História Runaway - Capítulo 8


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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Drama, Nyels, Shawn Mendes, Tragedia
Visualizações 27
Palavras 1.120
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 8 - There are no goodbyes


Fanfic / Fanfiction Runaway - Capítulo 8 - There are no goodbyes

A sala de espera do hospital estava lotada. Foram três dias extenuantes. Desgastantes. Eternos. Os minutos escorriam lentos pelo relógio, uma pulsação secular. Ninguém se atrevia a falar. Ninguém conseguia comer ou dormir. Nada parecia mudar, paredes brancas fechando-se mais e mais contra seus corpos tensos.

O estado de coma era perigoso. Cada instante passado sob seu manto de inconsciência tornava mais difícil a recuperação. Tudo parecia suspenso em partículas de apreensão. Shawn poderia ficar preso para sempre.

Andrew fizera de tudo para acalmar a mídia. Contratara seus melhores advogados, exigira que os jornais mantivessem sigilo. A situação era crítica. A qualquer momento tudo vazaria, ele não podia contê-los para sempre. O público não sabia o que pensar. A polícia do Canadá fora pressionada pelas fãs do garoto; exigiam notícias de Shawn. O empresário jamais fora religioso, e agora rezava por um milagre.

Afinal, o milagre veio.

“Shawn! Oh, meu Deus, obrigada, obrigada!” Karen desabara sobre o corpo do filho, que piscava contra a luz, confuso. O que está acontecendo? O médico entrou no quarto apressado, sua equipe o acompanhando, e rapidamente o encheram de instrumentos para medir sua pressão, pulsação, sentir sua respiração, analisar seus globos oculares. E Shawn seguia sem entender nada.

“...mãe? ...pai?”

“Sim, querido. Estou aqui. Você vai ficar bem.” Aquela era a primeira vez que o garoto via seu pai chorar.

Shawn queria ter deixado o hospital antes. Não suportava ficar preso àquela cama, não suportava ser paparicado pelas enfermeiras, e precisava imediatamente de um violão. Sua mente fervilhava com ideias para músicas, todas elas brilhantes, todas elas lindas. Ele finalmente vencera seu bloqueio criativo e era obrigado a ficar mofando num quarto de hospital.

Na semana seguinte, seu desejo finalmente se concretizou. Ele pôde voltar para casa, o tempo todo sendo abraçado pela mãe e pela irmã. Até Manuel aproximara-se um pouco do filho. Karen acariciou seus cabelos e disse, carinhosamente:

“Shawn, meu amor, nós temos de passar na Delegacia amanhã. Você vai ter que depor.”

Ele franziu a testa.

“Contra o que, mãe?”

Foi a vez de Karen ficar confusa. Ela abriu um sorriso hesitante.

“Contra a garota que te sequestrou, é claro.”

 

Os policiais fizeram mais perguntas do que a maioria dos entrevistadores com que Shawn estava acostumado a lidar. Queriam saber cada detalhe do que acontecera naqueles três dias — dias que Shawn sequer lembrava de terem existido. Foi honesto em todas as suas respostas, mas não pôde ajudar muito nas investigações. Ele simplesmente não sabia o que tinha acontecido.

A última coisa que havia em sua memória era o lindo rosto de Hannah, sussurrando palavras pervertidas em seu ouvido. Ele fora até sua casa lhe pedir desculpas, e sentiu-se o homem mais feliz do mundo quando ela lhe perdoou. Hannah havia sentido muito medo por ele.

“Faça um esforço, garoto. Tem certeza de que nunca viu esta criminosa?”

A garota da foto não parecia uma delinquente para Shawn. Era muito inocente, muito doce para isso. Seus longos cabelos dourados caíam em cachos sobre seus ombros, e um largo sorriso iluminava seu rosto. Os olhos faiscavam com um brilho que ele não sabia decifrar, as íris tinham um tom de mel que lhe lembrava as panquecas de sua mãe. A comparação lhe trouxe um sentimento de melancolia muito forte.

Na foto, a menina o encarava como se soubesse de todos os seus segredos — e estivesse se divertindo muito com eles.

“Eu não a conheço, detetive. Por mais que tente, não consigo me lembrar dela.”

Depois de muita insistência, Shawn conseguiu fazer com que lhe contassem o que havia acontecido. Aparentemente, ele fora detido por aquela garota, Coralina Ojeda, que abriu a ferida de sua perna com um pedaço de vidro encontrado em seu carro. Testemunhas disseram tê-la visto arrastando um corpo para dentro de casa durante a madrugada em que Shawn desaparecera.

Ela fugiu dos policiais americanos que faziam uma batida no povoado onde morava, levando Shawn consigo. Um caminhoneiro que dera carona aos dois reconheceu Shawn no dia seguinte, e ligara para a polícia canadense. Coralina tentou fugir, entrando num ônibus com destino ao litoral canadense, onde provavelmente esperava embarcar clandestinamente em algum navio de carga.

“Ela pretendia pedir resgate por você.” Dave lhe explicava, bebendo um gole do café amargo que tanto lhe agradava. “Coralina era uma imigrante colombiana sem documentação. Passou quase dois anos trabalhando para conseguir o dinheiro necessário para pagar seus documentos oficiais e uma entrada na Universidade de Toronto. Quando encontrou uma celebridade incapacitada, no meio do nada, viu ali sua chance de conseguir o que queria.”

“Mas parece que ela cometeu um grande erro, um erro de iniciante, ao tentar fugir pela linha metropolitana. Ainda não sabemos por quê Coralina se arriscou a exibi-lo em um transporte onde você podia ser facilmente reconhecido. Aliás, foram suas fãs que causaram o acidente, você sabia? Os gritos das garotas assustaram o motorista, que freou muito bruscamente, e bem… O ônibus capotou por culpa de Coralina, no fundo.”

Shawn tentava assimilar tudo o que ouvira. Era muito difícil acreditar que a dona daqueles olhos inteligentes e gentis podia tê-lo sequestrado e quase matado. Ela sorria em sua direção como uma velha amiga.

“Eu… onde está Coralina? Ela foi presa?”

Dave deu de ombros, adoçando um pouco mais seu café, não o suficiente para que o açúcar dominasse todo o sabor.

“Se tivéssemos colocado as mãos nela, muito do meu trabalho teria sido poupado.”

Era ridículo sentir-se assim, mas Shawn alegrou-se com a ideia de que Coralina tivesse escapado. Por algum motivo, ele não queria que ela fosse pega. Gostava de imaginá-la livre.

“Então ainda estão atrás dela?”

Dave negou com a cabeça.

“Não. Ela foi enterrada há uma semana, no Cemitério Central de Bogotá, sua cidade natal. Ela teve uma forte hemorragia interna depois do acidente; já chegou ao hospital morta.”

 

O túmulo não tinha nada de especial, apenas mais um bloco de concreto entre milhares. Era todo branco, uma simples cruz de ferro ostentando flores apodrecidas. Plantas daninhas tomaram toda a grama ao redor do repouso de Coralina Caballero Ojeda.

Shawn não entendia o que lhe levara a visitá-la. Já haviam se passado dois anos desde o incidente. Ele ainda precisava visitar uma psiquiatra de tempos em tempos, mas conseguira diminuir o uso dos remédios. Tentava esquecer daquilo. Não devia se deixar prender ao passado.

No epitáfio, não havia foto ou descrições. Ninguém saberia como os olhos de Coralina brilhavam. Ninguém contemplaria seu sorriso franco. Shawn deixou suas lágrimas regar o lírio que pousara sobre o mármore frio.

Ele não sabia quem ela era, mas seu coração a conhecia, melhor do que a si mesmo. Virou-se e deixou aquele lugar.

 

Dessa vez, ele não olhou para trás.


Notas Finais


Então é isso. Terminamos. Essa história foi escrita sem pretensão alguma, sem pressa, sem ter o final em vista. Quando ele chegou, me vi surpreendida, satisfeita, agradecida. Então, apenas depois de escrever as últimas palavras, postei o primeiro capítulo.
E agora apresento a vocês uma história que não exatamente chegou ao fim - essa é uma história que não tem essas limitações. Ela não é um romance com finais felizes. Ela é simplesmente... Uma história.

Muito obrigada <3


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