História Saint Seiya Fanfic: Zona de Guerra - Capítulo 42


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Categorias Saint Seiya
Personagens Hyoga de Cisne, Ikki de Fênix, Personagens Originais, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda
Visualizações 33
Palavras 2.093
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 42 - Sobrevivente


– Tom! Tom! Fala comigo, Tom!

A voz Paul ecoava em meio à destruição existente no saguão do Hotel Les Mille Collines. Ele agarrou o Cavaleiro caído no chão e o balançou pelos ombros, chamando mais uma vez:

– Thomas Wallace! Não deixe que Cérbero pereça aqui. Acorde, Tom!

Aos poucos, o jovem foi abrindo os olhos. A cabeça zunia e cada um de seus músculos doíam e reclamavam do esforço. O que mais doía era o ombro esquerdo, que recebeu o impacto do golpe de Télos de Destruição.

Paul o abraçou e era possível ver uma pequena lágrima escorrendo dos olhos do gerente. Thomas, sem entender o que acontecia e ouviu a voz de seu amigo repetindo:

– Você conseguiu, Tom! Você conseguiu!

O Cavaleiro de Prata então olhou ao seu redor e viu destruição, várias marcas de queimaduras e o corpo inerte do Falange de Destruição e aí se deu conta do que tinha acontecido. Ele venceu. Ele pode salvar todas aquelas pessoas!

Paul o ajudou a levantar e centenas de pessoas se agruparam em volta. Queriam cumprimenta-lo, abraça-lo, agradecê-lo, mas ele estava inerte a tudo isso. Ele sentia dor, cansaço e sabia que a sua Armadura de Prata também não estava bem. Ela o protegeu, mas foi muito danificada no processo. A ombreira que havia aparado o golpe do Falange, inclusive, estava praticamente inutilizada.

O gerente então pediu a todos que se afastassem, porque Tom precisava de um pouco de ar. Avisou a todos que ele iria descansar e, mais tarde, todos se encontrariam no restaurante do hotel para confraternizarem juntos. O Cavaleiro então apoio o braço nos ombros do antigo colega de treinamento e ele o ajudou a sair dali, subindo vagarosamente as escadas.

Eles subiram, degrau por degrau, todos os andares. Paul o guiou para uma porta ao fim do corredor, revelando mais uma escada e, por ela, os dois chegaram ao terraço do hotel. O tempo era agradável e, no horizonte, podia-se ver os primeiros raios de sol a iluminar Ruanda depois daquela noite terrível.

Tom respirou findo sentindo o fresco ar da madrugada percorrendo todo o caminho até os seus pulmões. Era bom estar vivo, apesar da dor que sentia. Atrás de si, próximo à escada por onde chegara ao terraço, ele ouviu a voz de Tatiana, a esposa de Paul:

– Acho que você deveria retirar essa Armadura para descansar melhor, Cavaleiro. Há muitos que ainda querem vê-lo e agradecê-lo. Por isso, achei melhor trazer-te a sua Caixa.

De fato, Tatiana carregava a Caixa de Pandora e a entregou a Tom. O Cavaleiro retirou sua Armadura e a guardou ali, permanecendo apenas com talim, a bainha e a espada que era de seu pai presos à cintura, tendo seu inseparável cantil do outro lado. Eles ficaram mais uns instantes ali, aproveitando o frescor da madrugada e sem dizer uma palavra, até que Paulo apoiou a mão sobre o ombro bom de Thomas e disse:

– Vamos. Você precisa de um bom banho para relaxar de verdade.

Tatiana já não estava com eles e Thomas somente se deu conta disso quando virou de volta para a escada. O gerente o guiou de volta e ele chegou a uma suíte simples, mas bem confortável. Paul tornou a falar:

– Esse é o quarto que divido com minha esposa, Tom. Você pode ficar aqui. Tatiana preparou um bom banho quente e foi atrás de algumas ataduras, além de remédio para suas feridas. Relaxe um pouco. Será bom para você.

O Cavaleiro assentiu com a cabeça e o amigo se retirou da suíte. Thomas se despiu e colocou, sobre a cama, a bainha com a espada, ambas presas pelo talim, e o cantil. Ele deixou sua roupa a um canto e entrou no banheiro.

Ao abrir a porta, a primeira coisa a perceber foi o espelho refletindo-lhe suas feições e ele estava horrível. Não só sujo, mas ferido, muito ferido. Havia um corte na bochecha e algumas marcas feias de pancada no maxilar, ao redor dos olhos e no pouco dos ombros que conseguia enxergar.

Thomas desviou o olhar e entrou na banheira. A água já estava morna, perfeita. E ele passou um tempo aproveitando e relaxando. O Cavaleiro se lavou e saiu, cuidando para não espalhar água pelo chão do lugar. Ele agarrou uma das toalhas e se secou. Ainda estava dolorido, mas agora, pelo menos, estava mais relaxado e limpo.

O Cavaleiro enrolou a toalha na cintura e saiu do banheiro. No quarto, encontrou peças de roupas novas e limpas sobre a cama. Ele deu um sorriso de canto de boca e pensou no quanto Paul o estava ajudando com tudo aquilo.

Thomas se vestiu e ficou impressionado com a qualidade das peças. Apesar de simples, eram roupas extremamente confortáveis. Ele calçou as botas, passou o cinto na cintura, novamente prendendo a arma de seu pai e o cantil. Pegou a Caixa de Pandora da Armadura de Prata de Cérbero e, quando se dirigia para a porta do quarto, ouviu batidas e a voz de Paul:

– Você está vestido, Tom?

– Sim, pode entrar – respondeu o jovem.

A porta se abriu e o gerente adentrou o lugar junto de Tatiana. Paul carregava algumas ataduras enquanto sua esposa trazia alguns medicamentos. O Cavaleiro agradeceu a presteza de ambos. Ele ficou um pouco ruborizado, mas deixou a Caixa de Pandora no chão e retirou a camisa que vestia para que Tatiana lhe tratasse o ombro ferido com os auxílios de Paul.

Thomas sentiu o toque gelado do emplastro e arrepiou. Paul segurou o ombro machucado para mantê-lo firme enquanto Tatiana lhe passava as ataduras. O alívio foi quase que imediato. O Cavaleiro novamente vestiu a camisa e os três saíram do quarto com um sorriso no rosto. Enquanto caminhavam, Paul lhe contava as novidades:

– Todos estão extremamente gratos por você tê-los salvado, Tom! Muitos deixaram o hotel, mas prometeram que voltariam. Não há mais perseguição nas ruas de Ruanda e alguns foram buscar mais mantimentos. Outros tomaram conta da cozinha e começaram a preparar um belo jantar.

O Cavaleiro de Prata arregalou os olhos. Atrair tanta atenção assim não era de seu feitio. Apesar de compreender a gratidão que eles sentiam, Tom tinha claro para si que havia apenas cumprido sua missão. Paul o guiou de volta ao saguão principal e Thomas o encontrou bem diferente de quando o viu depois da luta.

É bem verdade que ainda se podia encontrar alguns escombros e mobília quebrada pelos cantos, mas um batalhão havia se esforçado para deixar o local habitável. O tapete que o cosmo de Thomas fustigara já havia sido substituído e boa parte da sujeira e do entulho havia sido retirada.

Quatro compridas mesas foram dispostas no salão, com cadeiras e todo o aparato necessário a um banquete. À frente delas, uma outra, menor, no entanto. Os corpos dos soldados mortos pelo Falange e até mesmo o próprio Télos já haviam sido retirados e Thomas questionou o que fora feito com eles, ao que Paul prontamente respondeu:

– Todos foram levados e enterrados. Até mesmo Télos. Apesar de ter tentado de tudo para nos matar, ele ainda é um ser humano e deve ser tratado com respeito.

Thomas assentiu com a cabeça e sentou-se na cadeira que lhe foi indicada por Paul na mesa menor. O gerente se sentou à sua direita enquanto Tatiana ficou do outro lado. Todos os, até então, hóspedes do Hotel Les Mille Collines começaram a chegar e sentar, alguns trazendo os pratos e bebidas.

A refeição era farta e o aroma de comida quente invadia as narinas de Thomas e o deixava inebriado. A bebida, gelada como devia ser, refrescava-lhe a garganta e, por um momento, Thomas teve um vislumbre do que era felicidade.

Todos comemoravam e o Cavaleiro havia perdido a conta de quantas vezes vieram lhe cumprimentar e agradecer. Ele tentou dar o máximo de atenção a todos, porque era o que mais queriam dele. Um olhar, um aperto de mão, às vezes apenas um sorrido e já se retiravam com a alegria estampada nos olhos e demonstrada pelos dentes.

Findo o banquete, Thomas, tratado como rei, levantou-se e todos silenciaram e olharam para ele. Ele ruborizou, mas tentou dizer algumas palavras:

– Eu agradeço por tudo o que fizeram por mim. De verdade. Derrotar aquele Falange não foi nada além do meu dever como Cavaleiro e eu não merecia tudo isso. Obrigado a todos, de verdade.

As pessoas se levantaram e uma saraivada de palmas irrompeu no lugar. Alguns assobiaram e outros gritaram o nome de Thomas. Quando silenciaram, o Cavaleiro continuou:

– Eu espero que a madrugada de hoje nunca mais se repita na história de Ruanda. Espero que esse hotel nunca mais precise esconder pessoas e que ninguém mais seja perseguido apenas por ser quem é nessas adoráveis terras. Vivam em paz e façam seu melhor. Eu, por outro lado, preciso retornar ao meu grupo.

Algumas vozes de reprovação pela despedida apareceram, mas Thomas pode ver que a maior parte compreendeu a necessidade. Uma criança veio para perto dele com os olhos em lágrimas e o Cavaleiro a ergueu e abraçou, apesar do ombro reclamando do esforço.

Ficou um tempo ali e, quando ela parou de chorar, Thomas a colocou de volta no chão e disse para Paul que realmente precisava partir. O gerente se levantou e anunciou:

– Thomas Wallace, o Cavaleiro de Prata da Constelação de Cérbero, precisa partir. Mas a nossa comemoração permanece! Comam, bebam e celebrem a vida de vocês! Voltarei em breve.

Paul, Thomas e Tatiana se retiraram e foram para a porta da frente. Do lado de fora, o gerente deu um abraço apertado no Cavaleiro e disse:

– Você cresceu muito desde a última vez que nos vimos, meu amigo. Muito obrigado por tudo aquilo que você realizou aqui nessa noite.

Thomas abriu um sorriso e disse:

– Eu é que sou grato. Agora eu consigo compreender o meu rumo e, por isso, devo partir.

Tatiana sorriu para ele, com aquele olhar profundo de sempre. Ela então pediu que ele aguardasse um pouco porque ela traria algo. Paul olhou surpreso enquanto a esposa se retirava e depois disse:

– Não me pergunte. Eu também não sei do que ela está falando.

Thomas riu e voltou a falar:

– Paul, meu amigo, você está fazendo um ótimo serviço aqui. E, se a missão de um Cavaleiro é proteger os mais fracos da opressão dos mais fortes, você é tão Cavaleiro quanto eu. Não tenho palavras para expressar o meu agradecimento.

– Não precisa disso, Tom – respondeu o gerente. Estaremos sempre aqui por você. Quando precisar, só venha. Não precisa avisar nem nada. Apenas bata que esse hotel sempre terá um lugar para você.

O Cavaleiro sorriu emocionado e abraçou mais uma vez o colega. Com isso, ele viu Tatiana retornando com uma meia capa de cor escura nas mãos. Ela o entregou a Thomas e disse:

– Use-a para se proteger. O sol vai demorar para esquentar a região, mas quando o fizer, você precisará proteger sua pele. Os ventos também podem ser traiçoeiros e ela te ajudará.

Thomas vestiu a meia capa, deixando-a sobre o obro esquerdo e então desabotoou o talim, soltando a bainha e a espada de sua cintura. Ele a segurou com as duas mãos e retirou a espada, observando como a lâmina brilhava sob a luz do sol do amanhecer. Paul achou a cena curiosa e perguntou:

– O que houve, Tom?

– Eu só queria dar uma última olhada nela – respondeu o Cérbero. Cavaleiros não podem usar armas. E você bem sabe disso, meu amigo. Eu sempre a carreguei porque era a espada de meu pai, uma verdadeira longsword escocesa. Quero deixa-la com você. A guerra vai ser bem mais difícil e vai trazer muito mais pavor do que esse Falange. Como eu disse, você não se sagrou Cavaleiro, mas ainda tem muito de um dentro de você. Proteja a si mesmo, proteja Tatiana e continue protegendo tanto quanto você consiga. Ficarei grato se a espada de meu pai puder ajudar de alguma forma.

O gerente tomou a espada, a bainha e o talim com cuidado. Seus olhos observaram cada detalhe da lâmina e de seu brilho. Seus olhos observavam cada detalhe e ele parecia sem reação. Tatiana tinha um sorriso enorme no rosto. E Paul disse meio entrecortado:

– Será uma honra, meu amigo.

Thomas, por sua vez, apertou a mão dos dois e disse virando as costas e começando sua caminhada de volta ao Santuário:

– É hora de ir. Preciso voltar para o Santuário. É guerra e é lá que um Cavaleiro deve estar.



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