História Runaway - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Drama, Nyels, Shawn Mendes, Tragedia
Visualizações 19
Palavras 1.276
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpem a demora. Estamos na reta final da história!

Boa leitura <3

Capítulo 6 - Roses


Fanfic / Fanfiction Runaway - Capítulo 6 - Roses

“Quinhentos… Seiscentos… Seiscentos e cinquenta… Setecentos dólares! É tudo o que aquele velhaco acha que mereço trabalhando por um mês naquela espelunca? Ele pagou quinhentos e setenta e seis dólares a menos do que me devia!”

Coral tinha razão em estar furiosa. O salário mínimo em Ontario rendia cerca de mil e trezentos dólares, o que mal cobria o custo de vida de um pequeno apartamento em Toronto. Na situação em que se encontravam, deitados no chão de um banheiro sujo, num posto igualmente sujo de beira de estrada, a perspectiva não era nada boa.

Shawn estava feliz por terem conseguido escapar da polícia, mas não podia deixar de se sentir um pouco desconfortável ali, sentado sobre os azulejos sujos de vômito seco e urina. Eles estavam a catorze horas da pequena vila perto da fronteira onde Coral morava até então. O caminhoneiro com quem eles conseguiram uma carona parecia gente boa — pelo menos não tentou estuprar Coral ou agredi-los, o que era mais do que podiam esperar—, mas passou quase toda a viagem lançando olhares estranhos para Shawn. Em certo ponto da viagem, depois de ter descido para esvaziar a bexiga, o cara olhou bem em seus olhos e perguntou se não o conhecia de algum lugar. Shawn negou veementemente, por dentro imaginando que ficaria muito feliz se não o encontrasse jamais.

Eram nove da noite e os dois haviam encontrado um banheiro desativado nos fundos do posto. O cheiro era tão forte que se tornou quase insuportável respirar ali dentro. Um rato correu em pânico quando a porta foi aberta, escondendo-se atrás da privada amarelada pelo tempo. Coral agarrou o cabo quebrado de uma vassoura, segurando-a com tal força que parecia querer parti-la. O pobre animal não teve a menor chance; em um ou dois minutos, seu corpo jazia morto, estirado no asfalto.

Agora tinham tempo e privacidade para contar o dinheiro, e os resultados foram desanimadores. Mesmo com todas as economias que Coral juntara no último ano, a soma não ultrapassava cinco mil dólares.

Que bela situação de merda.

“Você ainda não me contou por quê está fugindo.” Shawn tentou manter a impassividade, mas sua voz soou como uma acusação. Coral suspirou e deixou as mãos caírem sobre o colo.

“Tem razão. Acho que te devo essa, não é?” Seu olhar se fixou num ponto qualquer à sua frente, fazendo-o pensar que ela se esquecera da pergunta. Depois de um momento de silêncio, ela riu sem humor algum e tirou um documento de sua mochila.

“Olha.” Ela apontou para uma linha em negrito. Shawn tentou identificar a língua, e acabou decidindo que era espanhol — ou algo próximo a isso.

 

Coralina Caballero Ojeda, República de Colombia

 

Ele lhe devolveu o documento, meio confuso com todo aquele suspense. Coral encarou a foto 3x4 que mostrava uma garotinha de grandes olhos sonhadores, covinhas e cabelos louros e rebeldes.

“Eu já te disse que desenvolvi um aparelho que mede a pressão sanguínea apenas captando as ondas sonoras do coração?” Shawn não respondeu. Estava claro que era uma pergunta retórica. “Nunca cheguei a batizá-lo. Ele me rendeu alguns prêmios de iniciação científica, até cheguei a apertar a mão do Presidente na época. Ganhei uma bolsa de estudos para a Universidade de Massachusetts, há cerca de dois anos. Recebi a emancipação do orfanato onde vivia na Colômbia e vim para cá, pronta para enfrentar o mundo.”

“Mas o setor da educação colombiana sofreu um grande corte de gastos. As bolsas de iniciação científica já não podiam mais ser mantidas; eu seria deportada. Não podia acreditar no que eu estava ouvindo. Depois de tantas lutas para chegar onde eu estava, queriam me mandar de volta!”

Ela fungou e secou os olhos com a manga de sua blusa. Shawn sentia toda a angústia que a garota transmitia naquele momento.

“Eu decidi que ficaria e lutaria pelo meu futuro. Quando o visto de estudante expirou, juntei-me aos milhares de imigrantes ilegais que atravessavam os Estados Unidos para fixar-se no Canadá. O último ano foi uma constante batalha por sobrevivência. Tudo o que eu podia poupar, guardei para pagar as mensalidades da Universidade de Toronto. Ainda quero terminar o meu curso, e vou me formar!”

Shawn não discordou. Sentiu a paixão com que aquelas palavras foram proferidas e evitou tecer qualquer comentário negativo, ainda que mil possibilidades (todas elas ruins, sendo otimista) passassem por sua cabeça. Coralina demonstrara sua inteligência excepcional desde o instante em que se conheceram, a garota exalava uma aura pura que denunciava ser um gênio. Mas nem toda a erudição do mundo seria capaz de abrir uma brecha entre a burocracia estúpida dos homens egoístas que comandavam o mundo.

Ouviu a garota ao seu lado fungar e secar uma lágrima com a manga encardida da blusa. A temperatura caíra drasticamente dentro do banheiro, deixando seus dedos e lábios azuis. Shawn passou um braço pelos ombros de Coral, que ainda chorava baixinho. Ela recostou-se nele e deixou que suas respirações se tornassem uma só, seus corações batessem em conjunto, e aos poucos, acalmou-se. A parede do banheiro era dura e fria contra suas costas. Eles adormeceram nos braços um do outro, vencidos pelo cansaço.

 

“Senhora Mendes, por favor, desesperar-se não adiantará nada!”

Karen chorava como uma criança desamparada, abraçando sua filha como se Aaliyah pudesse desaparecer em um instante. Shawn havia saído de casa há três dias, e simplesmente não dera notícias até então. Ela não notara nada de errado até que, dois dias antes, Hannah batera em sua porta pedindo para falar com seu filho. E ele ainda não tinha retornado.

Dave, o detetive particular, estendeu-lhe uma xícara de café que ela aceitou com mãos trêmulas. Não conseguia deixar de pensar em Shawn, imaginando o que teria acontecido com ele. Assim que recebeu a notícia de que ele fugiu da casa de festas depois de bater em Charlie, entrou bêbado em seu carro e dirigiu para sabe-se lá onde, Karen sentiu as pernas bambas. Teria desmaiado se Manuel não lhe amparasse, impedindo que ela caísse no chão.

E agora Dave acabara de lhe contar que haviam encontrado o carro de Shawn, abandonado sem gasolina no meio da rodovia, a quilômetros da povoação mais próxima. E. no chão do carro, havia…

Ela caíra novamente em prantos. O carro estava ensopado com o sangue de seu próprio filho!

Andrew viera imediatamente. Ele e Shawn haviam brigado poucos dias antes, mas nada tão sério a ponto dele… O homem não sabia o que fazer. Aconselhara Karen a não contatar a polícia, por hora, para evitar que o caso tivesse muita repercussão na mídia.

“Aqueles abutres só esperam um deslize para colocar as mãos na carreira brilhante de Shawn, Karen. Temos que esperar mais um pouco, tenho certeza de que ele será encontrado antes que…”

“VOCÊ TEM CERTEZA?” Karen explodiu, seus olhos brilhando com traços de insanidade. “A única coisa que importa para você é a carreira do Shawn, não é? Você não entende que ele é uma pessoa, fica colocando pressão em um garoto, o meu garoto! Se você não estivesse tão preocupado com o retorno financeiro que ele te traz…”

Andrew deixou-se cair numa cadeira enquanto Karen soluçava, inconsolável. Manuel não dissera uma única palavra, apenas encarava o horizonte inexpressivamente.

Dave entrou na sala naquele instante, confirmando o que todos já sabiam e temiam: o exame de DNA comprovou que o sangue pertencia a Shawn. Karen perdeu os sentidos, Aaliyah voltou a chorar, Manuel contraiu os punhos, parecendo querer socar alguma coisa.

Chega!” Sua voz de trovão calou todos, atraindo a atenção de Andrew e do detetive Dave. “Eu vou ligar para a polícia. Essa história já foi longe demais.”



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