História Runaway - Capítulo 1


Escrita por: e Akuma_Lia

Postado
Categorias Naruto
Personagens Deidara, Personagens Originais, Sasori
Tags Cabaré, Can Can, Deidara, Kurotsuchi, Marionete, Sasodei, Sasori
Visualizações 93
Palavras 5.938
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OIE

APOSTO QUE VOCÊS NÃO ESPERAVAM POR ISSO NÉ? POIS BEM A GARNET ESTÁ AQUI \O/

Fizemos essa fanfic para um concurso, mas nos *** pois o máximo era 4K e quando a gente foi ver.... já tinha 14K :v Vamos tentar fazer outra pro desafio, mas não podíamos desperdiçar nosso em escrever essa belezinha e então RUNAWAY NASCEU, vai ter dois capítulos de MUITO SasoDei, QUEM GOSTA DE SD LEVANTA A MÃO O/.

Aproveito pra panfletar que vai sair mais duas oneshots, KakuHidan hohoho e SNS, vamos ver o que nós conseguimos trazer de bom pra vocês né <3

Sem mais delongas, boa leitura e nos vemos lá embaixo :3

Capítulo 1 - Run Run Run


Fanfic / Fanfiction Runaway - Capítulo 1 - Run Run Run

O sol quente lhe incomodava, mesmo com o chapéu conseguia sentir seu rosto queimando, a pele clara se tornando facilmente rosada. A multidão de pessoas lhe fazia perder a paciência, mais parecia que estava em um enlatado de grãos. E o maldito apito do navio lhe deixava com uma insuportável dor de cabeça.

Já se fazia pelo menos uma semana que estava nesta situação, isto em sua contagem de vezes em que anoiteceu, se não fosse por isto nem mesmo saberia quanto tempo havia se passado.

Embarcou na China há sete dias no navio que rumava para Europa, mas especificamente para o porto de Paris. Levando consigo uma bolsa com roupas, uma caixa com marionetes e outra com comida para a viagem. Planejava expandir seu negócio na grande potência e melhorar seu estilo de vida.

Estava sentado em cima de sua caixa se segurando pelo balanço do navio quando avistou a catedral de Notre-Dame, nunca achou uma catedral tão bonita. Finalmente sairia daquele inferno marítimo que estava vivendo.

O navio começou a apitar sem parar até atracar no porto, e ao invés da dor de cabeça os apitos lhe traziam agora felicidade. Olhou as pessoas ao redor ajeitando suas coisas e fez o mesmo.

Não havia feito companheiros durante sua estadia no navio, nunca havia sido do tipo sociável e seu estômago revirava só de ter que falar com algum desconhecido por obrigação, por isso sempre que alguém tentava se aproximar ou lhe dirigia algum comentário, o que aconteceu mais vezes do que ele gostaria, sempre cortava de forma curta respondendo a todos com nominais. Se ao menos pudesse fazer seus shows de marionetes ali, talvez criasse um clima melhor e mais leve para interação.

Estava quase sem mantimentos e por tanto foi consideravelmente mais fácil carregá-la para fora do navio, o resto dos seus pertences quase não pesavam também, a mais pesada acabava sendo a caixa de marionetes e por isso sempre tomava o cuidado de carregar coisas extremamente essenciais.

Assim que seus pés pisaram sobre terra firme agradeceu a todos os deuses que existiam. Se sentia um pouco tonto por passar tanto tempo no mar e demorou-se para finalmente conseguir andar para longe do porto.

Caminhou por vários cantos da cidade aproveitando que finalmente poderia esticar as pernas, para conhecer a central de Paris às margens do rio Sena onde o mercado era extremamente movimentado.

Aproveitou sua caminhada para verificar os melhores pontos para fazer suas apresentações sem atrapalhar o movimento e conseguir aumentar seu público. Viu que o setor da feira era bem intenso, no entanto barulhento, decidindo ficar próximo dali, mas um pouco afastado para conseguir prender a atenção das pessoas.

Sorriu, finalmente poderia fazer com que mais pessoa contemplassem e apreciassem a sua arte.

 

---x---
 

A noite é uma criança mimada, para aqueles que trabalhavam de dia e viam a noite como algo perigoso, talvez não fosse, era o momento de se recolher em casa e descansar ao lado da família… Quando havia uma. Para aqueles que trabalhavam e viviam da noite, as ruas escuras, os becos sem saída e as áreas mais silenciosas eram locais perfeitos para saciar os desejos mais ferventes e obscenos da carne.

Caminhar por aqui ou ali despreparado fazia de você uma ovelha indefesa, pronta para ser caçada e devorada, mas quando se vive na noite você acaba se tornando um lobo, à espreita e em busca do próximo prêmio.

Presa e Caça!

Era assim que Deidara via, sob o seu olhar nada passava despercebido, pois foi assim que cresceu e aprender a se comportar, ele fazia parte do grupo de pessoas que caçava e isso incluía se fazer de vítima, fazer o outro acreditar que está levando a melhor, para dar o bote final.

O ego masculino era o tipo de coisa que deveria vir com um alerta vermelho de fragilidade. Homens gostavam de estar no controle, de se sentir superiores àqueles que consideram ser inferiores e qualquer coisa que elevasse seu status isso os fazia se sentir poderosos e dominantes, sendo homem Deidara sabia muito bem disso, tão bem que o jogo de manipulação perdia até a graça de tantas vezes em que ele ganhava.

Deidara era um homem pouco comum.

Primeiramente por sua aparência exótica que podia ser facilmente confundida com a fisionomia de uma mulher. Segundamente por seu ambiente de convívio, Deidara passava quase cem por cento de seu tempo vivendo como uma mulher, se vestindo como uma, se portando como uma, falando como uma e principalmente dançando como uma, mas não qualquer mulher...Como uma meretriz. E em terceiro, mas não menos importante Deidara não era como os outros homens que sonhavam em casar como uma mulher recatada, prendada e acima de tudo submissa, na realidade ele nem sonhava em casar, muito menos com uma mulher… Não tinha o menor interesse nelas.

O loiro não conhecia outra vida senão a que ele vivia. Foi fruto da gestação de uma antiga meretriz com um dos ricaços da cidade, qual deles, Deidara nunca saberia e era mais provável que já tivesse se mudado dali há muito tempo. Sua mãe faleceu em seu nascimento e foi criado como a personificação de uma herança pela dona do cabaré, uma senhora nem um pouco gentil e que visava apenas lucros.

Deidara cresceu como escravo particular dela fazendo todo tipo de serviços que ela pudesse lhe dar, mas seu verdadeiro problema começou quando atingiu a adolescência. Não podia cortar o próprio cabelo devido a beleza dos fios loiros, Madame Monique planejava vender quando estivessem compridos o suficiente, contudo suas madeixas e sua fisionomia um tanto mais delicada muitos dos clientes passaram a se interessar por ele. Madame vendo nisso uma oportunidade de ganhar mais dinheiro ordenou então que ele aprendesse a dançar com as outras bailarinas da casa e também a flertar com seus clientes.

As propostas de dinheiro começaram a surgir cada vez mais altas pela sua virgindade, M.Monique fazia questão de oferecê-lo como um belíssimo pedaço de carne e quando um nobre ricaço apareceu, disposto a pagar o preço que fosse não demorou muito para que Deidara tivesse que se deitar com ele em sigilo total, afinal além de nenhum deles poder saber que ele era homem, também deveriam proteger a identidade do cliente e é claro que M.Monique cobrou seu preço pelo silêncio do segredo, nenhum dos homens poderosos que frequentavam aquele cabaré gostaria de ouvir rumores de que estivessem dormindo com outros homens, muito embora Madame não conseguisse segurar por muito tempo as más línguas de falarem. Logo rolava pela cidade um boato ou dois de que uma das suas garotas na verdade era um homem, o mistério de qual delas seria ainda permanecia intacto.

Com o tempo Deidara começou a aceitar aquela nova fase de sua vida, parte disso graças a grana que agora ganhava, começou a manipular e seduzir deliberadamente seus clientes, sem economizar esforços para tê-los caindo ao seus pés. Contudo, sempre existe o outro lado e a maior parte das outras dançarinas criavam inimizade consigo, ainda mais pelo fato de Madame cobrar ainda mais caro suas noites.

E o que poderia fazer afinal?

A vida nunca lhe foi justa desde o nascimento, se ele finalmente começava a ganhar algum crédito, por menor que fosse o motivo, era mais do que bem feito.

Sua rotina era quase a mesma todos os dias. Levantava cedo, comia, limpava o salão principal, os quartos, a cozinha e os banheiros. Depois do almoço ele treinava can can e costurava os rasgos que sempre aconteciam nas roupas das dançarinas. E a noite como todos os dias desde seus dezesseis anos ele dançava e dormia com o cliente que pagasse mais, geralmente em torno de dez moedas de prata.

M.Monique considerava que aqueles serviços faziam parte da sua obrigação, por tê-lo criado, dado um teto, algumas migalhas para comer e trapos para vestir. De seu pagamento por noite madame ainda lhe cobrava duas moedas para residir no cabaré, o que deveriam ser cinco moedas viravam três, apenas uma a mais do restante das dançarinas, mas o suficiente para render inveja e discórdia… O que resultava e vestidos rasgados de propósito e mais coisas para limpar.

Somente aos domingos sua rotina mudava, era quando ele podia sair daquele inferno e ir para o centro da cidade para fazer a compra da semana fazendo questão de demorar o dobro do tempo, apenas para poder ver coisas diferentes. Obviamente que não poderia ir vestido como um homem, na realidade M.Monique fez questão de queimar as roupas que tinha para que nunca o fizesse, nem uma única vez. Por tanto vestia um vestido um pouco abaixo do joelho com enorme forro por baixo, os melhores sapatos que podia encontrar em suas coisas e um chapéu na cabeça para se proteger do sol quente de verão.

Todas as pessoas na rua lhe encaravam, primeiro porque uma verdadeira dama não poderia usar um vestido tão curto como aquele mostrando tantos as pernas de forma “devassa”, era inaceitável socialmente tal comportamento. E segundo porque todos sabiam que ele era uma das garotas de M.Monique e todas as garotas eram vistas com maus olhos a luz do dia, julgadas e rechaçadas como pecadoras. Mal sabiam, ou talvez soubessem e escolhessem apenas fechar os olhos, que seus maridos eram os maiores frequentadores do cabaré.

Passando pelo mercado local, próximo as tendas de grãos, seus olhos pousaram com curiosidade em uma nova atração que havia ali, era diferente de tudo que já tinha visto. Parecia um teatro, mas pequeno, tão pequeno que cabia em uma caixa. Dentro dela havia dois bonecos, um homem e uma mulher ao que parecia, estes estavam deitados na base da caixa. Seu olhar então percorreu o ambiente e pousaram em um homem com cabelos vermelhos, nunca havia visto tal cor de cabelo, era estupendamente bonita.

Um mero detalhe, mas que o destacava diante toda a multidão. Já havia ouvido falar sobre a cor, mas nunca visto com seus próprios olhos.

Se aproximou calmamente vendo agora o homem mexer na caixa com os bonecos puxando dois gravetos amarrados em uma corda, assim que ele fez este movimento um dos bonecos ficou de pé, usando a outra mão pegou outros dois gravetos e como os dois últimos estavam amarrados em uma corda, então o outro boneco levantou também. Os bonecos começaram uma dança engraçada e muito desengonçada, mas logo pegaram o ritmo.

Pararam de dançar e começaram a fazer movimentos com as mãos em sua direção o chamando, de primeira Deidara ficou um pouco assustado, mas viu o homem que os controlava sorrindo com simpatia em sua direção.

Seus olhos… Eram marrons, mas não como os castanhos tão comuns, estes eram um tanto mais claros e refletiam verdadeira paixão por aquilo que estava fazendo, Deidara sem ter como recusar aquela oferta de aproximação, sentou em um dos bancos improvisados esperando pelo espetáculo e logo se via maravilhado, nunca havia visto nada igual, como ele conseguia manipular aqueles bonecos com apenas algumas varetas e alguns fios? Seria mágica? Não saberia responder, mas também não conseguia desviar o olhar, tinha certeza que sua expressão transmitia sua fascinação, pois não fazia questão de esconder.

Ao término da apresentação pode ouvir algumas palmas vindo da platéia, mas nem tinha se dado ao trabalho de olhar ao seu redor para conferir, apenas ouviu os barulhos das palmas e algumas moedas sendo depositadas na caixa que ficava próxima ao ruivo. Deidara sempre saía com as moedas contadas para os mantimentos, o pouco que recebia fazia questão de juntar em um local secreto, com a esperança de conseguir o suficiente para um dia… Quem sabe, poder sair daquele local e aprender qualquer outra coisa que não fosse aquilo que já fazia, as vezes levava algumas moedas consigo para comer algo gostoso e diferente ou comprar alguma coisinha que achasse bonito e por coincidência hoje havia trazido quatro moedas de prata.

Havia trazido essas moedas para comprar tâmaras, eram suas frutas preferidas… No entanto a atração lhe parecia muito mais válida do que as tâmaras, era diferente e divertido e com certeza havia prendido sua atenção como nenhuma outra coisa antes.

Foi com esse pensamento que Deidara se levantou de seu banco improvisado e depositou o dinheiro em uma pequena caixinha ao lado do caixote usada para o mini teatro e depositou todas as quatro lá. Viu o homem responsável pelo show arregalar os olhos o que fez com que o loiro desse uma breve risada. Nossa, fazia mesmo um bom tempo que não ria, tinha até se esquecido da sensação.

Iria se afastar, porém o homem lhe segurou no lugar pelo punho, virou-se para este confuso, embora seu instinto falasse mais alto e quisesse se afastar imediatamente aquele breve toque que o fez ficar.

-Espera! - foi a primeira coisa que disse - Isso é muito, eu não posso aceitar tanto por um simples show.

Deidara sorriu aliviado, afinal o homem não pretendia o humilhar e nem mesmo abusar de si, o que infelizmente era algo que ele tinha de lidar com frequência. Muito pelo contrário, o desconhecido queria apenas justiça por um ato simples, queria fazer por merecer o dinheiro que ganhava. Podem o chamar de louco se quiserem, mas Deidara não podia estar mais… Encantado.

Não era nada comum no mundo de onde ele vinha alguém fazer qualquer coisa pelo simples gesto de bondade, era sempre por um motivo a mais, por isso sua surpresa foi tão grande, se viu preso naquele momento chocado demais para conseguir responder.

-Moça - continuou - Use o seu dinheiro para algo maior que um simples show de marionetes.

Deidara pareceu despertar do transe ao ouvir o “moça”, era tão comum para si ser tratado como mulher, mas por alguma razão ser chamado assim naquele momento o deixou desconfortável.

-Marionetes - repetiu a palavra devagar - Então é assim que se chama - ajeitou sua postura se virando de frente para o homem - Foi um show encantador, nunca tinha visto nada parecido - resolveu usar a honestidade - Não tem nada disso... - apontou para a caixa com o mini teatro montado - De onde eu venho.

Sasori balançou a cabeça positivamente mostrando entender, mas ainda persistia na teimosia de devolver pelo menos três das moedas.

-Olha moça, se não as quer de volta me deixe fazer algo para que mereça elas, sim? - insistiu - Se não conhece marionetes posso te mostrar como manipulá-las, o que acha?

Deidara trocou o peso dos pés de um para o outro, a palavra “manipular” lhe fazendo pensar porque aquele homem estaria sendo tão gentil consigo, não era claro em sua mente que não houvesse razões por trás de tais atitudes, mas a ideia de aprender a fazer algo tão espetacular lhe atraia.

-Bom, tudo bem, vou aceitar - estendeu a mão em cumprimento - Deidara - se apresentou.

-Sasori - o ruivo apertou sua mão com firmeza.

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-Posso saber onde o senhor estava? Sabe que horas são? - M. estava parada no início da escada com uma cara de poucos amigos, se ainda tivesse medo dela, como costumava ter quando pequeno, já estaria chorando e pedindo por misericórdia.

-Eu parei pra assistir um espetáculo - comentou, pondo as compras em cima da mesa da cozinha com uma expressão calma.

-Ah! Que bonito, quer dizer que o senhor sai para passear sem avisar ninguém e volta assim, sem mais nem menos?

-Perdão Madame, vou ficar mais atento na próxima vez - comentou displicente, guardando as coisas nos armários e organizando imediatamente o local, quando foi puxado pela mão, sem nenhuma delicadeza.

-Eu só não lhe bato, por que seu corpo é valioso demais, entretanto como castigo vai adiantar a faxina antes de abrir o cabaré. Quando eu acordar quero o salão brilhando, as mesas e cadeiras limpas e polidas e as escadas sem um grão de poeira, fui clara?

Deidara sentiu raiva nesse momento, havia aproveitado um dia único e em apenas alguns minutos lembrou como era viver naquele inferno que chamava de casa. Se limitou a acenar para M.Monique que sorriu fingida como sempre e se afastou, mas não sem antes esbarrar propositalmente em um balde cheio de água e molhar o chão da cozinha.

-Ah! Quero o chão da cozinha limpo também, divirta-se - sua gargalhada pode ser ouvida pela casa toda, Deidara socou a madeira da mesa irritado, quando poderia ter uma vida diferente?

Voltou ao quarto para trocar de roupa e colocar algo mais confortável para começar a limpeza, durante o caminho sentiu os olhares das outras meretrizes em si, cochichando nem tão baixo assim, para que ouvisse.

-A gata borralheira já chegou… Ou melhor, gato - comentou uma.

-Imagina que escândalo, ela tem um pinto entre as pernas - disse outra.

Outras nem faziam questão de se fazerem de fingidas.

-Por que esse aí tem que ganhar mais que todas? Nem mulher de verdade é!

-Verdade, é uma injustiça. Eu também tenho uma bunda!

Chegando em seu quarto fechou a porta tentando conter a raiva que sentia, aquela vida de merda o irritava, queria tanto não precisar de nada daquilo… Sorriu ao se lembrar da tarde maravilhosa que havia passado com Sasori Akasuna, havia aprendido algo novo e isso era a coisa mais preciosa em seu dia.

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-Aí você movimenta assim… Não, com mais sutileza, não tenha pressa ou não conseguirá mover a marionete direito - comentou Sasori, haviam se afastado do meio da rua movimentava do mercado, foram para um local mais calmo, um parque com pouco movimento, quase como um enorme jardim enfeitado de variadas flores, e por tanto borboletas, beija-flores e abelhas.

Deidara não sabia se Sasori era ingênuo ou se apenas colabora consigo em fazer com que durante o aprendizado houvesse bastante toques sutis. Era sempre uma mão encostando aqui e ali ou um olhar direcionado ao corpo do outro. O loiro ficou muito satisfeito ao ver que Sasori retribuía tais gestos.

-Você tem um sotaque diferente - comentou o loiro - De onde você é?

-Eu vim da China, uma terra bem distante daqui - explicou - Lá os negócios de marionetes é bastante popular, mas por ser algo comum não se paga muito, por isto vim tentar ampliar meus negócios aqui na França.

-Sei, nesta grande potência, e como vieste?

-De navio - suspirou ao se lembrar - Passei sete dias no mar, uma tortura, devia ver minha felicidade em finalmente poder esticar as pernas. Já faz umas duas semanas que cheguei aqui em Paris.

Deidara riu quase deixando cair os gravetos de sua mão.

-Deve ter sido difícil mesmo, eu nunca andei de navio, mas a ideia me dá arrepios - fez um careta desgostosa - O mar é um lugar tão misterioso e violento, imagine o navio afundar e ficar preso em alto mar.

-O que posso dizer, sou bem corajoso - piscou brincando vendo Deidara rir - Você tem um sorriso muito bonito.

-Muito obrigad...A - atrapalhou-se na hora de responder ao elogio, não costumava conversar com ninguém fora do cabaré, por isso nunca teve problemas com esse tipo de situação.

Sasori estranhou aquela reação tão alarmada da moça, contudo esqueceu rapidamente quando esta levou uma mecha dos belos cabelos loiros para trás da orelha… Ela parecia um tanto corada, ou seria imaginação sua?

-Eu gosto muito do seu cabelo, nunca tinha visto de perto um cabelo como o seu… Dessa cor, é muito bonito.

Sasori sorriu e pegou na mão de Deidara, era tão macia e delicada, gostaria de poder sentir aquela textura contra por mais tempo. Levou-a até sua cabeça permitindo que tocasse nas madeixas ruivas.

-Obrigado - respondeu com um discreto sorriso.

Quando as mãos do artista foram parar em sua cintura deslizando por seu braço com a desculpa de ajudá-lo a manipular o objeto. Quando os olhares se encontraram novamente nenhum deles fez questão de esconder o desejo que fluía por seus corpos.

Sasori se aproximou para beijar Deidara, que por instinto se afastou. Era uma das primeiras regras de M.Monique, não beijar os clientes, mas Sasori não era um cliente… Se sentiu mal por ter se afastado.

-Me desculpe - ouviu Sasori dizer - É que…

-Não me peça desculpa, por favor - seu tom era firme - Eu que lhe devo desculpas, não queria ter me afastado - apertou a carne do braço se sentindo constrangido - Acontece que eu...Nunca beijei…

Sasori se surpreendeu, mas antes que ele falasse algo Deidara continuou.

-Olha, existem coisas sobre mim que talvez não lhe agradem - suspirou - Você foi tão gentil e bondoso comigo que eu não me sentiria bem em enganar-te de alguma forma.

-Mas…- Sasori tentou dizer, mas o loiro tornou a falar.

-Eu vou te explicar tudo - abriu a bolsa onde guardava o dinheiro e retirou um papel de lá  - Vá até este endereço e vai saber do que estou falando.

Sasori olhou para o papel e afirmou com a cabeça. Deidara se afastou pegando suas compras no chão.

-Eu tenho que ir agora, mas foi um prazer conhecê-lo Sasori - mordeu o lábio inferior - Espero te ver mais tarde.

-Estarei lá.

Foi a última coisa que ouviu antes de seguir seu caminho de volta para o cabaré. Se sentia bem com sua decisão, sentia que fez a coisa certa.

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Sorriu enquanto usava o esfregão no chão da cozinha. Sasori era mesmo o homem mais… Deidara nem tinha palavras para defini-lo, então usaria diferente, mas um diferente bom...Ótimo na verdade.

Óbvio que no caminho acabou ficando apreensivo sobre o que ele pensaria de si no momento em que soubesse da verdade, talvez o odiasse ou… Não, ele não lhe parecia este tipo de homem, mas já era de seu costume esperar sempre pelo pior, foi com essa filosofia que cresceu no fim das contas.

Terminando de limpar a cozinha ele rumou para o salão, teria de limpar tudo antes que abrissem para a noite, então tratou de se apressar. Limpando o piso, as escadas, os móveis e até mesmo o canto das paredes no teto tirando todas as teias ou qualquer poeira amontoada.

Enquanto limpava aproveitou para praticar seus exercícios diários com as pernas esticando até que seu joelho alcançasse sua cabeça, trocando de perna em seguida fazendo o mesmo movimento. Deu alguns chutes no ar em várias direções tentando o seu ângulo de abertura. Rodopiou várias vezes com a vassoura sempre abrindo o espaço entre uma perna e outra movimentando os quadris enquanto girava ganhando um certo ritmo.

Abaixava-se para limpar o pano na bacia e empinada o quadril repetidas vezes testando seu rebolado. Todos os seus movimentos eram feitos com total precisão, mas muita delicadeza e sensualidade, Deidara gostava de pensar que era o caçador no jogo da sedução e que ninguém seria capaz de resistir ao seu rebolado.

Assim que terminou de limpar o salão foi correndo limpar os quartos, já ia bater o horários de abrir e ainda faltava os banheiros.

Kurotsuchi, uma das dançarinas apareceu no batente da porta. Deidara a cumprimentou sorrindo, era a única que prestava no mar de cobras que enfrentava todos os dias.

A mulher tinha vindo refugiada do Japão até a França, lutou para ter o que comer e onde dormir até vir parar no cabaré. Apesar de ter levado uma vida sofrida, Kurotsuchi era o tipo de pessoa que não costumava julgar ninguém ou se sentir superior, era uma pessoa boa em um mundo ruim.

A dançarina olhou para a vassoura em sua mão e torceu o nariz inconformada.

-Deidara, o que pensa que tá fazendo? - a voz soando tão indignada quanto a face - Já vamos abrir!

-Madame me mandou limpar tudo antes de abrir, você sabe que se eu não fizer ela vai arranjar maneiras de me fazer pagar.

A mulher suspirou e concordou com a cabeça. M.Monique pegava muito no pé das meninas, mas Deidara era quase um escravo para ela.

-Vou te ajudar a terminar - disse pegando o pano - Com dois trabalhando termina mais rápido.

-Obrigado - agradeceu sorrindo em ver a colega limpando os móveis para lhe ajudar.

Quando terminaram foram tomar um belo banho para se livrar  do suor e se perfumar, se vestiram correndo para o show. A roupa da noite era um longo vestido vermelho todo afofado por dentro, debaixo deles as calçolas costumeiras e os tamancos da mesma cor.

A maquiagem era um tanto mais carregada no pó de arroz e no batom vermelho. Muitas das dançarinas acabavam parecendo bizarros palhaços no fim da noite.

-Vamos meninas - Madame veio lhes chamar - Está na hora de começar o show.

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Sasori estava no puxadinho que havia arrumado há uma semana, nada muito grande, era apenas um quarto pequeno onde poderia dormir, era o que cabia em seu bolso no momento.

Olhou para as roupas que trouxe consigo se perguntando como deveria ir ao endereço que Deidara havia lhe dado, não sabia que tipo de lugar era. Pelo o que viu da loira ela se vestia muito bem, então era mais provável que fosse um lugar mais chique. Decidiu usar o único terno que trouxera consigo, era uma velharia que foi passado do seu pai para si, mas ainda assim era a melhor roupa que tinha.

Saiu de casa ao anoitecer e andou em direção ao endereço informado, quando chegou na rua começou a olhar para os prédios ao redor e se deparou com um extremamente movimentado, franziu o cenho ao ver que era ali o local que a mulher havia passado.

Entrou meio receoso vendo a quantidade de homens muito elegantes que haviam por ali, o lugar era um pouco escuro, tentou encontrar Deidara assim que entrou no salão, mas não conseguiu encontrar.

Sentou em uma mesa vazia para esperar pra ver se ela aparecia. Dois homens sentaram na mesa ao seu lado.

-Estou te falando - um deles comentou alto - As garotas daqui são um pitel.

Sasori permaneceu confuso até ver dançarinas subindo no palco local. Arregalou os olhos ao finalmente entender que se tratava de um cabaré. Endireitou sua postura um pouco nervoso, onde estaria Deidara?

--x--

Saíram em fileira do quarto em direção ao palco, assim que se posicionaram corretamente, ou seja, todas abraçadas com Deidara no meio delas como destaque principal, a madame começou a falar.

-Bem-vindos a mais um noite no paraíso com as minhas garotas - Monique apontou para as meninas - Apreciem o show e, pelo preço certo, uma delas também - deu uma piscadela e todos riram - Sem mais delongas que comece o show.

M.Monique saiu do palco e o pianista da noite começou a tocar um jazz animado.

Em sincronia começaram a mover as pernas no mesmo ritmo e ao mesmo tempo. Duas vezes para direita, duas vezes para esquerda. Se afastaram e começaram a rodopiar pelo palco rebolando no ritmo da música. Se juntaram em fileira novamente dessa vez de costas para o público se abaixaram e empinaram  os quadris subindo o vestido revelando as calçolas, a plateia gritou animada. Se afastaram novamente dessa vez descendo do palco, metade para um lado e metade para o outro.

Cada uma foi em direção a uma mesa dar atenção aos clientes ali sentados, todas com seus próprios truques de sedução. Umas se sentavam no colo, outras deixavam que visse mais de perto a roupa íntima, era tudo uma questão de jogo e jogadores.

Deidara não se deixava ser tocado, apenas ele tocava e naquela noite só tinha uma mesa que gostaria de visitar.

Sasori estava no lado esquerdo do salão e ele havia descido pelo direito por conta da coreografia. Pensou rápido e agarrou no braço da dançarina do lado esquerdo responsável pela mesa de Sasori e rodopiou com ela pelo salão chamando a atenção dos outros clientes.

-O que está fazendo? - a moça perguntou enquanto sorria forçado para o público.

-O cliente da minha mesa deseja você esta noite - viu a moça olhar e jogar o cabelo flertando com o homem de longe - além disso seu cliente hoje não parece ter muita grana - sua perna se roçou com a coxa da garota aumentando a expectativa dos observadores - Estou te fazendo um favor.

-Certo.

A garota concordou e ambos retomaram a andar dessa vez na direção contrária à que iam.

Deidara andou até Sasori rebolando lentamente seus quadris, se sentia como um leão em seu habitat natural. Ali ele poderia agir sem segredos, sem máscaras os separando, por isso cumprimiu todo o medo de uma possível rejeição e foi sorrindo com malícia na direção  de Sasori.

-Olá - sua mão pousou na base da cadeira de Sasori - Fico feliz que tenha decidido vir.

O ruivo o encarou de forma surpresa, o loiro todo maquiado e cheio de acessórios nada se parecia com a ‘mulher’ de ar simples e trejeitos doces. Quando o vira na platéia sorrindo em total admiração por sua arte, viu um anjo, agora a noite com aquele sorriso ladino e andar faceiro, mais parecia um demônio da luxúria, seus olhos prometiam o devasso e aquele batom vermelho nos lábios, o prazer.

-Deidara? - Sasori disse baixo - Nossa, nem parece você… Está tão diferente.

Deidara mordeu o lábio inferior com nervosismo sem que Sasori visse. Apoiou a mão no ombro do acompanhante e desceu pelo peitoral.

-Um diferente bom, ou um diferente ruim? - perguntou com curiosidade - Eu sei que meu trabalho pode chocar muita gente, mas ainda sou eu.

Sasori pareceu ponderar as palavras do loiro. Deidara se moveu para frente de Sasori e acariciou a face deste subindo a palma fazendo seus olhos se encontrarem.

-Eu sou a mesma pessoa do mercado, apenas com um trabalho ruim e… Segredos que ninguém gostaria de ter.

-Quais?

Deidara sorriu se inclinando para próximo da orelha do ruivo.

-Te conto se você confiar em mim - mordiscou de leve o lóbulo - Só quero uma chance.

Sasori balançou a cabeça positivamente.

-Está bem - aceitou - Contanto que me explique direito essa história.

-Pode deixar, não vai se arrepender - puxou Sasori pela mão o fazendo levantar da cadeira - Venha, vamos falar com Madame Monique.

Sasori foi guiado pela mão, enquanto Deidara desfilava com todo o glamour que possuía, se aproximaram de uma mulher velha, com cabelos curtos. Ela estava bem afastada observando o salão e o movimento da noite, conforme suas meninas subiam com clientes, um por um, a cada moeda que entrava um sorriso de satisfação dava.

Sasori nunca foi dado a esse tipo de diversão, de onde vinha também haviam garotas que trabalhavam como Deidara, mas havia algo ‘nela’, que o encantava… Talvez fosse apenas por trabalhar com aquele tipo de coisa, mas seus sorrisos ao assistir seu show de marionetes era totalmente genuíno, nada parecido com esse que exibia para todos, mas algo verdadeiro e era justamente isso que o fez ficar.

Deidara cumprimentou a mulher antes de começar a falar.

-Este é meu cliente da noite.

M.Monique olhou descaradamente Sasori da cabeça aos pés, fez uma expressão desgostosa em seguida balançou a cabeça em negação.

-Não é mesmo, Monsieur Jaques deseja vê-la esta noite - mostrou o homem que bebia whisky em uma mesa afastada - E duvido que este… Senhor possa me oferecer melhor quantia.

Sasori iria responder, afinal ele realmente não parecia se encaixar no perfil dos outros homens que frequentavam aquele lugar. Todos com as roupas vindas dos melhores alfaiates e ele, bom, com a melhor roupa que conseguiu arrumar para ir até ali. Porém Deidara se posicionou a frente dele.

-Eu pago - disse simplesmente.

-Como? - Madame perguntou confusa - Está me dizendo que vai pagar uma noite com você para ele? - os olhos da mulher se cumprimiram avaliando a postura de Deidara - O que ele é seu? Não me diga que arranjou um namorado? - Monique riu - Era isso que estava fazendo essa tarde? Abrindo as pernas para esse pobre coitado que não tem onde cair morto?! - puxou com força Deidara pelo cabelo - Me diz, era isso né? Você dá de graça igual a vadia da sua mãe!

-Não fala da minha mãe! - Deidara gritou - Não fale dela, você não tem esse direito - empurrou a mulher com força para se soltar do agarre - Não ligo para o que você pensa, eu irei pagar para ele, você gostando ou não.

-E de onde vai tirar essa grana? - argumentou - Ou você acha que eu vou acreditar que você tem todo esse dinheiro.

-Eu tenho umas economias - declarou - Me diga seu preço.

-Vinte moedas de prata. Se o vagabundo vale que você pague por ele, então que seja o dobro do que você recebe, e mais - pontuou - Não vai haver lucros para você dessa vez.

-Está certo - Deidara olhou para Sasori - Fique aqui um segundo, não vou demorar. Por favor!

Deidara correu prédio adentro para pegar as vinte moedas de prata e retornou ainda mais rápido sem dar a chance para que Madame pudesse interrogar Sasori.

-Além de puta tem mau gosto - foi a última coisa que Madame conseguiu dizer antes do retorno de Deidara.

-Aqui está - pagou com as moedas - Agora se me der licença tenho negócios a fazer.

Deidara ia se afastar quando madame segurou seu braço.

-Melhor seu amigo ficar de bico calado quanto ao nosso segredinho - praticamente rosnou.

-Se ele quisesse já teria contado, afinal você mesma disse que dormimos juntos essa tarde - sorriu cínico - Não tem com o que se preocupar.

Sasori não podia estar mais confuso com aquela situação, mas Deidara pediu para que confiasse ‘nela’ então era isso que faria. E assim a seguiu até um dos quartos reservados, assim que a porta se fechou o ruivo observou o ambiente, temendo algo, mas não havia nada além de uma bela cama com lençóis vermelhos, o ambiente todo possuía um clima envolvente e propício para sexo.

-Me desculpa pelo que aquela bruxa falou, mas quando eu disse que tinha segredos… Essa é minha vida, isso é o que eu sou e isso - apontou para a cama - é a única coisa que me ensinaram a fazer.

Sasori ainda olhou mais, reparando na mesinha e nas duas cadeiras de madeira, nos castiçais com velas aromáticas, na janela com cortinas elegantes e o tapete… Era um local totalmente diferente daqueles que frequentava, mas não estava escandalizado, percebeu a hesitação no olhar da loira, mas o real incômodo foi o contexto das coisas.

-E mais uma vez… Você paga um preço absurdo, não importa o quanto demore eu vou te devolver esse…

-Shiii… Por favor não vamos falar de dinheiro agora…

-Como não, sua vida depende disso pelo que pude notar - Sasori observou “a loira” suspirar e começar a andar em voltas pelo quarto.

-Tenho outras coisas para contar, talvez você nunca mais queira olhar na minha cara - Deidara mexeu no cabelo incomodado, a pressão fazendo seu peito doer - Olha, primeiro eu gostaria… Gostaria de pedir para não me bater, ou sei lá, sair gritando na rua… Eu... - engoliu em seco - Eu sei que parece loucura o que eu estou pedindo, mas só peço que prometa que não vai fazer isso.

Sasori pareceu assustado com o pedido, se aproximou de Deidara pegando em sua mão acariciando com o polegar.

-Eu prometo - sua voz saiu firme e serena  enquanto o olhava nos olhos para que Deidara ficasse mais relaxado - Nunca vou te fazer nenhum mal...

 


Notas Finais


Quem ai notou a semelhança entre Monique e a madrasta da Cinderella?

Gente estamos postando isso aqui pra comemorar os 100 likes que a Aliança UchiMaki alcançou, a gente não seria nada sem vocês.

Espero que esse mimo agrade ;) !!!


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