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História Saint Seiya Ómega, a saga de Hera (1 temporada) - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


A moça da foto é a Akemi, fi-la num app de fazer avatares.
Neste capítulo vamos deparar-nos com a verdadeira natureza da Hera, e o nascimento do Camus e do Isaak. Pra fazer o parto da Eiri inspirei-me em vários testemunhos que vi na net.
O Território Morto é o único nome para o tal. Eu pus "Homens Mortos" ou "Seres Mortos", mas o oficial é Território Morto.
Neste cap. também vamos perceber um pouco sobre os Líderes, que guardam imensos segredos e mágoas.
Eu vou usar o termo "rapariga" com o significado do pt-br em itálico.
Espero que gostem.

Capítulo 7 - A verdadeira natureza de Hera. A reunião no Templo do Papa


Fanfic / Fanfiction Saint Seiya Ómega, a saga de Hera (1 temporada) - Capítulo 7 - A verdadeira natureza de Hera. A reunião no Templo do Papa

Pavlónia, Domus do Sanguinário, um pouco antes de James ir para a Ilha de Andrómeda

 

- Percebeste o que tens que fazer?

James olhava para Hera com cara de horror e choque ao saber a missão que Hera lhe acabou de dar.

- Isso é crueldade, Hera!

- Chama-se ser genial.

- Se isso é ser genial, prefiro manter-me na ignorância. A Akemi tem razão, tu és mesmo uma vilã perversa. Mas desde o dia do Massacre, nada vindo de ti me surpreende.

O Líder dos Sanguinários olhou para a deusa perigosamente e a sua expressão não mudou, nem mesmo depois de sentir uma dor aguda e tenebrosa localizada debaixo do lábio inferior que se estendia até debaixo do queixo. Era como se a sua pele estivesse a ser rasgada. E estava: a sua cicatriz estava a abrir-se. Novamente.

- Era suposto eu estar a gritar de dor? Lamento não estar a corresponder às tuas expectativas.

Hera deu-lhe uma pequena pedra verde-escura e de seguida fez com que saísse da unha esquerda do indicador várias adagas verde-pavão que atingiram todos os pontos não vitais do corpo de James. Sorriu ao ver a expectativa tornar-se realidade e deixou James a agonizar caído no chão, quase inconsciente devido à dor insuportável.

- Isto não é nada. – Ele sussurrou entre dentes, e de seguida, soltou um berro de dor. – Isto é pouco comparado com o que eles sofreram!

Hera impingiu-lhe mais dor e continuou até que ele desmaiasse. Saiu da Montanha e viu Sebastian na Ágora das Sacerdotisas, a retirar água de um poço.

- Porque é que não pedes a alguém que te faça isso? – Perguntou a deusa.

- Eu ainda tenho mãos. – O Lobisomem respondeu sem olhá-la.

- Porque é que não estás com a tua noiva?

Sebastian entrou, propositadamente, no joguinho de Hera.

- Porque é que eu deveria estar com ela? Ela é a minha noiva, não a minha roupa.

- Mas não estás preocupado com ela?

- Tenho razões para estar?

- Não sei, mas não foste tu que disseste que irias protege-la, por mais que me devas lealdade?

O Lobisomem, finalmente, ergueu a cabeça e olhou os olhos de Hera.

- Achas mesmo que uma mulher como a Samantha precisa de alguém que a proteja?!

Hera franziu o cenho.

- Isso não contradiz o que disseste quando estavas no meu templo?

- Contradiz sim, mas quem é que te disse que não foi propositado?

- Desculpa?

- “Foi uma performance convincente, não foi?” – Sebastian imitou a fala da deusa. – Eu só quis arrancar de ti uma informaçãozinha. Ainda bem que já o fizeste e ainda à frente de Atena e de alguns dos seus Cavaleiros, por isso, já não podes voltar atrás.

- Do que é que estás a…. – Hera chegou a uma conclusão. – Maldito!

- Eu confesso que não estava à espera que a Sam fosse ajudar numa traição, e quando a descobri, eu quis agarrá-la pelos ombros e perguntar-lhe “Porquê?”. Mas apesar de tudo, ela é a minha noiva, e a Akemi é a melhor amiga dela. Eu preferi que elas se enfrentassem e morressem de maneira honrada, do que morrer como eles, já que tu inventarias algum método desumano para as punires, por mais que as suas mortes possam ser inevitáveis. Ainda bem que tomei a iniciativa, agora já não podes voltar atrás. E anda bem que elas perceberam e alinharam.

- Maldito! – E Hera saiu, mas antes disso, aplicou o mesmo “divertimento” que aplicara em James.

- Isto não é nada. – Sussurrou ele. – Eles sofreram muito mais do que isto.

 

China, Cinco Picos do Rozan

 

Shunrei estava a lavar a louça do pequeno-almoço na pia em frente à janela, enquanto olhava para a maravilhosa vista que eram os Cinco Picos do Rozan e cantarolava uns versos de música rock:

- Sim, eu vou te amar, baby

  Sempre e eu estarei lá

  Para sempre e um dia, sempre

  Eu estarei lá, até as estrelas não brilharem

  Até o céu estourar e as palavras não rimarem

  Eu sei que quando eu morrer, você estará em minha mente

  E eu vou te amar sempre

 

Always, Bon Jovi

 

Limpou as mãos a um pano e desligou o rádio rosa claro, encarando-o tristemente:

- Ah, Akemi, fazes tanta falta aqui por estes lados… onde é que estás? Tu desapareceste e nunca mais ninguém te viu, estamos todos preocupados, por favor volta. O Ryuho… ele já te procurou por todo o lado, tens que voltar, por favor…

Suspirou e foi na direção da horta para recolher vários vegetais e fazer uma sopa que desse para o almoço. Estava com um semblante preocupado porque ainda havia a carta. De que coisa séria é que Souma e Yuna estavam a falar?

Quando cortava uma cenoura em finíssimas rodelas, foi surpreendida por passos pesados e braços envolveram a sua cintura. Um queixo apoiou-se no seu ombro, seguido por um demorado beijo no pescoço.

- Olá querida. – Sussurrou a voz grave e involuntariamente sensual de Shiryu no seu ouvido.

Shunrei não lhe disse nada, mas beijou-o nos lábios.

- Eu ainda estou aqui. – Disse uma outra voz mais juvenil.

A mulher desenvencilhou-se dos braços do marido e olhou para o filho. Ele parecia radiante, como se tivesse descoberto que iria ser pai pela primeira vez, porém, o motivo não era esse, mas sim, a linda jovem inconsciente com o rosto levemente contorcido e várias feridas e cicatrizes espalhadas pelo corpo. Quase caiu para o lado ao perceber que era a sua “nora” desaparecida.

- Akemi. – Não se conteve e foi ao seu encontro. – Oh querida, o que é que se passa? Que cicatrizes são estas?

- É uma longa história, mãe.

Shunrei acariciou-lhe a bochecha direita e deparou-se com os fios mais curtos que os outros.

- Akemi, tu prometeste que nunca irias cortar o cabelo. – E arrependeu-se do fútil comentário. – O que é que eu estou a dizer? Isso é o menos. – Tocou-lhe o topo da cabeça, e ao percebê-la molhada, tirou a mão e os seus olhos arregalaram-se ao ver o líquido vermelho. - Ryuho, leva-a para o quarto. Eu tenho que lhe dar banho.

- A, claro. É para já.

Ryuho levou o corpo desacordado da namorada até ao pequeno quarto e deitou-o na cama. Segurou uma das suas mãos com força e encostou-a na sua testa. Quis gritar em plenos pulmões, voltar a abraçá-la e beijá-la, mas Shunrei entrou no quarto.

- Deixa-me cuidar dela.

- Claro, mãe. – Ryuho deixou o quarto.

Shunrei olhou para Akemi. Ela continuava bonita, mas o seu rosto parecia tão abatido. Engoliu em seco quando se lembrou do sangue nas mãos. O que é que lhe tinha acontecido? Se calhar o melhor era não saber mesmo.

Começou a retirar-lhe as correntes e a gargantilha que lhe enfeitavam o pescoço, os brincos chiquérrimos, os braceletes que também lhe tapavam uma boa parte das mãos. Quando removeu o direito, quase gritou de horror ao ver o estado deplorável das mãos dela: a pele estava enrugada e vermelha, haviam zonas onde pele era inexistente, na ponta dos dedos praticamente não existia, as unhas pareciam ter derretido, ou simplesmente queimado. Shunrei temeu por ela e quase se desesperou. Quando foi tirar o anel, sentiu uma dor exorbitante e os dedos começaram a desfazer-se como se tivessem entrado em contacto com ácido corrosivo. O seu grito fez com que Akemi acordasse sobressaltada e segurasse o pulso de Shunrei firmemente.

- PÁRA!

E em menos de meio segundo, a mão de Shunrei voltou ao normal, sem uma cicatriz sequer. Nem nenhuma dor, como se aquilo não tivesse acontecido.

- Shunrei! Tentaste tirar a minha Pena?! ENLOUQUECESTE?!

Por breves instantes, Shunrei sentiu medo da “nora” e ao perceber isso, Akemi esqueceu-se de tudo e abraçou-a.

- Desculpa, Shu. Eu não te quis assustar.

A mulher retribuiu o abraço, mas foram interrompidas por Shiryu e Ryuho que escancararam a porta ao ouvir os gritos de Shunrei.

- Tudo bem por aqui?

- Agora sim.

Pai e filho juntaram-se às duas e ficaram abraçados por horas. No entanto, Akemi desvencilhou-se e puxou Shiryu por um braço.

- Tenho que falar contigo. A sós.

Antes que alguém os pudesse impedir, já estavam fora do quarto, mais precisamente no fundo do corredor.

- Akemi, o que é que se passa?

- Shiryu, o Ryuho tem que arranjar uma mulher a sério.

- Como assim?

- Shiryu…. – Akemi rasgou o tecido do vestido que lhe cobria a barriga, mostrando o ventre liso, porém com uma cicatriz asquerosa que pareceu ter sido causada por algo que a trespassou. – Eu já não produzo. Agora não passo de uma imprestável. Uma mulher estéril como eu não passa de um estorvo.

- E então? – Ryuho saiu do quarto e ouviu a conversa. – Akemi, quando eu te salvei e disse que te iria amar acontecesse o que acontecesse… isto também está incluído. Confesso que não estava à espera, mas tu és mais importante. Quer dizer, nós podemos adotar uma criança.

- Não cries espectativas. Eu vou morrer daqui a quatro meses. - Com os olhos inundados em lágrimas, deixou a casa e correu na direção da cachoeira, porém, surpreendeu-se ao sentir dois cosmos bem conhecidos.

- James, Samantha? O que é que fazem aqui?

- A Hera pediu para te entregar isto e dares a Atena. Já que és uma traidora, ao menos faz alguma coisa que preste. Palavras da Hera. – Samantha passou um cilindro dourado com vários enfeites embutidos em ouro maciço.

- E tu James, o que estás aqui a fazer?

- A Hera nem sequer sabe que eu estou aqui, e quando souber, vai passar-se, mas eu estou simplesmente nas tintas. Não vai afetá-la em nada, por isso mandei um autêntico foda-se. Só vim porque me apeteceu. Quero saber se estás bem… e preciso de falar com a Comandante.

Akemi deixou escapar um riso seco. Aquele era o James que conhecia: despreocupado com tudo o que fosse relacionado a reações de Hera, melhor dizendo, despreocupado com Hera e com uma enorme devoção ao seu Território. Principalmente depois daquele dia…

- O que é que fazem aqui? Não me venham dizer que vieram só entregar isso, eu conheço-vos há 18 anos.

- Nesse caso, deves saber que somos teus amigos e que nos preocupamos contigo. – Samantha segurou um dos ombros da Hiroshi. – Eu vou falar com o Ryuho coisas a teu respeito que eu sei que não vais ter coragem de lhe dizer na cara. Não me impeças.

- Não tenho intenções disso. Desde que não inventes nada. – Assim que Samantha desapareceu, Akemi encarou James e permitiu-se chorar no peito do amigo, que a consolou envolvendo-a nos seus braços. – James, o que é que eu faço? Eu amo o Ryuho, mas nada vai ser como antes. Eu já não sou a mesma, e mesmo que fosse, daqui a quatro meses estou morta.

- Ouve. – O Sanguinário segurou-lhe delicadamente o queixo e beijou-lhe a testa. – Tu só tens quatro meses de vida, não penses em ti como Indomável, pensa em ti como quem eras, e ainda és, antes de seres uma Indomável: a Akemi Hiroshi. O Ryuho ama a Akemi, por isso, esquece a Indomável. Ainda só te encontraste com eles os três. Imagina como vais ficar feliz assim que vires o teu irmão, a namorada dele, a Natassia, a Eiri, as crianças do orfanato, os teus queridos pais, acredita em mim, quando estiveres com eles, vais esquecer que és a Indomável. E já agora: belo bluff: “Eu conheço a tua irmã o suficiente para saber que ela tem um coração de pedra rija o suficiente para nem sequer reparar num tipo com meio metro de pau.”

- Eu não estava a fazer bluff.

James riu, mas Akemi conhecia-o demasiado bem para não saber que aquele sorriso que ele dava, aquele sorriso aparentemente honesto, mas que na verdade escondia um remorso imensurável, que só poderia ser causado por uma coisa:

- O que é que a Hera te mandou fazer desta vez?

As feições do Líder dos Sanguinários mudaram. Os dois desenvincilharam-se, mas não desviaram os olhos. A máscara caiu e James queimou o cosmo como se este fosse uma bomba nuclear que ficou demasiado tempo à espera de explodir e que, durante esse tempo, tivesse acumulado energia e energia… que explodiu. Não interferiu em nada e deixou que James descarregasse a sua raiva na direção dos céus. Quando se acalmou, os dois voltaram a encarar-se.

- Queres saber de uma coisa? A Hera revelou-nos o que aconteceu à Comandante. Acredites ou não, foi o Freddie Zarolho, e foi graças à Comandante que ele se chama Freddie Zarolho.

De maneira detalhada, mas objetiva, revelou tudo.

- Depois eu é que sou ingrata… aquela rameira… as espécies a que nós chamamos “bichos asquerosos” levam com lavagens cerebrais para não saberem que Pavlónia existe. A Comandante levou com cinco delas. Puta de merda…

 

 

Hospital da Fundação GRAAD, receção

 

Natassia abriu a porta que dava para a receção. Sentiu-se estranha por ver aquele lado do pai tão fragilizado e sensível. Ele sempre foi um homem frio, que raramente se expressava emocionalmente, principalmente depois da dita Guerra contra Marte, ou depois das Guerras contra a tal de Pallas, (que se arrependeu do mal que estava a fazer) e Saturno.

Mas isso não queria dizer que ele não a amasse, ou não amasse a sua mãe. O seu amor pela família poderia ser muito maior do que o dos pais de algumas das suas amigas da faculdade. Na verdade, Natassia sabia que era muito amada pelo pai, mesmo que ele não o soubesse demonstrar, ele sempre lhe ensinou tudo o que sabia e estava sempre presente nos momentos mais importantes da sua vida e apoiava-a incondicionalmente em todos os seus passos como pessoa. Pelo que a mãe lhe contava, ele sempre foi um marido fiel que amava a sua família com todas as suas forças, e não era pelo facto de ele ter deixado de lhe dar a mão em público, ou não passar o tempo todo a dizer palavras carinhosas, que ela não deixava de se sentir amada.  Ele nunca a magoou, nunca a abandonou, nunca a desrespeitou, nunca a enganou, nunca a maltratou, mas deu-lhe um autêntico susto no dia em que descobriu que iria ser pai pela primeira vez.

Mas verdade fosse dita, mesmo com 36 anos, Hyoga Alexei era um homem mesmo atraente: louro, de olhos azuis, bronzeado e sem nenhum sinal de idade, como banha na barriga ou cabelo a cair ou esbranquiçar. E isso era um problema.

Porquê?

Ela era uma universitária, e tinha “amigas” e colegas que eram umas completas raparigas.

As vadias passavam o tempo todo a perguntar-lhe como ia o casamento dos seus pais ou quando raio era que Eiri não estava em casa à noite para que não soubesse o quanto o marido se iria deliciar com um banquete de universitárias. Natassia contorcia a cara de nojo quando se lembrava disso e perguntava que raio de educação era a que os pais das benditas almas lhes davam. Tal como Camus e Hyoga, Natassia também demostrava uma certa serenidade e frieza baseadas em não demonstrar sentimentos. Permanecia sempre calma, fria e calculista para com todos na faculdade enquanto estudante, mas não conseguiu conter o riso ao ver as caras de pau que as raparigas fizeram quando anunciou que iria ter dois irmãozinhos.

Encarou a receção do hospital e o que lhe saltou à vista foram as seis pessoas que se aparentavam visivelmente nervosas: Miho e Sayuri Solo, Gohan Hiroshi, Kouga, o seu querido “tio” Shun e uma mulher loura que ela não conhecia.

- Tio!

Shun sorriu para a “sobrinha” e cumprimentou-a com um beijo no rosto e um abraço.

- Olá, querida.

Quando desfizeram o abraço, Natassia olhou para June e o Cavaleiro apressou-se a apresenta-la:

- Esta é a June: a minha namorada.

Natassia ergueu as sobrancelhas.

- Finalmente desencalhou… - Atrás dela todos se riram, sem contar com Sayuri, que dormia no ombro de Gohan. “Agora só faltas tu, Hiroshi. Vê se pedes a minha amiga em casamento.”. Como pessoa sociável que não era, apresentou-se a June. – Sou a Natassia e sou a sobrinha do Shun. Mais ou menos.

- O que é que fazes da vida?

- Por agora estou a estudar, mas pretendo trabalhar aqui no hospital na obstetra. Isto se sobreviver até ao fim do curso.

June sorriu-lhe gentil.

- Então… tu és a filha do Hyoga de Cisne. Só tenho uma pergunta: o que é uma “mulher maravilha”?

Natassia riu-se.

- Como assim não sabes quem é a Mulher Maravilha? É uma das maiores super-heroínas da ficção. Olha.

Tirou o telemóvel do bolso e mostrou uma foto da personagem fictícia em questão.

- Ok, já sei porque é que o teu pai me chamou isso.

Natassia estranhou a fala de June, que apenas disse:

- Lamento, mas não devo mencionar nada à frente desta gente toda. – Proferiu, referindo-se ao facto de o hospital estar bastante movimentado.

- Tudo bem… presumo que tenha alguma coisa a ver com Cavaleiros de Atena.

Shun e June sentaram-se na cadeira, mas June pareceu ter uma certa dificuldade. Mas por sorte, ninguém disse nada a respeito.

A par disso, Kouga estava sentado na sua cadeira e visivelmente tenso. Que poderoso cosmo era aquele proveniente da tal June?

Ao fim de quase hora e meia entraram no hospital quatro indivíduos: duas mulheres e dois homens, sendo que uma delas não passou despercebida quando a sua voz doce se fez ouvir:

- Hey, people. Tiveram saudades?

Kouga, Natassia, Miho e Gohan viraram-se para trás e as suas caras viraram puro choque.

 

 

Japão, casa da família Solo, duas horas e meia antes

 

- Ahhhhhhhhh… estou mais morto que um cadáver…. – Reclama Kouga, enterrando-se na cama macia do quarto que Miho Solo, a doce esposa do magnata do comércio marítimo: Julian Solo, lhe cedeu com toda a gentileza e sem quaisquer condições para que o trabalhador do cais, que ainda era menor de idade e como tal, não podia ter uma moradia própria, tivesse onde viver.

- Tudo bem? – Perguntou a mulher.

- Senhora Solo, eu estou tão cansado. Trabalhar é tão difícil…

- Miho. – Corrigiu ela, sentando-se ao lado dele. – Quantas vezes tenho que dizer para não me chamares Senhora Solo? Fazes-me parecer uma velha. Só tenho 35 anos…

- Desculpe, mas trabalhar no cais é cansativo…

- Mas se não trabalhares, não podes comer, pagar eletricidade e essas coisas. Não te esqueças que foste tu que quiseste ir trabalhar para saberes e o mundo real era tão complicado como diziam. Daqui a um ano fazes dezoito e já podes trabalhar mesmo, num emprego a sério. Mal posso esperar por te ver com a farda de oficial da ANP (Agência Nacional de Polícia).

Kouga sorriu para o teto. Desde que ouviu falar da polícia, das suas funções, e depois de ver inúmeras séries de investigação criminal, mesmo que tivesse demorado perto de meio ano, percebeu que era aquilo mesmo que queria fazer da vida.

Quando comunicou a sua decisão de dar uma volta ao mundo, Seiya e Saori apoiaram-no de imediato, principalmente Saori, que disse que não iria interferir nas suas vontades nunca mais e apenas lhe pediu para aproveitar a vida ao máximo e usar bem a liberdade que tinha enquanto homem livre. Ela pareceu realizada, talvez por não lhe ter dado a infância e adolescência agradáveis que ele merecia e naquele momento, estava a deixá-lo sair do ninho e ser quem quisesse.

Juntamente com Éden, viajou pelo mundo, e um dos destinos foi o Japão, onde conheceu a sua ex namorada, grande amiga no presente, com quem desabafava montes e montes de coisas, inclusive o seu amor escondido pela sua melhor amiga, de quem já tinha montes e montes de saudades, mas só queria voltar a vê-la depois de “ser alguém na vida”. Para além de ser um Cavaleiro de Atena que salvou o mundo e blá blá blá. Nada de interessante.

Durante a sua viagem, também conheceu a família Solo: Julian, Miho, Sayuri e Penélope. Apesar das poses que davam a qualquer um que as tivesse o rótulo de “riquinhos mimados”, os Solo eram uma família educada, muito respeitada, amável, gentil, pura e de boa vontade. Graças a ele, também conheceu a família Alexei. Quem diria que Hyoga de Cisne também tinha constituído uma família. A sua esposa Eiri Alexei era muito gentil e alegre, trabalhava no orfanato “Filhos das Estrelas” e Natassia era o fruto do amor deles. Era bonita ao nível extremo, mais parecia um ser divino, mas tinha uma personalidade doce, porém, calma e fria enquanto universitária. No entanto, por mais bela que Natassia fosse, aos seus olhos, não havia nenhuma mulher mais única e linda que a verdadeira dona do seu coração: a sua salvadora, que o trazia para a luz sem se importar consigo própria, a amazona mais forte que alguma vez conheceu: Yuna de Águia.

Porém, os seus pensamentos foram interrompidos por Sayuri que entrou abrutadamente no quarto.

- Anda, rápido!

- O que é que aconteceu?

- Os bebés da Eiri vão nascer.

- JÁ?!

- Sim, vem depressa!

 

*_*_*_*_*_*

 

Hospital da Fundação GRAAD

 

Eram três da manhã na receção do hospital e nada de notícias de Eiri. Até uma rececionista chegar apressadamente, em direção a Miho.

- Senhora Solo, está a aguardar notícias de Eiri Alexei, estou certa?

- Sim, estou. Como é que ela está? – Perguntou bastante preocupada. Assim como os que estavam quase a adormecer na receção, Miho despertou repentinamente.

- Não está nada bem, a anemia só piora, mas os bebés não vão sair afetados, só a mãe, mas mesmo assim, a gestação já estava muito avançada, as crianças sofreram com alguns impactos, o parto prematuro e muito provavelmente terão de ir para a incubadora, pois certamente terão pouco peso ao nascer, já que eles não receberão todo o oxigênio que necessitam, mas…

- Mas o quê?! – Grita Natassia impaciente e com o medo redobrado. Haviam muitas coisas a se dizer sobre a anemia, e a mulher não estava a referi-las, não que fosse totalmente necessário, porém, mesmo que estudasse Medicina, os seus conhecimentos esvaziaram-se completamente da sua mente. Não se lembrava de nada.

- A senhora Alexei já estava fraca e doente antes de dar à luz, eu tenho fé de que vá correr tudo bem, e que não será necessário recorrer à cesariana. O máximo que podem fazer é rezar, e sair daqui. O parto vai demorar mais que o previsto.

- Quanto tempo?!

- Mais nove horas. Era para ser só oito. O parto vai demorar doze horas.

- Doze horas?! – Kouga tinha uma absoluta cara de espanto.

- Sim, podem sair, estão a ocupar imenso espaço, por favor tentem compreender.

- Claro, não se preocupe. – Desculpou-se Miho.

 

Ilha de Andrómeda

 

June caminhou na direção da praia afim de ir treinar um pouco. Pensou em levar Shun para a cama, mas ele parecia demasiado preocupado com o amigo e provavelmente não estava com cabeça para sexo, então resolveu treinar e conhecer melhor os discípulos do seu amado Cavaleiro, mas surpreendeu-se quando reparou que James ainda estava com eles.

 

Um pouco antes…

Shun e June preparavam-se para avisar Ray e Phillip que precisariam de sair, mas não os viram na praia. Assim que ficaram preocupados, o cosmo de James fez-se sentir:

- Não se preocupem. Eu estou com eles na floresta, vão à vontade.

Shun ergueu uma sobrancelha.

- Podemos confiar nele, June?

- Sim, eles estão em boas mãos. O James gosta de crianças.

- Mas ele é inimigo. É um Líder.

- E então? Qualquer Líder tem que ser paciente para com os que lhe são inferiores, e se o James não passasse de um sádico maníaco, nem sequer seria Líder.

- Obrigado por me defenderes, Comandante, mas não têm de ir a não sei onde?

- Sim, obrigada por cuidares deles.

- É um prazer, e para a próxima, fodam mais baixo. Porque é que acham que estamos tão longe? Eu ouvia-vos da varanda da vossa casa.

Shun e June coraram instantaneamente.

- Desculpa. – Pediu ela. – Obrigada na mesma, mas temos de ir.

- Fiquem descansados.

O que nenhum dos dois sabiam era que o Líder estava com Ray e Phillip apenas para tentar acalmar as feridas da alma, que eram mais que muitas. Mas nenhuma delas era causada pelo amor recém-descoberto entre Shun e June. Na verdade, esse dava-lhe um estranho alívio.

 

- Ainda aqui estás?

- Sim.

June estranhou o facto de James lhe ter dirigido a palavra de forma tão curta e fria, mas não opinou a respeito disso. Resolveu não meter conversa, ele parecia realmente magoado, mas quando Ray veio, um fraco sorriso surgiu nos seus lábios finos.

- Ensine-me aquele golpe da luz vermelha, por favor…. – Pediu o mais pequeno.

Num sincero gesto de paciência, acariciou o tipo da cabeça do pequeno e desceu a mão, segurando delicadamente no rosto da criança.

- É assim que te queres tornar forte, Ray? A fazer o que os outros fazem?

O menino empalideceu.

- Ray, se queres ser forte, tens que fazer as coisas por ti, e não a esconderes-te atrás do reflexo de outro homem quando ele se vê ao espelho. Esse homem já existe, e cada criatura que vive neste universo é única, não precisa de uma réplica. Queres ser forte? Descobre as tuas próprias técnicas, as tuas próprias forças, mas antes, tens que conhecer as tuas fraquezas. Os nossos corpos mortais têm os seus limites, e para evitarmos a morte certa, temos de os conhecer. Percebeste, Ray?

- Sim! Obrigado, Senhor James!

O menino voltou a sair e os dois Líderes encararam-se.

- Tudo bem? – Perguntou June.

James sobressaltou-se e sem pensar no que fazia, abraçou-a.

- Agora és tão diferente, tão… não sei… - Os seus olhos inundaram-se em lágrimas e as suas pernas perderam a força, ficando de joelhos no chão, sem ter coragem de a encarar. Por volta daquela altura, já tinha os maxilares mais que partidos. Em vez disso, a Comandante estava ao mesmo nível que ele a segurar-lhes as mãos e olhá-lo nos olhos, a tentar compreendê-lo. Ela não o podia ver assim. Por isso, levantou-se e abriu um portal.

- Espero que um dia me possas perdoar.

- James, espe…. – Mas o portal fechou-se. Perdoá-lo pelo quê?

 

Hospital da Fundação GRAAD, nove horas depois

 

O choro infantil ecoou pela sala de parto e Eiri desprendeu o ar nos pulmões numa expiração sôfrega. Com a vista embaçada pelas lágrimas de emoção e dor, olhou para Hyoga, que lhe segurava a mão e parecia tão emocionado como ela. A última vez que o viu tão emocionado e radiante foi há sete meses quando lhe disse que estava grávida de novo e que Natassia iria ter um irmãozinho. Ou irmãzinha. Ou os dois.

Sentiu o pequeno Camus ser deitado em cima de si sujo de sangue e líquido amniótico, tal como aconteceu com Natassia e a sensação estava a ser tão boa… o seu bebé era tão pequenino e estava tão quentinho. Tinha a pele clara e os cabelos ralos, mas percebia-se que eram louros. Os seus olhinhos eram azuis-marinhos, mas uma coisa era certa: o seu bebé era lindo. “Foste tu que a trouxeste ao mundo. Ela fez parte de ti, saiu do teu corpo. E agora aqui está ela.*”, disse-lhe Miho quando Natassia nasceu, mas a fala dita pela amiga saiu da boca dela, referia-se a uma linda menininha recém-nascida, ainda com menos de vinte e quatro horas de vida, e que em pleno século XXI já tinha 19 anos.

Sentiu uma das mãos de Hyoga segurar-lhe o ombro.

- Tem os olhos dele…

Com todo o cuidado, Eiri tocou a frágil cabecinha do seu filho e desceu as costas do indicador até ao seu rostinho inocente. Fora há tanto tempo que experimentou aquela sensação…

Mas foi a vez de Isaak sair do corpo da mãe e o trabalho de parto continuou, assim como as terríveis dores. Uma das enfermeiras tirou o bebé do colo materno, mas Eiri sabia que Camus precisava de ser limpo e vestido. E provavelmente teria de ir para a incubadora.

Quase uma hora depois, Isaak veio ao mundo. Ele pareceu ser mais chorão e Eiri segurou-o com as próprias mãos, deixando que elas se sujassem sem se importar com isso. As enfermeiras já o estavam a limpar ali mesmo, mas logo trataram de cortar o cordão umbilical e levá-lo para a incubadora.

- Ainda não acredito. – Desabafou o pai.

Uma das enfermeiras foi ter com o casal e removeu a máscara descartável, mostrando um sorriso aberto.

- É natural, senhor Alexei. Nestas alturas, uma pessoa não sabe como se há de sentir. Agora a sua filha tem dois irmãozinhos. É melhor avisá-la.

 

- Eles são lindos. – Natassia abraçou Hyoga, emocionada. – Queria tanto abraçá-los agora mesmo. Queria tanto…

Shun e June também tinham ido ver os filhos do Cavaleiro de Cisne e ficaram encantados: eles eram encantadores. A ex-Comandante cerrou um dos punhos ao lembrar que Hera queria destruir coisas tão bonitas como as que estavam à frente dos seus olhos só por…

- Nunca me vou habituar a isto. – Ouviu Natassia sussurrar no ouvido de Shun enquanto olhava para um Hyoga sorridente, se calhar até demais. June também olhou para Eiri, que estava sentada na maca, mas as pernas estavam deitadas. Ela parecia cansada e dorida, mas estava tão feliz…

Hera queria destruir aquilo tudo, famílias inocentes e puras que apenas queriam ser felizes. Só de imaginar isso a acontecer, June queria abrir um portal para Vasílissa Pagónon, subir até ao templo de Hera e matá-la, mas não podia.

- Acho melhor não te habituares. – Hyoga respondeu para a filha.

 

Turíngia, Alemanha, uma semana depois

 

Um jovem adulto com 37 anos de aparência dura e séria, de cabelos e olhos azuis-escuros com uma cicatriz perpendicular à testa para o nariz olhava para a enorme pilha de documentos existentes na sua secretária como se fosse uma maldição em forma de tsunami preso no tempo que iria desmoronar e atingi-lo a qualquer altura. Ganhou coragem e começou a ler tudo o que tivesse letras, mas quando ia a meio, um cosmo extremamente poderoso fez-se sentir. Havia uma enorme varanda que dava para uma belíssima paisagem de belos lagos e grama verde e olhou através dela, sem abrir a janela. Surge um sorriso muito discreto quando vê a forma espectral de duas almas: ambas eram duas lindas jovens, uma tinha uma aparência delicada, serena e doce. Ela tinha olhos verdes e longos cabelos louros que desciam até às suas costas; já a outra, tinha uma postura dócil e carinhosa. Era dona de longos cabelos lilases, assim como os seus olhos. Ambas estavam vestidas como se fossem ninfas. Eram respetivamente Esmeralda e Pandora, que estavam a descansar no sono eterno chamado morte. Não era a primeira vez que Ikki tinha aquelas alucinações, e quando tal acontecia, era por falta de descanso pelas incontáveis noites que não dormia por estar a gerir os negócios da finada família Heinstein. Uma batida na porta acordou-o dos seus desvaneios e apenas disse:

- Entre.

A porta abriu-se e um homem formalmente vestido entrou acompanhado por uma bela mulher de pele branca e cabelos louros compridos que lhe chegavam aos joelhos. A cor dos seus olhos era desconhecida, pois estavam fechados. Ela tinha uma postura autoritária e imponente, parecia não estar ali para brincadeiras, mas Ikki apenas revirou os olhos.

- Quantas vezes tenho que te dizer que não quero nenhuma prostituta a trabalhar para mim. Vagner, eu já te tenho para me ajudar com a administração e burocracia dos Heinstein, não preciso de mais ajuda, obrigado.

- Mas esta mulher disse que tinha algo importante para lhe dizer em relação a Atena.

Ikki não demonstrou nenhuma reação, embora não tivesse ficado indiferente ao ouvir o nome de Atena.

- Deixe-nos a sós. – Pediu a mulher. O homem saiu, deixando-os sozinhos. Assim que a porta se fechou, ela abriu os olhos e revelou o poderoso cosmo que sentira há pouco.

- Quem és tu?

- Uma amiga do teu irmão que precisa de falar contigo com urgência. Vem aí uma nova guerra e Atena vai fazer uma reunião com uma colega minha, os Cavaleiros de Ouro, os Jovens Cavaleiros e os Cavaleiros Lendários.

- Não podes dizer-me o que eu tenho que ouvir aqui mesmo?

A mulher riu-se secamente.

- Imaginei que dissesses isso. O meu nome é June.

- E quem é que perguntou?

- Perguntaste há bocado.

- A primeira resposta foi-me suficiente. A segunda foi completamente inútil

June riu de maneira novamente seca, mas imediatamente falaram do severo tema que a levara ali.

 

Santuário, Salão do Grande Mestre

 

Sem contar com Ikki, os Cavaleiros Lendários, Cavaleiros de Ouro, Jovens Cavaleiros, June e Akemi encontravam-se no Salão do Mestre do Santuário à roda de uma enorme mesa.

- Devem estar a perguntar o porquê desta reunião aqui no templo do Mestre. – Começou June. – Lamento ser a portadora de más notícias, mas haverá uma Guerra Santa. Correção: já está a decorrer uma Guerra entre Atena e a sua madrasta Hera.

Só Kiki, Integra e Fudou não sabiam, por isso, ficaram tensos e apreensivos, enquanto os outros mantinham um semblante mais calmo.

- Mas porquê? – Perguntou Integra.

- Por volta do tempo ao qual os humanos chamavam de Idade Antiga, Hera ausenta-se do Olimpo e faz uma pequena jornada pela Via Láctea. O que não esperava era encontrar um sistema planetário semelhante ao Sistema Solar. Resolve dar-lhe vida a fim de criar uma pequena distração dos desgostos com que vivia. No entanto, sem que desse por isso, criou uma espécie que possui grande capacidade mental e habilidade para desenvolver utensílios e adquirir conhecimento, semelhante aos humanos. Esta começou a ganhar uma certa afinidade com a nova raça, que parecia a evolução da humanidade terráquea. Hera batiza-os de Pavlonianos e está disposta a deixar o Olimpo para se concentrar apenas neles. Porém, se os deuses soubessem, poderiam querer tomá-los dela. Por isso, decide dividir a sua alma ao meio, deixando 50% dela no seu corpo de deusa e com esta, voltou ao Olimpo, e a outra metade possui o corpo de uma moça aparentemente morta. Batizou o sistema planetário de Pavlónia, em homenagem ao pavão: um belo animal que mostra suas belas formas e cores, representando o Paraíso. Suas penas simbolizam imortalidade, triunfo sobre a morte, longevidade, capacidade de regeneração e transmutação.
Durante setecentos e cinquenta anos, Hera vagueou pelos oito planetas, aos quais deu o nome universal de Territórios e neles, viu um exército nascer. Um exército que iria protegê-la e proteger Pavlónia. Ao contar a sua história, autoproclama-se deusa de Pavlónia e escolhe um pavloniano de cada Território e proclama-o Líder desse mesmo: assim nascem os Sete Esquadrões: os Comandantes, os Justiceiros, os Indomáveis, os Lobisomens, os Feiticeiros, os Tritões e os Sanguinários. Pavlónia começou a evoluir intelectualmente: o estilo de vida era o da Grécia Antiga, com alguns acrescentos de Roma. Através da sua meia-alma no Olimpo, via todos os ultrajes e pecados com que os humanos viviam e ordenou aos Líderes que fizessem o que fosse preciso para que o pecado não escravizasse nenhum pavloniano. E assim aconteceu. Foi descoberto o sistema de lavagens cerebrais e uma maneira de fazer o tempo passar mais rápido e o oitavo planeta que não foi consagrado Território por não ter sido possível a manutenção de vida nas suas terras devido à esterilidade dos seus solos causada pela densidade do seu núcleo interno e pela sua proximidade à crosta do planeta, que tornava a sua superfície demasiado quente para se assentar os pés por mais de três segundos. Esse planeta ficou conhecido como o Território Morto. E Hera pôs nele uma barreira mágica que mantinha os seus residentes lá presos (e que só saíam se fosse necessária alguma cobaia para algum experimento) e ainda, impedia que estes morressem, tornando o seu sofrimento eterno. E era para lá que iam todos os que eram uma potencial ameaça ao bom funcionamento das normas nos Territórios.

- Qualquer um que ouve isto pensa que a Hera é muito impecável, mas a Hera nunca deixou de ser o que sempre foi: vaidosa, orgulhosa, agressiva, e mais do que isso: caprichosa. Ela diz que é por causa dos seus territórios que ficarão sobrelotados dentro de pouco tempo. – Continuou a Traidora Indomável. –  E precisa do cosmo de um planeta com vida, como a Terra, mas existem pela galáxia muitos planetas habitáveis para além da Terra e a Hera podia servir-se de qualquer um sem incomodar ninguém, mas não. Esta guerra não passa de um capricho. A puta da Hera diz que quer ver ação e os seus pavlonianos a combater os “vermes dos humanos”. E esquece-se que tira humanos da Terra para que liderem os Territórios. Eu, por exemplo, a Comandante, mais não sei quantos amigos meus. Há pouco mais de um ano e meio, ainda antes de eu ser a Indomável, a Comandante percebeu os futuros problemas que iriam surgir nos Territórios e avisou a Hera. Ao fim de uns dias, comunicou a grande ideia de declarar guerra à Atena e aos seus Cavaleiros para conseguir o cosmo da Terra e distribui-lo por Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, afim de que estes expandissem os Territórios. Um planeta para cada Território. Mas… só a Comandante concordou sem relutar porque foi “redesenhada” para concordar com tudo o que a Hera diz. Mas os outros Líderes não. Quatro eram humanos e já lideravam há bastante tempo. Até o Lobisomem e a Sereia, que eram pavlonianos sabiam quando uma batalha era desnecessária, então simplesmente discordaram, pois, a guerra contra Atena era completamente inútil e até poderia trazer prejuízos para os Territórios, além do mais, eles não eram parvos para não saberem que haviam vários planetas habitáveis por aí. A Hera deu-lhes mais uma chance de concordarem com ela, mas tal não aconteceu, pois uma imperatriz tão poderosa que deveria proteger os que eram mais fracos que ela, e que eram imensos, tipo dez biliões vezes sete, estava a deixar a sua segurança para segundo plano, pondo em primeiro os seus interesses mimados e como tal, uma deusa caprichosa e maligna como ela nem sequer tinha o direito de saber que terras tão puras e iluminadas como os Territórios existiam, e não hesitaram em tentar abatê-la mesmo que, para isso tivessem que usar a técnica proibida: a Liderança Final Suprema. O meu antecessor disse isso em voz alta, e logo de seguida a Hera tirou-lhes a roupa e começou a espancá-los e deixou-os no templo meio-mortos. E ela pôs-se com discursos a dizer que Pavlónia não passava de um entretém apenas seu, e que os pavlonianos eram só brinquedos nas mãos dela e o facto de terem uma enorme honra e devoção, essas só serviam para lhe encher o ego, e que aquela era a missão de vida dos mortais: servir de entretém para os deuses e quando perdessem a graça, seriam deitados para o lixo. Só eles sabiam. Uns dias depois, anunciou um estranho torneio para todos os membros do Segundo Escalão, conhecidos como Guardiões. Os que mandam nos protetores diretos das cidades-estado. Um Guardião protege um grupo de Pólis e eu protegia o meu. E já era suficiente. A Hera disse que queria saber qual era o Guardião mais forte de cada Esquadrão, sem contar com os Comandantes. Ao todo, foram 62 os que participaram no Torneio. Haviam várias coisas em jogo: honra, reconhecimento, a confiança que os moradores das cidades-estado depositavam nos seus Guardiões… e uma outra recompensa que só seria revelada quando soubessem que era o Guardião mais forte de cada Território. As lutas demoraram meses, pois todos tinham imenso poder, honra, determinação e poderiam ter morrido quase todos, se a Hera não tivesse permitido que tal acontecesse. No final das lutas, haviam seis vencedores: eu, como mais forte dos Guardiões dos Indomáveis, a Samantha, como Guardiã mais forte dos Justiceiros, o James, como Guardião dos Sanguinários, a Veronica, como Guardiã dos Feiticeiros, o Sebastian e o Jonathan como Guardiões dos Lobisomens e Tritões, respetivamente. Era inegável o facto de nos sentirmos orgulhosos e satisfeitos por sairmos vitoriosos. Até descobrirmos o prémio final: liderar os Territórios e para isso, só precisávamos de torturar os nossos antecessores até lhes restar meio minuto de vida. Quando isso acontecesse, a Comandante dar-lhes-ia o golpe final.  Tivemos que os massacrar segundo as instruções daquela mastronça. Foi o dia do Grande Massacre. – Akemi parou de falar, e as suas pernas perderam a força, mas não foram de encontro ao chão. Ao perceber que Akemi não conseguiria continuar a fala, June tomou a iniciativa:

- Hera mentiu quando disse que os Líderes que seriam mortos eram traidores covardes de coração mole que preferiam evitar conflitos e deixar alguma ameaça apoderar-se dos Territórios. Como tal, deveriam ser punidos pelos seus sucessores e mortos pelas mãos de um Líder “exemplar”. O James e os outros todos ficaram pálidos quando souberam e recusaram-se a matá-los. Quer dizer: recusaram-se a acreditar. Os antigos Líderes eram todos força, amor, proteção, honra e justiça. Os atuais também são, tanto que nem acreditaram nas palavras da própria deusa porque Líderes são os representantes da Hera nos seus Territórios. São como Grandes Mestres ou Papas, a prioridade deles é SEMPRE a segurança e o bom funcionamento das normas nos Territórios, e entrar numa Guerra por causa de uns caprichos de uma deusa não era desculpa para tal. A Veronica descobriu a verdade porque é uma Feiticeira e teve a visão do que aconteceu na realidade. E isso aumentou a hesitação e a descrença. O Jonathan, que é atualmente o Líder dos Tritões, teria que matar a sua própria irmã por causa das vontades de uma deusa de merda. No entanto, os seus golpes mais poderosos eram como uma brisa para a Hera e como tal, era melhor fazer o que ela mandava, porque não seriam só os próximos Líderes que enfrentariam a sua ira, mas sim, Pavlónia inteira, afinal de contas, foi ela que deu vida aos territórios, também lha pode tirar. A Indomável e os outros não tiveram outra opção a não ser torturar e quase matar os seus antecessores da maneira mais covarde que alguém pode imaginar: estávamos no meu Território, no Coliseu dos Grandes, o principal. As bancadas da arena estavam literalmente sobrelotadas, mas o massacre era emitido nos Territórios todos. Só as crianças até aos doze é que não viam, mas a parte em que era exposta a verdade não foi mostrada. Ninguém sabe que existe. Eles estavam nus e acorrentados a um Pelourinho para cada, sem os seus poderosos cosmos e sem a sua força vital, o que os deixou completamente expostos e sem a mínima hipótese de se defender. Para quem não sabe, os pelourinhos eram colunas de pedra, erigidas em lugar público, junto às quais se expunham e castigavam os criminosos. – Foi a vez de June não conseguir falar.

- O Grande Massacre foi marcado porque não eram só os massacrados que sofriam. Foi depressivo. Os Líderes eram pessoas tão gentis e iluminadas, eram vistos como divindades. Eu era treinada pelo meu antecessor, assim como os outros e por mais rígidos e intensos que fossem os treinos, ele confortava-nos e era tão bom chegar ao final do dia exausta e por vezes meio-morta e sentir aquele cosmo tão reconfortante e cheio de amor. Nós que os torturávamos… mal conseguimos pegar no que quer que fosse e quando tentávamos ser misericordiosos e a menos arranjar maneira de ao menos conseguirmos matá-los de uma só vez, a Hera tratava de nos punir de alguma forma. Abrir as cicatrizes que carregávamos nos nossos corpos, que já estavam saradas, era um pequeno exemplo. E depois disso, nós os seis quase entrámos em depressão até hoje, ainda não superámos isso, tanto que o James, engatava a Comandante, mesmo sabendo que ela era impaciente e odiava que se metessem na sua vida, só para sair do Território dela com alguns hematomas e os ossos partidos.

- Uouuu, espera aí! Estás a dizer-me que…. – June teve medo de continuar. – O James só me engatava para ter alguém mais forte que ele que o enchesse de porrada? Perderem os antigos Líderes afetou-vos assim tanto para chegarem a esse ponto?! - As lágrimas começaram a cair e Shun abraçou-a carinhosamente. – PÁRA! Não me consoles!!

- Porquê?

- Não percebes? Eu VI os meus melhores amigos a serem torturados por pessoas que amavam como filhos e vi os “filhos” a quererem morrer no lugar deles, ou no mínimo dar-lhes uma morte mais rápida e só por isso, os “filhos” também eram martirizados pela própria Hera. Eu vi aquilo tudo sem ressentimento, nem sequer senti pena. Para mim, o dia do Massacre foi um dia igual aos outros todos. Eu sou um demónio, eu sou…

- Xiu, cala-te, June. – Pediu Shun num sussurro, também começara a ficar com os olhos em água. – O único demónio é a Hera.

- Aquela bicha asquerosa não se importa com ninguém. – Uma sombra cobriu metade do rosto da Indomável. – Se nem sequer conhece os membros da patente mais alta a direito, quanto mais os que lhes são inferiores. Ela disse em voz alta que o James adora matar e ver sangue.

- Mas ele não é um Sanguinário? – Perguntou Haruto.

- O estilo de luta é sanguinário, mas o resto não. Os Sanguinários só adoram ver o sangue de um inimigo, porque se ele fosse o psicopata que a Hera descreveu, já estaria no Território Morto há muito. A rameira disse que ele adora matar, mas qualquer atentado à vida leva o culpado para o Território Morto. Sem contar com os treinos, claro, lá se alguém morre “é problema seu, tivesse-se esforçado mais”. Isto só para dizer que… nenhum Líder luta pela Hera. Eles lutam sim pelos seus Territórios, e se, para protegermos os nossos Territórios tivermos que proteger a Hera e lutar por ela, mesmo que a odiemos, afazê-lo-emos, quer queiramos quer não. Neste preciso momento, os Líderes estão entre a espada e a parede, mas em vez de serem eles a morrer, são os seus Territórios. As suas terras que eles tanto amam e protegem com a sua vida. Podem ser da Elite, mas no fundo, não passam de escravos. Nenhum deles quer estar nesta Guerra idiota. Eles são boas pessoas. São todos força, amor, proteção, honra e justiça. Os pavlonianos em geral também, mas só os Líderes sabiam a verdade por trás dos interesses da Hera, portanto os restantes Escalões acham que estão a lutar pelos seus Territórios, por isso não vão ser vencidos com tanta facilidade. Mas a Hera sempre foi realmente má. Nenhum de nós era Comandante, mas a Hera não quis saber, pois a primeira fase do massacre era chicoteá-los até vermos carne viva. Um membro de um determinado Território só pode usar a arma correspondente ao seu Esquadrão: os Indomáveis usam espadas, os Comandantes usam chicotes, os Justiceiros usam escudos, os Sanguinários usam adagas, os Lobisomens usam arcos e flechas, os Feiticeiros usam varinhas, os Tritões usam lanças de três pontas, que também se podem chamar de tridentes. Então, nenhum de nós sabia como usar um chicote. Só sabíamos como nos defendermos deles.

- Mas vocês não sabiam usar essa coisa… - Yuna sobressaltou-se e percebeu o esquema. – Isso quer dizer que…

- Exato. Não sabíamos usar os chicotes, ia demorar mais. A ideia era essa.

- Que mulher insensível…. – Desabafa Ryuho.

- Mas bem, o tema da reunião não são os meus desgostos. Pelo que sei, alguns de vocês sabem como os Pavlonianos lutam, não é verdade?

- Sim. – Confirmou Seiya, repetindo tudo o que Samantha lhe dissera.

- Nada disso é mentira. – Esclareceu June. – Em Pavlónia, a vida é dura para quem anda no Exército. O domínio sobre o nosso cosmo, as nossas Penas (é o nome das nossas armaduras), as nossas armas… só os conseguimos por nós mesmo. Lá não há essa coisa de herdar armas e penas. Queres uma arma, ou uma pena, constrói-a, e mesmo assim, só o podes fazer depois de passares para o Quarto Escalão, porque para alguém ter o direito de manusear uma arma, tem que provar que sabe lutar sem uma. E isso é testado no “Tudo ou Nada”, que também decide qual é o Esquadrão do vencedor através da forma como ele ou ela luta, embora eu acredite que a Hera se meta onde não deve.

- É um teste que ocorre anualmente, na época dos Jogos, onde dois membros do Quinto Escalão lutam até à exaustão, ou até à morte, se for preciso. O vencedor passa para o Quarto Escalão, enquanto o derrotado ou morre ou repete os seis piores anos da sua vida, e para isso, mais vale morrer.

- E por favor, deixem-se dessas merdinhas de “ser bonzinho para as mulheres”. Lá não há machismo. A sério. Uma mulher tem a mesma vontade de lutar e proteger as pessoas que um homem, às vezes, tem ainda mais. Porem-se com essas merdinhas é uma enorme falta de respeito. Shaina, eu não sei como é que vives bem ao saber que eles não queriam usar-te como escudo só por seres uma mulher, a sério. Tu querias proteger o Seiya e ele “Ah, eu não posso usar uma mulher como escudo, ah não sei o quê.” Se a desculpa fosse “não posso usar uma pessoa querida como escudo”, a história seria outra. Se uma amazona pavloniana vos ouvisse a dizer isso em voz alta, seria uma ofensa enorme, não, dava tanta raiva que qualquer uma teria vontade de chorar. Cavaleiros têm o nosso respeito, mas há coisas… quer dizer: eu sou uma mulher e quero lutar pela justiça. Para isso tenho que abrir mão de tudo o que não for masculino, exceto o meio das pernas e o busto? A sério, qual é o vosso problema? Vão-nos dizer que a maneira de pensar dos pavlonianos é enganosa e nós estamos a ser manipuladas, ou que já estamos a passar dos limites por nos acharmos no mesmo nível, ou por termos os mesmos direitos que os homens? E que se nós só servimos para emprenhar e parir, porque é que não viemos no formato de um animal, ou de uma máquina programável? Atena, tu és uma deusa de justiça e amor, o que é que tens na cabeça? “Ah, só os homens é que podem lutar e se uma mulher o quiser fazer, tem que deixar de ser mulher para se igualar a um homem.” Porque é que não é o homem a igualar-se a uma mulher?

- June!

- O que é que ela disse de mal, Shun? – Perguntou Saori. – Eu tinha que ouvir isto da boca de alguém. A Indomável já me alertou sobre essa questão do machismo e só porque foi dito por um ex-inimigo, não quer dizer que eu tenha obrigatoriamente de discordar, mas em Pavlónia nunca houve algum pensamento de os homens serem superiores às mulheres por terem corpos mais resistentes?

- Para começar, isso é inegável, por isso é que vão mais homens para os Indomáveis e mais mulheres para os Comandantes, pois o Homem tem como ponto forte a força física, enquanto a Mulher é mais evoluída a níveis intelectuais. Claro que já houve essa mentalidade de os homens serem superiores às mulheres. – Akemi abriu um sorriso. – Eu não gosto nada da Hera, mas eu tenho que admitir: queria ter sido eu a fazer isso. Que ranço…

- Fazer o quê? – Perguntou Harbinger curioso.

- Antes da Hera se mostrar pela primeira vez nos Territórios, assim como na Antiga Grécia, mais precisamente na cidade de Atenas, que prestava culto a uma deusa com letra “A”, o machismo era gigantesco: quando as mulheres casavam, passavam da TUTELA do pai para a do marido, mudavam de dono, literalmente. Não podiam sair de casa, quer dizer, não podiam sair do Gineceu, que era uma divisão da casa feita para as mulheres, ou seja, eu casei-me, sou um homem-macho, esta casa é minha e a minha mulher fica ali arrumada. Só serviam para procriar, limpar a casa e cuidar dos filhos, então, quando nascia um homem… aquilo era uma festa, quando nascia uma mulher, fudeu. Então, o que é que a Hera fez? Lançou um feitiço e TODAS as mulheres grávidas de TODOS os Territórios passaram a parir só homens. Não era isso que eles queriam? Então força. Uma mulher emprenha, pare um homem, ou dois. E toda a ação tem uma reação. A população feminina começou a diminuir e chegou o dia em que a última mulher se foi à vida. E…. – Akemi riu-se. – Podem dizer o que quiserem, mas eles estavam a pedi-las. Começaram a haver “efeitos secundários”. Uns ficavam carentes porque não tinham nenhum buraco onde enfiar o pau. A homossexualidade não passava pela cabeça de ninguém. Só as mulheres é que sabia pegar numa vassoura, e os Territórios ficaram uma pocilga e foi uma questão de tempo até os pavlonianos se extinguirem. Foi o desespero e ainda antes disso tudo, e quando só restavam talvez dez homens em cada Território, a Hera aparece toda imponente, a dar lição de moral sobre a importância das mulheres e que os homens deveriam dar muito mais valor e deixar o machismo, pois um homem e uma mulher são iguais. Um homem e uma mulher precisam um do outro apresar das diferenças físicas e intelectuais entre eles e blá blá blá. Depois contou a sua história TODA e foi assim que se autoproclamou deusa de Pavlónia. Lançou um feitiço e deixou os a dormir durante setenta dias. A cada um dos homens tirou-lhe uma das costelas, cujo lugar preencheu de carne. Das costelas fez uma mulher para cada homem e esperou que eles acordassem. Quando tal aconteceu, Hera apresentou-as aos homens e explicou mais uma vez que uma mulher e um homem não são superiores ao outro, pois a mulher foi criada pela costela de um homem, não foi nem pelo pé, nem pela cabeça. E se fossem os homens a serem extintos, aconteceria às mulheres o mesmo que lhes aconteceu. Também lhes falou do amor, que era a maior força que qualquer um poderia ter e do quanto este era essencial para a vida. E logo de seguida tratou de impor regras, que foram escritas ao detalhe e que passaram a ser chamadas de “Protocolo de Honra” e quem não as cumprisse, teria um destino pior que a morte: viver eternamente no Território Morto. Tudo aconteceu como a Hera queria e agora, cá estamos nós.

- Porque é que o Território Morto se chama “Território Morto” se quem vai para lá vive eternamente? – Pergunta Yuna, estranhando a contradição.

- Aos olhos da Hera e dos Pavlonianos, quem vai para lá está morto. Já virou cadáver, e está a pagar pelo que fez.

- Como por exemplo…?

- Adultério, estupro, homicídio, acho que já se percebeu.

- O que é que distingue os pavlonianos dos humanos, como duas raças distintas? – Pergunta Kiki.

- Os pavlonianos têm corpos mais fortes, reflexos mais rápidos, conseguem desenvolver singularidades, que correspondem a uma habilidade especial, super-humana, que um indivíduo pode possuir. As singularidades são geralmente únicas para os seus usuários e são classificadas em diversas categorias**. Se há coisa que os pavlonianos fazem bem é respeitar oponentes. Os Cavaleiros de Atena, os Marinas de Poseidon, seja quem for, podem ser rivais, ou até mesmo inimigos, têm total respeito por eles. Diferente da Hera que vê tudo o que é oponente como o mais horripilante dos vermes. Mas, podemos respeitar os Espectros, mas odiamos o Hades. Ele é um safado mentiroso cruel que manipula e engana os seus servos. Até a Pandora, que o amava como um irmão. - Contou June. – No entanto, por mais fortes que os pavlonianos sejam, não receberam a única força que o Deus supremo concedeu à humanidade e que ainda preocupa os Deuses: o poder de fazer milagres. Acredito que a Hera tenha levado para Pavlónia alguns humanos por causa desse poder, que ela não conseguiu dar aos pavlonianos.

- Outra pergunta: na semana passada reviveste a Atena, salvando-a da morte certa. Como é que conseguiste?

- Para começar, eu não a ressuscitei. Apenas impedi que a alma dela chegasse ao Tártaro, e mesmo assim, só o poderia ter feito ao fim de vinte e quatro horas depois do “óbito”. Os pavlonianos não fazem milagres.

- Como é que vão ser as próximas batalhas? – Perguntam Hyoga e Shiryu.

June respira fundo e prepara-se para falar:

- Esta é a ordem de ataque, independentemente do Escalão: primeiro virão os Tritões acompanhados pelos Sanguinários. Os primeiros vão usar o seu maior dom: a velocidade e se exterminarem os adversários, tudo bem, mas se não, já abriram caminho para os Sanguinários concluírem o trabalho. Se porventura falharem, os Lobisomens acabam com qualquer tipo de ameaça. Esta é a primeira fase. Na segunda, aparecem os Indomáveis e os Justiceiros, que são praticamente parceiros no campo de batalha porque um defende e o outro ataca. Os únicos que faltam são os Feiticeiros, que podem atacar de longe e os Comandantes. Eles são sempre os últimos a atacar, porque são os estrategas, então não faria sentido se atacassem antes de quem quer que fosse. Quanto a nível de força e cosmos, os mais de sete mil Soldados já o dominam, sem uma grande maestria, mas a suficiente. Não se sobressaltem; os 714 membros do Terceiro Escalão, chamados de Mentores têm quase o nível de cosmo de um Cavaleiro de Ouro, os 79 Guardiões ultrapassam-nos e muito, mas os mais poderosos são os 7 Líderes. Um deles sozinho é oponente para os Doze Cavaleiros de Ouro, mas no momento, tal não acontece, porque, sem contar comigo, os Líderes foram recém-proclamados ainda nem há um ano e como tal, nem sequer passaram no teste final: o Sono Imperial.

- Só o nome já arrepia. – Desabafa Souma.

June olhou-o de lado. – Se fosse só o nome era um milagre.

- O que é o Sono Imperial? – Perguntou Kouga.

- É uma técnica que os Guardiões e os Líderes sabem desenvolver perfeitamente, mas que é expressamente proibida, ou melhor, deve ser vista como último recurso porque é uma técnica especial que não deve ser usada. Basicamente, a vítima fica a dormir sem se lembrar que o Sono Imperial existe e vive numa espécie de universo alternativo, onde vive o seu maior pesadelo. É horrendo, depressivo, mas não o suficiente ao ponto de alguém pensar “isto é mau demais para ser verdade”, pois à mínima desconfiança, é uma questão de tempo até perceberem que aquele não é o mundo real. Acontece que o corpo não recebe nutrientes e etc. e a pessoa vai morrendo aos poucos de desnutrição. O Sono Imperial já matou imensos candidatos ao título de Líder. Não é qualquer um que sobrevive a isso. Mas há mais coisas que precisam de saber. Quem está no Segundo Escalão já despertou os sentidos até ao oitavo e os Líderes já despertaram o Ómega.

- O QUÊEE???!! – Ninguém acreditou no que June disse. Assim como Akemi, permaneceu com um semblante calmo. A Traidora Indomável continuou:

- Ryuho, Kouga, Souma, Yuna, Haruto, Éden. Vocês dizem que despertaram o Ómega completamente, não é verdade? Ficam a saber que não. Mesmo que o Ómega seja só um tipo de cosmo, está entre o oitavo e o nono sentido, e vocês ainda não o despertaram. Se tivessem feito, o vosso Ómega seria muito mais forte. Dizem que o Ómega é o cosmo final, mas ainda há a Suprema Virtude, o nono sentido: a verdadeira essência do Cosmos, uma fonte de poder e existência sem limites. Os deuses possuem essa plena consciência do Cosmos, como eles seriam o próprio Cosmos. Poderes concedidos por esse conhecimento são absolutamente infinitos, mas somente Deuses superiores estão plenamente cônscios deste poder, enquanto os deuses menores, apesar de serem cem vezes mais fortes do que os guerreiros humanos mais fortes, estão longe do poder absoluto e ilimitado. Com este infinito Cosmos, não há nada impossível de alcançar para alterar profundamente as regras centrais da natureza e do universo. Os poderes reais deste Cosmos ainda não são conhecidos na sua totalidade, já que a Hera tem cerca de metade do seu cosmo no seu corpo de deusa que se encontra no Olimpo. Ainda assim, apenas sei que os meus poderes são insignificantes contra a Hera, e ela é a rainha dos deuses, a mulher e irmã de Zeus, e mesmo com Pavlónia, nunca praticou nenhuma infidelidade para com o seu marido. O que viram no outro dia era menos de metade, mas vale lembrar que aquele corpo é humano e que metade da alma dela está no Olimpo. Poseidon e Hades usaram este Cosmos divino para capacitar Marinas e Espectros, já que eles eram pessoas normais originalmente. Sendo o poder absoluto, coisas como explodir 5 Armaduras de Ouro em pedaços com um único golpe como Thanatos fez, ou ultrapassar o poder do Zero Absoluto, como Hyoga provavelmente fez, ainda podem ser vistos como feitos insignificantes. A única maneira que um humano poderia se opor a este cosmo absoluto é chamado de milagre, a única força que o Deus supremo concedeu à humanidade e que ainda preocupa os Deuses, uma força que Shiryu e os outros demonstraram possuir, como a destruição do pilar de Poseidon. Na minha humilde opinião, eu acredito que o Seiya tenha chegado perto desse nono sentido quando acertou em Hades com o “Meteoro de Pégaso”, antes de ter sido quase morto pela espada.

- Então, para derrotarmos a Hera temos que despertar o nono sentido? – Questiona Shun.

- Não é assim tão simples e cuidado com isto: a Hera não pode ser simplesmente morta. Se ela morrer, Pavlónia deixa de existir. São imensuráveis vidas em jogo para serem simplesmente apagadas dos radares. E mesmo que a Hera seja malvada, ela sabe cuidar bem dos seus brinquedos, por isso, ninguém do Olimpo deve saber disto, principalmente Artemis e o seu irmão Apolo, que são outros filhos de Zeus e que nutrem ódio infinito ódio pela Hera porque ela tentou impedir o parto da mãe deles quando enviou Píton para persegui-los e matá-los.

- E antes que eu me esqueça: a Justiceira pediu-me para entregar isto a Atena. Em nome de Hera.

Saori leu o manuscrito e suspirou.

- Vai ser a catorze de abril. O Tritão estava certo. Vai ser daqui a quatro meses. Vamos ter de nos preparar. Aqui também diz que ela desfez o feitiço que faz o tempo passar mais rápido.

- Mas como é que a Hera vai retirar o cosmo da Terra para os planetas? – Perguntou Shun.

- Eu realmente não sei. Quem sabe são os Feiticeiros. Apenas me garantiram que faltava uma parte, um ingrediente. E sem ele, nada feito. 

Continua…


Notas Finais


No próximo cap vou pôr o Grande Massacre com mais detalhes, assim como o reencontro entre os Jovens Cavaleiros.
A Akemi estava na receção com a Minu e isso, mas não apeteceu pôr-me com reencontros lamechas.
* Morangos com Açúcar, último episódio da quinta temporada, mas na versão masculina.
** São basicamente as singularidades de BNHA.
Sobre o Ikki a gerir os negócios da família da Pandora, resolvi fazer um presentinho para os fãs do casal (mesmo assim sem ignorar a Esmeralda), em especial para ~CureSapphire (se vires, diz-me o que achaste)

Sobre o nono sentido, tirei as informações https://saintseiya.fandom.com/pt-br/wiki/Cosmo


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