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História Saga - Uma história esquecida - Capítulo 35


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Capítulo 35 - Two


Helena ficou o dia todo vomitando, sem se alimentar. Ele já não sabia o que fazer, talvez fosse uma virose. Não, ele sentia as alterações no cosmo dela, era um bebê. Helena teria um bebê, um bebê que era seu. Ele teria que chamar um médico, não tinha opção. 

Ela preferiu descansar em seus próprios aposentos, Maria lhe fazia companhia. Ela estava com medo, já se sentia mal fazia alguns dias mas nada assim, que lhe incapacitasse, somente alguns enjoos leves. Suas regras não vieram na pausa do anticoncepcional e ela havia se esquecido de tomar dois comprimidos.

"Não pode ser, por míseros dois comprimidos?"- ela pensava em choque. Maria a fitava, virando a cabeça, curiosa, nunca tinha visto sua tutora assim.

"Helena, Helena!"- gritava o bicho, parecendo que sabia o que se passava, andava de um lado para o outro, inquieta no puleiro. 

Helena pensava que teria que abandonar a carreira de amazona, que ia perder sua armadura, seu amado só falava em coisas indecifráveis, o santuário todo instável e ela não sabia nem o que pensar, se sentia presa em um labirinto.

"Como eu fui deixar isso acontecer, não sei nem o verdadeiro nome dele, quem ele é e por que está aqui. Metade do santuário desconfia dele... ele é o cavaleiro da casa de gêmeos, mas acho que ninguém sabe disso. Aioros de Sagitário foi morto por traição e pode ter fugido com a verdadeira Atena. Mas quem mandou matar Aioros?"- ela indagava em sua mente.

Saga entra no quarto batendo na porta.

"Como se sente, pequena?"

"Se você tirasse essa máscara horrível, me sentiria melhor."- disse ela.

Ele revirou os olhos, tirando a máscara em seguida. 

"Eu só vim avisar que vou me ausentar, vou demorar um pouco, não estranhe. Chamei um médico pra vir te ver, ele chegará em breve, os criados irão recebê-lo."- disse Saga, se aproximando da cama, onde Helena o fitava com ar de desconfiança. 

"Não fique assustada, prometo que tudo ficará bem."- disse ele, acariciando os belos cabelos claros. "Agora preciso ir."

"Tudo bem, não demore."- disse ela, sorrindo, apesar do mal estar. 

Ele saiu, fechando a porta devagar. Tinha conseguido pegar disfarçadamente uma bolsinha que continha os documentos de Helena, ele ia precisar. Saga se dirigiu até a passagem secreta da sala do mestre, se fechando rapidamente em um estreito corredor. Aquele lugar cheirava à carniça e à sangue podre. Ele fez uma careta de nojo ao passar por um cadáver no chão, o odor era horrível e havia vários restos humanos ao longo do caminho, chegou a uma imensa porta e a abriu. 

A porta dava pra um enorme aposento. Havia uns três crânios humanos no chão, os quais ele chutou pra fora, fechando a porta rapidamente. 

"Como você é porco! Nem pra se livrar dessas coisas decentemente?"- disse ele, referindo-se a ele mesmo, no caso, Ares. "Agora tenho que ficar sentindo esse cheiro monstruoso."

Não houve resposta e ele deu graças a Deus. Tirou os trajes de cerimônia do santuário, vestindo-se com roupas comuns, que ficavam guardadas no guarda roupa. Pegou uma carteira com documentos e cartões bancários, mais uma pasta com mais alguns documentos. Guardou tudo em uma mochila, junto com os documentos de Helena. Ele demoraria alguns dias para resolver tudo, então pegou também uma muda de roupas. 

"Outra dimensão"- disse ele, abrindo um grande portal dimensional, no qual ele mesmo entrou e fechou em seguida.

Helena acordou com batidas na porta.

"Pode entrar"- disse ela, sonolenta. Era uma criada anunciando a chegada do médico. Helena se sentou na cama, ajeitando os cabelos bagunçados. O médico entrou, carregando duas grandes malas, parecia até que ele estava de mudança. 

"Boa tarde, Helena, eu sou o dr. Antônio. Vim examiná-la."- disse o homem de meia idade, muito gentil, aparentemente. 

"Boa tarde Dr."

"O que tem sentido, minha jovem?"

"Enjôo e sonolência, não consigo me alimentar, tudo me embrulha o estômago"- disse ela.

O médico tirou alguns instrumentos da primeira maleta, checou a garganta, os ouvidos e não havia nada de anormal. Ouviu os batimentos cardíacos, o pulmão, e tudo estava perfeitamente bem. 

"Você está muito saudável, moça, nada de anormal. Quando foi a data de sua última menstruação"- o médico perguntou. 

"Dia dez do mês passado"- disse ela.

"Já estamos no dia 25, já tem uns bons dias de atraso"

"Achei que era por conta do anticoncepcional. Mas eu esqueci de tomar dois comprimidos seguidos"- explicou Helena. 

"Nesse caso, vejamos uma coisa..."- disse o médico, trando uma pequena caixa da maleta, contendo um teste de gravidez. 

"Vá até o banheiro, faça xixi na ponta da caneta e coloque de volta a tampa"- disse o médico. Ela acatou. Foi até o banheiro, posicionou a caneta no vaso e fez xixi, colocando a tampa de volta. A linha horizontal apareceu rapidamente, indicando o resultado positivo. Ela quase teve um infarto e ficou lá sentada tentando processar a informação, aliás, a confirmação. 

"Agora está tudo acabado"- ela pensou. Levantou-se do vaso, se recompôs, abriu a porta, levando o teste até o médico que a esperava, colocando a caneta sobre a pequena mesa. O médico já havia sido instruído por Saga, já esperando o resultado, pegou a caneta, fingindo surpresa. 

"Helena, você está gestante. Pela data de sua última menstruação, deve estar de umas 5 ou 6 semanas."- disse o médico, tirando um outro equipamento da maleta, um doppler fetal. O médico, com cuidado, levantou a blusa de Helena, descobrindo sua barriga. Jogou um gel gelado, o q fez com que ela fizesse uma careta, encostou uma ponta do aparelho na barriga, a qual era ligada por um fio a uma especie de caixa de som, ele passava o aparelho, como se procurasse alguma coisa, de repente pôde-se ouvir as batidas rápidas.

"Está ouvindo? É o coração de seu bebê."- disse o médico- "Espere um pouco..."

Podia-se ouvir os batimentos, mas havia outro som abafado, ele deslizou um pouco mais o aparelho e logo se ouvia outro coração. O Homem continuou a prestar atenção por mais alguns instantes.

"Helena, existem dois corações batendo em seu ventre... são gêmeos"- disse o médico. "Isso é um milagre, é muito difícil descobrir uma gravidez de gêmeos sem ultrasson, mas nesse caso, claramente, existem dois corações."

Uma lágrima rolou dos olhos azuis de Helena. Ela estava emocionada, ao mesmo tempo com medo e com a sensação que o chão sumira abaixo de seu pés, enquanto escutava os dois coraçõezinhos batendo rapidamente em seu ventre. Era incrível, um milagre e ao mesmo tempo, uma incerteza. 

"Helena, a tendência é que você melhore desses sintomas em breve, mas recomendo repouso, pois a gestação de gêmeos é mais complicada. Vou deixar uma prescrissão de um polivitamínico e um cartão com o endereço de meu consultório, para marcarmos os exames necessários. Espero te ver nos próximos dias."- disse o homem, guardando os instrumentos nas maletas. 

"Obrigada, Dr."- disse ela enquanto a criada entrava, trazendo uma bandeja com duas xícaras de café, a qual Helena recusou. 

"Ela está com uma virose, em breve estará melhor. Recomendo que prepare refeições leves."- disse o médico à empregada, que assentiu às instruções, saindo em seguida. 

"O Mestre pediu discrição no momento, não se preocupe"- disse ele à moça, sentada na cama. Ele se despediu, retirando-se do local, deixando a moça a sós com sua ave de estimação. 

"O que vou fazer,  Maria?"- disse ela, desolada, virando-se para o outro lado na cama. O enjôo forte a castigava a todo instante, não tinha sossego um minuto. Por outro lado, ela apalpavabo ventre com a mão. 

"Dois bebês"- ela pensava- "vou ter dois bebês... como será que eles vão ser? Será que terão os olhos lindos do pai?"

Ela sorria, imaginando como seriam seus filhos, ou filhas, e se fossem meninas? Que sonho! Era linda aquela sensação, seu corpo carregava duas vidas, ela seria mãe. Mas sua alegria se esvaia ao pensar na real situação em que se encontrava, mal sabia a origem do pai de seus filhos, mal sabia seu nome, apenas havia se entregado a um amor, sem maiores explicações. Mas ela sabia que, agora, ela teria que pensar diferente, teria que ir em busca da verdade, a qualquer preço. 

Ela sentou-se na cama, abriu a gaveta do pequeno criado, tirou uma caixa com um fundo falso, dela tirou a foto que outrora tinha roubado da casa de gêmeos. Observou atentamente. Dois rapazes absolutamente iguais. Cabelos azuis, olhos verdes, se abraçavam e sorriam. Um sorriso diferente do que costumava ver na face de seu amado, era um sorriso tranquilo, em paz. Apesar da semelhança, ela podia distinguir com clareza qual deles era Saga, o outro tinha uma expressão mais faceira e agressiva.

"Quem são vocês?"- ela pensava. 



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