História Sala 7 - Capítulo 7


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Mentirinhas


O bater de botas no assoalho estava me deixando zonza. Alec observava pelo canto dos olhos enquanto Jace andava de um lado para o outro impacientemente, ora ou outra corria os dedos entre os cabelos loiros e lançava olhares raivosos para o garoto. Não tinha noção de quantos minutos haviam se passado desde que chegamos ao apartamento de Magnus Bane. Ainda me sentia estranha pelo episódio do Central Park, como se minhas entranhas tivessem sido reviradas várias vezes. Estava tão abalada que nem sequer surtei — não muito, pelo menos — quando o Alto Feiticeiro do Brooklyn nos recebeu usando cueca e um blazer azul elétrico. Presidente Miau pulou do colo do feiticeiro e veio aconchegar-se no meu. Eu me encontrava encolhida no chão encostada no sofá de couro. Acariciei a cabeça do gato, me perguntando se eu emanava algum sentimento que o atraíra para mim.

 

Eu ainda não tinha entendido muito bem como funcionava o lance das dimensões, mas sabia que havia algo claramente errado ali. Onde estava Clary? Em qual livro estávamos? Esse era mais um caso igual ao de Jogos Vozes? Minha cabeça doía.

 

— Tem certeza que não foi um demônio? — Perguntou Jace, pela vigésima vez.

 

— Não era um demônio. — Respondi, com a voz baixa e controlada, ainda focada na bola de pelo em meu colo.

 

— Quem é você mesmo? — Cuspiu Jace. — Alec, por que trouxe os mundanos pra cá, afinal?

 

Ás vezes quando eu lia os livros sentia raiva do garoto por ser rude com as pessoas, mas era um sentimento diferente desse. Eu não sabia o que era sentir isso pessoalmente, na vida real. Tive vontade de socá-lo, mas contei até dez e respirei fundo, me contentando em apenas estapeá-lo verbalmente.

 

— Vai a merda, garoto! — Respondi enquanto deixava a gato no sofá e me levantava para encará-lo. — Escuta aqui, eu não sou suas namoradinhas e você não me conhece, então não venha ser grosso comigo sem motivo. — Coloquei as mãos na cintura e sorri falsamente, me jogando no sofá em seguida.

 

— Gostei dela... — Murmurou Magnus para ninguém em particular.

Eu deveria tê-los deixado morrer? — Respondeu Alec, me ignorando. — Eu não sabia o que eram aquelas coisas, Jace, e me pareceu apropriado não os deixar sem supervisão. — Seu tom era ríspido. Ele me olhava com irritação.

 

 

— A propósito, meu nome é Lori Lannister. — Selei os lábios, segurando a risada. Lannister fora o primeiro sobrenome que veio em mente, logo após Carstairs e Lovelace, que era uma péssima ideia.

 

Um silêncio constrangedor se instalou no local, então me arrastei para fora do sofá, me espreguiçando.

 

— Vou ver se o Adam e a Isabelle estão precisando de algo. — Avisei.

 

Quase me perdi em meio ao monte de cômodos até finalmente chegar na cozinha muito bem iluminada de Magnus. Isabelle e Adam estavam sentados nos banquinhos juntos ao balcão de madeira comprido no centro. Pigarreei para anunciar minha chegada, chamando a atenção. Isabelle olhou por cima do ombro e acompanhou meus passos até eu me sentar de frente para ambos.

 

— Como se sente? — Perguntei ao Adam.

 

— Melhor, eu acho. Era só fome, então eu comi uns chocolates que eu tinha amassados na mochila. — Ele deu de ombros.

 

Só então fui reparar nas diversas embalagens de chocolate rasgadas em cima do balcão. Isabelle segurava um bombom Sonho de Valsa pela metade.

 

— Tudo bem lá na sala? — Murmurou a garota, enfiando o resto do bombom na boca.

 

— Jace está surtando, mas acho que tudo ok. — Respondi, deixando de fora a parte que eu mesma surtei.

 

— É — Sussurrou. — Jace odeia não ter controle das coisas. — Comentou, com um sorriso de desculpas.

 

— Eu sei. — Revirei os olhos.

 

Logo me arrependi da afirmação, afinal, eles não sabiam que eu sabia tudo sobre eles.

 

— Quer dizer, eu posso imaginar. — Corrigi com rapidez. — Ele é um cara estranho.

 

Isabelle riu e jogou a embalagem do seu chocolate na pilha no final do balcão. Apoiou os cotovelos ali e me fitou com curiosidade.

 

— Estranho? Normalmente as garotas ficam caidinhas por ele. —

 

Bufei, como se aquilo fosse superengraçado e ridículo.

 

— Ele nem é bonito. — Menti.

 

Adam me encarou franzindo o cenho e revirou os olhos ao dizer “Sei” sem som algum. Achei estranho Isabelle não sendo grosseira conosco, não era exatamente muito “Isabelle” ser gentil, ainda mais com garotas.

 

— É claro que a Lori esqueceu de mencionar que é lésbica, Izzy. Não é, maninha? — Indagou Adam, com um tom de desafio e divertimento.

 

Isabelle arqueou as sobrancelhas e soltou um “Oh!”, então sorrio sem graça. Senti minha cara pegar fogo e fuzilei Adam com os olhos, coisas que eu queria fazer literalmente. Agora ela ia pensar que eu estava flertando com ela. E de onde diabos veio essa intimidade com a garota para chamá-la de Izzy? Que ridículo.

 

— Então — Falei, quebrando o gelo. — O quanto Adam contou sobre nós? — Comecei a batucar com as unhas no balcão, um simples gesto de impaciência para saber as mentiras do meu melhor amigo traidor.

 

— Não muito. — Deu de ombros. — Vocês são irmãos, vieram do Brasil para ficar na casa do tio Snow e se perderam quando chegaram na cidade, indo parar no Central Park. — Isabelle colocou uma mecha de cabelo que tinha saído de seu coque atrás da orelha, um gesto tão simples, porém tão gracioso.

 

Definitivamente ela era a garota mais linda que eu já conhecera. Portadora de olhos castanhos escuros e sérios, cabelos negros, compridos e brilhantes, era bem alta e tinha o corpo perfeito, mas o melhor de tudo era sua confiança e atitude, como uma rainha. Mesmo eu sabendo que por dentro ela não se sentia exatamente assim, que queria ser pequena e delicada. Tanta bobagem!

 

A menina provavelmente notou que eu a analisava sem perceber e levantou-se, virando de costas para eu não notar que ela corava. Ela abriu a geladeira e resmungou ao apoiar-se na porta aberta.

 

— Essa geladeira é um deserto. Como o Magnus vive assim? — E fechou-a com o pé ao virar-se e sair do local.

 

Dei um tapa no balcão que produziu um eco na cozinha toda, mas não me importei. Encarei Adam como se eu fosse o leão e ele a presa. Ele passou a mão pelo seu cabelo castanho escuro perfeitamente liso como se tivesse acabado de sair de um salão de beleza e escorregou a mão até seu rosto, ocultando-o de mim. Eu sabia que ele não queria que eu visse que ele estava se segurando ao máximo para não cair na gargalhada.

 

— Você é ridículo, sabia? Agora a garota vai ficar achando que eu sou lésbica mesmo e estou dando em cima dela! — Esbravejei, jogando um monte de embalagem de chocolate nele – como se isso fosse mesmo doer.

 

O desgraçado caiu na gargalhada, até dava socos no balcão de tanto rir. Cruzei os braços e o encarei, tentando segurar o riso também, porque eu estava brava com ele e não podia dar mole.

 

— Desculpa, eu não aguentei. — Disse ele em meio ao riso descontrolado. — Viu a cara dela quando você ficou encarando? — E voltou a rir.

 

— Ok, perdeu a graça. — Joguei os cabelos para trás e cruzei as mãos por cima do balcão, encarando-o seriamente. — Por que disse a ela que somos irmãos? E que papo é esse de “Izzy”? Você nem sequer leu os livros! — Questionei, tentando não soar desapontada sem motivo aparente.

 

Apesar de tudo isso ser ridículo, me senti levemente decepcionada sobre as coisas que ele disse para Isabelle. Mas o pior foi a intimidade, e ela nem pareceu se incomodar! Provavelmente era só ciúmes dos meus personagens que eu tanto amava, que acompanhei a cada página de cada livro, sofri, ri e chorei com eles. Acho que era só frustração, não sei. Era como se eu me lembrasse de tudo o que “vivi” com eles e eles nem soubessem meu nome, como se eu não existisse. Agora eu sabia exatamente o que todos sentiram no final do último livro com relação ao Simon.

 

— Não, mas eu assisto Shadowhunters e, devo dizer, ela realmente se parece com a Emeraude Toubia! — Seus olhos brilhavam enquanto ele falava.


— Ewww, não compare a obra de arte que a Cassandra Clare escreveu com aquela série de segunda. — Revirei os olhos. — Mas admito que a Emeraude é maravilhosa e realmente se parece com a Izzy dos livros.

 

— E eu disse que somos irmãos porque somos, não de sangue, é claro, mas isso é só detalhe. — Explicou pegando um palito de pirulito e colocando entre os dentes. — E me dei bem com a garota, qual o problema? Sabe que me dou bem com garotas, Lori. — Segurou o palito entre dois dedos e “tragou” o ar, soltando uma fumaça invisível em seguida.

 

— Vê se cresce, Adam! — Respondi, estalando os dedos em frente ao seu rosto.

 

— Ciuminho? — Sugeriu, arqueando as sobrancelhas sedutoramente e mordendo o lábio inferior.

 

— Ai, você é ridículo! — Dei um tapa no seu braço nu. — E lembre-se que nosso sobrenome é Lannister.

 

Levantei-me assim que ele voltou a gargalhar, esfregando seu braço que agora possuía a marca vermelha da minha mão como uma tatuagem temporária. Estava pronta para sair quando Alec adentrou o local correndo.

 

— Melhor vocês verem isso. — Sua voz estava estranha. Mal chegou e logo saiu por onde veio.

 

Troquei olhares com o garoto ainda sentado, sentindo novamente minhas entranhas sendo reviradas. O mesmo pulou do banquinho e passou como um relâmpago por mim, perdendo todo seu ar descontraído de segundos atrás. Hesitante, segui seus passos e de Alec para fora da cozinha.



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