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História Run til your body... - Capítulo 3


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Notas do Autor


Espero que gostem

Capítulo 3 - Três



   Pois bem. Meu nome é Sherwood mas eu odeio a sonoridade. Então, prefiro que me chamem de Wood. É, isso mesmo. Wood. Madeira. Ignore o trocadilho, meus pais fizeram uma péssima escolha de nome. Tenho 21, aquela idade estranha onde você tá liberado para agir como um idiota em quase todo o planeta mas ao mesmo tempo tem que começar a assumir responsabilidade por seus erros.
   Moro em um país que se chama Emperius. Sim, parece inadequado. Minha cidade se chama Eufynia, e é ao lado da capital, Cidade de Nuvia. Aparentemente nossos fundadores não são muito bons com nomes.
   Eu parei de estudar assim que completei o ensino médio. Trabalho em uma loja da Starbucks de segunda a quinta, numa boate chamada Luminous de sexta e sábado à noite. Às vezes ajudo meu tio Bartolo em seu restaurante, mas só as vezes. Batry não é meu tio de verdade, mas sempre foi amigo da minha família. Quando resolvi me mudar para uma república feminina, foi ele quem me ajudou a pagar por ela.
   No momento em que minha vida começou a desmoronar, eu estava na Luminous, atrás da bancada que delimitava o bar, preparando bebidas estranhas para quem quer que pedisse. A boate era cheia de tipos esquisitos: infiéis saídos de seus trabalhos, motoqueiros carrancudos, mulheres pesadamente maquiadas e muitas strippers. Eu vestia um colete preto por cima de uma regata da mesma cor, gravata borboleta branca - que brilhava em azul por causa da luz negra - meia arrastão também branca e uma saia preta tão curta que me deixava irritada. Minhas botas estilo coturno eram a única coisa confortável e que não fazia parte do uniforme que eu usava. Meu cabelo era vermelho, tom cereja, e estava preso no alto da cabeça.
   Um rapaz novo, totalmente vestido de preto sentou-se à bancada do bar, a cabeça coberta por uma touca vinho. Os cabelos pareciam ser lisos, e percebi o tom claro de seus olhos. Apesar disso, não consegui ver seu rosto direito.
- Olá, senhor - disse com um sorriso descaradamente forçado - Bem vindo a essa espelunca que chamamos de Luminous. O que deseja?
- Hudson - ouvi meu chefe gritar da porta da cozinha, atrás do display de bebidas - Seja gentil com os clientes.
   Meu chefe era um cara inchado, que pensava só com a cabeça de baixo. O cabelo comprido não servia para cobrir a careca, e o cheiro rançoso de suor o seguia mesmo que tomasse três banhos seguidos. Sorri o mais forçadamente para ele, olhando de volta para o rapaz em seguida.
- E então?
- Ahn - o garoto pareceu notar só agora que eu falava com ele. Olhou para minha gravata e depois para meu rosto - Gin tônica, por favor.
- Sem graça - murmurei, mas alto o suficiente para meu chefe escutar.
- Hudson! Mais uma e tá dispensada.
- Tá bom - sussurrei, mas agora foi o garoto quem me ouviu.
- Por que trabalha num lugar como esse?
- O dinheiro é pouco mas ajuda a pagar meu aluguel. E comida.
- Poderia arranjar um trabalho em lugares melhores.
- Acho que me acostumei com esse tumulto.
   O jovem de touca inclinou-se para a frente, aproximando o rosto do meu. Me inclinei sobre o balcão também.
- Se pudesse escolher qualquer outra coisa, o que seria?
- Eu iria estudar. Tentar uma faculdade. Não sei, talvez viajar.
   Um trio de homens parecidos com meu chefe se aglomeraram sobre a bancada, cerca de um metro de distância da gente.
- Não vou mais te atrapalhar - disse o garoto, virando sua bebida na boca.
- Não se preocupe. Meu turno acaba às 2h. Caso esteja por aí...
- Ainda nos veremos muito...
- Aí garota - gritou um dos novos clientes, antes que eu pudesse questionar o garoto. Quando olhei, ele já tinha saído.
- Sim?
- Sabe fazer um drink prestável com wiskhy fireball?
- Mas é claro - disse pegando várias garrafas diferentes e colocando sobre o balcão, deixando que vissem o que eu fazia.
- E uma chupada gostosa, você sabe? - seus amigos riram. Estreitei os olhos.
- Não, mas posso perguntar para a sua mãe como que faz.
   Eu não registrei o que aconteceu. O homem jogou a garrafa mais próxima na minha direção, acertando a porta dos fundos que ficava atrás de mim. Então o trio se retirou, furioso. Encarei-os, sentindo meu chefe se aproximar.
- Aquela garrafa era cara - disse, colando seu corpo ao meu. Pude sentir sua mão escorregando pelo meu colete, até chegar a minha intimidade - Agora você vai ter que pagar.
- Escuta aqui, seu saco de bosta - agarrei seus testículos, num golpe extremamente doloroso... para ele - Nunca mais encoste em mim desse jeito. Se vai me culpar por cliente estúpido, eu tô fora. Fica com meus dois últimos pagamentos, já tá atrasado mesmo. Vou curtir o resto da noite aqui, e nem pense em se aproximar de mim.
   Minha vontade era explodiras bolas daquele cara, que quase chorava de dor. Apertei um pouco mais, antes de soltar e jogar minha gravata no balcão. Roubei a garrafa de whisky e a bebi inteira. Me preocuparia com os efeitos colaterais depois.
   Dancei pelo que pareceram horas, rindo que nem uma idiota. Alguns homens chegavam em mim, mas um empurrão era o suficiente para me afastar. As mulheres me olhavam como se eu estivesse louca, mas não conseguia dar-lhes muita atenção.
   Em algum momento, minha sanidade mental fez uma visita, e eu vi um cara me encarando profundamente. Aquele olhar causou arrepios na minha nuca, e recuei até encostar em uma parede. E então o álcool voltou a fazer efeito, e eu comecei a rir. Um outro garoto apareceu na minha frente, a centímetros do meu corpo.
- Ah, olá - murmurei. Vale lembrar que não sei o que aconteceu a partir daqui.
- Tá tudo bem? - disse, a voz rouca.
- Claaaaro... você é bonito - comecei a rir novamente.
- Você tá bêbada.
- E daí?
   Sem pensar, colei meus lábios nos dele, que a princípio se assustou, mas depois retribuiu. E meu Deus, que beijo. Uma pena que não durou nem mesmo cinco segundos.
- Para. Você tá bêbada.
- Nem tanto. Volta aquiiii. Me beija mais.
- Não. Eu levo você para casa.
   Ele me pegou no colo, tomando cuidado suficiente para não encostra na minha bunda, que estava praticamente à mostra, devido a saia minúscula. Acho que apaguei algumas vezes, pois lembro de alguns trechos de estrada, mas não do caminho todo. Nem mesmo lembro de ter chegado em casa.
   A luz do sol entrando pela janela me despertou, e uma terrível dor de cabeça o acompanhou. Xinguei cada ser vivo que conhecia por aquilo. Minhas colegas de quarto estavam viajando por causa da formatura, o que significava que eu estava sozinha em casa. Ainda estava com o uniforme da Luminous. Ao lado das minhas botas - que eu não lembrava de ter tirado - um gorro vinho. Dormi no sofá, e ao lado dele, na mesinha do abajur, um bilhete...
 


Notas Finais


Obg por ler


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