História Roxo - Capítulo 23


Escrita por: e Balela

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 15
Palavras 664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, LGBT, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Drogas, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Vamos morrer


*Roxo*

Yaslin, ele estava... voando em minha direção.

Sorrio para ele.

-Então você conseguiu - digo me referindo ao momento que ele disse que queria ficar a só - meus parabéns.

-Tive ajuda - ele fala e se vira, vejo alguem que eu não esperava ver tão cedo, Nicômaco olhava pra baixo sem coragem de nos encarar nos olhos.

-Oi - ele fala tímido.

-Oi - devolvo, Killan parte pra cima do garoto.

-Você deve se achar demais pra voltar - Killan fala agarrando a gola do garoto e o levantando do chão, logo depois o mesmo soca a barriga do menino e a cara.

-Calma, Killan - Yaslin diz, não consigo dizer nada nesse momento de euforia, estava atordoada demais para falar qualquer coisas.

Nicômaco voltou. Nicômaco... Ni...

-Roxo! Acorda! - pisco algumas vezes para voltar à realidade - Roxo...

-Oi - falo e chacoalho a cabeça, ainda meio grogue - desculpa, o que aconteceu?

-Faz uns dez minutos que você tá assim - Max diz e abre meus olhos com os dois dedos os analisando - você entrou em choque.

-Ah... desculpa - falo e balanço a cabeça, paro e olho para Nicômaco, dou um sorriso fraco para o mesmo - que bom que você voltou.

-Roxo! Roxo! - Yaslin grita me chamando a atenção - e-eu tenho uma família! Eu tenho um motivo para viver! - ele fala e me abraça forte - eu achei o meu descanço depois da morte! Eu tenho uma mãe, e um pai, e um irmão! E eles me amam! Eles me amam!

Sorrio para o garoto e retribuo o abraço.

-Que bom - digo, sinto algumas lagrimas molharem minha roupa - está tudo bem, está tudo bem agora.

Ele afirma com a cabeça.

-Que bom que você todos têm asas agora - Nicômaco diz, Yaslin se afasta de mim e nós encaramos o garoto. Estendo minha mão em sua direção.

-Bem vindo de volta - digo sorrindo - Ni.

-Isso não está certo - Killan fala - ele te machucou.

-Atire a primeira pedra quem nunca machucou alguem - falo, todos ficam quietos no mesmo momento - ótimo.

Ni segura em minha mão e a chacoalha.

-Desculpa pelo que fiz.

-Tudo bem - falo.

É difícil perdoar pessoas que nos machucaram tanto, mas acima de tudo devemos nos lembrar que somos donos de nossos corpos e sentimentos por tempo determinado, e mesmo sentindo a dor podemos a classificar como fraca ou forte.

Quando eu estava no ensino médio costumava observar os humanos, eu os chamava de "Lápis ímpar da incerteza", pois, além de serem só 1, um número ímpar, serem sozinhos e solitários, eles eram incertos, eram o contrário do exato, e mesmo se o lápis riscar algo, pode ser apagado com o tempo. Humanos são assim, deploráveis, mas, amáveis.

-Roxo - Yaslin diz - eu vi Zaratustra sumindo, há uma forma de sair daqui, e nós vamos encontrá-la.

-O deus do Lugar Nenhum é um sádico - Max comenta - mas um deus morre se não há ninguem para acreditar em sua existência.

-Tudo um dia morre.

-Tudo que tem início, tem um fim.

-A morte é a unica que se aproxima como ladrão e aparece como soberana.

-Não importa os pecados que cometemos - encaro Nicômaco e me aproximo dele - no final tudo é passado.

-Mas ainda são memórias - ele rebate - e memórias são importantes porque são as unicas coisas que ficam depois que vamos embora.

Sorrio.

-Então é só esquecer quem somos e o que vivemos.

-Apagaremos a nossa existência de nós mesmos.

-Morreremos.

-E faremos parte do universo irracional.

-Ou do corpo de um deus - Killan diz - somos bactérias que vão se decompor e fazer parte do corpo de um ser superior.

-Ser que já morreu.

-Ser da morte.

-Deus da morte.

-Deus do Lugar Nenhum.

Sorrio e fecho os olhos experimentando a sensação de paz.

-Vamos matar os lápis impares das incertezas que construimos. Vamos sair desta casca que chamamos de corpo e de um ser nós faremos parte de todo o ser, um ímpar maior, uma caneta permanente, algo exato. Se morrermos, seremos a morte e a vida, o tudo e o nada, se morrermos, seremos o Lugar Nenhum.



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