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História Run to you ENHYPEN - Capítulo 12


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Capítulo 12 - 11. Carinho


Fanfic / Fanfiction Run to you ENHYPEN - Capítulo 12 - 11. Carinho

"Não existe dor pior que a de um coração partido" - L.S.

𖡩

À noite, na volta para a escola, o clima está ainda mais gelado. Mesmo com a jaqueta, ainda sinto o frio penetrar o tecido e tocar minha pele. Jay pilota sua moto rapidamente pelas ruas da cidade, enquanto eu não consigo deixar de pensar sobre o que ele me disse mais cedo.

"Eu vou te fazer se apaixonar por mim, Lee Heesung", ele falou.

Eu nunca estive apaixonado por alguém antes, e nunca me senti atraído por ninguém além da pessoa em meus sonhos. Sinto um mal pressentimento sobre o que ele me disse... não quero vê-lo machucado ou desapontado comigo. Isso me preocupa. Me preocupa de mais.

Gosto bastantes de estar em sua companhia, mas muito provavelmente, não pelo mesmo motivo que ele. Gostaria apenas de poder manter as coisas num campo seguro como antes, não quero perder o laço que criei com Jay.

Com a cabeça repousando sobre as costas dele, mal percebo quando finalmente paramos no estacionamento subterrâneo da escola.

ㅡ Você vai dormir agora? ㅡ ele indaga, guardando os capacetes.

Nego com a cabeça.

ㅡ Quer ficar um pouco no terraço comigo?

ㅡ Pode ser ㅡ digo, já sabendo que de qualquer forma, a agitação em minha mente não me deixaria dormir tão cedo.

Passamos pelo pomposo saguão principal, decorado com pinturas longuilínaeas e retratos de concertos antigos, onde há bastante movimento, considerando-se o horário. Fomos até a ala estudantil, um pouco mais simples, onde depois de subir o primeiro lance das escadas de mármore, meu olhar encontra com os olhos tristes de Sunghoon, com quem quase me bato. O pianista está vestindo um terno simples e inteiramente negro ㅡ me pergunto qual será a ocasião ㅡ em sua companhia, Kim Sunoo tem uma expressão igualmente pesarosa na face rosada.

Eles não tinham dado um tempo?
Será que eles voltaram?

ㅡ Onde você tava? ㅡ pergunta com dureza ao irmão mais velho, parado ao meu lado.

ㅡ Eu tava com o Heesung. Passei o dia com ele ㅡ diz, passando o braço pelos meus ombros, com possessividade.

Sunghoon olha para cena com evidente desgosto, o que me faz sentir ainda mais desconfortável. Tiro o braço alheio de cima de mim, não colaborando com sua cena.

ㅡ Eu te liguei a tarde toda... ㅡ diz à mim ㅡ Foi por isso que não me atendeu?

A tarde toda?

ㅡ Ah... É que eu ainda não consertei meu celular... Me desculpe.

Meu celular quebrou com o impacto da queda que levei antes de ir pro hospital há algumas semanas, ainda não recebi a "mesada" que a escola dá aos estudantes bolsistas, então não pude por ele para concertar.

ㅡ Hm... ㅡ ele balança a cabeça, pondo as mãos nos bolsos. Atrás dele, Sunoo observa nossa conversa em silêncio. Em seu rosto, vejo um olhar julgador sobre Jay.

ㅡ Você pode deixar a gente passar agora? ㅡ pede o loiro, com um tom irritado na voz.

ㅡ Você não tem nada pra me dizer? ㅡ Sunghoon permanece parado, alguns degraus acima de nós.

ㅡ O que eu teria pra te dizer? ㅡ responde Jay, sem desviar o olhar do caçula.

ㅡ Jongseong...

ㅡ Não me chama assim! ㅡ diz, soando como um rugido.

Sunghoon passa a mão na testa, enxugando algumas gotículas de suor que começavam a se formar.

ㅡ Você não tem direito de vir me cobrar nada, Sunghoon. Não tem direito nem de proferir meu nome ㅡ rosna.

ㅡ Jay... ㅡ eu seguro seu pulso, e ele me olha de lado, com as sobrancelhas franzidas, numa expressa furiosa ㅡ Vamos ㅡ eu o puxo para o lado com força, fazendo-o subir as escadas, desviando dos dois de terno preto.

Olhando de relance para baixo, vejo que Sunghoon nos segue com o olhar, com uma expressão quase indecifrável no rosto. Me sinto mal em dar-lhe as costas desse jeito, mas não quero ter que presenciar mais uma discussão desses dois, estou cansado de mais para isso.

Além disso, nas últimas semanas, onde estive dando início ao meu tratamento contra a anemia, trabalhei comigo mesmo na ideia de que Sunghoon não é a mesma pessoa dos meus sonhos ㅡ não faria sentido ele ser ㅡ mas ainda assim, não consegui desvencilhar totalmente as duas imagens em minha mente. Manter certa distância entre mim e Sunghoon talvez faça bem pro meu psicológico.

Depois que enfim passamos pela porta verde e metálica do terraço, solto o pulso de Jay, que resmunga algo antes de se jogar no chão, recostando-se no murinho de concreto e fechando os olhos. Me sento ao seu lado, de pernas dobradas.

ㅡ Você vai mesmo brigar com o Sunghoon toda vez que se encontrarem? ㅡ indago em tom de crítica, mas ele finge não ouvir.

Após ser ignorado, permaneço em silêncio por alguns minutos, com receio de dizer algo que só piore o humor dele. A cada encontro, as palavras entre os irmãos se tornam mais e mais ásperas... onde as coisas vão parar nesse ritmo?

ㅡ Heesung? ㅡ ele chama minha atenção ㅡ Sabe... Hoje é o aniversário de morte do meu pai... ㅡ diz de repente, me fazendo virar bruscamente para o mesmo ㅡ Hoje fazem 10 anos que ele se foi...

De repente meus pensamentos se alinham, e as roupas formais de Sunghoon fazem total sentido; provavelmente ele havia ido ao memorial de seu pai.

ㅡ Jay...

ㅡ Não olha pra mim desse jeito... ㅡ reclama.

ㅡ De que jeito?

ㅡ Com pena. Não quero que sinta pena de mim...

Subitamente me sinto mal, desviando o olhar para nossos sapatos ㅡ os meus tênis gastos ao lado das botas sujas de Jay.

ㅡ Desculpe...

Jay ri.

ㅡ Não me peça desculpas ㅡ diz ㅡ faz eu me sentir pior ainda...

Ficamos ambos calados, fitando o céu negro enquanto o vento frio da noite brinca com nossos cabelos, tornando-os uma completa bagunça.

ㅡ Jay?

ㅡ Hm?

ㅡ Por que não foi no memorial dele? Do seu pai? ㅡ indago.

Jay senta de lado, virado para mim. Faço o mesmo.

ㅡ Não queria ter que encontrar o Sunghoon... ㅡ suspira, levando as mãos aos cabelos, arrumando-os ㅡ E além do mais eu não quero chorar. É por isso que eu não quero que me chamem pelo nome real; me faz lembrar dos meus pais, e aí é difícil não ficar emotivo ㅡ ele fecha os olhos ㅡ chorar é coisa pros fracos... Não quero ser visto como alguém fraco.

ㅡ Fraco?

ㅡ Hm ㅡ assente.

ㅡ Chorar não deixa ninguém fraco, chorar te faz mais forte.

Jay umedece os lábios.

ㅡ Queria ver as coisas igual à você... ㅡ diz ㅡ Queria entrar na sua cabeça e ver como tudo funciona para poder fazer igual...

Rio ironicamente.

ㅡ Você não ia querer estar na minha mente... ㅡ digo ㅡ eu sou uma bagunça.

ㅡ Que seja... ㅡ ele dá de ombros ㅡ Eu te acho absolutamente fascinante... ㅡ seus dedos roçam de leve em meus cabelos por meio segundo ㅡ Ah! eu esqueci de te devolver isso hoje mais cedo... ㅡ diz, animadamente, remexendo os bolsos da jaqueta folgada. Depois de fuçar por algum tempo, ele saca um objeto retangular, que logo noto se tratar do meu celular ㅡ Eu botei pra consertar e peguei de manhã, antes de te encontrar... ㅡ ele me estende o aparelho ㅡ Eu ainda não liguei ele...

ㅡ Oh... ㅡ eu seguro o objeto metálico meio sem jeito ㅡ Obrigado... ㅡ sorrio envergonhado.

Aperto no botão de ligar, antes de guardá-lo no bolso da calça.

ㅡ Você fica fofo quando fica com vergonha ㅡ ele ri ㅡ E você tá sempre com vergonha de alguma coisa.

ㅡ Eu não fico fofo...

ㅡ Não discuta comigo sobre isso ㅡ ele morde o lábio inferior, largando em seguida.

Reviro os olhos, chateado.

O loiro solta uma risada, e sem mais nem menos, põe a mão em minha bochecha; sua pele parecendo quente como brasa, assim como das outras vezes em que tive contato com ele.

ㅡ O que está fazendo?

ㅡ Demonstrando afeto ㅡ diz, com um meio sorriso no rosto.

ㅡ Você bebeu escondido de mim? ㅡ afasto sua mão, segurando seu pulso.

ㅡ Não preciso de álcool, sua presença já me deixa embriagado ㅡ ele sorri, malandro.

O quê?!

ㅡ Eu tô falando sério.

ㅡ Eu também ㅡ ele ri ㅡ Eu não bebo mais. E além disso, eu preciso estar bêbado pra te fazer carinho?

Carinho...?

ㅡ O que foi? Isso te incomoda? ㅡ indaga.

Balanço a cabeça fracamente, em negativa.

ㅡ Então eu posso continuar? ㅡ ele indaga mas permaneço calado ㅡ Ahjussi... você é difícil de desvendar... ㅡ diz, umedecendo os lábios pequenos.

Encaro seus olhos escuros, sem ter certeza do que dizer.

ㅡ Eu só... não sou muito acostumado com isso... 

ㅡ Com demonstrações de afeto?

ㅡ É... ㅡ balanço a cabeça ㅡ Carinho, afeto... Nunca tive muito disso na minha vida.

ㅡ Eu também não... ㅡ diz ㅡ Mas se quiser posso fazer isso por você. Posso te dar carinho, e você faz o mesmo por mim.


Lembrei-me da conversa que tive com Niki há alguns dias. Ele perdeu os pais ainda na infância, mesmo sendo criado pela tia, uma pessoa que parece ser doce, tenho certeza que ele deve ter sentido muita falta de seus pais. Jay me disse para eu não ter pena dele, mas é inevitável.

ㅡ Vou encarar como um sim ㅡ diz, e eu acabo permitindo que ele pusesse a palma em meu rosto novamente.

Jay sorri, contente com a minha desistência. Sua outra mão sobe e desce delicadamente pelo meu braço, provocando em mim uma sensação gostosa, e que me faz sentir um pouco sonolento.

ㅡ Você me lembra das peças de Tchaikovsky*... ㅡ diz me olhando ㅡ São lindas, tristes e complexas...

ㅡ Eu não sou triste...

ㅡ Sim, você é ㅡ diz com convicção ㅡ Você finge que não, mas você tem uma aura espantosamente triste ㅡ ele passa o polegar sobre meus lábios.

O jeito que Jay me toca e me acarícia deveria me incomodar, mas na realidade não incomoda nem um pouco. Deixo ele me acariciar sem me preocupar com mais nada, apenas desfrutando do momento.

ㅡ Heesung, sabe que eu gosto muito de você, não sabe? ㅡ diz, me despertando do meu transe.

Fito suas pernas dobradas, cobertas por um par de calças pretas, envergonhado demais para olhá-lo nos olhos. Jay tira a mão do meu rosto.

Ele vai ficar me lembrando disso toda hora?

ㅡ Heesung? ㅡ chama e eu me volto para ele ㅡ Você sabe, não é? ㅡ O vento bagunça seus cabelos, impedindo que eu olhasse direito para seus olhos.

ㅡ Sei ㅡ respondo ㅡ Você deixou isso bem claro... 

ㅡ E você sabe o quanto eu gosto? ㅡ ele põe os cabelos para trás.

Solto um suspiro, recuando um pouco.

ㅡ Por que você tem que falar as coisas tão diretamente?

ㅡ Eu não sou de dar rodeios, muito menos esconder o que sinto... Em nehuma situação...

Fito seus olhos, me perdendo em sua profundidade por um momento. Jay não vai desistir tão cedo...

ㅡ Eu acho que vou pro quarto agora... ㅡ digo me levantando.

Jay se ergue também, sacudindo a jaqueta.

ㅡ Eu te acompanho ㅡ diz, e engulo em seco, um pouco ansioso.

Descemos até o andar onde fica meu quarto, caminhando pelos corredores até chegar à porta. Destranco o cômodo e entro parcialmente, ainda sentindo a presença de Jay às minhas costas.

Me viro para me despedir e sou surpreendido quando Jay se inclina em minha direção, encostando os lábios em minha bochecha, quase no canto da minha boca. Tremi por um segundo, surpreso, mas logo me recomponho, afastando Jay de mim antes que ele avançasse para um beijo em si.

ㅡ Para... sei o que está tentando fazer, Jay, mas não vai adiantar... 

O loiro apoia a mão no arco da porta, parecendo determinado apesar do meu aviso.

ㅡ Como você sabe que não vai adiantar se não me deixar tentar? ㅡ ele diminui a distância entre nós, empurrando a porta, impedindo que eu a feche.

ㅡ Não quero que você se machuque.

ㅡ Eu assumo o risco ㅡ diz, com os olhos fixos nos meus.

Dou meio passo para trás, Me sentindo um pouco intimidado.

ㅡ Eu te disse Heesung... disse que você vou fazer você se apaixonar por mim...

Ele me lança um sorriso maroto antes de caminhar para trás e enfim partir pro corredor, se afastando cada vez mais do meu quarto. Fecho a porta antes de descobrir se ele iria virar para trás ou não.

Ponho a mão no peito, repentinamente sentido meu coração alterar seu ritmo como há algumas semanas. A diferença agora, é que eu não tenho mais certeza se essa palpitação é realmente por causa da minha doença, ou por um motivo diferente, que eu literalmente acabei de passar a considerar...

Jay está me deixando balançando? As investidas dele está realmente surtindo efeito?

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Glossário:

Tchaikovsky - Foi um músico russo, compositor do Lago dos cisnes, A bela adormecida e O quebra nozes, por exemplo. Tchaikovsky foi uma pessoa extremamente emocional e tímida, o que refletiu muito em suas obras.



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