História Sacred Exorcist Knights INTERATIVA - Capítulo 18


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Artes Marciais, Cavaleiros, Comedia, Demonios, Espadas, Exorcismo, Exorcistas, Interativa, Luta, Magia, Magos, Romance
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Palavras 4.408
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ecchi, Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Parte final :v

Capítulo 18 - Mesmo pernas presas me levarão longe - Parte 4


Fanfic / Fanfiction Sacred Exorcist Knights INTERATIVA - Capítulo 18 - Mesmo pernas presas me levarão longe - Parte 4

Holyland; Sul;

Godref Roolvim;

Próximo a residência do prefeito; 10:00 AM;

    Alan foi de grande ajuda. Thomas realmente não esperava que Seline pudesse ter um contato tão influente assim. As forças especiais de proteção a Holyland seriam algo equivalente a esquadrões super secretos de filmes. Operam diretamente sobre o comando do irmão marechal Robert Bradock, Terry Bradock. O homem era conhecido por seu temperamento frio e rígido. Desde que ele assumiu Holyland tornou-se mais temida do que nunca. Claro, Robert tinha sua parte nisso. Segundo diziam, o marechal perseguiu cada uma das forças que se opunham ao governo, forças internas, enquanto isso seu irmão lidava com as forças externas, países vizinhos. O punho de ferro dos irmãos Bradock. E cá estava Alan, a mão direita de um dos punhos de ferros.

    Mesmo o assassinato de Godref tendo sido obra de magia, de um demônio, seja lá qual fosse o motivo, quem o fez não estava mais ali há tempos. O trabalho se resumia a parar o prefeito. Quem quer que fez tinha um objetivo, causar uma guerra de pequeno porte na cidade. Porém os motivos por trás disso eram desconhecidos até para Thomas, as provas e suspeitam que ele possuía não chegavam a uma conclusão final. O importante, é que o exército assumiria por agora, Thomas e Cassie estavam ali apenas para dar apoio caso algo sobrenatural se manifestasse.

    Os alunos foram deixados com Ulthra, a esposa do falecido Godref. Eles já tinham feito amizades com as filhas da viúva. Além disso, a casa dela estaria protegida por um destacamento especial, caso o prefeito tentasse um ataque desesperado. Não havia porque envolver as crianças no possivel fogo cruzado. Porém, Scarlet se recusou a fica lá, então Thomas a trouxe consigo. Jamais iria admitir, mas gostava da presença da garota. A forma como ela o enfrentava o lembrava dele mesmo quando jovem.

    Não demorou para que o grupo militar que Alan reuniu, e reuniu bem rápido, rendesse os guardas da casa, limpando o caminho do jardim até a residência sem que nenhum tiro sequer fosse disparado.

— Copiado — Alan respondeu o rádio. — Tudo bem, o caminho está livre. Não parece haver mais ninguém dentro da casa além do próprio prefeito Marvini. Thomas, você conversou com ele antes, acha que consegue fazer ele se render sem que precisemos usar a força?

    “Esse é o seu trabalho…

— Claro. O desgraçado parece ter botado bastante fé em meu trabalho. E acho que tenho algumas coisas para falar com ele — Thomas sacou um cigarro e o acendeu. — Vou indo.

— Você tem dez minutos.

    “Claro que ele tem que falar isso… a velha frase clichê

— Vou com você — Scarlet disse.

— Negativo! — Alan protestou de imediato. O olhar dele cruzou-se com o de Scarlet e um clima nada agradável surgiu.

— Tudo bem — Thomas falou, dando um longo suspiro após isso. “O que diabos estou fazendo?” — Eu me responsabilizo por ela.

— Tem certeza? — Cassie perguntou.

Ela tinha razão em estar preocupada. Ele mesmo não sabia o porque estava dando essa permissão a Scarlet. Limitou-se a não responder, não tinha argumentos contra Cassie, era apenas sua vontade. Quando ele começou a avançar em direção a casa, Scarlet simplesmente o seguiu e ninguém tentou impedi-la.

— Cuidado com o buraco no chão… — A pequena disse.

Thomas olhou para o chão, não havia nada ali, mas o pequeno espaço entre seu movimento foi o suficiente para Scarlet dar um tapa certeiro no cigarro, fazendo-o voar dos lábios de Thomas.

Puta merda… Já me arrependi de trazer essa garota

 

***

Residência da Ulthra; 10:02 AM;

Besyde estava tenso. Parecia besteira, mas ser deixado ali, em uma calmaria falsa enquanto algo maior acontecia logo perto era agoniante. Ulthra, viúva do falecido Godref, era uma mulher doce, literalmente. Já havia trazido pelo menos três tipos de bolos diferentes para que todos provassem. Era bom ver as pequenas gêmeas se divertindo, Stella também parecia bem contente. Um novo fato sobre ela, crianças menores faziam bem a ela.

Todos pareciam estar se divertindo muito. Mas Besyde não conseguia tirar a inquietação de sua cabeça. Desde o dia passado os pensamentos sobre sua irmã não largavam sua cabeça. Deixá-la para garantir o melhor no futuro, seria isso correto? Mesmo que o objetivo final fosse a felicidade, o correto não seria buscá-la ao lado de sua irmã? Sua mente disputava para saber se ele tinha ou não a abandonado.

Estou fazendo excursões… Brincando com amigos… Mas ela… Como eu posso estar certo? O que estou fazendo? Eu devia ter ficado lá. Mesmo que lá eu não pudesse fazer nada, ao menos… Que droga! No que merda eu estou pensando?”.

    Alguém o puxou, agarrando sua mão e correndo para longe. Besyde reconheceu que era Stella, afinal os cabelos dela eram bem únicos. Ele a acompanhou, sabia que Stella não era o tipo de pessoa que fazia esses tipos de interações, então parte de si estava curioso para saber o motivo disso tudo. Ela parou em um corredor, grandes janelas iluminavam o lugar. Após largar a mão dele, Stella ficou ainda de costas por alguns segundos, sem falar nada. Virou-se, mas seu rosto estava encarando o chão.

— Algum problema Stella?

— Eu te trouxe aqui pra perguntar isso… — Ela falou, com seu jeito tímido. — Algo o está incomodando. Eu percebi, então… Achei que você quisesse falar com alguém…

— Entendo — Ele sorriu. Não pensava que Stella tomaria uma atitude assim. — Então quer que eu confesse para você.

— Con-Con-fessar? — Gaguejou, seu rosto estava vermelho.

— Sim. Você quer que eu te conte o que está me deixando preocupado. Não é?

— S-Sim…

— Posso saber o porque?

— Por que você está sempre me ajudando. Você, Diane, Xiao, são meus primeiros amigos de verdade. Não quero simplesmente ficar sempre dependendo de vocês. Eu quero ajudar também, da maneira que eu puder. I-Isso… é o que eu posso fazer… Por que eu… Eu… estou… preocupada… com você…

    Ao falar ela virou-se de costas de novo. “Acho que foi um pouco além do limite dela

— Obrigado Stella. Mas eu não é algo que eu queria conversar sobre…

— Ah… Tudo bem… Eu não posso te ajudar nisso, não é? É que eu pensei…

    Besyde segurou Stella pelos ombros, a fazendo virar. Então, com a mão, tocou o queixo dela, erguendo a cabeça da garota.

— Você já ajudou. Não se preocupe com isso.

    Stella não respondeu, apenas ficou mais vermelha ainda, como não podia baixar a cabeça, apenas baixou o olhar. Mas estava sorrindo.

    De repente um grito ecoou pelo corredor. Vinha de onde todos estavam antes. Sem parar para pensar, Besyde correu, voltando a sala principal. Algo estava acontecendo com Ulthra. Ela se contorcia, como se estivesse lutando com si mesma. Sua boca salivava, derramando uma cascata sobre os lábios e queixo. E estava chorando, as lágrimas não pararam de cair de seus olhos.

    Ao redor todos estavam assustados e recuando. As gêmeas pareciam estar em um estado de choque bem pior que qualquer um, afinal era a mãe delas e recentemente haviam perdido o pai.

    Alessa aproximou-se da mãe.

—Mãe… O que está acontecendo? — A garotinha perguntou.

— Se afaste! — Besyde gritou. Ele estava movendo-se em direção a pequena antes que percebesse.

    Porém, o momento era tão inesperado que antes mesmo que Besyde conseguisse dar dois passos, Ulthra agarrou a pequena Alessa pelo pescoço, a levantando sem dificuldade alguma. Besyde parou imediatamente, sacou sua arma e apontou para Ulthra.

— Largue ela! — Ordenou.

    Suas mãos tremiam e sua mira vacilava. Poderia mesmo atirar? As garotas haviam perdido o pai, se ele atirasse então estariam sozinhas. Havia algo a ser feito para reverter a situação de Ulthra? Besyde praguejou mil vezes em sua mente. Não sabia o que fazer, não estava preparado para lidar com esse tipo de situação e ninguém ali podia ajudá-lo. Era exatamente como na outra vez, em seu passado. Tudo o que ele conseguia fazer era ficar ali, parado, tremendo, sem a compreensão necessária para dar a volta da situação.

    “Porra! Eu saquei a arma pra quê? Se eu não consigo atirar, então porquê…

As pernas de Alessa moviam-se desesperadamente, estava sendo sufocada e não podia fazer nada. Então, um estalo, encerrando o sofrimento da garota, seu pescoço foi quebrado com facilidade. Ulthra a largou e deixou o corpo cair no chão. Ela caiu como uma coisa, sem vida, os olhos ainda estavam abertos. Pareciam encarar Besyde diretamente, mas ele sabia que a menina já não estava viva.

Um disparo ecoou. Ulthra caiu para trás assim que a bala atingiu sua cabeça.

— Que merda! Por que você não atirou? — Núbia esbravejou. Seus olhos refletiam o mesmo desespero que Besyde sentia.

    Foi Núbia que atirou. Thomas havia devolvido as armas para ela e Eldrin.

— Eu… não sei… — “Se você também tinha uma arma, então por que não atirou você?”.

    Mesmo sua mente tentando culpar Núbia ou Eldrin de alguma forma, ele sabia que não era justo. Os dois estavam na mesma situação que ele. A diferença é que Besyde tinha jurado nunca mais deixar algo assim acontecer. E essas palavras que disse a si mesmo passaram bem entre seus dedos, foram algo que ele não conseguiu agarrar com firmeza. Olhar para Alessa era doloroso, então ele desviou o olhar, somente para encontrar Elizabeth com o rosto sem esperanças, parada, como se o tempo tivesse congelado para ela.

    Ulthra levantou com um urro, saltando sobre a outra filha. Desta vez Seline agarrou a menina menor e a tirou do caminho, porém caiu no processo, ficando completamente exposta.

    “De novo não!

    Besyde avançou, disparando contra Ulthra, apesar de suas balas não estarem fazendo efeito algum, ao menos conseguiu atrair a atenção para si. Inclinou o corpo em sua investida para empurrar a mulher, só que no momento em que seus corpos colidiram Ulthra não se moveu um centímetro sequer, era como se Besyde tivesse batido contra uma parede. Ele foi golpeado e arremessado para longe. O golpe no entanto não o machucou tanto quanto deveria e ele conseguiu corrigir a postura no ar e cair de modo correto, já se preparando para investir novamente. Sua arma havia se perdido, caído de sua mão, porém não importava agora. Mais uma vez ele avançou sobre Ulthra e desta vez ela o agarrou pelo pescoço, o erguendo exatamente como fez com Alessa.

    “Eu vou morrer…

    Ele tentou soltar-se, mas não conseguia, os dedos se enroscavam em volta de seu pescoço lhe tirando o ar rapidamente. Sua visão logo foi escurecendo.

    Mas o aperto mortal de desfez, Besyde caiu e viu Ulthra se lançando contra a parede. Ninguém havia atacado ela, mas ainda assim alguma coisa parecia estar tentando pará-la.

— Vamos sair daqui! — Eldrin chamou. Era o comando que todos precisavam ouvir para se mover.

    Besyde levantou-se e ajudou Seline a fazer o mesmo, tomando Elizabeth em seus braços e a carregando. Núbia já estava a caminho da saída com Eldrin. Mas Stella estava parada, encarando a luta desesperada de Ulthra.

— Stella! — Besyde a chamou.

— Soleil…

— Stella! Rápido!

    A garota acordou de seu transe e logo seguiu Besyde. Eldrin ia na frente, correu em direção a saída e ao tentar abrir a porta não conseguiu. Ficou tentando forçá-la, mas não parecia funcionar. Núbia logo foi até uma das janelas e a quebrou com um soco, cortou sua mão no processo e não se importou muito com isso, haviam coisas mais importantes agora. Porém, ao tentar passar por ali, algo a impediu.

— O que é isso? — Ela disse espantada. — Tem uma espécie de barreira, não consigo passar.

    Do outro lado da janela apareceu um soldado, um dos que estava responsável por guardar a casa. Ele falava algo, mas não era possível ouvi-lo. A barreira invisível também o impedia de passar. Estavam mesmo trancados naquela casa.

 

***

Residência do prefeito; 10:04 AM;

    Marvini os recebeu exatamente como da outra vez. Desta vez ele parecia bem mais abatido do que antes, derrotado. Sem dizer nada ele gesticulou para que Thomas e Scarlet sentassem. Assim os dois fizeram, ficando de frente para o prefeito.

— Como a situação chegou a isso? — Marvini perguntou, forçando um sorriso. — Eu pensei que você fosse me ajudar a descobrir quem matou meu filho. Por que eu estava cercado de idiotas… — Até então ele estava com as mãos por baixo da mesa. Ele puxou uma arma, a colocando sobre a mesa, mas mantendo a mão sobre ela. — Eu estava errado. Meu filho morreu… E aqui eu estou. Sem respostas.

— Eu tenho suas respostas — Thomas falou.

    Marvini abriu os olhos em uma expressão de espanto, excitação.

— Me diga! Por favor!

— Calma ai. Eu vou falar. Antes de tudo, ninguém da sua lista de suspeitos é o culpado. Me diz, você nunca desconfiou de como as coisas davam certo para você?

— O que quer dizer?

— Quando você conheceu sua esposa? Quando ela lhe deixou?

— Ela morreu!

— Ela desapareceu — Corrigiu. — O corpo nunca foi encontrado. E as informações que o governo tem sobre ela são claramente falsas. Eu chequei.

    Era o ponto da história que ninguém prestou atenção. Alguém que surge e desaparece sem deixar rastros. Mas quem desconfiaria da esposa? Alguém que “morreu”. Thomas notou isso quando Cassie falou sobre isso. Foi apenas um chute, mas foi certeiro. Uma noite de pesquisas, sozinho em seu quarto, resolveu tudo.

— O que quer dizer? Que Yuni matou nosso filho? — Marvini apontou a arma para Thomas. Seus olhos exalavam fúria. — Ridículo! Você veio até aqui para falar essas merdas? Eu vou te matar!

— Atire se quiser. Mas eu não acho que Yuni era o nome verdadeiro dela. Na verdade, você deveria agradecer, já que ela praticamente fez você ganhar tudo o que você tem hoje. A questão é por que ela escolheu você. Talvez por conta de sua personalidade. Ela te deixou no momento em que vocês tiveram um filho. Depois disso você jogou o jogo direitinho. Tão apegado a suas frustrações por perder a esposa que projetou uma vida perfeita para o seu filho…

— Cale a boca! Do que você está falando?

    “Você quer que eu cale a boca ou fale? Puta merda…

    Thomas encarou Scarlet, ela parecia bem nervosa, mas não por conta da arma.

— Seu filho morreu simplesmente por que você o prendeu. Ele ficou cansado de você…

— Já chega! — Marvini levantou-se. Rodeou a mesa e colocou a arma contra a testa de Thomas. — Eu não matei meu filho!

— Você é ridículo… — Scarlet sussurrou.

    Ela conseguiu atrair a atenção de Marvini.

— O que você falou garota?

    “Droga Scarlet… Isso não é hora para…

    Antes que ele pudesse concluir seu pensamento, Scarlet saltou da cadeira, acertando uma joelhada no queixo de Marvini, o derrubando e tomando sua arma. Ela também sacou sua própria, o que confirmou a teoria de Thomas sobre Scarlet estar com sua arma o tempo todo.

— Eu falei que você é ridículo! Dizendo que não matou o seu filho! Apontando uma arma para a cabeça de alguém só por que não aceita a verdade!

— Já chega Scarlet…

— Não! Ele vai ouvir! Eu odeio quem não assume suas verdades! Esse cara não ama ninguém a não ser ele mesmo! É um frustrado que justifica suas loucuras com a ideia falsa de que ama alguém!

— Vamos… — Thomas a puxou. — Não precisa dizer essas coisas, não tem nada haver com você.

— Tem mais do que você imagina… — Ela disse se afastando. — Meu pai era igualzinho a esse merda.

Então isso era pessoal para ela… Eu não tive pais para saber como me decepcionar com eles. A única pessoa que me decepciona sou eu mesmo”.

— Eu… amava meu filho… — Marvini disse, mas estas palavras não tinham forças. Qualquer reflexo do homem que ele foi estava despedaçado agora.

— Porra nenhuma… — Scarlet disse antes de sair da sala.

Thomas sacou uma algema e prendeu os braços de Marvini, o levantando e o conduzindo para fora. Alan os recebeu, passando Marvini para outro oficial sem dizer palavra alguma. Scarlet estava mais a frente, encostada em um muro, fingindo não se importar com nada, mas era bem óbvio que tudo o que aconteceu acabou mexendo com ela.

De qualquer forma, Thomas estava aliviado que tudo tivesse acabado.

— Bom trabalho — Alan o elogiou.

— Não foi nada. Só quero ir embora agora. Onde está a Cassie?

— Ah, isso… — O olhar de Alan mudou um pouco. — Ela foi para onde as crianças estão. Algo aconteceu por lá, algo do seu departamento.

Puta merda! O que pode ter dado errado agora?

— Segure a pirralha aqui, ela não está emocionalmente bem. Eu vou para lá.

— Ok. E… por favor, não deixe nada acontecer com a Seline.

— Vou tentar.

Esse era o momento em que eu devia dizer algo motivador… Mas eu não sou assim

 

***

Residência da Ulthra; Biblioteca; 10:21 AM;

    Todos estavam escondidos em uma sala que parecia uma biblioteca. Núbia e Eldrin estavam próximos a uma janela, conversando entre si, da maneira mais baixa possível, para não alertar Ulthra de que eles estavam ali. Elizabeth não largava de Besyde, ela não chorava, não parecia ter vontade para isso. O próprio Besyde não estava como antes, ele apenas aceitou o abraço da menina e ficou ali.

    O lugar era uma mistura de sentimentos, quase todos de desesperos, almas perdidas, sem rumo. Seline sentia isso vindo de todos, e era sufocante.

    “Eu deveria ficar triste? Ou desesperada? É estranho… Consigo sentir o sentimentos deles, mas não consigo reproduzir isso em mim…

— Soleil! — Stella disse alegre. Mas no mesmo momento foi repreendida pelos outros, gesticulando para que ela falasse baixo. — Desculpem…

    A pequena amiga de Stella voltou. Estava surrada, como se tivesse saído de uma briga. Era estranho, afinal era um fantasma. O estado dela devia ser apenas uma representação de suas forças. Seline notou que Soleil estava mais transparente, como se estivesse sumindo. Momentos atrás ela havia se jogado sobre Ulthra, entrando no corpo da mulher e a fazendo recuar, como um tipo de possessão. Claro, vendo-a agora, estava óbvio que isso lhe causou danos.

    Stella abraçou a garota, envolvendo basicamente o vento a sua frente. Os outros encararam Stella sem entender, ninguém além de Seline e a própria Stella podiam ver Soleil.

— O que vamos fazer? — Núbia perguntou. — Estamos parados aqui e é isso? Temos que sair.

— Eu não vou lá fora. Não com aquela coisa lá — Eldrin disse.

— Não dá pra gente ficar aqui. Temos que fazer algo. Besyde, você não é o líder ou algo assim?

    Besyde encarou Núbia, perdido.

— Desculpe. Mas, o que você quer que eu faça? — Perguntou.

— Eu não sei… Ah, esquece… Eu vou pensar em algo.

    Conflitos internos. Isso não era algo bom. Eles já eram um grupo pequeno e despreparado e agora estavam ainda mais divididos. O problema era que até então Besyde estava a frente dos outros e agora ele parecia abalado. Núbia era alguém com características de liderança parecidas, Seline já havia notado isso, mas até então ela estava quieta porque Besyde foi escolhido para fazer isso. Só que agora Núbia parecia querer tomar uma atitude. Não é como se ela estivesse tentando começar uma briga, ela apenas movendo-se segundo sua própria personalidade.

— Eu não posso fazer muito com magia, e esse lugar não ajuda em nada. Ao que parece as armas não tem efeito algum, mas podem ser usadas para atrasar. Eldrin, o que você consegue fazer com magia?

— Bom… — Ele coçou a cabeça, sem graça. — Nada…

— Então vamos depender das armas. Que saco… — Núbia então voltou-se para Stella e Seline. — Vocês duas, o que exatamente bruxas fazem?

    Stella olhou para Núbia, mas não respondeu, apenas voltou a se concentrar em Soleil. Já Seline apenas deu de ombros. Não havia muito o que dizer. Seus poderes não era algo para se usar em combate. Talvez Soleil conseguisse algo como fez antes, mas ela estava machucada agora e força-la seria terrível para Stella.

— Então, acho que só posso contar para ofensiva comigo e com o Eldrin. Acho melhor o Besyde continuar com a Elizabeth, parece acalmar ela. De qualquer forma, as janelas ainda são nossas melhores opções. Só precisamos quebrar essa barreira que está nos prendendo. E… Mais alguém está com frio?

    Era verdade, o ambiente ficou frio de repente. Mas não apenas frio, era congelante, do tipo que penetra na pele e te faz sentir um arrepio por todo o corpo. Quando menos esperavam as paredes começaram literalmente a congelar, uma fina de gelo se formava e ia avançando.

— Agora aquele demônio tem poderes de gelo? Não é justo… — Eldrin praguejou.

    “Não… Não é isso…

    Seline notou que apenas as paredes externas estavam sendo congeladas, o gelo estava cercando a casa apenas por fora.

— A professora não era especialista em magias de gelo? — Núbia disse, se aproximando da parede congelada. Então o gelo se partiu, como vidro. Núbia foi de imediato até a janela e a abriu. Então sorriu. — A barreira! Foi quebrada!

— Podemos sair? — Eldrin perguntou, contente.

— Sim. Rápido. Besyde, tire a Elizabeth primeiro, ela é o alvo.

    Besyde trouxe a menina nos braços e com cuidado a colocou do outro lado. Um dos soldados já estava a caminho para ajudar. Após Elizabeth estar em segurança do outro lado foi a vez de Stella. Nesse pequeno espaço de tempo Seline não viu mais Soleil, mas Stella parecia calma, então nada de grave devia ter acontecido. Com Stella do outro lado Eldrin foi o próximo, seguido de Núbia.

— Você primeiro — Besyde disse, oferecendo passagem para Seline.

    A porta da sala foi aberta, com uma forte batida. Ulthra apareceu, parecia furiosa, seus movimentos já não eram nem um pouco humanos, movia-se com os braços e pernas apoiados no chão. Ela saltou, Seline jogou para o lado, saindo da rota. Ulthra pousou exatamente na janela, suas mãos e pernas a seguraram na parede, impedindo a passagem. O simples fato dela conseguir se manter naquela posição já confirmava que agora ela não era mais humana.

    Besyde havia saltado para o lado oposto a Seline. Ele sacou uma pequena adaga, não parecia uma arma eficiente nesse tipo de situação, mas ele não tinha outra e uma era melhor do que nenhuma. Ulthra concentrou sua atenção em Besyde, tentando agarrá-lo, mas ele a golpeou, atravessando a faca na mão da mulher, que guinchou de dor como um animal faria. Ainda assim conseguiu golpear Besyde o derrubando.

    “Tenho que ajudar… Preciso fazer algo… Mas porque? É arriscado...

    Seline estava em conflito com ela mesma. O General havia mando ela fazer amigos, mas disse que não era uma ordem. Ela não compreendia. Queria ajudar Besyde, mas não sabia o que fazer. Não queria se colocar em risco, mas não sabia o porque?

    “O que é isso? Por que eu estou confusa? Por que eu estou hesitando? Isso é...

    Ela sentiu sua alma movendo por seu corpo, era uma sensação tão fluida que chegava a ser aterrorizante. Como uma lâmina afiada, algo parecia atravessá-la. Havia um tilintar de correntes em sua mente. Seline estendeu sua mão em direção a Ulthra, sentiu algo a deixando, era visível, uma energia, quase transparente, da mesma cor que seus cabelos. Essa energia foi até Ulthra e a rodeou, tomando a forma de uma corrente, que a prendeu.

    Seline não fazia ideia do que estava acontecendo. Mas Ulthra certamente se irritou por isso e voltou-se para ela, com um único movimento quebrando as correntes que a prendiam. A quebra das correntes afetou Seline, ela sentiu dor, muita dor. Suas forças sumiram e ela caiu no chão, ofegante.

— Ys, suiwer ys!

    Ulthra foi envolta em uma camada de gelo, tornando-se um bloco congelado. Foi Cassie que entoou a magia, ela apareceu, indo direto para Seline.

— Você está bem? — A professora perguntou.

— Sim… Só preciso descansar…

— Besyde?

— Também estou bem… — Ele respondeu. — Eu acho…

 

***

Holyland; Sul;

Friena; Instituto Angel of South;

Portão principal; 1:41 PM;

— Vamos meninas — Liandre chamou. — O táxi já está aqui.

    Diane, Xiao e Rex já estavam de prontidão. Liandre ficou bastante feliz em ouvir Diane sugerindo algo assim, principalmente se tratando de Lizzy. Apesar do primeiro encontro entre as duas ter sido um pouco conturbado, Diane se importou o suficiente para querer ser mais gentil. O simples fato dela novamente querer levar Xiao e agora Rex, para agora brincar com a garotinha, já mostrava o quanto ela havia crescido. Todo aquele problema de sentimentos parece ter de alguma forma mudado ela.

    Já estavam no portão, quando deram de cara com Einard. Era estranho, ele tinha ido ao aeroporto ontem e hoje pela manhã saiu outra vez. Mais estranho, ou talvez interessante, ele estava voltando acompanhado de uma garotinha. Ela parecia ter por volta de sete ou oito anos, tinha cabelos escuros e olhos em um tom claro de verde. Segurava a mão de Einard e parecia um tanto assustada.

— Vocês vão sair? — Einard perguntou.

— Sim…

— O que é isso velho? — Diane interrompeu. — Você tem uma filha?

— Eu não tenho filhos — Einard respondeu secamente. Podia não ter entendido que Diane fez uma piada, ou talvez não achou graça. — Pedi que um amigo cuidasse de um processo de troca de guarda para a garota, quase uma adoção temporária. Ela vai estudar em uma escola próxima.

— E desde quando você está nessa de adoção?

— O caso da Lyz é especial — Ele virou-se para a garotinha. — Por que não se apresenta Lyz?

    Timidamente a menina largou a mão de Einard e aproximou-se um pouco mais de Diane.

— Meu nome é Lyz… Eu posso… ser sua amiga?

— Claro! — Xiao respondeu, tomando a frente de Diane. — Meu nome é Xiao Mei. É um prazer te conhecer Lyz.

— Meu nome é Recsana, mas você pode me chamar de Rex. Todo mundo me chama assim.

— E eu sou Diane… — Ela apresentou, mas logo voltou-se para Einard novamente. — O que ela tem de especial?

— Eles podem  não se relacionados por sangue, mas ela é a irmã mais nova do Besyde — Einard explicou.

    Primeiro Diane fez uma expressão de surpresa, mas logo abriu-se em um sorriso e abraçou Liz.

— A irmãzinha do Besyde! Que bonitinha! Você realmente parece com ele.

    “Você estava toda desconfiada segundos atrás” Liandre pensou e riu.

    O táxi buzinou. Ele já estava esperando ali a algum tempo.

— Temos que ir — Liandre disse.

— Podemos levá-la? — Diane perguntou. — Não faz sentido ela ficar aqui já que o Besyde não está.

— Eu a trouxe por que ela queria conhecer os amigos do irmão dela. Então não vejo problemas.

    Conhecendo Einard, ele só não queria ter que cuidar da garota pelo resto do dia. Mas estava tudo bem, Liandre ficaria feliz em cuidar da menina.

— Então vamos todas juntas — Liandre estendeu a mão para Liz. — Venha querida.

 


Notas Finais


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