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História Sagrado Feminino - Capítulo 14


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Notas do Autor


Então, acho que preciso avisar o porquê de tanto sumiço. É que, estes últimos dias, eu tenho passado por uns mals bocados, e minha depressão voltou com tudo, me tirando todo o ânimo e força de vontade. Eu demorei um pouco para conseguir ter criatividade para escrever, e tive ainda mais dificuldade para escrever tudo isso.
Mas eu tô melhorando e, em breve, vou voltar ao meu normal. Enfim, espero que gostem do capítulo.

Capítulo 14 - Imaculada


Fanfic / Fanfiction Sagrado Feminino - Capítulo 14 - Imaculada

O templo era enorme. De fato, dava pra entender porque muitos falavam do rei Salomão com tamanho respeito. Me lembro de ter ficado no templo, a serviço de Deus, desde que era criança. Ia para casa apenas em datas específicas, e logo voltava para o templo, onde eu já estava sendo esperada.

Fui apresentada no templo aos três anos de idade, conforme as tradições judaicas requeriam. Meus pais já eram idosos quando suas preces foram atendidas, preces onde eles pediam por uma criança. Minha mãe costumava me contar sobre como havia sido a reação de meu pai quando eu nasci.

_ Ao contrário de muitos homens, seu pai não se importou se eu o daria um filho. – minha mãe, Ana, me contou quando eu perguntei pela primeira vez. – Assim como eu, ele também não se importava com o que diziam ao meu respeito. Sobre eu ser estéril. E você sabe o que dizem sobre mulheres como sua mãe, não é? Simeão te contou, certo?

_ Sim. – eu respondi. – Ele disse que, tradicionalmente, mulheres que são estéreis são mulheres que foram amaldiçoados por Deus. Portanto, quando um homem toma uma mulher estéril como esposa, pode a repudiar e se casar com outra.

_ Sim, exatamente. – Ana respondeu. – Mas seu pai não me repudiou. Ele me acolheu e foi contra os desejos de toda a família dele. Além dele, apenas Zacarias fez isso, quando se casou com sua prima, Isabel. – eu assenti e vi minha mãe sorrir. – Quando nossas preces foram atendidas, pensei que ele não gostaria de ter uma filha, mas ele pegou você no colo e começou a bendizer a Deus.....

_ Deus, Criador de Todas as Coisas, que me agraciou com uma filha tão bela, eu Lhe bendigo e agradeço. Hoje e sempre! – Joaquim, meu pai, interrompeu minha mãe e se sentou ao meu lado, falando sua oração de gratidão. Eu sorri. – Eu ofereci sacrifícios inúmeros, para agradecer que você veio até nós. Minha filha. Se Deus nos deu você, em um momento onde tínhamos quase perdido toda a esperança, sabíamos que você seria importante.

Aquela havia sido uma das últimas conversas que eu havia tido com meus pais. Eu estava no templo, agora, já há seis meses. A profetisa Ana estava em oração, enquanto eu estava cuidando de coletar as ofertas que haviam sido tragas até o templo naquele dia. Eu estava pegando algumas moedas de prata quando vi que Ana havia se levantado.

_ Maria.

Eu me virei e vi Simeão, o profeta do templo, que estava de pé na porta, me encarando.

_ Sim? – me aproximei dele.

_ Venha passear comigo no jardim, sim? – ele sorriu e se virou, começando a ir em direção ao jardim.

Fiquei parada por um tempo, até que Ana segurou meu ombro e sorriu.

_ Vá. Eu cuido do que ainda não conseguiu fazer. – Ana disse.

Eu assenti e saí atrás de Simeão. Ele estava andando a passos lentos, por conta de sua idade já avançada, e eu corri para poder segurar seu braço, para servir de apoio a ele. Ele sorriu.

_ Tu és uma moça muito importante, Maria. – ele disse.

Eu sorri e baixei a cabeça. Desde que eu havia chegado ao templo, Simeão sempre havia dito aos meus pais e a mim que eu era o sinal de Deus, que traria a Salvação; apesar de eu não conseguir entender o que aquelas palavras queriam dizer.

_ Você se lembra de Deus? – Simeão perguntou, ainda olhando para frente, como se estivesse conversando sobre meus pais comigo.

_ Eu nunca O vi. – respondi.

_ Claro que já viu. – Simeão me encarou. – Você viveu Nele, Maria. Você esteve com Ele antes de vir ao nosso mundo.

Encarei Simeão sem entender.

_ Oh. Você não se lembra de quem é! – ele comentou.

_ Eu sou Maria, da cidade de Nazaré. Filha de Ana e Joaquim. – eu disse.

_ Não, minha cara. – o profeta parou de andar e segurou minhas mãos, olhando em meus olhos. – Você é muito mais do que isso. – eu o encarei, confusa. – Você é Rainha. Você é Vida. Não se lembra?

Fiquei em silêncio, refletindo sobre o que ele havia me contado. Tentando entender o que aquelas palavras significavam.

_ Do que eu não me lembro? – questionei.

Simeão sorriu e balançou a cabeça.

_ Seus planos são realmente miraculosos e de difícil entendimento para aqueles que não compreendem Suas vontades. – ele disse, admirado. – Veio ao mundo, como uma simples mortal, e garantiu que não se lembraria de Sua verdadeira natureza. Isso é fabuloso!

_ Perdão. Eu não estou entendendo. – eu disse.

Simeão sorriu e abriu a boca para poder falar alguma coisa, mas fomos interrompidos, e eu não soube o que ele desejava me contar.

_ Maria! – nos viramos para encarar Betânia, que estava vindo em nossa direção. – Seus pais estão aqui.

_ Meus pais? – eu olhei além dela, para dentro do templo dourado construído por Salomão.

_ Seu tempo de serviço acabou, minha cara. – disse Simeão. – Eles estão aqui para te buscar. – então, ele apertou minhas mãos e atraiu minha atenção. – Mas sua importância na Salvação do Mundo e na Redenção dos Pecados ainda está por vir.

Eu fiquei em silêncio por alguns segundos, ponderando sobre as palavras de Simeão, tentando entender seu significado, mas acabei por desistir. Afinal, o que quer que fosse que ele queria me dizer, eu iria descobrir, quando Deus quisesse que eu descobrisse. Então, eu sorri e beijei as mãos do profeta.

_ Sua bênção. – eu disse.

_ Se considere abençoada, minha filha. – ele respondeu.

Eu me afastei dele, seguindo Betânia para dentro do templo. Mas não consegui esquecer do que ele havia me dito. O que ele queria dizer ao falar que eu havia me esquecido de minha verdadeira natureza? Por que ele afirmava que eu era Vida? Qual era a minha importância para a Salvação e Redenção do Mundo? Eu não conseguia compreender suas palavras e profecias.

Mesmo que eu estivesse determinada a não pensar sobre isso, eu não conseguia não me lembrar. Simeão havia sido o mais próximo de família que eu havia tido durante todo o meu tempo no Templo de Salomão. Era ele que sempre estava me consolando quando eu sentia falta de casa. Era ele que sempre me escutava e tirava minhas dúvidas acerca da Palavra de Deus. Havia sido tão cuidadoso e carinhoso comigo quanto meus próprios pais o eram.

Assim que entrei no templo, atrás de Betânia, ela apontou para onde estava a profetisa Ana, e eu vi meus pais conversando com ela. Me aproximei deles, e notei que havia mais alguém ao seu lado. Um homem, alto, com traços mais maduros, e que tinha algumas coisas semelhantes ao meu pai em sua aparência. Ele estava de pé atrás de minha mãe, olhando para as paredes do templo, comentando algo com minha mãe, enquanto meu pai conversava com Ana. Assim que me viram, meu pai sorriu e estendeu as mãos, segurando as minhas e me puxando para perto dele.

_ Maria. – ele sorriu. Me deu um beijo na testa e me abraçou. – Minha filha, estou feliz que esteja voltando para casa.

Eu sorri e encarei minha mãe, indo até ela e a abraçando. O homem que estava atrás dela, ficou de cabeça baixa e em silêncio.

_ Maria. – minha mãe sorriu. Então, olhou para o homem desconhecido por mim. – Filha, este é José, o carpinteiro da nossa cidade.

_ Olá. – eu disse.

Ele sorriu para mim.

_ Olá, Maria. – ele respondeu.

_ O que acha disso, Ana? – meu pai se virou para minha mãe, que o encarou confusa.

_ O que? – ela questionou.

José, ao perceber que meus pais precisavam conversar com a profetisa Ana, segurou minha mão e me distanciou deles. Eu o encarei.

_ Você é amigo dos meus pais? – eu perguntei.

_ Eles não te contaram, não é? – ele disse.

Eu esperei, negando com a cabeça. O que quer que eles não houvessem me contado, eu sentia que José podia me falar.

_ Eu sou viúvo. Perdi minha esposa há alguns meses. – ele disse. – Um sacerdote de Nazaré disse que eu precisava me casar de novo, pois era a vontade de Deus. Seus pais estavam passando por perto quando ouviram e ofereceram você como minha nova esposa.

Eu assenti. Eu já sabia que seriam meus pais quem iriam escolher com quem eu me casaria. Então, assim que escutei como meus pais conheceram José, descobri porque ele estava ali.

_ Você veio com eles para que nossa união seja firmada diante dos olhos de Deus, não é? – perguntei. Ele assentiu.

Eu baixei a cabeça, pensando.

_ Mas isso é escolha sua também. – ele disse. Eu o encarei. – Se não desejar o casamento, eu entenderei. Não irei lhe forçar a uma união que não deseja.

_ Não é que eu não quero, é que... – eu balancei a cabeça. – As únicas coisas que sei sobre ti é que és um carpinteiro e és viúvo.

_ Pode perguntar o que quer saber então. – José sorriu. – Eu te conto tudo.

_ Mesmo? – perguntei, e sorri quando ele assentiu. – Você tem filhos?

_ Tenho dois. – ele disse. – São crianças. Um menino e uma menina.

_ Quantos anos eles têm? – perguntei.

_ A Eloá tem quatro anos e o Levi tem sete. – ele disse. – São crianças muito educadas, vão gostar de você.

Eu sorri. Ele segurou minhas mãos.

_ E você, Maria? – ele me perguntou. – Quantos anos você têm?

_ Tenho doze. – respondi.

Um silêncio tomou conta e apenas ficamos olhando um para o outro. Havia algo no olhar dele que me fazia sentir que podia confiar nele, não importasse o que fosse. Ele sorriu.

_ Eu te prometo que vou cuidar de você. – ele disse. – Não vou deixar nada de mal te acontecer. Eu prometo.

Eu sorri.

_ Maria. José. – nos viramos e vimos Simeão sorrindo, acenando para que nos aproximássemos dele. Assim que estávamos diante dele, Simeão pegou nossas mãos e, após as unir, ele as segurou entre as suas e nos encarou. – Eu abençoo o compromisso entre vocês. – e, ficando mais perto de nós, ele sussurrou. – Vocês têm importantes papéis no futuro dos filhos de Deus. Quando se sentir pronta para se casar, Maria, diga ao seu noivo e eu mesmo realizarei a cerimônia.

Sorri e assenti. Então, após o compromisso e o noivado firmado diante dos olhos de Deus, nós fomos embora.

                            ⚜

Assim que chegamos em Nazaré, eu decidi deixar meus pais em casa e ir até um pequeno monte, onde havia um regato. Ali, eu me sentei a sombra de uma grande árvore e observei a água corrente, escutando seu barulho calmo e sereno. Também me lembrei do que o profeta Simeão havia me aconselhado alguns anos atrás. "Deus é misericordioso e bondoso, e a serenidade faz parte de Sua pessoa. Sejas serena e gentil, Maria, pois Tu és muito importante para nosso povo.”.

Eu havia aprendido, durante todo o tempo que estive em serviço no Templo de Salomão, que a maneira correta de agradar os olhos de Deus, era ao seguir os Dez Mandamentos e ser paciente, sempre acreditar em Deus e jamais me afastar de seus preceitos. Todos os sacerdotes diziam que eu deveria escutar e obedecer meus pais, ser fiel ao meu marido, e uma mãe zelosa. Também diziam que eu deveria prestar sacrifícios a Deus e estar sempre em oração, para me conectar com a natureza Dele. Porém, Simeão dizia que, mesmo que eu me casasse, ele jamais permitiria que eu me unisse a alguém que não me respeitasse. “Não é porque tu és uma mulher, que são vistas com tamanho desprezo por outros, que significa que sejas menos essencial para o mundo. Foi a Rainha Esther que nos salvou dos persas, e serás uma mulher que dará a luz ao Salvador. As mulheres são aquelas que nos dão a vida, elas deveriam ser melhor tratadas; pois essa é a vontade de Deus.”.

Eu suspirei e fechei os olhos, ponderando sobre os inúmeros conselhos e ensinamentos que o profeta havia me dado. Ele também dizia, sempre, que eu era a mais próxima de Deus por agora, pois, depois, viria alguém que seria a Palavra de Deus Encarnado. Eu sabia que o Encarnado que ele dizia era o Messias, mas eu não fazia idéia do porquê que ele continuava a afirmar que eu era tão importante para os planos divinos de salvação. Mesmo que eu sentisse algo dentro de mim, que me dizia que eu seria muito mais do que apenas outra mulher judia, eu não queria me segurar a tamanho orgulho e egoísmo. Afinal, se engrandecer, dizendo que é importante para os planos de Deus, é o contrário da humildade, que eu sempre aprendi a ter durante meu tempo de serviço no templo.

Eu abri os olhos e observei o regato. A água era cristalina, e me fazia lembrar de um jardim belíssimo, apesar de eu nunca ter visitado um jardim tão grande e belo quanto o que eu via em minhas memórias. Me levantei e fui até a beira do regato, me ajoelhando e levando o balde que eu havia carregado até as águas, na intenção de enche-lo. Então, enquanto pegava a água, um vento soprou onde eu estava, e eu senti um cheiro adocicado, como a mistura dos perfumes de todas as flores do mundo, e uma sensação de paz se apoderou de mim. Eu gostava de sentir essa paz. Era tão boa e profunda, me fazia me esquecer de todos os problemas que eu tivera na minha vida, e eu tinha confiança em um bom futuro.

Enquanto eu retirava o balde do regato, com dificuldade, pois estava pesado, senti alguém se ajoelhar do meu lado, e um par de mãos surgiu a minha frente, segurando o balde.

_ Me permita te ajudar. – era uma voz terna e serena, mas ainda transmitia força e poder.

_ Obrigada. – eu respondi, sorrindo, me virando para ver quem me ajudava. O que vi me fez erguer em um salto e me afastar alguns passos.

O homem a minha frente era belo, uma beleza praticamente divinal, e tinha uma força incomum a qualquer homem humano. Usando apenas dois dedos (o polegar e o indicador), ele segurou o balde e o colocou aos pés da grande árvore, onde eu antes estava sentada. Ele era grande, maior do que qualquer pessoa que eu já tivesse visto na vida, e possuía um par de asas brancas, reluzentes e exuberantes, que brilhavam e iluminavam tudo ao nosso redor, como se fossem a própria luz das estrelas. Aquela luminosidade me fez recordar de um antigo sonho que eu tinha quando criança. Eu estava sempre em um local escuro e vazio, até que uma forte e quente luz tomava conta de minha visão.

Eu podia não ser tão ligada à espiritualidade quanto os profetas, mas eu ainda sabia distinguir um ser celestial, e o homem a minha frente era um anjo. Eu tinha certeza disso. Ele me encarou e sorriu, se aproximando, mas eu me afastei mais um pouco, o que o fez erguer as duas mãos, como sinal de rendição. Assim que ele percebeu que eu estava um pouco mais calma, ele sorriu outra vez.

_ Ave, Maria, cheia de graça. O Senhor és contigo! – ele me saudou.

Ele tentou se aproximar outra vez, porém eu dei alguns passos para trás, e ele parou, estendendo uma de suas mãos para mim. Eu o encarei, receosa.

_ Não temas, Maria. – ele disse, assentindo para mim. Eu ainda estava confusa por conta da saudação que ele havia me dirigido, porém, eu confiei nele e segurei sua mão. Ele sorriu. – Não temas, pois encontrastes graça diante do Senhor. – eu franzi a testa, confusa. – Eis que conceberás e terás um filho, o qual porás o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado de Filho do Altíssimo, e Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e seu reino não terá fim!

Eu escutei tudo maravilhada. Então, era isso que Simeão havia tentado me falar por todos estes anos. Porém, algo que me ocorreu e eu encarei o anjo, confusa.

_ Como isso poderá ocorrer, se eu não conheço homem algum? – questionei.

O sorriso que o anjo me dirigiu foi um tanto familiar para mim, mas eu não consegui entender o porquê da familiaridade, afinal, eu nunca havia visto um anjo antes.

_ O Espírito de Deus descerá sobre ti, e tu conceberás ainda virgem, como fruto da vontade do Senhor, pois para Deus, nada é impossível. – ele disse. Eu ponderei por um tempo. Eu sabia que Deus era capaz de tudo. – Também Isabel, tua prima, estás grávida, e agora se completam seis meses que carrega um filho aquela que era tida como estéril.

Eu assenti. Isabel havia sido agraciada com um filho, assim como minha mãe havia sido agraciada comigo. Eu pensei por um tempo, e encarei o anjo. Ele continuava ali, esperando minha resposta.

_ Eis aqui a Serva do Senhor. – eu respondi. - Faça-se em mim segundo a Tua palavra.

O anjo assentiu e curvou a cabeça diante de mim, rapidamente, antes de soltar minha mão e sumir diante de meus olhos. Eu olhei ao meu redor, para o regato e para a árvore. O balde, cheio de água, estava ali, debaixo da árvore. Antes que eu o pegasse, um homem, viajante, estava passando por ali e me viu. Ele tinhas cabelos loiros, e usava uma roupa rica. Deveria ser alguém próximo do Imperador.

_ Precisa de ajuda? – ele me perguntou.

Eu o encarei, por um tempo, e, assim que olhei em seus olhos, percebi que ele não tinha más intenções. Então, eu sorri.

_ Aceito sim. – eu disse, vendo ele se aproximar e pegar o balde cheio. – Muito obrigada.

_ Disponha. – ele sorriu.

Ele me acompanhou até minha casa, onde meu pai sorriu e pegou o balde de suas mãos.

_ Obrigado por ajudar minha filha, ahm.... – meu pai o encarou, curioso.

_ Miguel. – ele respondeu, sorrindo e acenando em despedida para nós. – Disponha.

Eu entrei em casa e fui até a cozinha, onde comecei a ajudar minha mãe com os afazeres domésticos. Ela estava sorrindo.

_ Senti tanto a sua falta, Maria. – ela disse. – Não faz idéia de como eu sofri longe de ti; mas eu havia prometido a Deus que lhe entregaria nas mãos Dele.

Minha mãe sempre havia me contado sobre sua promessa, porém, depois do que havia ocorrido naquele regato, eu percebi o que realmente significava e o que custava a promessa de minha mãe. Eu sorri para ela.

Durante a noite, eu sonhei que havia uma grande fonte de luz pairando sobre minha cabeça. O calor, que costuma emanar de todas as luzes, não existia naquela, e ela transmitia uma sensação de familiaridade e tranquilidade, que me fez observar enquanto ela descia sobre mim com fascínio. Essa mesma fonte de luz ficou parada acima de minha barriga, se concentrando em meu ventre, então, eu senti como se algo tomasse conta de mim. Assim que essa sensação passou, a luz se apagou, e eu acordei. Confusa e cansada.

Me levantei e fui até a cozinha, onde ambos meus pais estavam, e me sentei, baixando a cabeça, e observando o local onde aquela luz havia ficado. Minha cabeça rodava e eu sentia certa náusea.

_ Tudo bem, Maria? – meu pai me perguntou.

Eu os encarei e sorri.

_ Estou bem. Só estava pensando em ir visitar Isabel. Ver como ela está. Se ela precisa de alguma coisa.

_ Filha, Isabel está grávida, precisa de calma. – disse minha mãe. – Não podemos atrapalhar.

_ Ela sempre disse que eu nunca atrapalho. Me deixem ir até ela, ficar com ela um pouco. Eu prometo que volto logo.

Os dois se encararam por um tempo antes de se voltarem para mim.

_ Tudo bem. – disse meu pai. – Vou preparar sua viagem com uma caravana.


Notas Finais


Alguns detalhes: a Deusa não se lembra de que é imortal e nem de quem é, para poder ser de verdade uma humana virgem. Gabriel foi o anjo anunciador, e ele estava sendo gentil com Maria porque ele sabe quem ela realmente é. Miguel realmente ajudou ela a levar água pra casa. Eu pesquisei sobre José e sua vida, e em algumas fontes dizem que ele já tinha filhos e era viúvo de um primeiro casamento, antes de se casar com Maria e assumir Jesus.
Sim, o sorriso de Gabriel foi familiar para Maria porque ela é a mãe dele, e toda a mãe de lembra de seu filho. A luz era o Espírito Santo, e ela sentiu familiaridade porque ela reconheceu a composição de sua alma no Espírito. O jardim que ela se lembra quando olha pro regato é o Éden, e o lugar vazio e escuro quando vê a luz de Gabriel é o Vazio Eterno que existia antes de ela acordar pela primeira vez.


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