História S o l i t u d e - Capítulo 31


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Categorias EXO, Super Junior
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Jennie, Jisoo, Kai, Kris Wu, Lay, Lisa, Lu Han, Personagens Originais, Rosé, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Baekxing, Baekyeol, Chankai, Drama, Exo, Romance, Seho, Suchen, Sulay, Suspense, Taekai, Terror, Xiuhan
Visualizações 21
Palavras 3.172
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, Lemon, LGBT, Lírica, Literatura Feminina, Luta, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Poesias, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Tenho boas e más notícias ksks pra começar descobri que não se pode colocar letras de músicas nas fanfics postadas aqui .-. o que eu acho nada ver essa regra mas me notificaram e não quero que Solitude seja apagada estando tão perto de 200 (coisa que não foi fácil de conseguir) então terei que retirar todas as letras dos capítulos anteriores ~sad~mas mesmo assim peço que vocês ouçam as músicas que deixo nas notas finais, pois elas têm muito a ver com a estória e muitas vezes são minhas fontes de inspiração enfim ksksks
Estamos perto de 200 favoritos yeahhhh estou muito feliz, mano, sério! Muito obrigada a todas vocês que acompanham a fanfic e que comentam sempre <3 vocês estão no meu coração, até tirei print de alguns comentários para mostrar para as minhas amigas ksjkdjfdf eu toda orgulhosa nyaaah
Espero que nada esteja muito confuso para vocês, organização é uma coisa que eu ainda tenho que melhorar muito e, aliás, vou dar mais uma revisada nos capítulos anteriores para ver se eu não deixei nada escapar ><
boa leituraaa~~

Capítulo 31 - Epiderme


— CAPÍTULO TRINTA E UM —

EPIDERME

 

 

Zitao não media esforços quando se tratava de conseguir o que queria. Não somente pelo fato da vida de seu pai estar em risco, mas também pelo fato de que não aceitava não como resposta. De fato, fora algo que todos os anos de treinamento, disciplina e punições não puderam concertar. E ninguém sabia melhor disso do que Jongin. De alguma maneira, ele não havia mudado desde a última vez que o vira, há seis anos. Ainda era esperto, impassível, sagaz e temperamental. Não que Jongin não também fosse um pouco disso, ele só não buscava vingança como as pessoas normais, pois ele era a própria. A personificação do prato frio que seria servido sem o mínimo de remorso.

— Então?

— Então o que?

— Não vai me obrigar a nada? Trouxe-me até aqui só para me manter sentado preso a essa cadeira?

— Preciso ter a certeza de que ninguém verá você quando eu o levar até o Palácio Jang Jing.

— Ah, claro. — Jongin fungou fortemente.

 

Tao lia alguns papéis e fazia anotações na escrivaninha ao lado da cama do hotel onde passariam aquela noite. Parecia concentrado demais e usava óculos de grau, o que era novidade, pois sempre tivera uma visão perfeita, semelhante a um felino.

— Ei. - Assobiou Jongin — Ei, Kung Fu Panda, eu estou com fome. — Fora ignorado pelo outro. — Não vai me dar comida? E se eu morrer de fome? Quem irá salvar a vida do seu papaizinho?

De repente o chinês de levantou num pulo da cadeira, andando sorrateiramente ao redor da cadeira onde Jongin estava, que, aliás, não tirava o sorriso do rosto. Estava faminto, o corpo doía, a garganta estava seca, mas nada disso o impedia de ser debochado com seu ex-amigo.

— Você já teve suas refeições necessárias de hoje. —- Dizia em um coreano enrolado.

— Eu sou um atleta, meu metabolismo é muito acelerado. — Respondeu em um chinês perfeito. Ter facilidade com as línguas também era mais uma de suas dádivas.

— Pode ficar tranquilo que se você ficar quieto não gastará energia alguma. — Respondeu em seu idioma e tapeou de leve a nuca de Jongin.

—  Filho da puta. — Murmurou em alemão.

— Não venha com seus joguinhos, Jongin. Não vou sair para comprar comida e te deixar aqui sozinho.

— Como se eu pudesse fugir amarrado em uma cadeira... — Murmurou irritado.

— Você já me impressionou muitas vezes. - Deu de ombros. — Não me admiraria. — Zitao estava certo.

E então voltou ao que estava fazendo. Aquela noite sim seria de fato entediante para Jongin. Entediante e desconfortável.

 

 

Luhan ainda estava meio nervoso pelo acontecido. Marta havia conversado com os médicos e disseram que Sehun havia sofrido um corte profundo no nariz e na orelha direita, e que isso o havia feito perder muito sangue. A forma como o médico havia falado era sigilosa, como se não quisesse que dois adolescentes escutassem. Ele suspeitava que fosse uma tentativa de homicídio, e pediu para que Marta procurasse a polícia. Mas ele não sabia nada, além disso. Marta ficou preocupa. E se não fosse mais um dos surtos que o sobrinho costumava ter... E se tivesse mesmo alguém real o perseguindo?

      Chanyeol tinha os vários fios de cabelo caídos sobre seu rosto e, mais tranquilo, ele esperava que pudesse o ver logo. Sentado em uma das cadeiras frias do corredor daquele hospital, Chanyeol sentia as manchas de sangue em sua camisa branca pesar. Luhan e Marta conversavam com o médico enquanto ele enviava uma mensagem para a irmã, já que estava sem falar com Kris há dois dias.

Era o começo de uma noite de domingo e ele não sabia o que fazer ali. Seus fios longos e escuros se enrolaram em direções distintas em seus pescoço e topo da cabeça e uma dor de cabeça parecia surgir aos poucos, a qual logo ganharia uma intensidade que Chanyeol não queria imaginar.

Uma enfermeira o ofereceu uma camisa branca e disse que poderia tomar um banho se quiser. E o fez. Não conseguia parar de pensar no tremor que percorreu seu corpo ao ouvir aquele sussurro o chamando até Sehun. Estava estagnado e precisava aliviar suas tensões. Sehun ficaria bem. Sehun não deveria mais ficar sozinho.

 

 

Era complicado para Jongdae dizer exatamente o que se passava em sua cabeça quando empurrou Junmyeon contra a parede e o beijou. Havia sido mais um dia estressante daqueles, e Jisoo havia brigado consigo de novo, o pedindo rigorosamente que a deixasse em paz, pois sabia de suas mentiras. Jongdae também sabia de suas mentiras, porém não conhecia suas verdades. Acontece que há muito vinha imaginado o que não deveria: como seria a textura daqueles lábios finos e rosados de Junmyeon? Será que seriam tão macios quanto os de Jisoo, ou do garoto a qual havia dado seu primeiro beijo quando ainda era do fundamental, Minseok? Haveria problema o beijar simplesmente por fazer e depois sair correndo como se nada tivesse acontecido?

Jongdae não tinha respostas. Mas, apesar de todos os pesares, fora correspondido.

Meio ofegante Jongdae havia andado para lá e para cá dezenas de vezes, nervoso, ansioso, os dedos dos pés e das mãos suando, quando enfim tomou coragem e engoliu seco ao tocar a campainha.

Junmyeon parecia ocupado, havia demorado em atender e segurava o celular no telefone quando Jongdae simplesmente o empurrou para dentro, sem sequer fechar a porta, onde o mesmo encostou-se à parede mais próxima tendo os lábios abertos pressionados pelos de seu vizinho. Fora tudo meio rápido e meio estranho, entretanto não regressou.

Após alguns minutos em silêncio, uma porta aberta deixando entrar vento e uma chamada perdida, enfim um deles pôde dizer algo que fizesse sentido.

— Isso foi uma surpresa. — Constatou Junmyeon desligando a tela do celular e indo até a porta para fechá-la.

— Ah, foi? — Murmurou. — Droga! Desculpe! — Falava em confusão. — Que merda foi que eu fiz...

 

— O que te deu na cabeça, uh? Está tão necessitado assim, ou... Finalmente caiu a ficha do que você realmente gosta

Jongdae não entendeu. Estalou os dedos e respirou com cuidado, pois se não o fizesse poderia esbarrar em algo quando andasse e tudo que menos queria naquele momento era quebrar alguma coisa ali.

— Eu não sei... - Passou a mão no rosto. - Eu não sei.

 

 

    

Quando Yixing nasceu, pequeno, chorão, inofensivo, saudável e bochechudo, como as crianças normalmente são, sabia que seria um menino de luz.

Havia sido um parto difícil, Zhang Liu, sua mãe, havia perdido muito sangue e teve que permanecer no hospital por quase um mês após a cesária.

Mas não muito depois Yixing ficou bem, perfeitamente bem. Sempre fora alegre e cheio de energia, com certeza seria um homem inteligente e saudável assim como seu pai, e igualmente hiperativo de ideias.

Era o que todos diziam, não era?

Fazia cinco anos que havia se mudado para a Coreia do Sul, para a casa de sua avó, que era chinesa assim como ele. Os pais haviam se divorciado há dois anos e ainda era difícil conviver com os dois, e com as decisões dos dois também. Yixing tinha que viajar quase todo final de semana, feriado ou não, para ajudar o pai na empresa com os negócios. Possuía uma inteligência rara em entender e resolver cálculos matemáticos, assim como em ser um leitor nato que não largava os livros um dia sequer desde que aprendera a ler, aos três anos de idade. Sua função era indispensável na empresa, pois era ele quem decidia onde a empresa deveria investir, onde traria mais lucro, assim como ajudava o pai a escrever livros de autoajuda pessoal e sobre economia.

Seus pais, apesar de divorciados,  trabalhavam na mesma empresa, já que ainda ambos eram donos da mesma, uma editora de livros, que produzia e distribuía  todo tipo de livro para o mundo todo.

Naquela quarta feira à tarde, onde o céu estava alaranjado e iluminava seu quarto, que ficava no andar de cima da casa dos avós, Yixing ainda segurava aquele envelope. Ele havia visto os papéis dos exames, mas não o resultado.

Inspirava e expirava fortemente tentando conter o nervosismo. Tentava manter pensamentos positivos, que era apenas um exame e nada mais. Não era nada grave e o que havia acontecido era apenas loucura de sua cabeça.

Estresse. Devia ser o estresse das provas da escola e dos relatórios que havia passado as últimas duas semanas terminadas de fazer. Talvez fosse ver cálculos demais ou tomar café demais, ou dormir de menos.

Seus olhos estavam fundos e inchados, o corpo meio doído ao se ajeitar de uma forma mais confortável na cama. Seria naquele momento ou nunca.

Abriu o envelope.

Ainda dava pra sentir o cheiro da impressão. Leu calmamente a descrição de cima da folha antes de ficar na parte de baixo, onde dizia o que ele queria, e ao mesmo tempo não, saber.

Diagnóstico: Enfisema pulmonar.

"Enfisema? Não, não podia ser verdade. Esse exame está errado." Pensou fortemente. Rodou o quarto lendo e relendo aquela folha, pegou os exames que havia feito e colocou tudo no chão, assim como o notebook e alguns livros de biologia,  pesquisou.

Pesquisou tudo.  Tinha claramente a visão que um estudante de medicina teria em um semestre de faculdade. Mas ainda não conseguiria entender perfeitamente, por que ele simplesmente não queria entender. Enfisema... Pulmonar...

"O enfisema pulmonar é uma doença obstrutiva crônica, caracterizada por danos aos alvéolos pulmonares, causando oxigenação insuficiente e acúmulo de gás carbônico no sangue. Ela geralmente é causada pela inalação de produtos químicos tóxicos, como fumaça de tabaco, queimadas e poluição do ar, mas também existem os casos raros em que o paciente desenvolve esta fisiopatia por motivos genéticos ou por má formação dos...”

— Não... — Negava-se.

O choro demorou tempo suficiente para que o sol nascesse. Ao olhar-se no espelho percebeu os olhos inchados, mais do que normalmente ficavam. Tirou as roupas que se esqueceu de trocar antes de deitar na cama, a luz forte refletia em sua pele e no azulejo. O corpo esguio, a pele quase sem cor, não fosse as marcas avermelhadas em seu tórax. Estava doente.

Tirou toda a roupa e deixou que a água gelada despertasse suas energias, o choque térmico causando leves fissuras de espasmos. Estava realmente muito mal, tinha algo de errado com seu corpo e não conseguia entender o quem.

Yixing não sabia muito o bem o que era, apenas que sentia um desconforto e uma faculdade terrível ao respirar, e sabia que não era só pelo que tinha. Não saberia como contar aos seus pais e, muito menos, a seu melhor amigo, Baekhyun.

 

 

 

 

O silêncio atravessava as cortinas como uma fumaça sendo apagada por gotas de sangue. Sehun parecia frágil. Ele estava acordado e quando Chanyeol empurrou a porta com cuidado e o olhou nos olhos, não enxergando nenhuma expressão. Não estava com medo, nervoso, tampouco feliz.  Era como um grito de desespero em silêncio.

Talvez não fosse uma boa ideia estar ali, já estava tarde e não tinha permissão. Fora quando então Chanyeol sentiu algo o puxar.

— Eu preciso sair daqui... Tira-me daqui... — Quase não era possível ouvir o que dizia pela fraqueza da voz. Segurou seu braço com certa força, seus dedos estavam gelados e tremiam, e a mão logo fraquejou.

— Sehun, desculpe, mas eu não posso fazer isso.

— Por favor... Eu... - Engoliu seco com a voz embargada. — Eu estou com muito medo.

Chanyeol sentiu uma frente fria bagunçar seus cabelos após o mais novo dizer aquilo. A janela estava aberta, mas o tempo estava iluminado e calmo demais do lado de fora para uma ventania. Rodou os pés e foi até a porta, olhando nos corredores se havia alguém por perto. Estava tarde, provavelmente todos estariam descansando. Fechou a tranca da porta e voltou à cama, se agachando levemente na cadeira ao lado podendo conseguir falar para que somente Sehun o escutasse.

— Não vou te deixar só. — Sussurrou. — Vou passar a noite aqui, está bem?

Sehun assentiu e sentiu-se um pouco mais aliviado quando se deu conta de quem estava ali.  Achou que talvez não fosse uma má ideia segurar uma de suas mãos. Diferente de Sehun, Chanyeol era quente, ele precisava desse calor. Do calor humano e não do frio dos mortos.

 

 

 

— Eu fiquei muito preocupado. — Dizia ainda em tom baixo. — Achei que... — Talvez não devesse dizer o que pretendia. Um longo silêncio se fez presente ali, mas o tic tac do relógio não parava.

— Achou que? — Sehun queria saber. Inevitavelmente ele não conseguia deixar de querer saber sobre suas deduções. Chanyeol despertava em si uma curiosidade imensa que ainda pararia um dia e se perguntaria o porquê disso tudo.

— Achei que você tivesse... — Suspirou pesadamente. — Tentado... Se matar.

— Eu não... — Hesitou por um instante. Havia prometido para si mesmo que não mentiria mais sobre suas ações para ninguém. Quer achassem loucura ou não.  — Eu não vou mentir para você, Chanyeol. Eu já pensei nessa possiblidade. — Tentou se mexer e seu corpo doeu. Tudo doía, por dentro e por fora.

O mais velho não soube o que responder. Desviou o olhar, contraindo a testa em reprovação, mas não de um jeito ruim, era melancólico, subversivo, inquietante ficava ao pensar nas incógnitas formadas ou ditas por Sehun.  Um sentimento frágil se fazia presente ali e não parecia ser uma ideia muito atraente contratar.

Não soube, e nunca soubera,  contar em dias como aquilo havia se tornado algo não profundo e inexplicável.  Na verdade, deixou de contar quando se dera conta de que já não podia mais controlar. Tinha dúvidas complexas, porém as respostas talvez fossem mais difíceis ainda de encontrar. Sehun era importante, demasiadamente importante, e ele não conseguia sequer mexer o maxilar para dizer algo que o confortasse.

— Me desculpe. — Era o máximo que conseguia dizer. Não fazia ideia do quão angustiado e feliz estava naquele momento. Sehun estava vivo, perdido e com medo, mas estava de olhos bem abertos ao seu lado. Sentia o ar faltar só de se imaginar em outra realidade que não fosse aquela. Uma pior.

 

 

— Não se desculpe. — O olhou com sutileza nos olhos.

Os olhos de Chanyeol eram como as estrelas, pequenos pontos de luz no meio de uma imensa escuridão que formava o céu e as galáxias distantes.  Sehun sentia vontade de abraçá-lo, mas os malditos fios e hematomas em seu corpo o impediam de sequer mexer o braço sem se contorcer ou gemer de dor.

— Eu não quero mais que você fique sozinho. — Frisou.

— Vai começar a me vigiar? — Sorriu doído. Não era bem o que queria ouvir naquele momento.

— Se for preciso.

— Vai agir contra minha vontade?

— Vou agir como seu amigo. - Disse com firmeza.

— Tudo bem. — Aceitou de bom grado, embora soubesse que  era de longe uma boa ideia. Tinha medo que algo pudesse afetar o amigo, tanto quanto ele tinha medo que algo acontecesse consigo.

— Mesmo?

— Já estive pensando comigo mesmo, eu não sei o porquê, mas me sinto bem quando você está por perto, por mais esquisito que isso possa parecer. — Seu tórax subia e descia calmamente, assim como sua fala. — Mesmo que os demônios estejam arranhando minha pele, sentir sua presença faz toda a dor de esvair. — Disse vagamente, sem desviar o olhar de si.

— Não é esquisito. — Estreitou os olhos meio atingido pelo que acabara de ouvir.

— É sim. Parece que estou me confessando.

— E você está?

— Estou.

 

Chanyeol não soube o que responder. Sehun havia dito aquilo da forma mais natural que já o vira falar, o que causou um leve incômodo em sua garganta.

Então o silêncio fez-se presente novamente, onde poucos metros quadrados formavam aquele quarto belo e  branco de hospital. Chanyeol coçou a nunca mais uma vez e pensou que talvez tivesse interpretado algo errado ou não escutado direito.  Olhou para Sehun sem realmente o ver, ignorando os dilemas e as metáforas que desciam de sua garganta junto à saliva. Tinha a necessidade de cortar o vazio.

 

— Eu não vejo tanto quanto você. Por quê?

— Não sei. — Esticou um braço com cuidado. — Desde quando você sabe disso?

— Disso? — Chanyeol ainda estava confuso.

— Que vê coisas.

— Ah... Desde sempre, eu acho. Quando eu era criança, eu costumava chorar bastante quando dormia sozinho, e meus pais nunca ligaram, então minha ex-babá sentava em uma cadeira ao lado do meu berço e cantava uma cantiga até eu dormir... — Sehun fez menção para que continuasse. — Eu tinha medo, pois eu via pessoas me encarando ao redor do berço. Como se estivessem me vigiando de longe entre as sombras azuis do escuro na parede.  Não lembro mais dos rostos, mas era bizarro. E quanto mais velho eu ficava mais coisas eu via e ficavam cada vez mais reais, porém, só acontece, ou acontecia, quando eu penso na morte.  Digo, houve uma vez que eu vi algo no Jardim e outra vez que eu acordei com uma voz estranha vindo do quarto da minha irmã, quando cheguei lá não tinha ninguém e ela riu de mim por eu parecer um paranoico. Mas sempre que eu penso em pessoas que já morreram... Outras aparecem.

— E anteontem?

— Eu vi aquela mulher da foto na porta do quarto de seu pai. E eu estava pensando sobre como ele deveria ter sido.

— Sim... Ele era um ótimo pai. A melhor pessoa que já conheci e a que mais me protegeu e cuidou de mim. — Apertou os olhos que estavam semiabertos para que não ficassem embargados.

— Eu também vi a garota no banheiro da escola no dia que você teve um surto. No dia que ela se matou.

Um estalo fez a mente de Sehun congelar ao se deparar com aquilo.

— Você viu? — Proferiu um pouco mais alto, quase se curvando para frente.

— Sim. — Chanyeol não entendeu a surpresa.

— Outro garoto também viu. — Murmurou atônito. Chanyeol suspirou pesadamente.

— Como? Então quer dizer que... Não... Não, Isso é muito estranho. — Se levantou da cadeira. — Não pode ser. — Segurou a própria face com as mãos. — É muita coincidência.

— Não é tão incomum quanto eu pensei.

— E o que seria isso então?

— Eu não tenho as respostas certas, mas conheço uma pessoa que talvez saiba.

— E quem seria essa pessoa?

— O nome dela é Gain.

— E o que ela é?

— Clarividente que faz exorcismos, até onde Donghae quis me contar.

— Donghae...? - Voltou a se sentar.

— Um amigo. — Não poderia ser sincero sobre aquele assunto. Pois Donghae não era um amigo qualquer que poderia deixar que qualquer um soubesse de sua existência.

— Certo. — Bocejou colocando o celular para despertar antes que as enfermeiras chegassem na manhã seguinte. — Vamos dormir agora, Então?

— Não estou com sono

— Claro você dormiu o dia todo. — Brincou, fazendo um gesto sarcástico com as mãos. Sehun afastou-se um pouco para o lado, desligando alguns fios de seu braço paga que desse espaço na cama alta para que Chanyeol pudesse deitar. Com cuidado o mais velho se encolheu ao lado do amigo, tentando não chegar muito perto nem encostar tanto a cabeça em seu ombro, para que, enfim, pudesse dormir, pois o dia seguinte seria longo.

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


um capítulo maiorzinho para recompensar o atraso e o curto anterior rsrs
ouçam a playlist de minhas fanfics que ouço quando estou escrevendo: https://www.youtube.com/watch?v=IaI5JCxOCdw&list=PLSE2O-5eE7_bIG8kzxhPKjeCJhTurWL0-


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