História Royals - Capítulo 30


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Cruella De Vil, Hades, Marian, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Sr. Gold (Rumplestiltskin), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags A Seleção, Cora Mills, Cruella, Hot, Lana Parrilla, Magia, Once Upon A Time, Outlawqueen, Realeza, Rebecca Mader, Rebeldes, Regina Mills, Robin Hood, Royals, Rumplestiltskin, Sean Maguire, Vingança, Zades, Zelena
Visualizações 440
Palavras 8.286
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OI, LITTLE FRIENDS! Dessa vez nem deu tempo de sentirem minha falta, não é mesmo? Como minha priminha de coração - vulgo senhora Giovanna - diz, o milagre das férias é real!

Antes de tudo, eu gostaria de dizer que fiquei feliz demaaaais com a reação de vocês sobre o último capítulo. Realmente não esperava que tantas se emocionassem e fossem gostar tanto. Povo, isso é gratificante num nível que vocês não fazem ideia ❤

Porém, contudo, entretanto, todavia, eu sou uma garotinha ingrata que não sabe retribuir amor com amor, então... VOCÊS ESTÃO OUVINDO MINHA GARGALHADA AÍ DA CASA DE VOCÊS? KKKKKKKKKKKKKKK TÁ ATÉ FAZENDO ECO AQUI. Okay, isso foi eu rindo da face do digníssimo Rei e, ao mesmo tempo, rindo da digníssima ex-Rainha.

Por último, vou dedicar esse capítulo a minha outra digníssima pessoa fav desse mundão e siimmm eu estou falando de você, Dra. Breves (pra quem não conhece é a famosa Mavi Lindíssima mais conhecida por comer coisas estranhas que não vou expor aqui senão vou destruir a carreira dela MAVI, EU LEMBRO DAQUILO QUE COMEÇA COM H). Tô dedicando para essa pessoa maravilhosa por motivos de one day ela me falou sobre Robin + Regina = Sonho de Ilusão Que Ela Adoraria Ter. Rsrsrsrsr eu espero que algo hoje dê pro gasto. Então, qualquer coisa, foi a mavi a responsável por tudinho o que acontecerá na segunda cena.

Acabo aqui, beijos para todas, AMO VOCÊS ❤ E TE AMO, MAVI, BRIGADA PELA IDEIA, LORELAI DA MINHA RORY [...] ❤

Capítulo 30 - Era Ela


Fanfic / Fanfiction Royals - Capítulo 30 - Era Ela

"Desejo te beijar devagarinho,

Te amar aos pouquinhos,

Até o tempo parar pra nós dois"

— Daniela Souzza (@inspira.poesia)




Não conseguia mais fazer tudo aquilo. Regina tentava, se esforçava, e lutava para cumprir tudo o que dissera que faria por sua criança quando se encontrou com Kristin, mas, ficava cerca de duas horas de pé, andando e forçando o corpo a abaixar... Aquilo era demais. Se cansava muito e muito rápido. As dores nos ligamentos e dores pelos movimentos do bebê a impediam de realizar tudo como no primeiro mês. Andava acordando atrasada quase sempre para o serviço e muitas vezes se sentava em algum lugar para tentar pelo menos controlar a respiração, o que era bem difícil. Demorava para dormir todos os dias, não por falta de vontade, mas pelo medo e insegurança em relação ao bebê, ao futuro, a Robin, ao parto... Mais dois meses havia se passado desde o aniversário de Branca e se encontrava agora com sete meses de gestação.

Quando via seus erros, Granny não conseguia se segurar. Pagava e olhava o bebê de uma garota irresponsável. Para ela, pouco importava se estava grávida ou não. Também ficara, no passado, e relatava não ter sido o fim do mundo. Brigava com Regina muitas vezes e ameaçava despedi-la.

Mills tentava acreditar que estava blefando, contudo, não tinha motivos para tal. Nada a impediria de mandá-la para outro lugar.

Adentrou o albergue e entregou as flores à patroa, devolvendo-lhe o troco e contando que iria pegar os materiais para limpar o chão do térreo.

— Espere um minuto — Sra. Morgan disse. — Precisamos conversar.

A falsa French, permitindo se assustar pelo pavor de ser despedida, tentou arranjar uma saída.

— Ah, desculpe, senhora, mas algo aconteceu no quarto do Sr. Huston. Acho que mais uma vez passou mal e vomitou sobre a cama — mentiu, lembrando de quando aquilo realmente havia acontecido e fora ela a encarregada por limpar e esfregar todo o vômito. — Podemos conversar depois?

— Oh, claro. Pode ir.

Regina não pensou duas vezes e correu dali, ainda tendo a chance de ouvir Fancy — a mulher que vendia vestidos na Praça dos Comerciantes — dizer algo como:

— Não posso acreditar que realmente fará isso com a pobre.

Subiu as escadas, atingida pela súbita contração que a fez diminuir a velocidade.

No meio do corredor, se encontrou com o seu amigo — ladrão — saindo pela porta.

— Como vai minha mamãe favorita? — ele questionou.

— Vou lhe dizer como estarei em alguns dias. — Entregou um papel nas mãos dele.

— Inferno. Isso de novo? — Observava o retrato do rosto da antiga Rainha acompanhado de pouquíssimas informações. Apenas “procurada” e o valor da recompensa caso a trouxessem viva e o valor pela metade se a trouxessem morta. — Onde encontrou, dessa vez?

— Numa das barracas na saída da Praça. Eu estou acabada. Foi bom conhecê-lo — falou tentando não soar tão desesperada quanto estava.

Não sabia, mas Hades, após o retorno de Branca, havia começado a organizar secretamente uma busca por Regina. Logicamente sem revelar ser a Rainha, e acabou espalhando uma quantidade relativamente pequena de cartazes pelo Reino, para não chamar tanta atenção e Robin ficar sabendo. Sabia que a desgraçada ainda estava grávida, e a criança continuava sendo um problema, uma ameaça.

— Vamos continuar jogando isso fora todas as vezes que encontrarmos. E trate de sair menos.

— Eu tento, mas... — Ela apontou para Granny no andar de baixo.

— Use a gravidez como desculpa.

— Já estou prestes a ser despedida justamente por conta disso. Prefiro não ficar lembrando-a.

Mills havia contado ao caçador que uma vez havia participado de um assalto contra a realeza do Reino em que morava. Antes do seu fictício marido ter morrido na guerra. Agora, os reinantes estavam conseguindo procurar por todos que estavam metidos neste problema.

— Não será despedida — ele falou.

— Que Deus ouça você.

Passou as próximas horas do dia trabalhando e descansando ao mesmo tempo, deixando a banheira do andar de baixo cada vez mais encardida, por não ter a mínima condição de esfregá-la forte.

Nos momentos que Sra. Morgan não estava de olho, ela se sentava e ficava acariciando sua barriga, sentindo a criança mexer ainda mais. Durante a manhã e todas as vezes antes de dormir, ela procurava ler em voz alta, cantarolar alguma coisa ou simplesmente conversar com o bebê. Muitas vezes falava sobre coisas do Palácio, sua amizade com Kristin, seu amor por Branca e a inconsolável falta que Robin fazia.

Durante seu horário de almoço, no quarto, ela ouviu a porta bater algumas vezes. Pediu que entrasse e, para seu azar, era Granny.

— Sra. Morgan... Que bom que veio aqui. Eu estou sentindo umas dores que... — iniciou, tentando mudar o assunto inevitável.

— Precisamos conversar, eu já disse, Regina. — Aproximou-se dela. — Sinto muito em precisar fazer isso, mas...

— Por favor — Regina implorou, já sabendo do que se tratava. — Por favor, não faça.

— Você está sendo procurada pela realeza do Reino ao lado, menina! E a desse me parece estar ajudando em algo. Eu não posso ter problemas aqui.

Contara a mesma história sobre seu roubo para Granny.

— Além disso, você não faz metade das coisas que fazia quando foi contratada. Principalmente o chão, olhe para isso... Preciso das coisas perfeitas, e se não pode proporcioná-las, tenho que achar alguém que possa.

— Sra. Morgan, por favor, perdoe estes erros. São por causa da criança, mas assim que ela nascer eu...

— Você ficará ainda mais aérea e indisponível para o trabalho — a velha constatou.

— Não, não! Eu juro que não! — exclamou a empregada e levantou da cadeira.

— Já arrumei uma faxineira nova, Regina. Ela ficará aqui, nesse quarto, então, você tem até amanhã para desocupá-lo. — Entregou-lhe uma bolsa bem menor porém parecida com a que Graham havia roubado. — Isto é o que lhe devo. Deve dar para pagar as primeiras duas semanas em outro lugar, até arranjar um novo emprego.

— Quem irá contratar uma mulher grávida, Granny? Pelo amor de Deus!

— Regina, querida, pensasse isso antes de fazer sabe-se lá Deus o que à realeza. Eu não tenho nada a ver com isso. — Suspirou. — Pode vir aqui para que eu veja seu filho, se quiser. Vou tentar cobrar mais barato, para ajudá-la. E... Posso fazer o parto também.

Com o coração magoado pela velha ter sido capaz de arrancar-lhe da vida que tinha, ela assentiu e não mais insistiu. Seria tolice fazer promessas sobre melhora sabendo que dali por diante iria apenas piorar.

Derrubou o prato no chão assim que ela saiu, tamanho o ódio e apavoramento sobre o que iria acontecer consigo dali por diante. Nunca arranjaria outro emprego. Teria que pedir que Kristin lhe desse mais do que já dava? Ou nem isso seria suficiente e precisaria voltar ao Palácio? Não! Essa última definitivamente não era uma opção.

Tentou descontar sua raiva por alguns minutos, até tomar sua iniciativa e começar a arrumar a pequena mala. Ao fim, a deixou lá e, ainda nervosa, ainda cansada e ainda sentindo dores vez ou outra, ela saiu do albergue, na esperança de encontrar algum lugar para ficar. Lembrou-se de Jefferson por um instante, e como estava as ajudando desde que Kristin o encontrara. Talvez pudesse auxiliá-la numa nova residência, mas nem sabia onde o próprio vivia. Sua amiga certamente sabia, mas ela não. Ainda sobre isso, teria de dar um jeito de arrumar logo um novo endereço para que o pombo-correio não as deixasse na mão.

Passou em frente à Mercearia Campbell, em direção às outras pousadas que existiam por ali. Num segundo, Graham saiu do estabelecimento, chamando-a.

A aldeia estava, como sempre, lotada pelas pessoas e o barulho.

— Está saindo de novo? — ele perguntou. — Está muito frio aqui fora, não deveria fazer isso sempre.

— Foi bom me encontrar com você — respondeu desprezando o ato de preocupação. — Preciso me despedir.

— De mim? Por quê? Como assim? — Aproximou-se dela, abandonando um cervo vivo aos cuidados do vendedor.

— Sua avó me mandou embora — revelou suspirando. — Não estou surpresa, apenas... Bom, desesperada. Mas sabe como sou uma moça de classe, não? — disse tentando fazer piada com a situação. Deu um sorriso melancólico ao final.

— Parece triste, na verdade. — Ele a envolveu num meio abraço e começou a levá-la para dentro de Campbell. — Não acredito que ela foi capaz de fazer isso.

— Não a culpe. Eu não limpava porcaria nenhuma há tempos. Não tão bem, pelo menos. Ela estava fazendo o que precisava fazer.

— Mesmo assim, é injusto. Está grávida e sendo procurada, ou seja, quero dizer... Tem ideia do quão perigoso tudo isso é? — Fechou as portas atrás de si. — E ainda é inverno, para piorar.

— Só preciso encontrar um lugar para ficar. Sabe de algum que não seja caro? — Quase disse algo sobre ter apenas o dinheiro que Granny lhe dera para pagar os últimos dias, mas posteriormente recordou do roubo recente. Pensando melhor, ainda havia algumas das moedas de Kristin, mas também não durariam muito. — Bom dia, Sr. Campbell!

— Bom dia — ele disse secamente, vendo-a de barriga e logo se assustando por reconhecer a mãe solteira dos boatos do povo. Mesmo com a própria insistindo dizer ser viúva.

— Vou fazê-la mudar de ideia — Graham falou.

— Não, por favor. Não há mais nada que eu possa fazer lá. Eu só... Graham, você sabe. Sete meses. Em dois, ou menos, meu filho nasce e... Eu só queria estar com a vida estabilizada para recebê-lo. Estamos conversando agora, mas por dentro estou gritando. Já ouviu meus discursos sobre ser capaz de tudo por ele, e é pra essas horas que eles servem. Para lembrar do quão importante minha criança é e de que não importa o quão exausta eu esteja, sempre terei forças para lutar por sua vida.

O caçador ouviu com atenção, e uma ideia lhe surgiu. Não era do tipo que contava muito sobre sua vida, mas tinha lá seus segredos, suas crenças, seus sonhos e sua força. Assim como Regina tinha forças pela criança, ele tinha força por algo.

— Sei que diz isso sempre, mas acho que posso ajudá-la de um outro jeito, então... French, você realmente, de fato, sem dúvidas, faria qualquer coisa pelo seu filho?

Ele precisaria correr atrás de algumas coisas, conversar com algumas pessoas, contudo, se desse certo, Mills teria muitos motivos a menos para se preocupar.

— Qualquer coisa, Graham — falou esperançosa.

— Mesmo que isso te marque pelo resto da vida?

— Ei! — Campbell exclamou para ele, com o intuito de fazê-lo ficar quieto. O homem sabia de tudo que o rapaz escondia.

— O que é?! — Regina não suportou não perguntar.

— Graham! — o velho de bigodes exclamou.

— Diga, você enfrentaria? Seria algo que te prenderia para sempre. Iria, mesmo assim?

Prostituição. Era a única coisa que se passava na cabeça da antiga monarca. A forma com que seu amigo dizia não deixava margens para dúvidas. Ele devia possuir alguma ligação com um bordel daquela aldeia.

— Eu faria qualquer coisa pelo meu filho. Já disse.

Humbert sorriu maliciosamente, como se tivesse inúmeros planos por trás daquilo.

— O que é? — ela indagou.

— Graham, Graham... — o vendedor tentou calá-lo novamente.

— Será uma surpresa. Campbell tem razão em seu medo. Preciso falar com alguém antes de acertar tudo com você, mas já que aceita...

— Se isso for me ajudar financeiramente, sim, eu aceito.

— Ótimo! — A abraçou novamente, levando-a na direção do albergue em que ainda estava instalada. — Continuando o assunto sobre onde irá ficar, tive uma outra ideia.

— Qual?

— Por que não fica comigo?

Regina se manteve quieta pelos primeiros segundos, tentando adivinhar o que aquilo de fato queria dizer.

— Como assim?

— Fique comigo no meu quarto. Será três vezes mais econômico para você e poderemos conversar muito sobre esse meu... Plano.

Prostituição e morar no mesmo quarto que Graham para conversar sobre os planos estava claramente interligado. Provavelmente ele era dono de um prostibulo e ia testá-la para ver se servia de boa meretriz. Cristo! Além de ladrão era um louco tarado que reunia outros loucos tarados todos os dias.

— É uma péssima ideia. — Saiu do abraço dele. — Vou encontrar uma pousada.

— Ei! Estou dizendo isso com todo o respeito, está bem? Achei que nossos meses de amizade dariam para saber que eu nunca agiria mal com você.

Diga isso ao ouro que me roubou, pensou ela.

— Sinto muito, mas isso não é certo. Eu não quero.

— Por que não? — perguntou aproximando-se e tocando seu braço.

— É errado!

— Na verdade, não é. Eu não vou fazer nada com você, Regina. Posso até dormir no sofá para que tenha uma noite decente na cama, está bem? Eu sei como seu colchão é ruim. Estou tentando ajudar você! Estou tentando protegê-la do que aqueles cartazes querem dizer. Estou tentando ser seu amigo! — ele justificou verdadeiramente ofendido.

Mills pensou por um instante, começando a cogitar. Aquela era a opção fácil. Barata e rápida.

— Um dos motivos pela qual ela está me mandando embora é por eu estar sendo procurada.

— Ninguém vai saber que está lá se não ficar saindo muito — ele constatou.

— Vou ficar presa? Por quanto tempo? O resto da vida?

— Não, Regina. Você vai sair às vezes, mas... Menos do que sai.

— Eu acho que a melhor coisa que eu poderia fazer é ir para outro Reino.

Humbert bufou e pôs as mãos no rosto, perdendo a paciência.

— Mudar? Certo. Quanto tempo consegue ficar de pé? E se for reconhecida no caminho? E os guardas nas fronteiras?

Regina abaixou a cabeça, lamentando perceber que era sua melhor opção. Os cartazes passaram mais uma vez por sua memória e ela se perguntou se seriam de Robin ou de Hades. De qualquer forma, não faria diferença.

— Tudo bem — respondeu e percebeu a satisfação e alívio do amigo. — Por que quer tanto que eu fique lá?

O caçador deu de ombros.

— Gosto de você. — Sorriu e a abraçou novamente, enquanto se aproximavam da pousada de Granny. — E, além disso, sobre o plano que te falei: Estamos precisando de gente.

— Ora, ora, então é por interesse?

— Gosto de você — repetiu e riu em seguida. — Só acho que pode nos ajudar, está bem?

— E se essas pessoas me entregarem aos guardas? — a antiga reinante questionou.

Humbert mordeu o lábio inferior e apertou-a um pouco, visualizando como sua amiga se sairia no futuro novo trabalho.

— Acredite em mim, French. Ninguém lá seria idiota o suficiente para se meter em problemas da realeza.



○●○



— Voltei! — disse Marian, adentrando a suíte que por sinal se mantinha limpa e organizada, diferente de como estava meses antes, nas semanas posteriores ao sumiço de Regina. — Trouxe mais uma! Está cheia dessa vez.

O Rei estava sentado na cama, se perguntando se não tinha outras coisas a fazer. Depois da volta de Branca, Moyes se agitou a tirar o fato da menina saber o paradeiro da mãe de sua cabeça. Além disso, os outros tempos que havia conseguido ficar sóbrio estavam sendo tragicamente deixados pra trás. A empregada fazia questão de distraí-lo com suas conversas fúteis e outra mais outra garrafa de vinho.

Encheu a taça de quem dizia ser seu homem, e logo depois a própria. Acomodou-se na poltrona não muito longe da cama, ficando praticamente de frente com ele.

Locksley ficou quieto nos primeiros segundos após ela entrar no quarto, esperando que a moça lhe desse uma explicação por ter se trocado.

— O que está usando?

— Ah, nada. Quero dizer, um vestido, ora — disse-lhe o óbvio.

— Não estava com isso há... Dez minutos atrás.

O humor do reinante começara a mudar a partir daí. Deixou Marian por perto nos últimos meses pois era a única pessoa que não ficava o tempo todo lhe perguntando sobre quem ele justamente queria esquecer. Ela vinha sempre tentando fazê-lo rir ou tentando convencê-lo a beber um pouco menos. Contudo, no último mês, queria sempre que bebesse outra taça.

De mais a mais, Moyes era quem lhe havia salvado a vida. Ou não? Abrira-lhe os olhos sobre Regina, revelando a verdade antes que a outra tivesse mais tempo de agir e fazer mal àquela família. Não fazia sentido que a afastasse por ter feito algo bom.

Entretanto, ocasionalmente, ela falhava no plano de fazê-lo se esquecer de Mills, e o fazia lembrar ainda mais. Exatamente como estava fazendo naquele instante.

— Por que está usando um dos vestidos dela? — ele perguntou.

Inferno! Passou uma tarde tranquila na companhia da moça e recordou dos tempos antecessores ao dia que conhecera Regina Mills. Boas épocas, aliás. Épocas em que mulher nenhuma o enganava. Porém, agora a criada aparecia novamente vestida com uma das peças que a sumida usara uma ou duas vezes?

Comumente não se lembraria da roupa, mas, em segredo, ainda ia pensar nela adentrando o quarto ao lado. Por mais que estivesse cada vez indo menos vezes ao tal cômodo. De qualquer forma, abria o guarda-roupa e observava algumas, visualizando os momentos bons.

Lembrava-se daquele vestido. Fora a peça que usara para sair do Palácio de Verão depois da lua de mel. Deus, nunca se esqueceria daqueles dias. A seguir, quando chegaram e estavam prestes a fazer a refeição da vez, os rebeldes invadiram o Castelo. Mas este era apenas um detalhe desinteressante.

— É apenas uma roupa — ela justificou e começou a se deliciar do vinho.

— Por que diabos fica usando as roupas dela?

— Pra ver como ficam melhor em mim — a moça proferiu e liberou uma risada alegre logo após. — A menos que queira tirá-lo, hã? — Gargalhou mais alto dessa vez, deixando o efeito da bebida começar a se fazer notar. — Estou brincando, Robin, eu não permitiria que me tocasse nem para isso.

O reinante revirou os olhos, sabendo que aquilo não era verdade. Mesmo sentindo a irritante pontada pelo incômodo de vê-la fantasiada de sua esposa, ele tomou a taça de uma vez e buscou a garrafa para enche-la novamente.

Os dois voltaram aos assuntos de antes, sobre coisas em comum ou outras que um conhecia e o outro não. Comentaram sobre as questões sérias, as inúteis, engraçadas e tudo o que existia em volta.

Robin estava com a camisa meio aberta pelo calor do quarto fechado em presença da lareira e o efeito do álcool. Marian se mantinha ainda com o vestido da outra, sentada de lado na poltrona, com as pernas apoiadas, balançando vez ou outra, sendo agraciada pelo júbilo de estar conversando tão tranquilamente com Locksley. Sabia que ainda tinha chance!

Todavia, quando um dos assuntos acabaram e eles se mantiveram em silêncio para ingerir mais um pouco do líquido. Moyes o flagrou encarando a roupa que vestia por mais tempo que o normal, e voltou a fazer algo que ele odiava: Falar sobre a antiga esposa.

— Duvido que faziam coisas divertidas assim quando estavam sozinhos. Digo, você e ela.

— Como assim? — o reinante perguntou sabendo de quem se tratava.

— Ficarem bêbados juntos.

Sentiu-se incomodado mais uma vez. Não lhe bastava vestir roupas dela, agora queria rotular seu relacionamento?

— Na verdade, eu e Regina fazíamos coisas ainda mais divertidas quando estávamos sozinhos.

— Tipo o quê?

— Tipo sexo.

A alfinetada deixou a moça sem falas. Sentiu-se constrangida por ter precisado ouvir aquilo, e lembrou-se de que, de fato, era verdade. A própria havia a arrumado para sua primeira noite com o Rei, além da segunda, terceira e muitas outras até ser rebaixada ao cargo de lavadeira.

— Já tomou sua decisão? — ele perguntou, zombando internamente de sua expressão raivosa. Já havia dito milhares de vezes para não falar sobre Regina.

— Sobre o que?

— Aquilo que Kristin propôs.

— Ah, não venha com esse assunto de novo, Robin. Eu já disse que minha resposta é não e nada me fará mudar de ideia — proferiu estressada.

— Você sairia ganhando, sabe bem disso.

— Por que quer tanto se livrar de mim? Eu sou a única pessoa nesse Castelo em quem você pode confiar de olhos fechados. Nunca te fiz algo ruim, pelo contrário, te ajudei no que precisou e abri seus olhos sobre aquela mulher terrível com quem se casou!

A infeliz ideia que Kristin havia proposto deixara a criada nervosa ao limite, ainda mais depois de notar que Robin a apoiava.

— Não quero me livrar de você, só quero que comece a lutar por algo que tenha verdadeira chance de realmente acontecer.

Moyes se levantou e sentiu uma tontura pela bebida, mas assim que sua cabeça se pôs no devido lugar, ela caminhou até ele e o empurrou para que deitasse na cama.

— Querida, é justamente sobre isso que estou falando — ele disse, irônico.

Subiu em cima do corpo, com uma perna de cada lado, sentando-se bem em cima de onde seu pênis estava.

Ele, sem tanta força por ter bebido ainda mais que ela, tentou se levantar e jogá-la para o lado, mas seus braços pareciam não estar funcionando direito.

— Marian, saia. Agora.

— Por que fica me negando desse jeito? — A morena perguntou baixo, começando a desabotoar a veste de cima por completo. — Por ela?

— Não é por ela — mentiu.

— Sabe que não vai aguentar ficar mais tempo sem transar, Robin. Você precisa disso. Precisa de mim.

— Então vou continuar testando meus limites — falou colocando as mãos sobre a camisa.

A moça abaixou e começou a beijá-lo no pescoço, enquanto sussurrava no ouvido coisas que queria que ele acreditasse.

— Ela não merece um homem incrível como você, meu amor — disse e chupou sua pele quente. — Você precisa de uma mulher que possa te apoiar e satisfazer em todas as áreas. Nós dois sabemos que eu sou a merecedora de tal posto, não? — Começou a movimentar o quadril, estimulando uma ereção. — Eu faria qualquer coisa para te satisfazer e tirar essa tensão toda que precisa carregar.

Era inegável como o Rei sentia falta de fazer aquilo, por mais que sempre desejasse fazer com aquela que ainda estava desaparecida. Então, por um momento, parou de lutar.

Pôs as mãos em sua cintura, incentivando-a a continuar mexendo.

— Me deixa te fazer gozar? — ela indagou sensualmente, levantando um pouco para olhá-lo nas íris azuis.

Observando-a, ele começou a pensar que, na verdade, não era aquilo que queria fazer. Melhor dizendo, queria sim consumar o ato, mas não daquele jeito, não com ela.

Como não obteve resposta, Marian se abaixou novamente e o beijou devagar, abrindo espaço por entre seus lábios e continuando a se movimentar sobre a ereção.

O reinante não conseguia parar de pensar na mulher que ainda tinha seu sobrenome, que ainda era sua esposa pela lei e que ainda era dona do seu coração. Um sentimento inoportuno de que estava em ato de adultério invadiu seu coração e o fez desprezar tudo o que estava acontecendo no momento. Cristo, havia jurado ser fiel, amá-la e respeitá-la até a morte, e mesmo sendo uma bruxa, literalmente, e manipuladora, ainda era ela. Infelizmente ainda era ela.

Virou o rosto para sair daquele beijo. Estava pronto para empurrá-la dali, se levantar e se recompor de tudo aquilo, porém, quando observou-a novamente, não era mais Marian quem estava ali. Era ela.

— Você... — tentou dizer algo, sem saber ao certo o que estava acontecendo com sua cabeça. — Não é você.

Regina sorriu, destruindo um homem por completo. Oh, não. Era ela. De fato, era. Não podia ser mais real nem mais linda. Apenas aquele sorriso doce e feliz provou que aquilo que via não era uma simples alucinação. A mulher da sua vida tinha retornado!

— Sou eu, meu amor — disse, com a mesma voz, o mesmo tom, o mesmo amor do olhar. Deus, era ela!

Segurou a mão dele e levou-a até seu rosto, este que Robin acariciou com prazer, quase se emocionando por ter o anjo da sua vida de volta.

Talvez fosse o vestido, talvez fosse a bebida, talvez fosse a saudade o enlouquecendo, ou talvez fosse tudo isso. Algo havia sabotado seus cinco sentidos e não haveria nada no mundo que o fizesse duvidar de que aquela era sua esposa.

— Oh, Deus... Você continua tão linda — ele falou, fazendo carinho em seu pescoço e deslizando as mãos por seu braço.

A mulher sorriu mais uma vez, e tudo estava lá: Aquele brilho, aquela alma que o deixava bem apenas por estarem no mesmo cômodo e o rosto perfeito que nunca havia saído de sua memória. Permanecera lá, intacto, bem guardado, e era usado todas as noites, enquanto imaginava se poderiam se ver novamente.

— Sentiu minha falta? — ela perguntou.

— Não sabe o quanto! — Não suportando mais a distância, ele puxou sua nuca e os dois colaram num novo beijo. Dessa vez, mais intenso, mais apaixonado e mais lascivo.

Uma força que antes não existia o fez se virar na cama e ficar por cima dela, ainda beijando aquela mulher que nunca seria capaz de entender o quanto era amada.

Suas pernas envolviam o corpo do monarca e ele começou a pressionar sua ereção por cima dos panos indo de encontro com seu sexo. A mão — que a muito tempo não fazia isso — agarrou um dos seus seios e o massageou levemente, com o propósito de tirar logo toda aquela roupa e chupá-la até que ficasse vermelha e que gemesse baixinho em seu ouvido, contando o quão doloridos os mamilos estavam.

Entretanto, não precisou tirar sua roupa para começar a ouvi-la suspirar. Até esses sons eram iguais. Realmente não existia forma de não ser ela.

Ele se levantou, parando aquele beijo por um instante para retirar a camisa por completo. Quando terminou, se abaixou de novo e começou a beijar seu pescoço, seu colo, sentindo as mãos de Regina passearem por suas costas e apertarem-na.

Estava duro por ela. Rápido e fácil. Com a saudade que estava, era impossível demorar a ficar pronto para finalmente poder fazer aquilo. Não pensava em nenhuma outra coisa. Sequer se lembrava de seus erros, de Branca, de Marian, das brigas... Apenas na loucura por tê-la ali mesmo.

Quando ele começou a abaixar a alça do seu vestido — que, por acaso, possuía o mesmo aroma que tanto idolatrava — ela disse entre suspiros:

— Eu estava falando sério quando disse que faria de tudo para lhe satisfazer, Robin.

— Eu sei, meu bem, sei que faria. — Abaixou um pouco mais do tecido, podendo ver o castanho do mamilo esquerdo. — Não se preocupe com isso.

— Posso realizar qualquer fantasia que tenha, então... — Parou por um instante, sentindo a deliciosa língua molhada passando pelo seio e a fazendo arrepiar. Contudo, ela puxou o rosto dele, para que olhasse em seus olhos por um instante. — Pode me chamar de Regina, se quiser.

O reinante ficou sem reação pelos primeiros segundos. O que ela estava dizendo?

Depois, uma confusão tremenda invadiu sua mente e se lembrou de que era Marian quem estava ali a minutos atrás. Ficou de boca aberta, ainda visualizando Regina e torcendo para que não estivesse errado e fosse ela mesmo.

A moça o puxou para um beijo rápido, disposta a deixá-lo continuar se deliciando com sua pele, porém, assim que os lábios se afastaram, Robin teve visão do que verdadeiramente estava acontecendo.

Só podia estar ficando louco.

Era provável que, no fundo, ele estivesse apenas desejando que aquela mulher fosse a sua esposa. Isso unido ao álcool o fez crer que de fato era ela. O vestido também ajudou.

Ele ficou ali, encarando-a e sentindo raiva e decepção se misturarem dentro do seu coração. Não podia crer que tudo havia sido uma mentira! A viu ali, perfeita e completamente real, presente. Não era possível que tinha sido apenas fruto da sua mente desgraçada.

Começou a se levantar, cético e assustado, com a mão na boca, se lembrando do beijo que durante algum tempo teve certeza ser da mulher da sua vida.

— O que foi? — Moyes questionou se sentando na cama, ofegante e desejosa.

— A-Ahn... Marian, eu não... — começou a tentar explicar.

— Eu não deveria ter tocado no nome dela? É isso? — Se levantou e deslizou as mãos pelo tronco nu do monarca. — Desculpe, querido, pode me chamar do que quiser. Eu só estava tentando tornar as coisas mais fáceis ou mais prazerosas pra você. É claro que seria apenas uma fantasia.

Robin se afastou mais um pouco, ainda de respiração pesada e chocado com os golpes que sua mente estava lhe dando. Realmente precisaria parar de beber total e completamente, ou algo como aquilo poderia voltar a acontecer, e talvez não conseguisse se segurar.

— Desculpe, Marian — pediu e balançou a cabeça em negativa. — Eu não posso fazer isso. Eu não deveria estar fazendo isso.

Essa submissão de Moyes e aceitação caso ele quisesse chamá-la pelo nome de outra apenas serviu para que o Rei pudesse ter certeza de que a relação dela para com ele não havia mais paixão ou apenas a obsessão. Era o interesse quem falava mais alto. “Só estava tentando tornar as coisas mais fáceis ou mais prazerosas pra você” chamando pela antiga esposa? Que mulher se submeteria a tanto? Que tipo de amor era esse? O amor interesseiro, apenas esse.

— Ei, claro que pode. Vamos, Robin, podemos tentar de outro jeito. — Tentou abraçá-lo, mas ele se afastou.

A criada sempre soube e sempre teve total consciência de que o amor de Robin e Regina era real, mas o desejo de vingar tudo o que havia ocorrido no passado, as humilhações e subir radicalmente na vida, deixavam-na disposta a passar por cima desse amor, esmagando-o e destruindo-o nem que tivesse que suportar ainda mais humilhações. Porém, dessa vez, provocadas por si mesma.

— Deite na cama e me deixe tirar esse vestido na sua frente. Só aí você decide se vai querer continuar ou não. — Rapidamente ela levou a mão até o volume na calça do reinante, que ainda sentia as consequências por desejar tanto uma mulher que estava longe. — Está vendo? Seu corpo me responde. Você me quer.

Todavia, Robin já sabia que iria precisar se aliviar sozinho assim que ela saísse.

— Marian, estou falando sério. — Tirou as mãos dela de lá. — Sinto muito por isso, mas não posso continuar.

— Não pode estar falando sério.

— Preciso que saia, por favor — pediu.

A criada começou a sentir raiva por estar fazendo aquilo. Ajeitou o vestido e cruzou os braços.

— Não! — ela exclamou.

— Não? — Caminhou até a porta, abrindo-a por completo e permanecendo perante a mesma, segurando a maçaneta. — Saia. Daqui. Agora! — ele pronunciou perdendo a paciência.

Os dois ficaram se encarando, um esperando a atitude do outro. Ele, que ela se fosse logo; ela, que ele voltasse atrás e pedisse desculpas.

O sentimento negativo era claro. A raiva e indignação não parava de crescer, simplesmente. Então, quando notou que não havia mais o que pudesse ser feito, a morena — ainda de braços cruzados — saiu em direção à porta, pisando firme, brava.

Quando estava fora do cômodo, prestes a sair da frente da porta, Robin a chamou e ela se virou, esperando que aquele fosse um sinal positivo.

— Ah, Marian! Só mais uma coisa. — Sorriu irônico e continuou. — Tire esse vestido. Pare de pegar o que não é seu — disse, por fim, e bateu a porta antes que ela pudesse falar alguma coisa.



○●○



No dia seguinte, ela já estava instalada no quarto do amigo. Graham conversara com Granny, que aceitou que a moça encrenqueira continuasse escondida lá durante alguns meses, porém, a mesma apenas se submeteu a tal coisa, quando seu neto explicou o que planejava fazer. A mulher, assim como Campbell, também estava envolvida naquele projeto secreto.

À noite, as coisas não saíram como planejado e Graham deu a entender que gostaria de dormir na cama, assim como ela, mas jurou que não faria nada. Regina, disfarçando, aceitou, mas quando chegou o horário de se recolher, inventou estar com falta de ar e preferiu dormir sentada num dos sofás que o caçador possuía.

Era inegável seu desconforto por passar uma noite à sós com algum homem que não fosse Robin. Sentia como se estivesse fazendo algo absurdo, e, no instante que seus vizinhos soubessem que os dois viviam desse modo, ficariam tão escandalizados que a própria acreditaria em suas ásperas palavras e termos para descreve-la.

Demorou algum tempo para conseguir dormir, não por conta de conforto. Apesar de que o sofá do rapaz possuía ótimas almofadas. Ficou um extenso período se lembrando do dia abençoado que tivera com Branca, e torcia para que aquilo pudesse se repetir. Lembrava-se mais uma vez de Robin e suspirava ao visualizar os momentos de mais puro amor, que se repetiam — quase — todos os dias.

Ao fim da tarde do dia seguinte, ela estava terminando de comer um delicioso pedaço de torta de maçã que Fancy havia trazido. Tivera muitos desejos em sua gravidez, mas, até o momento, aquele era o único que tinha conseguido realizar.

Graham adentrou o cômodo, animado, dizendo:

— Deu certo! Falei com eles, expliquei sua situação e aceitaram. Acredita nisso?

— Meu caro, eu estaria tão feliz quanto você se pelo menos tivesse ideia de quem são “eles” e do que vamos fazer — proferiu após terminar de mastigar.

— É surpresa, eu disse. — Encostou a bolsa de armas ao lado da cama e começou a tirar o casaco de couro, mas não antes de entregar a ela um pacote médio. — Pra você.

A moça largou a colher a segurou seu presente, abrindo rápido pela curiosidade. Quando conseguiu, puxou o tecido e o desdobrou, flagrando ali um vestido muito mais bonito do que aqueles que usava no dia a dia.

— Graham, é lindo! — pronunciou encantada, sentindo falta de usar uma roupa verdadeiramente bonita.

Apesar de que aquele não chegava aos pés dos que vestia no Palácio, mas não deixava de ter sua beleza.

— Vamos a um lugar hoje. À noite, quero dizer — falou e ela o fitou, aguardando que continuasse. — É sobre aqueles planos secretos, você vai conhecer o pessoal.

Prostituição. Não poderia ser outra coisa. Outra prova era o tal vestido que comprou para que ela ficasse mais bonita. Deus, nunca perdoaria Graham se realmente estivesse certa.

— Quando vamos ir?

— Assim que a aldeia se silenciar e todos entrarem pra dentro. É essa a hora certa.

Ela ficou séria de repente. Segurou o vestido e ficou o admirando, sem dizer mais nada, temendo tudo o que poderia acontecer naquela noite. Ou talvez fosse uma tola por permanecer sempre pensando no mal. Aquilo bem que tinha chances de ser uma dádiva na sua vida, ser algo que lhe desse uma perspectiva de vida muito melhor tanto para si mesma, quanto para a criança.

Humbert notou como ficara prostrada repentinamente, e sentou ao seu lado no colchão.

— Lembre-se do porquê de estarmos fazendo isso, French. Além do mais, não é obrigada a nada. Se achar que é demais pra você, se não gostar, se tiver medo, tudo bem. Eles deixarão ir embora. — Pôs a mão no ombro dela. — Só que, aceitando ou não, você precisará jurar nunca falar sobre tudo o que ver lá para ninguém. Ninguém, Regina.

— Você já disse isso — respondeu ainda aborrecida.

— Não disse que faria tudo pela criança?

— Eu já estou fazendo, Graham — pronunciou, comparando rapidamente a vida que tinha antes com a atual. — Deus sabe a quantidade de coisas que estou abrindo mão e que estou enfrentando por ele... Ou ela.

O caçador ficou estudando sua expressão por um momento, percebendo sua tensão e impaciência. Queria poder contar de uma vez do que se tratava, mas arriscaria assustá-la e fazer com que se afastasse, consequentemente espalhando a história, o que o prejudicaria muito.

Pôs a mão sobre a barriga grande e redonda da camponesa, acariciando de leve e sorrindo em seguida.

— Já escolheu o nome? — indagou.

Mills conseguiu deixar uma risada leve sair por um instante. Ele tinha tocado em seu ponto fraco.

— Continuo fazendo aquela lista, sabe? A guardei naquela gaveta da cômoda. — Apontou na direção. — Parece que foi uma má ideia. Eu juntei tantos nomes e agora estou ainda mais confusa.

Ele suspirou e pensou por um instante.

— Acho que, quando nascer, você vai ver do que ele ou ela tem cara, e vai saber qual colocar.

Ela riu novamente. Mordeu o lábio e se imaginou segurando um pequeno bebezinho nos braços, chamando-o de seu.

— Não sei se isso é possível, mas, quem sabe? — Deu de ombros. — De qualquer forma, acho que só terei certeza de qual colocar quando nascer.

O rapaz tirou a mão do lugar onde a criança estava e segurou a da mãe, nunca deixando de acariciar.

— Está com medo? — ele perguntou.

Regina refletiu, deixando que mais uma de suas inseguranças viessem à tona. Apertou a mão do amigo e suspirou profundamente.

— Sim — respondeu de voz embargada.

— Do que?

— De tudo. — Olhavam nos olhos, o que permitia que o outro pudesse sentir pelo menos uma pequena parte daquele sentimento. — Medo do parto, mas principalmente do que virá depois. Eu não tenho ideia de onde começar para ter uma vida estabilizada. — Em seus pessimistas e mórbidos pensamentos sobre o futuro, ela se permitiu imaginar algo que ainda não havia pensado, e aquilo deixou que começasse a ficar nervosa. — Oh, Deus!

— O que foi?!

— Eu estava pensando, e... — Demorou um pouco para ter coragem de deixar a sentença sair. — Graham, e se eu morrer no parto?

O jovem ficou paralisado, sem saber o que dizer ao certo. Aquilo, por mais sistemático que fosse, não deixava de ser uma opção real. Ainda mais para Regina que tivera uma gravidez tão difícil.

— Gina... Não diga uma coisa dessas!

— Se acontecer... Oh, Deus... Se acontecer... — Levantou rapidamente do colchão, com a mão na boca.

— Olha, não pensa nisso, está bem? Não vai acontecer!

Mills acreditava que a criança estaria mais feliz e segura se vivesse com ela, porém, dessa forma, nunca iria possuir a menor chance de conhecer o pai. Talvez fossem vê-lo de longe em algum desfile de nobres que pudesse ter daqui alguns anos, mas nunca lhe diria que ele, aquele homem por quem nunca poderiam se aproximar, era seu pai.

Todavia, e se morresse? O que aconteceria a partir daí? Quem o criaria? Quem o alimentaria, o colocaria para dormir, lhe daria amor? Quem naquele mundo cruel tomaria conta de um serzinho tão indefeso? Pensou por alguns instantes, pensando e inventando opções, e só aí percebeu que, por fim, se a própria morresse, estaria dando o melhor dos finais felizes à criança que gerava.

Poderia deixar uma carta de despedida pronta, dizendo suas últimas palavras, e pedindo a Jefferson, por exemplo, que a entregasse a Kristin, caso morresse no parto. Na carta, diria a Robin sobre a criança e pediria que fosse buscá-la. Por mais ódio que o homem possuísse por sua esposa, ela sabia que seu caráter era inatingível, e que ele nunca viraria as costas a um filho seu pelas brigas do passado.

A criança estaria a salvo. Órfã de mãe, mas a salvo. Viveria na Corte e teria do bom e do melhor, vivendo bem diferentemente do que viveria se Regina não morresse e permanecesse pobre para sempre.

Ainda estaria sobre perigos em relação à Hades e Marian, mas contaria em suas últimas palavras tudo o que o Duque fizera contra ela na noite em que a víbora revelou seu segredo. Locksley nunca perdoaria aquilo. E em relação à criada, essa não tinha tanto poder assim para fazer-lhe mal, e sabia que Kristin estaria de olho, assim como o Rei e assim como a governanta que certamente iria ter, as amas de leite, e os guardas. Muitos olhariam pelo bebê, caso estivesse no Castelo. Mas, quem olharia por ele se vivesse com Regina, enquanto a mesma trabalhava, por exemplo?

Nunca imaginou que pudesse notar isso, mas era a verdade. Sua morte era o final feliz de quem mais amava no mundo.

Sobre Rumple, também falaria sobre seus futuros planos na carta, alertando Robin e pedindo que solicitasse a ajuda de alguém poderoso com magia da luz. Deveria existir alguém assim.

Não sabia se estava tendo ideias tão lúgubres apenas pelo medo dos planos de Graham não serem a melhor coisa que poderia acontecer, ou pelo medo de ser mãe — dessa vez, desde o início de uma vida —, ou se realmente desejava a própria morte.

Os tristes pensamentos nunca mais se foram. Se instalaram até quando a noite chegou, as horas foram passando, e pôde começar a se arrumar. Vestiu o vestido que o caçador comprara, que acomodava confortavelmente sua barriga, e, ajeitou o que podia no resto do corpo, vendo que não possuía tantas opções como quando residia no Palácio.

E ficaram aguardando, olhando pela janela, observando cada porta que era trancada, cada luz apagada, e apagaram-na também, deixando apenas duas velas acesas. Mantiveram-se em silêncio, prestando atenção, conferindo quem ainda faltava se recolher. Ao passar do tempo, a rua ficou vazia, escura, completamente silenciosa.

De repente, algumas pessoas começaram a sair. Em pouca quantidade, elas iam silenciosas na mesma direção, segurando uma lamparina para iluminar o caminho. Estavam todas em pares ou trios, e caminhavam em velocidade normal, sem dar uma palavra.

— Está na hora — o rapaz sussurrou.

— Na hora de que? — perguntou, com medo.

— Fale baixo! — ele respondeu. — Vai ver quando chegarmos lá.

Segurou na mão da moça e os dois saíram, lutando para não fazerem nenhum barulho, por mínimo que fosse.

Descendo as escadas, eles viram dois outros homens saindo de um dos quartos do térreo. Os dois os cumprimentaram com um movimento da cabeça, sabendo que estavam indo para o mesmo lugar. Graham copiou o gesto, enquanto Regina estava quase travada, sem conseguir dar uma só palavra. Começou a respirar pela boca, insegura e tendo certeza de que estava se enfiando em ainda mais problemas. Pôs a mão na barriga e apertou a mão do amigo, que fez um sinal — com o indicador fronte à boca — para que permanecesse quieta. E acariciou sua mão tensa por alguns segundos, até saírem do albergue.

A rua possuía alguns casais, amigos ou familiares, todos juntos, andando, silenciosos, escondendo aquele segredo para que os outros vizinhos não notassem sua presença. E, se notassem, não se sentissem preocupados ou ameaçados. O caçador e a Rainha eram ali uns dos únicos que não levavam lamparina. Andavam de acordo com o fluxo de pessoas, apenas às seguindo, e seguindo suas luzes.

Saíram da aldeia, e começaram a entrar na floresta. Quando isso aconteceu, Regina se preocupou ainda mais, e foi parando de andar, puxando a mão do outro para trás. Ele a encarou sem entender o que estava fazendo, e, com a voz falha, ela justificou:

— Eu não quero ir mais.

— O que? — perguntou baixo. — Por quê?

— Me diga o que vamos fazer lá, Graham. Diga, agora — ordenou, com a respiração pesada e sentindo-se o mais vulnerável possível.

— Você está prestes a ver.

De repente, Granny passou por eles, que estavam parados, e mandou que ficassem quietos. Quando a velha estava mais à frente, a camponesa voltou a dizer:

— Eu estou com medo disso. Não posso arriscar.

— Não é nada perigoso, eu juro. Pelo menos não pra você.

— Ah, é mesmo? Então por que não podemos nem falar? De quem estamos nos escondendo?

Humbert abaixou a cabeça e tapou o rosto com as mãos, tentando manter-se paciente. O ato fez com que a moça percebesse que seu medo não era em vão.

— Graham — aproximou-se dele —, estamos nos escondendo de alguém?

Ele a olhou, como que esperando que ela notasse que a resposta era “sim”. Mills deu dois passos para trás e bateu em algumas das pessoas que estavam atrás dela. Os aldeões olharam-na feio, como se fosse uma louca que não entendia a importância daquilo.

— Espere! Regina, espere — ele disse e foi atrás dela. Segurou seu braço e depois sua mão, entrando na caminhada novamente. — Eu explico tudo para você no caminho, mas aja naturalmente, pelo amor de Deus.

— Eu preciso ir embora. Eu juro que preciso ir embora.

— Vou contar tudo para você antes de chegarmos lá, tudo bem? — proferiu baixa e calmamente.

— Graham...

— Por favor, eu já tinha avisado que você viria. Apenas escute, pode ser?

Ela engoliu em seco e aceitou, assentindo e voltando a caminhar com as pessoas ali perto.

— Certo. — Ele suspirou e molhou os lábios, se preparando para dizer tudo. — Há muitos anos, um grupo de pessoas começou a se reunir, pois tinham passado por alguns traumas em comum. Traumas estes, diretamente ligados à dinheiro ou segurança.

Ao longe, podiam ver algo como uma casa grande, que mais parecia um barracão. Tinha paredes de pedra, altas e aparentemente fortes. Seus portões estavam abertos e ouvia certo som saindo lá de dentro, como uma música dançante. A multidão ia adentrando o estabelecimento aos poucos.

— Alguns deles começaram a trabalhar no Palácio, na tentativa de melhorar sua condição e deixar os traumas para trás. Mas, ao passo que iam se aproximando dos governantes, perceberam que havia algo errado.

Regina estava cética, sabendo que agora sim estava com pelo menos um pé na morte. Não era possível que havia se misturado no meio daquele povo.

Alguns homens paravam algumas pessoas da fila de camponeses enquanto estes lhe mostravam algo preso ao pescoço e, assim, podiam continuar andando para dentro do lugar afastado e escondido, que se aproximava cada vez mais.

Um deles os alcançou e Graham exibiu uma medalha com um desenho estranho aos olhos da mais jovem. Quando Mills não fez o mesmo, eles os barraram, sem permitir que ela pudesse avançar.

— É a French — disse, interrompendo sua história. — Regina French. A convidada.

O senhor assentiu, aceitando o que parecia já ter sido combinado anteriormente, e permitiu que continuassem andando.

O casarão era gigantesco, e as pessoas que preenchiam aquele festa eram, em sua minoria, exóticas. Faziam apresentações incríveis com fogo, e truques de uma mágica convencional, diferente da de Rumplestiltskin, por exemplo. Já a maioria se preocupava em rir, dançar, gritar, conversar, mas principalmente comer.

— Estavam cansados de sofrer, e quando descobriram a verdade, espalharam a notícia e se reuniram com outros e mais outros que ficaram escandalizados ao saber o que acontecia lá dentro — ele acrescentou. — Desde então, é passado de geração em geração a luta por um Reino melhor. Nós somos as vítimas da história, Regina. Não tem de ter medo.

Passaram pela entrada e o que a Rainha viu foi quase como um show de horrores que era obrigada a assistir. Suas pernas eram obrigadas a andar, enquanto a única coisa que sentia era um desespero transbordante que implorava que saísse dali o mais rápido possível e tirasse o pescoço da forca.

Suas unhas feriam a mão do caçador, ao mesmo tempo que um grito preso à garganta clamava socorro.

Havia, na parede de fundo, uma gigantesca pintura de Robin, perfeitamente como ele era pessoalmente. A obra estava manchada, suja e ferida, mas ainda era Robin. Ao lado esquerdo, outra pintura imensa, de uma menina pequena, semelhante a Branca, mas não igual a ela. Ou melhor, era ela, porém, bem mais nova.

Ao lado direito, era apenas o desenho e alguns rasos traços de uma mulher que usava uma tiara. Ela logo soube que a tal lhe representava, mesmo que nem o seu rosto e nem o rosto de outra pessoa estivesse lá.

Teve certeza de que estava perdida, presa na presença de vândalos assassinos que haviam matado inúmeros de seus guardas, jardineiros, empregadas, cozinheiras, motoristas... Que haviam matado os pais de Robin, colocado a vida de todos os outros que, no Castelo residiam, num perigo real e sanguinário.

Estava junto de feras que talvez juntas pudessem ser piores e mais cruéis que Rumplestiltskin, que era, por acaso, a criatura de quem mais cultivava medo, nojo e ódio. Eram eles, os facínoras, homicidas e destruidores de qualquer tipo de paz que Robin, por exemplo, pôde ter durante toda a sua vida, e ela durante todo o seu casamento.

— Deus, quem são vocês? — ela perguntou para si mesma, em voz alta, referindo-se aos monstros cruentos que tanto assustavam sua filha e que haviam sido responsáveis pela morte de muitos.

Graham chegou próximo dela, com seu hálito quente, que agora Regina podia interpretar como a exalação de uma cobra.

— Pode nos chamar de... Rebeldes.



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