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História Safira - Capítulo 31


Escrita por: Poliamas

Notas do Autor


Oiii galera!!
Temos aniversariante essa semana? Esse cap é meu presente para os aniversariantes!!❤
Espero q goxtem!!
Boa leitura!

Capítulo 31 - Festa



Narradora ON
Nação do Fogo

O barco seguia para a Ilha Ember.  

Na manhã seguinte, depois de tantas dúvidas e pesadelos durante a noite anterior, Safira recusava-se a permitir que este dia fosse doloroso. Era sua grande oportunidade para se divertir, não iria desperdiçar, independente do que Azula pretendia com essa ideia.

—Estou doida pra passar o fim de semana na Ilha Ember! —exclamou Ty Lee, animada. —Vai ser ótimo ficar na praia sem fazer nada.

Ah, claro. Mai e Ty Lee não ficariam de fora. Ambas as amigas da realeza também foram convidadas. Logo, quem sabe a viagem de ida e volta não fosse ser tão desagradável assim, afinal, segundo Safira, as duas eram as menos insuportáveis do grupo.

—Não fazer nada é perca de tempo! —retrucou Zuko, um tanto agressivo. —Estão nos mandando pra férias forçadas.

O garoto levantou-se do banco, onde Mai e Safira também estavam sentadas e caminhou até a borda, apoiando-se na grade.

—Eu me sinto uma criança.

A grisalha não fez mais do que revirar os olhos. E seria coincidência dizer que ela Mai, ao fazer o mesmo, acabaram entreolhando-se? Okay, pode parecer estranho, dada as circunstâncias, mas não foi constrangedor. Na verdade, é como se de algum modo, naquele simples revirar tedioso de olhos, elas acabassem concordando. Zuko estava sendo muito dramático—isso sem contar, ranzinza.

—Relaxa. —disse Azula, representando o pensamento das duas. —O papai quer se encontrar com seus conselheiros sozinho, sem ninguém por perto, não leve isso pro lado pessoal.

Mas, ainda com a tentativa consoladora de sua irmã, Zuko não conseguia deixar aquela raiva que há semanas estava presa dentro de si de lado, como vinha conseguindo. Depois do ocorrido no dia anterior, vinha tendo problemas para esconder sua frustração.

—Sua família não tinha uma casa na Ilha Ember? —perguntou Ty Lee, encarando Azula.

—A gente ia todo verão quando era criança.

—Devia ser bem divertido.

Devia, não é mesmo? Devia, exatamente como soava, como a palavra era empregada. No passado.

—Isso já faz muito tempo…

Safira provavelmente teria dado de ombros e continuaria a sentir o vento sobre seus cabelos, conforme o baco permanecia seguindo para a tal Ilha, mas franzindo o cenho, não deixou de se atentar à fala do garoto. Internamente, também não pôde evitar se perguntar o que o tom vago e lamentoso de Zuko dizia. Era tristeza? Sofrimento? Saudades de um tempo remoto?

Com um lento suspiro, ela balançou a cabeça e, fechando os olhos, tentou afastar aqueles pensamentos. Por que isso importa? ela se perguntava. Ele não significa nada.

Mais algumas horas e brevemente, conseguiram avistar a tal Ilha, cada passo mais perto. Não demorou para que o barco se aproximasse do cais de madeira, donde Safira pôde enxergar duas senhoras idênticas e idosas—muito idosas—aguardando-os.

—Bem vindos à Ilha Ember, crianças. —disseram, simultaneamente.

No entanto, dentre tantas luxuosas moradias ao redor daquela área da praia, a casa ao qual pelo visto iriam ficar, não seria cinco estrelas—na verdade, era a menor do morro. Apesar de não se importar tanto com isso, Safira chegou a surpreender-se já que estamos falando da realeza, afinal era estranho pensar no príncipe e princesa de toda a grande nação, terem de passar o fim de semana em uma das residências menos luxuosas.

De qualquer forma, eles seguiram as gêmeas para dentro da exótica casa, cheia de decorações e artefatos esquisitos. Bom, pelo menos era confortável, ou era no que Safira preferia acreditar, pois enfim, ela não pretendia passar tanto tempo ali dentro.

—Isso aqui tem cheiro de coisa velha. —Zuko comentou.

—Nossa... —replicou Mai, tediosa. —Por que será?

Eles deram voltas e olharam ao redor do lugar. Safira quase chegou a gargalhar diante da pequena cena cômica quando Lo e Li, as senhoras gêmeas, imitaram um dos quadros na parede, uma pintura de quando eram jovens. A grisalha só não conseguia decifrar se ria da hilária transição das irmãs, ou se ria da cara enjoada de Zuko—provavelmente das duas coisas.

Contudo, o ato de Ty Lee em jogar-se em uma das pequenas camas dispostas pelo recinto, chamou não somente sua atenção, mas dos outros três adolescentes que a acompanhavam.

—Eu adorei a colcha de conchas do mar! —exclamou a garota.

—Tá falando sério? —disse Mai, desdenhosa. —Parece que a praia vomitou em cima da colcha.

Safira não poderia concordar mais. A reviravolta de tantas cores espalhadas por aquela casa chegavam a dar-lhe tontura, mas não é como se pudesse fazer muito quanto a isso.

—Sabemos que você está chateada por ter sido forçada a vir pra cá no fim de semana. —disse uma das gêmeas.

—Mas a Ilha Ember é um lugar mágico! —exclamou a outra. —Abram a sua mente...

—Dêem uma chance... —completaram, juntas. —Ela vai ajudar a entender a si mesmos e aos outros.

E depois de tão grande e belo discurso, Azula limitou-se a bocejar. E por mais que essa fosse a última coisa que Safira faria, mesmo que sendo o último suspiro de sua vida, teria que concordar com Azula. Toda essa enrolação estava ficando enfadonha.

Então, dando as costas para eles, Safira pegou sua bolsa, tal que Azula pessoalmente lhe providenciara—por qual motivo? Não pergunte, ela ainda se perguntava o porquê de a princesa insistir que ficasse com vestes elegantes, depois de todo este tempo usando-a como servente.

De qualquer maneira, a grisalha mal podia esperar pelas ondas do mar. Não podia usar a dominação, mas o fato de estar perto de uma boa fonte d’água era suficiente para que se sentisse bem e revigorada.

Entrou no último e menor quarto do pequeno corredor—o que julgou mais humilde, para que Azula não a incomodasse—trancou a porta, abriu a mala, pegou um dos biquínis, vermelho por sinal, trocou-se e, apressada, deixou o quarto. Não precisava de muito, não se importava em ficar deitada direto na areia mesmo. 

Estava tão ansiosa que, com sua pressa, acabou trombando com alguém, logo que abriu a porta. E, como o Universo adorava abençoá-la com ‘sorte’, não era ninguém mais, ninguém menos, do que Azula—também já com seus trajes de banho.

—Ah, é você, grisalha... —disse a princesa, descontraída. —Por que tanta pressa? Não vai com a gente?

Safira revirou os olhos, bufando.

—Eu não vou perder tempo com vocês, Azula.

Andando para trás, ela ainda a respondia quando, novamente, acabou esbarrando em outra pessoa. Depois de conseguir manter suas pernas equilibradas de novo, ela encarou a figura. Só pode estar de brincadeira, Safira pensou, encarando Zuko a sua frente.

Azula, entretanto, cruzando os braços, permaneceu assistindo ao show. Observava como seu patético irmãozinho claramente não conseguiu deixar de olhá-la cima a baixo, varrendo-a. Observava como as bochechas dele também levemente coraram no processo, enquanto Safira, outra vez revirando os olhos, tentava ignorá-lo. Mas é claro, Azula também notou quando a grisalha, ao passar por ele, soltou uma pesada respiração, e se pudesse apostar, diria que ela estava segurando-se para não se levar por aqueles sentimentos inacabados.

No fim, Azula é quem acabaria se divertindo.

[...]

Safira caminhou pela praia, evitando o lado da multidão pela primeira meia hora. Durante este tempo, em uma parte afastada, permaneceu sentada à beira-mar, apreciando a movimentação da água, sentindo suas mãos afundarem-se na areia, sentindo o formigar de sua pele contra o solo, sentindo empurrar e o puxar das ondas, o ir e vir, o Yin e Yang.

Contudo, seu tempo de paz acabou, logo que sentiu água ser esguichada em seu corpo, fazendo com que seus cabelos, agora molhados, cobrissem sua face.

—Cuidado aí!

Ouviu um alerta tardio e, após abrir os olhos, notou que tratava-se de um garoto surfista que pulara sobre as ondas. Babaca, pensou, franzindo o nariz.

—Ei, desculpa pelo Jamu.

Ao ouvir uma voz masculina, tornou-se para ele, quem seja lá quem tivesse falando com ela. 

Olhando para a direita, percebeu um grupo de adolescentes—três garotos e duas garotas—aproximando-se. Um dos meninos, o mais bonito deveria acentuar, e o que se desculpou pelo tal Jamu, segurando uma prancha em seus braços, ia à frente, dirigindo-se a ela.

Encarando-o, Safira levantou-se da areia.

—Ele poderia ter avisado mais cedo.

—Tá, não vou discordar. —disse o garoto, sorrindo gentilmente. —Ele não é muito bom com avisos, mas é ótimo com as ondas.

Arqueando a sobrancelha, a garota torceu os cabelos molhados e depois, fitou o surfista, que deliciava-se com algumas ondas altas. Porém, na opinião da dobradora d’água, mesmo que fosse bom, ainda tinha muito o que aprender sobre as ondas.

—É mesmo? —questionou ela, desdenhosa.

—É o melhor surfista de toda a Ilha.

Postura cravada para a direita, péssima sincronia com o mar. Gostava de se mostrar bom o bastante mas, enquanto se equilibrava para impressionar os que o assistiam, deixava de se conectar com a água—claro, cidadão da Nação do Fogo, o que ele iria entender sobre a essência da água?

—Eu discordo.

A audácia da grisalha com certeza surpreendeu não somente o bonito rapaz que conversava com ela, mas também os outros adolescentes que o acompanhavam. Afinal, quem era ela para falar desta forma arrogante do melhor surfista da praia?

Safira, no entanto, permaneceu analisando a postura de Jamu.

—Aquela onda vai derrubar ele em cinco, quatro... três...

Seria preciso dizer que nos dois segundos seguintes a enorme onda que ele tentara pegar acabou por engoli-lo, fazendo-o cair da prancha?

Para os demais ao seu redor, entretanto, foi algo extraordinário.

—Como você soube? —questionou o rapaz ao seu lado.

—A postura dele é péssima.

Interessado e muito curioso sobre a estranha garota de cabelos brancos, ele levantou a sobrancelha, repousando a mão livre sobre a definida cintura.

—E você acha que faz melhor?

Desafiadora, Safira sorriu lateralmente, desafiadora.

—Me empreste uma prancha e vamos descobrir.

O garoto riu levemente, encantado com o jeitinho provocante da novata.

—Aqui, pode usar a minha.

Safira dividiu seu olhar entre a prancha que ele oferecia e seus cativantes olhos verdes. Depois de uma longa troca de olhares esquisitamente provocativa, por parte dos dois, animada ela aceitou a prancha. Colocando-a embaixo dos braços, caminhou até a água, sentindo grande excitação queimar em seu peito.

Agachando-se, sentiu o líquido gélido ir e vir. Ao colocar-se em pé outra vez, respirou fundo e, pegando impulso, jogou a prancha sobre as ondas, deitando-se sobre ela em seguida.

Uma onda pequena, duas, três. Era alto o suficiente para que, unindo as mãos no centro madeira, tomasse força para empurrar o corpo ao alto, colocando-se em pé logo depois. Curvas, voltas e reviravoltas, a água subia, descia e, seguindo seu ritmo, Safira não perdeu o equilíbrio em momento algum, para ela, afinal, a água era como sua casa, era uma parte de si mesma, uma parte de seu ser.

Após outras altas ondas, ela voltou para a areia, sendo recebida pelos tais adolescentes, com algumas palmas. Aparentemente, estavam impressionados.

O rapaz que emprestara-lhe a prancha foi o primeiro a vir ao seu encontro.

—Aquilo foi incrível!

—Eu sei, obrigada.

—Meu nome é Ty, à propósito. —disse ele, elevando a mão para cumprimentá-la, Safira apertou-a. —Esse é meu primo Chan e esse é o Ruon-Jian.

A grisalha intercalou seu olhar entre ambos os outros garotos que acompanhavam Ty, Ruon-Jian, um rapaz pouco mais magro, pálido de cabelos castanhos e o outro, Chan, um tanto mais robusto.

—Safira.

—Então, Safira, eu vou dar uma festa de arrasar hoje à noite, do amanhecer ao anoitecer. —anunciou Chan, tentando soar galanteador.  —Você está intimada.

Arqueando a sobrancelha direita, Safira sentiu grande vontade de rir—ele era quase tão patético quanto seu amigo surfista.

Intimada, é? —questionou ela, testando-o. —E se eu não quiser aparecer?

—Então a festa ficaria sem graça.

Desta vez, ela não evitou um leve riso. Tudo bem, ele poderia ser patético, mas sabia usar boa lábia, isso ela admitiria.

Bem, Safira estava procurando diversão, não é? Que jeito melhor de se divertir, senão em uma simples festa onde haveriam outros seres de mais ou menos a mesma idade que ela? No fim, não poderia ser tão ruim.

—Bom, faz tanto tempo que não vou à uma festa decente... está bem, contem comigo.

Dito isso, Chan e Ruon-Jian afastaram-se, foram até a areia, onde se sentaram e conversaram, majoritariamente, à respeito não somente da atraente grisalha, mas das outras belas e sedutoras garotas à volta da praia.

Ty, entretanto, voltou-se para Safira.

—Onde aprendeu a surfar assim?

—Ah, é um dom. —respondeu ela, dando de ombros, sorrindo. —Vamos dizer que sempre amei brincar na água.

Finalizou com uma piscadela. Porém, enquanto Ty inocentemente gargalhou, uma das meninas que ainda o acompanhavam, deu um passo à frente, ria falsamente, chamando a atenção dos demais ao seu redor.

—Engraçada ela, não é? —disse ela, repousando uma de suas mãos na cintura.

Safira apenas revirou os olhos, reconhecendo bem essa próxima ceninha. Era como se fosse uma loba pisando no território de outra alcatéia, e a moça à sua frente, era uma das caninas que não aderiria sua estadia. Neste caso, Ty era o território, e como estava sendo gentil com a grisalha...

—E esse seu cabelo, querida? —questionou a estranha, desdenhosa. —Como conseguiu deixar ele branco assim?

Arregalando os olhos, Safira tentou soar natural, mas naquele momento, as palavras se embaralharam, a garganta travou e de repente, sentiu as mãos tremerem. Que desculpa arrumaria para este complicado questionamento?

—Ah, q-que pergunta engraçada, há, há, há... —enrolou, sorrindo nervosamente. —É uma longa história, na verdade...

—Yola, para de incomodar ela. —disse Ty, notando sua tensa expressão. —Perdoe a minha amiga, Safira.

—Tudo bem.

Enquanto o garoto deixou a garota, quem chamara Yola, de lado, Safira percebeu o ameaçador olhar que recebeu de Yola, conforme ela se afastava, vendo que não teria mais toda a atenção do ‘amigo’, se é que me entendem.

—Então... —murmurou Ty, acanhado. —Você é nova por aqui, não é?

Ao invés de respondê-lo com palavras, Safira meneou a cabeça, assentindo.

—Que tal um passeio pela ilha? —sugeriu ele, sentindo suas bochechas queimarem levemente. —Sabe, eu posso te mostrar o lugar e, p-podemos comer alguma coisa...

Ah, apesar de não ter tanta experiência com outros adolescentes, e Zuko realmente não poderia ser um grande ponto de referência, já que seu comportamento não era muito comum, por assim dizer, Safira ousaria dizer que Ty estava tentando chamá-la para um encontro. Era engraçado e fofo, de certa forma. Ela não conseguia imaginar-se em uma situação como essas, mas enfim, ele era bonito e gentil. Por que não?

—Eu adoraria, Ty. —disse ela, arqueando a sobrancelha direita. —Com uma condição.

—Condição?

—Hhum...

Segurando a prancha como se fosse uma criança implorando por um brinquedo, ela sorriu, exibindo os belos dentes e os olhos brilhantes.

—Contanto que me deixe surfar mais um pouco.

Pego de surpresa, o garoto não fez mais do que gargalhar e balançar a cabeça. Ela era de fato, uma figura.

—Claro, é toda sua.

—Ah, obrigada!

Antes de correr para a água com tanta empolgação, ela automaticamente aproximou-se e, erguendo os pés, depositou um leve beijo em sua bochecha, de modo a agradecê-lo.

Como eu disse, parecia uma criança ganhando doces. Ty, ao contrário dela, mas entusiasmado da mesma forma, encontrou-se surpreso. Não estava esperando por aquilo.

Depois de pegar mais algumas ondas, ela voltou à areia, ao encontro de Ty. Durante aquele tempo, conversavam sobre coisas aleatórias, sobre a praia ou sobre os peculiares amigos do rapaz. 

Era estranho pensar em si mesma vivendo uma tarde comum com tudo que estava em jogo, com tudo que estava acontecendo. Mas de verdade? Estava adorando a sensação.

Após uma longa e prazerosa conversa, Ty ofereceu sua prancha novamente, notando o brilho nos olhos dela toda vez que encarava o agitado mar. Esperava um beijo como da primeira vez? Sim, esperava. Ganhou? Não, mas quem sabe em breve não fosse conseguir algo mais.

As ondas, enfim, levaram a grisalha de volta para a areia. Porém, a pessoa que encontrou, assim que seus pés desceram da madeira, não era exatamente quem ela queria encontrar.

—Olha só, se não é a grisalha...

Azula.

Arqueando a sobrancelha com o um sorriso debochado, Safira colocou a mão direita sobre a cintura, enquanto segurava a prancha com a perna esquerda.

—Olha só, se não é a princesa de meia-tigela... —retrucou, zombeteira. —Curtindo a praia, alteza?

—Eu sim, mas parece que você não vai poder continuar curtindo. 

Franzindo o cenho, Safira cruzou os braços. Azula não poderia dar pra trás logo agora, sua diversão estava apenas começando.

—Como é?

—A condição era a de não usar os seus dons, esqueceu? —disse Azula, tranquilamente. —O que foi aquilo, na água?

Ah, então este era o caso. Safira não estava nenhum pouco preocupada com esta questão.

—Azula, Azula... ao contrário do que você pensa... —retrucou, balançando a cabeça, como se revisasse os olhos. —Eu não preciso de dobra pra ser incrível.

Caso ainda estivessem no palácio e, caso sua manhã ainda estivesse tão prazerosa, Azula teria exibido um de seus típicos maléficos sorrisos. Mas, já estava estressada. Com o quê? Se lhe perguntassem, ela provavelmente diria que não era nada ou murmuraria um amontoado de coisas sem nexo, mas apostem, ambas as palavras ciúmes e Ty Lee estariam presentes.

—Muito bem... —falou a princesa, tentando deixar sua frustração de lado. —E esse lindo colar de conchas, hein?

Ah, claro. Haviam assuntos mais interessantes, como por exemplo, seu pequeno plano em ação.

Tocando o objeto em seu pescoço, Safira sorriu, ao mesmo tempo, também pôde notar que Zuko vinha ao encontro de sua irmã. E da parte dela, quanto menos topasse com ele neste dia, melhor.

Zuko, contudo, queria saber do que elas estavam falando. Por quê? Ele não saberia dizer ao certo, mas desde a noite anterior—fracamente, desde sempre—a voz dela não saía de sua cabeça, e ele queria ouvi-la.

—Lindo, não é? —questionou a grisalha, tocando o colar de conchas. —Ganhei de um amigo novo.

Amigo novo? Foi só o que Zuko teve tempo de pensar, instantes depois ouviram o nome dela ser gritado a alguns metros de onde estavam. Safira, ao ouvir ser chamada, virou-se e ergueu o braço, acenando para um esbelto garoto. Era alto, de cabelos pretos e pele oliva, olhos verdes. Acreditem, se Azula arqueou a sobrancelha, indicando aprovação, então não estávamos falando de qualquer garoto—ele era realmente bonito. A Zuko, entretanto, não agradou nenhum pouco.

—Agora, com licença. —disse a grisalha, afastando-se. —Estão me esperando.

Sendo assim, Safira afastou-se, indo ao encontro do desconhecido garoto. Ela foi recebida com um leve abraço, era possível notar sua mão sobre as costas dela, enquanto que com a outra, entregou-lhe uma casquinha com sorvete.

A visão de Azula certamente, para qualquer ouvinte, seria a mais divertida.

Ela observou conforme o olhar de seu irmão seguia Safira até o outro lado da praia, observou conforme seus punhos cada vez mais apertavam, toda vez que Ty fazia sua amada, de algum modo, sorrir. E ah... Safira sorria. 

Tudo bem, talvez a cabelos brancos fosse útil o bastante ao ponto de compensar a frustração que Ty Lee lhe causara mais cedo, com o prazer que se seguiria, pois graças à Safira e seu novo amiguinho, Azula teria a oportunidade perfeita para atormentar seu irmão, de novo.

—Puxa, e não é que a grisalha sabe arrasar corações... —disse Azula, cruzando os braços, fingia desinteresse. —Literalmente, não é, Zuzu?

Sim, literalmente.

Zuko, ao invés de responder sua irmã, conduziu seu caminho até Mai e ao lado dela, embaixo do guarda-sol, assentou-se. Seu objetivo? Fazer sua cabeça entender que Safira não voltaria, por mais impossível que isso soasse.

Enquanto o príncipe tomava seu rumo, Azula por sua vez, deixando seu irmão e a grisalha de lado, acabou por encontrar algo mais divertido para o momento. Um grupo de patéticos adolescentes jogavam kuai ball. Seria o entretenimento perfeito.

Por outro lado, do outro lado da praia, Safira terminou de tomar seu sorvete e, com o intuito de relaxar, sentou-se sobre a areia, curtindo o Sol conforme este alimentava sua melanina. Ty permaneceu ao seu lado, tentando ao lado de alguns dos seus amigos, construir um castelo de areia.

No entanto, seu momento de paz e tranquilidade acabou assim que sentiu Ty levantar-se, criando uma espécie de sombra sobre si mesma. O garoto tocou seu ombro e apontou para um campo há poucos metros de distância.

—Olha lá, estão jogando… 

Virando-se para olhar o local onde ele apontava, para o campo de kuai ball, Safira ponderou e sua boca? Transformou-se em um grande ‘O’.

O Universo só poderia estar de brincadeira, era isso?

—Vamos lá ver?

Com um sorriso torto, ela seguiu Ty até o jogo.

Seria surpresa para você, caro leitor, citar que coincidentemente quem se preparava para jogar eram Azula, Mai, Ty Lee e... Zuko?

Ela viu-os colocarem-se em posições, Ty Lee andar com as mãos até o campo enquanto que Mai ia tediosamente, quase como se fosse bocejar, Azula como quem comandava já estava de olho no campo há tempos, mas ela surpreendeu-se com o quarto cidadão. 

Foi abusada e estranhamente absurdo o que viu em seguida. 

Foi absurdo a forma dramática como Zuko retirou a peça superior de sua roupa de banho, para assim poder ficar mais confortável no jogo. E mais absurdo ainda foi ela se sentir claramente incomodada com a reação de outras garotas que estavam por perto, Yola inclusive, em simplesmente ficar observando-o, como cachorrinhas aos seus pés.

Ela admitiria que estava incomodada? Não, mas isso não mudava o fato de que estava.

Ty foi o primeiro a notar quando viu a grisalha ao seu lado ranger os dentes, cruzando os braços e transmitindo uma energia não muito boa, mantendo a cara fechada, como se fosse gritar à qualquer momento. E mais estranho ainda, era o fato de seus lindos e deslumbrantes olhos azuis não dispersarem-se em momento algum do garoto que jogava.

Um tanto abatido, voltou a prestar atenção no jogo.

Foram várias sessões de ataques e Safira não viu Azula recuar por nada, era como se sua necessidade de vencer superasse qualquer barreira ou distração ao redor. O jogo concluiu-se quando a princesa, tomando impulso com um salto sobre as costas de Zuko, jogou-se no ar e com um golpe belíssimo, acertou a bola. O campo explodiu, literalmente.

Finalmente poderia voltar para a água, ou foi o que pensou. Na verdade, ainda precisaria esperar mais um pouco.

Safira viu Chan e seu amigo aproximarem-se dos quatro vencedores e pelo que aparentava, estava convidando Mai e Ty Lee para a festa, ela não conseguia ouvir a conversa mas não duvidava que Azula e Zuko ficariam de fora—e lá se vai sua noite tranquila.

—Parece que meu primo arrumou novos convidados.

Tornando-se para Ty após ouvir sua voz, ela notou que o garoto começava a fazer seu caminho até Chan. Ela poderia correr de volta para a água mas não sentia-se confortável em ficar com sua prancha e deixá-lo para trás, então acompanhou-o.

Após ranger os dentes e revirar os olhos, Safira bufou.

—E aí, Chan?

Ty andou com seu primo, conversando a sós com Chan e Ruon-Jian. Safira limitou-se a respirar fundo—não queria invadir a conversa dos três, e principalmente não queria saber sobre o que falavam. Então, sua única opção enquanto esperava por Ty, foi tornar-se para os mais novos convidados da festa.

Azula, Mai, Ty Lee e... Zuko.

Ela não pretendia começar uma conversa com eles, Azula porém, estava curiosa

Mai e Ty Lee, prevendo que o próximo ocorrido resultaria em outra discussão das duas dobradoras, entreolharam-se e deram as costas para eles, indo de volta para suas cangas, sentar e descansar.

—Você também foi convidada, grisalha? —Azula perguntou.

—Fui sim.

—Congelou a cabeça do Chan pra ele te chamar? —ela tornou a questionar, cruzando os braços, provocativa. —Ou fez algo mais ameaçador?

Safira fechou os olhos com força ao mesmo tempo em que, ao rapidamente abri-los, exibiu um forçado sorriso, isso enquanto tentava encontrar paciência para não esganar o pescoço de Azula na mesma hora—ela não iria deixar a bruxinha acabar com seu bom humor, não desta vez.

—Não, na verdade ele mesmo me intimou. —respondeu, desdenhosa. —A festa vai ficar sem graça se você não for, ele disse.

O petulante sorriso de Azula se desfez e, Safira usou isto como pontapé para irritá-la.

—E vocês, tiveram que usar o príncipe e princesa, Azulinha?

—Na verdade, não. —disse ela, seriamente. —Eles nem fazem ideia de quem somos.

—Puxa, deve ser frustrante.

Azula teria replicado, teria provavelmente ficado zangada, mas, não ficou, pelo contrário, sorriu. Por qual razão? A atitude repentina do belo garoto de mais cedo, em aceleradamente aproximar-se, abraçando o ombro da grisalha com uma das mãos. Íntimo, não? E cada vez mais interessante, pois é claro, Zuko não deixou de se incomodar com tal atitude.

—E aí, princesa? —disse o garoto. —São seus amigos?

Oh, se antes Zuko ficou incomodado com o estranho abraço, então com certeza sua raiva subiria em um nível muito maior.

Princesa? —questionou, encarando-a.

Entretanto, apesar do sério sinal de alerta da parte de Safira, não foi ela a respondê-lo. Franzindo o cenho, o garoto que a abraçava, tornou seu olhar para Zuko.

—Algum problema?

—Eu não falei com você! —bradou, fitando o estranho de olhos verdes friamente. —Falei com a Fira!

Safira segurou a respiração, trincando os dentes. Odiava ouvi-lo chamá-la assim, odiava porque sabia que sentia seu coração acelerar, o arrepio subir e, outras vezes, quando mais frágil, sentia até mesmo as pernas bambas, toda vez que ouvia-o dizer seu nome, ainda mais quando chamava-a de Fira.

Ty, porém, não gostou nem um pouco do jeito ousado e agressivo como o rapaz à sua frente afrontou-o. Estufando o peito, estava pronto para enfrentá-lo, contudo, Safira segurou seu braço, colocando a mão sobre seu peito, 

—Ty, não...

Enquanto ela tentava amenizar a situação, Zuko engoliu em seco ao notar a proximidade dos dois, e Safira não fazia questão de esconder. A maneira como o tocava e colocava-se entre eles, como se estivesse protegendo-o? Deixava Zuko furioso.

Contudo, a última coisa que Safira queria ver, seria Zuko esmagando Ty em uma briga. Não, não mesmo. A briga era dela, então ela mesma tomaria conta da situação.

Virando-se para o príncipe, ela soltou a pesada respiração que antes segurava.

—Quantas vezes eu tenho que gritar pra você parar de me chamar assim?

E após uma intensa troca de olhares, perguntando-se quando, de uma vez por todas, os olhos dele parariam de fazer seu coração disparar, Safira deu as costas para os dois irmãos, seguindo caminho na direção oposta.

Abraçando o próprio corpo, ela tentava afastar aquele remix de borboletas em seu estômago, acompanhadas de um forte pesar no peito e a enorme vontade de gritar e gritar. Quem pagava o preço de seus carregados sentimentos, eram seus dentes, tais que não paravam de ranger, conforme caminhava.

Não demorou para sentir a presença de Ty, andando ao seu lado.

Logo de início, silêncio. Ela não queria falar e queria que continuasse assim, mesmo que não fosse confortável ter esse momento com ele. Ty, porém, não conseguia engolir aquele silêncio tormentoso.

—Então, não são amigos.

Safira olhou-o de relance e, não pôde deixar de lembrar-se da forma como quando, em Ba Sing Se, toda vez que não queria falar ou quando ficava muito quieta, Zuko respeitava seu espaço e não dizia nada, apenas estava presente e era o bastante. Mas então, corrigiu-se e, franzindo o cenho, tornou seu olhar para frente.

Ba Sing Se morreu.

—Não, não são. —confirmou ela, suspirando.

—Ex-namorado?

Safira arregalou os olhos.

—O quê? Não!

Ty, contudo, não estava nada convencido e ela não queria passar a impressão de ex-namorado, afinal, Zuko e ela não tiveram nada mais do que atração—o que acontece com todo mundo.

—Ele é... meu... —dizia ela, tentando pensar em qualquer desculpa. —Irmão.

—Irmão?

—É, irmão. 

Desconfiado, ele franziu o cenho, arqueando as sobrancelhas. E Safira? Teria de pensar em algo rápido para escapar desse momento embaraçoso.

—Enfim, você quer surfar mais um pouco comigo, ou...?

Com um olhar instigante, ela encarou-o e, depois de ver um sorriso formar-se nos lábios do rapaz, correu em direção ao mar.

[...]

A água estava perfeita. As ondas eram fortes e agitadas, como se a Lua oculta no alto do céu não parasse de puxar e empurrar, puxar e empurrar, puxar e novamente empurrar, em momento algum.

Mas, de qualquer forma, após algumas horas, Safira teve de voltar para a casa. Tinha um encontro e uma festa em seguida, precisava se aprontar.

—Ah! — exclamou, ajeitando os cabelos logo que adentrou a moradia. —Que delícia!

—Alguém está se divertindo... —ouviu a voz de Azula. —Como foi sua manhã, grisalha?

—Muito boa, Azulinha.

Virando-se para o lugar donde reconheceu sua voz, percebeu que os quatro adolescentes, acompanhados das gêmeas, desfrutavam de um bom jantar. Safira sentiu água na boca, estava com fome, mas recusava-se a sentar na mesa com eles.

—Não quer se juntar a nós? —Azula ofereceu. —Deve estar com fome depois de nadar tanto tempo com aquele Ty.

Azula, travessa, pôde notar o nervosismo de seu irmão, no ato de apertar o hashi com mais força, seus dedos avermelharam conforme espremia o talher e isso, apenas ao ouvir o nome de Ty—quem passo a passo, aproximava-se mais e mais de sua amada.

A grisalha, entretanto, estava longe demais para perceber os sinais de Zuko e convenhamos, nem se estivesse logo ao seu lado, perceberia.

—Não, obrigada... —disse Safira, tomando rumo até seu quarto. —A festa vai do anoitecer ao amanhecer e eu quero estar pronta.

E fechando a porta, ela apoiou suas costas na batente, respirou fundo à medida que escorregava a coluna pela madeira e fechando as pálpebras, sentiu a textura do piso contra suas pernas nuas.

Ela não pensou que aquele amontoado carregado de sensações negativas voltariam a vibrar em seu peito neste dia. Não queria que vibrassem, mas de repente, sentia o coração bater forte, lembrava-se do Pólo Norte, lembrava-se de seu pai, lembrava-se de Yue, de Jato, Azula, do deserto… Zuko. E Aang, Katara, Sokka, Toph. De repente, a vontade de desistir e esquecer tudo e todos, aparecia e as lágrimas, juntavam-se em seus olhos.

Não. Insistiu consigo mesma. Não era hora de desistir, tinha um encontro e uma festa para ir.

Levantando-se, ela foi até a mala que Azula lhe providenciou e, vasculhando pelos variados tecidos vermelhos, optou por um vestido não muito longo, cobria suas costas porém, deixava a barriga à mostra, obviamente vermelho e de fato, confortável.

Roupa? Ok. Agora, cabelo? Maquiagem? Jóias? Olhava para aquele amontoado de coisas bagunçadas na mala e já podia sentir sua cabeça doer. O que faria? Katara não estava para ajudá-la. Quem aceitaria? Azula jamais. Ty Lee era adorável, mas duvidava que Azula a deixaria em paz caso fosse até a garota. Zuko? Não é preciso dizer que estava totalmente fora de cogitação, não é?

Quem lhe restara? Mai. Seria perfeito. A garota não falava muito e, pelo que pôde reparar, era boa com as mãos. O grande porém? Por que Mai aceitaria ajudá-la? Sua situação já não era extremamente constrangedora, levando em conta tudo o que já aconteceu? Contudo, talvez ela estivesse sem opções. Ou ia para a festa desgrenhada, ou ao menos tentava falar com Mai e pedir seu apoio.

Não custava tentar, não é?

Com este pensamento negativo, sentindo o coração bater à mil, nervosa, ela foi até o quarto da garota e, suspirando, Safira bateu.

—Pode entrar.

Respirou fundo e mordendo o lábio inferior, abriu a porta.

—Oi, Mai, sou eu. —disse, apresentando-se. —Então, é...

Safira reparou no olhar confuso e, um tanto surpreso, da garota ao vê-la. Na verdade, nem ela mesma sabia de onde havia encontrado coragem para vir. Enfim, sentada sobre a cama, Mai permaneceu encarando-a, esperando.

—Eu sei que pode ser estranho eu vir aqui, mas... é que eu sou péssima com essas coisas de penteado, maquiagem, beleza no geral... —tentou explicar, visivelmente nervosa. —E bom, hoje eu queria causar boa impressão, entende? Então, eu estava pensando se você não podia...

Pausou.

Quão ridícula estava sendo? Mai provavelmente a detestava tanto quanto qualquer um dos outros, a última coisa que faria seria ajudá-la com alguma coisa.

—Quer saber? Esquece, desculpe o incômodo.

E sendo assim, deu-lhe as costas e segurou o trinco, abrindo a porta. Estava prestes a sair...

—Safira?

Logo que ouviu seu nome, Safira parou. Girando o tronco, reparou no olhar neutro de Mai e na forma como ela a fitava sem qualquer repulsa ou ódio. Desta forma, Mai deu duas leves batidas no assento ao lado de sua cama, tal que ficava à frente de um espelho, pedindo para que a grisalha voltasse.

Engolindo em seco, Safira o fez, sentando-se de frente para o espelho. Em breve, sentiu a garota colocar-se atrás de si e sem demora, movimentou seu cabelo, alinhando seus fios desordenados.

—Seu cabelo é bem macio.

Tentando processar o que estava acontecendo, como se estivesse presa em um embaraçoso momento imaginário, Safira piscou algumas vezes. Não há como negar, estava surpresa tanto com Mai, quanto com si própria.

—Ah, obrigada?

Naturalmente, Mai continuou com seu trabalho.

—Quer alguma coisa específica?

—O que você achar melhor.

Sendo assim, silêncio, enquanto Mai decidia o que iria fazer com as madeixas da grisalha.

Ao mesmo tempo, as duas foram surpreendidas com a presença de alguém na entrada no quarto.

—Mai? Você ajeitando o cabelo da Fira? —disse Azula, cruzando os braços. —Este dia está cheio de surpresas...

Mai limitou-se a encarar Azula friamente, de relance. Honestamente? Não pensou que a obra detalhada da amiga as levaria para toda essa turbulenta confusão. Honestamente? Já estava cansada dos jogos.

—Pensei que fosse me ajudar com o meu.

—A Ty Lee está no quarto, Azula. —Mai respondeu, ainda com o foco em Safira. —Ela te ajuda.

Dando de ombros, Azula se retirou.

Assim que a princesa deu as costas, Safira relaxou, entretanto, ela estranhou quando sentiu Mai tirar as mãos de seu cabelo, franzindo o cenho, virou para trás e observou. Mai, por sua vez, foi até a porta e, após se certificar de que Azula havia sumido de vista ao adentrar o quarto de Ty Lee, fechou a porta de seu quarto. Assim, teria um momento de privacidade para finalmente contar parte do que sabia, à Safira.

Suspirando, voltou ao encontro dos fios brancos.

—Tem uma coisa que você precisa saber. —disse Mai, firmemente. —Quando nos conhecemos, naquela noite, eu não queria ter ido até aquela sua cela imunda pra te enfrentar daquele jeito...

Confusa, Safira franziu o cenho.

—Ué, mas...

—A Azula me obrigou.

Perplexa, a grisalha encontrou-se incapaz de falar e então, desnorteada, continuou ouvindo.

—Tem muita coisa acontecendo que a Azula planejou, cada detalhe. —Mai prosseguiu contando. —Ontem, você não ganhou aquela luta sozinha, ela deixou você ganhar.

Se já não estava óbvio, então lhes digo, era fato. A única pessoa que ainda não havia percebido era Safira e agora, ela também sabia.

—Por quê?

—Porque ela queria que você ficasse livre hoje, ela quer que você se divirta e que mostre que está se divertindo.

—Por que ela quer isso?

—Pra provocar o Zuko. —revelou, liberando um leve ar de sarro. —Você ainda não entendeu, não é?

O quê? Safira se perguntava. O que é que eu ainda não entendi? Isso era uma coisa do qual Mai, no entanto, não iria falar.

—Fique atenta, a Azula ainda não terminou.

Safira tinha muitas perguntas. Queria entender aquela história toda desde o início, queria entender os porquês nas entrelinhas, mas não iria questionar nada disso. Na verdade, era outra coisa que estava lhe incomodando, como uma pulga atrás da orelha.

—Por que você está me dizendo isso?

Mai suspirou.

—Porque o Zuko se importa e muito com você. —disse ela. —E eu me importo com ele.

Safira não soube exatamente como deveria reagir, não sabia se deveria focar na primeira sentença ou na segunda. Não sabia se deixar-se ficar contente por ouvir aquilo era certo ou não e principalmente, não sabia se ficar triste ao ouvir Mai falar daquela forma sobre ele, era errado... ou não.

A garota de pele pálida atrás de si, entretanto, não deixou de notar que os olhos azuis curiosos, logo tornaram-se murchos e caídos, ela ficou calada, quieta. E Mai também sabia o que isso significava.

—Não se engane quanto a isso.

Erguendo o olhar, Safira voltou a encará-la.

—Zuko e eu, esse relacionamento, não é o que você pensa. —explicou, calmamente. —Foi ideia da Azula, só que o Zuko não sabe disso... ainda.

Safira arregalou os olhos, desnorteada.

—O quê!?

Mai não tinha certeza se deveria confiar estes segredos à ela, sabia que Azula a mataria se descobrisse, e mesmo que já tivesse perdido parte do medo que sentia dela, pela admiração que tinha por Zuko e agora, até mesmo por Safira, sabia que não queria raios sendo atirados em si mesma. Contudo, já contou até aqui, contar um pouco mais não faria tanta diferença.

—Nós somos amigos desde pequenos, quando era menor eu tinha uma certa queda por ele. —disse Mai, pausando com um longo suspiro. —Mas eu desisti disso em Ba Sing Se quando percebi o quanto ele gostava de outra pessoa.

Por mais que sentisse seu coração queimar logo que ouviu aquilo, Safira não pôde deixar de abaixar o olhar, de certa forma, acanhada. Mai, entretanto, não pareceu se importar.

—Eu não queria insistir com alguém que não ia sentir o mesmo. —explicou ela. —Então não deixei aquele sentimento crescer.

Mesmo assim, Safira não conseguia entender. Se Mai não deixou-se afeiçoar por Zuko desta forma, então qual o motivo de ter aceitado namorar com ele?

—Mas, então, por que...

—Porque a Azula me pediu. —falou, cortando-a. —E o como o Zuko aceitou...

—Eu não entendo... —expôs a grisalha, tornando o tronco para olhá-la nos olhos. —Por que você aceitou fazer algo assim, porque a Azula pediu?

Suspirando, Mai delicadamente virou a cabeça de Safira, obrigando-a a ficar de costas para si novamente, a fim de que desta forma, pudesse continuar seu trabalho no penteado.

—É complicado. —disse Mai, em um tom nitidamente cansado. —Em uma coisa concordamos, você não entenderia.

Safira calou-se.

Não ousou dizer ou perguntar mais nada, embora ainda estivesse muito curiosa, além de extremamente confusa.

Diante do silêncio entre as duas, Mai apenas concentrou-se em terminar a trança embutida que formava na lateral direita do couro cabeludo da grisalha, mas deixou as pontas soltas e rebeldes. Era obrigada a dizer, fez um bom trabalho.

—Pronto. —anunciou, segurando um pequeno espelho atrás da garota. —O que achou?

Reparando no visual que vira através do reflexo no espelho enorme à sua frente, Safira somente conseguiu emitir um som estranho, boquiaberta. Não conseguiria descrever com palavras.

—Perfeito.

Satisfeita, Mai assentou-se na cama ao seu lado.

—Posso ver suas unhas?

Dessa vez, sem hesitar, Safira entregou-lhe a mão direita. Mai analisou seus dedos cautelosamente, como se fosse tratar uma obra de arte.

—São ótimas. —disse ela. —Se importa?

Sorrindo, a grisalha meneou a cabeça, concordando.

Elas não saberiam dizer quanto tempo ficaram trancadas naquele quarto conversando, trocando ideias ou proseando sobre algumas manias de Zuko em que, ambas coincidentemente concordavam, eram ridículas aos seus olhos.

Após terminarem de se aprontar, deixaram o quarto, dirigindo-se até a sala.

—Aí ela disse, fica fora do meu caminho... —a grisalha comentava. —Ah, fala sério...

Safira contava à garota sobre um dos casos da manhã, quando Yola, perdendo a paciência, passou a tentar enfrentá-la, pensando que assim a intimidaria e a grisalha se afastaria. Detalhe? Toda a discussão foi apenas por um garoto, Ty no caso.

—Eu sinto tanta vergonha por ela, quer dizer...

—Ela não se dá o mínimo valor.

—Exatamente!

Do outro lado da sala, observando as duas garotas dialogando, ao mesmo tempo em que Safira manteve a mão sobre o trinco da porta, dando indícios de que estava saindo, estavam Zuko e Azula, sentados sobre uma das camas dispostas no cômodo da sala. Azula, por sua vez, instantaneamente, não deixou de notar a expressão desnorteada de seu irmão sobre as duas, como se estivesse vendo um fantasma, ou algo impossível de acontecer—mas estava acontecendo, logo ali.

—Não é estranho ver a sua ex e a sua atual interagindo tão bem, Zuzu?

Zuko não respondeu-a, olhou a irmã de relance e voltou a focar na cena das duas. Viu Safira despedir-se de Mai com uma risada prazerosa e ainda arriscaria dizer que viu um risinho leve vindo de Mai também. Depois, a dobradora de água retirou-se animadamente, da casa.

Azula esperou alguns minutos, o tempo de Mai aproximar-se deles, para enfim colocar-se em pé. Por incrível que pareça, em sincronia com seu ato de levantar-se, Ty Lee adentrou o cômodo, terminando de ajeitar as pontas de sua trança.

—Ei, ratos de praia! —bradou Azula, colocando ambas as mãos na cintura. —A grisalha disse que a festa vai do anoitecer ao amanhecer.

Eles já poderiam prever o que ela queria dizer com aquilo.

—Então, vamos indo.

Era hora da festa.


Notas Finais


Revelações, revelações...

E aí? Teorias? Oq acharam do Ty?
Relação da Mai e da Safira??? Maduras demais para a compreensão do mundo haha

Eu queria ter feito essa parte do episodio da praia tudo em um cap só maas... mano ia ficar grande dmais rsrsrs entã resolvi dividir e postar esse antes.

Próximo não vai demorar tanto, talvez uma ou duas semanas :D
Bom fim de semana, beijinhos!❤


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