História Rosas e Begônias - Capítulo 1


Escrita por: e Hoonam

Postado
Categorias BtoB
Personagens Hyunsik, Ilhoon, Minhyuk
Tags Amor Próprio, Angst, Btob, Gysfic, Gysurso, Menção Hoonsik, Menção Ilsik, Minsik
Visualizações 55
Palavras 1.533
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Alamanda


"É isso que é amor para você?" Minhyuk pergunta, e o jazz morto e fraco preenche o ambiente, não encontrando ouvidos abertos. Buquê apodrecendo em punhos fechados — a tinta vermelha das rosas mancha seu braço e os espinhos lhe furam como as mentiras de Hyunsik.

E Hyunsik a centímetros de seus lábios. Um vão.

"É isso mesmo? Algumas palavras bonitas, flores caras e... isso." Minhyuk apenas olha Hyunsik com desaprovação; "isso" é Hyunsik inteiro e a metade de um terço que ele tem a oferecer. E todo esse patético que ele chama de amor e não fica, que não gruda nas veias mais próximas do seu coração. Todo o eterno de uma vida que não encaixa.

E as manchas vermelhas em suas camisas brancas, e os roxos em suas costas, e os dentes marcados em suas coxas e tantos "e's" que Minhyuk se desfaz em nojo só em pensar.

;a saliva de outras bocas ainda escorrendo em seu pau.

"As flores nem são tão caras, Minhyuk. Eu comprei na promoção na loja da esquina."

"Você nem se importa." Minhyuk ri em desespero e observa o outro se jogar na poltrona suja no canto da sala, com o seu conhaque em mãos, que se espalhou, derramando em seus dedos podres. E é Hyunsik que lhe olha com a mesma fúria que cresceu em seus olhos na vez — e na única vez — em que disso que o amava. "Eu não sei mais o que fazer."

"Você? Eu não sei mais o que fazer. Você nunca está feliz. Você nunca está comigo." e há verdades nas palavras de Hyunsik, mas são verdades tão plantadas e cavadas por ele mesmo que não valem o tempo.

"Você preenche o vazio que Ilhoon deixou, na cama de outros, de outras, de tantos. Você preenche o vazio de Ilhoon na minha cama, no meu corpo. Você me usa e me desaprova por não ser o timbre certo gemendo o seu nome. Como eu, eu, posso ser responsável por nunca estar com você se você não me quer?"

o buquê está no chão, acompanhado de pétalas espalhadas, o que não é um cenário bonito, de gestos enfurecidos. É Minhyuk quem se retira do cômodo, engolindo o choro em gritos afônicos, seu corpo dói e pesa por completo.

Dói embaixo da unha e em toda parte onde Hyunsik o tocou, e isso vai até ao coração; e talvez o estômago que se mexe recusando qualquer coisa que exista dentro dele.

Que já é tão pouco.

Se observa no espelho trincado do banheiro. Acha graça como sua casa é tão quebrada quanto a sua vida: as portas descascam, o piso de madeira tem furos, a janela que nunca fechou por completo — tal como seu coração.

Suas parcelas refletidas no espelho são os cacos de suas próprias vontades de ser. Lava o rosto salgado e a imagem de Hyunsik agarra em suas veias. É sangue podre.

Não é mais amor.

Quando Minhyuk volta ao cômodo e se apoia na porta, tudo que resta é um Hyunsik em lágrimas e com um falso arrependimento, como sempre. É patético e ele já ensaiou essa cena vezes demais. Ele sabe onde e como tudo acaba.

Na cama, no fim de uma madrugada, embriaguez, sexo sujo e solidão.

"O que você quer que eu faça?" Hyunsik pergunta dentro de seus olhos vermelhos e as mãos suadas. A voz grave agarra a pele de Minhyuk e pede para ficar, pede para deitar e ser, existir e estar em todo canto de Minhyuk só por mais um pouquinho — e ele sabe que esse pouquinho dura uma eternidade dolorida.

Já foi mais difícil para Minhyuk responder a essa pergunta, como a sua parte mais cruel sempre sentiu vontade. Como ele ensaiou tantas vezes em frente ao seu espelho de cabeceira. Mas agora o som é limpo. São pingos de recomeço.

Paz e liberdade.

"Vá embora."

 

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Durante o passar de minutos e segundos Minhyuk é apenas vontade. É desespero, é dor, é falta de tudo que lhe fez mal.

Mas é falta. E falta corrói por não ser costume; é espaço demais desocupado e Minhyuk nunca esteve acostumado a ocupar seu próprio espaço. E em uma parte doente das suas vontades, é melhor ter algo que lhe faça mal do que nada.

Hyunsik sempre foi sobre ter, não sobre estar. Nunca sobre ficar.

E ele sabe que não suporta mais as dúvidas de todas as noites, os cheiros incômodos, as respostas vagas em melodias de "eu gosto de você" e todas as músicas que falavam sobre Ilhoon. Só de um Ilhoon que Minhyuk jamais conheceu, mas que desejou ser por vezes demais.

 

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Durante o mês, Minhyuk muda os móveis de lugar, joga fora todos os lençóis que lembram a marca do corpo de Hyunsik, guarda as cartas do início — do tempo curto em que tudo foi real — em uma caixa desgastada embaixo da cama, para relembrar quando forem apenas palavras de um idioma que nunca conheceu.

Limpa na mesinha de centro as marcas do café amargo que só Hyunsik tomava todos os dias pela manhã. Mancha com cheiro ácido o aroma doce amadeirado que Hyunsik deixou encostado atrás da porta, como armadilha para que Minhyuk voltasse aos seus braços.

Descobre novos sabores amargos misturado com álcool, vive bem mais entorpecido que sóbrio; o teto branco gira todas as noites e a conta de lágrimas são nascentes de rios sujos, barro marrom escuro e gosma, peixes mortos na superfície da paixão destroçada de minutos de existência e duração demais.

Lembra-se de Hyunsik sempre que prepara macarrão, porque permaneceram as manias dele e o erro de colocar o macarrão junto da água fria. Sempre deu errado e nem é do jeito que Minhyuk gosta, ele prefere o molho muito mais doce a ácido, mas fica essa parte de Hyunsik, e Minhyuk já não a quer longe agora.

No segundo mês ele muda o cabelo, corta as pontas e pinta de um vermelho vivo que sempre caiu bem ao escuro de sua pele. Compra sapatos novos e enche uma prateleira dos que nunca vai usar. Pinta as unhas porque é a nova moda e começa academia por uma semana.

Começa aulas de danças e conhece um novo rapaz. O cheiro do novo perfume fica colado na camisa de Minhyuk, misturado a álcool e suor e os roxos no seu pescoço que pintam pontos de vermelho e prazer.

Planeja viagens que não fará, e sorri.

No terceiro mês, Minhyuk cultiva plantas. Cultiva todas as espécies de chá que consegue e planta cem flores.

Algumas morrem no processo de aprendizagem, e a cada uma delas que não sobreviveram, é como se uma parte do seu pior lado definhasse junto e assim ficam as folhas mais verdes e mais altas. Aprende sobre cuidado e amor diário. Sobre temperaturas e tempo de exposição, cheiros novos e quais misturas mais lhe agradam.

Também é bom ter mais vida dentro de casa — ele diz. É como ter companhias não tão silenciosas e aprender a apreciar cada um dos seus sentidos. E assim o pequeno apartamento de cômodos apertados abraça os raios de Sol deitados em tons de verdes e vermelhos, rosas e azuis e as flores que Hyunsik deixou antes de ir embora.

Mortas, guardadas no vaso mais bonito no centro da sala.

Igual o suposto amor que Hyunsik lhe ofereceu.

Se convence da realidade de que o amor é tão sobre ele quanto sobre o outro. E se ama baixinho, no começo, aparando os detalhes das folhas que o fazem despencar.

No sexto mês Minhyuk respira. Fundo. Porque todo esse tempo parece ter sido prisão auto infligida e castigo eterno — e foi; a falta de Hyunsik já sussurra tão baixinho que se mistura ao barulho do vento batendo nas cortinas. E talvez a falta já nem seja mais de Hyunsik, mas apenas dos dias que passaram e nos quais houveram sorrisos longos e sonhos completos escritos em papel seco e claro.

De tudo que ficou: ele. E é suficiente. É inteiro.

É amor que transborda, e não é necessário ninguém para completar. As flores se tornaram pó dentro do vaso de vidro tão barato quanto elas e assim Minhyuk se refaz e as mantêm.

Como aviso para nunca mais tentar se encaixar em meias paixões que não contenham o seu nome escrito na porta, para que não tente mais outra e repetidas vezes se anular pelo afago tropeçado de uma mão que não cheira ao seu perfume.

Relê as cartas na caligrafia bonita de Hyunsik, uma e duas vezes. e as tranca no fundo de uma gaveta velha com o acúmulo dos seus piores rascunhos — resultados dos seus piores amores, também com os quais mais aprendeu a se amar e não precisar de promessas que não sejam as suas.

Reforma os vidros do banheiro e o chão da sala. Escolhe novos azulejos para cozinha e compra cortinas novas e amarelas, diz que a cor lhe traz felicidade e o sol reflete mais bonito pela casa quando bate em suas beiradas. Que é a cor do seu coração.

Não reforma as janelas. As deixa abertas, todas, escancaradas. Que entre quem puder entrar, e que fique só quem trouxer amor.


Notas Finais


então é isso, amiguinhos, no mês do urso a gente aprendeu que: se amem, sejam a sua prioridade, não importa quanto doa fazer certas escolhas, nem quem vá embora da sua vida, desde que você fique e que você se ame como esse ser humano incrível e complexo que você é - afinal, como mamain diz, "você não nasceu grudada em ninguém" obrigada a @bimis por essa capa incrível que eu tô surtando de amores até agora ♥, @diazepam pela betagem e a paciência em me ouvir pedir mil coisinhas ♥ bejos E TRATEM DE SE AMAR


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