História Rumores e suas meias verdades - Capítulo 13


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Eijirou Kirishima, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Ochako Uraraka (Uravity), Personagens Originais, Tenya Iida, Tsuyu Asui
Tags Adults Au, Bakugou, Bakugou Katsuki, Bakuraka, Bnha, Kacchako, Katsuocha, Namoro De Mentira, Uraraka, Uraraka Ochako
Visualizações 355
Palavras 4.130
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Fluffy, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Um plano


Três baques seguidos, descontados na porta do quarto, acordam Katsuki.

— Hora de acordar — foi o que ele ouviu, embora a voz tenha soado abafada pela barreira sonora. Devia ser Eraserhead. — Não demorem.

Apesar da vontade ser de continuar deitado, se render à força que estimulava suas pálpebras a se tocarem novamente, o loiro entendeu que isso estava fora de cogitação. Uma missão está em curso, e ele podia deixar para dormir depois! Mas o que ele não demorou a perceber foi que… na verdade, assim, ele estava meio distante do colchão em que dormiu. E o que ele achou ser seu travesseiro, é um amontoado de cabelo castanho e liso, com um cheiro levemente adocicado. Depois de se ligar no que tá acontecendo aqui, era realmente impossível continuar dormindo, e foi um jeito muito mais eficaz de acordar do que as batidas na porta de metal. Não apenas acordado, agora ele tá exasperado!

Uraraka tá, simples assim, abraçada contra ele, e seu cabelo comprido se espalha em ondas por todo o campo de visão do loiro. Ele imediatamente tira as mãos das costas dela, mantendo-as o mais afastadas possivelmente do corpo feminino e alvo dos pensamentos dele nos momentos mais vergonhosos e íntimos, e tentou segurar em alguma parede ou objeto que servisse de apoio. O grande problema, ou talvez não o maior deles, é que os dois flutuam exatamente no meio do quarto pequeno, com nada a seu alcance, pelo menos nada que exija que ele se mexa muito. Por algum motivo, Katsuki não quer que ela acorde. Faz sentido, afinal. Se ela acordar no susto, os fará cair, e seria uma desgraça se ele batesse sua cabeça contra o chão de concreto e passasse o resto do dia com enxaqueca.

Caralho! Como isso foi acontecer? Essa desmiolada não tava usando luvas? Ele procurou pelas mãos dela com urgência e só então percebeu que ela o envolve como um travesseiro gigante, uma mão repousa sobre seu peitoral, a outra, que deve ter perdido a luva ao roçar contra os cabelos dele, envolve-o pelo ombro. Katsuki não segura um grunhido diante disso.

É uma reação muito tosca mesmo, então ele agradece aos céus por ela estar dormindo, mas sente pela quentura de seu rosto que deve estar vermelho como um morango maduro. Quando tenta puxar as mãos da menina de onde estavam, ela reage com certa resistência, e ele pode sentir uma pressão um pouco mais significativa provocada pelas digitais dela. Uraraka não apenas o aperta como também o traz pra perto, zerando qualquer distância entre seus quadris.

“Porra, me larga!”, ele não consegue usar a voz, mas é o que ressoa em sua cabeça. O herói coloca ambas as mãos nos ombros dela, tentando fazer com que se afaste, mas falha miseravelmente. Novamente, esse protótipo de Uraraka bêbada de sono aconchega-se sobre o corpo musculoso, enfiando mais ainda sua coxa direita entre as pernas dele, criando um atrito gritante entre a pele e músculos e o tecido da calça dele. Se Katsuki já estava duro por causa da natureza masculina de seu corpo no momento matinal, como todos os dias, agora é difícil mesmo justificar isso como uma reação espontânea de seu corpo. Ele engole a seco, seus olhos arregalados. O dia começou com ele sendo apalpado pela mulher com quem vem fantasiando um monte de putarias desde não se sabe quando! 

Há duas hipóteses: pode ser algum tipo de karma, o universo rindo de sua cara, ou é apenas um projeto de sonho erótico que conseguiu se adaptar muito, muito bem à realidade que ele estava vivendo antes de dormir. Uau, hein, o subconsciente dele devia ser bem foda mesmo pra ter decorado as cores exatas dos fios finos e emaranhados ligados à lâmpada de led anexada ao teto que estava vendo no exato momento. Assim, chega à conclusão de que não adianta fingir que isso é um sonho. Ela tá aqui de verdade, o apertando enquanto os dois levitam na massa de ar do cubículo que têm de dividir.

— Uraraka, acorda — ele se concentra em sua missão de desperta-la. Isso definitivamente não pode se prolongar se ele quiser se manter nos eixos e não perder a sanidade.

— Mmmm, já vai... — ela murmura, aconchegando a cabeça contra o peitoral dele. Katsuki tem certeza que ela tá babando nele, o que só não horrível porque é muito efetivo pra quebrar o encanto do que quer que seja essa merda aqui. A doida acorda aos poucos e, quando se dá conta do que ele percebeu antes, arregala os olhos e enrijece os músculos — Oh… Oh! Uh…? Ah, MEU DEUS, BAKUGOU! — Tá vendo? Eu disse. — ME DESCULPA, ME DESCULPA! Ah, o que eu fiz?! — ela enfia as mãos no rosto, tentando cobrir seu constrangimento depois de criar um impulso que os afaste. Agora os dois são corpos orbitantes, mas pelo menos são corpos orbitantes com uma distância segura entre si. — N-Não foi por querer, eu juro! Ahh, que vergonha! Me desculpa! Espero que nada de estranho tenha acontecido!

—  Estranho tipo o quê?  — Katsuki se põe em defensiva. Se ela tá achando que ele tocou onde não devia, pode ir à merda! Tecnicamente, foi ela que tirou casquinha da situação, mesmo que não tenha sido de propósito ou mesmo quisesse. 

—  Tipo nada!  — É, com certeza ela não quereria a julgar por todo o constrangimento.

Ele é um fodido mesmo de ficar se preocupando com uma besteira dessas quando tem tanta coisa em jogo. Que jeito de merda de acordar para uma missão, argh! Katsuki precisa botar a cabeça em ordem e focar no que interessa.

— Tsk, vê se surta enquanto põe a gente no chão, pelo menos — ele resmunga como se estivesse puto, mas uma gota de suor escorre por sua nuca,o loiro desejava ter posto uma camisa mais comprida antes de dormir, para poder esconder o volume gritante que partia de dentro de suas bermudas. Ela não devia ser inocente e boba o suficiente para não notar o porquê dele estar puxando a barra de sua camisa para baixo, mas era certo que era educada, e faz exatamente o necessário: desativa sua individualidade e finge que não viu nada.

— Uh… foi mal mesmo — ela faz uma pequena reverência e se volta para suas coisas. Sua imensa cara redonda tá mais corada que o normal, o fazendo lembrar brevemente de quando se encontraram na garagem no dia em que receberam a missão. — A luva! Ela saiu por acidente, às vezes isso acontece — soltou um riso de nervoso. Já tinha notado que aquelas estavam folgadas demais em seus dedos, mas nunca tinha imaginado que postergar a compra de uma nova geraria isso!

— Tá, tá. Que seja. Já tá na hora de vazar do quarto. Você vai se trocar aqui ou no banheiro?

— N-No banheiro! — ela fala já pegando seu traje de heroína que foi jogado de qualquer jeito sobre sua bagagem na noite anterior. Antes de esperar qualquer resposta dele, ruma para o lado de fora do quarto com passos curtos e rápidos, como se fugisse. Katsuki solta sua respiração só então se dando conta de que mal tava respirando esse tempo todo.

 

_ _ _

 

O bunker já não é espaçoso, mas é fato que parece muito menor quando todos se reuniam na sala que dava acesso aos alojamentos.

Aqui estão ele, Uraraka, Aizawa, a peituda que faz crescer mato, o moleque Google e outros figurantes de quem Katsuki não se deu ao trabalho de guardar o nome. Ok que estavam divididos em grupos, cada um tava encarregado de uma milícia, mas isso não anula o fato de que precisavam tomar conhecimento da missão de forma totalitária e trabalhar em equipe. Uravity tinha, novamente, os papéis com as informações escritas por Daichi, e os passava em sequência com um olhar concentrado. Já Ground Zero mantém atenção especial nos tal vigilantes pra ter certeza que nenhum deles será burro de tentar traí-los e atacá-los, vigilantes não são confiáveis, mas são bem idiotas a ponto de atacar um monte de heróis profissionais.

— É só chegar lá na porrada e acabar com a festa deles, muito simples! — Katsuki fala no ápice de sua impaciência depois de muita discussão de como proceder. É bem idiota de sua parte propor uma coisa dessas, primeiro porque é muito imprudente, e segundo porque chega a ser um desrespeito subestimar a capacidade deles de elaborar um plano melhor construído ao jogar na roda uma sugestão daquelas. Ninguém dá muita moral, já conhecem Ground Zero e seu caráter tempestuoso, e Katsuki mesmo que o diga: só resmungou aquilo pela força de hábito, porque ele próprio não levaria aquilo a sério se falado assim. Mas, sendo ou não essa a sua intenção, seu comentário surte efeito positivo pois provoca o pessoal a propor ideias mais decentes. Viu? Ele sabe trabalhar em equipe!

— Eu acho que devíamos ser mais cautelosos, buscar mais informações. 

— Mais informações que as que ele já arranjou? — a mulher ruiva perguntou, apontando para Daichi, que se encolhia em uma poltrona desgastada ao seu lado. 

— Se bem que… sabemos sobre cada um individualmente, mas o jeito como a organização efetivamente funciona ainda não está… claro? — um dos caras, o grandão, opinou.

—  Precisamos de um olhar mais interno para conseguirmos informações concretas. Datas e nomes.

—  Interno… —  o Aizawa analisa —  Infiltração.

— N-Não é uma péssima ideia — o moleque Google resolve se pronunciar. Ele tem um tique, mexe os polegares de um jeito estranho e compulsivo.

— Só é meio arriscado, né? Eles devem ter algum sistema de acesso aos esquemas deles, não devem se expor assim — um dos heróis opina.

—  Sem contar que eles não são burros, se chega um cara que eles nunca viram antes fazendo perguntas e se metendo, cês acham que eles não vão desconfiar? —  Katsuki aponta.

—  “Um cara” sim, já uma mulher… —  a Uraraka inclina a cabeça, analisando as palavras dele com muito cuidado —  Os Enguias se encontram em uma boate da região, não?

—  Sim.

—  Oh, eu gosto de como você pensa, Ura-chan! —  a ruiva abre um sorriso enorme e se aproxima da Uraraka —  Não se pode mandar um homem pra fazer o trabalho de uma mulher. E duas mulheres como nós entraríamos tranquilamente na boate, não acha? E aí? Vamos bancar as espiãs?

—  Bom, eu… sim, acho que é o que faz mais sentido.

—  Teremos que providenciar documentação falsa para vocês entrarem.

—  Documentação? Eraser-kun, meu rostinho é minha identificação, ninguém me barra depois de ver essa belezinha.

—  Bom para você, mas a Uravity não pode expor seu rosto.

—  Ah… ah é. —  a ruiva faz biquinho e olha Ochako da cabeça aos pés, o que a deixa extremamente constrangida. Essa mulher é louca! —  Sua “identificação” vão ser essas coxonas, então!

—  É o quê?

—  Vou arrumar o disfarce perfeito pra nós! —  ela parece tão empolgada, com certeza o tipo de empolgação que não combina muito com uma infiltração em uma boate cheia de bandidos perigosos.

—  Nós podemos usar escutas. —  Uraraka analisa

—  Oh, g-grande ideia! —  o menino Google apoia entusiasmadamente, só falta bater palma cada vez que a Uravity abre a boca.

— Providenciaremos o necessário. — Eraserhead conclui, analisando o plano com o olhar parado no mapa da cidade que fora exposto na mesa central. — Ficaremos  do lado de fora mantendo contato, para o caso de acontecer algum imprevisto. Se estão indo para descobrir informaçōes, tenham em mente que os vigiar não vai ser suficiente. Estou contando com alguma capacidade de atuação significativa, porque vocês terão que tirar as informações deles de algum jeito, e ser convincentes. O chefe deles é um manipulador de mentes, não seria bom levantar suspeitas. Deixem os microfones em lugares estratégicos, precisamos ouvir com clareza a eles. E nos informe suas posições assim que possível — o herói veterano se levanta, dando a entender que havia terminado suas instruções, mas acabou se lembrando de algo de suma importância. — Ah, e também há a possibilidade de que assistam a pessoas sofrendo abusos ou sendo exploradas, mas vocês duas vão ter que entender que salvá-los não será uma prioridade no momento. —  Dispensados para começar os preparativos, agiremos hoje à noite.


 

As mulheres se fecharam em um dos cubículos do bunker, e Ground Zero ficou estudando a planta da tal boate, analisando tudo e traçando cada trajeto possível para entrar e sair do lugar. Tsk, a Uraraka vai se enfiar nesse ninho de cobras sozinha, é, sozinha, porque a vigilante não serve pra nada, só vai atrapalhá-la. Katsuki sabe que pode confiar na Uravity, mas a ideia de só servir de apoio com uma escuta o deixa irritado.

Bate uma fome depois da análise e ele se dirige à cozinha improvisada do bunker, encontrando a peituda do mato. Ela e a Uraraka já devem ter terminado de ajeitar seus disfarces.

—  Oh, Ground Zero-kun!  — ela abre um sorriso imenso —  Com fome? — a mina lhe lança um olhar que contém mil implicações. Fome não precisa ser só de comida, e ele anda faminto.

Katsuki não é cego, muito menos idiota, a mina é realmente gata. Os cabelos vermelhos lhe caem pelos ombros em leves ondas, os lábios são a mistura perfeita de carnudos e delicados, a roupa verde que ela usa é ridícula e parece ter sido adaptada de uma fantasia de criança, mas não dá pra negar que valoriza as curvas do corpo dela, principalmente os peitos, ele engole em seco, recusando-se a continuar pensando nisso.

Porque primeiro: essa mina é nada mais que uma criminosa, vigilantes são idiotas que acham que o trabalho de herói é brincadeira e se arriscam sem a menor noção de nada. Segundo: ele e a Uraraka nunca conversaram sobre esses termos do “contrato” deles já que não havia necessidade, é um relacionamento de mentira, eles não precisam de qualquer intimidade entre quatro paredes pra provar que esse namoro é real diante do público, mas… porra, ele deveria ter pensado nisso antes! Katsuki subestimou os efeitos que a longa seca que vem vivendo provocou em seus nervos, ele deveria saber que brincar de casinha com a Uraraka poderia despertar certos desejos e agora tá pagando o preço por isso. Tsk, ele deveria ter incluído uma condição assim como ela, algo como um “passe livre” pra sexo casual com alguém só pra desestressar de vez em quando, ou… vai ver até com ela mesmo.

Ha! Até parece! Uraraka nunca aceitaria a condição, é provável que até se ofendesse e deixasse de falar com ele por meses, seria uma desgraça! Aliás, mesmo com outra pessoa, onde ele ia arranjar alguém disposta a transar sem dar nenhum pio sobre? Ele é o Ground Zero, fonte infindável de fofocas, nenhuma mina guardaria segredo, nem mesmo uma… profissional da área, tsk, aí já é desespero demais também.

E Katsuki não tá desesperado, não tem porque estar, porra! O herói não é um adolescente que mal consegue tirar as mãos das calças, sexo nem é essa coisa toda e… ele sempre pode recorrer aos vídeos da sósia pornô da Uraraka.

Mas… porra, por quanto tempo ele vai aguentar? Katsuki e ela nunca combinaram um prazo para esse namoro durar, o anúncio do novo ranking é daqui a algumas semanas, e mesmo que ele tenha dito a ela que poderiam terminar caso fiquem nas mesmas posições ou caiam, não é como se fosse o que de fato vai acontecer. Pelo menos… não é exatamente o que ele quer ainda.

—  Ground Zero-kun? —  a mina peituda se inclina na direção dele, aparentemente preocupada —  Você está bem?

—  Por que raios não estaria? —  ele dá de ombros e assume sua costumeira expressão irritada, mas a menina não parece minimamente intimidada, muito pelo contrário, chega a dar uma leve e sensual risada.

—  Não sei, essa missão pode estar sendo bem estressante, né?

—  Tsk, pra você que é amadora talvez, isso aqui não é nada demais pra mim.

—  Ahhh, jura? Poxa, e eu aqui pensando nas mil maneiras que poderia te ajudar a relaxar. —  ela faz biquinho e se aproxima. Porra! A mina balança os dedos e pequenas folhas surgem em suas mãos —  Gynostemma pentaphyllum.

—  Quê?

—  É o nome científico dessa plantinha, há quem chame de Amacha-Zuru por aqui, mas é mais conhecida como ginseng do sul. É muito usada pra fazer chá por causa das propriedades antioxidantes e o pessoal mais velho acredita que é a erva da longevidade, mas eu particularmente gosto muito dela por ser… afrodisíaca. —  ela sorri — Então, Ground Zero-kun… quer tomar um chá comigo? — a mina praticamente ronrona na orelha dele e porra, ela tem um puta cheiro bom de eucalipto… 

—  Eu não… eu não gosto de chá! —  ele se afasta — Mas a… minha namorada gosta, eu acho, sei lá, o nome dela é Ochako, seria muito óbvio se ela gostasse —  que merda ele tá falando? — Então… vai oferecer esse negócio aí pra ela ou… fazer algo que preste!

—  Peraí, é sério então?

—  É sério o quê, porra?

—  Que você e a… a Uravity são…? Vocês namoram mesmo? —  ela parece espantada.

—  Hã? Lógico que sim! Você mora numa caverna sem internet nem TV, garota? Todo mundo sabe que a gente tá junto!

—  Ah, mas… não é de verdade verdadeira, é? —  ela faz uma careta. Que porra essa maluca tá…?

—  É lógico que é verdade verdadeira!

—  Nossa, jurava que não era! Pelo menos não parece…

—  Como assim, “não parece”?

—  Achei que vocês só estivessem fazendo cena, ouvi dizer que alguns casais famosos fazem isso por publicidade. —  CARALHO!

—  E por que porra você pensou que era meu caso?!

— Bom, eu… consigo detectar feromônios no ar através do pólen, e embora sinta seus feromônios gritando, os dela nem sussurram. Sei lá, achei que você tinha uma crush não correspondida por ela e queria te ajudar a esquecê-la .—  ela diz desinteressadamente — mas… esse negócio de feromônios não é uma ciência exata, então… posso ter me enganado.

“Nem sussuram, uh?”, o sarcasmo um pouco deprimido ecoa por sua mente. Não que ele tivesse alguma expectativa, com certeza não! Não esperava que a Uraraka estivesse ocultando qualquer atração feroz que pudesse sentir por ele, mas, cacete. Agora que a auto estima dele está lá na estratosfera, porque, nossa! Que ela não tinha interesse ele podia até aceitar por conta própria, mas precisava esfregar na cara? Isso o deixa meio puto, mas não sabe se pela prepotência da ruiva ou pela própria incompetência em dar uma contida nessas sensações inúteis e desgastantes.

—  Você com certeza se enganou! A gente não tá fazendo cena porra nenhuma! A Uraraka… ela me deixa doido! —  não exatamente de amor, mas essa maldita não precisa saber disso. — O mesmo vale para o contrário! —  ele deve deixá-la doida de raiva, que seja.

—  Se você diz… —  ela dá de ombros.

—  Vai à merda! —  Katsuki sai praticamente fumegando, tentando esconder o quão nervoso ficou por ter sido descoberto com tanta facilidade por uma doida que nem heroína de verdade é.

 

--

Ochako está com frio nas pernas, já são anos acostumada ao uniforme que a cobre completamente nas coxas, sair com elas expostas para uma missão é novidade. Aliás, não só as coxas como parte da barriga também, ela entende que levantaria suspeita caso se disfarçasse demais, mas… precisava mesmo deixar tanto à mostra? A única parte dela devidamente tampada —  e para fins de não ser reconhecida, lógico — é o rosto, a Lady Ivy lhe ajudou com o “uniforme” de heroína, mas a máscara ficou a cargo da Fuji Woman, que providenciou algo que deixa praticamente apenas os olhos de fora.

—  Quem caralhos é você? —  ela dá um pulinho de surpresa ao ver o Katsuki parado na porta do alojamento deles em posição de ataque.

—  Relaxa, sou eu! —  ela retira a máscara, mas instintivamente assume uma postura defensiva.

—  Que porra, Cara de Lua! —  ele resmunga, acalmando-se um pouco —  Não me fala que essa… coisa é sua roupa pra se infiltrar!

—  Funcionou, não foi? Você mesmo não me reconheceu. —  ela tenta não soar debochada, ganhando um “tsk” em resposta.

—  Se o plano é não chamar atenção, não vai funcionar com você… nessa roupa. —  nesse tom, chega a parecer um elogio, mas Ochako o conhece muito bem, ele tá em “modo missão” agora e sente necessidade de criticar tudo que não é feito do jeito dele. Típico Bakugou Katsuki.

—  O que não vai funcionar é você nesse pessimismo tendo que me dar cobertura. —  ela retruca, um pouco incomodada com o decote do top, os seios da Naoki são bem maiores que os dela, então tá um pouco largo no bustiê, se Ochako se inclinar um pouco, vai mostrar bem mais do que gostaria.

—  Tsk. —  ele resmunga, mexendo em sua bolsa com irritação pra pegar alguma coisa, depois se aproxima. Sem cerimônia, ele pega nas alças do bustiê e os RETIRA DAS FIVELAS.

— Ka-Katsuki? —  ela arregala os olhos e tenta afastá-lo.

—  Quer ficar parada, porra? —  com gestos ágeis, ele transpassa as alças pelas costas dela, formando um “x”, e as afivela na frente de novo, Ochako sente o toque gelado de algo de metal nas suas costas, um alfinete?

—  Pronto, agora não vai cair. —  Ochako tenta ignorar o rubor lhe subindo pelas bochechas, ele… ele percebeu? Ele… tava olhando?

—  O-obrigada, mas… eu vou ver com a Naoki-san se ela não tem algo que me sirva direito…

—  Aí, fica longe daquela maluca maldita!  — ah sim… ela percebeu essa não tão sutil mudança no comportamento dele em relação à bela ruiva, se antes ele parecia incomodado com a presença dela, irritado em ter que dividir a missão com uma vigilante, agora o loiro explosivo parece odiá-la a nível pessoal, Ochako nem imagina o que tenha rolado, mas o que quer que tenha sido, deve ser o Katsuki exagerando no seu ódio gratuito como sempre. É bem verdade que ela não foi muito com a cara da moça de primeira, algo no jeito espalhafatoso e relaxado dela em conversar com o herói das explosões, mas ao interagir com ela diretamente, Ochako percebeu que a garota é daquele jeito com todo mundo, não só com o Katsuki, além de ser bem intencionada. Fora que, se alguém consegue infiltrá-las na boate onde os milicianos vão se encontrar, esse alguém é ela.

—  Você sabe que é ela quem vai me colocar lá dentro, não sabe? Não tem como eu ficar longe nem se quisesse.

—  Tsk, a gente não precisa dela, não precisa de nenhum desses palhaços!

—  O Eraserhead selecionou essas pessoas porque confia nelas, Katsuki, você deveria confiar também. Não é porque eles não são profissionais que não podem agregar em algo. Você… tá sendo preconceituoso.

— Preconceituoso com um bando de amador? Eles são tão ilegais quanto os caras que a gente tá tentando pegar! Se querem tanto ser heróis, que passem em um curso em uma escola como a gente fez!

—  Você fala como se fosse super fácil e todo mundo tivesse a mesma oportunidade que você, não é bem assim… nem todo mundo pode bancar os custos de inscrição, às vezes nem de manutenção em Musutafu ou Tóquio, desigualdade social é um problema real e...

—  Tsk, para com essa porra!

—  Parar com o quê?

—  De falar assim comigo, como se tivesse uma câmera aqui, como se eu fosse um desses jornalistas idiotas que engolem qualquer merdinha demagógica que você fala! Tsk, às vezes parece que você quer é ser Miss Japão, nem parece que você é heroína!

Silêncio, mas o olhar vazio dela diz muito mais que qualquer palavra. Ela não parece surpresa, zangada, nem mesmo magoada, Uraraka parece cansada, é, deve ser isso, ela já deve estar cansada de ouvir coisas assim, ele se lembra do idiota no Brasil que tentou constrangê-la, e Katsuki acaba de fazer o mesmo.

—  Eu já vou tomar minha posição, conto com você pra me dar cobertura. —  ela diz secamente.

—  Peraí, pô, não foi isso que… Uraraka, eu não quis dizer que-

—  Eu entendi exatamente o que você quis dizer. —  ela o corta e dá as costas, retirando-se de seu quarto compartilhado.

Que… merda, Katsuki!

 


Notas Finais


Oi oi, gente. E aí?
Soube por algumas fontes que teve gente realmente ansioso para ler a continuação, e isso me deixa bastante contente! Também estava com saudade da fic, então não podia estar mais feliz com essas férias haha
Resolvi mudar a capa para uma que combinasse mais com o tom da fic, o que acharam? Tem algumas capas de capítulo vindo aí, mas vamos avisar quando tivermos colocado. O mais, a previsão é que passemos a voltar com as postagens frequentes ^^

Mil agradecimentos pelos mais de 370 favoritos e comentários!! Mesmo sem att, vocês deram atenção à fic, eu não podia ficar mais alegre hauahauh

Um beijo, e até a próxima! ♥
ass; oph


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