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História Sad violin - Capítulo 1


Escrita por: Jaque_Stories

Notas do Autor


Olá, segue mais uma história (mas ela tem só dois capítulos rs)
Espero que gostem!
Boa leitura!

Capítulo 1 - Reencontro


 

Plataforma 9 ¾

 

Albus Severus Potter andava desconfiado pela Plataforma 9 ¾. Era seu primeiro ano em Hogwarts e os sentimentos brincavam de forma confusa com seu coração.

Curiosidade.

Alegria.

Medo.

Albus sentia que não era como os demais membros de sua família, ou seja, um legítimo grifinório. Ele nunca tinha posto seus pés em Hogwarts, nunca tinha presenciado uma cerimônia de escolha das casas e muito menos visto o chapéu seletor.

Mas ele tinha ouvido muitas histórias. Primeiro de seu pai e de sua mãe. E, depois, de seu irmão James.

James Sirius Potter era um grifinório legítimo e contou todo orgulhoso que o chapéu nem precisou encostar em sua cabeça para dar seu veredito.

Grifinória.

– Que foi, Albus? – seu pai perguntou, parecendo ver nos seus olhos que havia algo errado.

– E se eu for pra Sonserina?

A expressão de Harry se converteu num sorriso.

– Seu primeiro nome é uma homenagem a um sonserino, que foi diretor de Hogwarts. Já te contei a história. Se o chapéu seletor disser que você é da Sonserina, essa casa vai ter muita sorte de ter você e os Potter estarão estendendo seus tentáculos para uma outra casa – ele disse de bom humor.

Albus riu com o comentário do pai.

E seu coração se tranquilizou.

Mas a expressão de seu pai, que parecia tão serena, de repente se modificou, ganhando contornos tristes. Ele estava olhando para o lado e parecia congelado.

– Pai... – ele disse, virando seu olhar para captar a imagem que havia entristecido seu pai.

– Draco Malfoy – Gina comentou e Harry pareceu se recompor ao ouvir o nome da esposa. – O filho dele deve começar esse ano também.

Os olhos de Albus se voltaram curiosos para o menino loiro, que acompanhava seu pai.

Draco Malfoy e Scorpius Malfoy.

Albus não ouvia muito sobre eles, apenas quando visitava vovó Molly. As palavras Draco e Malfoy pareciam perturbar seu pai e ele não gostava que se falasse nele.

– Parece que sim... – Harry colocou as mãos nos bolsos, tentando não olhar para Malfoy e seu filho.

O barulho do Expresso de Hogwarts veio como um bálsamo para Harry. Ficar no mesmo lugar que Draco Malfoy o machucava. Fazia com que se lembrasse de um passado para o qual não podia voltar.

Aqueles que deixamos para trás nem sempre podemos trazer de volta para nós.

– Chegou! – James disse animado.

Albus assentiu e seguiu com o irmão e sua prima. Aquele também era o primeiro ano de Rose Weasley e seus tios estavam chorosos.

Mas Albus agora pensava no seu pai.

Ele estava triste e ele não podia ficar para saber o que estava acontecendo. Ele precisava entrar no trem e partir.

– Pai... – ele murmurou, mas James o agarrou pelo braço.

– Vem, Albie!

– Pode ir – Harry forçou um sorriso e Albus se deixou guiar pelo irmão.

Ronald Weasley envolveu a cintura de Hermione Granger, que estava emocionada que sua garotinha estava deixando pela primeira vez a proteção de sua casa. E imaginava se sua mãe também havia se sentido assim quando ela partiu há tantos anos em sua jornada naquele mundo de magia. E o coração dela se apertou ainda mais, porque agora ela entendia o esforço que sua mãe fazia para sorrir cada vez que ela partia.

– Queria tomar um chá na casa dos meus pais – ela comentou. De repente, sentiu vontade de abraçar a mãe. E Hermione aprendeu na guerra que nunca devemos adiar os abraços que queremos dar.

– Claro – Ronald deu um beijo na testa da esposa.

Gina olhou o irmão e a cunhada e suspirou pesadamente. Sua filha mais nova, Lily, se agarrava à sua cintura, olhando tristonha o trem sumir, enquanto Harry parecia perder sua batalha interna, voltando a olhar Draco Malfoy.

Por mais que o tempo passasse, aqueles dois pareciam ainda guardar sentimentos um pelo outro. Não era só seu esposo que parecia murchar naquela plataforma. Draco Malfoy também estava abatido.

– Quando chegarmos em casa, quero ter uma conversa séria com você, Harry – Gina disse e Harry engoliu seco.

– Gina...

Ela acariciou o rosto de Harry de um jeito tão suave, que ele se calou.

– Albus sempre soube ler em você melhor que todos nós... Mas de todos aqui apenas eu conheço a história. Vamos pra casa... – ela disse e Harry assentiu.

E assim Ronald e Hermione seguiram para a casa dos pais dela. Harry e Gina seguiram para sua casa, no Largo Grimmauld.

E Draco Malfoy se viu sozinho naquela plataforma.

Muitos anos se passaram... Harry o havia deixado e não tinha motivos para olhar para trás. Ele tinha uma família tão bonita, uma esposa que o tratava bem, por que faria isso?

Draco ajeitou suas vestes e ergueu sua cabeça.

Scorpius já estava em seu caminho para Hogwarts e ele deveria voltar à mansão Malfoy.

 

Largo Grimmauld, n. 12

 

Harry entrou na casa do Largo Grimmauld seguido de sua esposa. Sabia sobre o que Gina queria falar, ele havia se deixado levar pelo reencontro e seus olhos o traíram. Não imaginava que após tantos anos Draco Malfoy ainda tivesse aquele poder sobre ele, mas era um fato que ainda tinha.

Gina pediu que a pequena Lily subisse, que ela podia brincar no quarto. Mais tarde, ela prometeu, leria mais um capítulo do livro que tinham comprado na semana passada.

A menina assentiu e subiu tranquilamente a escada.

– Gina...

– Nós fomos felizes juntos – Gina tirou seu casaco e o pendurou atrás da porta. – Foram três filhos... E eles fizeram tudo valer a pena. Você me deu não só um, mas três presentes. E, por isso, sempre vai estar no meu coração.

– Você fala de um jeito – Harry ajeitou os óculos. Foi só uma troca de olhares. Sabia que foi inadequado, mas Gina falava como se isso marcasse o fim do relacionamento dos dois.

– Se você tivesse se visto hoje... Eu sou uma mulher cansada, Harry. Quando nos casamos, eu era muito nova e acreditei que poderíamos retomar o que tínhamos quando do nosso primeiro namoro. Porque eu te amava, e o amor faz a gente ficar cego – ela disse, sorrindo. – E nem é que eu ache que você não me ame... Acho que você me ama, mas de um outro jeito. E esse jeito não é mais suficiente pra mim, não depois de hoje.

– Eu fiquei um pouco abalado em revê-lo – Harry confessou. – Mas... você sabe que não há nada, que eu não posso nem pensar... Você encontrou a carta.

A carta.

Antes que o sexto ano deles em Hogwarts terminasse e com a guerra prestes a estourar, Harry havia terminado o namoro dos dois. À época, Gina acreditava que ele estava tão somente a protegendo. Era Voldemort ameaçando a todos, afinal. Era compreensível que Harry quisesse preservar aqueles que amava.

Mas ao encontrar a carta ela descobriu que as coisas eram mais complicadas que pareciam. Harry nunca deu muitos detalhes de como tudo começou, era muito reservado sobre essa parte de sua vida, tanto que escondeu isso por anos, sem que ninguém desconfiasse.

Foi difícil para ela assimilar a informação de que Harry um dia esteve envolvido com Draco Malfoy. Era um casal improvável, duas almas que não combinavam. A coisa toda soava como uma história de ficção.

Mas então Gina entendeu que o que ela e o mundo viam era apenas o que os dois queriam. Ou melhor, o que eles queriam que todos vissem.

Draco era como Snape, alguém que sabia muito bem guardar um segredo. Assim como o professor, ele também soube esconder o que tinha no coração.

Sua mão invisível ajudou muitas vezes na batalha, e era tão sutil, que ninguém foi capaz de perceber.

Gina se surpreendeu ao perceber que Harry soube esconder tão bem de todos seu relacionamento com Malfoy, mas então ela compreendeu que Harry sempre conseguia conjurar uma força imensa de dentro de si para proteger a quem amava.

E foi o que ele fez em relação a Draco Malfoy, protegendo do mundo o segredo dos dois.

Mas então aconteceu algo que mudaria o destino dos dois para sempre.

Um confronto na mansão Malfoy.

Em um dos momentos mais tensos daquela guerra, Harry, Rony e Hermione se viram cativos na mansão e ali começava o motivo da tristeza nos olhos de seu esposo.

Quando Draco foi chamado a dizer se entre os que haviam sido capturados estava Harry Potter.

Não importava que Harry tivesse um feitiço em seu rosto, Draco o reconheceria em qualquer lugar. Mas entregá-lo a Voldemort não era uma opção.

E ele agiu como se não soubesse se aquele jovem era Harry ou não.

E tudo dali para frente aconteceu rápido e difícil de entender. Bellatrix entrou em cena, e puxou Hermione para si, prensando uma adaga contra seu pescoço. Rony em desespero, com medo de que ela morresse. O feitiço no rosto de Harry desaparecendo aos poucos.

A troca de olhares entre ele e Draco, que não passou despercebida por Antonin Dolohov.

Lucius e Narcisa partindo contra Harry, a forma como Draco discretamente o ajudou ao “errar” um feitiço e atingir o candelabro que ornava a sala, fazendo com que caísse no chão. Hermione se soltou de Bellatrix, Harry conseguiu estuporar Lucius. Rony desarmou Dolohov com um Expelliarmus.

E a troca de olhares, Draco sinalizando que era hora de deixar a mansão, suas pernas se movendo na direção de Harry, seus passos incertos e assustados.

Harry sendo puxado por Rony para fora e Draco paralisando, entendendo que aquela ainda não era a hora de se juntarem.

Aquela hora que nunca parecia chegar.

Harry deixou Draco na mansão sem saber que Antonin Dolohov descobriu o envolvimento dos dois.

E Harry jamais se perdoou por isso.

Anos se passaram e ele nunca conseguiu se libertar dos pensamentos que atormentavam sua mente. O que havia acontecido a Draco depois que ele o deixou para trás?

Draco nunca respondeu. Seu silêncio dizia muito, e aquele incômodo cresceu de tal forma, que na época Harry entendeu que era melhor se afastar.

Eles nem ao menos terminaram oficialmente, não houve uma conversa.

Harry simplesmente entendeu à época que seu lugar não era mais ao lado de Draco. Sua mente vagava por lugares sombrios, criando imagens do que aconteceu naquela mansão. E ele se sentia culpado e nauseado, como se tivesse maculado aquele sentimento bom que tinha por Draco para sempre.

Mas o que aconteceu naquela mansão após ele ter saído nunca deixou de atormentar a sua mente e ele escreveu numa carta o que ele não tinha coragem de perguntar diretamente. Uma carta que ele nunca teve coragem de enviar e que guardou consigo durante anos.

Uma carta que Gina havia encontrado e lido há seis meses.

E Harry fez mais sentido que nunca para ela, como se finalmente os pedaços daquela história se encaixassem.

– Acho que você deveria procurar Draco e conversar com ele – Gina disse, sentando-se no sofá. Havia meses que pensava no assunto. Harry não parecia totalmente feliz e ela acreditava que fossem as cicatrizes da guerra que ele parecia não superar. Mas a carta fez com que ela compreendesse que havia muito mais escondido nos olhos de seu marido que ela acreditava.

– Já se passaram dezenove anos, Gina... Não sou mais aquele menino... Nem ele. Temos quase quarenta anos, ele tem o filho dele, eu tenho os meus. Saber o que aconteceu não vai mudar nada – ele disse, tentando esconder a emoção em sua voz.

– Não acho que você tem que saber o que aconteceu, Harry – Gina disse e o rosto de Harry se contorceu em confusão. – Acho que cabe a Draco decidir o que quer te contar ou não, não estou falando disso. Estou falando da forma sobre como vocês dois se olharam hoje. Dezenove anos depois e finalmente vocês deixaram as máscaras caírem. Vocês têm que resolver isso... Você sempre teve esse seu lado triste, que eu achava que eram as cicatrizes de tudo que passamos. Hoje eu entendo que, sim, são cicatrizes, mas eu não compreendia de onde todas essas marcas em você vieram. Hoje eu sei...

– Gina, isso não importa... – ele se sentou ao lado dela.

– É claro que importa... – ela disse com gentileza, pegando as mãos dele na sua. – Desde que encontrei aquela carta, não paro de pensar... Não sabia o que dizer a você, apenas ouvi em silêncio a história que me contou. Hoje, depois do que eu vi naquela plataforma, sei exatamente o que dizer a você. Não podemos continuar desse jeito, então eu vou facilitar as coisas pra você... Nós vamos nos separar.

E ali os olhos dela marejaram, lembrando de todas as vezes que ela pensou em pedir a separação, mas que desistia. Eles tinham as crianças, afinal. Eles eram bons um com o outro.

Então Gina deixava aqueles pensamentos de lado e deixava aqueles pensamentos de lado.

Hoje ela não estava mais disposta a continuar naquele casamento.

– Separação? Gina... isso não tem o menor sentido...

– O que não tem sentido é continuar esperando que você me olhe do jeito que olhou pra Draco hoje... Como eu disse, nós tivemos uma história muito bonita, não me envergonho, nem me arrependo dela. Nós temos nossos filhos e eles são a coisa mais bonita que construímos juntos. Mas talvez tenha chegado a hora de separarmos nossos caminhos. Não tenho medo de começar de novo, Harry... – ela acariciou o rosto dele, sempre com seu jeito terno e gentil. – Não tenha medo também. Você merece mais que esse brilho triste no seu rosto. E pelo que eu aprendi da história de Draco Malfoy, ele também. Já se passou muito tempo, Harry... Se continuar assim, vai chegar o dia em que você vai fechar seus olhos pela última vez como um homem cheio de remorsos. Não permita que isso aconteça, você é especial demais pra terminar assim.

As lágrimas que Harry segurava com tanto afinco finalmente escorreram de seus olhos. Fazia muito tempo que ele não chorava, de alegria ou dor.

– Você sabe que eu sempre gostei muito de você e que eu tenho orgulho de você fazer parte da minha história...

– Eu sei... – ela disse com a voz embargada e os dois se abraçaram.

Permaneceram assim por alguns minutos, um no braço do outro, sabendo que, quando se separassem e voltassem a se olhar, tudo seria diferente.


Notas Finais


Ah, espero que tenham gostado!
A Gina já foi vilã em uma de minhas histórias, mas amo também quando ela assim simplesmente maravilhosa.
Até o próximo!


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