História Ruby - Capítulo 7


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Capítulo 7 - 07


 Hansol se via com a mente lotada de perguntas que por fim não saía nenhuma de sua boca. O seu pai que ele acreditava estar morto, está vindo bem na sua direção. Como isso seria possível? Onde ele estava todo esse tempo? O que ele está fazendo aqui nesse exato momento? São tantas perguntas! 

— O que está acontecendo aqui? — perguntou Hansol, olhando para Minghao e logo voltou o seu olhar para o seu pai. — Como você está vivo? E como vocês se conhecem? 

— O senhor Chwe me procurou para fechar alguns negócios alguns meses atrás. A empresa dele nos EUA está em um ótimo rendimento, não vi empecilhos para negociações — respondeu Minghao. 

 Empresa? Mas a empresa do senhor Chwe ficou com a mãe de Hansol e ela vendeu para… — O senhor tinha um caixa dois? — perguntou Hansol, para o seu pai.  

— Claro — respondeu o pai de Hansol como se fosse algo óbvio. 

 Como que a mãe de Hansol não percebeu que estava vendendo a empresa para o próprio marido? Era isso que Hansol se perguntava entre as outras várias perguntas. 

— Por que tanto tempo sumido? Por que aparecer agora? 

— Eu não esperava lhe ver agora, mas não importa — respondeu o senhor Chwe, deixando Hansol ainda mais confuso. — Eu voltei, e sua mãe pagará pelo o que tentou fazer comigo. 

—  Então voltou por vingança?  — perguntou Hansol, de certa forma assustado. 

 A presença fria de seu pai de certa forma lhe assustava, principalmente por só a imagem que lhe traz semelhança. Porque o resto ele não conseguia mais reconhecer. Cadê aquele homem que preenche suas memórias de infância? Com certeza não é o homem  que está em sua frente!  

— Eu diria um acerto de contas. Apesar de eu estar  distante eu não deixei de acompanhar vocês nenhum momento. É um pena que você e sua irmã se tornaram como ela. Só que nada disso acaba bem. Eu estou vivo, sua irmã foi presa e você, bem… Eu já tinha avisado de você para Minghao. Desde a primeira vez. 

 Hansol engole seco e olha rapidamente para Minghao que está com a mesma expressão desde que ele colocou os pés nessa sala. 

— Então, você sabia? Por quê? — perguntou Hansol, para o empresário, rindo de nervoso e sentindo os seus olhos começarem a queimar. Ele não deixaria suas gotas salgadas derramarem ali. 

 É demais para Hansol! É tanta coisa, é tanta informação ao mesmo tempo, que, fazia ele sentir múltiplos sentimentos que lhe levavam em exaustão. 

É a mágoa, a raiva, o sentimento de abandono, traição e desespero tudo em um corpo só. É uma ferida que ele não consegue mais tapar. 

— Quer saber? Foda-se, não me responda! EU NÃO QUERO OUVIR PORRA NENHUMA DE VOCÊS! — Hansol se deu uma pausa para os próprios nervos que ele está sentindo saltar do pescoço e continuou. — O senhor não tem moral nenhuma de falar dos filhos que nem sequer acompanhou. Você não me conhece, não conhece a So, então pense duas vezes antes falar qualquer merda! E você está aí todo Robin Hood em suas justiças que não percebeu que é igualzinho a quem está lutando. Porque tanto você e tanto ela não pensam em quem está em volta. Foda-se quem está em volta, o importa são os negócios! E você Minghao — disse Hansol, apontando para Minghao —, não olhe mais para minha cara! 

 Minghao suspirou ao ver a porta de sua sala sendo batida com brutalidade. Ele pegou o seu celular em cima da mesa, clicando no número seis do disk rápido que ligava para o chefe de segurança do prédio.

— Senhor Xu, boa tarde! O que posso ser útil? 

— Um garoto com um jaqueta de couro. Não deixe ele sair. Quero que o pegue e leve para o meu apartamento. Nem que seja a força! — disse Minghao, colocando a carteira no bolso e desligando o notebook. 

— Sim, senhor! 

 Minghao desligou a ligação colocando o celular em seu bolso também.
— Senhor Chwe, sei que teve uma horrível experiência com sua esposa, mas não jogue a culpa nos seus filhos. Eles não são como ela, e diferente do senhor eles não tiveram escolha de não conviver com ela. Tudo que eles não precisavam é de um dedo apontando na cara. E no fim eles são o reflexo do que conviveram. Estão confusos. Bem, o contrato da nossa negociação está com a secretária. Qualquer coisa pode me telefonar. Agora se me der licença terei que resolver um problema pessoal — disse Minghao, ajeitando sua gravata e saindo de sua sala com toda sua plenitude, deixando o senhor Chwe refletindo seus próprios atos. 

 Minghao coloca a chave na tranca da porta do seu apartamento e dá para escutar os gritos de Hansol do corredor. O empresário entra vendo o mais novo falando com empregada que tenta lhe acalmar. 

— Mas o senhor Xu, ordenou que ficasse aqui até a segunda ordem! — A senhora tentou explicar pela milésima vez. 

— Ele não pode me deixar simplesmente aqui, porque quer. Destranca essa porta para eu ir embora! E… Minghao! Me deixa sair agora! — disse Hansol, cheio de raiva olhando para o mais velho que acabou de entrar na sala. 

 Minghao nem sequer olha para o mais novo e isso acabava lhe irritado ainda mais. Ele estava olhando para empregada. 

— O almoço está pronto? — perguntou Minghao, para empregada. 
— Sim, senhor! 

— Ótimo, não precisa servir. Avisa aos outros que estão liberados — disse Minghao, desabotoado o botão da manga da camisa por cima do blazer. 

— Sim, senhor! — respondeu a empregada fazendo reverência e saindo da sala. 

— Tem como me deixar ir embora? — perguntou Hansol, rangendo os dentes.  Ele estava se segurando para não socar a cara do empresário. 

— Quando você se acalmar poderá ir normalmente. Não quero você bêbado e arranjando briga por estar com raiva — respondeu Minghao, tirando o seu blazer com tranquilidade. Minghao tem total consciência do temperamento do mais novo. 

— Eu estou com raiva de você e não das pessoas de um bar! Você sabia desde o começo. Enquanto eu estava carregando a culpa todos esses meses. Você estava me fazendo de bobo! — exclamou Hansol, sentindo suas lágrimas de mágoa misturada com ódio se derramarem no seu rosto.  

 Ele não queria chorar mais na frente de ninguém, o empresário não estava merecendo ver os seus sentimentos. Porém Hansol não estava mais.
aguentando suportá-los dentro de si. 

— Não foi isso, Hansol! — respondeu Minghao, em um sussurro e olhando profundamente para os olhos do mais novo. 

— Então o que é?  Me diz!

— Hansol, como que eu iria falar algo que você ainda não estava preparado para me contar? — Minghao deu um passo para frente e Hansol foi obrigado a raciocinar que tinha sentido. 

— Eu sabia de você desde o começo, mas por fim a conclusão foi minha. Eu não retiro nenhuma palavra do que eu já lhe disse, nada mudou. 

 Hansol se sentiu desarmado com a fala do empresário, como se estivesse perdido uma batalha. Mas ele não conseguiu responder algo, porque ele sentiu um fluxo amargo subindo pela sua garganta. Ele corre para o banheiro, e se ajoelhou rapidamente em frente ao vaso deixamos o fluxo sair pela sua boca. De fato ele não se dá bem com bebidas alcoólicas.  

 Assim que ele sente o seu estômago contrair e nada sair dos seus lábios, ele olha para frente com sua visão turva. Minghao chega na mesma hora evitando que o mais novo batesse a cabeça no chão. Ele tinha desmaiado. 

 Hansol abre os olhos com muita dificuldade, vendo o cacto com duas florzinhas, que Minghao rega mais do que deveria, em cima da mesa de cabeceira do lado oposto da cama. Ele respira fundo sentindo o cheiro do mais velho nos lençóis da cama e nas próprias roupas que está vestindo que não são suas. 

 Minghao entra no quarto seminu com a camisa pendurada em um dos ombros. Ele deixa uma garrafa d'água em cima de um móvel do quarto e se vira em direção a cama.

— Como está se sentindo? — perguntou Minghao, ao ver que finalmente o mais novo acordou. 

 Ele se aproximou do mais novo e tocou nos fios do seu cabelo. Hansol lambe os seus lábios secos e pisca os olhos ainda extremamente sonolentos. 

— Bem… — sussurrou Hansol, sem ter certeza da sua própria fala, mas era algo mais curto que ele conseguia responder.  

— Que bom, eu fiquei muito preocupado. Eu chamei a médica para ver você. Ela disse que foi o estresse junto com a bebida. Você tomou até soro — disse Minghao, levantando a mão direita do mais novo mostrando o curativo — Eu pedi que ela fosse ver sua irmã também e ela está no hospital agora. 

— Por que? — perguntou Hansol, preocupado. 

— Você me disse que ela estava machucada então eu mandei a médica ir lá ver. Ela disse que pelo estado de sua irmã ela não deveria estar na delegacia. Pelo o que médica me disse ela está bastante machucada. É muita covardia! Bem, o advogado pediu para que ela fizesse corpo de delito, algo que não fizeram, já que ela era acusada, e o resultado reforçou a declaração da médica que ela realmente precisava ir para o hospital. Então ela recebeu a autorização. E também, o cara já saiu da UTI e eu tive uma conversa, digamos, calorosa sobre esse assunto. Eu puxei a ficha dele antes. Todo mundo tem um podre, neném! Então, você não precisa se preocupar, porque ele vai tirar a acusação. Depois que sua irmã sair do hospital, ela estará livre. 
 Hansol olha para o empresário que deu a volta, se sentou ao seu lado e pegando o celular no bolso. Hansol não sabe o que dizer. Para quem estava esperando o pior, era muita informação para si. 
— Minghao… Eu… — Hansol tenta procurar palavras para agradecer e se desculpar, mas o empresário lhe interrompe. Ele estava sentindo que foi extremamente injusto com o mais velho. 

Shiu... Está tudo bem! Apenas descanse.

  Minghao sente o braço do mais novo entrelaça sua cintura e encostando o rosto em seu abdome. 

— Não está nada bem! Eu fui injusto com você. Me desculpa! 

 Minghao admitia para si o que mais novo lhe disse, mas ele não iria jogar isso na cara do mais novo.

— Você estava alterado, era muito informação e passou! — disse Minghao, tranquilamente e colocando o seu celular em cima da mesinha perto do vasinho de cacto. 

Mas… 

— Hansol, quando o seu pai veio me avisar sobre você e sua família, era a visão dele e no começo sem saber quem era você, eu paguei para ver. Eu queria saber até onde você iria, eu admito! Mas os meses passavam e cada vez mais estava gostando disso tudo e para a minha sorte eu percebi que você não era nada do que o seu pai me disse, porque eu não estava preparado para parar. Então nada mudou! Não precisa me dizer nada! Não precisa me agradecer, ou pedir desculpas! Está tudo bem! 

 Minghao sabia que precisava deixar bem claro sobretudo para Hansol, pois o que mais novo não perguntava é porque ele inventava alguma resposta na cabeça, e vai saber as conclusões que o mais novo inventou. Ele só queria que o mais novo tentasse ficar tranquilo, principalmente por a saúde de Hansol depender disso. 

— Eu vou poder ver a minha irmã? — perguntou Hansol, mudando um pouco o assunto para tentar esconder o impacto que as palavras de Minghao lhe causou. 

— Claro. Amanhã eu te levo lá —  respondeu Minghao, vendo o mais novo acenar em confirmação. 

 O empresário fica olhando para aqueles olhos que estão lhe encarando de uma forma diferente. Minghao não estava sabendo identificar. Hansol levanta o seu corpo e se aproximado cada vez mais do mais velho.

— Por que você está me olhando assim? 

 Hansol não lhe respondeu, porque estava respondendo o que seus sentidos estava pedindo. Ele encosta os seus lábios nos lábios alheios sentindo o seu coração dolorido de tão forte que está batendo no seu peito, junto com os seus pulmões que estão em uma respiração falha. Hansol não julgava como algo ruim por fim. É intenso, mas ao mesmo tempo extremamente bom. 

 Minghao corresponde na mesma tranquilidade, saboreando aqueles lábios sem pressa. Apesar da serenidade, não deixava de ser menos alarmante. A forma em que ação se tornava refém dos próprios sentimentos formava uma gama de emoções todas depositadas em um ato. O mais velho abre mais os lábios para saborear a língua alheia se deslizando sobre a sua, ao mesmo tempo em que se mistura com o salgado das lágrimas de Hansol que deslizam sobre suas bochechas.  Não era tristeza. Na verdade, nem Hansol sabia o porquê de está chorando. O mais novo corta o beijo sentindo sua respiração eufórica.
 Enquanto Hansol derrama suas lágrimas, Minghao lhe olha com intensidade e de certa forma isso acalmava o mais novo. Ele entrelaçou os seus braços em volto do mais velho e afundando o rosto no pescoço.  Minghao faz o mesmo deixando um beijo no topo da cabeça do mais novo. Minghao não precisava dizer nada, ele sabia que Hansol não estava precisando de palavras nesse momento. Ele só precisava ficar ali, sentindo o calor de Minghao lhe confortando. 

 Hansol abre os olhos e sente o seu corpo um pouco dolorido por está praticamente em cima de Minghao. Ele tenta sair de cima do mais velho sem acordá-lo, mas não deu muito certo. 

— Hum… Bom dia, neném! — disse Minghao, com a voz sonolenta grave e puxando o mais novo para si. 

— Bom dia — respondeu Hansol, no mesmo tom e correspondendo o ato recebido. 

 Apesar do seu corpo dolorido, ele não iria rejeitar um abraço matinal. Eles ficaram parados por um momento, como se estivesse esperando que os outros sentidos acordassem. Então Minghao pensa em algo. 

— Eu estava pensando em deixar você lá com sua irmã antes do meu trabalho e te buscava na hora do almoço. Que tal? 

 Assim Hansol poderá ter mais privacidade para conversar com a So.

— Mas se você quiser que eu fique lá, não tem problema nenhum. 

 Minghao raciocinou em meio sua frase que Hansol talvez não esteja em um psicológico estável para ver sua irmã em uma maca de um hospital. Ele não quer ver o mais novo naquele estado. Hansol não percebeu, mas ele dormiu por dois dias seguidos e Minghao não conseguiu relaxar até em ver os olhos do mais novo se abrindo, mesmo que a médica tenha lhe dito que Hansol só estava descansando. 

— Não, tudo bem! Pode apenas me deixar lá! 

— Tem certeza? — perguntou Minghao, cauteloso. 

— Tenho sim! 

— Certo, mas caso não esteja se sentindo bem, me liga, ok? — perguntou Minghao, recebendo um aceno em confirmação por parte do menor. 

 Ambos ficam em silêncio e Minghao começa a encarar o mais novo de uma forma em quem é encarado não sabe identificar. 

— Vamos, senão eu vou acabar não te deixando sair dessa cama tão cedo! — disse Minghao, chacoalhando de leve a próprios cabeça levando os seus pensamentos para longe. 

 Hansol não sabia o que responder, então apenas fez o que foi lhe dito. 

 Hansol anda pelos corredores do hospital com o crachá de visitante pendurando no pescoço e procurando o quarto quarenta e dois. Quando finalmente ele acha, ele deixa dois toques na porta e entra no quarto. 
 So está deitada na cama e Hansol não conseguia imaginar o tamanho do seu azar por ver quem estava bem na sua frente. O que raios ele estava fazendo aqui? 

— Oh, é Hansol! Olha, papai está vivo! — disse So, com um sorriso nos lábios. 

— Filha, eu vi Hansol ontem. Não foi, filho?

Foi — respondeu Hansol, secamente. 
 Hansol estava com língua coçando para descontar toda sua raiva no homem que ele adquiriu em menos de vinte quatro horas. 

— Inclusive, eu iria entrar em contato com você ainda hoje — informou o senhor Chwe. 

Para? 

— Eu vou precisar de sua ajuda. 



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