História Roxo - Capítulo 22


Escrita por: e Balela

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 23
Palavras 1.361
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Drogas, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Eu quero viver!


Fanfic / Fanfiction Roxo - Capítulo 22 - Eu quero viver!

*Yaslin*

-Você tem certeza que não quer que eu te leve voando? - Nicômaco pergunta, nego com a cabeça.

-Não, está tudo bem - digo e suspiro fundo - eu consigo!

-Ah... claro - Ni fala e entrelaça nossos dedos, sorrio para o garoto.

-Somos dois pecadores, não é?

-Somos dois amantes da dor - ele responde - lados diferentes da mesma moeda.

Sorrio mais ainda para ele e selo nossos lábios por breves segundos.

-Espero que esteja certo - digo, até que vejo algo passar voando sobre nós, é rápido e quase perco o fôlego ao ver Roxo, Maximilian, Killan e Zaratustra indo em direção ao prédio de onde vieram, mas, algo estava diferente... Zaratustra, ele estava desaparecendo.

Começo a correr.

Tento acompanhar o rítmo do vôo deles mas não consigo, são rapidos demais, e em poucos segundos um terremoto começa me fazendo cair. Tento ficar de pé e voltar a correr.

-Yaslin! - ouço Ni gritar atrás de mim mas eu já estava longe.

Não vejo o momento certo em que caio no precipício. Eu estava olhando para cima, estava tudo muito estranho, e agora eu estava caindo de uma altura enorme. Não consegui abrir os olhos por conta do vento forte, só sei que em certo ponto senti meu corpo inteiro doer, ao meu redor sinto um líquido me envolver, abro os olhos e percebo que havia caído em algum lago como o que Roxo caíra no primeiro dia nesse mundo.

Vejo nicômaco lá em cima descendo para me buscar. Fecho os olhos novamente e percebo que chego ao fim do lago quando sinto vários ossos ao meu redor. Me rendo a eles. Sou pego pelo sangue, e nesse momento imagens começam a aparecer a minha frente.

Era uma mulher, ela estava sentada em um banquinho ao lado de um berço, seus dedos passavam por várias fotos antigas de algum bebê. O lugar estava repleto de brinquedos, mas tambem havia muita poeira ali. Ela chorava. Ao lado, sobre uma pequena mesinha havia uma foto dela com a criança, em baixo estava escrito "Feliz aniversário! Um ano completo! Você cresce tão rápido! Será uma menina muito linda e amada, Siren Oceanus".

A porta do quarto é aberta, um homem alto entra, seus olhos estavam vermelhos e sua expressão estava cansada, ele senta ao lado da mulher e a abraça, logo outro homem chega, esse era mais velho e segurava alguns papéis nas mãos.

-Foi confirmado o teste de DNA - ele diz com a voz embargada pelo choro - o corpo da garota que encontraram naquele país... é realmente nossa filha - os três começam a soluçar de tanto chorar.

-Tomaram meu bebê de mim - a mulher choraminga, me aproximo dela e observo melhor seu rosto, ela parecia muito comigo - e-ela sofreu?

-A polícia disse que ela foi mantida em cativeiro, só sabemos disso... - o mais velho fala - ela se matou, cortou os proprios pulsos e coxas com pedaços de espelhos.

Os três voltam a chorar.

-C-calma, mãe - o homem mais novo fala pra mulher - calma...

-Machucaram Siren! - ela grita - machucaram minha filha!

-Será que ela tinha alguma memória nossa? - o mais novo pergunta.

-Ela só tinha um ano quando foi levada... - o mais velho responde - acho que nem o próprio nome se lembrava, lá no lugar onde ficava era chamada de Yaslin, e as pessoas achavam que ela era um homem.

Sinto minha respiração ser perdida nesse momento.

-Por quê? Por quê nunca a achamos? - a mulher se levanta em um solavanco.

-Nós tentamos... amor - o mais velho fala, a mulher segura a própria cabeça como se fosse explodir.

-Mãe? - pergunto um pouco inseguro, minha voz não parecia querer sair - ma-mamãe? É você?

A mulher vai até a mesa e pega a foto que tinha ali, ela passa a ponta dos dedos ali como se estivesse tentando resgatar memórias.

-Desculpa, filha, desculpa por ter deixado isso acontecer...

-Amor, você não sabia...

-Foi culpa minha! - ela grita e volta a soluçar - eu só queria ver ela sorrindo mais uma vez, eu só queria o meu bebê de volta.

-Mãe! - grito e vou em sua direção - Mãe! Eu tô aqui! Eu tô aqui! Mãe! Mamãe!

-É melhor deixarmos ela a sós - o homem mais velho fala.

-Pai? - perco minha respiração novamente - eu tenho um pai?

-Me desculpa... filha - o homem diz e sai do quarto.

-Não! Espera! Eu estou aqui! Olha pra mim! Eu tô aqui! Por favor! Por favor!

-Mãe, não podemos mais mudar as coisas - o garoto alto diz e segue o mais velho.

-Irmão? - pergunto e o sigo para fora do quarto, paro de andar quando chego no corredor estreito, era uma casa pequena mas muito acolhedora. Olho para a batente da porta de onde saí. Vejo alguns riscos coloridos no começo dela. Minha mãe sai do quarto com um lápis de cor na mão.

-Amor - ela chama meu pai que estava ali perto na cozinha vendo os papéis que estavam em suas mãos antes - já fizeram a autópsia?

-Sim.

-Ela era molestada? - o homem suspira fundo.

-Sim...

A mulher fecha os olhos e se encosta na batente da porta.

-Qual é a altura dela?

O homem procura algo pelos papéis.

-Um e cinquenta - responde.

A mulher se vira e procura a altura do lado da fita médrica colada ali, no 1,50 ela marca com a cor vermelha.

-Me desculpa, filha...

-Mãe, a culpa não é tua - digo, ela volta a entrar no quarto e encosta a porta, tento entrar e meu corpo sem matéria ultrapassa a porta de madeira sem dificuldades, mas isso faz com que a porta se movesse, a mulher me encara.

-Siren? - pergunta, abro um sorriso enorme, mas logo ela olha para o chão - devo estar ficando louca.

-Não, não, você não está louca, eu estou aqui - digo e mordo meu dedão com força até sair sangue, eu sabia que não iria conseguir encostar em nada, mas precisava tentar.

Tento escreve "Estou aqui" na parede, mas nada sai, vou até a foto e tento "Socorro", mas novamente ali fica em branco, olho para o espelho...

Espelhos são diferentes no mundo dos mortos por algum motivo... e se eu tentar?

Vou até lá e tento, com dificuldade escrevo "-y" já que era difícil escrever muita coisa, e por mais irônico que pareça, consigo escrever. Olho para minha mãe, ela estava com os olhos arregalados em direção ao espelho.

-Y? Yaslin? Yaslin! Yaslin! Você está aqui?

-Estou, mãe, estou aqui na sua frente - me aproximo dela - desculpa por te fazer chorar, desculpa por ter sido sequestrado, deculpa por me matar - sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto - me desculpa por não me lembrar de você, desculpa por não ser forte...

-Siren... - a mulher estende a mão a sua frente em minha direção, delicadamente ela acaricia meu rosto onde rolavam as lágrimas.

-Você consegue me ver? - pergunto segurando sua mão perto da minha - consegue me ouvir? Eu tô aqui mãe, eu tô aqui.

A mulher sorri para mim, sorrio tambem, nós duas chorávamos muito, lágrimas de alegria.

-Filha... - ela diz - filha... - a mulher me abraça, me aperta, me segura, choro mais ainda - filha...

-Mãe...

-Amor? O que está acontecendo? - o homem mais velho entra no lugar, logo depois entra meu irmão.

-Ela está aqui, ela está aqui com a gente - a mulher fala e me abraça mais ainda.

-Yaslin! - ouço uma voz ao longe, era de Nicômaco - Yaslin! Acorda!

-Não - respondo - se isso for um sonho, eu não quero acordar mais - digo, vejo os olhos de meu irmão e pai se arregalarem.

-Fi-filha? - o mais velho diz - é-é v-você?

As lágrimas rolavam pelo meu rosto incansavelmente.

Então, do nada deixo de sentir o abraço gostoso de minha mãe, ela me atravessa como se eu deixasse de existir, estivesse se decompondo.

-Mãe? - pergunto e me viro para a mulher que chorava muito.

-Eu a deixei ir de meus braços de novo - ela diz - Filha...

O lugar começa a sumir sendo substituído por sangue e ossos.

-Não! Deixa eu ficar aqui! - grito - eu imploro! Por favor! Por favor! Eu quero viver!

Abro os olhos. Tudo havia sido um sonho real demais, tudo havia desaparecido, mas as lágrimas continuavam a rolar enquanto meu corpo voava para fora do lago. Sozinho. Sozinho.

Eu estava voando.

Sozinho.


Notas Finais


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