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História Saga - Traga-me aquele horizonte - Capítulo 72


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Capítulo 72 - Veja, eu tenho que caçar você


Fanfic / Fanfiction Saga - Traga-me aquele horizonte - Capítulo 72 - Veja, eu tenho que caçar você

Obstinada a encontrar a melhor forma de lidar com toda a situação que ocorria ao meu redor peço a Stu e Jhon segurem as pontas para mim durante o tempo em que eu vou atrás de Seven. Eu fui nos três possíveis cantos que ela poderia estar e não a encontro, nem no banheiro, nem estacionamento e nem dentro da lanchonete, com as mesas ainda bagunçadas pela turma da discórdia que ainda se encontrava decidindo se ficariam por lá ou iriam embora, resolvo ir apressar as coisas, uma vez que não podíamos deixar a mesa naquele estado. Assim sigo na direção da porta da frente saindo da lanchonete, eles não estavam por ali, dou a volta no estacionamento os encontrando em uma pequena discussão entre eles mesmos e me aproximo querendo os perguntar como seria feito, quando noto a garota sentada no capô de um carro antigo, virada para o garoto que agora eu chamaria de Malik e ela TJ. 

— Eu já te disse que eu não estou nem aí para essa garota — ouço-a murmurar, interrompo meu passo.

— Não parecia, já que estavam se comendo com o olhar — ironiza, mudando sua postura sobre o corpo dela.

— De ódio, ela claramente não superou o fim. Até estava chorando — zomba, apresentando sua versão dos fatos.

— Ela se importa com você ainda — diz, virando o rosto de maneira exagerada.

— E eu pouco me importo. Eu estou com você. — insiste, tocando seu rosto para tê-lo em seu campo de visão.

— Não gosto de dividir a atenção com ninguém.

— Eu sei que te incomoda ela ficar o tempo inteiro me secando, Seven está claramente obcecada por mim e não conseguiu me superar — continua, de forma prepotente e antes que eu consiga me conter minhas mãos estão cerradas e estou indo na direção deles.

— Olá, vocês decidiram ? — pergunto, tentando controlar a irritação na minha voz.

— Já sim, estamos voltando, não é mesmo amor ? — pergunta, para Malik e sinto essa última parte tão falsa que os olho sem consegui levar a sério. 

— Sim, já me faça alguns sanduíches — responde, sem me olhar indo agarrar ela sem nem se importar se eu ainda estava ali e dou um passo para trás, encarando a garota que tinha olhos em mim consigo resistir a vontade de atear fogo nela.

Entro na lanchonete vendo Seven finalmente passando para nosso vestiário e a sigo até ali. Eu não queria já começar brigando, no entanto precisava conversar seriamente com ela, em vista disso tento me aproximar de forma calma e pacífica, sem que houvesse movimento brusco para evitar conflitos e me sento no banco a notando de costas para mim no banco, foi pouco tempo que se passou até eu perceber que ela chorava abafada e respiro fundo me arrastando do banco até o lugar que ela estava segurando seu corpo para o abraçar.

— Desculpa por hoje, desculpa por esses sentimentos, desculpa por estragar tudo, desculpa por eu ser assim, desculpa…

— Hey Hey Hey nada disso. Pode ir parando — peço agora me colocando em pé para dar a volta em seu corpo e o que vejo é de partir o coração. Seus olhos estavam roxos de tanto chorar, suas bochechas inchadas, e tinha uma preocupação ali que fez meu perto apertar, eu nunca a vi tão abalada como estava no momento, isso foi o suficiente para eu a abraçar e não querer soltar, precisava a fazer ficar melhor.

— Holly…

— Vai se lavar, eu posso tentar fazer Bob te dar o resto do dia — digo me levantando e estendo a mão para ela que segura.

— Não precisa, eu estou bem… — tenta dizer, soluçando, limpo suas lágrimas com as dobras dos dedos.

— Vai lá — digo apontando o banheiro, assim sigo para fora agora vendo a mesa novamente ocupada e suspiro seguindo em direção a Bob.

— Vem cá, as coisas são sempre assim por aqui ? — pergunta Daphne, quando passo pela mesa delas.

— Sempre uma briga acontecendo quando estamos aqui — diz Megan concordando com Daphne e as ignoro.

— Bob, eu posso falar com você ? — pergunto apoiando o corpo no mini balcão dele, o mesmo levanta o olhar ligeiramente arregalando seus grandes olhos negros para mim e com o torcer da mandíbula faz um sinal com as mãos para que eu continue conforme volta a anotar algo em um bloco de notas — É sobre Seven, ela não está muito bem hoje e eu queria…  

— Não. 

— Não o que ? — questiono o fitando.

— O que vai pedir — diz.

— Você nem sabe o que vou pedir — retruco.

— A resposta é não — contínua.

— Deiixa eu dizer sobre o que se trata primeiro — insisto e ele volta a me dar atenção.

— Pois bem, diga.

— Seven pode tirar o resto do dia de folga ? — pergunto voltando meus olhos para a mesa.

— Não. 

— Vamos, ela não está muito bem hoje…  

— Algum parente dela morreu ? — pergunta, erguendo o nariz.

— Não…

— Ela se feriu no trabalho ? 

— Sim — digo e ele franze a testa — quer dizer não, não fisicamente, mas… 

— Ela vai ir ao médico ou ir a um tribunal ? — torna a questionar me interrompendo e eu nego.

— Bob, é uma questão de empatia — murmuro, com uma terminação que fugia do meu comum.

— Ela está inteira, logo pode muito bem continuar com o trabalho, estamos com a casa cheia, você não deveria estar aqui também e sim trabalhando — incita ele, meus olhos percorrem o salão a procura da garota que agora saia do vestiário e parece ter me notado, seus olho se voltam para mim.

— Ótimo — resmungo pisando forte.

— A propósito alguns clientes se recusaram a pagar a conta dizendo que alguém os disse que a conta seria por conta da casa — diz ele e antes que complete a sentença eu já estou na metade do caminho.

— Eu não consegui, sinto muito — lamento me aproximando dela e vejo em seus olhos a tristeza que sentiu pela notícia.

— Está tudo bem, eu estou melhor, consigo fazer isso — garante indo até a prateleira onde colocávamos as bandejas reservas e ela sai recolhendo as louças nas mesas. Assim sigo meu rumo com o coração na mão, triste por não ter a poupado daquilo.

 

( … )

 

Com as coisas melhores aparentemente o dia mais longo da história do restaurante continua seguindo de forma lenta, com tudo o que existia para se fazer ali, depois de todas as rotações de funções, algumas vezes tendo muito movimento, as vezes pouco, vou notando aos poucos Seven ir melhorando no serviço, se concentrando mais e sorrir minimamente quando eu passava por ela a encorajando a continuar. As atenções se voltam para aquela mesa que pede para ser atendida e Seven que estava mais próxima acaba por ir relutante, me mantenho assim atenta a eles que cochicham sobre a mesma que os ignora, TJ fala algo para ela mostrando um prato cheio de restos e o entrega rindo e a mesa segue do mesmo modo quando Seven se vira, seus olhos tornam a serem vermelhos e antes que ela volte eu resolvo ajudar indo retirar o resto da mesa.

— Viu só como ela não superou ? Até chora de emoção quando me vê — zombava para seus amigos e retiro os copos fingindo estar distraída para me afastar.

Caminho com os copos até o balcão onde Seven estava do outro lado na pia fazendo a limpeza cabisbaixa, olho de soslaio a aquela mesa aos risos e meu sangue acaba por ferver. Aquilo era estúpido, infantil e estava machucando Seven e isso me incomodava demasiado. Disposta a fazer com que aquilo pare bolo um plano na minha cabeça que sabia que certamente faria o jogo virar e coloco os copos ali dando a volta no balcão.

— Você está tão linda hoje, sabia ?! — anuncio, me aproximando por trás do seu corpo e sua cabeça gira na minha direção.

— Ein ? 

— Estou dizendo que está linda hoje — insisto a fazendo se virar completamente confusa e aproveito a deixa para ajeitar suas mechas para longe do rosto.

— Ok… — levemente ruborizada torna a dar as costas para mim e minha atenção vai diretamente para a mesa a qual não se encontravam olhando para cá, sem saber ou não se viram algo mantenho a postura e sigo com meu plano.

Avaliando minhas pequenas possibilidades resolvo que seria melhor se afastar um pouco de Seven para a deixar respirar, novamente conseguindo acumular tanto tempo que deveria ser usado em pausas, declaro que juntaria tudo em uma única para que durasse tempo o suficiente para eu me enturmar com a mesa das garotas. — Que apesar de não ter sido muito familiar nos últimos meses eu quase não conseguia me sentir interessada em estar ali, de qualquer forma ver Taylor finalmente interagindo com a gente, um pouco mais animada e sinceramente parecendo ter tornado a se alimentar eu senti vontade de me manter ali com elas e participar —.

— Conta então, desde o começo — pede Mckenna, assim que me vê — Holly agora pode participar — diz, e os olhares se voltam para mim.

— Participar do que ? — questiono, me sentando ao lado de Daphne sendo o único lugar livre.

— Megan não é mais uma princesa — diz Daphne e meu olhar se volta a morena.

— Ela renunciou sua dinastia — corrige Louis e Daphne o encara.

— Não, eu apenas exigi minha liberdade de expressão — justifica ela. Parecendo muito sincera.

— Abdicar sua dinastia faz com que você não tenha mais compromisso com sua casa ? — pergunta Taylor, mirando Louis que concordava.

— Faz com que eu me torne normal — dá um sorriso torto e olho para o movimento a frente.

Vejo Seven parada no salão sem nada para fazer aparentemente e puxo seu braço para a mesma se juntar a mim e as garotas que a olham, mas parecem nem se importar com sua presença. Continuando a conversa com Megan, que parecia jubilante com aquilo, comigo não sabendo se deixar de pertencem a uma família real era bom ou ruim.

— Ela disse isso na frente de Fernando e todos os outros convidados, foi épico. Vocês precisavam ver a cara deles ! — branda Louis enérgico.

— Desse modo você não vai mais casar com Fernando ? — Mckenna faz a pergunta e aquela parte de casar fez meu peito doer.

— Nunca existiu essa possibilidade, todavia não — retruca, a morena, dedilhando seu copo de suco e seus olhos presos ao mesmo se levantam e seguem na minha direção que apenas não consigo desviar e continuo ali presa 

— Foi o fim das tradições — garante Louis, fazendo que ambas se voltem a ele e deixem a atenção fluir pela mesa.

— Eu reivindiquei minha liberdade para fazer o que quiser, eu vou usar as roupas que quiser, frequentar os lugares que quiser e vou fazer tudo o que quiser a partir de hoje — garante ela sorrindo e sem perceber que faziam involuntariamente eu sorria também.

— Você pode ficar com quem você quiser ? — pergunto movendo o corpo para frente estendendo minha mão no banco de couro o segurando.

— Sem tradições, sou uma mulher livre para escolher o que for melhor para mim — concorda voltando seu corpo na minha direção — vou me relacionar com quem eu quiser e ninguém vai poder dizer um A — garante e automaticamente vou concordando sentindo meu estômago borbulhar e a garganta secar, eu podia sentir as dobras da língua se estreitarem quando a boca produzi um sorriso que doía as laterais, dentro de mim tudo parecia agitado como se tivesse recebido um choque elétrico, nesse momento me atento ao meu coração disparado. 

— Parabéns pela conquista — diz Seven de repente e me volto a ela lembrando que a mesma estava por ali e se levanta para se deslocar pelo salão.

— A gente pode fazer o baile com o tema “liberdade” — Daphne anuncia eufórica e todos se voltam para ela de fato.

— Uma boa ideia — concorda Taylor e ambas se olham antes de desviar para lados opostos o que foi engraçado se não trágico.

Volto a olhar para Megan que tomava seu suco olhando para o vazio e eu quase que volto a dizer algo como era bom para ela, com medo de parecer muito empolgada ou me encontrar preocupada comigo mesmo pelo interesse resolvo deixar por assim mesmo e procurar por Seven que acabará de deixar a mesa, a vejo próxima a dos punks devia estar anotando os pedidos, notava a atenção de TJ sobre a mesma e isso foi o suficiente para mim me colocar em pé e saltitar até onde a minha punk estava. Disfarçadamente esbarro sem querer nela e seguro sua cintura com uma das mãos e pisco para a mesma que fica parada me olhando sem ter reação alguma, o importante para mim foi ver que do ângulo que estávamos foi possível ver cada mínimo detalhe e com o canto dos olhos noto o olhar que nos secava ali onde deveria estar e satisfeita por mim mesma recolho qualquer coisa em qualquer mesa voltando para o balcão.

— Limãozinho, você está bem ? — pergunta a garota me seguindo.

— Melhor impossível — garanto sorrindo, desloco meu corpo para mais perto do seu e posso ver ela ficando desconfortável o que me impede de continuar.

— Tudo bem — diz balançando a cabeça entorpecida.

E fico ali parada a vendo se deslocar pelo salão servindo as mesas, com a missão em andamento posso espiar para a mesa dos punks e ter certeza que agora tinha a atenção inteiramente voltada para mim e sorrio satisfeita. Iríamos ver quem não superou quem brevemente e conforme avanço com meus sutis esbarrões, piscadas e sorrisos fora de hora espero pelo momento perfeito quando ouvi a garota da mesa dizer que estaria indo para o banheiro e saio voando apressando a procura de Seven que se encontrava numa mesa conversando com um cliente e a puxo comigo.

— O que ? 

— Vem comigo ! 

— Para o que ? — questiona ela sendo arrastada sem nem entender o que estava acontecendo.

Empurro a porta do banheiro e pelo espelho vejo quais cabines estavam sendo usadas e quais estavam ocupadas — deveria ter três pessoas ali fora eu e Seven, logo não teria problema nenhum em fazer o que pretendia — Com a garota já prestes a protestar passo o polegar em seu lábio inferior roubando sua atenção plena, ela levanta o olhar para mim ameaçando avançar o que instantaneamente me faz a empurrar em direção a algo fixo,  quando suas costas colidem com os azulejos frios do ambiente sua boca produz um gemido que abafo com a mão, o que deve ter no mínimo dado um eco. Ela passa de um momento de surpresa a fúria em segundos, seus olhos ardentes passam a flamejar, seu corpo reage e ela tenta me afastar, antes que consiga eu o intercepto pousando minha mão livre em sua cintura e a pressiono de volta a parede. Encontrando com seu olhar excitado meu estômago dói e minha boca seca, percebendo minha pausa a garota ergue a cabeça e sem esconder a confusão me encara apreensiva, para não a ter novamente fugindo de mim não penso muito quando me inclino para capturar sua pele quente com a boca, timidamente deposito um beijo ali e sua mão que eu prendo acima de sua cabeça amolece me fazendo pegar confiança e com a língua vou mapeando seu pescoço, com isso um uivo agudo sai de dentro dela e esse gemido com toda certeza não foi por estar sentindo dor. Ela joga sua cabeça para trás a fim de me dar mais terreno que vou mordiscando e com a ponta do nariz roçando, durante o tempo em que seu cheiro inunda minhas narinas, confortável o suficiente para isso minha mão, que antes estava pousada na cintura, sobre por cima do tecido até chegar a  sua costela quase querendo subir mais. Eu deveria estar concentrada naquilo, não seriamente, contudo de modo que corresse como deveria ser. O que não foi o caso, Seven tinha um cheiro agradável, não era doce entretanto era suave, sua pele era tão lisa e cheirosa que as mordidas que eram para serem superficiais até que começaram a fluir por vontade própria, tanto que minhas mãos ganham vida própria e tenho que controlar meus movimentos, quando dou por mim estou a marcando de forma compulsiva a fim de ficar só ali sem perder o controle, lutando contra meu peculiar consciente agradeço quando as cabines se abrem uma de cada vez voltando com seus ocupantes virados para onde estávamos, entre a porta de entrada e a parede que apoiava os boxes.

— Desculpa, eu não resisti — cinicamente vou me afastando dela, ajeitando meu uniforme, que havia ficado pouco bagunçado.

— Você me atacou — diz ela me olhando abismada e quando ela de repente se aquieta, tenho certeza que no seu campo de visão tinha meu alvo, a mesma se afasta de mim e deixa o banheiro.

Finjo suspirar longamente antes de caminhar para os lavatórios para lavar minhas mãos, passo por uma garota que não dou atenção, pois só uma me interessava naquele momento, com o canto dos olhos acompanho o movimento de TJ que claramente tinha olhos queimando sobre mim e finjo distração até o momento de levantar os olhos para o espelho a fim de arrumar meu batom fraco que eu usava e continuo indiferente até a ver sair pisando firme para fora e sem aguentar mais nem um minuto acabo por soltar o ar que prendia, chegava me sufocar pelo coração estar tão acelerado, minhas mãos tremiam e ao lembrar do que fizera minutos antes meus olhos queimam. Assim dou um passo para trás me virando assim topando com Megan, que eu não sabia que estava ali e nem se tinha visto ou ouvido algo. 

— Dia agitado — diz ela, secando as mãos e concordo deixando o banheiro talvez um terço mais envergonhada que antes.

Ao menos tinha conseguido executar meu plano por isso estava tranquila agora com as consequências. Volto assim para a mesa das garotas e ignoro quando Megan se senta claramente me encarando, resolvo que participaria um pouco do que estava acontecendo ali com elas. 

— Quem têm algo para contar diga agora ou se cale para sempre — exijo ganhando a atenção de todos.

— Eu tenho — diz Louis e as garotas reviram os olhos — na verdade eu e Taylor — completa e agora sim todas se olham sem nada dizer.

Exceto pela troca de olhares de ambos eu sentia uma tesão na mesa, não por minha parte, nem por parte deles e sim ao todo, o modo como Megan encarava o irmão, como Mckenna evidentemente estava perdida ali no meio, como Daphne parecia quieta demais para ser ela mesma ali ou até o modo como Taylor olhou significativamente para o garoto foi o bastante para fazer com que o silêncio instalado ali só ajudasse mais ainda o clímax.

— A novidade sobre você é… — encoraja Megan olhando fixamente para Taylor.

— Eu só estava tentando contar com todas reunidas — garante a loira e como fui chamada de última hora acabo por pegar metade da conversa.

— Ashlee vai saber depois — garante Mckenna demostrando tanta curiosidade que a garota ri quebrando o gelo do local.

— Na verdade é uma revelação sobre nós dois — esbanja Louis e os olhos de todos já se encontram uns com os outros, eu mesma sentindo que estava engasgada.

— Está acontecendo a algumas semanas e eu queria compartilhar esse momento com vocês — diz ela e antes que qualquer um diga algo vejo as mãos deles entrelaçando por debaixo da mesa, por eu estar em pé fui a única a ver.

— Nós estamos namorando — anuncia Louis quase impaciente de esconder e a mesa se cala.

De imediato eu não sei o que dizer. Fico perplexa com arames na garganta, quando noto olhares sobre mim abaixo os olhos ficando em encarar o chão.

— Agora você não me enche  — balbucia Seven passando atrás de mim e meus olhos continuam nas cena das mãos.

— Ual isso é…

— Taylor é gay — Megan pestaneja depressa  e todos encaram ela.

— Estamos juntos — reforça Taylor o dando um selinho e minhas mãos se fecham desviando o olhar e param coincidentemente na outra garota que estava tão quieta quanto eu.

— Isso é incrível, você se deram bem — Mckenna os felicita sendo a única que ali parecia jubilante com a notícia.

— É uma notícia em tanto — estarrecida Megan encara o irmão que fingia indiferença e mesmo concentrada neles eu ainda tinha em mente Seven passando atrás de mim acompanhada.

— Ashlee vai pirar quando souber — continua Mckenna eufórica — vocês merecem toda felicidade do mundo — garante ela se colocando a ir até os dois os abraçando durante o período em que todo o resto olhavam para direções contrárias.

— Fico contente em saber que você nos apoia Chelsea — agradece Taylor com uma pontada de ironia no tom de voz.

— De uma hora para outra me conta que está com meu irmão e quer que eu fique contente ? — indaga Megan.

— Não foi de um momento a outro — protestam ambos ao mesmo tempo.

— Por ele ser seu irmão você deveria os apoiar — incentiva Mckenna tocando o ombros dela que revira os olhos.

— Por isso mesmo não apoio, ele é um Candale — resmunga Megan encarando o irmão de modo que eles passam a se encarar.

— Um Candale que sabe muito bem o que quer — devolve Taylor o defendendo e eu respiro fundo.

Ok Taylor e Louis juntos, isso desde quando ? Como eu não vi isso ou como isso foi acontecer, desde quando Louis participa de nossas vidas ou está presente ou faz parte disso, eu não consegui refletir muito bem, nem consegui associar as informações mais dados coletados desde que nos tornando amigas. Eu sabia que os irmãos Candale todos tinham uma espécie de quedinha por ela, entretanto não imaginava que todos iriam quererem suas oportunidades com a mesma não respeitando que o último foi Vlad, assim Louis furou seu olho ou foi ao contrário, na verdade o que eles queriam com ela me incomodava, meu estômago estava revirando sem processar as informações de qualquer forma. Foco em parar de os olhar e os imaginar tendo intimidades, meus dedos ficam batucando na mesa de ferro com unhas grandes o suficiente para fazer um som estridente que no começo me dá certa agonia, mas vai mudando para agradável depois de ouvir a voz de Louis, sem nem conseguir os olhar fico me atentando ao salão ao movimento das saídas e até Bob no caixa era mais atraente que aquilo. Sem mais vontade de permanecer ali me levanto em silêncio e me coloco em pé olhando ao redor a procura de Seven que não estava no salão e resolvo ir atrás dela antes de sair olhando para a figura imóvel na mesa aparentando um olhar vazio como o meu minutos atrás e penso que eu não fui a única a estar inacreditada naquilo.

Movo meu corpo o arrastando até a cozinha onde Jhon e Stu conversavam durante o tempo que limpavam a chapa e com a garota não presente deixo a mesma resolvendo ir ao vestiário ou banheiro. Com seu breve sumiço meus olhos vão para a mesa do fundo e me atento a um lugar vazio, isso foi o suficiente para que eu me dirigisse para fora tão rápida que nem mesmo Flash poderia ter ganho de mim essa corrida. Empurro a porta sofrendo com a mudança de clima e deslocamento do dia, pois o céu se encontrava em um misto de azul claro e escuro virando para laranja e na rua os carros circulavam com faróis ligados já pela noite que estava se aproximando, não foi aquilo que me atraiu e sim o fato de ver Seven de costas para mim do lado esquerdo da lanchonete no limite entre o estacionamento e me desloco até ela notando que estava em uma conversa pela forma que se movia entre articulação de gestos e paro assim que vejo do outro lado a figura da garota projetada em pé na sua frente a quem ela se referia e penso em ir até lá, contudo não o faço vendo que era uma discussão sobre relacionamento, por essa razão eu não tinha nada a ver com aquilo por mais que quisesse ir não avanço, apenas dou a volta para tornar a lanchonete e assumir o balcão pela primeira vez no dia sentindo uma coisa estranha no corpo todo, como uma paralisia, uma tristeza estranha e pego o pano para lustrar o lugar sendo isso o que restava-me fazer.

 

( … )

 

 

O restaurante vai se esvaziando e vou fazendo a limpeza das mesas levantando as cadeiras que podia enquanto os garotos ficaram com a parte da cozinha, Seven aparentemente continuava na sua conversa particular, porquanto eu não a vi novamente depois daquilo. Na mesa das garotas eu fiz questão de não retornar visto que ali nada me interessava e sinto a energia do meu corpo sumir a cada minuto que se passava. Com o som dos sinos da porta tocando ergo a cabeça naquela direção para anunciar aos clientes que estávamos fechando contudo era apenas TJ entrando no lugar logo atrás dela passa Seven indo diretamente para os banheiros, mas não vou atrás, nem paro o que estou fazendo, só fico ali quieta na minha.

— Holly, estamos indo. Obrigada pela atenção — Mckenna vêm vindo até mim para me abraçar.

— Nos vemos na escola — digo olhando por cima dos ombros as outras.

Daphne é a primeira a deixar o local nem se despedindo de ninguém e em seguida Taylor e Louis acenam também e eu preciso me obrigar a acenar de volta, Megan para atrás de Mckenna mesmo com olhos ainda nos dois e estende a mão que pego e aceno também as deixando sair agora juntas e logo em seguida o grupo de punks passam por mim, e dessa vez o corpo infla com a presença da garota que até me olha, só não dá tanta atenção saindo junto com seus amigos. Destinada a sair dali o quanto antes eu corro para limpar todas as mesas e vou para meu armário em busca das minhas roupas.

— Holly, a gente pode conversar ? — pergunta entrando no vestiário.

— Eu só quis ajudar — justifico antes que ela pensasse algo de mim.

— Eu sei — suspira e me viro para ela e só de olhar de longe eu conseguia ver que chorava.

— Desculpa por isso, eu só não queria te ver chorando — sussurro, me levantando.

— Acho que não funcionou muito bem — argumenta passando por mim e segue até seu armário que a acompanho até ela pegar sua mochila e se sentar no chão colocando as mãos sobre o rosto.

Incomodada com ela assim vou até seu lado e me sento na chão, eu não estava disposta a dar conselhos amorosos visto que minha vida era toda complicada e não conseguia ter controle de nada, por isso optei por só estar ali para ser seu ombro amigo caso precisa-se de algo, e do modo que me puxou para si enquanto intensificava o choro entendo que ela aceitou muito bem meu nobre gesto. Assim acabou o dia mais longo da história da humanidade para mim, ambas no chão do vestiário ouvindo o choro dela e refletindo sobre tudo o que ocorreu no dia, talvez arrependida de muitas coisas e pouco contente com outras várias.

 

(…)

Desperta a pouco mais de meia hora me obrigo a entrar embaixo do chuveiro e ficar ali até perceber que se passasse tempo demais eu acabaria por me atrasar e aquilo não seria bom. Nem um pouco afim me troco colocando o uniforme sem coragem de colocar a gravata apenas a passo pelo pescoço e carrego comigo o suéter caso o clima mudasse no meio do dia e sigo para fora seguindo com fones de ouvido até o ponto de ônibus para apanhar qualquer um que me deixasse em Beverly.

Com cada vez menos vontade de ir para a escola saio do mesmo e faço o percurso até a mesma parando quando chego na escada principal da portaria e olho para as horas, o primeiro sinal tocou a pouco por isso já estava diminuindo o fluxo de pessoas ali, e obstinada a me atrasar para não precisar ir até a sala sigo na lerdeza excessiva pelo corredor chegando a ver de relance minhas colegas, no entanto a fim de evitar drama vou direto para a sala deitar a cabeça na mesa e ir apagando os poucos com um sono que não era comum para mim.

Sem novidade alguma deixo a escola apanhando meu segundo ônibus e vou para meu serviço, com o mesmo ânimo deixando a bolsa ali sem nem guardar no armário porque não tinha medo de ser roubada ou coisa do tipo, a única coisa que tinha me despertado o interesse fora uma mensagem de Hilary querendo me ver e depois uma de Gabbe que insistia naquela conversa que eu tanto evitava. Guardo o mesmo na armário e olho o salão com alguns dos funcionários indo embora ao passo em que nós chegávamos para os render. Passo por Stu e aponto a cozinha e ele concorda, o resto foi apenas eu ocupada com as receitas e tendo que tomar conta de tudo de forma que poderia dormir ali mesmo, sigo sem problemas em lidar com os pedidos que Stu vinha me trazer de tempo em tempo.

— Eu não te vi ainda hoje — diz a garota aparecendo na porta com braços cruzados.

— Estava aqui — mal conseguindo proferir as palavras respondo e ela concorda assim se faz silêncio até eu levantar meu olhar novamente para ela — melhor ? — pergunto e ela deixa a cozinha.

Olhando para o céu solto a fumaça que já vêm em uma quantidade menor do que ao consumido, devo ter esquecido de a libertar acabando por inalar mais da metade, mas isso pouco me preocupava e novamente trago o cigarro deixando meu braço cair para ficar pendurado, visto que meus pés estavam cada um de um lado do mesmo soltos ao ar deixando somente a mão que estava sobre a cabeça e a outra com cigarro em mãos próximas a meu corpo de forma que só o tronco estivessem sobre o muro. O lugar em si estava silencioso se não fosse pelo som dos carros na rua e insetos na mata, por isso não foi difícil prestar atenção no som das latas de ferro se batendo onde eu estava apoiada.

— Não quis cortar seu clima — justifica, colocando outro saco de lixos dentro do mesmo.

— Não há clima — admito.

— Você está estranha hoje — diz e dou de ombros voltando a tragar o cigarro.

— Meu dia não foi muito agradável — mortifico indiferente.

— Parece que foi como o meu ontem — zomba e escuto seus pés colidindo com a lata e me coloco sentada para abrir espaço para ela se juntar a mim.

— Nada comparado — digo, encarando a lanchonete.

— Ao menos teve animação — concorda, pegando o restante do cigarro de minha mão.

— Eu vi você conversando com TJ — não me contenho em curiosidade e posso a ver tensa ao meu lado.

— Não foi uma das melhores conversas que tivemos — explica e passo a encarar-la superficialmente.

— Visto como você voltou aposto que não houve um entendimento — falo e ela balança a cabeça negativa — ela é uma idiota de qualquer forma, que não se importa com você, então o melhor que faz é se afastar — uso do meu melhor tom convincente para ela.

— Você não entenderia, ela queria me fazer ciúmes de qualquer jeito até com um garoto se meteu e ela nem gosta de garotos — murmura e olho-a indignada, estou boquiaberta com essa nova informação. 

— Justamente por isso não se importa com você, para fazer ciúmes ou qualquer coisa do tipo — continuo e ela move o corpo de forma que seu pé esquerdo fique no ar e o direito apoiado no muro onde ela coloca a cabeça sobre o mesmo.

— No fundo se importa, e eu também e muito — argumenta ainda tentando a defender o que me irrita.

— Seven, você deveria superar ela — consigo dizer mesmo que a fizesse ficar irritada comigo.

— Não é tão fácil quanto parece — suspira profundamente — você não sabe o que é gostar de alguém desse jeito, de achar que a única coisa que precisa é estar junto dessa pessoa, de não conseguir esquece-la mesmo se envolvendo com outras, mesmo quando ela deixa mais que claro que não quer nada com você é tão errado — protesta e discordo.

— Errado é você se humilhar por alguém que não te respeita, não se importa com seus sentimentos, que só te fez criar expectativas e nada mais que isso — retruco e ela levanta a cabeça para mim.

— Pode não haver isso agora, contudo no passado houve e construiu esses sentimentos aqui — diz entre dentes.

— Pode até ter sido, mas você usou claramente o termo passado, logo tudo o que existiu não existe mais, você precisa aprender a lidar com isso por mais doloroso que seja, esquece o passado e presta atenção no futuro — insisto me convencendo que isso era o certo, abrir a mente dela para que ela enxergasse com mais clareza as coisas.

— Como você está prestando ? — questiona e automaticamente me volto para ela — ontem você demonstrou não estar tão desapegada como diz estar — contra responde com um olhar penetrante.

— Como ? 

— Quando Megan disse que não estaria mais seguindo com as tradições, seja lá o que isso seja você claramente se sentiu feliz, tinha que ver como seus olhos brilhavam ou seja…. 

— Ou seja o que…

— Você diz tudo isso sobre superar, quando claramente ainda está apaixonada por ela e tem expectativas — solta e de imediato começo a rir sem parar fazendo a mesma continuar me olhando sem nada entender.

— Eu não sou apaixonada por Megan — desminto e ela nega.

— Não foi isso o que me contou na festa — expressa.

— Posso até ter tido uma queda por ela no começo, porém ela claramente não é uma opção, nunca foi, foi algo passageiro… — explico plenamente.

— O jeito que vocês se olharam ontem não me parece muito com uma superação — insiste incansável e volto a discordar sentindo que aquela conversa fazia meu peito disparar do nada.

— Ouve um tempo que eu acreditei que tínhamos uma ligação, algo que batia fundo no peito e causava a respiração curta, rápida e pesada — pausa — mas não era nada demais foi uma paixonite idiota — prossigo calmante tendo sua total atenção.

— E como têm certeza que isso não continua aí ? — aponta para meu peito.

Admito que fico sem saber o que deveria dizer e acabo por optar pelo silêncio. E assim ela também não diz nada nos fazendo absorver o máximo de ar que pudéssemos antes de dar continuidade a esse assunto, o que me deixou com uma sensação estranha apesar de tudo o que dissera parecia que faltava algo a mais para que eu pudesse entender o que significava aquilo para mim. Quer dizer, se significava algo.

— Taylor está namorando Louis, irmão de Megan — solto desconfortável.

— Taylor ? — pergunta agora mais calma e concordo — ela não era gay ? — questiona e automaticamente dou de ombros.

— Aparentemente não — me contorço agoniada.

— E isso te incomoda ? 

— O que ?

— Ela namorando ?

— Deveria ?

— Não sei, deveria ? 

— Não. 

Silêncio.

— Estou feliz por ela ter seguido em frente — acabo por admitir.

— Mas aparenta que não — observa.

— Não com o garoto, eu não o conheço, eu não sei suas intenções, não sei se ele fará bem a ela — explico da melhor forma que consigo sincera para mim mesma.

— Então sua preocupação nada mais é que por não saber se ele a fará bem ?! 

— Acho que sim — a olho — Taylor é uma ótima garota, eu não quero que ela sofra mais — afirmo.

— Entendo, vocês continuam amigas apesar disso — concorda tocando meu ombro — entretanto você também pode seguir em frente — diz de repente e coloco em pé a encarando.

— Como ?

— Você não se envolveu com ninguém depois dela, você cultua sentimentos ainda por Megan, isso realmente te faz não querer se envolver com ninguém ? — pergunta trazendo a questão a tona novamente.

— Não estou em um bom momento para namorar, não é porque me envolvi com Taylor ou que tenho sentimentos por Megan — murmuro tempestuosa, e pulo o muro sentindo as dobras do joelhos arderem no ato.

— Apenas parece que você tem medo disso — alega — de viver sua vida, de superar os seus fantasmas, você vive se lamentando pelo passado e esquece de viver o presente/futuro — zomba e me viro para a mesma sentada com os pés para frente agora.

— Usando das minhas palavras contra mim — grunho e ela sorri facilmente.

— Você têm que se dar o direito de ser feliz, do jeito que você age parece que acha que não o merece, que tem que viver essa mediocridade, com seus erros — argumenta se apoiando na lata do lixo para descer também e me viro para sair — não estou dizendo que precisa namorar, estou dizendo que precisa viver, da melhor forma possível, do jeito que quiser, se aparecer alguém que se importe com você, que goste de verdade de você, que te apoie em todas suas escolhas e esteja te acrescentando algo, se jogue de cabeça, porque não vai encontrar mais chances como essa — garante e me viro para ela novamente a vendo mais perto de mim.

— Não estou em busca de relacionamento — digo sem completar a sentença.

— Não estou dizendo que precise de um, estou dizendo que se acontecer de encontrar alguém assim não deixe escapar, é tão raro ter alguém que cuide de você e não te pede nada em troca. É mais sobre você esquecer o passado, desapegar e se deixar levar pelo que a vida está te oferecendo, quando perceber talvez seja tarde demais — ela deu-me um sorriso cuidadoso e reviro os olhos a deixando ali sozinha.

De repente uma conversa sobre ela e sua ex acaba se tornando uma sessão de conselhos para mim. Ela estava errada se achava que eu tinha apego ao passado, ou não queria me permitir ser feliz, porque eu não tinha como ser feliz com as coisas que me aconteciam, meu pai no hospital era a prova viva de que eu não me sabotava, a vida que cuidava de fazer isso por mim. Toda aquela besteira sobre Megan ou sobre sentimentos por pessoas que se importavam eram tão estúpidos que começo a rir sozinha de volta a cozinha onde sigo com meus pedidos.

 

( … )

 

 

Na volta para casa que deveria ser tranquila livre de qualquer tipo de pensamento filosófico ou ético, minha mente só fica repetindo as palavras de Seven em forma de perguntas, eu me impedia de ser feliz? Eu não me sentia no direito de ser feliz? Não me envolvia por estar apegada aos relacionamentos do passados ? Era isso o que eu estivera fazendo esse tempo todo comigo mesma ? Achava que não, era coisa da cabeça dela que ela supôs, e me coloco a refletir sobre os últimos dias sobre as últimas ações que tive, aos poucos aquilo até chega a fazer sentindo, porém eu recusava acreditar.

Desde o momento em que entro na mansão colocando as chaves na fechadura as rodando para entrar na mesma, até o momento em que enrolo meu corpo na toalha e me jogo na cama a única coisa que pensava era se errei quando decidi que Taylor seria apenas uma amiga, ela se importa comigo, me ajudava em todos os momentos em que eu precisei, isso significava que eu nos sabotei, ou sabotei qualquer chance que tínhamos de talvez ser um casal real. Não, eu não fiz nada, não era para sermos, pois éramos grandes amigas e a gente acabou confundindo uma pequena atração por necessidades que estavam ali no momento, por essa razão não aconteceria nada entre nós, não de forma profunda e até mesmo agradeço por nunca termos passado de flertar e as vezes ser um pouco mais ambiciosas em nossas ações.

Pego meu celular e vejo o mesmo ainda apitando por notificações de manhã, me viro de barriga para cima e leio as mensagens de Hilary para responder que teria tempo amanhã para a ver e em seguida abro a página onde estavam as mensagens de Gabbe sobre querer conversar e com a gente sem se falar era ruim e eu concordava com aquilo apesar de estar ainda irritada com ela. Me coloco em pé ignorando a medida que ela voltava a digitar e vou em direção ao closet para escolher qual roupa usaria para me deitar e uma camisa larga o suficiente para me servir de vestido foi o escolhido, pego a toalha encima da cama e jogo meus cabelos para baixo a fim de os secar com auxílio da mesma, mesmo sem ter o secador por completo menos úmido penteio o mesmo, isso tudo não deveria ter durado alguns minutos, contudo o celular tocando já deveria ser pela demora na resposta me jogo na cama o pegando.

Ainda está aí ? — pergunta a voz rouca tendo um combo com a linha telefónica chegando a assumir um tom mais agudo ainda.

— Sempre — digo ouvindo um suspiro do outro lado que tenho certeza que foi acompanhado de um sorriso.

Estou com saudade — admite e me viro na cama vazia e fria absorvendo aquelas palavras.

— Eu também — concordo fechando os olhos tocando os lençóis de seda macios dela sentindo minha mão escorrendo pelos mesmos e meu corpo estava entrando em agonia — vem pra cá, eu não quero dormir sozinha — peço notando a minha própria voz me trair quando perde dois oitavos no meio do caminho.

Queria tanto ouvir isso — diz, me despertando uma onda de calor e sinto um alívio naquilo — chego em breve — anuncia e concordo ouvindo o telefone batendo de volta ao gancho e me jogo na cama jogando todos os travesseiros da mesma no chão e deito a cabeça no único que deixei ali.

Com pouco de sono me movo na cama acordando com o som da porta se abrindo e meus olhos encontram com o da garota que se encontrava em pé na porta recostada na batente com um sorriso familiar que logo me trás uma paz, levanto e sigo indo até ela e antes que ela tenha chance de qualquer coisa meu corpo colide com o seu e aperto ela em mim, sentindo seu corpo, o calor tomar conta de mim. Seus braços passam envolta de mim e a gente se conectar naquele abraço apertado que parecia se completar conforme nós duas avançamos apertando uma a outra.

— Se brigar comigo mais uma vez eu te coloco para dormi com os cachorros — resmungo deixando as lágrimas transbordarem por meu rosto.

— Não me faça brigar com você — pede passando as mãos por entre meus cabelos e me deixa deitar a cabeça no seu peito.

— Calada — exigi batendo no seu ombro e faço novamente quando lembro porque brigamos e vou batendo cada vez mais forte a fazendo recuar sem me impedir de prosseguir com aquilo, pois deveria saber que merecia e intensifico o choro perdendo as forças.

— Não me afasta de você Holly — pede me puxando pela camisa e me abraça forte e só consigo retribuir sentindo que aquilo não me bastava e a puxo junto comigo em direção a cama e deito a puxando que ainda para e retira seus tênis logo se juntando a mim.

— Não vai dizer isso quando eu te chutar de noite — asseguro grudando nela como um coala filhote e ela ri depositando um beijo na minha testa.

Naquele momento eu me sentia bem, não estava sozinha não estava com medo, não queria estar em outro lugar a não ser ali, com isso em mente fico a olhando encarar o teto e encaro seus olhos tão sombrios e familiares, a sensação de os ter visto em algum momento da minha vida pairava sobre mim com a dúvida, no entanto Gabbe era particularmente toda familiar, tudo nela me fazia me sentir bem, confortável, como se ela estivesse existindo ali para mim a vida inteira, não parecia que nos conhecíamos com pouco menos de um ano, ou que era novo dormimos juntas, ou trocar olhares cúmplices, ou simplesmente só de olhar para a outra saber o que se passava com a mesma e isso de fato era estranho. Como se houvesse uma conexão ali que somente eu e ela compartilhavamos, nada comparado com o que senti quando vi Megan, ou tive meu primeiro contato com Hilary como minha melhor amiga, a coisa era forte, eu sentia que podia morrer por ela e isso me assustava, porque eu nunca senti isso por ninguém antes, e se no meio dessa amizade eu estivesse começando a pensar de maneira diferente de como deveria ser e por estar tão confusa em relação a mim mesma achei por ignorar meus sentimentos. Era uma possibilidade não ter visto Gabbe antes, mas a pergunta era se agora era uma possibilidade.

 

( … ) 

 

Continuo olhando para o aparelho ligado em direto com a outra tela ali os dois batendo um no outro me fazendo balançar a cabeça negativa para ambos. Ao meu lado o movimento volta e não preciso me esforçar muito para que a garota fique mais próxima a mim o que automaticamente me deixa satisfeita e volto meu olhar para os dois bobões do outro lado da tela.

A gente precisa de alguém aqui que entenda nossas queixas — explica Nastya, a minha latina preferida.

Na verdade só queremos férias e nos juntar a vocês — diz Jack, o mestiço e ela volta a o bater de brincadeira.

— Meu braço melhorou, podemos nos aventurar por aí — garante Gabbe mostrando que não usava mais gesso.

— Sem motos ! — digo de imediato e todos me olham e Gabbe cutuca minha cintura o que me faz encolher.

Carros ainda existem ! — garante Jack e discordo.

— Eu quero saber como estão as coisas, digo como vai o campeonato ? — pergunta Gabbe mudando de assunto e noto Jack se afastando da tela.

Nem me lembre, estou a quase doze pontos do líder — murmura ele e Nastya toca seu ombro.

Não diga isso, o garoto da Blue Angeles é realmente muito bom — diz ela tentando o animar.

— Eu estaria ganhando dele se estivesse aí com toda certeza — garante Gabbe e a cutuco apontando a tela vendo o garoto cabisbaixo — Jack, você está dando o seu melhor, o campeonato que está competitivo demais esse ano — diz ela agora da forma correta, no entanto havia sinceridade nas suas palavras e a sutileza era clara de quem queria ajudar do melhor jeito possível.

Eu digo isso a ele sempre, mas ele prefere se colocar para baixo — murmura Nastya evidentemente chateada com o garoto.

— Você devia a ouvir mais — é a minha vez de ajudar os apoiando.

— Jack, foca nos seus pontos fracos, tenho certeza que até o final da temporada você terá uma boa colocação — garante Gabbe apoiando as mãos no colchão da cama.

Vou fazer isso, tenho que me classificar para Tóquio — justifica ele eufórico e acabo por rir de sua animação.

— Você vai conseguir — apoiamos.

Quer saber, pra que esperar, eu vou ir resolver isso agora — garante ele se colocando em pé e some da tela.

Onde você vai ? — questiona Nastya falando sozinha na tela — essas horas da noite ? — continua e aos fundos bem baixo consigo ouvir uma afirmação — meninas eu vou ir atrás para garantir que ele não se mate — diz ela se levantando com o celular em mãos deixando seu quarto de hotel.

— Se cuida também — aceno.

— Cuidado vocês dois, esperamos contato — diz Gabbe pegando o celular para si.

Não se preocupem, retornamos quando possível e se cuidem também — pede — Holly, Gabbe, juízo — completa antes de desligar fazendo ambas rirem.

— Por que todos nos dizem isso ? — questiona, desligando o aparelho.

— Talvez precisamos mesmo — zombo a puxando para meu lado e deitamos na cama.

— Talvez — concorda, passando a mão por trás da minha nuca e me apoio ali.

— A gente pode ficar aqui o dia inteiro ? — pergunto virando o rosto até alcançar o seu e roçar meu nariz na sua pele.

— Não, você precisa ir trabalhar e eu tenho uma consulta com a doutora Ramirez — disse calmante, segue tocando meu rosto.

— Podemos cancelar e ficar aqui ? — insisto, me sobrepondo sobre seu corpo.

— Você sabe que não, a propósito ela vai ficar brava se eu me atrasar — declara me colocando de lado para se levantar.

— Ok, vai lá para a Doutora Ramirez não ficar brava — murmuro, ainda deitada na cama e nem o colchão se move por conta de Scarlett ter literalmente uma mansão, a cama deveria ser o de menos ali.

— Não faz bico, a gente pensa em algo para fazermos juntas — propõe me olhando com expectativa e dou de ombros ignorando qualquer traço de simpatia que ela tentou para amolecer meu coração.

— Claro — resmungo, me movendo apressada para ir me trocar.

— Holly, será que podemos conversar brevemente ? — pergunta, sentada na borda da cama.

— Sobre ? 

— Eu não quis trazer a questão a tona aquele dia, só queria que a gente ficasse bem — explica, mantendo um tom leve.

— Diga de uma vez ! — imploro, impaciente.

— É sobre o tratamento que lhe ofereci… — sussurra meio presunçosa.

— Achei que ficou claro que quando eu me sentisse preparada para isso, aceitaria de bom grado — protestei num murmúrio.

— Sim, foi o que conversamos. — concorda, e se faz me olhar antes de continuar — Mas não o que resolvemos, eu disse que se sentisse que precisava agiria mesmo contra sua vontade — acusou e lentamente me viro para seguir até o espelho no banheiro.

— O que não é o caso — disse-lhe.

— Não vejo dessa forma quando se está passando por coisas tão delicadas, recaída de um vicio, seu pai internado, briga com a família, sentimentos confusos…

— Não comece a citar meu pai ! — a interrompo em protesto.

— Como não citar quando você não quer o ver no hospital ? — sua voz vem de dentro do cómodo como um eco até se tornar alto e perfeito.

— Vvocê não entende como é uma droga ter de o ver daquele jeito, eu estou cansada, totalmente exausta de hospitais, não significa que eu não me importei ou não o quero ver, contudo no momento eu não quero, não quero ter que o olhar — gaguejei, deixando me tomar por um aperto no peito.

— Não é pior ficar tendo que lutar sozinha para superar isso ? — Gabbe manteve a voz baixa.

— Lá vamos nos novamente — abruptamente fiquei furiosa.

Noto que ela estava prestes a discutir, mas deixou para lá.

— Só pense nisso — disse, encerrando a conversa, deixando que eu terminasse de me arrumar.

Mesmo incomodada com Gabbe novamente encima de uma moto acabo por aceitar sua carona até o serviço, onde eu via Seven do lado de fora fumando um cigarro á medida que Jhon e Stu se empurravam para dentro do local. Me despeço de Gabbe e sigo até eles sem pressa e encosto no muro onde Seven se encontrava e ela me oferece o cigarro que nego, era cedo demais para aquilo, assim sendo aguardo eles abrirem a loja para entrar e já ir ao vestiário me trocar e seguir para onde precisava ir.

— Por que esse bico ? — questiona, ao se sentar no banco a frente do balcão.

— Eu não queria vir trabalhar — suspiro, endireitando o corpo sobre o balcão e a fito me observar.

— Um problema que sofro todos os dias — ri e apoia as mãos no balcão para deitar sua cabeça — as coisas entre vocês melhoraram — diz agora se referindo a Gabbe.

— Estamos bem, porém quase não temos tido algum tempo juntas, ela passa boa parte do tempo em treinos, ou em reuniões da equipe ou até mesmo com a doutora Ramirez, que nunca a dá alta — murmuro incomodada com isso por uma causa birrenta admito.

— Isso é ciúmes da sua preciosa Gabrielle ? — zomba, me cutucando e desvio dela.

— Não ! — protesto, me movendo.

— Claro que não, uma doutora bonitona o dia inteiro com sua Barbie piloto — implica, me seguindo só para me irritar.

— A gente pode não conversar sobre meus sentimentos por Gabbe ? — pergunto, agora me aproximando do balcão para que nenhum dos garotos ouvissem.

— Então está admitindo que eles existem — aponta e bufo em frustração com ela rindo, mas não foi um riso alegre ao que parecia.

— Eu desisto de você — anuncio entrando na cozinha a deixando para trás.

 

( … ) 

 

Com o rodo em mãos puxo toda a água para fora da lanchonete vendo os pisos brilhando com o sol da manhã refletindo sobre eles, pego um pano dentro do balde e o posiciono para começar a enxugar a espuma do local por conta da quantidade de sabão que Jhon e Stu jogaram no chão para ficar brincando de deslizar pelo salão como dois bobões que eram. Seven estava no outro lado do salão fazendo o mesmo que eu, entretanto esfregando o chão com uma vassoura, olho para os garotos se divertindo nas mesas dos fundos e penso em continuar ali com minha tarefa, nada obstante acabo por usar a espuma para chegar até Seven.

— Esse é o espírito ! — grita Stu, do outro lado, quando me vê e eu levanto o polegar ao mesmo.

— Ok, pode ser que existam sentimentos — sussurro brava por ter de admitir isso e vejo seu sorriso de desdém ao me olhar.

— E como você se sente em relação a esses possíveis sentimentos ? — sua pergunta era retórica.

— A gente se dá bem — digo, ela revira os olhos — o que ? — questiono, preocupada com seu ato.

— Vocês convivem em harmonia já que moram na mesma casa ao que você indica, já são amigas e conhecem a outra bem — diz tranquilamente dando a volta no meu corpo.

— Sim, pois nossa convivência reflete como me sinto — concordo e ela se vira bruscamente.

— Não ! — brande seriamente — convivência é só um passo, o que interessa é como vocês estão, digo como o que sente reflete sobre ambas, ela sente o mesmo, ela demostrar que está mesmo ali para você, você deixar claro que sente e mesmo assim ela não recua — o tom abrupto dela me assusta, sem se importar ao que parecia por usar esses termos.

— Intenso — digo, refletindo sobre isso. 

— Você não contou para ela ? — pergunta surpresa,  desvio o olhar.

— Holly, vocês moram juntas — lembra-me, sem ânimo e parte da sua expressão cansada acaba por se perder na careta que faz.

— Somos amigas que moram juntas — dou de ombros olhando para meu relógio no pulso, como se saber as horas naquele momento fosse mais importante que a olhar nos olhos.

— Isso é o que você pensa ou ela ? — pergunta-me, ansiosamente, me puxando para perto quase me fazendo deslizar e perder o controle.

— Somos amigas, não há necessidade de evolução disso — me levanto com apoio da mesa, com cuidado para não escorregar, dou o primeiro passo no piso escorregadio. 

— Me diga Holly, você sempre costuma ser confusa em relação a seus sentimentos assim ? — Seven me acompanhou lado a lado usando seus movimentos comuns evidentemente nem um pouco preocupada com a possibilidade de queda.

Paro repentinamente alongando meu pescoço e cuidadosamente me viro para a pegar invadindo minha mente com aquele seu olhar tão acusatório que talvez eu estivesse prestes a dizer algo que nem eu mesma sabia que podia admitir caso continuasse a deixando corromper minha mente. Ela só queria me ajudar, no entanto me questionar não ajudava nada, me incomodava até alguém o tempo inteiro apontando o dedo para mim querendo que eu tome partido de algo. Sobre essa pressão acabo me virando para deixar a mesma, por fim retorno para a entrada recolhendo o rodo dali para seguir com minha tarefa.

 

( … ) 

Uma hora depois

 

Aquele vidro estava me irritando, quanto mais álcool usava e mais passava o pano parecia que mais fiapos de pano grudavam na vidraça a embaçando assim acabando com o meu esforço de o manter limpa. Sem outro jeito de escapar daquilo resolvo usar jornal para isso, mas eu não sabia onde estavam os jornais antigos que recebíamos pelo correio — Bob só lia a coluna dos esportes e jogava o resto fora — sento no rodapé da janela e olho para dentro da lanchonete conseguindo ver os mesmos próximos a entrada para a dispensa e me coloco em pé sacudindo o avental todo grudento de sabão, álcool e sujeira ao mesmo tempo e entro no mesmo indo até ali para os pegar pendurados encima de uma caixa de latas fechadas e com esse simples movimento, tenho a visão direcionada para dentro da mesma, onde ouvi barulho de escada arrastando e vou até ali encontrando Seven organizando os suprimentos com seus fones de ouvido no tempo em que replicava a música que cantava perfeitamente e agradeço por ela ter um talento e tanto, uma vez que era agradável a ouvir invés dos gritos desafinados de ovelha com dor de Stu quando começava qualquer música do Queen no Jukebox.

Paro em pé ao lado da porta e passo a observa-la jogar o cabelo de um lado paro o outro, mover a cabeça para frente e para trás e imitar o movimento de um guitarrista com sua guitarra invisível e aumentar a voz quando chegou ao que parecia a melhor parte da música. Eu acabo rindo a vendo tão distraída com as latas usando algumas como microfone, e me viro para sair para pegar os jornais, no entanto, de forma instantânea, a questão anterior me veio a tona, assim entro no lugar e toco seu coturno para ela olhar para baixo e me ver acenando para que tire os fones de ouvido.

— Talvez eu não queira só amizade — digo soando mais nervosa do que imaginava, mas decidi continuar como se estivesse tudo bem, como eu estava ocupada aguardo ela me dar atenção.

— E como você chegou a essa conclusão ? — Seven desce dois degraus apoiando uma mão na prateleira com suas tatuagens ressaltando as cores, pela iluminação direta da lâmpada, que se encontrava exatamente acima de seu braço.

— Eu disse que talvez não estou assumindo que quero algo com ela dessa forma, assim como não estou dizendo que não existe a possibilidade — profano soando como uma metralhadora de palavras.

— O…k…. — soa confusa e agora desce totalmente da escada parando bem na minha frente e me olha nos olhos sem quebrar nosso contato — você poderia não confundir minha cabeça a essas horas da manhã ? — Seven praticamente suspirou em confusão e deu dois passos para trás voltando o olhar para as prateleiras.

— Gabbe é linda, quer dizer não é isso o que eu queria dizer — murmuro, nervosa com sua atenção voltada a mim —  não estou dizendo que ela me atraiu porque é bonita, porque há coisas mais importantes que beleza, tipo inteligência, a mente tem que ser bonita também… — solto de uma vez e pela velocidade que acabei de usar talvez ela não tivesse conseguido ouvir, rezei por isso.

— Você sente atração por ela, é o que você quis dizer — me corrige, arrastando a escada para o outro lado.

—  Sim ?! — solto baixo, me sentindo sem ar de repente.

— Já é um indício — garante ironicamente subindo de volta.

— Um indício que eu gosto dela ? — pergunto, ela joga a cabeça para trás revirando os olhos como se fosse um fato óbvio.

— Você devia a conhecer melhor para saber se de fato gosta dela — sugere, sem ânimo, alcançando algumas latas ao topo as transferindo para a prateleira de baixo.

— Se é que eu goste dela, claro que gosto como amiga, Gabrielle é minha amiga, e eu gosto dela e somente isso que está acontecendo — esbanjo parando ao lado da escada — a culpa disso é sua ! — brando e ela gira a cabeça na minha direção numa cena digna do exorcista.

— Por que a culpa seria minha ? — questiona, pulando da escada e antes que eu diga algo mais, Seven está bem na minha frente com o corpo a centímetros de distância de mim. Em contra partida eu me encontrava estática aterrorizada com a possibilidade de que qualquer movimento brusco fizesse nossa distância diminuir. 

— Você que está colocando essas coisas na minha cabeça, desde que conversamos sobre você e TJ, agora eu não consigo pensar em mais nada a não ser em beijar minhas amigas — pressiono, vendo suas sobrancelhas arquearem e seu corpo avançar a fazendo ficar agora literalmente cara a cara comigo.

— Então você está com vontade de me beijar ? — pergunta, me encolho vendo sua expressão sombria, e por alguma razão completamente diferente do que eu esperava para aquele momento eu estava em pânico, tanto pela sua pergunta, quanto sua boca a centímetros da minha.

— Psicologia reversa. — sugiro, ela abriu um breve sorriso, contra sua vontade, depois ficou séria novamente. Com aquela expressão desafiadora vêm a aproximação e sigo sem poder sequer a deter, sinto seu hálito de cereja e nicotina numa mistura de fragrâncias perigosas para mim, assim ela pressiona os lábios com delicadeza contra meu rosto e espera minha reação como era sua intenção, sem dúvida.

— Você não pensa em beijar suas amigas, uma delas somente — sussurra, com lábios ainda pressionando minha bochecha e quando se afasta minha respiração parece engrenar novamente.

— Eu odeio você — digo, com bochechas queimando, girando o corpo me deslocando a saída, onde busco os jornais e jogo embaixo das braços deixando me distanciar daquele ser tão perigoso.

 

( … )

 

— Holly — chama John, me viro para o mesmo que me atira um pano úmido e agradeço com um sorriso.

Com minhas costas já reclamando como seu eu tivesse setenta anos me sento no banco em frente a mesa e dali mesmo começo a limpar com ajuda do pano e álcool. No começo foi fácil, mas tive que levantar quando passei a não alcançar o outro lado, dou a volta na mesa concluindo aquela ali passando para a próxima quando noto Seven passar por mim e seguir para a mesa seguinte, não havíamos nos falado depois da dispensa e nem nos olhado, constrangida pelo que fez provavelmente ela me ignorava, e eu pouco a vontade com a situação da mesma forma. E tirando o fato de estar com a cabeça somente pensando nessas coisas o dia inteiro, teria conseguido concluir tudo sem dizer mais nada para a mesma, nada obstante era de fato incontrolável e eu queria compartilhar. 

Olho ao redor procurando pelos meninos, Stu e John deveriam estar na cozinha cuidando da limpeza de lá, assim estávamos Seven e eu sozinhas no salão. E parto em sua direção pulando umas duas mesas que deveria limpar para jogar o pano sobre a sua mesa a fazendo levantar de imediato o olhar para mim, sua reação não podia ser diferente de outra a não ser cruzar os braços e sentar no banco de couro me olhando com certa expectativa.

— Você está certa sobre tudo.

— E só demorou três horas vinte e seis minutos e dois segundos para você admitir isso — ironiza, com a cabeça tombada de lado.

— Eu sou pouco confusa — justifico e sua expressão muda novamente ficando gélida.

— Posso ser útil em que ? — pergunta, numa voz indiferente, jogando o corpo para trás.

— Sobre eu ter sentimentos por Gabbe, mais fortes que eu imagine talvez, somos próximas e ao mesmo tempo somos tão distantes — me encolhi com sua hostilidade.

— Como isso ? — Seven franzindo a testa me olha.

— É bizarro, mas eu sei coisas sobre ela e ela sobre mim ao mesmo tempo que parece que não sei nada sobre ela — explico naturalmente.

— E o que você define que é necessário para se saber ? 

— O que quero dizer é que, ela me conhece bem, se preocupa comigo e está sempre me ajudando, pois sabe tudo sobre mim e meu pai, amigos, etc. — digo refletindo sobre.

— E o que sabe sobre ela ? — levanta a questão suavizando um pouco sua expressão, e com isso reflito sobre se em algum momento eu cheguei a pensar sobre.

— Gabbe é alérgica a amendoim como eu, não dorme sem meia, não têm tanto humor para piadas como o resto de nós, odeia azeitona, é mais velha que Nastya e eu, têm mania de escrever coisas em post-its talvez por não se lembrar de algo — reflito e aperto meus olhos tentando me concentrar em me lembrar de outras coisas fora manias e gostos particulares.

— Ok vamos tentar assim, o que você sabe sobre Gabrielle a pessoa, o que conhece dela de caráter pessoal de pessoalidade ao todo ? — sugere apoiando o rosto sobre os cotovelos, como se fosse dormir ali mesmo.

— Ela é minha amiga, assim como de Nastya e Jack, ela é corredora da Red Bull, estava presente no enterro de… — me interrompo pensando o quão improvável era aquilo — enfim, ela é de Washington, é honesta, justa e solidária, comprometida com os treinos eu vejo o quanto se dedica, também disciplinada — pauso olhando para minhas mãos aleatória e volto a subir o olhar para Seven que me ouvia atentamente.

— Você consegue me dizer se ela é hétero ? Digo ela deve contar sobre seus relacionamentos passados ou dar algum indício de interesse por um tipo específico não ? — aponta e nego.

— Na verdade não, acho que nunca conversamos sobre isso antes — noto, me sentindo abismada com isso de repente — não mesmo, Gabbe nunca me contou nada sobre relacionamentos, nem se quer conversamos sobre isso, e se Jack ou Nastya sim? Posso perguntar para eles depois — digo por fim.

— Portanto a orientação sexual dela é desconhecida — murmura colocando as mãos dentro do bolso do avental — agora vamos a outra questão, como é o relacionamento dela com a família ? — questiona e dessa vez eu paro surpreendentemente chocada — vocês conversam sobre família não? Ela sabe tudo sobre você — argumenta secamente e só concordo jogando o corpo para trás.

— Mas eu não sei nada sobre a sua — admito, incomodada com isso — quer dizer nunca conversamos sobre e agora eu estou me questionando o porquê nunca de o fazermos — sibilo e antes que ela diga algo, completo — eu falo o tempo inteiro sobre mim, isso é tão egoísta — esbanjo, agora me sentindo mal de verdade por nunca ter notado isso.

— Por isso acha que não sabe nada sobre ela ? — questiona pressionando as têmporas, com punhos fechados.

— Agora sei que realmente não sei — suspiro, percebendo como eu era uma péssima amiga.

— Então é isso — Seven me olha com uma descrença meio esperançosa e me nego a olha-la novamente.

Seven por alguma razão decide não me perguntar mais nada, estava aparentemente tranquila, entretanto por de trás de sua expressão neutra tinha mente trabalhando distante dali, sabia disso por ter experiência de a pegar pensando longe dali quando estava fumando sozinha ou apenas tempo demais encarando o vazio.

— O que você acha disso ? — curiosa como sou eu precisa de sua opinião, precisava saber o que ela acha disso tudo e ela não ter dito antes me deixava mais curiosa ainda.

— Você está dormindo com uma serial killer — inclina a cabeça e me olha com atenção.

— O que ? Gabrielle não é uma assassina ! — disse, de imediato.

— O que indica você não sabe, está vivendo sobre o mesmo teto com uma pessoa que não conhece — ela fez um som de repulsa e continuou — parabéns você não sabe nada sobre ela — diz, num tom de voz irônico.

— Nada é muita coisa, eu conheço ela, mas não tão profundamente — segui com cautela e a olho vendo um brilho gélido nos olhos castanhos, não pareceu satisfeita com isso.

— Boa sorte — diz, com uma expressão sombria e se coloca em pé e sai sem nada mais dizer.

Fico imóvel no mesmo lugar apenas tentando interpretar sua reação, talvez ela me achasse doida por colocar qualquer pessoa para dormir às vezes comigo, até entendia seu ponto de vista quando ela não sabia que Gabbe não era totalmente uma desconhecida, tínhamos amigos em comum, ela era mundialmente conhecida como a piloto mais jovem na sua categoria, tínhamos passado muito tempo juntas durante minhas férias em Carson e foi isso que nos aproximou. Seven tinha razão em me achar uma completa idiota mesmo que não disse nada em relação a isto, porém eu conhecia Gabbe, sabia que ela nunca me machucaria, pois eu sentia isso no fundo da sua alma e toda vez que a olhava nos olhos.

Ao mesmo que eu acreditava que a conhecia, passei pelo processo de avaliação do termo conhecer, afinal não conhecia sua vida pessoal de fato, não sabia se tinha um relacionamento, se vivia com seus pais ainda, quais eram seus medos, pelo que lutava, ou qual era seu propósito nessa vida e isso me incomodava realmente, convivo com ela por meses e nunca se quer ao ouvir falar de um caso passado, ela nunca compartilhou nada comigo, era como ter um oco ali. Gabbe sabia tudo sobre mim e eu podia continuar contando que ela ouviria atentamente, me ajudaria, me daria apoio, mas eu não me sentia confortável quando pensava se algum dia eu a ajudaria de alguma forma, visto que tudo que se referia a ela parecia um grande ponto de interrogação, essa sensação de vazio precisava sair de mim, uma vez que a culpa também pairava sobre mim, como eu que sempre a tive para me ouvi, nunca se quer me dei o trabalho de perguntar sobre ela, sobre sua vida fora de Los Angeles, determinada a fazer diferença decido que me aprofundaria mais na alma daquela garota, iria muito além do que qualquer pessoa já foi.

 

( … )

 

Coloco a bolsa sobre o ombro e vou até a porta tocando a campainha, aguardo ser atendida, contudo não fico muito tempo ali vendo movimento do outro lado porta e me preparado para avançar no seu corpo espero as trancas serem destravadas até ela se abrir totalmente e pulo no seu colo possivelmente a surpreendendo pelo ato. Mas parece pouco se importar me arrastando junto consigo para dentro e me coloca tranquilamente no sofá.

— Você esqueceu sua chave novamente ? — questiona risonha.

— Só essa — aponto para a mesma que se encontrava encima da mesa de centro.

— Sorte sua que eu vim pegar minhas roupas — diz normalmente, sentando no local ao meu lado fazendo o mesmo afundar levemente.

— Falando nisso, você já sabe que dia irá embora ? — pergunto sobre a grande possibilidade de não gostar do que ouviria.

— Nada certo, eu ainda tenho um tempo para recuperação física, como meus personais estão todos aqui, não estou muito preocupada em relação a isso — explica calmante, deitando agora com a cabeça no meu ombro.

E mentalmente eu me questiono se ela não tinha preocupações além dessa com a equipe, mais precisamente se não havia ninguém esperando por ela em qualquer lugar que fosse do planeta, era estranho pensar que Gabbe não tinha ninguém além de Jack, Nastya, Lolla e eu, por isso essa pergunta ficava pairando sobre minha cabeça, como um teclado batendo na mesma tecla incansavelmente, até penso em fazê-la, contudo não iria por achar que seria evasiva e chamaria a atração para mim já que nunca sequer mencionei essa curiosidade e de repente estou a questionando, ela iria desconfiar de algo. 

— Talvez queira aproveitar sua recuperação em outro lugar, você já cuidou de mim muito bem — digo prontamente esperando para checar suas feições.

— Não estou por obrigação, eu gosto de ficar aqui com você — retruca estreitando os olhos — a não ser que eu esteja te incomodando e você queira seu espaço… — sugere, movendo o corpo desconfortavelmente.

— Não ! — digo, de imediato, talvez imediatamente demais — eu gosto de sua companhia, de você aqui, o que eu quis dizer que talvez eu esteja tomando a atenção que deveria estar sendo gasta com outra pessoa — explico dando o melhor de mim para não evidenciar meu jogo verde.

— Não está — diz, sem colocar qualquer traço de emoção no rosto ou voz e concordo ficando quieta agora tentando me fazer entender que não preciso mais perguntar nada, mas a forma seca de Gabbe que nem deixar brechas de sugestão no ar me incomoda.

— Sua família não se incomoda de estar aqui invés de com eles ? — pergunto, não contendo minha curiosidade, e Gabbe por sua vez novamente se mostra incrivelmente indiferente a minha pergunta.

— Eu participo de torneios internacionais desde meus oito anos de idade, posso ser considerada uma nômade que não para quieta em canto algum, logo eu ausente não é uma novidade — argumenta num grau de suavidade que imaginei ser humanamente impossível se tratando da família, e segue sem dar indício algum de nada que lhe envolvesse família.

— Nastya e Jack são pilotos também, e Nastya sempre notifica sua família a cada nova cidade, a mãe de Jack sempre o faz ligar a noite para ele a contar como foi seu dia — coloco o exemplo a tona e aguardo sua reação que novamente me pega de surpresa, a indiferença.

— Nastya vive em uma bola de hamster, pois latinos são mais apegados a família e a distância os incomoda, e Jack têm essa coisa de pais asiáticos que são bem rigorosos quanto a desempenho em absolutamente em tudo o que faz, eles ligarem para quererem relatórios nem surpreende — dá de ombros e nesse momento meu consciente pede para eu não insistir.

— Tenho que voltar — anuncio, me colocando em pé.

— Precisa de carona ? 

— Não, eu vou andando ! —  brando irritada, pegando as chaves e sigo em direção a porta.

— Têm certeza ? — questiona, me seguindo e só concordo saindo o mais rápido que posso a deixando ali.

 

( … )

 

Historicamente quando eu estava com algo em mente e nada me fazia parar de pensar sobre eu recorria a alguém para me ajudar a perceber que não estava louca por isso, numericamente eu poderia ter ligado para Taylor, que havia me ouvido um bom tempo enquanto estávamos sem flertar, era ótima com conselhos, mas ao ponto de ter ocorrido o que ocorreu conosco acho que para conselhos amorosos eu deveria evitar de o fazer, ainda existindo a circunstância de nós duas não termos conversado sobre tudo isso. Logo me recorreria aos pilotos, ambos em um campeonato importante mundo afora sem tempo para respirar somente focar em seus treinos, fora de questão, teria Lola, que embora fosse uma boa ouvinte era péssima conselheira e quando se tratava de coisas assim preferia a maturidade ao invés da juventude extasiada, com isso eu tinha Hilary.

Hilary era um caso completamente a parte, deveria ser ela o primeiro lugar de tudo a quem eu pudesse confiar todos meus segredos e inseguranças, ela deveria me apoiar e me colocar na linha. Só que por alguma razão ela passou a ser quase ausente em minha vida, não tinha mais suas ligações diárias, suas visitas de emergência, ou se quer sua presença quando precisava, isso se dava por causa de seu romance com um garoto extremamente machista e territorialista que estava influenciando em sua vida de modo negativo, eu já havia lhe dado conselhos, já havia lhe dito o que pensava sobre o mesmo e mesmo assim parecia que ela se encontrava cega, só sendo guiada pela voz dele, isso incomodava, minha melhor amiga era independente, alegre, segura de si, não precisava de homem algum para lhe acrescentar nada, entretanto ao meu ver agora parecia, estava diferente de como era, até mesmo coisas estúpidas como roupas ou maquiagem. 

A vendo nessa situação eu não podia ficar de braços cruzados enquanto minha melhor amiga estava se tornando manipulável, o que mais irritava era que o garoto percebia que tanto família como amigos a impediam de vê-lo como ela enxergava, ao contrário disso tentávamos abrir seus olhos, e ele parecia se irritar e conseguir de alguma maneira a distanciar ainda mais de nós. Eu deveria não a deixar de maneira alguma e ficar de olho em cada passo do mesmo, mas ela se tornava fria comigo, distante e estranhamente agressiva por isso, evitando conflitos e rezando para que alguma hora ela percebesse eu a deixei cuidar da sua própria vida, com isso a minha falta de procura a fez também parar de querer me procurar, visto que faziam semanas se não meses que não nos víamos, insano. 

Com todas minhas opções fora de questão eu estava quase parando um estranho na rua para perguntar o que ele achava pelo nível de desespero que sentia. O restante de sanidade que me restava eu decidi que não iria comentar o fato com ninguém, apenas esperaria a oportunidade perfeita de conversar com alguém. Mesmo que isso significasse morrer internamente sempre que pensava a respeito.

— Por que eu não gosto quando você está quieta assim ? — pergunta, Seven sobre os ombros.

— Porque eu não presto atenção no que diz e você acaba por falar sozinha — explico, assim ela acaba concordando.

— Vamos de razões, que tal começar a me dizer o motivo dessa mente tão distante do planeta terra ? — sugere, entregando o café que terminará de retirar da máquina e entrega a um cliente que aguardava.

— Não nada, só pensando — dou de ombros tentando parecer indiferente.

— Tudo bem — concorda, notavelmente compreensiva. Prestando atenção nos clientes e tomando todo o cuidado do mundo com cada mínimo pedido, aquilo me obriga a questionar.

— E você ? 

— Eu o que ?

Ela entrega outro café e se vira para mim me fitando neutra.

— Está com um ar diferente — sacudo as mãos ao redor dela como se estivesse manipulando-a magicamente.

— Estou normal — diz simplesmente.

Desde a última vez que seu emprego correu riscos ela deve ter se tornado a pessoa mais responsável do mundo, foi a primeira desculpa que me veio a mente para seu ânimo estar assim tão impecável. Obstinada a me contentar com apenas metade dos diálogos interrompo a linha de raciocínio que seguiria para não insistir naquele e a fito dando de ombros, ao menos Bob não a deixaria na forca novamente.

— A pensativa aqui continua sendo você — cantarola, deslizando para meu lado a fim de imitar a posição a qual me encontrava que era uma semi inclinação no balcão com os pés cruzados um dando apoio para o outro e cotovelos apoiados sobre o mesmo — deixa eu advinha, o que quer esteja pensando têm relação com a Barbie piloto — pigarreia deixando que os punhos fechados ali repousados.

— Não — ofeguei, com as mãos sobre o rosto — não totalmente — admito e mesmo sem a olhar podia ter o deslumbre dos olhos revirando.

— Sobre o que exatamente pensa ? — indaga, antes que eu cuspa tudo de uma vez me interrompo apenas tentando refletir antes de dizer qualquer coisa que não devia.

— Como uma pessoa se relaciona com outras, digo como descobrimos que alguém gosta de nós ou descobrirmos sua… 

— Orientação sexual — me interrompe, voltando a ficar em pé — você ainda não descobriu ou a perguntou ? — Seven diz com um pingo de preocupação na voz.

— Não quero ser tão direta, ou tão intrometida — explico, esperando que ela pudesse me entender.

— Você não está sendo intrometida quando a pessoa não lhe confiou a informação. O único modo de saber se não quer perguntar diretamente é observando, por isso veja como ela se porta em ambientes com potencial flerte para acompanhar — sugere bravamente e aquilo cria uma chama em meu coração trazendo um tipo de emoção estranha.

— Gabbe não frequenta esses tipos de lugares — lembro, e imediatamente me perco nos pensamentos.

Seven me lança um olhar tão sutil quanto Stu disfarçando quando era pego a olhando. Com isso ela deixa de me dar atenção se afastando de mim, e sem mais a fito desse modo até querendo saber o que ela estava pensando, mas resolvo não insistir no assunto, pois lembrava da última vez que Seven não parecia muito interessada em conversar sobre Gabbe.

— Como vão os ensaios da sua banda ? — mudo de assunto a fim de não perder sua atenção e o modo que ela surpresa me olha tenho certeza que estava agora falando algo de seu interesse.

— Essa semana tivemos dois, acho que deveriam ter ocorrido mais, não sinto que os garotos estejam tão afinados assim — acusou, visivelmente furiosa com aquilo.

— Por que isso, há algum show chegando em breve ? — pergunto, sendo verdadeiro meu interesse.

— Sexta-feira.

— Faltam dois dias — digo e ela me lança um olhar explicativo que eu consigo entender. Assim ela volta a suas tarefas em silêncio profundo, ela estava pensando, era óbvio quando eu via seus olhos bronze estavam focados em algo distante dali.

— Eu estava apenas pensando… — se interrompe abruptamente como se na metade do caminho tivesse se arrependido de prosseguir.

— Estava pensando… — a incentivo a continuar uma vez que curiosa e seus olhos voltam a viajar distante dali enquanto encarava o vazio entre mim e a parede atrás de mim possivelmente, quando os mesmos voltam a este ambiente está franzindo a testa.

— Você poderia ir me ver tocar a primeira vez, digo intencionalmente dessa vez, como um convite — expressa movendo o corpo para frente e para trás e se não conhecessem bem eu diria que estava com vontade de ir ao banheiro, porém conhecendo sabia que ela se encontrava desconfortável.

— Sim ! — nem penso e seus olhos se voltam para mim iluminados por um brilho diferente.

— Sim ? — pergunta ainda não muito convencida aparentemente.

— Sim, eu adoraria te ver cantando — digo sinceramente e seu rosto automaticamente se desenha um sorriso largo em sua boca.

— Ótimo, eu vou te passar o endereço e horário — assegura timidamente.

— Ótimo ! — concordo a vendo sorrir ainda enquanto atende um chamado de um cliente e aquilo deixa meu coração batendo mais rápido talvez pela ansiedade ou até mesmo expectativa.

( … )

 

Esses dois dias demoraram uma eternidade para passar e era visível o quanto começava a ser mais que um evento qualquer quando Seven não conseguia parar de falar sobre ele, nem para mim, nem para os garotos e nem mesmo para os clientes, ela distribuía o papel do evento para todos e quando estava no seu intervalo saia para fora e distribuía na porta. Sua animação era contagiante uma vez que eu e os garotos começávamos a querer divulgar tanto quanto ela e a vendo sorrir daquele modo tão sincero e inocente só me fez a querer ajudar mais ainda. 

Sinceridade, eu não esperava estar tão nervosa com isso, quando chegou quinta-feira eu já estava tão elétrica quanto o possível. E quando finalmente chegou sexta eu devo ter tido uns dez ataques de ansiedade, eu mal podia esperar para ir nesse show, uma vez que eu havia ido em um sem querer com Sky a um tempo atrás, comprovei que a garota cantava bem, e que sua banda era boa de fato que fizesse eu querer os patrocinar para um CD exclusivo. No entanto algo além disso estava me agitando, era uma expectativa diferente, que eu não sabia a origem, mas sentia o estômago com borboletas e unicórnios brigando entre si.

Depois de trocar de roupa pela milésima vez consecutiva me olho no espelho e avalio se estava de acordo com o que a noite pedia, era um show punk, com várias bandas de rock para assistir, porém uma só me importava, e o que vestir parecia tão importante quanto, o que Seven esperava de mim podia ser melhor que as roupas que escolhi, a razão de eu estar de repente tão interessada em me deixar apresentável para ela me fez ficar pouco confusa comigo mesma, criando expectativas de forma descontrolada me movo novamente para a cama a fim de colocar o último look que havia montado e assim me troco indo novamente para frente do espelho. Regata cavada de banda, um jeans negro com vários furos, dobrado perfeitamente na região da canela, Vans old school negros e um chapéu que eu tinha que nem lembrava da existência parecia o suficiente, eu não queria ser o que não era, por isso ser eu mesma acabou por ser a melhor das hipóteses.

Uma vez que devidamente pronta, pego somente o  necessário para aquela data e sigo descendo a enorme escada da mansão digitando para o restante do grupo que estava saindo agora daqui. Depois de ativar o sistema de segurança da casa no grande painel de controle saio finalmente para aguardar o táxi que chamei. Sky morava a beira mar de uma grande avenida o movimento era grande final de ano e fins de semana, porém durante a semana era comum um carro ou outro trafegar por ali, não tinha perigo a propósito, ainda acompanhando o deslocamento do táxi, escuto o ronco de um motor ao horizonte, acompanho o olhar pela avenida ao longe vendo uma moto que iria passar por aqui, sem nenhuma surpresa seu piloto para enfrente a mansão me encarando.

— Está de saída ? — pergunta abrindo a viseira do capacete.

— Vou a um show — digo, me aproximando do piloto que usava jaquetas dessas próprias para motos — o que faz por aqui ? — pergunto não deixando de me importar com aquilo.

— Vim checar como estava, mas estou vendo que está ótima — zomba, com um leve vestígio de ironia que não sei de onde surgiu — vai a outra festa ? — prossegue retirando o capacete e seus cabelos caiem sobre o torço me oferecendo a visão mais bela que virá.

— Alguns amigos e eu estamos indo a um show ao vivo, algumas bandas se apresentarão… — digo retirando o panfleto de meu bolso para a mostrar e analiso suas feições enquanto o lê.

— Seven lidera uma dessas bandas não?! — diz, sem qualquer traço de emoção na voz e a olho curiosa quanto a isso.

— Sim, Stu e Jhon estarão presentes também, vamos a apoiar — justifico rapidamente e me pergunto o porquê de ter de me justificar com ela.

— Entendo — me encara — não vou atrapalhar sua noite, bom divertimento — diz colocando novamente o capacete e a observo religar a moto esperando que ela simplesmente saísse com a moto, no entantoacabo por não suportar a ideia de tê-la longe.

— Você pode vir comigo — digo, abruptamente e quase como escuto ela inspirar o ar e o soltar lentamente por dentro de capacete, com a viseira espelhada, que ela torna a levantar.

— Eu não…

— Vamos ! — solto agora indo até ela e pouso minhas mãos nas chaves da mesma as desligando sobre seu olhar atento — uma noite de música e tranquilidade — insisto quando seu silêncio se mantém por muito tempo.

— Não tenho clima para festejar, você também não e…

— Não estou comemorando nada, ao contrário disso, estou buscando me manter em paz enquanto o mundo desmorona ao meu redor. Se quiser ficar em casa se lamentando com o que quer que seja a situação ruim que está lhe acontecendo vá em frente, eu ao menos tentarei me sentir viva e feliz ao menos por uma noite antes de voltar a melancolia — garanto a olhando duramente nos olhos e se faz silêncio. 

Tão silencioso que eu ouvia as ondas do mar quebrando contra as rochas a alguns quilómetros de distância de mim e ao perceber que a mesma não esboçava a mínima reação possível me afasto voltando para meu celular onde algumas novas mensagens chegavam para mim, assim escuto novamente a moto sendo religada e sigo meu olhar para a mesma.

— Te encontro lá — diz e sai com a moto sem mais nem menos, isso me frusta, contudo não me impede de sorrir, ela mudaria de opinião quando chegasse lá.

 

( … )

 

Pago o táxi e olho pelo vidro o que parecia ser uma fila de espera para entrar no local, não deixo de sorrir, pois a casa cheia era um ótimo sinal. Nervosa comigo mesma sem razão alguma me afasto do carro e tomo meu lugar a fila vendo grupos de jovens cheios de piercings e tatuagens em conversas paralelas, alguns mais jovens outros mais velho, porém nada de diferença quanto a estilo. Alguns com cabelos gigantes coloridos, calças xadrez extravagantes, coturnos e outras coisas, me sinto até fora do padrão comparada a eles e sigo acompanhando o movimento lento da fila.

A casa de show parecia um bar comum, ficava em uma avenida conhecida de Los Angeles onde ainda existiam mais casas noturnas como essas e pubs, possuía esta dois andares — por ter uma varanda aberta onde se via alguns fumantes soltando suas fumaças no ar, assim como conversas animadas, alguns cantando música indistinguíveis e alguns deles conversando com outros que se encontravam na fila —. Sua entrada era simples, com um muro todo negro de tijolos até duas portas de vidro unilaterais, um muro lateral com o nome do lugar iluminado por uma placa imensa de néon, ao canto das paredes havia plantas em uma espécie de mureta construída da calçada e acompanhava todo o percurso até a pequena rampa que dava acesso as portas de vidro onde alguns seguranças conferiam a identidade de cada pessoa.

Minhas mãos ficam presas aos corrimões negros enquanto subia a rampa batendo meu anel no mesmo fazendo um som estridente que não se comparava ao som que vinha de dentro do lugar, como guitarra e baterias soando um pouco distantes dali pela impressão que dava ao serem abafados pelas paredes. Me concentro um pouco em encarar as pessoas ao redor, se esvaziasse a mente certamente que começaria a sofrer com a ansiedade novamente, ela sendo tão notável agora quando percebi que eu já estava no local.

— Licença. Estou passando. Desculpa. Não pega na minha bunda — escuto alguém gritar enquanto um buraco se abria na fila — achei você — diz correndo para me apertar contra seu corpo e antes que eu consiga dizer ou fazer algo estou sendo puxada para atravessar o mar de gente na fila vendo alguns olhares para nos e ignoro até o momento que o segurança pede minha identidade e o entrego para ele me liberar até Seven que me aguardava do outro lado.

— Hey você — digo agora sim podendo dar atenção a ela enquanto andávamos pelo corredor cheio de quadros de bandas e lendas do Rock.

— Eu não pensei que realmente veria você topando isso — admite se movendo na minha frente e meus olhos são direcionados ao que vestia naturalmente.

Não que eu fosse amante da moda ou especialista, contudo eu estava um tanto curiosa para saber o que Seven usaria, conhecendo seu estilo eu apostaria em algo tão solto e sutil quanto deveria ser. Ela usava um cropped negro naturalmente, um short na mesma cor, e uma cinta liga com meias 8/4 entre rasgos e partes totalmente perfeitas e usava uma botinha coturno com rebites. Ok, ela estava perfeita da maneira que ela devia estar, aquela roupa caiu tão bem em seu corpo que era ofensivo pensar que em algum lugar do planeta alguém ousou a imitar. Me pego a olhando se distanciar cada vez mais de mim pensando que eu gostava daquilo, de me identificar com seu estilo, não mais que isso, nos acharmos parecidas em várias coisas até.

— Limãozinho, desculpa ter de te deixar só, eu ainda tenho que afinar minha guitarra e conferir se os garotos fizeram o mesmo com seus instrumentos — diz rapidamente me tirando dos devaneios.

— Não tudo bem, eu vou achar um lugar para ficar — aceno, ela assentiu e saiu disparada para dentro. 

Movo meu corpo para a mesma direção que ela seguiu agora ouvindo que o som da música ficava mais alta, assim como vozes e sons de copos, corpos se movendo e essas coisas típicas de eventos que reuniam tantas pessoas. Olho ao redor e noto o palco logo de cara, não era gigante, contudo facilmente cabia uma banda com seus instrumentos todos, tinha a pista para alguns punks ficarem se batendo sem razão aparente, assim como mais para onde eu estava estavam as mesas, nada exagerado apenas mesas de madeira quadradas que comportavam pelo menos meia dúzia de pessoas. O ambiente estava iluminado o suficiente para quem estava comendo ou bebendo pudesse ver suas coisas sobre as mesmas, mas indo mais para o palco o ambiente se encontrava um pouco mais escuro com um leve toque de luz azul sobre o mesmo. Ao redor de mim mais quadros de artistas, atrás bem ao lado do corredor por qual vim possuíam um bar com seus barmans trabalhando a toda potência pelo número de pessoas ali os chamando. Dou alguns passos a frente descendo um degrau de um ambiente ao outro e a minha esquerda noto a escada que devia dar ao segundo andar, que a propósito parecia tão ou mais calmo quanto as áreas das mesas, era notavelmente o movimento lá, pois subiam e desciam gente de lá o tempo inteiro, assim terminando de conferir até mesmo o teto com o sistema de som, me viro agora seguindo em busca de algum lugar, que deveria ser impossível de se achar a essa altura do campeonato vendo que a casa estava cheia e pela fila que lembrava de lá de fora sabia que ainda não estava nada completa.

— Holly ! Aqui ! — chama alguém em meio ao som da banda que tocava lá embaixo no terceiro piso. Minha cabeça gira em busca de onde veio o som me deparando com Stu acenando freneticamente para mim.

— Vocês chegaram — digo indo me juntar aos dois na mesa que haviam pego quase como na ponta do piso que dividia a pista do palco.

— Stu me apressou para vir o mais rápido possível, ele não queria perder um bom lugar para contemplar Seven — zomba John fazendo o gorducho facilmente ser pintado na cor vermelha.

— Ele fez o certo, esse lugar vai encher — concordo me sentando ao seu lado e posso sentir que nesse momento ele estava petrificado.

— Quer beber algo Holly ? — pergunta ele sem me olhar diretamente e mesmo que não estivesse com sede, seria bom o deixar mais tranquilo se fosse o caso de querer cortar o constrangimento.

— Suco natural, qualquer sabor — digo sorrindo e ele se levanta rapidamente dando a volta na mesa e sumindo no meio das outras mesas.

— Ele estava tão nervoso com a possibilidade de você não vir — diz Stu o entregando e acabo por achar aquilo fofo e engraçado, nada obstante para não criar qualquer esperança falsa ao garoto me mantenho quieta me voltando ao palco.

— Essa é a primeira vez que vocês vão a ver cantar, juro que irão se apaixonar — comento inocentemente e posso nitidamente ouvir o suspiro de Stu, a princípio achei que ele estivesse batido o corpo e sentiu dor, para logo lembrar que ele tinha uma queda pela garota e deve ter pensando que eu disse aquilo para implicar com o mesmo.

— Não sei se vou gostar, eu canto muito melhor — usa do humor a fim de tentar disfarçar seu constrangimento.

— Certo — concordo deixando as palavras morrerem no ar.

 

( … )

 

— Finalmente chegamos — anuncia minha amiga trazendo consigo seu namorado e o irmão dele respectivamente.

— Pensei que não conseguiria achar uma babá a tempo — comento abrindo espaço para que eles se sentem conosco.

— Ligamos para um serviço de babás — menciona Travis e Josh concorda apenas acenando com a cabeça.

Enquanto se sentam observo os garotos observando nossa interação em silêncio e me pergunto se eles já se conheciam, tendo em nota que Stu e Jhon já haviam visto Mckenna outras vezes percebo que talvez não estivessem tão alheios ao encontro.

— Meninos estes são Travis e Josh, namorado e cunhado de Mckenna — aponto e os garotos se olham brevemente e fazem aquela coisa de homens de segurarem as mãos para colidir os ombros em forma de cumprimento.

— Essa casa de shows realmente é muito legal — comenta Josh olhando ao redor.

— Já pensou fazer um show aqui ? — pergunta, retoricamente Travis e seu irmão concorda com olhos ainda voando longe dali, assim me viro brevemente para Mckenna que observava a conversa com um sorriso de desdém.

Meus olhos voam pelo ambiente e reflexivamente perseguem o corpo que se move pelo espaço agora dividido e mesmo que sumisse ele tornava a aparecer brevemente e assim me coloco em pé a fim de ir atrás da mesma antes que ela se perdesse de vez em meio a multidão ou por ventura resolvesse ir embora. A persigo até o bar onde ela para se virando para o ambiente como se estivesse prestes a fazer a busca com o olhar e me coloco prontamente no seu campo de visão para que me visse.

— Veio mesmo — noto e ela responde com um balançar de cabeça — vamos meus amigos já estão todos sentados — digo, segurando sua mão para que pudéssemos nos deslocar em meio dos corpos todos ali presentes.

— Preciso começar a te levar mais a sério — sussurro próxima a seu ouvido.

— Precisa — concorda com o movimento de se virar — lugar agitado — observa e dou lhe um sorriso.

— Vamos, vou te levar até a mesa — chamo, prosseguindo de volta a mesa.

Chegando lá o clima parecia o mais animado possível, os garotos se juntaram a Travis e ao que parece se deram bem, Mckenna e Josh ficavam conferindo a interação por vezes trocando olhares que deveriam se comunicar. Gabbe cordial como sempre fez questão de cumprimentar membro a membro da mesa. Sento agora entre Travis e Stu, Gabbe a minha frente, do lado de Josh e Mckenna, assim John ao lado de Mckenna. Misturando tudo para que todos interagissem entre si.

— Hilary não veio ? — pergunta Mckenna de voltando para mim.

— Parece que tinha outros planos hoje com o namorado — murmuro, a fazendo concorda.

— Tentei trazer Lola, mas ao que parece sua mãe jamais a deixaria vir para um show punk — explica Gabbe tranquilamente.

— Não sabem o que estão perdendo — Josh diz e a mesa o olha.

— Tenho uma plateia afinal de contas — disse alguém surgindo atrás de mim e me viro recebendo uma leve pressão nos ombros de Seven e a dou um sorriso.

A figura punk olha ao redor e em algumas mesas ao lado cumprimentar seus conhecidos e para então em pé fazendo Stu ao lado de Mckenna começar a se tremer todo, Seven parece nem notar, seus olhos estavam presos em Gabbe que incentiva a mesma desviar o olhar tão rapidamente que mais uma vez o olhar de Gabbe comprova ser impossível de encarar.

— Você por aqui — diz Josh de imediato e os dois se olham como dois velhos amigos, observo Mckenna se ajeitando na cadeira desconfortavelmente.

— Vocês se conhecem ? — pergunta a mesma tentando soar o mais neutra possível quando sua voz levemente aguda a trai e a olho agradecida, pois sua pergunta era a minha.

— Nossas bandas, já tocamos em algumas casas em comum na mesma noite — Seven explica tranquila se sentando no lugar vazio ao meu lado já que Travis havia ido ao banheiro.

— Sim, dividimos o mesmo público, e agora está nessa casa de shows gigante — nota Josh ainda sobre olhar de sua namorada atenta aos mínimos detalhes.

— Se quiser depois eu lhe passo o contato do contratante, você e sua banda podem fazer shows aqui futuramente — oferece ela agora dando um olhar em torno da mesa até seus olhos pararem em Gabbe que até então assistia tudo em silêncio.

— Se ele continuasse com sua banda — Mckenna bufa chamando a atenção para si.

O garoto se move no banco e limpa a garganta antes de se volta a Seven que os olhava curiosa — Ela está viva se perguntou isso, só está em hiatus, todos nós temos trabalhado e tipo pouco tempo para a manter — explica desconfortável, meus olhos assim vão parar em Mckenna que tinha uma cara de indignação para o mesmo e passo a ficar um pouco mais curiosa que o normal com isso.

— Todos incluindo exclusivamente Joseph — retruca, de imediato cruzando os braços e sinto o mesmo suspirar profundamente antes de virar-se para ela.

— Erich tem tido pouco também — declara ele com olhos voltados ao palco a fim de a despistar.

— Erich não tinha deixado a banda porque quis se dedicar a outras coisas ? — questiona Seven e no mesmo instante Josh lhe lança um olhar assassino, meus olhos se voltam a Mckenna que agora tinha um sorriso não muito simpático ao meu ver para o garoto.

— Erich deixou a banda ?! — Mckenna vira seu corpo na direção de Josh que mantinha uma cara de culpa.

— Nervosa para a apresentação ? — pergunta Stu a garota quebrando imediatamente o clima e nos viramos para a mesma.

— Por favor não me lembre disso, eu preciso beber, estou literalmente com neurónios queimando — diz ela de forma que me faz rir e ela gesticula para o bar saindo e a acompanho sumir na multidão.

Assim que minha atenção se volta para a mesa, não deixo de perceber Mckenna e Josh novamente em um diálogo silêncio de olhares, por mais que ele estava claramente evitando-o o máximo possível. Stu e Jhon tinham atenções voltadas ao palco onde alguma banda agitava a plateia e me faço dar atenção ao copo de suco sobre a mesa que já se encontrava quase como no fim e resolvo o finalizar virando de uma vez, quando estou o devendo normalmente pego os azuis deslumbrantes agora num fosco profundo. Dou-lhe um sorriso para que eles desviassem, todavia aparentemente não ocorreu nada e assim nervosa comigo mesma me levanto pegando o copo de suco e me dirijo ao bar sem olhar para trás sabendo que seu olhar me seguiu até que essa sensação sumisse. Peço outro suco ao barman e viro o corpo na direção do palco tentando compreender o que o vocalista cantava, ou melhor gritava para o público.

— Não sabia que iria a trazer — escuto a voz ao meu lado abafada pelo som da banda.

— Desculpa eu não pensei muito bem quando eu fiz, não sabia se você aprovaria — lamento girando os calcanhares na sua direção e a pego encostada no balcão onde dedilhava a boca de uma garrafa de cerveja, e não deixo de notar seu abdômen quase exposto pela inclinação que ela se encontrava separando a peça do corpo.

— Não estou brigando, é mais plateia para mim — pisca me desnorteado brevemente — afinal, já descobriu qual a sua fruta favorita ? — pergunta apontando com o olhar para a multidão e sei que se refere a Gabbe.

— Maçã — respondo rapidamente e ela bufa sorrindo brevemente.

— Não esse tipo de fruta — me corrige e demora alguns minutos para mim associar, pela cara que faz deve ter notado o que a faz revirar os olhos.

— Na verdade não — digo me afastando dela o suficiente para não sentir seu perfume e com o silêncio a olho de soslaio tendo em vista sua expressão frustrada — não achei situação que fizesse essa pergunta surgir de forma natural — explico voltando a me espreitar ao seu lado.

— Está é a situação, flerte por metro quadrado — arqueja, presunçosa e assim faz o movimento de levantar — coloque em prática — continua mantendo o falso ânimo. Tento concordar ou discordar, mas ela é mais rápida e some na multidão.

No momento eu não tinha preocupações maiores, estava ansiosa pelo show, animada por estar com meus amigos e ter uma noite de tranquilidade, questionar Gabbe não estava nos meus planos, contudo por alguma razão não tão desconhecida a curiosidade e necessidade de saber sobre aquilo, me faz questionar até meus próprios pensamentos. Retorno para mesa só querendo poder ler a mente daquela garota, queria saber o que aqueles olhos vibrantes e serenos escondiam, queria conhecer todos os segredos que aquela alma misteriosa reservava, queria entrar dentro de sua mente e extrair cada informação importante, no entanto que isso era me aprofundar tão profundamente que até o mais obscuro vazio eu ocuparia.


Notas Finais


"""" O.que.rolou.a.meme. """"

Volto com outro cap da Daphne, Erros me avisem.


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