História Rosa Sangue - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Suho
Tags Exo, Krisoo, Kyungsoo, Talvez!kaisootbm, Vampire!au, Yifan
Visualizações 122
Palavras 3.515
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Steampunk, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Conversemos ao final de tão pomposo capítulo (q)

Boa Leitura!

Capítulo 2 - Trovões


–Além dos mares do Sul, existem ilhas habitadas por todo o tipo de gente. –Kyungsoo explicava à Yixing, enquanto apontava para o globo sobre a mesa de estudos.

 

O rapaz havia escolhido ter aulas de geografia naquele dia. Queria aprender sobre os lugares que lia, mas que jamais teria visitado.

 

–Professor Do, já estiveste em algum outro lugar além-mar? –Perguntou o menino, girando o globo de um lado para o outro de forma distraída, enquanto os olhos concentravam-se no olhar do professor.

 

–Infelizmente não. –Contou, virando o globo para si, colocando o dedo sobre um local e girando-o para Yixing ver aonde apontava. –Já estive aqui, leste de Beagruff. –Afastou-se do globo enquanto Yixing parecia continuar a encarar o lugar.

 

Kyungsoo sentou-se em um dos sofás, pegando um dos muitos mapas que haviam espalhado pela sala de estudos.

–Estive lá com minha família para o casamento de uma parente. –Explicou. Vaild nadiya. Uma cidade grande, cruzada por um pequeno rio de águas turvas e perigosas. –Continuou, pegando um livro sobre a mesa e abrindo em uma das páginas, aonde falavam sobre a cidade que havia mencionado.

 

–O rio parece tão calmo, como pode ser perigoso? –Yixing questionou, olhando diversas fotos e desenhos do rio que parecia sempre calmo. –Lá moram monstros? –Com seus olhos arregalados, perguntou ao professor que abria um grande sorriso tolo.

 

 

–Não há nem mesmo um peixe que viva nessas águas. –Kyungsoo explicou, puxando Yixing para que se sentasse em uma das pernas. –Neste rio, as correntezas se escondem nas camadas mais baixas. –Explicou, apontando em um dos desenhos. –Qualquer um que tenta entrar no rio é puxado com força para baixo e o rio carrega-o até chegar na baía, aonde a água é calma. –Terminou de mostrar as fotos, deixando que Yixing as continuasse a observar, parecendo realmente interessado. –Mas até que chegue na Baía, a muito já teria afogado. –Completou.

 

 

 

Continuaram a aula até fins de tarde, Yixing naquele ponto do dia já estava cansado e mal conseguia aprender, Kyungsoo julgou então ser melhor parar e deixar o rapaz descansar.

 

 

Caminhavam ao lado um do outro, conversando sobre o que gostariam de ver e tudo aquilo de mais estranho que já haviam visto.

Yixing contava como havia visto um lagarto com duas cabeças, enquanto Kyungsoo contava como viu uma cobra engolir uma ratazana inteira em poucos minutos.

 

De um lado ao outro do castelo, caminharam sem um rumo certo, até que foram encontrados por Junmyeon.

 

 

–Jovem Mestre, seu pai o chama em seus aposentos. –O mordomo avisou, levantando seu olhar frio ao de Kyungsoo que parecia ter certa dificuldade em deixar a criança sair de seu encalço.

 

Yixing seguiu sozinho, após a promessa de que conversariam muito mais no dia seguinte. Junmyeon, por outro lado, continuava parado no mesmo lugar, encarando o professor.

 

–Senhor Do. –O homem disse com a voz calma, movendo a mão de forma que indicasse a direção aonde deveriam andar juntos. Junmyeon foi a frente, sendo acompanhado por Kyungsoo.

 

–O jantar hoje será servido em seus aposentos, o mestre deseja tempo sozinho com seu filho. –O homem disse com calma, permanecendo então calado até que chegassem ao quarto do professor. –Peço que perdoe o mau humor do Conde. Algo pareceu tê-lo irritado nesta madrugada. –Junmyeon continuava a olhar fixamente para Kyungsoo tinha a porta de seu quarto entreaberta.

–Por acaso do Professor não teria ouvido nada durante a noite, não é mesmo? –Perguntou, com veneno de sobra, quase a escorrer pelos cantos da boca.

 

 

Kyungsoo negou com o balançar de sua cabeça e um delicado sorriso no rosto. Junmyeon não pareceu convencido, mas aceitou a resposta da mesma forma.

 

 

O jantar estava servido em uma pequena mesa perto da janela, mas Kyungsoo não encontrava a vontade ou força para comer tudo aquilo.

Optou por beber do chá ainda quente, beliscar algumas das batatas e ler um livro enquanto o sono ainda não o acometia por completo. Por mais que soubesse que as aventuras da Marquesa de Merteuil e Visconde de Valmont fossem muito melhor acompanhadas por uma taça de vinho tinto, não estava disposto a correr o risco de beber mais do que devia, ainda por cima em seu emprego.

 

As seduções e humilhações dos dois ex-amantes seriam acompanhadas de chá de hortelã, e seguidas de uma noite de sono muito mais tranquila do que a última.

 

 

 

Mais três dias seguiram-se com aquele regime. Acordava cedo, encarava a janela até ser chamado para encontrar-se com Yixing. Passava toda a tarde a contar histórias e ensinar poemas ao jovem curioso e retornava ao fim do dia para seus aposentos, aonde comeria sozinho com seus livros e pensamentos.

 

Já havia terminado de ler Les Liaisons Dangereuses, partindo então para seu constante dilema. Reler o livro, ou seguir com Madame Bovary.

 

Seria um dilema no qual pensaria outro dia, afinal era preciso acordar cedo no seguinte.

 

 

No sexto dia então naquela casa, Yixing trabalhava em alguns problemas de matemática enquanto o professor folheava livros de filósofos quase tão antigos quanto o próprio tempo, quando ao fim da tarde Junmyeon apareceu, por volta do mesmo horário de sempre.

 

 

–Professor Do, Jovem Mestre. –Ele disse em seu tom monótono, esperando os dois, próximo da porta da sala de estudos. –O Conde pede que vão aos seus aposentos e arrumem-se. Ele irá juntar-se aos dois no jantar em duas horas. –Explicou, sem deixar de notar como a respiração de Kyungsoo tão delicadamente entregou sua animação e medo.

 

 

 

Finalmente conheceria o pai de Yixing. Não entendia o motivo de estar tão nervoso, mas estava mesmo assim. Queria saber como era o homem que era dono de tudo aquilo, uma figura tão misteriosa, que por vezes Kyungsoo chegou a cogitar se realmente existia.

 

Estava imerso em água com algumas essências que havia encontrado em seu banheiro privativo, escovava bem toda a pele para ter certeza de que estaria perfeitamente limpo. Nem mesmo importava-se se a pele ficasse um pouco avermelhada em certos pontos, desde que estivesse a cheirar bem, sem nenhum resquício de poeira da biblioteca.

 

 

Quando Junmyeon veio até seu quarto para chamá-lo para o jantar, Kyungsoo já estava pronto e arrumado. Não vestiu-se de forma muito especial, para não levantar suspeitas de toda sua animação, também por não ter trazido roupas formais.

 

 

–Pensei que havia dito para arrumar-se. –Junmyeon disse logo ao ver o rapaz, olhando-o de cima à baixo.

 

–É a melhor roupa que eu trouxe. Não está boa o suficiente? –Kyungsoo indagou, passando as mãos pelo tecido acinzentado de seu blazer.

 

 Junmyeon nunca havia parecido tão incomodado com algo. Antes que Kyungsoo pudesse falar qualquer outra coisa, o mordomo mandou que esperasse naquele lugar e saiu do quarto em passos largos.

Retornou pouco depois, trazendo algumas mudas de roupa nas mãos.

 

–Por mais que deteste admitir, seu tamanho deve ser o mesmo que o meu. Vista isso. –Entregou as roupas para Kyungsoo que pareceu ficar sem saber o que fazer até que Junmyeon mandou-o apressar-se. –A última coisa que vai querer fazer é chegar na sala de jantar depois do Conde. –Explicou, observando Kyungsoo trocar de roupa o mais rápido que podia.

 

 

Quanto terminado, vestia calças mais justas do que o normal, negras, tal como o blazer que lhe caía perfeitamente no corpo, apenas um botão fechava-o. Sobre a blusa branca, um corpete apertava seu corpo, sem exageros, mas o suficiente para modelar a cintura.

Antes de sair do quarto, ajeitou mais uma vez os cabelos, e só então sentiu-se pronto para seguir o mordomo até o salão de jantar.

 

 

 

Yixing já sentava-se educadamente ao lado direito da ponta da mesa. Tinha o rosto baixo e mãos entre as pernas, como se contasse os dedos.

 

–Sente-se ao lado de Mestre Yixing. Se o Conde pedir que você sirva algo para seu filho, você serve. Você só come, depois dele. Só bebe, depois dele. Entendeu? –Junmyeon explicou, e após a afirmativa do professor, foi até a saída da cozinha.

 

 

–Professor... –Yixing sussurrou, esticando uma das mãos, segurando a do mais velho. –Não olhe direto nos olhos dele. –Ele explicou, segurando a mão do homem com ainda mais força, como se temesse por algo.

 

 

Afinal, havia algo para se temer? Kyungsoo começou a acumular duvidas e medos em seu peito, não sabia se deveria estar com medo do Conde, afinal. Talvez ele fosse mesmo um fantasma, assustador e velho, que tentaria roubar sua alma.

 

Ninguém falava sobre o mestre da casa, nem mesmo os empregados, nem Yixing. Principalmente Yixing. Este, parecia evitar a todos os custos, falar sobre o próprio pai.

 

 

Kyungsoo olhava para a mão da criança contra a sua, enquanto em silêncio e de cabeças baixas, esperavam o Conde.

 

Sentiu sua mão ser segurada com ainda mais força ao ouvir as portas principais serem abertas.

 

–Levante-se. –Yixing sussurrou, e Kyungsoo obedeceu com calma, ainda com olhar virado para baixo.

 

Podiam ouvir ecoar os passos calmos do homem que entrava pelo salão, acompanhava-o uma brisa gélida, como se alguém houvesse aberto várias das tantas janelas da mansão.

 

Kyungsoo sentiu até mesmo a gota de suor escorrer por seu pescoço, ao ouvir os passos logo atrás de si.

 

Engoliu a seco, quando ouviu a respiração do homem logo atrás de si. Sabia que não estava tão próximo, mas era como se estivessem completamente juntos um ao outro. Sentiu o próprio respirar alterar sua rotina, moldando-se ao nervosismo que havia tomado conta de seu corpo.

 

 

Kyungsoo podia sentir o corpo arder por inteiro, debaixo da pele. Os olhos fechados com força imploravam para serem abertos, não sabia se conseguiria resistir mais tempo.

Os ombros tensos relaxaram ao ouvir os passos calmos voltarem a bater contra o chão, a cadeira ser arrastada uma vez, e pouco tempo novamente.

 

 

–Podem sentar. –A voz grossa, porém delicada, do homem fez com que os corpos obedecessem quase que imediatamente.

 

O professor tinha os olhos abertos, mas ainda focados nas próprias pernas, aonde as mãos se encontravam e dedos inquietos entrelaçavam.

 

–Professor Do, é um prazer conhecê-lo. –O Conde voltou a falar, Kyungsoo podia sentir cada um de seus movimentos, tal como havia acabado de colocar os cotovelos sobre a mesa. –Meu filho tem falado muito bem de si. –Continuou, e a cada segundo, o outro podia sentir ainda mais o olhar dele penetrar sua pele.

 

 

–O prazer é todo meu. –Disse um pouco hesitante, levantando o rosto sem olhar para o homem.

 

 

–Pode olhar para mim. –Disse com a voz mais baixa, quase em um sussurro. Antes que Kyungsoo pudesse obedecer cegamente, sentiu a mão ser agarrada pela de Yixing mais uma vez.

 

Seus olhos encontraram o da criança, que discretamente parecia querer impedir o outro de olhar na direção do pai.

 

Que mal poderia haver, apenas olhar na direção do homem, quando ele mesmo havia pedido para que o fizesse. Kyungsoo não encontrava motivos em sua mente para contrariar o Conde.

 

 

Seus olhos guiaram-se naturalmente ao olhar do outro. O que não esperava era que a postura do homem fosse cair por completo, assim que trocassem aquele único olhar.

 

Kyungsoo levou uma das mãos ao peito, ainda completamente perdido no olhar do Conde.

 

–Papai, por favor. –Yixing interveio, levantando-se de sua cadeira e rapidamente segurando um dos braços de seu pai, mas nem mesmo sua interferência parecia fazer vacilar o olhar que trocava com o professor.

 

Kyungsoo sentia as pontas dos dedos dormentes, os lábios formigarem. Suava frio, sem qualquer outro pensamento em sua mente, além do quão magnífico era o homem que sentava-se não tão longe de si. Sabia que também ele estava a sentir aquela tensão. As sobrancelhas franzidas, respiração pesada, entregavam o Conde a seus pecados.

 

Não movia o olhar, mas podia notar, os cabelos jogados sobre os ombros em um tão puro tom negro como os olhos em que estava mergulhado. Tinha as mãos juntas a frente do rosto, cobrindo parte deste. Roupa também negra, bordada em delicados detalhes dourados.

 

 

Ignoravam sem seu silêncio exclusivo, as reclamações de Yixing que ainda tentava puxar o braço de seu pai, que nada movia-se.

 

Kyungsoo podia sentir o cheiro das rosas, e no fundo de sua mente, ecoava a mesma melodia que ouviu antes. A mesma que embalava seus sonhos desde então.

Não saberia explicar o que puxou-o de seu transe, para que abaixasse rapidamente o rosto e o escondesse entre as mãos por alguns segundos antes de voltar a levantá-lo com um delicado sorriso estampado.

 

 

 

 

Permaneceram o resto do jantar em completo silêncio. Seguindo as instruções de Junmyeon, professor e aluno apenas comeriam ou beberiam depois do Conde.

Pato assado com arroz vermelho, uma boa taça de vinho. Era o que Kyungsoo precisava para distrair-se, por mais que o olhar do Conde não fosse tão cedo sair de sua mente.

 

 

Ao terminarem o jantar em todos seus pratos, podiam ouvir a chuva do lado de fora da casa. Raios cruzavam os céus, trovões faziam as janelas tremerem.

 

 

–Espero vê-lo amanhã no jantar. –O Conde disse com calma, levantando-se da mesa, seguido dos outros dois.

 

–Obrigado por tudo, Conde. –O professor disse, educadamente curvando-se ao outro. Este que deu um pequeno sorriso, antes de afastar-se da mesa e voltar a dar seus calmos passos pelo salão de festas, até que parasse atrás de Kyungsoo, mesmo lugar aonde havia parado antes.

–Pode chamar-me de Yifan. –Sussurrou, em seguida continuando a andar sem pressa para fora do salão de jantar.

 

 

 

Com as portas fechadas, Kyungsoo sentiu o corpo relaxar por completo, ao ponto de cair contra a cadeira que previamente estava sentado.

Ao seu lado Yixing parecia preocupado, mas silencioso. Uma das mãos segurava a manga do blazer que Kyungsoo usava, enquanto tinha os olhos fixos no professor.

 

–Não foi tão mal… –Kyungsoo brincou, abriu um sorriso e virou o rosto para Yixing que só então pareceu relaxar um pouco.

 

–Foi bem melhor do que eu pensei. –Admitiu o jovem, antes de levantar-se e em seguida ajudar o professor. –Senhor Do, se importa se eu dormir em seu quarto hoje? –Perguntou de forma tímida, segurando a mão do mais velho que ao reverberar das janelas com mais um trovão, logo entendeu os motivos do pequeno.

Estava prestes a concordar, quando fora interrompido por Junmyeon.

 

–O Jovem Mestre sabe que não é permitido. Deve dormir em seu quarto, e aprender a lidar com seus medos. –O mordomo disse de forma fria, segurando o punho do jovem até que soltasse a mão de Kyungsoo.

 

 

 

O professor não entendeu a frieza do mordomo, nem o motivo por Yixing ter acatado suas ordens tão facilmente.

 

Sua mente estava, ainda, turva demais para pensar demais em assuntos como aqueles. Preferia ir de uma vez até seus aposentos e dormir uma boa noite. Talvez perguntasse para Yixing o que estava errado no dia seguinte.

 

 

 

Kyungsoo levantou-se no meio da noite com um dos raios que deveria ter caído muito perto da casa. O coração palpitava freneticamente, ainda mais ao ouvir os gritos de Yixing.

 

Seu medo de tempestades era realmente grande, pelo que aparentava. O professor não poderia evitar de compadecer de tal dor. Sabia o quão ruim era ter que enfrentar seus medos sem qualquer tipo de ajuda.

 

Outro raio veio a cair, iluminando a escuridão de seu quarto e fazendo Yixing gritar mais uma vez, desta, de forma um tanto abafada como se ele mesmo tentasse se segurar.

 

 

 

Sabendo que não poderia aguentar ouvi-lo mais uma vez sequer, Kyungsoo pôs-se de pé, com sua lamparina, óculos na ponta do nariz e roupão quente envolvendo o corpo. Andou em silêncio pelos corredores, seguindo o som do choramingar que partia o coração do professor a casa segundo.

 

Chegando ao quarto do jovem, notou como a porta estava entreaberta. Tinha medo de encontrar Junmyeon dentro do quarto e ser repreendido, entretanto com mais uma trovoada e outro grito, não conteve o próprio corpo e entrou no quarto de Yixing sem pudores.

 

De certo não esperava ver o Conde abraçando o filho, que chorava desesperadamente em seus braços.

 

 

Ambos nem mesmo em sua direção olharam, enquanto Yifan sussurrava ao ouvido do filho que agarrava-se às roupas do pai em busca de proteção e conforto.

 

Kyungsoo aproximou-se sem medo, notando o olhar de Yixing em sua direção, ainda nos braços do pai que só então virou-se para encarar o professor que sem pudores sentava na cama do jovem, do lado oposto do Conde.

 

 

–Estava preocupado.  –Kyungsoo murmurou, colocando a lamparina sobre a cabeceira da cama antes de virar-se novamente para Yixing. Reconhecia o olhar intenso de Yifan em sua direção, mas recusava-se a retribuí-lo. –Quer que eu fique contigo? –Perguntou, segurando a mão do rapaz entre as suas.

 

O olhar de Yixing vacilou entre os dois adultos, tendo as mãos dadas com ambos, notava perfeitamente como seu pai olhava o professor e notou também a força que este fazia para não olhar de volta.

 

–Papai, ele pode? –Yixing perguntou com sua pequenina voz, olhando para o homem que assentiu com um pequeno sorriso e piscar de um dos olhos.

 

–O Conde pode ir descansar agora, eu fico com Yixing. –Kyungsoo disse com o máximo de delicadeza possível, não queria parecer rude, ou indiscreto, mas entendia que o Conde parecia ter assuntos a tratar durante a noite.

 

Yifan esticou os lábios em um sorriso pequeno, passando uma das mãos pelas costas do filho que bocejava de forma preguiçosa, deixando os olhos cansados pesarem mais, com lágrimas ainda úmidas pelo rosto.

 

–Não preciso de descanso. Se preferir ir descansar, acho que ainda sei cuidar de meu filho. –Respondeu sem pressa, puxando o corpo sonolento do rapaz para seu abraço cuidadoso, as pontas dos dedos entre os cabelos do pequeno que escondia-se em seu peito.

 

Kyungsoo sentiu a ferroada nas palavras de Yifan. Não queria ter sido mal interpretado naquela situação, e por mais que suas palavras mostrassem o esforço para não ser, não parecia ter adiantado muito.

Notava como apesar do cansaço de Yixing, sua mão ainda segurava a de Kyungsoo com força.

 

–Então ficamos os dois. –O professor respondeu, esperando que caíssem em silêncio, para bens do sono de Yixing que começava a relaxar o corpo e cair em sono.

 

Um trovão voltou a ecoar pelos céus, fazendo a criança acordar mais uma vez assustada.

 

Instintivamente, Kyungsoo levou as mãos aos ouvidos dele, enquanto punha-se de joelhos no chão. Os olhos nervosos de Yixing encaravam os calmos de Kyungsoo, enquanto as mãos abafavam qualquer som que pudesse assustá-lo ainda mais.

 

Assim ficou nos próximos raios que cruzavam os céus.

 

–Minha mãe fazia isso comigo. –Kyungsoo sussurrou, notando como Yixing voltava a adormecer depois de alguns minutos. –Eu tinha medo do uivar dos lobos ao redor da aldeia, então em luas cheias, ela dormia com as mãos nos meus ouvidos. –Continuou a explicar, para Yifan que ouvia atentamente.

 

–Minha esposa fazia isso também. Ela costumava segurar minhas mãos nos ouvidos dela, quando ouvia lobos. –Yifan murmurou, notando que Yixing havia caído novamente no sono. Tentou mover o corpo do filho para que se deitasse, mas Kyungsoo ainda tinha as mãos em seus ouvidos, e não parecia querer soltá-lo ainda.

 

–Ele pode acordar... –Kyungsoo sussurrou. –Deixe que eu me deito com ele, não se preocupe. –Continuou, deitando o rapaz na cama e movendo-se para sentar ao lado dele, e então deitar-se.

 

Antes que outro raio pudesse cair perto a casa, Kyungsoo deitou-se com o rosto de Yixing em seu peito, enquanto a outra mão cobria o ouvido exposto.

 

 

Yifan continuava sentado na cama. Seu olhar era muito mais suave do que aquele que ostentava durante o jantar. Daquela forma, o Conde não parecia tão assustador.

 

–Ele parece gostar de ouvir seu coração. –O Conde murmurou, esticando uma das mãos para tocar o rosto do filho delicadamente, movendo o olhar para o de Kyungsoo, que já não sentia medo de retorná-lo.

 

–Tenho certeza que também gosta de ouvir o do senhor. –Kyungsoo respondeu em que os olhos desviassem dos de Yifan, apesar da quebra de contato vinda dele.

 

O Conde levantou-se com cuidado, cobriu o filho e o professor com uma das mantas que se acumulavam no pé da cama e curvou o corpo para deixar um leve beijo no rosto do jovem.

Kyungsoo observou de perto, toda a perfeição de sua pele, como parecia ser feito de mármore, o aroma suave de rosas que emanava de sua pele. O professor sentiu os olhos revirarem por curtos segundos, deixando-se tomar pela proximidade do homem.

 

Tornou a abrir os olhos quando sentiu Yixing revirar-se em seu abraço, parando logo em seguida. Yifan estava de pé ao lado da cama, carregando no rosto o mesmo sorriso delicado, enquanto escondia uma das mãos no bolso das calças e a outra ajeitava os cabelos com a outra.

 

–Nos vemos amanhã. –Disse o Conde, ganhando apenas um sorriso sonolento de Kyungsoo. –Tente não fazer seu coração bater com tanta força, ou vai acordar Yixing. –Sussurrou.

 

Suas palavras fizeram Kyungsoo abrir ainda mais seu cansado sorriso, acabando por fechar os olhos por alguns segundos. Quando abriu-os novamente, já não via mais Yifan, mas com o sono que tomava seu corpo, já não mais fazia tanta diferença.


Notas Finais


Eu não me segurei. E peço desculpas.
Mas gente, essa história JÁ tem 20k escritos. O que quer dizer que pelo menos uns 6 capítulos já estão escritos. MAS, agora vou levar a sério, só vou postar de novo quando terminar de escrever tudo.

Mas queria postar um sinal de vida, pra também agradecer pelo feedback de quem comentou!
Essa é uma história que eu ponderei durante muito tempo se deveria postar ou não, mas vocês me incentivaram mais uma vez a continuar.

Por isso, eu agradeço.

Agora, eu vou deixar isso aqui e sair de fininho pq sei que tô aprontando xD

Espero que tenham gostado!

Caso queiram entrar em contato através de alguma rede social, seguem os links:

https://linktr.ee/eith.el


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...