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História Rosè - Capítulo 7


Escrita por: e Ashsempokemons


Notas do Autor


Olá, seres habitualmente noturnos, pessoas com horários desestabilizados pelas circunstâncias e jovens que promovem aglomerações virtuais,

Primeiramente gostaríamos de agradecer a Angieficzeiras , do Instagram @ficzeiras, por toda a divulgação que ela tem feito. Sigam o Instagram dela porque ela é uma pessoa maravilhosa e só dá dicas incríveis!

E novamente, cheshireVanclair , você é sempre o abraço para onde corremos. Obrigada por isso e por corrigir nossos erros. Na vida e aqui. Sigam esse homem incrível no Twitter, @princefoxrose.

Vocês já sabem, à essa altura, que temos uma percepção de tempo peculiar. Entretanto, seguimos a ideia continuar pedindo perdão por deixá-los ansiosos. Ao menos queremos crer que estiveram esperando por essa sequência.

Sem delongas e monólogos, sugerimos a música Cosmos - Hazy

Sigam conosco.

Boa leitura.

Capítulo 7 - Palavras e Morangos


Vozes abafadas soavam mais altas do que deveriam, causando perturbações em meu sono tranquilo. Por um momento pensei estar iniciando um novo pesadelo, dos tantos que me acompanharam durante a vida. A maneira como o tecido macio e o e a dor incômoda pareciam muito vívidas denunciaram que era a realidade quem tomava minha consciência neste momento.

— Você nunca vai fazer a coisa certa! A única forma de termos paz é quando você está do outro lado do mundo. Será possível que você não aprende?

— Eu...

— Cale a boca! Por hoje já chega. Mais uma vez você arruinou tudo. Obrigada. Mais um único deslize e não vai ter Michael que me impeça de te colocar em um avião para onde você deveria ter ficado. Entendeu bem? — Silêncio — Eu perguntei se você me entendeu.

— Ei, você prefere descansar? — Sussurrou demonstrando um carinho quase palpável.

Ela havia assumido a culpa pelo acidente e, por isso, Clara havia ameaçado mandá-la de volta a Londres. Esta convicção soterrou meu estômago em mal estar, inibindo qualquer resquício de apetite que pudesse haver. Assenti.

— Tudo bem. Teremos bastante comida quando você acordar. — Um pequeno sorriso se formou em seus lábios, nenhuma sinceridade nele. — Quer que eu toque para você dormir?

O Piano de parede se misturava aos tons de madeira de todo o ambiente, mas ainda se destacava de alguma maneira, como se todo o lugar houvesse sido construído a partir dali. Sem que fosse necessária resposta, ela caminhou até o instrumento, sentando-se de costas para mim. Não pude identificar a canção a princípio, mas logo concluí tratar-se de uma de suas composições. Diante dos recentes fatos, observei o céu através do vidro no teto. As notas pareciam lançar sal sobre feridas profundas, uma total ironia àquela altura. Por meses a fio eu havia ansiado por uma chance como aquela, os questionamentos serpenteavam penetrantes por minhas ideias. Agora, contudo, eu temia por cada possível razão.

— Por quanto tempo você vai ficar, Lauren? — A apatia em meu tom mascarava uma ansiedade contida por hábito. Uma terrível angústia em expansão, comprimindo meus órgãos.

A intensidade de seus dedos sobre as teclas aumentou, assim como o volume do som que preenchia a lacuna de comunicação entre nós. Espreitei as estrelas e as pequenas nuvens, afugentadas pelo vento que as soprava a seu bel-prazer, covardemente evitando confrontar o real objeto de minhas inconstâncias.

— Quando foi que nos tornamos tão formais? — Ela soava frágil, seu questionamento atraindo minha atenção para a postura exausta, os ombros retraídos. — Quando passaram a haver tantos segredos entre nós?

Apoiei as palmas de minhas mãos sobre a cama, invadida por indignação. A melodia suave tornava a atmosfera morfética e lúdica, mas não impedia que desgostos e amarguras compusessem o cenário. Parcialmente sentada, equilibrava forças entre o ímpeto de buscar uma maneira de caminhar sem apoio até onde suportasse, abandonando todo aquele diálogo despropositado, e o desespero latente por respostas.

— Quando, Lauren? — Uma gargalhada sarcástica escapou por meus lábios, determinando o fim de minha resistência — Você quer saber quando isso aconteceu? Vejamos, por onde devo começar? Seria quando eu suportei todo o peso de me sentir completamente desprotegida enquanto aquele maldito voo decolava? Ou quando eu passava noites em claro para nos falarmos e, após poucas mensagens, você justificava com algo a fazer e logo as fotos em festas e sociais exibiam o quanto você estava perfeitamente bem e eu amargava a sua ausência todos os dias? Durante todo o seu primeiro mês fora, eu liguei insistentemente. Ouvir a sua voz seria o bastante para mim, Lauren, e todas as chamadas foram ignoradas. O pouco que eu sabia sobre você era através de Clara, que generosamente me manteve ciente de que você estava viva ao menos.

A harmonia se tornou mais veloz, interpondo minha fala e um soluço alto, seus ombros tremeram e aquela vibração enviou uma frequência que fez meus olhos arderem e minha garganta doer, contendo um choro irrefreável. Não havia maneira de cessar o jorro de palavras agora que haviam emergido à superfície de minha mente.

— Alimentei as esperanças de uma sequência de apresentações em Londres, não pela grandiosidade disso para as nossas carreiras, mas porque assim eu poderia estar com você por um tempo. Quando Clara decidiu que não estávamos prontos, eu estive à beira de um colapso. Busquei formas para economizar o dinheiro da passagem, mas não poderia ser tão irresponsável com Alejandro e Sofia. Doeu saber que, se eu pedisse a você, logo tudo estaria resolvido e nos primeiros meses eu não teria suportado a vontade de me dobrar e te dizer tudo isso. Mas felizmente você não estava lá, Lauren. Minhas tentativas de aproximação foram penosamente frustradas pelas barreiras que você ergueu. Conseguir qualquer forma de contato com você tem se tornado cada vez pior. A sua rotina insana, de uma jovem rebelde pelas ruas londrinas, não deixa tempo para que você ao menos se lembre do dia 16 de outubro. E não me entenda mal. Eu queria — solucei —, eu quero que você seja feliz e tenha uma vida incrível e maravilhosa. Chame de egoísmo, mas eu apenas queria fazer parte dela.

Enquanto a última nota morria, tudo em mim parecia ressoar de maneira dissonante.

— Camila, eu...

— O que? Você o quê? Não tem sequer coragem de olhar para mim enquanto falo. Nós costumávamos ser como uma família. Por toda a nossa vida nós nos apoiamos quando as coisas ficaram realmente ruins. Eu estou exausta de ser abandonada. E sabendo disso, foi exatamente o que você fez. Então não venha me cobrar respostas e satisfações porque você não estava aqui. Então apenas me diga até quando você vai estar para que eu não crie hábitos com os quais...

— Você não estava sozinha, Camila! Mas que merda! — Era quase um grito calando meu monólogo frenético. Havia descontrole em seus olhos quando finalmente pude vê-los, seu rosto avermelhado e lavado em espessas lágrimas. — Eu estava. Você tinha Allyson, Dinah, Normani, Shawn e Harry. Até mesmo a Clara. Eu estava sozinha debaixo de toda aquela chuva que parecia nunca terminar, em uma cidade acinzentada e fria. Admito que cometi um erro. Acreditei que seria mais fácil se você pensasse que estava tudo bem. Nas primeiras semanas, Clara confiscou o meu telefone para que me concentrasse na nova escola. Eu teria implorado para que você fosse até lá se houvesse qualquer forma de fazê-lo. Tive o aparelho de volta com a condição de que mantivesse as notas altas. Você tinha uma vida aqui e interferir nisso seria muito egoísta da minha parte. Eu não podia... Eu não queria atrapalhar o seu desempenho. Esperava que se concentrasse na dança, na escola. Você não deveria estar perdendo noites de sono por mim. Não houve um mísero dia naquele país em que eu não desejasse com todas as minhas forças voltar a Miami.

— Você deveria ter me dito isso! Eu estaria aqui para você.

— Te dizer isso nos machucaria ainda mais. Não havia nada que nenhuma de nós pudesse fazer.

Cobri o rosto com as mãos, permitindo que a veracidade em todas aquelas palavras agisse abrasiva sobre minhas certezas. Eu também a abandonara, incapaz de compreender suas razões, absorta em minha autopiedade descontrolada. Por outro lado, todos os esforços de minha melhor amiga em me manter distante de sua dor haviam surtido o efeito esperado. Cada sacolejo em meu corpo, resultado dos soluços incontidos, parecia derrubar o peso vão em meus ombros. Alívio e dor resultando em um composto agridoce, mas balsâmico. A compreensão de tempo não teria qualquer relevância enquanto nos permitíamos tomar ciência da dor e deixá-la ir.

Menta e maresia adentraram vagarosamente meu sistema enquanto minhas mãos eram tomadas entre as suas. Novamente agachada ao lado da cama, ela sustentou meu olhar.

— Me perdoe, Camz. — Inspirou antes de seguir aos sussurros. — Eu fui imatura e te magoei por isso. Deveria ter sido honesta e permitido que passássemos por isso juntas.

— Você não precisava ter assumido a culpa por mim. — Ela sorriu, os olhos diminutos transparecendo sinceridade. — Não deveria ter se metido em problemas. Eu senti tanto a sua falta.

— Não precisamos mais falar sobre isso, Camz. Você precisa descansar. 
Sem aguardar reação, se levantou, meticulosamente manejando a manta disposta aos pés da cama para cobrir o que era possível de meu corpo, afastando o que pudesse tocar a ferida aberta em minha coxa. Um golpe de exaustão física e emocional alastrou-se por meus sistemas, provável resquício da medicação forte à qual fora submetida, enquanto era auxiliada na tarefa de me deitar. Sucumbi ao peso em minhas pálpebras e as agradáveis carícias de Lauren em meus cabelos.

Lar.

— Laur... — hesitei letárgica — Lolo, até quando você fica?

— Eu não volto à Londres, Camz. Minha volta é definitiva.

Não havia mais nada a ser dito. A reorganização das partículas caóticas em meu interior se daria através da reação química contínua causada por sua presença constante. Nós ficaríamos bem. Preenchida por alento e embalada por poucos soluços teimosos que ainda insistiam em permanecer, abracei a inconsciência tranquila e pacífica. Mergulhei em um sono sem sonhos.

***

— Bom dia, Estrelinha. — Antes que pudesse, de fato, despertar, a ouvi dirigir-se a mim de maneira leve e alegre. Lenta e continuamente as informações começaram a ser captadas por minha consciência.

As cortinas estavam fechadas, bem como o forro retrátil cobrindo os espaços de vidro no teto. Aquele lugar era como um santuário para Lauren e havia sido cuidadosamente projetado por Mike. O valor investido naquela estrutura certamente superava, e com larga margem, o custo de toda a minha casa. O Jardim de Inverno, enquanto uma espécie de refúgio, havia sido também uma forma de estar próximo da filha enquanto decidiam juntos os menores detalhes.

— Fique de olhos fechados, Camila. Vou abrir as cortinas. — Sorri, habituada as orientações cuidadosas. O ruído baixo e mecânico e a luminosidade que incidia de forma rubra sobre minhas pálpebras cerradas, bem como o aroma que preenchia todo o ambiente, resultavam em uma combinação absolutamente aprazível.

Abri os olhos, permitindo que minhas pupilas absorvessem a claridade. Era um dia atipicamente nublado em Miami, havia uma neblina densa sobre o mar visível mais à frente. Lauren estava sentada aos pés da cama, a expressão de pura ansiedade no rosto fazia-me recordar a de uma criança as vésperas da Páscoa. Sobre seu colo, uma bandeja repousava, dois copos de suco, uma tigela com um punhado de frutas vermelhas e um prato com panquecas fumegantes. Meu estômago, repentinamente, pareceu oco e dolorido. Estava ciente, agora, das muitas horas sem ingerir qualquer alimento sólido e nenhuma outra informação poderia atrair minha atenção naquele instante. A gargalhada, encantadoramente infantil como suas feições, compunha esse cenário cativante.

— Estou ouvindo os roncos do seu estômago daqui. — Ela disse se aproximando e depositando o café da manhã cuidadosamente entre nós, a uma distância segura do ferimento quase esquecido agora. — Precisa de um analgésico?

— Estou bem, Lo. Essas panquecas... — Ela riu novamente.

— São as minhas panquecas de banana. Você está com sorte.

Alcancei alguns mirtilos e o copo de suco, afoita e animada. Os sabores pareciam ainda mais acentuados, era extasiante e um verdadeiro alívio. A posição, entretanto, não me permitiria alcançar o prato.

— Mas eu preciso... — Me remexi, quase engasgando com a dor repentina. Choraminguei agoniada. — Acho que vou precisar do analgésico.

Os lábios de Lauren se comprimiram em uma linha, sabia que estava segurando as repreensões por minha ansiedade e os lamentos por ter posto a comida de forma que acabasse me causando dor, mas também havia algum humor em meus gestos absolutamente afoitos e desajeitados. Dando a volta, ela logo me estendeu o comprimido, engolido prontamente com a ajuda do suco.

— Você consegue se acomodar no meio da cama? — Assenti. — Com cuidado, por favor.

Lentamente, ignorando pontadas moderadamente incômodas, apoiei os punhos no colchão macio, me erguendo. Com espaço o suficiente, Lauren passou a me auxiliar na tarefa de apoiar o tronco nos travesseiros e encontrar uma maneira de sentar-se ao meu lado, apoiando a superfície de madeira em seu colo assim que se virou de frente para mim.

— Creio, Srta. Camila Cabello, que não vai se importar em receber alguns mimos enquanto se recupera, não é mesmo? — Cortando uma generosa fração de panqueca, a mão espalmada por baixo do talher para aparar uma possível queda, ela trouxe o garfo até minha boca. Sequer hesitei, extasiada pelo sabor adocicado que há tanto não sentia. Fechei os olhos absorta, apreciando o aroma e a sensação de saciedade quando não tardei a engolir. — Abra a boca, Camz.

Após o terceiro pedaço, voltei a contemplar a paisagem, vagamente atenta à mão trêmula de Lauren que seguia a tarefa de me alimentar. O silêncio confortável funcionava como uma moldura perfeita, as ondas quebrando ao longe. Afastei qualquer questionamento incômodo que ousava escorregar até a ponta da língua. Ingerindo palavras e morangos no café da manhã, era quase como se o tempo não houvesse passado.

— Que horas são, Lo?

— Pouco mais de 9h. Você pode dormir mais se quiser, eu não queria interromper seu descanso.

— Como dormir? Preciso ir logo para casa. Seja qual for a mentira que vocês inventaram para o Alejandro, ela não vai aguentar por muito tempo. Aliás, que foi que disseram para ele?

— Não dissemos nada ao Ale, Camila. Eu disse. O mesmo que disse a Clara. Que peguei emprestada a moto de um amigo para te surpreender no Studio e que exagerei na velocidade quando estávamos indo para a sua casa.Uma culpa amarga tornou a surgir, uma prova de que todas as atitudes de Lauren eram sempre voltadas a encontrar uma maneira de me proteger.

— Aonde você pensa que vai? — Soou indignada quando falhei em me levantar apressadamente.

— E para onde mais eu iria? Vou para casa. Alejandro deve estar louco de preocupação e tudo o que eu não preciso agora é piorar ainda mais as coisas.

— Você não vai a lugar algum, Camila. Estive falando com o seu pai ainda há pouco. Você fica.

— O que? O que faz você pensar que, tendo acabado de chegar, tem o direito de me dar qualquer tipo de ordem? — Soando mais incisiva do que desejava, constatei cada mágoa, ainda que atenuada, que ainda residia em minhas entranhas.

— Eu deveria imaginar. — Acidez também em suas palavras.

— Suas suposições não fizeram muito por nós até aqui.

Eu a havia atingido, entrincheirada em ressentimento. O hábito de auto preservação latente desfocando outras percepções.

— Você não vai correr para casa e ficar sob os cuidados daquele seu namoradinho irresponsável, se é o que você quer. O seu pai deixou bem claro que não poderia te proporcionar os devidos cuidados porque não pode se ausentar do trabalho e tenho certeza de que você não gostaria de dar esse tipo de responsabilidade para a sua irmã.

— Precisamos esclarecer algumas coisas por aqui, Lauren. — Minhas hemácias certamente haviam atingido ponto de ebulição. — Você nunca teve a autoridade de tomar qualquer decisão por mim. Não lhe permiti isso antes e certamente não seria diferente agora. Dito isto, saiba que você perdeu qualquer direito de me fazer cobranças quando decidiu me manter de fora da sua vida por todo esse tempo. Existem partes de mim que você não conhece e que não lhe dizem respeito. O Nick é parte disso. Eu não quero ouvir você questionar qualquer coisa relacionada a isso e não vou tolerar ironias e insinuações. Eu agradeço pelo que você está fazendo, mas se for desta forma, eu saio daqui agora mesmo e conto a verdade para a Clara e para o meu pai e não precisaremos mais sequer falar disso. Está claro para você?

Seus olhos estavam lívidos de frustração e derrota. Nossas fraquezas eram semelhantes e, por isso, instintivamente eu poderia usá-las como defesa. Passei a ofegar enquanto repassava em minha mente formas de me levantar e chegar até minha casa sem a sua ajuda. O cenho franzido, os lábios entreabertos como se buscassem palavras para replicar meus argumentos, ela fechou os olhos e suspirou, massageando as têmporas. Havia em mim uma tensão não dissipada, causada pelos eventos agudos de minhas últimas horas de consciência, instigando respostas agressivas ao menor movimento. A visão da garota a minha frente, novamente fragilizada e abatida, aplacou a tormenta que se formava em meu horizonte.

— Você tem razão. Perdão. — suspirou novamente, tornando a buscar meus dedos entre os seus. — Camz, o seu pai me pediu que cuidasse de você apenas por esses primeiros dias. Ele estará ocupado com o trabalho e precisa dar atenção a Sofi. Eu prometo que farei tudo ao meu alcance para tornar os seus dias aqui agradáveis. Podemos pedir pizza, assistir aos filmes que você escolher e... E conversar, sabe? Costumávamos ser boas nisso.

— Eu sinto falta da Sofi. — As nuances de tristeza em sua voz reverberaram em mim, marejando meus olhos. — Realmente prefiro ir pra casa.

— Por favor. Você pode ficar? Eu sinto a sua falta, Camz.

Inspirei tão fundo quanto pude, resoluta a não correr em círculos pela última noite. Ainda via à minha frente uma das pessoas que demonstrava mais amor por mim em toda a nossa vida. Vencida, cruzei os braços em um muxoxo teimoso. Ela se levantou, parecia pouco aliviada, mas satisfeita.

— Onde você vai?

— Começar a cumprir minha promessa.

— Como assi... Lauren, o que você vai fazer?

Ignorando, ela atravessou rapidamente o jardim, cruzando a porta e fechado-a atrás de si. Rolei os olhos, tomada por arrependimento de ter amolecido diante dela.

Sorrateiramente, minha consciência vagou até a imensidão de água salobra a frente, banhada em reflexões irrefreáveis. Havia um curto período em minha memória do qual derivava qualquer resquício de apego a infância, a imagem vivaz e incerta de uma manhã ensolarada com Alejandro e Sinu. A mulher gesticulava efusivamente enquanto eu era agitava sobre os ombros de meu pai, que corria a beira da água enquanto a perseguia. A ansiedade de que conseguíssemos alcançá-la, a adrenalina de estar acima do chão e o vento soprando em meu rosto ainda latentes. Uma sinergia perfeita e irônica. Por um ínfimo segundo, enquanto o asfalto quente se aproximava perigosamente, pude reconhecer a familiaridade. Como uma recordação infantil, a ciência da fragilidade humana espreita detrás de cada pensamento, enquanto resignadamente buscamos ocultar esta informação de nossas vistas. A garotinha sobre os ombros de Alejandro e a bailarina sobre a moto, frente a frente, e eu sequer saberia apontar diferenças reais entre nós. Ainda havia a ansiedade de alcançar algo, a adrenalina de flutuar velozmente e o vento, frio e cortante. A coexistência de momentos distintos em espaço e tempo, mas que se haviam convertido em recordações de medo e dor. Quão frágil poderia ser a existência? Mais curta que o bater de asas de uma borboleta?

A imensidão do mar parecia me engolir agora, tão densa quanto a escuridão sob minhas pálpebras avermelhadas.


Notas Finais


Parquinho devidamente incendiado.

Sem promessas e com esperanças de que nos vejamos em breve, não deixem de nos seguir no Twitter @AshSemPokemon e @JustAJuliet. Aceitaremos sugestões, cometários e tomates maduros.

Um recado importantíssimo do nosso correio elegante:

"ISA, ESPERO QUE VOCÊ LEIA O CAPÍTULO E NÃO ME ENROLE!"

Aos que vieram do futuro, um até breve.

Nos vemos no próximo ensaio.

Pash


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