construiu baseada em mentiras, medo e cicatrizes? Que tipo de vida era aquela? 

A única vez que se sentiu livre de verdade foi com Hyunjin, e ninguém iria o tirar isso. Nem mesmo o próprio Jisung.

Ele merecia. Merecia uma distração de todo aquele turbilhão complicado que era seu passado, merecia um momento de prazer depois do tanto que sofreu.

E se o preço era lidar com um amor impossível de ser correspondido, que seja. 

— Diz de novo, diz que me quer. — Pronunciou passando o polegar nos lábios do menor, enquanto subia a mão por sua perna.

— Eu… quero você — obedeceu antes de soltar um gemido quando os toques dele alcançaram seu membro, fazendo Jisung suspirar junto de um sorriso.

— De novo.

— Eu quero você.

Ele começou a rodear o polegar na glande, fazendo o garoto dar um sobressalto.

— Mais uma vez. 

— Eu quero você.

O Hwang não desgrudava o sorriso do rosto, usando o líquido pré-gozo que saía do membro do arcanjo para deslizar a mão. 

— Só mais uma…

— Eu quero você, Hyunjin. Quero muito.

Jisung já sem se importava mais, só sabia que precisava muito daquilo. Seu corpo ardia de abstinência pelos toques dele. 

Ele começou a masturbá-lo com mais rapidez, fazendo o arcanjo gemer mais alto.

— Isso, bebê. Geme pra mim. Grita. — Recitou com uma expressão contente, e o Han agarrava fortemente o braço dele que subia e descia para descontar tudo aquilo.  

Com os incentivos que já havia recebido dele mesmo e agora com os do íncubo, não demorou muito para as unhas do arcanjo cravarem em ambos ombros dele, sua pulsação acelerar mais contra a caixa torácica e ele abrir a boca num soar alto e sedento enquanto revirava os olhos. 

Felizmente, Hyunjin não barrou seu clímax dessa vez e deixou o prazer dele fluir com liberdade. Jisung sentiu seu organismo explodir internamente quando gozou, derramando-se em alívio enquanto dava um suspiro longo e pesado. Porra, era tudo que precisava. 

Ele atirou as mãos no travesseiro, ofegando enquanto sentia a sensação gostosa dos espasmos pós-orgasmo. Hyunjin o assistia satisfatoriamente enquanto ele se recuperava e parecia estar prestes a fazer mais alguma coisa, mas Jisung o parou colocando a mão em seu peitoral.

— Eu… quero tentar uma coisa. 

— O que? 

O arcanjo sorriu maliciosamente, o conduzindo até o demônio estar deitado na cama. 

— Agora posso te tocar? — Perguntou olhando pra ele, que compartilhou do sorriso e afirmou com a cabeça. 

No mesmo segundo Jisung avançou a boca para o pescoço dele, chupando fortemente sua pele. Hyunjin se remexeu, arranhando sua nuca em resposta. Deixou um chupão, depois outro e mais outro, parando por alguns instantes para admirar as marquinhas feitas. Tornaram o pescoço dele ainda mais lindo. 

Foi abrindo rapidamente os botões de sua camisa preta, salivando mais a cada pedaço de pele revelado no processo. E quando chegou no umbigo, franziu as sobrancelhas ao ver um acessório que não estava ali até onde se lembrava.

— Mais um piercing? 

— Uhum, feito com mais uma lâmina sua.

— Não doeu? — Não conseguiu evitar de perguntar, já que estava sabendo do efeito que armas celestiais andam tendo nele. Hwang apenas deu de ombros numa resposta vaga, como se ele não se importasse. 

Deveria surtar por ele ter pegado outra de suas armas sem permissão, mas tudo que ele fez foi levar o rosto para frente e lamber pretensiosamente em cima da prata, recebendo um gemido baixo. 

— Ficou lindo — declarou ele, chupando logo acima do piercing enquanto levava as mãos para sua cintura e as encaixava perfeitamente nas curvinhas. Passou a arranhar ali enquanto distribuía selares pelo abdômen dele, chegando em um de seus mamilos e o chupando. 

Hyunjin arqueou as costas ao mesmo tempo que elevava a cabeça para trás, entreabrindo os lábios e deixando um gritinho se libertar. Agarrou a nuca de Jisung, cujo olhava para cima e captava perfeitamente as expressões deliciosas dele. Ele mantia os olhos fechados, espremia os lábios e os mordia, para então separá-los de novo e continuar a gemer. Lindo.

— Gosta disso? — Se afastou minimamente para dizer com cinismo, vendo o íncubo sorrir enquanto respirava freneticamente. 

E como resposta, ele apenas colocou a mão no pescoço do arcanjo e o empurrou de volta para si, trazendo sua boca para o mesmo lugar. Jisung riu baixo com a atitude, passando a rodear a língua enquanto fazia pressão com a mesma. Hyunjin chegou a tremer, tornando os gemidos mais altos. 

Ah, como queria ver mais daquilo. 

E enquanto prosseguia a tarefa, dessa vez alternando para o outro mamilo, sua mão foi escorregando pelo abdômen dele. Deu uma última arranhada na cintura, até alcançar a coxa. Apertou com vontade, e Hwang apertou seu ombro de volta em aprovação. 

Mas para a próxima ação que planejava, o nervosismo acabou tomando conta, o que o fez parar por um segundo enquanto mordia a bochecha interna. Hyunjin percebeu, sorrindo minimamente pra ele.

— Vamos, anjinho. O que queria tanto tentar? — Desafiou erguendo uma sobrancelha, e Jisung engoliu a saliva uma última vez antes de suspirar e varrer seu bloqueio para longe, subindo sua mão e a pousando no membro do demônio. 

Ele massageou lentamente lá e o moreno fechou os olhos mais uma vez, sua garganta vibrando quando ele balbuciou um "hmmmm" baixinho, e então sorriu. E foi aí que qualquer vergonha que ainda dominava o arcanjo foi chutada para as nuvens. 

Tomado pela luxúria, sua mão foi engolida pelas roupas do rapaz e envolveu seu íntimo sem mais nem menos, fazendo Hyunjin dar um salto na cama como se tivesse levado um choque.

— Wow — ressoou ele. — Por essa eu não esperava. 

Jisung sorriu em resposta, afundando ainda mais a destra até os movimentos chegarem até ponta de seu membro. Começou um vai e vem devagar enquanto apertava de leve, e as reações de Hyunjin definitivamente estavam o incentivando bastante.

— Tira isso — retiniu ofegante, se referindo à sua calça. O arcanjo obedeceu, doido para ver mais do corpo dele. O ajudou a se livrar de vez da camisa e em seguida a calça que havia pedido. E conforme foi descendo a mesma pelo cós, foi dando selares úmidos pelas belas coxas carnudas e macias do demônio, mordendo algumas vezes também. 

Agora seminu, Jisung deixou um chupão na perna dele e tentou prosseguir os toques lá, mas a mão dele foi segurada e conduzida por Hyunjin para sua parte íntima de novo. 

— Eu não mandei parar. 

O Han riu anasalado, mergulhando de novo a mão na roupa dele e deslocando os dedos com a mesma velocidade hesitante. Nunca tinha tocado alguém assim antes.

— Mais. — Ditou ele enquanto apertava seu bíceps. Jisung atendeu ao comando, indo e voltando sua mão um pouco mais rápido. Hyunjin rolou os olhos, suspirando pesado enquanto lambia seus lábios constantemente. — A-ahh… mais… 

Dessa vez a solicitação veio com um gemido, colocando os hormônios de Jisung em estado de loucura. Hyunjin começou a respirar mais rápido enquanto aquele som hipnotizante fluía de suas cordas vocais. Por Elijah, que som satisfatório.

— Seus gemidos são tão gostosinhos… — acabou pensando alto, fazendo o Hwang mirar o olhar para ele com aquele sorriso de criança prestes a aprontar que já havia decorado. 

Ele não falou nada, apenas pegou a nuca do arcanjo ao mesmo tempo que desencostava do travesseiro e erguia a cabeça, colando a boca em seu ouvido e passando a gemer ainda mais alto em provocação. 

Jisung mordeu os lábios fortemente, sentindo seu corpo queimar em desejo. E como reação, passou a locomover o braço mais rápido e causando um sorriso do íncubo. 

— Isso é tão bom, cacete... — balbuciou afundando mais as unhas na pele do Han, ondulando a pélvis na direção do mesmo para conseguir mais contato. Era delicioso vê-lo assim.

Mas inesperadamente, ele se contradisse quando pegou a mão do arcanjo e a tirou dali. O Han formou uma expressão confusa, até que foi puxado pelo quadril e levado até o colo do demônio. 

— Sua vez de rebolar, querido. 

Jisung arregalou os olhinhos em pânico com o pedido, principalmente ao sentir aquele volume todo abaixo do corpo. Hyunjin sorriu em divertimento com seu desespero, posicionando suas mãos em cada lado da cintura do mais baixo. 

— Não tem segredo, bebê. É fácil. Pra frente, e pra trás…. — explicava mexendo o quadril dele levemente nas direções narradas, e o arcanjo suspirou fundo antes de começar a se mover timidamente. 

Mas o íncubo tolerou por pouco tempo seu ritmo delicado, segurando seu tronco com mais força e o conduzindo. Jisung gemeu sem querer, agarrando os braços do rapaz antes de arranhar seu peitoral enquanto sua bunda nua fazia pressão contra o membro dele. Apenas um tecido os separando. 

Aquilo era tão bom...

Tomado pelo calor do momento, o Han firmou de novo as mãos nos ombros dele e cedeu ao ritmo intenso do demônio, colocando mais força no quadril e passando a se esfregar com ímpeto nele. Os gemidos dos dois se misturaram, e Jisung revirou os olhos antes de os fechar e passar a mão na parte da frente do cabelo escuro enquanto tombava a cabeça para trás. Sua boca se encontrava entreaberta em busca de ar, e ele já suava. 

— Ah, caralho — retiniu Hyunjin, com os olhos cravados no corpo despido de Jisung rebolando contra o seu. 

E quando o arcanjo estava quase ficando completamente à vontade e sem mais surtos com a situação, seu ar foi roubado e seu cérebro pareceu pegar fogo quando o íncubo se sentou na cama, colando seus peitorais e enrolou o braço esquerdo no tronco alheio, o erguendo minimamente. 

Hyunjin não tirou os olhos do garoto, que o olhava com um leve medo mas ao mesmo tempo ansiedade do que ele estava prestes a fazer. Aquele demônio era uma caixa de surpresas. 

Ele deu um sorriso perverso antes de abaixar o corpo de Jisung de novo, este que ofegou e seu coração pareceu subir até a garganta quando notou que ele havia abaixado sua última peça de roupa e retirado seu membro para fora. 

O Han esbugalhou os olhos de novo quando sentiu o conteúdo endurecido entre as pernas, e acabou gritando quando Hyunjin segurou suas nádegas e roçou devagar a glande entre elas. 

O sorriso do íncubo aumentou, este que parecia se entreter com todo aquele nervosismo de Jisung, que inspirava e expirava freneticamente em antecipação.

E só para honrar a pose de tremendo filha da puta, continuou brincando com a entrada do arcanjo, subindo o quadril ao mesmo tempo que descia o de Han e ameaçando uma penetração. Ele estremecia em expectativa, encolhendo os dedos dos pés e cravando os dedos com força em ambos braços do demônio. 

— Respira, anjinho — falou cinicamente, dando um selar no Han e mordiscando seu lábio. O garoto lançou um olhar de ódio para ele, que deu um riso baixo. — Sei muito bem como amansar essa carinha raivosa.

Um tapa vigoroso foi dado em sua nádega direita, fazendo o arcanjo tombar a cabeça para trás enquanto fechava os olhos. Mais uma risadinha.

— Você é um desgraçad… — ele estava quase completando o xingamento quando mais uma palmada foi concebida do outro lado, o fazendo suspirar.

— O que dizia? — Perguntou debochadamente. E o arcanjo só de ódio, se acalmou o suficiente pra repetir.

— Que você é um desgraça- 

Mais uma vez, interrompido. Ele tentou arduamente não tropeçar nas palavras, mas com a brutalidade que os tapas eram dados a ponto da sua pele arder e formigar, era um pouco difícil.

— Eu sou o que, hm? — Hyunjin desceu ainda mais o nível, agarrando e apertando o seu pescoço antes de mais um tapa ser dado, junto com uma arranhada no mesmo lugar.

Porra, assim não vale.

— Eu sou o que, Jisung? — Indagou com a voz mais severa dessa vez, apertando com mais força seu pescoço e o sacudindo de leve, ao mesmo tempo que afundava as unhas na pele de sua nádega. O arcanjo não aguentou. 

— N-nada… — pronunciou quase inaudivelmente. — Eu não disse nada… 

Hyunjin sorriu satisfeito, alargando o aperto e dando um beijo carinhoso no vão do pescoço dele ao mesmo tempo que acariciava o local do tapa e do arranhão. Cínico. 

— Sabe, por mais tentadora que essa cena seja… — recitou olhando fixamente para baixo, onde seus corpos quase se conectavam. — E por mais ansioso que eu esteja pra te fazer gritar afundando meu pau em você…

Jisung estremeceu com a insinuação dele, sentindo seu corpo vibrar com as palavras sujas em seu ouvido. 

— Não seria tão interessante assim eu te foder no seco. 

Ele conduziu o arcanjo até o mesmo estar fora da cama e ele se acomodar sentado na ponta da mesma, nem o dando tempo de raciocinar antes de estar ajoelhado na frente do íncubo.

Mais uma vez, Jisung sentiu aquele frio na barriga que todo inexperiente sentia e isso ficou explícito em seu rosto, o que fez Hyunjin rir brevemente e passar o indicador em seu maxilar até parar em seu queixo.

— Essa sua carinha de desespero me dá tanto tesão, sabia? — O rapaz invadiu a boca de Han com seu polegar, umedecendo-o com saliva e contornando os lábios do arcanjo em seguida. — Agora, vê se capricha para o seu demônio, hm? 

Ele deu uma piscadela antes de afastar a mão e a apoiar na cama, e Jisung sentiu um sorriso involuntário acabar se espalhando em sua boca enquanto descia o olhar para baixo e acumulava mais saliva na língua, se aproximando cada vez mais enquanto tentava ao máximo afastar aquele nervosismo do corpo. 

Abriu a boca e colocou a língua para fora, lembrando do que Hyunjin havia feito nele e a raspando devagar por toda a extensão dele, em seguida começando a rodear a ponta. O moreno apertou os lábios, agarrando o lençol enquanto fechava os olhos. 

Então abriu mais, colocando apenas a glande dentro da boca e começando a chupá-la. O Hwang gemeu em resposta, se remexendo para frente num pedido para prosseguir. E Jisung prosseguiu, afundando mais alguns centímetros e tornando as sucções um pouco mais fortes. Se afastou um pouco sem cortar o contato, apenas para voltar e tornar a repetir aquela série de movimentos. O íncubo arqueou as costas, trincando o maxilar e o arcanjo o conseguiu sentir mais pulsante contra o céu da boca.

Ok, estava indo bem. Apenas precisava continuar assim, seguindo o próprio tempo, dando um passo de cada vez e…

E Jisung se engasgou quando de repente Hyunjin levou sua mão até seu cabelo e empurrou a boca do garoto contra a própria pélvis, fazendo ele engolir seu membro por completo e alcançar sua garganta. O arcanjo arregalou os olhos e tentou se separar para respirar, mas o demônio permitiu apenas que sua boca chegasse na glande dele de novo, então impulsionou o quadril na direção de Jisung e tocou sua garganta mais uma vez, o fazendo se engasgar de novo. E de novo, e de novo. 

O íncubo não deu um desconto, gemendo baixo enquanto conduzia a cabeça dele para cima e para baixo sem dó. O Han pensou em se revoltar com a atitude, até descobrir que adorou as expressões que ele realizava enquanto Jisung devorava seu membro. 

"É o Hyunjin. Achou mesmo ele ia ser gentil?" — A voz da sua cabeça pareceu dizer. 

— Foder sua boquinha é tão gostoso… — gesticulou olhando fixamente para o garoto, parecendo se divertir com a cena de seu engasgo. Na verdade, parecia mesmo era que estava sendo selvagem daquela forma apenas para se proporcionar a cena dele engasgando. Filho de uma bela puta.

Mesmo com sua revolta e seus reflexos o mandando parar, Jisung não queria parar. Fez o possível para se acostumar aquele ritmo, fechando os olhos fortemente enquanto o ponto em sua garganta era constantemente agredido pelas investidas que Hyunjin dava. 

Mas foi inevitável seu corpo não responder àquele contato violento, o que fez seus olhos lacrimejarem. Acabou tirando a mão do demônio e se afastou completamente, respirando fundo para que uma crise de tosse não viesse enquanto sentia a gota descer por sua bochecha. 

— Porra, me dá um tempo, caralho. É a minha primeira vez fazendo isso — pediu ofegante enquanto mantinha o rosto para baixo. E assim que o subiu de novo, quase se encolheu perante ao olhar maléfico e lascivo de Hyunjin na direção dele. 

O íncubo simplesmente se inclinou levemente na direção dele e segurou seu rosto, sorrindo como o patife que era enquanto limpava com o polegar a lágrima de sua face.

— Olha bem pra minha cara e me diga se eu pareço ter uma gota de piedade em mim, anjinho. — Ditou firmemente, fazendo um arrepio subir pelas costas do Han. — Engole esse choro e continua. 

Pelo inferno. Jisung nunca pensou que ficaria tão excitado em ter alguém mandando nele daquela forma. 

Em resposta, apenas deu sorriso ladino e disse:

— Ok, capetinha mandão.

E voltou ao trabalho, mergulhando a boca na parte íntima alheia e mandando garganta abaixo por conta própria dessa vez. Hyunjin gemeu com gosto, arranhando a nuca do arcanjo enquanto os movimentos prosseguiam. 

O íncubo sorria, alternando entre olhar para baixo e fechar os olhos enquanto passava a língua nos dentes da frente. Que visão. 

O arcanjo não economizava esforço nas chupadas, fazendo os famosos estalos obscenos tomarem conta do quarto. E foi continuando, mais e mais, aquela energia luxuosa fluindo livremente sobre ele e caindo sobre Hyunjin, que a sentia perfeitamente.

Com isso, Jisung segurou o sorriso quando seu cabelo foi agarrado o fazendo parar, então o demônio passou a se movimentar como bem quisesse dentro de sua boca. Ele gemia desesperado, e o arcanjo apenas assistiu com uma sede de curiosidade enorme para presenciar ele tendo um orgasmo.

Tudo estava bom, ótimo, uma maravilha. Até Jisung arregalar os olhos, dessa vez por um motivo completamente diferente. Todo aquele tesão que abraçava seu corpo, foi dissipado quando Hyunjin arranhou um ponto específico de sua cabeça e o garoto conseguiu senti-lo passando por uma elevação. Uma que não deveria estar ali. 

Ele se inclinou num solavanco para longe. E quando olhou para o Hwang, o percebeu tenso também. 

Havia alguma coisa errada.

— O que é isso…? — Pensou consigo mesmo enquanto tentava levar a destra até o couro cabeludo, mas o íncubo se apressou em segurar sua mão.

— Não é nada, devo ter me empolgado e agarrado com muita força. Continua — explicou rapidamente enquanto tentava empurrar Jisung de novo na própria direção, mas aquilo definitivamente não colou.

Ele franziu o cenho, afastando o braço do moreno e se levantando, indo como um raio na direção de sua penteadeira. Ficou de costas para o espelho, pegando um outro de mão que tinha. Usou o polegar e o indicador para separar os fios daquela região, dando clara visão de sua pele por baixo dos fios. 

E no instante seguinte, Jisung se sentiu enjoado, tonto. Como se fosse desmaiar. Suas mãos fraquejaram, tanto que acabou derrubando o espelho e o dando uma rachadura pequena. Ele cambaleou, parando com as costas na parede enquanto olhava para o chão e sentia sua respiração se tornar mais rápida e presente. Jisung não entendia. Como…  

O arcanjo estava pronto para começar sua crise mentais com uma chuva de perguntas, mas parou ao lembrar que as respostas estavam bem em sua frente. 

Seu olhar se ergueu com o ódio chamejando nele, em seguida indo até o íncubo já de pé e o dando um empurrão em intimação antes de disparar com fúria:

Por que mentiu sobre minha cicatriz?! 























Notas Finais


Eita bebês
Primeira observação: Ryujin foi de base também?🤔
Segunda: O que houve com nosso menino Kyan?
Terceiro: minha alma derreteu de vergonha com o Jisung se tocando, quem me lembrar dessa cena desse dia em diante é nazi.
Quarto: espero que o hot (ou quase hot) tenham lhe agradado, adorei fazer a skin Hyunjin bruto rs
Quinto: a casa caiu Hyunjin, se explica aí vai



❗Aviso Importante❗
Euzinha aqui, a autora (geniusbang) estou com um projeto de uma nova short fic baseada no main trailer de oddinary, que talvez já saia mês que vem. Me aguardem😼


Até o próximo cap pimpolhos, não esqueçam de deixar seu comentário. A cada pessoa que lê e não comenta, é um bolo de grana a mais pro meu terapeuta


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