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História Rosas amarelas - Capítulo 1


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Notas do Autor


Aqui estou eu (depois de supostamente ter aposentado minha """carreira""" de escritora de fanfic) novamente com a notícia mais bombástica de todas: continuação não tão direta assim de uma fanfic de 2k17. Grande dia amigos!
Ninguém precisa reler a primeira fanfic para entender essa, mas seria uma experiência legal (a fanfic é "um buquê de peônias aos mortos", bem angst, bem fanfic de adolescente sad boi e tals)
Enfim, boa leitura <3

Capítulo 1 - Rosas amarelas para um amor não recíproco.


  Rosas amarelas para um amor não recíproco.

 

 Essas cenas sempre ocorriam acompanhadas de um clima bonito, o céu azul sem uma única nuvem para manchar os tons de azul e um sol enorme e quente, cuja luz aquecia os dedos dos pés e descongelava aos poucos as emoções esquecidas no fundo do coração. Eram esses dias de verão, quando o calor dava uma trégua e um picolé de melancia sempre seria bem-vindo que isso acontecia: um olhar bobo e desavisado, um suspiro involuntário que terminava num leve tremor nos joelhos, as batidas dos dedos no banco com tinta descascada de uma praça rodeada de árvores e crianças pequenas gritando e correndo. Eram sentimentos de uma paixão comum, os sintomas involuntários de um coração disparado, as cores avermelhadas que começavam na pontinha do nariz, corriam para as bochechas e terminavam ardendo suas orelhas.

 Esses eram os inícios, a doçura do sentimento, a alegria do olhar que sempre lhe arrancava um suspiro involuntário e então… Chuuya despencou nesses sentimentos, a turbulência que seguiu tudo aquilo não condizia com as incríveis sensações que ele sentia anteriormente – a dor que agonizava seu corpo, a alma, doía tudo e era tão familiar em certos momentos. Ele despencou de alturas muito altas de uma paixão não correspondida – paixão que havia morrido há duas semanas, que deixou entrar de bom grado um amor sem escrúpulos que atacava tudo e todos, mantendo tudo por perto em puro êxtase, que emoções exageradas para si.

 E eventualmente tudo começou, o prólogo fora adocicado como um novo amor (ou único, nessas linhas nunca haveria espaço para mais um amor e ele sabia disso), seguiu-se para aquela esquisita tosse incessante e as flores desabrochando fora da época, rosas amareladas com toques rubros do seu quente sangue. Seu amor tinha forma e cheiro, tinha cores e significados, tudo seguia um rumo que Chuuya não conseguia acompanhar além de suas tosses incessantes.

 Doenças assim deveriam ser uma ficção tola para adolescentes desesperados por um fim trágico da primeira desilusão amorosa, contudo lá estava ele, na sua trágica história única sem narradores decentes e rosas amarelas que nem mantinham cores vivas além do vermelho manchado que dissolvia em sua saliva.

 Seu amor era amarelo puro, cor de ouro, com um aroma suave de rosas e sempre se machucando nos espinhos que rasgavam de forma indelicada a sua garganta, buscando seu sangue para amenizar a dor da alma e misturar com o corpo, a carne; as rosas delicadas compunham sua vida, as pétalas descansavam no chão, como um fofo tapete que logo morreria e deixaria uma cor de um amor quebrado e inexistente; então não restava opções válidas, sentou-se, aguardou e respirou fundo antes de engasgar com as flores que abriam caminho em sua garganta, fugindo das raízes de seus pulmões.

 Chuuya mantinha-se recluso em casa nos dias que se seguiam a doença, a deterioração de seus pulmões, as preocupações de sua família e amigos que insistiam em mandá-lo buscar ajuda para finalmente se livrar das roseiras. Porém, ele não queria matar aquele amor tão irrealista, se pudesse permaneceria para sempre nos dias de verão onde lembrava-se com carinho de seu único amor, aquele puro amor que não lhe deu nada bom além de roseiras e amarelo. Os dias avançaram sem pressa, às vezes trazendo bons sonhos para o pesado coração de Chuuya, aliviando o peso de buquês que sentia nos pulmões: aqueles sonhos com nuances de perversidade, beijos felizes, risos felizes e finalmente Chuuya teria ele em seus braços, apenas em seus sonhos desesperados que tentavam aliviar todas as dores e suas tosses.

 Entretanto o verão não era eterno, ao início do outono e com uma saúde regada de flores suficientes para fazer vários buquês por dia, Chuuya aceitou que não viveria o suficiente para fazer algo memorável, como confessar seu amor há alguém que ele apenas conheceu num dia pacífico de verão.

 E então aconteceu o que todos esperavam, igual as cartas de teor suicida que associavam com Chuuya no momento que ele decidiu manter as roseiras em seus pulmões ou o ápice de sua estupidez: apaixonar-se por um completo desconhecido que ninguém possuía uma única noção de realmente existir ou ser digno de um amor tão puro que beirava a insanidade que o ruivo sentia por essa pessoa. Com a expressão de alguém já morto, Chuuya caminhava até o mesmo banco onde tudo começou e ele esperava que se encerraria, sem esperanças de revê-lo. E então aconteceu.

 “Esse lugar está vago?” Alguém perguntou.

 Chuuya piscou, olhou para quem lhe dirigia a palavra e inevitavelmente sorriu com ternura. “Sim.”

 “Ótimo, vou ficar aqui e fazer companhia para você.” O homem disse, sorrindo para Chuuya, ele segurava um buquê de flores e batia o pé no chão em pequenos intervalos de tempo. “Eu trouxe elas para você, são peônias.”

 Um susto inicial, olhares arregalados de surpresa, um sorriso de puro carinho e um pequeno gesto. As pétalas douradas voaram com a brisa e Chuuya aceitou o buquê.

 “Obrigado…”

 “Meu nome é Osamu.” O homem, agora com um nome nos romances que o ruivo escrevia mentalmente todas as noites enquanto sufocava com rosas amarelas, apresentou-se. “Desculpe a demora.”

 “Chegou na hora perfeita.”

 Chuuya teve seu final feliz enfim; a tosse acabou, as roseiras morreram e sumiram como se fosse algo mágico; as pétalas e as rosas  amarelas murcharam e foram embora. A substituição perfeita para aquele amarelo vivíssimo veio com Osamu, que lhe amava e entregava buquês de peônias para declarar seu amor, que acariciava com carinho seus cabelos ruivos e contava cada uma das suas sardas – por tudo que fosse sagrado, ninguém acreditava que fora por um homem desses que Chuuya estava apaixonado, parecia simples demais esse término, dos dias quentes de verão de uma tormenta de preocupações e auto piedade veio um outono de declarações de amor e aquele homem de riso baixo completamente apaixonado e feliz nos braços de Chuuya.


Notas Finais


Sobre os créditos da imagem de capa, não consegui encontrar a rede social do/a/e artista, mas sua assinatura (e twitter em 2017) é carblack95. Detalhes a parte, baseei as fanfics em duas fanarts incríveis que se complementam e eu senti a necessidade de escrever uma fanfic hanahaki sobre ambas! AKA versão do Dazai (escrita em 2017) e versão do Chuuya que nunca ninguém pensou que seria terminada mas cá estamos em 2020 em plena pandemia! Milagres do desespero!

Extras:
- entendo zero de linguagem das flores, fui pesquisar o significado de rosas amarelas e peônias (não me julgue pois em 2017 eu não pesquisei tal fato), ambas flores se encaixam nas fanfics e foi bem legal.
rosa amarela: representam amor, respeito, alegria, amizade e desejo. dar essa flor há alguém não muito próximo pode significar segundas intenções.
peônia: seu significado varia de muitas culturas então não vou elaborar um mega resumo explicando, se quiser fazer uma pesquisa por conta própria, sinta-se a vontade. se deseja expressar sentimentos reais, dar um buquê de peônias é uma boa opção.
- sobre a doença de hanahaki, sou péssima explicando sobre ela. caso não entenda sobre a tal, dê uma pesquisada no google e qualquer dúvida pode me perguntar e eu farei o meu melhor para responder.

Enfim, obrigada pela leitura 😔❤️


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