1. Spirit Fanfics >
  2. Royal Feelings (Jikook - ABO) >
  3. Capítulo 34

História Royal Feelings (Jikook - ABO) - Capítulo 34


Escrita por: SHRodrigues

Notas do Autor


Oi chuchus. Atendendo ao pedido desse ser mimadinho e perfeito vulgo Ma030207 que pediu atualização antes de domingo, aqui vai o capítulo novo.
.
Não surtem muito, leiam tudinho, sem pular partes para entender as cenas da melhor forma.
.
Boa leitura.

Capítulo 34 - Capítulo 34


Fanfic / Fanfiction Royal Feelings (Jikook - ABO) - Capítulo 34 - Capítulo 34

 

Jungkook on

Meu lobo se agitou quando ele entrou na sala, estava diferente, algo estava errado. Acompanhei com o olhar ele ir até o alfa e sentar-se em seu colo, eu tentei me convencer a olhar para o outro lado e não me importar demais com sua presença, mas esse não era o lugar adequado para alguém como você, sua presença aqui me incomoda.

“Porque está aqui Jimin? Volte por aquela porta e preserve o pouco respeito que eu ainda tenho por você”

Mas ele não foi. Estava descaradamente flertando com aquele homem desagradável, deixou até que ele beijasse sua mão. Está sorrindo e parecendo gostar dos olhares lascivos que ele lhe direciona, você parece outra pessoa.

“Por que seu marido permite que esse homem aproxime suas mãos cheias de dedos de você? Ele devia cuidar melhor de você ômega.”

Não sei por que motivo ainda me importo. Você já não é parte da minha vida e isso já faz muito tempo. Eu escolhi superar você, eu superei você, não me importo mais... então por que inferno estou indo até você? Por que inferno estou querendo dilacerar esses dois alfas que te tratam como um pedaço de carne? Por que inferno estou querendo que seu marido o tire dos braços daquele verme? Por que inferno ele está simplesmente assistindo você ser tocado sem escrúpulos por alguém como este homem? Por que ele não faz nada? Não há explicação para tudo isto e isso me deixa tomado por ódio.

“Não deixe ele te tocar assim ômega, saia de perto dele, saia agora, saia!”

O que eu fiz? Não consigo sentir mais nada além de vergonha, raiva e ciúmes de você. Nem sua pele quente e seu corpo tão próximo ao meu depois de tanto tempo conseguem acalmar minha raiva. Mas a curva do seu pescoço e sua temperatura me atraem tanto... e isso me deixa com tanta raiva que eu poderia quebrar você agora, mas o que me vejo fazendo é beijando sua pele e sussurrando em seu ouvido.

O tempo pareceu desacelerar e eu pude sentir seu perfume, uma fragrância cara, mas aquilo não era você. Por que não posso mais sentir seu cheiro? Ele marcou você? Pertence a ele agora? Por quê?

- Jimin, venha aqui meu anjo. E Jeon solte meu marido, você está atrapalhando uma transação importante.

O ômega saiu de perto de mim tão rápido quanto eu inconscientemente o trouxe e se posicionou aos pês do alfa, como se fosse um bichinho de estimação. Isso não é normal, eu estava atônito, totalmente perplexo.

- Transação? – ele só pode estar brincando.

- Isso. – o ruivo estalou os dedos e Jimin se pôs de pé, ele pegou uma de suas mãos delicadamente e o entregou ao lorde que permanecia atento a tudo que acontecia. – Ele é todo seu, divirta-se e não faça nada que eu não faria.

O miserável sorriu para mim levando o ômega para uma das salas privadas presentes naquele cômodo e desapareceu. Todos na sala sabiam o que aconteceria lá dentro. Jimin não teria mais credibilidade alguma logo que saísse dalí, não entendo o que está acontecendo.

- Como consegue permitir que isso aconteça? – não consegui disfarçar o nojo impregnado em meu tom de voz. – Precisa tirar ele de lá.

- Eu não preciso fazer nada e você Jeon não precisa ficar tão alterado. Jimin sabe o que está fazendo, ele queria ficar sozinho com o lorde de Varzi desde que entrou por aquela porta. Ele está trabalhando.

- O quê?! – isso não faz o menor sentido.

- Venha, precisamos conversar. – levantou-se e seguiu até a porta.

- Vai realmente deixá-lo sozinho com aquele homem? Que tipo de alfa é você?

- Ele sabe se cuidar. – abriu a porta e antes de sair completou – E respondendo a sua pergunta, eu sou do tipo que confia no próprio taco.

O segui por pura curiosidade, fomos em silêncio até a estufa. O alfa acendeu um cigarro e em seguida me ofereceu um, recusei. Eu percebi a hesitação e nervosismo emanando do alfa e aquilo estava me irritando profundamente.

- O que está acontecendo? Fale de uma vez, eu tenho mais o que fazer. – coloquei as mãos nos bolsos da calça e o encarei aguardando uma resposta que valesse meu tempo.

- Eu preciso de ajuda. – disse.

- Você é ridículo. – ele permaneceu impassível as minhas palavras – É sério? Por que acha que eu ajudaria você? Não tem nada que me agradaria mais que ver você destruído em todos os sentidos da palavra. Fique longe de mim. – me virei a fim de ir embora, mas ele teve coragem o suficiente de agarrar meu braço.

- Os gêmeos estão em perigo, por favor.

Hesitei por um instante, mas puxei meu braço de seu aperto e continuei em direção a saída. Lembrei da pequena alfa que conheci no castelo de High e do garoto agarrado ao Jimin na fortaleza, quem poderia querer fazer mal àquelas crianças? Mas isso não me interessa, Jimin pode cuidar disso sozinho.

- Não é problema meu. – realmente não era.

- Na verdade é. – parei imediatamente – Os gêmeos... são seus Jungkook.

Senti meu lobo assumir o controle do meu corpo e avançar contra o alfa erguendo-o do chão e o empurrando contra o vidro da estufa tão fortemente que eu podia ouvi-lo começar a quebrar.

- O que você disse seu maldito?

- Você ouviu muito bem. – disse já se livrando das mãos do lobo após um chute poderoso em seu estômago. -  Agora que sabe a verdade, precisa me ajudar a deter o Jimin, ou melhor dizendo, o espírito do lobo demoníaco que habita o corpo dele.

- Ku-wan! – vi o alfa concordando enquanto me sentia completamente perdido, eu era um mero passageiro naquela consciência. – Não pode ser verdade, ele jamais esconderia algo assim de mim, ele é meu ômega.

- Ele odeia você. Esconder a verdadeira paternidade das crianças foi um grão de areia comparado ao que ele teria feito se Jimin não tivesse deixado Jungkook e voltado para High. Você tirou a capacidade de ele voltar a forma lupina quando o marcou, agora ele quer vingança e vai conseguir se descobrir o resto da profecia.

- Do que está falando? Que profecia?

- A profecia do oráculo de Apolo sobre o príncipe que ajudará Ku-wan a voltar a sua forma original.

- Jimin.

- Exato.

- E por que os gêmeos estariam em perigo? Jimin jamais deixaria Ku-wan fazer qualquer coisa que os machucasse; ele é um humano forte, bom e justo.

Esperei uma resposta do miserável, mas ela não veio, ele estava tentando esconder algo importante. Os olhos vermelhos cintilaram e meu alfa avançou mais uma vez. Senti meu punho se chocar contra a face alheia várias e várias vezes.

- Me responda. – o acertei mais uma vez.

- Eu não posso, eu prometi ao meu marido que não o faria.

- Então você vai morrer. – minhas garras ficaram evidentes e ele as pressionou contra o peito do ruivo. Já conseguia sentir o batimento do seu coração, mas alguém me impediu de acabar com aquela vida miserável ao segurar meu braço.

Consegui identificar aquele cheiro conhecido...

 Taehyung.

- Jungkook, não faça isso! – consegui voltar ao controle e mirei seus olhos assustados. – Jimin jamais perdoaria você.

Aquilo me fez rir, rir de desgosto e raiva.

- Ele escondeu meus filhos de mim, Taehyung. Não pude os ver crescer, não vi seus primeiros passos, nunca os coloquei no colo ou sequei suas lágrimas. Sou eu quem nunca vai perdoar aquele ômega. – agarrei o coração do alfa e quando ia esmagá-lo Taehyung fez meu mundo desabar sob os meus pés com apenas uma frase.

- Jimin está morrendo. – gritou choroso. – Ele vai morrer Jungkook, vai morrer pra salvar você. Porque ele te ama caralho, agora por favor para com isso e ajuda a gente a salvar meu amigo, meu irmão. – corrigiu – O pai dos seus filhos, por favor!

O ruivo aproveitou meu estado de pane e tirou minha mão de dentro de seu peito num movimento brusco começando imediatamente o processo de cura. Eu não conseguia pensar em mais nada, só ouvia ao longe o discurso de meu pai encerrando o evento.

“Jimin está morrendo pra me salvar?”

- C-Como assim me salvar? Salvar de que?

- Jimin tem visões por causa daqueles olhos malditos... ele viu você morrendo na guerra. Desde que ele descobriu o seu destino ele tem feito de tudo para impedir, mas o espírito dentro dele está o matando. Pelo que ele me contou ele só tem até o inverno, depois será só o Ku-wan. Ele pretende voltar a forma lupina de vez, mas para isso ele precisa sacrificar as crianças.

Eu... não tenho como pôr em palavras toda a minha frustração por não imaginar nada disso

- Jimin nem Ku-wan sabem o resto da profecia, mas Taehyung descobriu e me contou. Agora você sabe também e nunca deve revelar essa informação a ninguém. Se um dos dois descobrirem,  os gêmeos não sobreviverão. – se pôs de pé e me estendeu a mão para minha surpresa. Aceitei. - Eu já destruí o livro com os escritos antigos, se ninguém abrir a boca podemos protegê-los, mas precisamos da sua ajuda para parar o príncipe, ele está enlouquecendo com a pressão da guerra. Agora mesmo ele está lá investigando o naufrágio de um navio lotado de armas e munição que afundou em Varzi. Temos traidores dentro das fronteiras Jeon. Estamos cercados.

- O lorde de Varzi sabe de alguma coisa?

- O Jimin acha que sim, então ele me convenceu a ajudá-lo a seduzir o Dong-hae para obter respostas.

- E você concordou com essa loucura, não é? Imbecil.

- Assim você me magoa. – colocou a mão sobre o peito manchado de sangue, mas voltou a ficar sério. - Aquele ômega sabe me convencer como ninguém. Não duvido que ele já tenha conseguido o que queria com o lorde Dong-hae.

- Você não o conhece, ele é perigoso. Precisamos tirar o príncipe Park de lá antes que ele tente alguma coisa.

- No caso, você, não conhece o Comandante Kim. Você deve ter percebido que ele já não é mais o mesmo, meu marido acaba com aquele saco de estrume em minutos. Segundos se não estivesse morrendo a cada dia.

- Pare de falar assim, como consegue agir dessa forma sabendo que seu ômega está doente?

- É assim que eu lido com meus problemas, faço piadas. Eu sou do tipo que rir em funerais e já entendi que não há como evitar, amigo. Aceitar é a única coisa que eu posso fazer.

- É pode ser, mas isso é você... não eu.

 

  

*

 

Jimin on

 

Entrei junto com o alfa naquele quarto mal iluminado, ele não parecia muito interessado em mim a princípio. Se sentou na cama e apoiou as mãos no colchão inclinando suas costas um pouco para trás. Ele estava desconfiado de alguma coisa e isso não é bom.

- O que foi aquela cena com o príncipe Jeon?

Me aproximei dele e me sentei em seu colo enquanto mirava seu olhos. Ele parecia finalmente esquecer a situação desagradável de antes. Estava admirando meu rosto e me tocando com carinho, de fato era um homem muito bonito e sedutor, mas eu sabia que era tudo fachada. Quando ele puxou meu quadril para mais perto de si e apertou minhas coxas eu comecei a me sentir desconfortável com a situação. Tentei me afastar, mas não consegui, ele era forte e estava desconfiado de mim e das minhas intenções.

Percebi a tempo que ele estava testando minha força, então parei de resistir. Sua mão direita subiu até meu pescoço e o apertou com força me assustando.

- Você pensa que pode me enganar? Pode não me conhecer, mas eu conheço o senhor, Comandante Kim. Todos os sete reinos temem você, e do nada, está num quarto comigo se esfregando em mim? Eu tenho fé nos deuses, mas nem eles seriam tão bondosos ao fazerem um ômega como o príncipe de High se interessar por mim sem ao menos me conhecer. – apertou mais meu pescoço e eu tentei falsamente me soltar. – Então me diga de uma vez, que cena foi aquela com o príncipe Jeon? E o que quer de mim?

Acariciei com a ponta dos dedos a pele da mão que me enforcava e ele entendeu que eu só conseguiria responder se ele a tirasse dali. O alfa me soltou e finalmente consegui respirar normalmente.

- O príncipe Jeon pode fingir bem que já superou o fato de eu tê-lo deixado, mas como pode ver esse noivado dele com aquela ômega é só uma tentativa falha dele esquecer que eu sou quem ele realmente ama. Eu o deixei pelo meu namorado de infância, ver ele me oferecendo a você foi demais para o príncipe. Jungkook sempre foi muito ciumento, em um desses ataques de ciúmes eu ganhei isto. – ergui meus óculos e lhe mostrei minha cicatriz. – E quanto ao que eu quero de você senhor Dong: a verdade, simplesmente, mas antes um incentivo para que colabore comigo.

Meus lábios tomaram os dele em um beijo lento e molhado que foi se intensificando à medida que eu o deitava na cama. Quando finalizei o ósculo com uma mordida um tanto forte em seu lábio inferior, não dei chances dele se levantar e sair de baixo de mim, comecei a distribuir beijos pelo seu pescoço perfumado. As mãos afoitas do lorde percorriam meu corpo me causando arrepios. 

“Pelos deuses, meu corpo é uma vadia necessitada” 

Num movimento ele trocou de posição comigo ficando por cima de mim, dessa forma eu conseguia sentir seu membro duro como pedra forçando o tecido daquela calça apertada.

 “Foco Jimin”

Ele simulou uma estocada e não consegui conter um gemido. O alfa abriu alguns botões da minha camisa e beijou meu peito subindo lentamente até minha clavícula. Eu não resisti ao puxá-lo para mais um beijo. Quando nos separamos mais uma vez, ele sorriu para mim.

- Você é incrível. Pode levar todo o meu dinheiro se você quiser. – beijou meu pescoço e voltou a tentar me beijar, mas eu o impedi.

- Não é exatamente dinheiro que eu quero.

- Então me diga o que é e eu darei.

- Quero que me diga a localização do navio que naufragou próximo a costa de Varzi a dois anos e quem estava envolvido no transporte do conteúdo do navio.

O alfa se levantou da cama e me encarou sério.

- Como sabe daquele navio?

- Isso não é importante. Vai me dizer quem estava supervisionando o transporte das armas naquele navio?

- Eu não sei, o navio não era propriedade de Varzi, mas de ChangDu. São eles quem tem a lista de envolvidos.

- Entendo. Mas ainda não me respondeu qual a localização do navio.

- Por que o interesse ômega? Já faz muito tempo isso não importa mais.

Ignorei seu questionamento e segui pressionando-o

- O lorde deve saber, já que o acidente aconteceu no espaço marítimo de Varzi. Houve sobreviventes? Conseguiram recuperar as armas? Por que esconderam o acidente dos outros reinos?

- Não escondemos nada, tanto é que o senhor sabe o que aconteceu. – me levantei e fui até ele. Abracei suas costas por trás e roubei um pouco de seu calor de alfa.

- Eu sei porque investiguei com alguns conhecidos, mas devo admitir que não foi nada fácil.  

- Uma investigação? Eu não fui informado.

- É claro que não, eu investiguei por conta própria, em sigilo.

- Isso é ilegal, pode ser preso.

- Sonegação de informação ao povo também é, e aqui estamos nós. Me dê a localização do navio lorde e tudo fica bem se...

Olhei para baixo e vi sangue manchar minha camisa, o maldito havia me apunhalado. O lorde se virou para mim ainda com a mão no punhal e o empurrou ainda mais em minha carne; puxou e me esfaqueou mais duas, três, quatro vezes, na quinta ele girou o punhal me fazendo sentir uma dor horrível. Ele me deitou no chão devagar tapando a minha boca para que não ouvissem nada suspeito. Então ele se sentou ao meu lado enquanto apreciava meu sangue começar a sujar o carpete.

- Por que tinha que perguntar sobre aquele navio senhor Kim? Estávamos nos dando bem... eu estava verdadeiramente disposto a investir em seu exercitozinho, mas você tinha que estragar tudo, não é? É por isso que odeio ômegas espertos demais, vocês não sabem se controlar. – ele acariciou meus cabelos enquanto me via engasgar com meu próprio sangue. – Eu não posso dizer a você a localização do navio naufragado, porque ele não afundou, ele foi levado pelos Hurks. Acho que já deve saber, mas tem muita gente nos sete reinos que ajudam o povo do mar. Eles são muito injustiçados sabia?  Só querem o que é deles de volta, toda essa terra é deles, nós a tomamos, nós somos os invasores. Eu fui sequestrado por um Hurk quando eu era mais novo, Jharfeel era o nome dele. Foi minha salvação já que minha mãe me espancava todos os dias por eu ter nascido alfa, ele me criou, me ensinou a caçar e cuidou de mim. Quando fiz dezoito eu voltei para minha terra natal, Varzi. Eu fiz fortuna depois de cair em uma mina abandonada e descobrir que ela não estava totalmente esgotada. Quando me tornei um dos homens mais ricos do reino comecei a investir no exército. Ia ficar surpreso com a quantidade de pessoas revoltadas com os sete reinos. Só para você ter uma ideia a fortaleza de Varzi é Hurk, a de Blustorm em breve será tomada e a de Solavenir cairá em alguns dias. A de ChangDu, Tresko, e Hersir são as mais difíceis, mas temos muitos homens trabalhando para nós e antes do inverno estarão completamente dominadas. Quando eles vierem, e eles virão, não sobrará pedra sobre pedra.

Eu tossi mais uma vez e senti ele crescendo dentro de mim, uma energia forte e quase incontrolável queimando minha pele e curando minhas feridas. Sem me dar conta eu era apenas uma casca para Ku-wan que controlava meu corpo, e também minha vida.

- O que é isso? – o lorde ficou surpreso quando eu e Ku-wan nos levantamos e acariciamos sua face sujando-o com meu sangue. – É impossível! Não tem como um ômega curar feridas tão graves sozinho dessa forma.

Ouvi meu lobo rir grave, sua voz era demoníaca, mas logo se adaptou e conseguiu controlar minhas cordas vocais, sua voz estava igual a minha agora. O ômega segurou o colarinho amassado do ômega com apenas uma das mãos e o ergueu no ar.

- Eu poderia quebrar seu pescoço agora, mas seria uma morte muito rápida e limpa, talvez eu pise em seu crânio até fazer gelatina de seu cérebro, ou eu posso arrancar seus membros um por um e fazer uma mesa. Sim seria fascinante, seus braços e pernas serviriam de apoio para o seu tronco e sua cabeça seria um belo jarro. Mas receio que minha obra de arte não seria devidamente apreciada por esses vermes sob este teto. Isso me deixa muito irritado, não sei o que fazer com você...

- Por favor...

- Eu quero nomes... ter mais pessoas para eu matar na guerra vai me deixar mais irritado que o planejado. Então eu quero começar a matar esse traidores antes que eles matem o meu hospedeiro e eu fique vagando de corpo em corpo por mais um milênio.

- Não são traidores, são o povo do mar, um arauto de nossa liberdade. – disse com dificuldade pela falta de ar.

- Oh claro, peço perdão pelo meu erro. Por favor, eu quero os nomes dos arautos para que eu possa rapidamente eliminá-los do meu caminho.

- Me mata logo! Eu não vou te dizer nada, não vou trair meu povo.

Ku-wan riu alto mais uma vez.

- É a primeira vez que vejo um verme com moral, ética e valores. – seu riso desapareceu tão rápido quanto surgiu. – Por mim tudo bem, você vai me mostrar quem são.

Ku-wan colocou a mão sobre a cabeça do alfa e imagens de inúmeras pessoas, algumas conhecidas por mim começaram a surgir, isso me deixou surpreso. O meu ômega percebeu que o alfa tentava resistir fazendo o rosto das pessoas começarem a ficar borrados. Ele se concentrou um pouco mais e começou a notar com nitidez a face das últimas pessoas, mas quando estava prestes a ver a última, eu consegui recuperar o controle de meu corpo. Apertei um ponto próximo ao pescoço do alfa e ele caiu ao chão desmaiado

Só desta vez eu deixarei você ir atrás dos traidores, mas lembre-se criança... você não pode mais me deter. Assim que eu descobrir o final da profecia você e eu seremos um só para sempre.

Fui até o espelho arrumei meu cabelo e minhas roupas. Seria impossível limpar o sangue de minhas roupas então teria de esperar ali até o rei terminar seu discurso e todos irem em bora. Felizmente o encerramento do evento não demorou muito, assim que ouvi as últimas palavras do rei abri a porta daquele quarto e sai. Quando entrei na sala de jantar vi Kai, Taehyung, Jungkook e Cora me esperando.

Logo que viu meu estado Kai correu até mim me dando seu blazer.

- Jimin, você está bem? O que aconteceu lá dentro? – vi Jungkook entrar no quarto onde eu estava segundos atrás e Kai continuar me questionando. – Ele fez isso com você? Eu disse que isso não era uma boa ideia meu amor.

O abracei apertado, ele estava muito preocupado, mas também me abraçou.

- Eu estou bem alfa, foi só um contratempo. Eu resolvi tudo, mas nossa situação não é nada boa.

- O que você descobriu? – Cora perguntou curiosa ao sair da sala junto ao Jungkook que também esperava uma resposta.

- Eu estou cansado, vou para casa com meu marido e meus filhos que estão me esperando. Vocês levam o lorde Dong para a fortaleza. Deixem ele trancado e não permitam que ninguém chegue perto dele, coloquem alguém de confiança para fazer a segurança dele até eu chegar amanhã para interrogá-lo. Eu sugiro que coloquem a Mariah, ela é a melhor para a função.   

- Comandante Kim, sem querer ser rude, mas ele será interrogado por nós. Ficará sob custódia por 24hrs até encontrarmos provas que o incriminem, caso contrário será liberado.

- Imagino que ele ter tentado me matar não seja prova o suficiente.

- Não é. – respondeu arrogante, mas completou –  Senhor.

- Já que não posso interrogá-lo amanhã vou levá-lo para High ainda hoje.

- Está fora de cogitação. O acidente aconteceu em Hersir então é aqui onde deve ser resolvido.

Me aproximei da ômega olhando fundo em seus olhos felinos. Ela não vai levar crédito sobre a minha investigação.

- E quem é que vai me impedir? Você? – não disfarcei o desdém em minha voz. – Ou o seu noivo? Não podem contra mim, se tentarem eu acabo com os dois. – olhei para Jungkook que estava sério e depois para Taehyung que assistia tudo atentamente como se assistisse a um filme no cinema.

- Vamos para casa Jimin. – Kai me guiou para fora da sala e Tae veio logo atrás.

- Que cena, eu estava quase pedindo a pipoca. “O icidinti icinticiu im Hirsir inti i iqui indi divi si risivi” vagabunda, era pra você ter sentado a mão na cara dela.

Kai riu nasal e eu ocultei um sorriso ladino.

Procurei as crianças pelo salão e as encontrei com meu pai e a duquesa, que implicava com Yerin por ela usar tanto preto. Hyun quando nos viu veio correndo até mim, mas diminuiu o passo ao sentir o cheiro de sangue. Ele farejou e percebeu que o sangue era meu, o baixinho me abraçou e perguntou se eu estava bem... eu disse que sim, mas isso não bastou. O pirralho cheirou meu pescoço e minha camisa e saiu correndo pelo salão. Entrou na sala a qual acabamos de sair e deu de cara com o Jeon.

- O que você fez com o meu appa? Ele está cheio de sangue e tem seu cheiro nele.

- Não é... o meu cheiro.

- É sim eu tô sentindo direitinho. Você é um idiota que machuca ômegas indefesos, eu vou bater em você. – JungHyun começou a distribuir socos nas pernas de Jungkook até o alfa se cansar do garoto e o erguer no ar pelo tecido da camisa. – Seus pais não lhe ensinaram a respeitar os mais velhos? Encoste em mim de novo e eu te jogo no foço do castelo.

Colocou o pirralho no chão e lhe mostrou o alfa desmaiado que estava apagado em uma das poltronas.

- Ele machucou seu pai, não eu.

JungHyun olhou o homem desmaiado e sentiu seu cheiro, reconhecendo como o mesmo que estava em mim. Olhou para Jungkook com os olhos semicerrados ainda desconfiado e questionou o alfa.

- Você matou ele?

- Não.

- Então deixa que eu mato.

Estava prestes a ir até o alfa, mas Jungkook o impediu levantando-o no ar mais uma vez vindo até mim.

- Você perdeu isto aqui. – exibiu a criança como um filhote que se encontra na rua.

- Ponha-o no chão, meu filho não é um gato para segurá-lo dessa forma.

O alfa fez como pedi e o pôs no chão. O pirralho ficou na frente de Kai e cruzou os braços olhando Jungkook com desconfiança.

Yerin conseguiu fugir da duquesa e se juntou a nós. Aliás essa é uma traíra. Antes de vir para mim, correu para Jungkook estendendo os braços, ele imediatamente a colocou no colo.

- Jungkookie oppa, quanto tempo! Cadê o Lorax? Já conheceu o meu appa Jimin? Ele não é lindo? – peguei a Yerin no colo e interrompi a conversa.

- Já está tarde pirralha, vamos para casa.

- Mas eu nem falei com o Lorax.

- Outro dia você fala. Dê tchau ao seu... amigo e vamos.

- Tchau oppa, tchau Lorax.

 

*

 

Saímos do castelo e entramos no carro, cinco minutos depois chegamos em casa. Coloquei os pirralhos para tomarem banho e escovar os dentes para poder finalmente ir para o quarto. Kai estava estranho, quieto e aparentemente preocupado. Me deitei ao seu lado e o abracei acomodando minha cabeça em um de seus braços que estavam cruzados atras da cabeça.

- O que você tem alfa?

- Eu vi cinco rasgos na sua camisa, aquele homem esfaqueou você cinco vezes e torceu o punhal na quinta vez. Você está fraco Jimin, não poderia ter se curado sozinho sem um médico. Eu sei que seu lobo te ajudou, então me diga o que ele pediu em troca.

Eu senti meu corpo ser tomado pela presença do lobo de novo e ouvi ele falar com minha voz.

- Nada.

- Jimin. - me pressionou com um tom autoritário. 

- É verdade, ele não pediu nada, ele só procurou nas memórias do alfa os rostos dos traidores dentro da fronteira. Mas eu consegui retomar o controle antes que ele fizesse algo mais.

- O que descobriu?

Consegui tomar o controle de volta.

- Kai não confie em...

Se disser algo eu faço você me assistir destroçando ele.  

- Não confie em ninguém, existem traidores em todas as fortalezas. O navio que supostamente havia naufragado foi na verdade sequestrado pelos Hurks, o que significa que além de canhões, lanças, espadas e escudos, agora eles têm armas de alto calibre e muita munição. É um problema enorme, mas tenho que resolver a questão dos traidores primeiro. Então eu quero que você leve as crianças para High amanhã e as deixe em segurança. Eu vou interrogar o lorde mais a fundo amanhã e partir para os outros reinos, vou achar todos e acabar com cada um deles.

- E no processo vai ficar sozinho com o Jungkook? – a pergunta repentina me fez ficar em tela azul.

- O que? Não vou ficar sozinho com ninguém, eu vou garantir que minha família fique a salvo.

- Sua família e o Jeon. – ciúmes a está altura do campeonato? Eu mereço.

- Eu amo você Kai. – o lembrei.

- E ele também, eu vi o jeito como você olhou para ele com a Yerin. – que jeito?

- Eu não olhei de jeito nenhum.

Kai ficou por cima de mim e mirou meus olhos como se pudesse ler minha alma.

- Só me prometa uma coisa.

- O que você quiser.  – tentei acalmar seu coração.

- Volte para mim. – não consegui conter meu sorriso, ele consegue ser tão perfeito que meu coração chega a errar a batida.

- Eu voltarei. Em uma semana estarei em casa com você, só nos dois no nosso quarto.

- Eu queria tanto te marcar. – um arrepio subiu pela minha coluna ao lembrar do que aconteceu na última vez que ele tentou. Meu lobo o apagou e só voltei a falar com ele na manhã seguinte.

- Você já me marcou. – mostrei a ele nosso anel de casamento com nossos nomes e do Jomin. – É o pai dos meus filhos.

- Não de todos eles. – o que?

- Nunca mais volte a repetir isso, você me ouviu? Alguém pode ouvir, as crianças... você é o pai delas, você.

- Jimin...

- Já chega! boa noite. – beijei seus lábios e virei ficando de costas para ele, não demorou muito e ele me puxou para perto sussurrando um “Eu também te amo” em meu ouvido.


*

 

Passei a madrugada pensando coisas horríveis, estava indignado.

 “Como pude ser tão cego? Como não percebi o ninho de cobras que me cercou durante tanto tempo?” 

Saí da cama e fui até a cozinha, Kai provavelmente tem bebida por aqui; abri a miniadega e estava vazia.

- Inferno! – xinguei voltando a procurar qualquer vestígio de álcool.

Infelizmente não encontrei nada. Sentei a mesa e comecei a brincar com o isqueiro acendendo e apagando aquela chama incansáveis vezes. A manhã chegou e eu ainda estava aqui, literalmente brincado com fogo até aquela substância acabar e eu só poder ver algumas faíscas.

O alfa apareceu na cozinhas às cinco da manhã.

- Desta vez você demorou a sentir minha ausência no colchão. Dormiu bem?

- Dormiria melhor com você ao meu lado a noite toda. O que está fazendo aí sozinho?

- Nada.

- Então pare de fazer nada e faça alguma coisa. Eu já acordei as crianças arrume-as e prepare as malas,  eu levarei você a fortaleza às seis e meia. Esteja pronto.

- Sim senhor. – ironizei baixinho e subi em direção aos pequenos monstrinhos.

 

Quando saímos de casa estava frio demais, o inverno já dava os primeiros indícios de sua vinda. Abri a janela do carro e respirei o ar gélido da manhã, o clima perfeito para... enlouquecer. O alfa me deixou na entrada da fortaleza e foi embora com as crianças. 

“A quanto tempo eu não colocava meus pés aqui?”

Entrei na recepção e a recepcionista me reconheceu. Não me impediu de entrar como eu achei que aconteceria, apenas se curvou numa saudação e me cumprimentou com uma saudação formal. Mandei uma mensagem para Jackson e em um minuto ele me encontrou em um dos corredores.

- Bom dia senhor Kim.

- Sabe o que eu vim fazer aqui senhor Wang?

- Interrogar um traidor.

- Errado, tente novamente.

- Senhor!?

- Me responda uma pergunta Jackson, ainda está de caso com o Mark?

- Sim senhor, estamos noivos. – sorriu tímido e meu coração apertou.

Parei e olhei nos olhos do alfa, por um milésimo de segundo senti pena dele, mas esse sentimento não durou.

- Comandante Jackson, somos amigos. Eu confio e estimo muito você, mas precisa saber uma coisa sobre o seu ômega. – o maior me direcionou uma feição de questionamento e eu o abracei passando a falar bem perto de seu ouvido. – O senhor Mark é um traidor dos sete reinos. Eu poderia apenas dizer a você que vi ele nos pensamentos do lorde Dong, mas por consideração a você deixarei que tente me provar o contrário. Você tem duas horas, ou eu mesmo darei um fim a vida dele.

Me afastei do maior afim de continuar meu caminho até a sala vermelha, mas ele me impediu segurando meu braço.

- Jimin, por favor!

- Eu sinto muito, mas você sabe o que está em jogo Jack. - vi os olhos dele começarem a ficar lacrimosos e fui até ele secando suas orbes antes que aquelas gotas salgadas caíssem. – Ele não merece suas lágrimas, ele manipulou você e todos aqui. Se despeça dele e faça o que tem de ser feito.

- Prenda-o.

- Sabe que eu não posso, não sou mais casado com Jungkook, não posso dar a ele tratamento diferente dos outros. Eu tenho que ir agora Jackson.

Segui meu caminho sem olhar para trás. Desci até o subterrâneo e encontrei Mariah guardando a porta e Jungkook e Cora querendo entrar antes da minha chegada.

- Algum problema? – perguntei a Mariah que me dirigiu seu sorriso brilhante.

- Estavam querendo começar antes do senhor chegar, mas consegui distraí-los um pouco. – sorri em resposta ao que me foi dito.

- Não há necessidade de aguardarmos mais, abra por favor.

A cacheada fez como eu disse e Jungkook entrou sendo seguido por Cora, mas eu a impedi.

- Aonde pensa que vai?

- Eu tenho o direito de acompanhar o interrogatório. Sou funcionária da fortaleza.

- Mariah também é e já foi embora, mas você é a noiva do comandante; e eu obviamente sou uma tentação para aquele alfa. Já entendi tudo, pode assistir.

Entrei pela primeira vez naquela sala e não compreendi o motivo de chamarem de sala vermelha se a sala era branca. Vi o lorde Dong acorrentado a uma cadeira e o cumprimentei. Ele estava apavorado, mas disfarçava bem seu medo com piadas e provocações.

- Está com uma aparência cansada comandante Kim. Não dormiu bem noite passada? Aposto que estava pensando em nossos beijos.

- Você é muito bom tenho que admitir, mas não foi exatamente nos beijos que eu estava pensando. – desci meu olhar até o meio de suas pernas e mordi meu lábio fazendo-o sorrir.

Jungkook estava encostado em um móvel branco de braços cruzados, apenas observando sem expressar reações. Mas Cora, sendo quem era, tinha que abrir a boca.

- Já pararam de flertar? Que tal fazer as perguntas agora? Afinal não é para isso que está aqui.

- Quando eu permiti sua entrada senhorita foi para assistir e não para me atrapalhar, então cale-se.

Ela não ousou me responder e eu continuei.

- Senhor Dong, eu já sei que você é o maior traidor dos sete reinos. Me disse em primeira mão que todas as fortalezas estão tomadas de traidores. – percebi Jungkook começar a prestar atenção. – Então eu quero que me responda algumas perguntas com sinceridade.

- Eu já disse que não vou dizer nada.

- É você disse, mas vejamos se pode mudar de ideia. – peguei um cigarro no bolso da camisa e o acendi. – Jeon o que tem nessa móvel? – ouvi ele sorrir nasal e responder.

- Brinquedos.

- Então vamos brincar. – fui até as gavetas que abriram após a identificação biométrica do alfa e vi uma caixa de acolchoamento branco tampada por um vidro transparente.

Corri os olhos pelos “brinquedos” e um me chamou a atenção.

- O que é isso? – perguntei com brilho nos olhos.

- Não vai usar isso. – Jungkook respondeu sério.

- Você era mais divertido. – peguei uma faca simples e me aproximei do lorde. – Como pode ver ele não deixa eu me divertir do jeito que eu quero, então por enquanto vou usar isso, girei a faca e parei ela em seu pescoço.

- Os Jeon são sem graça. – olhou para minha boca e em seguida para meus olhos. – Não é à toa que preferiu o senhor Kiiiim. – olhei para a o peito direito do lorde e vi uma faca lançada ali por Jungkook, não a tirei. – São minados também, como pode ver. – percebi dor a cada palavra dele. Sorri.

- Me diga quem causou a morte do especialista em criptografia em Tresko.

- Não sei. – girei a faca que estava em seu peito fazendo-o gritar.

- Não sabe. – tirei a faca e a enfiei em sua perna enquanto via a ferida do peito se curar, assim não tem graça. Fui até o móvel e peguei um afastador cirúrgico, mas quando voltei até ele percebi que o corte era pequeno demais.

- Vai ter que rasgar mais se quiser usar isso.

- Eu sei Jungkook, não sou idiota. – abri mais aquela ferida e sangue escorreu por suas roupas, o cheiro metálico já tomava conta do ambiente, delícia. – Pronto, assim será mais divertido. Vamos tentar outra pergunta, quem causou a explosão no centro de dados da inteligência de Blustorm?

- Não faço ideia. – joguei a fumaça do cigarro em seu rosto e fiz um carinho em sua orelha com a mão que segurava o cigarro. Afastei o cabelo levemente alongado e enfiei a ponta acesa em seu ouvido, será que isso vai doer?

O grito agonizante me confirmou que sim. – Paraaaa, para, tira isso de mim.

- Me dê uma resposta e eu tiro.

- Foi uma beta, Liz Muller. Foi ela...

- Viu foi fácil. – tirei o cigarro do ouvido dele e o joguei no chão. – Onde está o engenheiro de armas que trabalhava aqui a quatro anos atrás.

- Me mata de uma vez.

- Me responda primeiro.

- Não sei, morto talvez, não sei onde. Ele com certeza não está mais vivo. – isso está com cara de suposição, vou pôr alguém bom atrás dele. Se estiver vivo eu o acharei.

- O túnel encontrado na fronteira de Solavenir é o único?

- Vá para o inferno.

- Está muito cedo para voltar pra casa. – abri mais a ferida em sua perna e coloquei outro afastador, ele estava perdendo muito sangue. – Não vai me responder? – acendi meu isqueiro e o aproximei de seus olhos queimando seus cílios e suas pálpebras.

- Pare com isso. – ele suplicava virando o rosto para escapar de mim, mas eu agarrei seus cabelos sedosos e o forcei a olhar para mim, ele não estava mais tão bonito.

Acendi o isqueiro embaixo de suas narinas, ele sentia uma dor causticante e prendia a respiração na tentativa de não respirar aquela chama e comprometer seus pulmões, mas ele não conseguiu por muito tempo. Então voltou a gritar.

“Eu sou louco por achar esses gritos tão estimulantes?”

- Você não vai me falar mais nada mesmo, não é? – a cartilagem de seu nariz já não existia mais. Retirei os afastadores e vi as feridas começarem o processo de cura. Quando ele estava quase curado eu dei a volta naquela cadeira sujando meus sapatos novos em todo aquele sangue e me curvei perto de seu pescoço.

Lhe fiz uma massagem em seus ombros e esperei minha garras aparecerem por completo.

- Foi um prazer seduzir você meu lorde, mas não é mais necessário para mim. – rasguei seu pescoço com minhas garras e voltei a posição inicial, à sua frente, admirando a cena dele engasgando-se com o próprio sangue.

- O-O que você fez? – Cora gritou para mim aturdida.

- Ele ainda não está morto. – rasguei seu peito uma vez e mais outra, o som daquela carne se rasgando era música, eu a sentia quente e suave quase como manteiga. Chutei sua cadeira fazendo ele cair para trás e fiquei por cima dele quando pisei em seu pescoço – Está bem danificado aqui... MAIS – ouvi o som de seu maxilar quebrar quando o atingi no lugar errado. – ALGUNS PISARES... – senti o início de sua coluna se partir. - COM A FORÇA CERTA... – vi a cabeça dele finalmente se separar do corpo. – E agora sim, ele está morto.

 Mergulhei meu punho em seu peito e puxei seu coração para fora jogando-o em seguida aos pés da ômega.

- Esse é o destino de um traidor. Não vai ser o primeiro que verá hoje.

Jungkook me olhava com seus olhos vermelhos... lindos. Mas ele logo quebrou o encanto do momento. Se aproximou de mim em passos firmes e me agarro pela camisa suja me lançando contra a parede. 

 “Se isso não for amor eu não sei mais o que possa ser.”

Eu estava no chão, senti ele subir sobre mim e começar a me acertar com inúmeros golpes, eu recebi cada um com um sorriso.

- O que você pensa que está fazendo? – me batia mais a cada riso que eu deixava escapar. – Ele era nossa única chance de prender os traidores.

- Prender? – dessa vez não foi um riso, mas um grito. – Eu vou matar todos eles, todos. – quando ele ia me atingir mais uma vez eu segurei seu punho. – Eu sei quem eles são, eu vi todos e o que eles fizeram, não vou deixar nenhum deles escapar.

Empurrei o alfa para longe de mim, e lhe disse quem eram os traidores.

- Quase toda a sua equipe está comprometida. Chae-young, Hyuna, Liam, Rin, Arão... Mark. Todos são traidores, convivendo e observando você todos os dias. Pare de me bater como se eu fosse culpado, essa infestação de “arautos” Hurks, é culpa sua por não investigar bem quem trabalha para você. – me levantei e fui até o móvel branco tirando uma arma para mim e outra para o alfa jogando-a para ele. – Levante-se desse chão imundo e vamos limpar sua sujeira.

Estendi minha mão para ele, mas ele recusou passando na minha frente. Estava com raiva por ouvir a verdade, eu entendo, aceitar nossa própria incompetência é difícil. Segui atrás dele e percebi a ausência da Cora... ela deve ter ido atrás de terapia, acho que ver um coração tão de perto foi demais para ela.

Quando estava cruzando o corredor até a sala da inteligência, ouvi os tiros. Não os tiros de “Matei um, próximo”, era uma troca de tiros.

- Ele sabia.

Eu vi alguns funcionários correndo e outros caídos no chão, feridos e provavelmente mortos. Jungkook estava atrás de uma das pilastras e Arão escondido atrás do balcão de concreto. Me aproximei do alfa e perguntei o que aconteceu.

- O que você acha?

- Acaba com ele de uma vez. O que você é? Um gato brincando com a comida?

- Só você pode se divertir? – carregou o armamento e se posicionou mirando o balcão.

- Só é divertido quando inocentes não morrem. – olhei para o chão.

- Todo mundo morre, hoje foi o dia deles. – saiu de trás da pilastra e se aproximou do balcão abaixado. – Me dá cobertura.

Vi o Arão se levantar e disparar contra mim, mas eu o acertei em seu ombro e ele caiu largando a pistola. Jungkook chegou até ele e finalizou o serviço. Paramos em frente a porta do comando e nos olhamos.

- Pode haver reféns. Eu quero todos vivos me entendeu? – Jungkook me avisou sério.

- Sim senhor. – abri a porta e entramos.

A cena lá dentro foi um tanto cômica. Havia reféns realmente, mas eram os traidores que tinham armas em suas cabeças. Jennie explicou a situação e sorri. Ela conseguiu entrar na sala logo que Jeon e Arão começaram a trocar disparos, ela viu que os quatro apontavam armas para ela e os demais e teve que resolver o problema. A moça é uma ótima atiradora, acertou o ombro do Chae-young e seu parceiro da inteligência consegui inverter as posições, o mesmo aconteceu com o cara do TI que conseguiu se livrar de sua parceira Rin após Youngjae acertá-lo com um tiro no meio da testa. O cenário era este: um traidor morto e três com armas na cabeça.

- Suas ordens comandante Jeon. – Youngjae solicitou ao alfa.

Jungkook deu uma última olhada na cena e se virou novamente para a porta me puxando junto.

- Finalizem.

Quando saímos da sala escutamos os tiros.

- Por que saímos? Eu queria ter visto o final, parecia uma cena de filme.

O alfa apenas seguiu em frente me ignorando completamente.

- Para onde está indo?

- Atrás do Mark.

Descemos até os dormitórios e encontramos Jackson e Mark abraçados.

- Jackson, afaste-se.

- Jeon, por favor espera.

- Ele nos traiu.

- Ele é meu ômega, seu amigo.

- Quem trai meu povo e ajuda aqueles monstros não é meu amigo. – Jungkook se aproximou de Jackson e pediu para ele sair da frente mais uma vez.

- E-Eu não queria, eu fui obrigado. – Mark disse apavorado.

- Jungkook, ele está esperando um filho meu.

- O-O que?! – perguntei lembrando os dois de minha presença. – Tem certeza? Ele pode estar tentando enganar você.

Jack me deu o exame que estava sobre uma das camas e era verdade, Mark esperava um filhote.

- Deixe-o viver até ele ter a criança. – disse ao Jeon. – Ele será sentenciado assim que o bebê nascer.

O alfa aceitou a proposta e abaixou a arma. Jackson veio até mim e me abraçou como seu eu fosse um deus misericordioso. Jeon olhava a cena sério, mas um pouco aliviado por não ter que fazer isso com o ômega naquela situação. Ainda tinha o Jackson agarrado a mim quando ouvimos um disparo e o corpo de Mark cair ao chão sem vida.

Cora apontava uma pistola para o corpo no chão, seus rosto não expressando absolutamente nada além de frieza e apatia.

- O QUE VOCÊ FEZ?! – vi Jackson se ajoelhar ao lado de Mark em meio a lágrimas e gritos que destruiriam o coração de qualquer pessoa.

Olhei para Cora com sangue nos olhos.

- Por que... Você... Fez... Isso? – me aproximei dela e a ataquei com minhas garras.

- Ele foi o responsável pela fuga dos Hurks presos em Hersir a alguns anos. Eu vi tudo no computador dele depois que você disse que ele era um traidor ao Jungkook. Não podiam matá-lo sem motivos reais. – se defendia de cada golpe meu.

- Ele estava esperando um bebê, ele não tinha nada a ver com as escolhas do pai, um bebezinho Cora... e você o matou.

- E-Eu não sabia.

- Não seja cínica! Você chegou logo após decidirmos poupá-lo. Que espécie de cobra é você? – a chutei longe fazendo-a gritar por ter quebrado algum osso.

Queria ir até ela e lhe bater até ela esquecer o próprio nome.

- Não encoste mais em minha noiva.

- Como é?

- Ela já disse que não sabia.

- E você confia nela?

- Confio. Quem costuma mentir e esconder coisas aqui é você.

Eu dei um passo para trás olhando em seus olhos e saí de perto do alfa. Fui até Jackson me ajoelhando ao seu lado e o abraçando enquanto ouvia ele chorar.

- Eu sinto muito meu amigo. Se desejar eu gostaria de arcar com as despesas e preparar um funeral digno de um excelente militar.

- Obrigada Jimin, mas você já fez demais. Pode ir embora, eu cuido de tudo.

Por que parecia que eu era o monstro aqui? A fortaleza está livre de traidores graças a mim. Joguei a arma no chão e saí de lá.

É por eles que vai se sacrificar? Não seja idiota criança, eles não merecem seu sacrifício. Junte-se a mim, me ajude a descobrir o restante da profecia e viva para sempre comigo.

- Não.

Nós podemos mais juntos criança. Deixe eu ajudar, me dê o controle e eu resolvo tudo para você.

- Você vai machucar pessoas.

Só as pessoas certas. Diga as palavras.

Lágrimas começaram a abandonar meus olhos enquanto eu subia por aquele elevador

- Promete que não vai machucar minha família e meus amigos?

Eu prometo, pelas águas do Estige. Diga as palavras

- Eu abdico do controle, ômega assuma meu lugar.

Meus olhos brilharam dourados no espelho e logo voltaram ao castanho tradicional.

- Finalmente.

 


Notas Finais


Vou fazer algumas correções ainda, mas dá pra você compreenderem.
.
Obrigada por me acompanharem até aqui.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...