História Ruínas - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Divagações, Drama, Lírica, Pensamentos, Slice Of Life
Visualizações 23
Palavras 849
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lírica, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


oioi

tá há um tempo guardado no meu drive, fiquei insegura demais. enfim, acho que nunca cheguei a mencionar, mas tudo até agora são registros, por isso, em certa parte, algumas palavras estão no passado, diferente do modo que eu escrevo, no presente (em algum momento, talvez ter isso em mente seja importante). e, caso alguém realmente se interesse por isso, preste atenção nessas palavras, no modo que foi escrito
e sim, eu coloquei "[sem data]" pra ficar mais explícito quando é a personagem escrevendo ou não


boa leitura e obrigada por ler <3

Capítulo 3 - II. idiossincracia


 

— cada pessoa é uma caixinha de surpresas

 

 o vento de outubro, que esfria a noite primaveril, ondula as mechas soltas do meu cabelo num balançar mais suave do que os movimentos de uma bailarina, e eu, ao fechar as pálpebras fortemente, tentando aproveitar o momento em que meus pés não tocam mais no chão e os sopros da ventania beijam meu rosto, entro no meu lugar secreto, sentindo como se estivesse rodopiando nas nuvens. Porém, subitamente, o ar torna-se rarefeito.

 Um cheiro amargo, similar a cinzas, invade minhas narinas e, de modo agonizante, embola na garganta, secando-a — maldita condição que me causa uma crise de tosse. Infelizmente, meu pequeno momento sonhando acordada foi interrompido. 

  Recobro os sentidos e cubro o nariz, observando o mortífero véu de nicotina preencher a minha vista — deveria ser proibido. Fui pega de surpresa por estar há tanto tempo sem presenciar o desconsolo evaporando por entre os lábios do vizinho de baixo. E, na verdade, isso é bem triste: testemunhar sua lenta autodestruição através de uma droga lícita, incapaz de poder interferir, mas apenas ver seu definhamento gradativo, por mais que não seja nítido externamente. Espero que algum dia possa parar de associá-lo a esse péssimo hábito. 

  Mas pelo menos a notícia boa é que ele está de volta, o morador do apartamento barulhento. E o seu retorno, do mesmo modo que a sua partida, ocorreu tão repentinamente e sem motivo aparente. Tudo continua um mistério. 

 

 [...]

[sem data]

 Lembro-me de cada detalhe, apesar da minha memória não ser muito confiável.

 

Meu corpo paralisou nos últimos degraus da escadaria. Não me atrevi a dar um passo sequer em direção ao hall de entrada do prédio, porque pensei estar delirando.

 Inesperadamente, numa tarde qualquer de sábado, deparei-me com ele. Foi tão rápida a sua aparição que quase nem acreditei: permaneci estática, vendo-o acalentar algo em seus braços e seguir para a saída. Dúvidas referente ao motivo da sua volta borbulhavam na minha cabeça, e fiquei parada tentando resolver, entender o porquê. 

 O som da porta pesada encontrando o batente me tirou do transe; porém, meu coração ainda se debatia contra o tórax. E eu estava feliz. Estranhamente feliz.

 Sequer tínhamos um vínculo forte, mas eu sorri. É igual quando me emociono com personagens fictícios de filmes e desenhos, choro com um livro ou lendo relatos de pessoas aleatórias. São desconhecidos — muitos nem existem —, entretanto, nada impede que eu torne-os especiais para mim, de alguma maneira. E confesso que rio de mim mesma sempre que paro para pensar nisso, porque me sinto boba.

 Foi o que aconteceu. Ele me chamou atenção e, após escrever sobre, às vezes, manter uma pequenina conversa, acabei me afeiçoando. 

 Enfim, a minha curiosidade foi maior do que meus músculos trincados pelo medo de ter alucinado. Consegui sair do lugar, interrompendo meu estado de estupor, e, cambaleando, fiz o mesmo caminho que o garoto, abrindo a porta cautelosamente, enquanto respirava fundo. 

 

 Descobri que não estava enlouquecendo.

 

 Seu corpo encontrava-se ali, vivo e nítido, na minha frente. Aproximei-me, afinal, meu objetivo não era apenas conferir se aquela aparição na entrada não passava de um desatino meu, mas ir numa floricultura.

  — Ei — cumprimentei-o, recebendo um aceno de cabeça como resposta. 

 Chegando mais perto, pude identificar o que carregava em seus braços: um gato tigrado, o mesmo daquele dia quando trocamos frases ao invés de somente meras palavras, pois ele ensinou a maneira correta para me aproximar dos gatos de rua que rondam o prédio. Félix — sim, aquele felino tem nome — parecia tão calmo, indo contra sua personalidade arisca.

 — Acho que sentiu sua falta. Ele sempre surgia no mesmo horário, te procurando. Mas não se preocupe, eu o alimentava. — Acabei falando demais, e só fui perceber agora.

— Ele pulou em mim assim que me viu — contou. — E obrigado. 

 Dei de ombros, sorrindo minimamente, e me virei para abrir o portão, a fim de continuar com meu objetivo: comprar o bendito buquê para minha avó. Entretanto, eu não fazia a mínima ideia a respeito dos nomes das flores — “se vira” foi a única resposta que obtive quando tentei me informar —, então me ocorreu uma ideia.

 — Sei que é meio estranho perguntar isso, mas — comecei, num tom hesitante, agarrando a grade do portão — ‘cê entende de flores?

 Pedir ajuda a um meio-desconhecido não soa como um bom plano, certo? Porém, eis a minha lógica: tem uma variedade de plantas na sacada dele, dá para perceber até mesmo se a pessoa tiver um problema na vista e olhar do outro lado da rua, portanto, ele deve ter alguma pequena noção acerca de jardinagem. Eu realmente estava em extremo desespero naquele momento — se não fosse o garoto, seria o carteiro, homem que chegou naquele momento e me pediu informação de um determinado apartamento.

Após pensar melhor, envolvida por um silêncio, imaginei que tivesse falhado. Estava pronta para apenas me despedir e deixá-lo lá, para nunca mais vê-lo após esse momento deveras vergonhoso.

 — Por incrível que pareça, sim. — Sua resposta veio mais rápido.

Na verdade, aquilo foi uma das coisas que mais me surpreenderam sobre ele.

 

~✧ ~



 


Notas Finais


qualquer crítica ou ajuda que queira dar, sinta-se livre pra comentar <3


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