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História Saigonoshinpan, Interativa - Capítulo 2


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Notas do Autor


─ ola homies!!! finalmente estou aqui com o primeiro teaser de saigonoshinpan, que de brinde trouxe um jornalzinho simples com as informações mais detalhadas.

tenho percebido que nem todo mundo conseguiu se familiarizar com o carrd, alguns mal conseguiram achar o conteúdo que tinha no mesmo. então trouxe algo cujo todos já estão acostumados 🤝 também fiz um docs, que só tem as infos sem nenhum mísero enfeite que seja pq meu número de neurônios é limitado e eles foram gastos escrevendo o teaser e decorando o jornal.

tem mais umas coisas que precisam ser ditas lá embaixo, então vou me apressar e desejar uma boa leitura a todos vocês e agradecer a todos que estão dando uma chance 💗‼️

Capítulo 2 - 00. Ponto de partida


Fanfic / Fanfiction Saigonoshinpan, Interativa - Capítulo 2 - 00. Ponto de partida

─ Vocês todos podem me ver agora porque vocês não vêem com seus olhos

Em algum lugar, Japão
20 de junho — 01:13 AM

KAEDE SENTIA COMO SE TIVESSE DESPERTADO de um pesadelo. O suor escorria por sua pele e se misturava com algumas lágrimas. O ritmo de sua respiração falhava, dando a entender que aquela era a primeira vez em meses que respirava por conta própria. Como se o organismo tivesse esquecido da sensação de se estar vivo, ela precisou de alguns segundos para conseguir estabilizar os pulmões. 

Sentada na cama de solteiro, coberta por pesados lençóis, ela notou que branco era a cor que preenchia o lugar; os móveis, as paredes, até a roupa nova que cobria seu corpo era limpa de qualquer sujeira, estampa ou saturação. Ela não duvidava que, se estivesse usando, seus sapatos seriam da mesma cor.  

Além da ausência das suas antigas vestimentas — aparentemente escuras demais para entrarem naquele lugar —, Kaede sentiu falta do arco que nunca saía do seu lado. Ele também havia sido levado, o que não foi tão surpreendente assim. Era uma arma, afinal. E sequestradores, no geral, tentavam não beneficiar a vítima com o direito de defesa. 

Isso supondo que aquilo havia sido um sequestro, já que era a única explicação plausível para ter sido perseguida floresta adentro por um estranho homem sem rosto e acordar em um quarto que não lhe pertencia. Não sofrer cortes e arranhões superficiais, ou ficar presa entre um galho e outro, foi quase impossível, retardando a velocidade dos seus passos. Sua zona de conforto ficava longe de onde foi apanhada, o que tornou tudo mais conveniente para seu perseguidor. 

Seu braço esquerdo foi o mais prejudicado, a última lembrança que tinha daquela noite foi de garras afundando as unhas em sua pele. Por reflexo, tocou o lugar onde deveriam estar as feridas.

O tecido estava liso, no entanto. Livre de quaisquer marcas que poderiam sugerir que um dia sofreu machucados naquela área. Receosa ergueu o pano fino da camiseta, deixando exposta toda a área da barriga. A caçadora possuía uma cicatriz um pouco abaixo do ventre, mas que não estava mais lá. Como se tivesse sido apagada, removida do seu corpo. 

Kaede franziu as sobrancelhas, um pouco lenta; não estava conseguindo acompanhar o ritmo dos fatos. Faltava alguma coisa, não parecia certo. 

— Preciso sair daqui — falou para si mesma, em algo que virou um sussurro assustado.

Ela afastou os lençóis, se sentando na ponta do colchão. Seus pés não conseguiam tocar o chão, situação incomum levando em conta que era relativamente alta com seus 1,68 cm. Com um simples impulso, tocou o gélido piso. Mas, por pouco tempo. Junto ao impacto, o repentino fraquejar de suas pernas fez com que a queda fosse instantânea, a derrubando antes que conseguisse se apoiar em algum móvel. 

— Merda — sibilou, irritada com toda aquela fraqueza. Seu organismo parecia funcionar com lentidão, dando sinais de ter desacostumado com os movimentos mais simples. 

— Seu corpo ficou parado por um longo tempo, não me surpreende que esteja tão fraco — assustando a Ichibangase, uma suave voz soou do outro lado do quarto. Na porta, uma garota tinha um sorriso gentil no rosto — Oh, peço que me perdoe, você parece perturbada. 

A desconhecida andou em sua direção, com suas roupas tingidas de preto e ar vitoriano. Era a única coisa que possuía cor entre aquelas paredes, o destaque que ganhava quase parecia errado; como se fosse proibido haver algo que fugisse de todo aquele branco. 

— Aposto que você deve estar confusa — sua risada preencheu a sala, um riso semelhante ao badalar dos sinos de uma igreja. Ela possuía traços delicados e femininos, sua pele lisa e alva entrava em contraste com as redondas orbes escarlates — Me chamo Yui Komori, mas você pode me chamar pelo primeiro nome. Não precisamos de tanta formalidade 

Yui era quase um anjo, a suavidade do seu agir fez com que Kaede associasse o lugar ao Céu por alguns poucos instantes. Até recordar que, se realmente estivesse morta, não seria para lá que sua alma iria.  

A figura feminina se aproximou, estendendo uma das mãos; estava oferecendo apoio para que ela pudesse se erguer. 

— Tenho certeza que você tem muitas perguntas, mas vou me disponibilizar a responder somente o que você precisa saber — disse, após oferecer a ajuda que a ruiva precisava para ficar em pé sem dificuldade. 

— E o que eu não preciso saber?

— Receio que essa pergunta se encaixe nas que eu posso responder — ela mantinha um tom humorado, como se houvesse alguma piada obscena entre as palavras que Kaede não havia entendido. 

Existia algo na Komori que fazia com que ela ficasse com um pé atrás, não deveria a subestimar só por conta de seu tamanho. Afinal, ela certamente estava envolvida no motivo que a fez ser levada para aquele lugar. 

— Você disse que meu corpo ficou parado por um longo tempo — continuou, recebendo um exagerado aceno afirmativo por parte dela, o que fez com que suas madeixas loiras fossem balançadas — Quanto tempo?

— Alguns meses — Yui ergueu uma das mãos, mostrando os dedos — Sendo exata, foram trezentos e quarenta e dois dias. O que dá quase onze meses.

Não houve resposta por parte de Kaede, pelo menos não uma pudesse ser ouvida. A respiração arfante denunciava o quão afetada havia ficado com a notícia. 

Suas mãos agarraram os cabelos ruivos, enquanto pouco a pouco era perfurada por um avassalador desespero. Começou a andar de um lado para o outro, a ansiedade engolindo toda a pouquíssima calma reunida. De sua boca, as palavras escapavam incompletas. Estava desaparecida há quase um ano, o que significava que o vilarejo já deveria ter lhe dado como morta. 

— Ms. Karlheinz deveria ter incluído essa pergunta nas que você não deveria saber, agora seus batimentos cardíacos estão acelerados — Yui suspirou, colocando uma das mãos na cintura enquanto olhava para a mulher, com uma preocupação visível no semblante. 

— E minha família, onde ela está? — Kaede perguntou, ignorando a curiosa fala dita por Yui, com uma crescente angústia esmagando seu coração.

— Em casa, bem longe daqui — rebateu, estendendo sua resposta logo em seguida — Seu pai está tomando conta da sua avó desde sua fuga, não precisa se preocupar com eles.  

— Desde meu sequestro, você quis dizer — corrigiu, um tanto ríspida  Família era um assunto delicado, evitava falar com qualquer um que fosse. Nem mesmo pessoas próximas deixavam ela confortável para falar sobre. 

— Também, mas você tinha fugido antes, não? — embora suas palavras não tivessem um pingo de maldade, elas fizeram a boca da Ichibangase amargar — Tenho certeza que nem estão mais sentindo saudades. 

— Há quanto tempo vocês estão me observando? — questionou, tentando mudar o rumo da conversa o mais rápido possível. Não era como se aquilo dito por Yui fosse mentira, ao menos não completamente. 

— Isso você terá que perguntar a Ms. Karlheinz, foi ele que escolheu quem seus jogadores — a frase trouxe uma estranha quietude ao cômodo, fazendo com que o som de seus passos fossem silenciados. 

— Estamos em um jogo? — questionou, a perplexidade cobrindo cada letra de seu questionamento — É por isso que minha cicatriz e todos os machucados sumiram? 

— Tecnicamente, ainda não — Yui tombou a cabeça para ao lado, apertando os olhos — Mas não irá demorar para você entrar nele. 

A androide se aproximou, o que fez com que Kaede recuasse alguns passos.

— Quanto a sua pele, ela foi modificada para fins profissionais, o que significa que todas as anormalidades foram removidas. 

— Fins profissionais — repetiu, testando as palavras. Elas não se encaixavam. 

Continuou a se afastar, até ser colocada contra a parede do corredor que ficava do lado de fora do quarto. 

— Exato, o mestre resolveu manter somente sinais, marcas de nascença e sardas, o resto foi eliminado — Yui ergueu sua camisa, tocando o local onde ficava a cicatriz — Você pode recuperar ela, se quiser. Mas só se sobreviver e, consequentemente, ganhar o jogo. 

E então se afastou, colocando as mãos atrás do corpo ao passo que fechava os olhos e abria um sorriso sem mostrar dentes. 

Os minutos escorriam lentamente, prolongando cada vez mais o clima sinistro que rondava as duas mulheres. A humana estava amedrontada com todas aquelas informações, temendo pelo o que estava por vir à medida que o tempo passava. 

O silêncio foi quebrado, contudo. 

— Yui — chamou, quase engasgando com o medo que tomava conta de seu corpo — Onde eu estou?

A anteriormente citada piscou os olhos, processando a pergunta que lhe foi feita. Então levou um dedo aos lábios, encarando o teto enquanto parecia pensar em uma resposta. Era teatral demais, o que combinaria perfeitamente se ela fosse uma nascida da Capital. Quando a loira rolou as orbes até se fixar em Kaede novamente, ela tinha um olhar transbordando de empolgação.

— Finalmente você perguntou! Vamos, irei te mostrar — agarrando seu pulso, Yui passou a se afastar do quarto onde a Ichibangase havia ficado nos últimos meses. 

Para alguém com sua estrutura, ela era surpreendentemente forte. O que tornava a possibilidade de uma fuga quase impossível, Kaede mal sabia que conseguiria se livrar daquele aperto. E se conseguisse se soltar, de nada adiantaria, as únicas opções eram o quarto branco e o corredor infinito por onde estava sendo arrastada. 

Era um único corredor, composto de paredes preenchidas por quadros e um tapete vermelho-sangue que se estendia por todo o caminho. Todas as obras eram pintadas pelo mesmo artista, Kaede pôde perceber. Eles transmitiam os mesmos sentimentos, sendo estes melancolia, ódio e, principalmente, arrependimento. Seja lá quem fosse o autor daquilo, ele era um homem bastante triste. Era quase possível ver através da alma do criador de tais artes. 

— Yui — chamou, tirando a atenção do limitado cenário para encarar a Komori; que em resposta lhe deu um distraído “pois não” — Para onde você está me levando? 

— Certamente não é para o inferno, ainda não consegui a chave para ele — de uma hora para outra, seu tom mudou para um mais irônico, quase ácido; embora a caçadora suspeitasse que aquela havia sido a tentativa de uma piada. 

— Realmente, você é uma pessoa muito reconfortante — resignada, Kaede murmurou para si mesma e Yui a olhou de lado, um sorrisinho dançando em seu rosto — Quem pintou os quadros? 

— Ms. Karlheinz, ele é um humano bastante habilidoso — suspirou, a admiração e o orgulho explícito na sua voz deixava claro o tamanho do afeto que Yui parecia nutrir pelo tal homem. 

— Você já deve ter citado ele umas mil vezes — rebateu, arqueando uma sobrancelha ao passo que a própria Komori demonstrava ter ficado confusa — É ele quem está por trás de tudo isso, não é? 

— Mil é muita coisa, eu contei apenas três vezes — Presa em suas palavras, Yui havia levado elas ao pé da letra. Metáforas ou derivados ainda eram um desafio. Kaede por outro lado, não sabia se a garota estava sendo sonsa ou se realmente não tinha entendido. 

— Responda a minha pergunta — insistiu.

— Tudo isso seria sua estadia aqui? — Kaede ficou encarando-a, estava incrédula. 

— Estadia?

— Exatamente, e respondendo: sim, você vai conhecê-lo daqui há algumas horas. Ele é um homem extraordinário e é uma ótima pessoa, tenho muita sorte de poder servir a ele. E você também. 

Kaede encarou seu rosto, as palavras de Yui possuíam uma verdade tão nua e crua que davam entender que estava sendo manipulada, ou então apaixonada. Se Karlheinz fosse o homem que a perseguiu naquela noite — o que já era um tanto óbvio a altura do campeonato —, seu título de bom moço teria que ser reconsiderado. 

— Se ele realmente fosse uma boa pessoa, eu não estaria aqui contra minha vontade — falou, um pouco alto demais para aquilo que deveria ser só um sussurro irritado. Em resposta, Yui parou de andar. 

Seu olhar ficou rígido, tomado por desdém. E seu semblante estava petrificado com frieza e serenidade. O aperto em seu pulso ganhou mais força, não o suficiente para causar marcas, mas próximo disso. Para uma aparente colegial do ensino médio, Yui conseguia ser bastante intimidante. E parecia ter chegado ao seu limite. 

— Escute bem o que vou te dizer, com muita atenção — o tom de voz ameaçador fez com que Kaede encolhesse seus ombros, não estava em condições de arrumar problemas; não na situação que se encontrava — Você deveria ser, no mínimo, grata pela oportunidade que lhe está sendo dada. Não sabe o quão sortuda é por ter sido escolhida para participar desse projeto, então não desrespeite Ms. Karlheinz duvidando de seu caráter. 

Após terminar, ela voltou ao normal; da água pro vinho. A pressão colocada foi se suavizando, até virar apenas um sutil toque, ao passo que o rosto voltava a se iluminar. 

— A apresentação vai começar daqui há duas horas, você acordou um pouco tarde, dorminhoca — junto de suas palavras, o final daquele corredor era dotado por uma câmera de segurança acima de uma porta férrea — Felizmente, ainda temos tempo! Mas você quase se atrasou.

Ao se aproximarem, seus corpos foram escaneados e a passagem desobstruída. Se um dia houve uma opção de fuga, o estrondoso barulho do metal se chocando fechou por completo a possibilidade. 

 Por trás da porta, existia uma sala com paredes espelhadas. Kaede observou seu reflexo pálido e assustado, como um animal indefeso que rumava em direção ao abatedouro. O cômodo era vasto, sendo preenchido por uma cadeira com design semelhante às das clínicas, e duas máquinas com design moderno. 

— Para que servem? — apontou para os aparelhos, era leiga quando se tratava de tecnologia. De onde veio, coisas como aquelas eram tratadas como mito. 

— Deixe-me pensar em uma maneira simples de te explicar isso — caminhou em direção às máquinas, apertando alguns botões que fizeram com que uma seringa fosse injetada. Dentro dela, um nada amistoso líquido azul fluorescente — Vão conectar seu cérebro ao jogo, de forma que afete seu corpo aqui caso aconteça algo lá. 

— Você quer dizer que...

— Você pode morrer? Sim! Que bom que entendeu, é complicado explicar algo sem usar todas aquelas palavras difíceis da ciência — Yui tagarelava, rolando os olhos. Depois de ajustar algo dentro da injeção, ela soltou uma exclamação animada — Está pronto, venha! 

Kaede pensou em negar, mas aquilo apenas dificultaria as coisas. Ela já imaginava que seria obrigada a fazer parte daquilo mesmo contra sua vontade. Não era como se seus protestos fossem ser levados a sério de qualquer forma. 

A Ichibangase se aproximou, deitando-se sobre a cadeira. A luz emitida pela luminária pegava diretamente em seu rosto, fazendo com que apertasse os olhos. 

— Não precisa ficar com medo, Kaede — disse, se inclinando sobre seu corpo e usando a mão livre para afagar o rosto da ruiva. Aproximou os rostos, fazendo com que seus lábios roçassem em uma das orelhas de Kaede — Entre nós, você é a minha favorita. Tenho certeza que sobreviverá.  

Essas foram as últimas palavras que ouviu, antes de ter o pescoço perfurado pela fina agulha. 

De repente, suas pálpebras ficaram tão pesadas quanto os leões da montanha que ocasionalmente davam as caras nas florestas de Sapporo no inverno. 

E ela adormeceu, um sono tão profundo quanto um buraco de almas; caindo em direção ao ponto de partida. 


Notas Finais


─ antes do meu patético textão, aqui está meu jornal dez vezes mais patético: http://fics.me/21735901

─ aqui deveria ter o link do docs, mas eu não aguento mais organizar nada por hoje então voltem daqui há uns dois dias que vai ter algo aqui.

vamos aos avisos ‼️

─ 1. eu juro que a kaede não é esse bezerro desmamado que eu fiz parecer no teaser 2. as ações da yui são propositalmente forçadas, então se vocês lerem alguma coisa e ficarem "mas que p!rra de autora é essa que não sabe organizar as ações dos personagens" tem motivo ok? .

─ não tenho beta fixo para revisar a fanfic, então alguns (muitos) erros podem ter sido encontrados por vocês. peço perdão por isso, eu escrevo pelo celular e etc (todo aquele papo)

quanto ao que eu queria falar, é sobre os mukamis + tsukinamis. eu estava pensando em abrir mais seis vagas e disponibilizar eles, algo que aconteceria apenas com o fim do primeiro arco da história. eu também colocaria mais seis classes novas . . . vai dá um p!ta trabalho, mas se valer a pena vale o esforço :) então queria saber a opinião de vocês sobre, se seria melhor disponibilizar todos eles agora OU só daqui há alguns meses, quando eu terminasse de escrever a primeira parte de saigonoshinpan (lê-se "quando eu matar metade do elenco") /brincadeirinha (❔)

─ !!LINK DO SERVER NO DISCORD/IA NOS COMENTÁRIOS!!!!


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