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História Rosa tingida de preto - Capítulo 12


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Capítulo 12 - Talvez você só precise de alguém que se importe


Abri meus olhos e vi aqueles cabelos rosas e óculos escuros bem na minha frente. Eu estava deitado no banco, com a cabeça sobre a minha mochila e baba escorrendo pela minha bochecha. Limpei meu rosto e me levantei, ainda tonto mas me sentindo bem melhor que antes. Um sorriso se formou no rosto de Kan.

 

– Que bom que acordou. – Olhei para o lado e vi o garoto de antes e seu avô pegando suas coisas para ir embora. Senti vergonha por ter incomodado estranhos, ainda mais ele, que parecia estar passando por muita coisa.

 

– Desculpa… – Falei. Ele me olhou e sorriu.

 

– Sem problemas.

 

– Mesmo assim, queria poder te compensar pela sua ajuda.

 

– Não tem necessidade, sério. Fico feliz em ver que você está bem… Na verdade, talvez você possa me ajudar. – Procurou algo em seus bolsos e tirou um pedaço de papel, me mostrando um endereço. – Sabe me dizer como chegar aqui? – Olhei para o papel. Eu não fazia ideia de onde poderia ser, estava morando em Tóquio por apenas um ano, esse tempo não era o suficiente para saber, mesmo costumando andar por aí bastante.

 

– Desculpa…

 

– Ah, eu sei onde fica. – Kan disse e o explicou. Enquanto o fazia, o avô, que estava sentado no mesmo banco que eu, começou a me encarar.

 

– Você costumava ser uma criança tão pura, mas agora está manchado. Consigo ver claramente a sua alma se tornando escuridão. Por quê? O que o mundo fez com você? Por que está se despedaçando? – Ele segurou meus ombros. – Se dê a chance de ser purificado, não acabe como a Momoko. Se deixe ser amado. – O encarei, abismado. De onde a gente se conhecia? Será que ele realmente me conhecia? Quem era Momoko?

 

– Vovô, vamos embora. – O garoto o chamou. – Desculpa, não dê muita atenção às coisas que ele fala. – Ele me disse. Eu ia perguntá-lo se poderia me dizer de onde eu poderia ter conhecido aquele senhor, mas desisti.

 

– Onde estamos indo? – O velho perguntou. Pois é, ele provavelmente não seria capaz de lembrar nada e o garoto também não parecia saber. O garoto suspirou, parecendo frustrado.

 

– Vou explicar no caminho. – Me olhou. – Adeus, espero que você fique melhor.

 

– Obrigado. – Quando ele se afastou, olhei para Kan. Eu estava com tanta vergonha, de tudo. – Desculpa…

 

– Não precisa. – Ele colocou as mãos sobre os meus ombros, apertando de leve.

 

Comecei a me lembrar das coisas que havia pensado naquele dia, eram muito parecidas com o que aquele senhor me disse. Mas como ele poderia saber qualquer coisa sobre o que eu estava passando? Só um palpite? Ou será que ele me analisou ou algo assim? Eu sei que ele não parecia são e eu não consegui entender a maior parte do que ele disse, mas aquelas coisas já estavam no meu pensamento, como eu poderia não dar atenção?

 

Pensando sobre isso, chorei durante toda a viagem para Shinjuku, parando apenas quando saímos do trem. Kan me levou para casa mesmo comigo insistindo que não era necessário. Entrando no meu quarto, me virei para agradecê-lo e me desculpar por trazer problemas a ele, mas ele repentinamente me abraçou.

 

– Eu tava tão preocupado contigo. Primeiro você vai embora sem falar nada, então um estranho me liga do seu telefone, eu achei que algo muito ruim tivesse acontecido.

 

– Tá com raiva de mim?

 

– É claro que não! Eu nunca vou ficar com raiva de você, jamais!

 

– Não diga isso…

 

– Eu te amo, Nori. Me preocupo com você, quero que você confie mais em mim. – De repente, comecei a chorar de novo.

 

– Desculpa…

 

– Ei, não precisa…

 

– Me perdoa, eu gosto muito de você! Se eu tivesse que escolher alguém, seria você. Eu realmente quero confiar em você, mas tenho tanto medo.

 

– Medo de que?

 

– Eu fui usado por pessoas que diziam me amar, não quero que você seja mais um a me usar e me descartar!

 

– Eu não vou fazer isso, prometo.

 

– Mesmo que você me prometa, como posso saber que eu não estou te usando? Eu fiz coisas terríveis com alguém que não merecia, eu sou tão sujo, tão podre!

 

– Olha, eu não me importo com o que você fez no passado, só quero te fazer feliz. Quero cuidar de você. Por favor, vamos ao menos voltar à amizade que tínhamos antes.

 

– Não quer mais ser meu namorado?

 

– Quero sim, mas achei que você não fosse querer…

 

– Eu quero! Eu preciso de você, Kan, me sinto tão bem ao seu lado! – Ele sorriu e me abraçou mais forte. Apoiei minha cabeça em seus ombros, sentindo-o apertar meu corpo contra o dele. Era tão confortável.

 

– Então eu vou ser seu namorado. Prometo cuidar de você.

 

– Por favor, faça isso. Não deixe eu me machucar novamente.

 

– Não vou deixar. – Ele me beijou gentilmente. A sensação dos seus piercings frios contra o calor de seus lábios era interessante, me fez querer beijá-lo ainda mais. Mas após um tempo, o afastei.

 

– Desculpa, eu tô com muito sono.

 

– Ah, ok. Então eu vou voltar pra casa.

 

– Não. Por favor, fique comigo.

 

– Eu tenho permissão pra fazer isso? Sabe, isso é um dormitório de uma universidade...

 

– Provavelmente não, mas eu não me importo de quebrar essa regra. Só por hoje.

 

– Ok, mas eu tenho que ir embora antes do nascer do sol ou vou ter que ficar até que ele se ponha.

 

– Você realmente não pode sair quando está claro?

 

– Não.

 

– Tudo bem. Pode ficar comigo pelo menos até eu dormir?

 

– Claro.

 

Nos deitamos na minha cama. Ele me abraçou forte e beijou minha testa antes de eu me aconchegar em seu peito. Seus dedos alisaram o meu cabelo, me acariciando até eu dormir. Quando acordei, já estava claro lá fora e ele não estava mais lá.



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