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História Rumors - Capítulo 6


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Capítulo 6 - ; cinco


Normalmente, em sábados e domingos, Hermione acordava mais tarde do que o normal, as sete em ponto ao invés da cinco.

Normalmente, em sábados, ela não estava de ressaca.

Era ridículo – ela mal tinha dado um gole. Hermione sabia que, logicamente, sua dor da cabeça e cansaço eram causados mais por ter ela ido dormir tão mais tarde do que o normal do que pelo pouco de álcool que ela tinha ingerido. Ainda assim, ela nunca tinha experimentado uma ressaca de verdade, e ela sempre gostou de fazer um pouco de drama, então quando Harry tentou a acordar cutucando sua bochecha, Hermione segurou o dedo dele com força.

“Para,” ela disse roucamente, exausta. “Eu tô morrendo de ressaca.”

Harry riu, pertinho do ouvido dela, porque ele era um traidor e um amigo horrível. Quando Hermione soltou o dedo dele, ele apenas a cutucou mais uma vez, sem força, mas ainda chato pra caramba.

“Acorda,” ele sussurrou. “Você tem que tomar seu remédio, e eu tenho que ir para casa.”

Hermione finalmente abriu os olhos, o encarando com as sobrancelhas franzidas. Ela não queria dizer que os Dursley provavelmente não iriam sentir saudade dele, mas a verdade é que eles não iriam. Ela se sentou, pegando seu celular para checar as horas.

“São oito da manhã,” comentou. Isso era tarde para ela, mas não para Harry e muito menos para os Dursley. Harry abaixou os olhos.

“É sábado,” ele explicou, encolhendo os ombros. “Sábado é dia de limpeza. Petúnia vai querer que eu esteja lá para a ajudar.”

Hermione pensou em puxar Petúnia Dursley pelos cabelos estúpidos loiros dela e a obrigar a se desculpar com Harry por tudo que o tinha feito passar. Hermione pensou em socar Valter Dursley. Hermione suspirou, na vida real, jogando seus lençóis pro lado.

“Ok,” ela disse com desgosto. “Mas eu vou fazer o seu café da manhã.”

Os dois estavam dormindo, ainda, então eles só fizeram alguns sanduíches, Harry se recusando a ficar sentado sem a ajudar. Eles conversaram sobre o que tinham feito na festa ontem, enquanto estavam separados, Harry a recontando uma discussão que tinha tido com Malfoy. Quando Hermione o contou sobre McLaggen e Parkinson, ele revirou os olhos.

“Esse cara nunca desiste?” reclamou Harry.

Hermione bufou.

“Nem me fala,” ela soltou. “É igual uma criança que não entende não.”

Ela tomou seu remédio, e algo para sua dor de cabeça. Ela deu o último para Harry também, porque ela sabia que Petúnia “não acreditava em remédios”, apenas em óleos essenciais e esse tipo de baboseira sem nenhuma prova cientifica que não iria ajudar a dor de cabeça de Harry nem um pouco. Harry a agradeceu, e eles comeram conversando, ainda, mas mais silenciosamente.

Harry ia ficando cada vez mais tenso, conforme os minutos passavam.

Hermione o deu alguns sanduíches extras enrolados papel alumínio para ele levar para casa e Harry os escondeu em sua mochila. Quando ele saiu, ele foi a pé, acenando adeus para ela com um sorriso brilhante, apesar de tudo. A última vez que ele esteve aqui, ele foi embora com a bicicleta antiga de Duda, mas ele aparentemente não a tinha mais. Hermione nunca sabia o que era um detalhe qualquer ou algo importante, quando se tratava de Harry.

Ela voltou para dentro de sua casa bocejando, mas havia algo muito acordado se remexendo em seu peito.

 

 

Hermione estava quase caindo no sono de novo quando, do nada, seu celular tocou embaixo de seu travesseiro. Era uma mensagem de Harry. Obrigado, ela dizia simplesmente. Curta e delicada.

Harry não era curto e delicado.

Hermione fez uma careta, se sentando e passando suas mãos pelos seus olhos para tentar se livrar do seu sono e se acordar um pouco.

Pelo que exatamente? ela mandou.

Sabe. Por me deixar ficar na sua casa.

Você sabe que é praticamente a sua casa também.

Houve uma pausa considerável entre a mensagem ser vista e a resposta de Harry chegar, apesar de Hermione não ter certeza do porquê. Era provável que só fosse o celular dele travando, mas algo no estômago de Hermione a dizia que não. Havia algo mais.

Não é, respondeu Harry, não de verdade.

Hermione não conseguiu voltar a dormir depois disso.

 

 

Ela estava se sentindo inquieta, então ela colocou uma blusa de Harry que achou em seu armário e foi lavar o resto de suas roupas, só para ter algo produtivo para fazer. Seus pais já tinham ido trabalhar, então ela estava completamente sozinha. Ela nunca teve medo de casas vazias, mas ela não gostava de silêncio. Hermione já pensava demais. Se ela tivesse muito tempo apenas com seus pensamentos como companheiros, ela podia enlouquecer a si mesma e qualquer outra pessoa.

Hermione era meio que uma louca da limpeza – ela amava de organização, lembra? E ela não se importava em limpar até não sentir mais seus dedos, se isso fosse o necessário para ela ter um chão reluzente. Ajudou que ela tivesse se preparado um expresso triplo. Havia cafeína o suficiente no corpo de Hermione para ela matar um homem adulto com apenas as suas mãos e muito rancor pro mundo em geral.

Maldito Valter Dursley. Hermione ainda iria ir atrás dele, um dia.

Ela tinha colocado seus fones de ouvido, sua playlist de limpeza tocando tão alto que seus ouvidos estavam ecoando ao redor de sua cabeça, então quando a música desligou de repente, o silêncio pareceu reverberar. Surpresa, Hermione abaixou seus olhos, checando seu celular.

Ela quase o derrubou, quando viu o nome brilhando em sua tela.

Parkinson estava a ligando.

“Granger,” a voz de Parkinson, rouca e hesitante, a atingiu quando, sem nem entender o que estava fazendo, Hermione a atendeu, “eu preciso…”

Hermione desligou. Segundos depois, ele tocou novamente, e as primeiras palavras de Parkinson foram: “Não desliga.” Mais uma vez, ela desligou.

Na terceira vez, Parkinson disse:

“Sério, Granger, apenas me…” Ela não conseguiu nem dizer ‘escuta’ antes de Hermione ter abaixado o celular mais uma vez.

Na quarta tentativa, ela disse:

“Espera, por favor,” o que fez Hermione pausar, seu dedo já quase tocando o botão de desligar. Ela nunca tinha escutado Parkinson dizendo por favor, e parecia tão errado, sendo dito na voz dela. Hermione fez uma careta, mas ela respirou fundo, e ela esperou.

Parkinson não falou nada.

“Bem,” Hermione disse irritada, a voz um pouco cortantante demais, “você ligou só para me fazer perder tempo ou o que? Eu tenho planos importantes, Parkinson.”

Do outro lado, Parkinson riu, apesar de que havia um tremor em sua risada que Hermione nunca tinha escutado antes, algo quase parecido com ansiedade.

“Toma cuidado, Granger,” ela disse, e Hermione podia ver o sorriso brincalhão que ela deveria estar usando, o sorriso que ela tinha mandado para Hermione tantas vezes antes que já tinha ficado marcado na memória de Hermione. “Continua bravinha assim e eu vou acabar me apaixonando.”

Hermione apertou a toalha em suas mãos, olhando para a mesa que ela estava limpando com saudade. Aquilo era tão mais relaxante do que ter que falar com Parkinson!

“Tchau,” ela avisou, já tirando o celular de seu ouvido.

“Espera!” Parkinson suspirou, e Hermione ouviu o que claramente era ela andando de um lado para o outro onde quer que estivesse. “Eu preciso da sua ajuda.”

Hermione franziu o cenho ainda mais.

“Por que?”

“Longa história curta,” ela disse, “mas meus pais tão putos pra caramba comigo, e eles disseram que se eu não tirar um B na prova que a gente vai ter segunda, eu nunca mais saio de casa. Eles tão blefando, é claro, mas eu prefiro não os irritar ainda mais, então se você pudesse me ajudar a tirar um D talvez, eu iria ficar agradecida.”

O primeiro instinto de Hermione era perguntar para Parkinson aonde os pais dela estavam antes, enquanto ela faltava as aulas e se metia em em problema depois de problema por razão nenhuma. Ela apenas rangeu os dentes, porém, pensando em Harry.

“Eu não posso fazer milagres, Parkinson.”

“Você pode tentar,” rebateu Parkinson, soando tão irritada e perto de começar a gritar quanto Hermione se sentia. Hermione fez uma pausa para respirar fundo.

“Eu não sou a sua tutora particular.”

“Eu posso pagar. Eu vou pagar. E eu vou ir para a sua casa.”

“Você nem sabe onde eu moro, sua doida.”

Outra risada.

“Por enquanto,” disse Parkinson, o que era bem misterioso e talvez uma ameaça, e Hermione sentiu suas sobrancelhas se juntando no meio de sua testa. “Eu sei como descobrir. Te vejo em meia hora.”

Dessa vez, foi ela que desligou o celular antes que Hermione pudesse argumentar.

Hermione riu, mas foi só de irritação.

Ela jura que foi.

 

 

Hermione passou dez minutos pensando “eu não vou me arrumar por causa da Parkinson” antes de se lembrar o que exatamente estava usando e ir correndo pôr uma roupa de verdade. Ela escovou os dentes uma segunda vez, então, só de desespero, e se livrou de qualquer traço de Harry em seu quarto, porque ela não precisava de nenhuma nova fofoca se espalhando pela escola.

Quando a campainha tocou, ela abriu a porta meio que esperando por outra pessoa. Era meio dia, seu relógio dizia. Parkinson a encarou lá de fora, mochila nas costas e os olhos escondidos por um óculos de sol muito grande, mas o resto do rosto retorcido numa careta. Estava usando um capuz verde limão, o que era uma surpresa, considerando que todo o resto de sua roupa era preta e sem cor.

Ela apenas encarou Hermione.

“Ótimo,” soltou Hermione. “Agora eu vou ter que me mudar.”

Parkinson franziu as sobrancelhas.

“Você vai me deixar entrar ou não?”

Hermione deixou.

Ela iria reclamar, dizer que não era obrigada a ensinar nada para Parkinson, até que Hermione percebeu o modo como os ombros de Parkinson estavam um pouco mais escolhidos do que o normal. Ela sempre andava como se ela fosse dona do mundo, também, mas agora, ela meio que estava se arrastando, meio que parecendo com um cachorrinho que levou um esporro e não tinha se recuperado ainda.

Parkinson se sentou na mesa de jantar, pondo sua mochila no chão. Hermione entrelaçou seus dedos do lado de trás de suas costas, seus lábios se franzindo enquanto ela pensava.

A verdade era que, Hermione não gostava de Pansy, mas a menina, apesar de ter tentado soar indiferente no celular, parecia realmente nervosa. Era estranho, porque Parkinson não era o tipo de pessoa que ficava nervosa. Ela não pedia ajudar.

Hermione, por outro lado, nunca foi o tipo de pessoa que conseguia ignorar quando alguém pedia por sua ajudava. Ela suspirou, se sentando na frente de Pansy.

“Ok,” ela disse. “Vamos estudar para essa maldita prova.”

 

 

“Eu não entendo.”

“Eu já te expliquei três vezes.”

“Mas eu não entendo a sua explicação!”

Hermione respirou fundo, massageando as suas têmporas. Ela teria ficado ainda mais irritada, se não fosse pelo olhar de absoluta confusão no rosto de Parkinson – a menina não estava fazendo isso para dar em seus nervos. Ela sinceramente não tinha a mínima ideia do que precisava fazer para solucionar as contas no papel, e enlouquecia Hermione.

Ela sempre se achou inteligente, mas se ela não conseguia explicar uma coisa simples assim para Parkinson, então claramente havia algo de errado com seus métodos.

“Espera um segundo,” comentou Hermione, se levantando. Parkinson gritou com ela, mas Hermione só foi para cozinha, parando um segundo com a cara perto da janela para poder se acalmar.

Quando ela voltou, com duas canecas de café na mão, ela se sentia um pouco mais centrada, e ela se sentou de volta, prendendo seus cabelos num rabo. Ok. Ela iria fazer aquilo. Hermione puxou o caderno de Parkinson para perto de si, e ela começou a explicar de novo, dessa vez mais lentamente, passo a passo com o tom de voz baixo e paciente que ela sempre guardou para usar apenas com Harry e Rony.

Parkinson não acertou todos os exemplos que Hermione a mandou fazer, mas ela acertou cinco de dez, e quando Hermione se apoiou para trás, dando um gole em seu café, ela se viu sorrindo, um pouco orgulhosa.

Deus, ela era uma boa professora.

“50% de acertos,” comentou Parkinson, a voz um pouco mais suave do que Hermione estava costumada a ouvir saindo dela. “Não é o suficiente para passar, ainda.”

“Mas é melhor,” argumentou Hermione. “E é melhorando aos poucos que a gente consegue chegar no topo.”

Ao menos era isso que Hermione dizia para Harry e Rony – ela pensava bem diferente quando se tratava de si mesma, mas ela também achava meio injusto tentar puxar seu perfeccionismo em outras pessoas. Ela tentava não fazer isso, de qualquer maneira. De vez em quando ela conseguia, de vez em quando não. Era um processo ainda em andamento.

Parkinson fez uma careta.

“Bem,” ela disse lentamente, levantando uma sobrancelha, “esse certamente é o tipo de pensamento de perdedora que eu não esperava de você, Granger.”

Hermione revirou os olhos. Isso não a irritou tanto quanto os outros comentários de Parkinson, porque ela até que meio que concordava com Parkinson. Nunca que ela iria admitir isso em voz alta, porém.

“É a verdade,” ela disse simplesmente.

“É um monte de merda positiva que não leva a nada.”

Hermione a encarou.

“E ser negativa está te levando pra onde, exatamente?”

Parkinson bufou, mas ela não comentou mais nada. Bom. Hermione amava ter a última palavra em uma discussão. Parkinson começou a colocar seus cadernos de volta em sua mochila. Nervosamente, ela encarou os papeis, nunca olhando na direção de Hermione.

“Bem, eu não sei se isso me ajudou realmente,” ela resmungou, as palavras se bagunçando um pouco, “mas, sabe, obrigada por tentar, eu acho.”

Para o encanto de Hermione, Parkinson estava corando.

Hermione cruzou os braços, sorrindo divertida para si mesma. Ah, como ela queria poder tirar uma foto de Parkinson nesse momento. Mas é claro! Era ocasião especial, do tipo que não se repetia quase nunca, merecia ser lembrada.

“Desculpa,” disse Hermione. “Eu não acho que eu ouvi direito. Você pode se repetir?”

O olhar de puro ódio que Parkinson a mandou foi resposta o suficiente, e Hermione não conseguia mais segurar a sua risada. Parkinson se levantou, colocando seus óculos de volta. As bochechas dela ainda estavam todas rodadas.

“Vai se foder,” ela sussurrou, o que só aumentou a risada de Hermione. Parkinson passou por ela, mochila nas costas, em direção a porta, mas ela pausou antes de sair. “Granger?” ela chamou, virando a cabeça. “Se eu tirar um C, eu te compro uma bebida.”

Hermione fez uma careta.

“Eu não bebo.”

Parkinson a mandou um daqueles seus sorrisos tão horrivelmente enfuriantes.

“Então eu arranjo outra coisa para te dar.”

E então ela saiu.

Dessa vez, nem tentar limpar a casa conseguiu ocupar a cabeça de Hermione.

 

 

Mais ou menos às seis da tarde, Ginny ligou para Hermione.

“Ei,” ela disse, alta e animada demais como sempre, e Hermione riu enquanto olhava pro nada. “Quer encontrar eu e a Luna no Três Vassouras?”

“Claro!”

Exatamente o que ela precisava para se animar. Hermione amava Luna e Ginny – elas eram um casal grudento, mas não tão grudento que Hermione se sentia como se tivesse dando vela. Mesmo que elas tivessem abraçadas em seu lado da mesa, elas nunca deixavam Hermione pra fora da conversa, e era isso que importava realmente.

Hermione estava enfiando uma batata na sua boca quando, brincando com a mão de Luna jogada sobre seu ombro, Ginny perguntou:

“Então, você já arranjou alguma companhia mais interessante do que o pateta do meu irmão e Harry, o outro pateta?”

 Havia algo bem sugestivo pelo jeito como Ginny levantou e abaixou suas sobrancelhas repetidas vezes, um sorriso bem maroto e bem Weasley em seus lábios. Hermione engasgou com a batata. Ela pensou em Parkinson, sentada na sala de sua casa com seu estúpido piercing e ainda mais estúpido capuz verde, encarando o caderno com um olhar atento pouco característico. Ela pensou sobre o obrigada hesitante de Parkinson.

Hermione encolheu os ombros, jogando outra batata dentro da sua boca.

“Você sabe como a gente é,” ela brincou. “Os dois podem ser patetas, mas eles são os meus patetas.”

Não respondia a pergunta de Ginny, mas a menina não pressionou. Ela nunca pressionava, e Hermione a amava por isso. Luna se estendeu por cima da mesa em direção a Hermione, a observando com aqueles olhões intensos dela, a lançando aquele sorriso sereno.

“Você tem planos pra amanhã de manhã?” ela perguntou. “Madame Rosmerta vai deixar meu grupo de poesia gritada usar o microfone...”

Parecia um pesadelo, mas Hermione sorriu e disse sim de qualquer maneira, porque ela sabia que o resto dos amigos dela iriam estar lá e eles iriam conseguir a divertir apesar do quão estranha ela achava a poesia de Luna. Ela iria apoiar Luna, de qualquer maneira, apesar do quão diferente as duas fossem.

Hermione amava sair com Ginny e Luna.

Ela quase não estava pensando em Parkinson mais.



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