História Saint Seiya Fanfic: Zona de Guerra - Capítulo 41


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Categorias Saint Seiya
Personagens Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Personagens Originais, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda
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Palavras 2.658
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 41 - Reconhecimento


– Esse cachorro realmente precisa vir com a gente?

A pergunta foi feita por Gerian, Cavaleiro de Prata da Constelação de Cães de Caça, enquanto observava o negro labrador que acompanha Uhri, o Cavaleiro de Bronze de Cão Menor.

– Aparentemente sim, Gerian. Ele sempre acompanha Uhri pelo visto.

A resposta partiu de Pietro, Cavaleiro de Prata de Cão Maior, líder daquela missão e que estava sentado ao chão recostado em uma árvore. Ele tinha o rosto fechado, mas não propriamente sisudo e, em verdade, pouco se importava com a presença ou não do cachorro desde que aquilo não influenciasse a missão.

Uhri estava sentado com a mão esqueda carinhosamente repousada no pescoço do cachorro. Os louros cabelos estavam bagunçados como se não vissem um pente há eras. O jovem olhou para Gerian e se explicou:

– Shadow esteve comigo desde quando eu perdi todos que amava e fui para o Santuário. Ele acompanhou meu treinamento e esteve comigo em todos os lugares e agora se tornou minha única família. Ele poderá ser útil.

O Cavaleiro de Cães de Caça respirou fundo e anuiu com a cabeça antes de dizer:

– Claro. Tudo bem. Desde que ele não estrague tudo aqui nem...

Pietro de Cão Maior interrompeu o companheiro ao se levantar e limpar alguns galhos e sujeita que se prenderam à sua roupa. Na sequência, disse:

– Acho que estamos acertados então, não é? O cachorro vai. Tanto faz. A nossa missão aqui é apenas conseguir mais proximidade do esconderijo de Hefesto e descobrir as defesas dele. Nada mais simples.

Concordando com o Pietro, Gerian e Uhri se levantaram. Shadow também. O cão se espreguiçou e o Cavaleiro de Cão Maior esboçou um sorriso ao vê-lo naquela situação, mas logo retornou ao seu semblante fechado normal.

Pietro passou então a organizar a movimentação dos quatro para as cercanias do Monte Etna. A ideira era basicamente se aproveitar do aglomerado de árvores entre o vulcão e a cidade de Catania para se esconder. Desse modo, precisariam evitar os vazios entre as formações arbóreas e deveriam utilizar das sombras para se ocultar. Os riscos eram óbvios, mas Pietro calculou boas chances de a missão ser bem-sucedida.

Uhri olhou para o céu e viu que a noite se aproximava devagar, quase como se a escuridão viesse escorregando pelo céu, preguiçosa para chegar. O Cavaleiro de Cães de Caça repassou com eles o plano e foi então que seguiram floresta a dentro.

Shadow seguia correndo silencioso ao lado do Cavaleiro de Cão Menor enquanto os outros dois iam um pouco à frente. Corriam, é verdade, mas corriam com cuidado. Evitavam galhos, gravetos e outros elementos típicos do lugar que pudessem, de qualquer forma, denunciar a presença do grupo.

Conforme se aproximavam do monte Etna, foram diminuindo sua velocidade até uma caminhada deveras vagarosa. A corrida e a adrenalina do momento fazia os corações dos três Cavaleiros e do cão Shadow baterem com vigor e velocidade.

Pietro parou alguns passos mais à frente e se apoiou em uma frondosa árvore à sua direita. Gerian deu a volta nessa mesma árvore e passou a encarar a base do monte Etna pelo outro lado. Uhri e Shadow avançaram para outra, mais à esquerda, ficando pouca coisa à frente dos demais Cavaleiros.

Daquele ponto podiam observar tranquilamente o monte Etna e ver praticamente toda a extensão da montanha. Meio que escondida na base, era possível enxergar uma entrada para alguma espécie de local dentro da formação.

Demais disso, era possível perceber a alta temperatura da parte de dentro. Pietro cogitou ser por conta do vulcão que, mesmo por ora adormecido, ainda possuía lava bem viva em seu interior. Entretanto, o que mais lhe impressionou naquele momento foram os guardas.

Eles estavam trajados como humanos, utilizando típicas vestes gregas, mas a pele – ou o que deveria ser a pele – tinha um tom puxado ao bronze e uma aparência metálica que beirava a bizarrice. Os estranhos seres conversavam timidamente entre si e se mantinham perfeitamente parados na entrada daquele lugar.

Pietro se afastou da árvore dando uns passos à frente e mantendo seu olhar fixo na entrada do monte Etna e nos seres que aguardavam. Shadow levantou as orelhas, mas Uhri passou a mão pela cabeça do animal fazendo-lhe sinal para que ficasse em silêncio.

O Cavaleiro de Cães de Caça também avançou uns poucos passos, mas quem interrompeu o silêncio foi Pietro, o Cavaleiro de Cão Maior:

– Eles não são humanos. Eles são como...

A frase foi interrompida no meio quando Pietro arregalou os olhos e acabou cuspindo sangue. Ele abaixou os olhos para o peito e se viu atravessado por um punho do mesmo tom dos guardas que observava e entendeu. O Cavaleiro de Cão Maior falhara.

Pietro desfaleceu e foi atirado ao chão por aquele ser que Uhri e Gerian não conseguiam determinar de onde havia vindo ou desde quando os acompanhava. De fato, não havia pele, mas apenas algo que se aproximava de uma carcaça de metal. Era humanoide, mas seu rosto permanecia fixo em uma posição sorridente que incomodava a qualquer um depois de poucos segundos. Olhá-lo era como adentrar o Vale da Estranheza[1] e lá permanecer. A voz metálica da criatura irrompeu no local quebrando o estado de choque em que se encontravam os dois Cavaleiros e o cão Shadow:

– Robôs? Sim. Autômatos de Hefesto, para sermos mais apropriados. Vocês realmente pensaram que poderiam se aproximar do território do deus das forjas sem serem notados? Morrerão como esse fraco indigno. Quem será o primeiro?

Com essa pergunta, o Autômato olhou para Gerian e depois fixou seu olhar em Uhri. Shadow colocou-se entre o Cavaleiro e o assecla de Hefesto e rosnou mostrando os dentes. Ignorando completamente o labrador, o Autômato voltou a falar:

– Acho que você será o primeiro, garoto.

E, dizendo isso, projetou o seu corpo a frente, com a mão fechada em poderoso punho para atingir Uhri. Gerian, no entanto, salto à frente esticando o seu braço esquerdo para defender o colega e terminando por receber todo o impacto do golpe. Era absurdo. E o Cavaleiro de Prata sentiu o escudo da Armadura de Cães de Caça se quebrando junto dos ossos sob ele.

Com a força do golpe, tanto Gerian quanto Uhri foram atirados para trás e caíram ao chão. Shadow novamente se pôs ente eles e o Autômato, em posição de ataque e rosnando alto. O Cavaleiro de Prata se levantou apoiando-se com o braço direito, já que o esquerdo agora estava inutilizado e viu Uhri ao chão e com vários machucados pelo corpo.

O Cavaleiro de Cão Menor se levantou com dificuldade e pôs-se em posição defensiva. Gerian sentiu a presença do fim... Sua hora estava chegando, mas ainda havia uma oportunidade para mudar o rumo dos acontecimentos, quiçá daquela guerra. Ele então gritou:

– Uhri! Shadow! É hora de partir! Fujam! Vocês precisam chegar ao Santuário!

O Autômato se manifestou em desacordo:

– E você acha que eles poderão chegar até lá?

Uma risada metálica encheu a floresta, era como metal em atrito com metal e fez com que Shadow arrepiasse ainda mais os pelos. Gerian olhou firme para Uhri e o Cavaleiro de Bronze entendeu o recado, anuindo com um movimento de cabeça.

Gerian partiu em direção ao Autômato, num ataque desesperado enquanto Uhri gritou pelo labrador e partiu em disparada pela floresta. O Cavaleiro de Prata bateu com seu ombro no peito do Autômato, desequilibrando-o e pode ver quando o Shadow passou seguindo Uhri pela floresta.

O Cavaleiro de Cão Menor correu como nunca havia corrido antes. Ele sabia o que viria a seguir. Pietro estava morto. Gerian abrira um curto intervalo para que ele pudesse fugir, mas não deveria durar muito também. As coisas não se descortinavam em um futuro auspicioso para o Cavaleiro. Ele sentia a perna esquerda incomodando e as panturrilhas queimavam ante o esforço repentino.

Shadow corria junto dele, em silêncio. Parecia centrado na fuga e corria acompanhando o Cavaleiro. Mais uma vez tudo havia sido retirado dos dois e um era, novamente, tudo o que o outro possuía. Para evitar chamar mais atenção do que um preto e um garoto com seus catorze anos, usando uma Armadura e cheio de ferimentos, correndo em velocidade sobre-humana já chamava, os dois desviaram de Catania. Precisavam seguir por fora e aquele seria um longo caminho até o Santuário.

Gerian sentiu o ombro esquerdo doendo e levou a mão direita a ele. O Autômato, quando se recuperou do impacto, disse:

– O que você ganhou com isso, Cavaleiro? A breve fuga de um companheiro de poder patético?

– Uma máquina como você jamais poderá entender os sentimentos humanos – respondeu Gerian pausadamente. O vínculo que nos une... Somos irmãos de armas! Assim, nenhum de nós luta pela glória! O treinamento, a dor, o sacrifício, tudo isso nos une.

– E os torna fracos! – interrompeu o Autômato.

– Fracos? – questionou o Cavaleiro de Prata. Os nossos laços nos tornam fracos? Você não tem ideia do que fala! Não somos fracos. Juntos somos fortes.

– Você está sozinho aqui, humano – contestou o robô. Somos só eu e você.

– Fisicamente sim – concordou Gerian. É verdade. Uhri e Shadow partiram ao meu comando. Ele é só um garoto muito novo e deve viver ainda. Já Pietro... Você o matou covardemente. Mais do que o comandante dessa missão, ele era meu amigo e companheiro de treinamento. E eu sei que além da Constelação de Cães de Caça, Pietro olha por mim da de Cão Maior. Ele também está comigo!

– Somente humanos tolos acreditam nisso – sentenciou o Autômato.

Gerian ignorou a frase, soltou o ombro esquerdo e se ajeitou, na medida do possível, em posição de ataque. Ele fechou o punho que ainda prestava e tinha uma expressão agressiva em seu rosto. Destoando de tudo estava o braço esquerdo, pendendo inerte ao lado de seu corpo e sem qualquer movimento. O Cavaleiro de Prata de Cães de Caça estava pronto para a luta.

O Autômato tornou a falar:

– Não há chances de você vencer. O seu cosmo é insuficiente.

Gerian cerrou os dentes e pôs-se a elevar o cosmo e uma aura prateada envolveu o seu corpo. O construto de Hefesto não se manifestou, mantendo-se parado e se recusando a adotar uma postura defensiva.

– Eu jamais vou perdoar você! – bradou o Cavaleiro. Turbilhão de Fogo!

Chamas envolveram o corpo do Cavaleiro de Prata enquanto ele se projetava à frente em um soco. As chamas se concentraram em seu punho cerrado e partiram num extenso turbilhão para acertar o Autômato.

O servo de Hefesto, contudo, não se moveu, recebendo todo o impacto do golpe de Gerian. Quando as chamas cessaram, o Cavaleiro pode vê-lo incólume, enquanto as poucas plantas e ervas ao seu redor foram reduzidas a cinzas.

– Impossível! – surpreendeu-se o Cães de Caça. Eu aprendi essa técnica com Íxion de Centauro, que foi treinado por Aiolos de Sagitário! Nós... Nós a aperfeiçoamos juntos! Como pode?!

– Eu disse a você – falou o Autômato com a voz metálica irritando os ouvidos do Cavaleiro. O seu cosmo é insuficiente. O nosso poder vem de uma gota do ikhor de Hefesto colocada dentro de nós por ele mesmo. Não há como vencer. Esse é o seu fim, Cavaleiro!

O Autômato disparou em direção a Gerian, desferindo sucessivos golpes em velocidades absurdas. Era rápido demais e o Cavaleiro não o podia acompanhar, muito menos defender. Cães de Caça sentia sua Armadura de Prata rachando, quebrando e se desfazendo frente aos golpes daquele formidável adversário.

Uma, duas, três, quatro costelas fraturadas. Quando o Autômato encerrou o seu golpe, Gerian estava no chão, rodeado por fragmentos de sua Armadura e ensanguentado. O braço esquerdo não era mais o maior de seus problemas... Ele respirava com dificuldade ante as fraturas em seu tórax e tinha sua visão prejudicada porquanto seus olhos estavam inchados e sujos de suor, sangue e poeira.

Gerian levantou com dificuldade. A maior parte de seus músculos já não obedecia com a mesma constância de antes e cada movimento exigia um esforço intenso. Ele sentia espasmos nas pernas e seu punho direito doía terrivelmente. Não havia outra saída.

O cosmo do Cavaleiro de Prata voltou a se elevar e a aura prateada que se formou ao seu redor passou a se expandir mais e mais. A relva no entorno se consumiu rapidamente com o calor gerado pelo cálido cosmo de Gerian. Chamas tomaram conta de seu corpo, mas era algo maior e mais potente do que antes.

– Queime, meu cosmo! – rugiu o Cavaleiro de Prata de Cães de Caça. Eleve-se! Atinja as estrelas e permita que eu brilhe como Cor Caroli[2]!

– Cavaleiro! – chamou o Autômato. O seu cosmo continua insuficiente. Não há hipótese de vitória.

A aura formata ao redor de Gerian se expandiu mais. Ele estava centrado em elevar o seu cosmo a um patamar que nunca havia atingido. As chamas eram cada vez mais fortes e a temperatura beirava o insuportável. O Cavaleiro então disse:

– Autômato! Eu não sei o seu nome. Eu não sei nem se uma máquina como você recebeu um nome de seu criador. Mas eu não posso permitir que as coisas permaneçam como estão. O meu cosmo é quente e me lembra cada um de meus companheiros. Elevando-o ao máximo eu consigo atingir uma reação em cadeia: a fissão nuclear! Alimentando-se da própria energia do átomo partido, essa reação se prolonga e aumenta em poder e escala! Eu trabalhei junto de Íxion, meu mestre, que a desenvolvia junto de Aiolos, o mestre de meu mestre! Mas não houve tempo hábil.

– Patético – reagiu o Autômato. Uma técnica incompleta?

Ignorando o assecla de Hefesto, Gerian continuou:

– Siga em frente, Uhri! Siga em frente! E você, Autômato, receba a maior técnica de Cães de Caça! Explosão Atômica!

As chamas que circundavam Gerian de Cães de Caça se turbilhonaram entre ele e o Autômato, começando a se contrair em um único ponto, como que absorvidas por alguma coisa. A quantidade de energia reunida entre os dois era impressionante.

Foi quando explodiu. A energia concentrada pelo Cavaleiro de Prata deu início à reação em cadeia, como esperado. A onda de choque gerada foi violente e a temperatura aumentou exponencialmente. Gerian estava com as pernas separadas e se mantinha em pé por um milagre. O braço esquerdo inutilizado ainda lhe pendendo ao lado enquanto o direito permanecia esticado para a execução da técnica.

Ele sentiu a temperatura o atingindo também. Gerian pode perceber a pouca pele que ainda possuía sem ferimentos se queimando diante do calor da fissão nuclear da Explosão Atômica. Todo o seu cosmo foi usado para esse derradeiro golpe. Porém, foi com descrença que ele observou uma figura humanoide saindo do epicentro daquela explosão: ele caminhava, como se nada estivesse acontecendo.

O Cavaleiro de Prata só conseguia enxergar um vulto saindo do interior das chamas, mas era suficiente para lhe dar a certeza: o oponente sobrevivera! Ele soltou o braço direito, que lhe caiu ao lado do corpo, como o esquerdo, e permaneceu em pé com suas últimas forças, vendo o Autômato se aproximar.

A imagem captada por seus olhos foi ganhando definição enquanto as chamas se dissipavam e Gerian pode ver que o Autômato agora portava um grande amassado em seu peito. O metal que lhe formava chegou a trincar, revelando, lá no interior, a gota do ikhor de Hefesto que o animava.

O Autômato se aproximou do Cavaleiro de Cães de Caça e o agarrou pelo pescoço, erguendo-o alguns centímetros do chão, e disse:

– Eu tenho nome, Eu sou Perifetes e afirmo, mais uma vez, que o seu cosmo foi insuficiente, Cavaleiro. Você deve ser eliminado.

Gerian conseguiu apenas sussurrar, mais para si do que para o Autômato:

– Uhri, eu espero que consiga. Você é a nossa esperança.

Ignorando tal frase, Perifetes terminou o aperto fatal, jogando o corpo, agora inerte, contra o chão. Gerian, o Cavaleiro de Prata da Constelação de Cães de Caça estava morto.

 

 

[1] Mais informações: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_da_estranheza

[2] Estrela mais brilhante da constelação de Cães de Caça



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