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História Rotas do Destino - Capítulo 1


Escrita por: LadyDestler

Notas do Autor


Nova história do nada? Que?

Pois é gente, foi mal kkkkk acontece que eu assisti um filme recentemente, que me tocou muito e me deu inspiração para fazer essa história. Ah, claro, e também reassisti ao Fantasma da Ópera de 2004 e, mais uma vez, morri de ódio da Christine. Queria dedicar essa fanfic à ela 😈❤

Boa leitura!!

Capítulo 1 - Uma trágica notícia


Vinte e dois anos... fazia vinte e dois anos desde que a "bela moça" abandonara a "aberração" que habitava o fundo dos teatros. Ela não só o abandonou, ela o humilhou na frente de todos, usando a sua maior fraqueza contra ele, não o poupou de xingamentos e desrespeitos, pouco se importando em como ele se sentiria. Na verdade, ela não se importava com nada; perdeu o amor e o afeto de sua querida cuidadora, a bondosa madame Giry, que acolheu tanto ela quanto seu professor como seus próprios filhos. Perdeu a amizade de Meg Giry, a de Sorelli e Jammes, e se afastou de sua cidade natal, mas pouco importava para a viscondessa. Orgulhosa, Christine de Chagny era famosa em Nice e sempre estampava as melhores notícias nos jornais e na antiga mídia. Afinal, com seu desejado marido Raoul e seu mar de dinheiro e herança, nada poderia afetar em sua vida... bem, isso era o que ela pensava. Não sabia nada sobre o Maestro e nem queria saber; para ela, Érik poderia queimar em dor e agonia para toda a eternidade, ela não se importava... apesar de, no fundo, ela ainda obter um pouco de desejo por ele. Pelo corpo dele, mais precisamente.

Não é como se ela desprezasse o marido, pelo contrário, mas o corpo e a figura misteriosa de Érik ainda a chamava um pouco de atenção, nas poucas vezes que ela se lembrava dele. A elegância e o bom desenvolvimento físico que ele tinha podiam ocultar a face deformada que Christine tanto odiava, e realmente, talvez se deitar com Érik não fosse tão ruim, ainda mais se fosse apenas uma vez... uma vez para destruir o resto de esperança que ele guardava. A agonia de Érik e a falta de amor-próprio que ele tinha divertia a De Chagny. Era prazeroso lembrar daquele rosto chorão, as lágrimas sofridas escorrendo no rosto horrendo enquanto ele ouvia aquelas heresias... ah, se era bom para ela! Alguns podiam chamar de sadismo, outros preferiam interpretar como uma mulher forte e independente passando em cima de seus inimigos. Todavia, como já foi dito antes, ela não sabia o que havia acontecido com Érik, e saber a verdade poderia ser a pancada mais dolorosa que Christine já recebeu em toda a sua vida.

⊱−−−−⊰ ⋆ ✦ ⋅ ✩ ⋅ ✦ ⋆ ⊱−−−−

Nice, França, 1902

Eram duas da tarde, e tudo estava calmo na mansão onde os De Chagny moravam. Christine se sentia entediada, jogada como uma boneca de pano no sofá e assistindo as luzes teatrais no lustre do teto. Seu marido estava demorando para chegar, e isso já a estressava, mais do que os empregados - ou melhor, servos - fazendo a "coisa errada". Sem ânimo para continuar o dia, ela se levanta e resolve ter um pouco de diversão, já que Raoul não estava colaborando com sua pessoa. Ela se direciona até a cozinha e fita discretamente uma das empregadas lavando a louça, já com um sorriso maldoso esboçado.

- Foi lavar a louça sem ninguém mandar, Louise? - a serva se espantou, olhando rapidamente para trás - Está tentando se passar melhor do que os outros servos, para agradar os patrões?

- Não, senhora. - Louise respondeu, com calma por fora mas morrendo de raiva e medo por dentro.

- Ah, não? Então por que fez essa gentileza, minha serva? Não ache que nos engana, você não é melhor do que ninguém. Vocês não são melhores do que nós, então passe a enxergar o seu lugar. - A ex-cantora se vira - Termine essa louça e vá lavar os banheiros, sua porca repugnante!

Christine deixou o quarto e Louise ficou a só, deixando derramar uma lágrima de seus lindos olhos. Tão jovem, sendo usada por nobre mais velho...

Enquanto isso, a viscondessa se sentou no sofá, voltando ao ciclo de tédio novamente. Tudo ficou melhor quando Raoul de Chagny abriu a porta, revelando um rosto mal-humorado e cansado, diferente do que ele costumava apresentar. A mulher saltou do assento e pulou nos braços do deu marido, empolgada.

- Raoul, Raoul! Que maravilha te ver, estava entediada e com saudades!

- Claro - respondeu, seco - Quer fazer o favor de atender aqueles sujeitos? São dois jovenzinhos querendo encrenca, va ver o que eles querem lhe dizer. - ele adentrou a sala de estar, jogando o casaco em uma cadeira e dando um profundo suspiro.

- Me dizer? Mas tem certeza que...

- Vá logo, mulher! - falou com ignorância.

Sem querer discutir com o marido, ela se virou até o jardim e fitou a imagem de dois jovens, um garoto mais baixo e uma garota mais alta e mais madura. Os semblantes deles a lembravam de algo estranho, um dejavu, de alguma forma ela sentia que conhecia aqueles rostos. Ambos usavam roupas comuns, nem nobres e nem pobres; o garoto tinha uma pele levemente amorenada, olhos castanhos-escuros e um cabelo liso e preto. Já a menina era branquinha, com sardinhas no rosto, cabelos ruivos e ondulados, e olhos de cor castanho-claro. Mas quem eram aqueles dois cidadãos?

- Com licença, senhorita de Chagny - pediu a donzela, educadamente.

- O que quer? - Christine respondeu, grossa.

- Me desculpe se estiver incomodando - ela não demonstrou ter sido afetada pela recepção seca da nobre - Meu nome é Elizabeth Giry e esse aqui é meu irmão, Gabriel. Estamos te procurando à demanda de alguém, e esse alguém lhe entregou uma carta.

- Espero que seja útil e que não estejam desperdiçando o meu tempo. - Christine agarrou a carta das mãos da ruiva, sem que ela nem tirasse o cartão completamente da bolsa, e abriu com desgoto.

"Querida Christine, meu anjo

Sei que já fazem muitos anos, mas eu preciso lhe fazer esse pedido. Espero que, no fundo, você ainda goste de mim, pelo menos um pouco. Eu estou morrendo. É difícil encarar essa realidade, mas é verdade. Eu estou terrivelmente doente e preciso da sua visita, mais uma vez, para me lembrar de como você era boa comigo antes de ver o que tinha por trás da máscara... o que ainda tem, infelizmente. Essa é a única forma que eu tenho de me desculpar com você e de poder descandar em paz. Se puder me realizar esse desejo, eu agradeço. Eu estou morando na casa ao lado de madame Giry, e ela ainda mora no mesmo lugar de sempre, na última casa da rua L'Anneul. A minha, portanto, é a penútima casa. Meus assistentes te levaram até Paris e te ajudaram e tudo o que é possível, e se quiser trazer o seu viscondezinho, assumo que não há problema algum.

Eternamente gradecido,

Seu velho e falho Anjo da Música, Érik."

- Ah, que ótimo... - ela debochou.

- Nós chegamos até aqui na tentativa de ajudá-la, mas não forçaremos a senhorita a nada. - a ruiva continuou, com rosto sério e sem muitas delongas, já que fora avisada da personalidade difícil de Christine.

- Não, não, tudo bem... vou chamar meu marido. Essa vai ser a minha chance de ver aquele verme sofrendo pela última vez, e então ele vai dormir no abraço frio e cruel da morte. Estou tão feliz, nada nunca me fez tão animada!

- Sem querer ser intrometido... - falou o garoto, tímido - Mas, o que a senhorita tem de problema com o senhor Érik?

- Ah, nada demais. Ele era apenas um professor de música que achou que teria uma chance comigo, e só porque a mamãe não o quis em casa, ele achava que tinha direito de implorar pelo meu amor. Patético! - ela riu e rasgou a carta, amassando-a entre as mãos.

Elizabeth fechou o rosto, em fúria, mas disfarçou da viscondessa.

- Nós não aconselhamos a senhorita a magoá-lo, o coração dele está muito fraco.

- Bobagem! Ele merece ter o coração parado. Mas enfim, Elizabeth e...?

- Gabriel - respondeu o jovem moreno.

- Certo, Gabriel e Elizabeth. Vou chamar meu marido, teremos uma boa viagem para Paris! Ah, que nostalgia!

"Ele estava certo..." comentou a ruiva, enquanto abraçava de lado o seu pequeno irmão. Como alguém poderia ser tão cruel e soberba a esse ponto? Érik cometera erros, sim, mas os reconheceu e pediu perdão, algo que nem Raoul e nem a ex-aluna fizeram. Ah, eram mistérios da humanidade que ninguém seria capaz de explicar... pessoas assim, seria melhor ignorar e seguir a vida. Os jovens fitaram a imagem de Raoul os observando pela porta, e mesmo indiferente pela presença deles, os convidou para entrar.

⊱−−−−⊰ ⋆ ✦ ⋅ ✩ ⋅ ✦ ⋆ ⊱−−−−⊰

- Conheci Érik quando tinha seis anos. - Christine presseguiu, derramando chá dentro da chícara para Elizabeth - Era apenas uma menina tola, órfã, que achou um certo apego nele. Mas sinceramente, eu era inocente demais para entender que o lugar de pessoas como ele e pessoas como eu são diferentes, bem diferentes. - continuou, botando o chá para Gabriel - Ele me deu aulas severas de música, me treinou e me fez cantora. Quando tinha dezoito, ele fez de tudo para que eu alcançasse a estrela do palco, e valeu a pena, porém certamente eu preferia uma vida fácil do que cheia de trabalhos e pessoas insuportáveis ao meu ouvido. - ela se ajeitou na cadeira, esfriando seu próprio café, enquanto os jovens a observavam e a ouviam atentamente - Enfim, quis ver o rosto dele e me arrependi, vi um monte de peles sujas e gastadas grudadas em um rosto feiamente pálido. Certamente corri para os braços do Raoul, meu amigo de infância, até porque essa é a clássica história da "donzela em apuros, fugindo de uma aberração e casando-se com um príncipe encantado". E eu te garanto, De Chagny é um verdadeiro príncipe encantado... ah, amo esse homem!

- E como o pa... digo, Érik, reagiu a isso? - perguntou a ruiva.

- Depois de eu abandoná-lo e exposto o rosto dele em público? Ele enloqueceu de raiva, me levou à força para o subterrâneo e tentou se humilhar pra mim, implorando o meu amor e minha atenção... ah, que homem asqueroso! - expressou com raiva e desprezo - Mas enfim, tudo ocorreu bem. O humilhei de novo e fugi com meu marido, fiz Érik prometer que nunca mais olharia na minha cara. - ela bebeu um pouco de café, ainda rindo pela história - E parece que ele esqueceu dessa promessa... mas tudo bem, se ele quer me ver, que me veja!

- Vejo que sua relação com ele não é nada amigável - comentava a ruiva, tentando disfarçar sua indignação - Mas isso não importa agora. Só viemos até aqui para levar a senhorita em segurança até lá, e para ajudá-la com as passagens, é cla...

- São pobres, não vão pagar a passagem. Eu e Raoul pagaremos tudo, não se preocupem, mas agradeço a consideração - ela largou um sorriso forçado, o que provocou um pouco de raiva e medo em ambos os jovens.

- Entendo...

- Quando você pretende ir? Érik não vai aguentar por muito tempo. - perguntou Gabriel, curioso.

- Ele pode esperar, mas realmente estou com pressa. Amanhã de manhã, partimos. - ela se levanta e faz um gesto para a serva, mandando-a arrumar a mesa. - E não pensem que durmirão aqui, vão arranjar qualquer canto lá fora.

- Tudo bem, senhora viscondessa. Agradeçemos a sua atenção - Elizabeth se despediu, levando o irmão até a porta.

Sem mais diálogos, os irmãos e o casal de nobres se separam.

⊱−−−−⊰ ⋆ ✦ ⋅ ✩ ⋅ ✦ ⋆ ⊱−−−−⊰

Em um simples quarto de hotel, os dois jovens mantinham o máximo possível dentro das malas. Não era preciso desarrumar se logo, de manhã cedo, partiriam com o casal De Chagny, ainda mais com o pequeno Gabriel morrendo de sono. A ruiva o ajudou a se ajeitar, tentavam não manter maus sentimentos e pensamentos dentro de si, amanhã era um novo dia e logo tudo isso acabaria, logo estariam em casa e em paz novamente.

- Por quanto tempo isso vai durar, Liza? - perguntou o jovem, encolhido nas cobertas.

- Eu não sou dona do futuro, Gab. Mas eu te peço para confiar em mim e em si mesmo, tudo vai dar certo. - ela se aproximou, sorridente, e passou a mão nos cabelos negros do garotinho - Você tem medo?

- Dele morrer? Sim. Mas não me importo com a senhorita Daaé, sinceramente...

- Eu entendo, mas não a chame de Daaé na frente deles. Raoul quer que ela se passe por esposa dele, tudo bem?

- Sim. A maioria dos homens são assim em relação à esposa. - ele se virou - Boa noite.

- Boa noite - Elizabeth depositou um beijo na bochecha do garoto.

Ambos foram dormir. Não era certo se estavam tranquilos ou não, até porque a doença de Érik era algo que os preocupava, e dependendo do que aconteceria entre Christine e ele, aquilo poderia ser fatal. Quem iria garantir que ele resistiria? Christine foi sua aluna mais adorada, sua única aluna, e aquele terrível incidente ocorreu, ao invés do que Érik esperava. Mas se era da vontade dele, quem eram os jovens para impedi-lo de ver o ex-interesse amoroso? As rotas do destino, afinal, sempre se cruzam em algum momento, nessa vida ou na outra.


Notas Finais


Ansiosos? Espero que suas expectativas estejam altas, e se vocês odeiam a Christine, não se preocupem, ela vai ter o que ela merece! E pra quem é inteligente (ou seja, ama o Érik), ele também vai ter o que ele sempre mereceu ❤❤
Beijinhos!!


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